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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

24
Nov21

Enem com "a cara do governo"

Talis Andrade

 

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Bolsonaro leva a bagunça ao Enem com método 

por Josias de Souza

O brasileiro vive espremido entre a escassez e o excesso. Faltam dinheiro, emprego, chuva, luz e gasolina barata. Sobram dólar caro, juros ascendentes e inflação. Excetuando-se a falta de chuva, Bolsonaro é parcialmente responsável por tudo isso. Em vez de apresentar soluções para os problemas reais que o cercam, o presidente fabrica uma encrenca seminova. Às vésperas do Enem, Bolsonaro dedica-se a avacalhar o exame. Há método na bagunça.

Incapaz de colocar ordem num governo caótico, o capitão mobiliza seus devotos na internet para cultuá-lo como solução para problemas que o Brasil não sabia que tinha antes de sua chegada ao Planalto. O Enem consolidou-se como instrumento confiável de aferição dos conhecimentos de milhões de candidatos a vagas em universidades públicas no Brasil e no exterior. Sob Bolsonaro, o Planalto e o MEC passaram a implicar com a prova, acenando com a censura de perguntas.

A Folha informa que, no primeiro semestre, Bolsonaro determinou que questões sobre 1964 deveriam tratar o golpe militar como revolução. Em março, quando o golpe fez aniversário de 57 anos, o ministro da Defesa, general Braga Netto, chamou-o numa nota de "movimento de 1964". São eufemismos oficiais para a deposição do presidente João Goulart.

Nasci em 1961. Não passava de uma criança quando os militares tomaram o poder. Já era um adulto de 23 anos quando o Congresso, numa eleição indireta, escolheu Tancredo Neves para colocar fim a uma ditadura falida que durou mais de duas décadas. Impossível suavizar a história com eufemismos de um governo mequetrefe comandado por um político que repete no Planalto conceitos que recitava como deputado do baixo clero.

O que o país precisa saber é se o diversionismo de Bolsonaro desvirtuou a prova do Enem. Alega-se que não. Logo saberemos, pois a primeira rodada do exame ocorre no domingo. Mas o Inep, órgão que cuida do Enem, já tomou providências para prolongar a atmosfera de suspeição. Tornou secreto o processo interno sobre a entrada de um policial federal na sala de segurança onde os exames são elaborados. A balbúrdia, não há dúvida, tem método.

Claudio MorImage
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05
Nov21

Os riscos da ignorância armada

Talis Andrade

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Neofascistas soam como algo mais apropriado ao mundo medieval, embora estejam frequentemente a manejar tecnologias de vanguarda

 

por Paulo Capel Narvai /A Terra É Redonda

Florestan Fernandes, aposentado compulsoriamente da Universidade de São Paulo (USP) e com os direitos políticos cassados pela ignorância que o golpe civil-militar de 1964 instalou no poder federal, cultivava a inteligência e a razão. Homem de ideias e ação, ele elegeu-se duas vezes deputado federal, uma delas para ajudar a escrever a “Constituição Cidadã” de 1988, que Ulysses Guimarães qualificou como “luz, ainda que de lamparina, na noite dos desgraçados”. Vítima de diferentes formas da ignorância, Florestan dava muito valor aos conhecimentos e às ideias e tinha horror ao pensamento autoritário, à imposição de algo pela força e pela violência, armada ou não. Nas duas vezes em que foi eleito, o lema de suas campanhas foi “Contra as ideias da força, a força das ideias”. Sabia do que falava – e para quem.

Um dos traços distintivos do nazifascismo é o ódio ao pensamento crítico, à razão e à reflexão livre, sempre acompanhado de recorrente culto à ignorância, veiculada e reproduzida pelo senso comum e pela moral burguesa. O anti-intelectualismo, como expressão da antirrazão, confere ao nazifascismo essa condição de desajuste, de permanente anacronismo nas sociedades contemporâneas, herdeiras do renascimento e do iluminismo. Nazifascistas soam, sempre, como algo mais apropriado ao mundo medieval, embora estejam frequentemente a manejar tecnologias de vanguarda. A cabeça é medieval, e nada consegue ocultar essa característica.

A divulgação, em 29 de outubro de 2021, de que cinco dirigentes da ANVISA, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, receberam ameaças de morte, por correspondência eletrônica que lhes foi dirigida,1 anuncia o atingimento da beira do precipício: a ignorância, armada, volta-se contra uma instituição da República, cuja missão é a defesa da saúde da população, uma vez que incumbe ao Estado fazê-lo, assentando suas decisões em conhecimentos científicos, vale dizer, da razão. Sim, há sempre várias racionalidades, que se expressam concomitantemente. Porém, em assuntos da esfera pública, não cabe argumentar com racionalidades que não encontram fundamento em ciência.

O respeito, que deve haver sempre a racionalidades baseadas em saberes metafísicos, não corresponde a aceitar que crendices e superstições sejam elevadas à categoria de fundamento de decisões sobre políticas públicas. No recente episódio envolvendo técnicos da ANVISA, o motivo das ameaças de morte decorreu de questões relacionadas com uma vacina contra o SARS-CoV-2, o coronavírus causador da covid-19. Isto posto, decerto que nada justifica agressões a autoridades públicas que agem, tendo por referência o bem-comum, apoiadas em conhecimentos científicos e com vistas à promoção da saúde da população, conforme determina o preceito constitucional. Quem age assim, comete crime.

Mas o episódio envolvendo dirigentes da ANVISA expressa também os riscos de o Estado, por suas instituições, não agir contra os agressores, protegendo-os e em última instância, estimulando-os a prosseguir na senda da violência e ameaçando matar. É gravíssimo que a ignorância, armada, siga agindo impunemente, recebendo guarida de autoridades públicas.

Em Terraplanismo Epidemiológico,2 artigo que publiquei no site A Terra é Redonda, disse que “a principal luta da humanidade, ao lado dos desafios da sobrevivência, sempre foi a luta contra a ignorância, contra o desconhecido. Decerto que saciar a fome, conseguir abrigo e sobreviver às doenças são desafios permanentes para a espécie humana. Mas, assegurada a sobrevivência, o homo sapiens tem na ignorância, no desconhecimento, nas fantasmagorias e crendices, a maior ameaça à espécie. Seu enfrentamento, cotidiano, tem longa história e registra passagens que não nos colocam em nenhum panteão das espécies, ou algo assim. Não há um começo para o registro dos que pagaram com a própria vida a ousadia de desafiar poderosos, em nome do conhecimento, mas é inegável o marco representado pela condenação e morte de Sócrates. A longa lista inclui Giordano Bruno e fez vítimas não fatais, mas igualmente lamentáveis, como Galileu, Spinoza, Darwin, Unamuno, Freire e Snowden, para chegar à contemporaneidade”.

Mencionei também o conceito de “ignorância estratégica”, desenvolvido pela canadense LinseyMcGoey, autora do livro The unknowers: how strategic ignorance rules the world,3 segundo o qual pessoas, empresas e governos se omitem, deliberadamente, frente a conhecimentos que possam lhes ameaçar de algum modo. Ao optar por ignorar o que sabem, pessoas, governos e empresas não são, nessas situações, tecnicamente falando, ignorantes. Sabem o que fazem, mas agem para tirar proveito das situações, fingindo ignorar, desconhecer.

A ideia de “ignorância estratégica” estaria a orientar covid ea política de enfrentamento da pandemia adotada pelo governo brasileiro, segundo o entendimento de vários analistas, de pelo menos um grupo de pesquisa brasileiro,4 e conforme as conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a pandemia de covid-19, instalada no Senado Federal, e que neste mês concluiu seus trabalhos.5

A ignorância estulta, produto da estupidez completa, nada tem a ver com a ignorância estratégica. A pior ignorância é, porém, a ignorância arrogante.

O ignorante arrogante, escrevi, pensa que está acima de tudo e de todos, notadamente das leis e das regras de convívio social. Nada que diga respeito “ao povo” e às “coisas do povo” lhe diz respeito. Ele “não tem nada a ver com isso” e não crê em coisa alguma que não sejam as suas convicções sobre qualquer assunto. O ignorante arrogante não se deixa tocar, nem de longe, pelo conhecimento que provém das evidências científicas. Estas nada significam para ele. Não é herdeiro, nem parecem lhe fazer falta, os sacrifícios de Sócrates e Giordano. Nas fogueiras da Inquisição, e nas queimadas de livros do nazismo, o ignorante arrogante tinha o fogo nas mãos.

Seja como for, seja por “ignorância estratégica”, seja por “ignorância arrogante”, derivada da matriz nazifascista, a ignorância precisa ser contida quando começa a dar mostras de até onde pode chegar, como no caso das ameaças a técnicos e dirigentes da ANVISA.

Bastam-nos as dificuldades que a ignorância estulta nos causa, ainda que restrita aos “cercadinhos” e outros espaços sociais onde se jacta de criacionismos, fantasmagorias e delírios sobrenaturais. Mas as violências que engendra têm seu alcance limitado à audiência de suas pregações. Bastam-nos, também, as macabras e monstruosas consequências da “ignorância estratégica” com origem no gabinete do ódio, instalado no Executivo federal. E basta-nos, sobretudo, a “ignorância arrogante” que, agora, se auto-atribui um inacreditável papel de milícia digital “saneadora” de “influências científicas” em instituições públicas, sob responsabilidade do Estado brasileiro.

Porém, não é possível tolerar, de nenhum modo, a ignorância armada.

Por essa razão, é urgente que as instituições da República a defendam das ameaças e das ações de ignorantes armados, pois esse tipo de ignorância é capaz de cometer crimes e fazê-los supondo estar agindo em defesa do bem-comum. É preciso agir preventivamente e, com todas as armas ao alcance da República, conter a ignorância armada.

A ignorância, em suas várias modalidades, é a mãe que pariu o “terraplanismo epidemiológico”, cujas consequências são os 22 milhões de casos e mais de 600 mil mortes por covid-19. Agora, além de matar por genocídio, a ignorância sente-se livre e amparada, protegida, para anunciar homicídios.

Basta.

Notas


1 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Diretores da Anvisa recebem ameaça relacionada à aprovação de vacinas. 29 de outubro de 2021; Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2021/diretores-da-anvisa-recebem-ameacas-relacionadas-a-aprovacao-de-vacinas

2 – Narvai, Paulo Capel. Terraplanismo epidemiológico. A Terra é Redonda [Internet]. 16 de março de 2020; Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/terraplanismo-epidemiologico/

3 – McGoey L. The unknowers: how strategic ignorance rules the world. London: Zed Books; 2019. 256 p.

4 – Brum E. Pesquisa revela que Bolsonaro executou uma “estratégia institucional de propagação do coronavírus”. El País Brasil [Internet]. janeiro de 2021; Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-21/pesquisa-revela-que-bolsonaro-executou-uma-estrategia-institucional-de-propagacao-do-virus.html

5 – Agência Senado. Após seis meses, CPI da Pandemia é encerrada com 80 pedidos de indiciamento. Senado Notícias [Internet]. 26 de outubro de 2021; Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/10/26/apos-seis-meses-cpi-da-pandemia-e-encerrada-com-80-pedidos-de-indiciamento.

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14
Out21

Feliz dia dos professores e das professoras!

Talis Andrade

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por Ana Maria Baldo

Feliz Dia do acorda, se arruma, vai pra escola. Dois períodos, recreio, dois períodos. Almoço. Dois períodos, recreio, dois períodos. Descansa. Descansa? Não! Preenche planilha, acessa o drive, acessa o Classroom, upload de atividade, corrige as devolutivas, dá retorno ao grupo C. De segunda a sexta. Sextou!!! Sábado letivo! Fim de semana!!! Ops, responde aluno no WhatsApp, responde pai no Messenger, responde mãe na ligação. Descansa! Descansa? Não! Prepara a aula da semana, planejamento, caderno de chamadas, conteúdos programáticos, objeto do conhecimento, habilidades, código alfanumérico. Segunda-feira: Acorda, se arruma, vai pra escola...

Férias de inverno? Férias? Recesso formativo. Formação no Meet, assiste, anota, preenche formulário. Reunião pedagógica, leia, estuda a CONAE. Datas comemorativas, faz lembrança, enfeita a sala, organiza atividades, compra mimos com tua verba. Páscoa, Dia das Mães, Festa Junina, noite e sábado na escola, cumpre horário, organiza apresentação, se veste de caipira, pinta o dente e faz sardas, junta prêmios pra pescaria; pesca, pipoca, pinhão, quentão, cadeia de taquara, casamento caipira.

Dia dos pais, Dia das Crianças, mimos, doces, lembrancinhas. Sete de setembro, ensaia e ensaia, organiza no ônibus, desfila, organiza no ônibus. Não corre, não grita, não empurra o coleguinha. Não joga bolinha de papel no colega. Não risca as mesas. Não joga lixo no chão. Não senta na mesa. Tira o pé da cadeira. Copia que eu vou apagar. Não risca os braços. Não pega a merenda do colega. Que resposta é essa na prova? Por que tua prova está em branco? Por que teu caderno está incompleto? Por que está virado pra trás? Por que tá de pé? Cadê o livro didático?

Profe, esqueci o caderno, esqueci o livro, ele pegou minha borracha, ele pegou minha caneta, o fulano disse isso, o beltrano fez aquilo. Profe, é pra copiar? Dá pra tirar foto do quadro? Posso apagar o quadro? Vale nota? Perde ponto? Ganha ponto? E se eu não fizer? Profe, quantos anos tu tem? Mas tu só dá aula? Profe, onde tu mora? Tu tem filhos? É casada? Eu te vi no mercado, eu te vi na padaria, eu te vi na loja, eu te vi, eu te vi... 

Fim de ano! Natal, faz celebração, organiza apresentação, compra bombom, corta EVA, cola quente, glitter, papel colorido, enfeita a escola, recepciona as famílias. Entrega boletins. Conta a missa pros pais e mães, abraça, se despede. Olha o drive, as avaliações finais, fecha caderno, assina ponto, junta as tralhas e vai viajar. 

Novo ano, turma nova, mesmas caras, mesmos hábitos, mesma rotina. 

Acorda, se arruma, vai pra escola...Image

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20
Set21

Ameaça a aluno em colégio militarizado mostra confusão entre disciplina e submissão

Talis Andrade

 

Vida Loca

 

26
Nov20

Campanha de Covas paga publicidade para esconder agressão de seu vice à mulher

Talis Andrade

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247 - A campanha de Bruno Covas (PSDB) à Prefeitura de SP comprou anúncio no Google que leva as buscas pelo nome de seu vice, o vereador Ricardo Nunes (MDB), à publicação “Conheça de verdade Ricardo Nunes, o vice de Bruno Covas” no site do tucano.

A coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo desta quinta-feira (26) informa que quem procura expressões como “Ricardo Nunes mulher” e “Ricardo Nunes violência”, também encontra o anúncio.

A denúncia de violência doméstica que foi feita contra Nunes por sua própria esposa em 2011.

O Google declara que a veiculação de propaganda eleitoral paga é permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral. 
 
Além de esconder o vice, Ricardo Nunes, que fugiu do debate com Erundina na Folha de S. Paulo, Covas nega a parceria eleitoral com Bolsonaro e Doria nas eleições de 2018.Image
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Cobrado por apoio de Russomano e selfie com Bolsonaro, Covas diz ser  crítico ao presidente | Política | Valor Econômico
Boulos tem a honra de ter Erundina como vice e não encobre os apoiosImage
Erundina com Darcy Ribeiro e Paulo Freire
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Valéria Jurado
@Valeria_Jurado6
 
Bom dia Gui @GuilhermeBoulos, fiz um #Boulos50 de laranja daqueles para o Padre Julio Lancellotti @pejulio q tá torcendo pra vc no Domingo, sabemos q quando for Prefeito de SP em 2021, não vai ignorar o q se faz aqui e a obra desse humanista. De todos nós,Image
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07
Jan20

Editora lança livro em branco para preguiçosos que não curtem ler

Talis Andrade

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Vai ser o livro que marcará o segundo ano do governo Bolsonaro. E possivelmente adotado pelos primeiro e segundo escalões dos ministérios da Educação e Cultura.

 Não sei quem vem primeiro o rabo ou a queixada do jumento. Publicou o G17

Uma editora lançou um livro totalmente em branco, exclusivo para pessoas que não gostam de ler, mas querem se sentir cultas e inteligentes. O livro tem 300 páginas e nenhuma letra. O autor disse que foi o livro mais fácil que fez, em toda a sua carreira, porque não precisou escrever nada.

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Livro contém 300 páginas em branco e foi publicado exclusivamente para as pessoas que não gostam da ler mas querem se sentir cultas

 

O livro começa a ser vendido nesta segunda-feira (31) por R$ 1,99. A obra relata a história do nada com nada. “Foi uma ideia inteligente do autor, de transmitir coisa nenhuma para quem quer ler coisa nenhuma”, disse o diretor da Editora que publicou o livro.

Segundo o autor, é possível fazer a leitura do livro em apenas 10 minutos, tempo para folear as 300 páginas.

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Não se sabe se antes ou depois de anunciado o livro em branco, Bolsonaro definiu o livro ideal. 

Gilberto Maringoni confessou: "Estou com o presidente Bolsonaro!". E justificou:

Um monte de petralha, comunista e gay está aí pelas redes destratando o presidente Bolsonaro, só porque ele disse que livros são “um montão, um amontoado… Muita coisa escrita”.

Porra, quero ver que maconheiro vai negar que livro não é isso, que não é um montão de coisa escrita! Caralho, livro é um montão de coisa escrita! Se não é um montão de coisa escrita, pode ser bola de futebol, xampu, 38, hambúrguer, rachadinha ou um caralhão de coisas, mas livro não é!

E é um desperdício que livro seje assim. Livro é um monte de letra, uma atrás da outra, em fila, numa balbúrdia geral. Não tem ordem. Botam um “M”, depois um “E”, mais adiante um “R, em seguida um “D” e no fim um “A” e fica uma merda. Uma merda, tá sabendo? Aí pegam essas mesmas letras, sem lavar e sem nada e escrevem sorvete, petê, queiroz e muito mais. Um montão de coisa. E aí chamam de livro.

Peguei outro dia a cópia digital de um livro daquele energúmeno que o presidente falou, o Paulo Freitas, sabe quem é, não? Aliás, não sei porque chama cópia digital. Digital é aquele troço que você faz na delegacia, quando toca piano. Suja todos os dedos. Livro digital devia ser livro tudo sujo de marca de dedo. Ah, não faz mais digital assim? Agora digital é tudo digitalizada? Sei lá, vai entender…

Mas aí eu peguei a cópia digital do livro do Paulo Energúmeno e contei as letra. Tava lá: 365.428 caracteres. Com espaço. Sim senhor, 365.428! Já achei um desperdício desse quilombola desse Freitas. Aí fui ver, porque todo mundo fala que o Paulo Freitas isso, o Paulo Freitas aquilo, que a ONU isso, que na Suécia aquilo. Fui ver, achando que tava certo ele ter 365.428 letra. Porra nenhuma. O livro é uma empulhação.

Ele vai repetindo letra página depois de página. Botei lá para contar. Só de “A” tinha 21.627, de “B” tinha 18.831, de “C” 14.539 e por aí vai. O cara é um enganador! O alfabeto só tem 26 letras e ele usa 364.428 para fazer campanha de kit-gay, de ideologia de gênero e do aborto!

Se só existe 26 letras, me digam!, pra que repetir tanto? Pra que colocar milhares de letras repetidas? Pra gastar tinta e papel, né? Pra empregar os vagabundos do petê? Pra superfaturar igual que nem esses petista fazem?

Tá certo o presidente Bolsonaro. Tem que mudar isso aí. Livro tem de ter na primeira página, assim ó, as 26 letras e uma figura. E pode ter no total 3 ou 4 páginas. Não precisa mais. Isso economiza dinheiro do país e tempo das pessoas. Mas o petê não quer isso, porque com tanta letra, eles vão poder roubar umas pra eles. Ninguém é bobo aqui não! Com menas letra e mais figura, a garotada vai ler.

Quequetem? A Bíblia? Se a Bíblia não é livro? Porra, tu é burro pra caralho. A Bíblia não tem letra. Tem palavra.

A palavra do Senhor…

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12
Mai19

“Bolsonaro é um destruidor em série”

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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A jornalista e premiada escritora Alexandra Lucas Coelho, no jornal Público, de Lisboa, publica intenso artigo sobre o que acontece e o que nos aguarda na educação, não só nos cortes, mas no rebrotar das manifestações da juventude que, daqui a três dias, se unificam num único protesto contra o massacre na educação. E como a rejeição a Bolsonaro atravessou oceanos e fronteiras e vai reunindo o que há de mais importante no mundo que não importa ao presidente brasileiro, o dos que pensam.

 

Bolsonaro inimigo do Brasil, inimigo do mundo

por Alexandra Lucas Coelho

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1. O pior inimigo do Brasil está sentado no palácio em Brasília. É o próprio presidente eleito. Escrevo esta crónica em Salvador, entre vir de Brasília e partir para São Paulo. E em menos de uma semana os crimes são tantos que fica difícil actualizar. Estamos a um ritmo mais do que diário. Bolsonaro é um criminoso horário. A cada hora, é mais chocante para o Brasil, e para o mundo, que esta criatura tenha sido eleita. Foi cúmplice quem contemporizou na campanha, ou não quis ver nem ouvir, apesar de tudo o que estava na cara, e no ouvido. Mas, pior, é cúmplice quem, depois de quatro meses e nove dias de destruição, continua a teimar, ou acena com a legitimidade democrática. Parceiros no crime de um destruidor em massa, serial.

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O presidente de Portugal, que tratou Bolsonaro como “irmão” na posse em Brasília, já se escapuliu entretanto de ser fotografado ao lado do infame Moro, na Faculdade de Direito de Lisboa, apesar de a sua presença ter sido anunciada. Imagino que hoje já não seria tão palmadinhas-nas-costas em Brasília. Ou em Lisboa. Mas já não se imagina Bolsonaro em Lisboa, não é? Ou alguém, fora eleitores dele, está tão equivocado que, sim, imagina?

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Gostaria de ver, ler perguntas, notícias, sobre como os governantes portugueses estão a encarar isto. O ministro Augusto Santos Silva foi questionado sobre aparecer amenamente ao lado de Moro, como se nada fosse? Alguém perguntou a Marcelo porque afinal não compareceu no encontro onde esteve Moro? Coisas que, à distância, neste périplo, pelo Brasil, gostava de saber.

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Chegamos a um ponto em que foi cruzada, sem retorno, uma linha da diplomacia. Para além dessa linha, a diplomacia normal, dos lugares comuns ditos em público, não se aplica, passa a ser cúmplice.

Alguns, cada vez mais, já perceberam isso. O mayor de Nova Iorque percebeu isso, e a sua clareza firme levou Bolsonaro a cancelar a visita. O mayor de Nova Iorque simplesmente declarou Bolsonaro persona non grata. É isso que o mundo tem de fazer. Porque o pior inimigo do Brasil, que está sentado no palácio presidencial, é inimigo do mundo.

 

2. E o mundo começou a fazer. Mais de onze mil intelectuais das mais reputadas universidades do planeta assinaram uma carta contra Bolsonaro. Concretamente contra o ataque inédito de Bolsonaro à educação, que na última semana se tornou guerra mesmo. Bolsonaro conseguiu, aliás, o prodígio de na mesma semana em que mais atacou a educação facilitar mais o uso de armas. Entre os assinantes do manifesto contra estão académicos de Harvard, Princeton, Yale, Oxford, Cambridge, Berkeley, além das grandes universidades brasileiras, como Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade de Brasília.

Pisei esta semana pela primeira vez a Universidade de Brasília, um campus incrível, verde, sem separação entre cidade e universidade, sem portão, sem muro, sem segurança. Sonho do antropólogo Darcy Ribeiro que — ao contrário do sonho principal de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, planeadores da cidade — está totalmente habitado. A Universidade de Brasília é sonho e é humana. É arquitectura e é gente. A cara de Paulo Freire, mestre de um sonho de educação a quem Bolsonaro também declarou guerra, recebeu-me num cartaz à entrada para o Instituto de Letras. Pelas paredes, cartazes em defesa das ciências humanas, devolvendo a “balbúrdia” a Bolsonaro. Porque uma das pérolas que veio deste governo brasileiro, durante a semana, foi a de que as universidades públicas são antros de balbúrdia, gente nua e marxismo cultural. Entre os cartazes e graffiti contra Bolsonaro, um cartaz com o título “A Queda do Céu”, livro já lendário do xamã ianomami Davi Kopenawa, cartazes em defesa dos povos indígenas, corredores e pátios fervilhando com muitos tons de pele: o Brasil.

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Esta semana, o homem sentado no Planalto cortou um terço ou mais dos orçamentos das universidades públicas e institutos federais, estrangulando ou exterminando à partida ensino e pesquisa no Brasil. E, quando a luta de estudantes e professores, pais e mães já saía às ruas, foi anunciado o corte das bolsas de mestrado e doutoramento em todas as áreas, ciências humanas e exactas, da Capes, principal fonte de bolsas no Brasil.

 

3. Entretanto, todos os anteriores ministros do Ambiente ainda vivos se juntaram, em alarme e protesto, numa frente, para além das diferenças políticas e ideológicas. Acusaram Bolsonaro de pôr “em prática, em pouco mais de quatro meses, uma ‘política sistemática, constante e deliberada de desconstrução e destruição das políticas meio ambientais’ implementadas desde o início dos anos de 1990, além do desmantelamento institucional dos organismos de protecção e fiscalizadores, como o Ibama e o ICMbio”, resumiu o “El Pais Brasil”. Acusam Bolsonaro e o ministro Ricardo Salles de reverterem todos as conquistas das últimas décadas, que “não são de um governo ou de um partido, mas de todo o povo brasileiro”. Marina Silva usou a expressão “exterminador do futuro”.

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4. Nessa altura, quarta-feira, já as ruas se tinham enchido, em defesa da educação, de Belo Horizonte a Salvador ao Rio de Janeiro. Secundaristas, muito jovens, defendendo os seus colégios públicos, como o histórico Pedro II, porque o corte não atinge só as universidades, mas sim todos os institutos federais. E universitários, e professores. Quero acreditar que estes quatro meses foram de choque e atordoamento, mas que as ruas que agora se enchem são o prenúncio de uma luta nova, de algo que recomeçou no Brasil.

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Em 2013, quando muitas lutas explodiram nas ruas, um Brasil ignorante, boçal, autoritário, nostálgico do esclavagismo e da ditadura, começou a capturar a energia do protesto e as redes sociais. Este ano de 2019 talvez seja o recomeço de 2013 no ponto em que 2013 se perdeu. Adolescentes erguendo livros contra gente armada.

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5. Mas os próximos tempos serão duríssimos, mesmo que a luta cresça e cresça. Educação, ciência, cultura já perderam, vão perder mais. Neste périplo que estou a fazer pelo Brasil, entre universidades e livrarias, só estar com livros, com debate, com quem estuda, já parece subversivo. Então, mesmo por entre as peripécias da geringonça, gostaria de saber se o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, tem alguma ideia nova para apoiar tantos professores, estudantes, pesquisadores brasileiros, ameaçados de novos perigos. Ou a ministra da Cultura, Graça Fonseca, num momento em que os apoios à cultura no Brasil estão a paralisar, uns atrás de outros.

 

6. Lembram-se de quem, a propósito do Brasil, do impeachment de Dilma, insistiu que não era golpe? Escrevo esta crónica por entre as imagens do golpista Temer entregando-se à polícia.

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Como o Fora Temer parece fazer parte de outra era. De perda de inocência em perda de inocência, ou inconsciência, estamos diante do horror. E os que são jovens agora, tão ou mais jovens que a jovem Greta Thunberg, como os secundaristas brasileiros que há anos já aprendem uma nova luta, cada vez mais sabem que não há outros, seremos nós a mudar isto, ou não haverá nós. Tal como não há planeta B.

 

08
Mar19

BOLSONARO TRANSFORMOU UM CASO MERAMENTE POLICIAL EM PRESIDENCIAL, ATACOU IRREFLETIDAMENTE O CARNAVAL

Talis Andrade

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por Helio Fernandes

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Ele ainda não percebeu a importância e as restrições do cargo de Presidente da Republica. Com intervenção moralista e desproporcional, pegou um episodio sinuoso, pegajoso, ruinoso, que podia e devia ser punido, mas por autoridade policial, da região onde TERIA acontecido.

O destaque que dei á palavra, é que ficaria apenas isolado e desconhecido, se não fosse à projeção dada estouvadamente pelo mais alto personagem numa democracia.

Atacou a festa mais popular e democrática do país, respeitada e admirada pelo mundo. Que reagiu com enorme repercussão, negativa para Bolsonaro. Que como acontece quase sempre com ele, voltou atrás, recuou, tentou um desmentido, com fartas e insinceras reverencias ao carnaval.

Devia ser punido, o presidente da Republica não tem imunidade para atacar desabridamente dezenas de milhões, em todo o pais que "pulam o carnaval ", democraticamente, com alegria, satisfação, e não apenas nas brilhantíssimas e popularíssimas Escolas de Samba.

Bolsonaro cometeu o crime de GENERALIZAR. Se não tivesse sido expulso do Exercito e proibido de frequentar quartéis, talvez tivesse chegado a GENERAL. Aí poderia fazer divagações tortuosas com a palavra.

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BRIZOLA, SAMBÓDROMO, LINHA VERMELHA, PAULO FREIRE

Ficou asilado, proscrito, sem poder vir para o seu país, durante 15 anos, de 1964 a 1979. Aí, os generais torturadores, forjaram a "anistia, ampla, geral e irrestrita". Foram os grandes beneficiários, mas tinham que libertar asilados e exilados. Brizola entre eles.

Chegou pensando na presidência da Republica. Objetivo e obsessão dele e de Carlos Lacerda, adversários a vida inteira. Só que Lacerda morreu de repente, em 1977, 2 anos antes da "anistia", com 63 anos. Brizola fez toda a carreira no seu estado, vereador, deputado estadual, prefeito de Porto Alegre, governador. Viu logo que não dava para disputar a presidência, se elegeu governador do Estado do Rio, em 1982.

Aí, a guinada na sua vida política, como coloquei no titulo. Em 1984 inaugurou o Sambódromo, confessou a este repórter e ao extraordinário Paulo Freire, um dos mais importantes personagens da vida brasileira: "No meu estado, não saía de casa nos dias de carnaval".

"Agora estou aqui para inaugurar a Linha Vermelha, querendo ser Presidente da Republica, com eleições marcadas, mas sempre indiretas".

Tinha esperança nas "Diretas, já", derrotadas por grandes jornais, acumpliciados pelo que se chamou de transição, com o restolho da ditadura. Houve então a indireta de 1985, isso não admitiu disputar de jeito algum. Concorreu á presidência na direta de 1989. Collor ganhou o primeiro turno, indo para o segundo com Lula, que derrotou Brizola por meio ponto. Chamou Lula de "sapo barbudo", foi para a fazenda, voltou para apoiá-lo, não tinha escolha.

PS- Como Lacerda, morreu sem ser presidente. Gostaria de ver um deles, ou os dois, (na época não havia reeleição, comprada por FHC, com dinheiro de financiadores interessados, em 1998), excelentes governadores. Brizola duas vezes, por estados diferentes.

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