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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

22
Jun20

Adriano ou Bolsonaro: quem é o verdadeiro chefe do Escritório do Crime?

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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A denúncia do vínculo dos Bolsonaro com as milícias atravessa os tempos. Mas foi a partir dos assassinatos de Marielle e Anderson que ficou bem caracterizada a conexão deles com o Escritório do Crime, a milícia de assassinos de aluguel que controla o território de Rio das Pedras, zona oeste da cidade do Rio.

Por uma das incríveis coincidências que rondam os Bolsonaro, o ex-PM Ronnie Lessa, integrante do Escritório do Crime preso com a acusação de ser o autor dos disparos em Marielle e Anderson, residia no condomínio Vivendas da Barra, onde Carlos e Jair Bolsonaro também residem.

Até agora, imaginava-se que o clã Bolsonaro e o Escritório do Crime fossem organizações distintas e independentes, que “apenas” mantinham parcerias, negócios e acordos operacionais entre si.

Imaginava-se, também, que o chefe do Escritório do Crime seria Adriano da Nóbrega, o miliciano executado em operação policial no interior da Bahia quando se escondia, por coincidência, na casa de um vereador do PSL, partido pelo qual Bolsonaro concorreu na eleição de 2018.

As provas reunidas no inquérito criminal do MP/RJ levam a crer, entretanto, que o Escritório do Crime pode pertencer ao clã Bolsonaro. Não surpreenderia a revelação de que o verdadeiro chefe do Escritório do Crime, o capo di tutti capi, pode ser Jair Bolsonaro, e não o miliciano Adriano da Nóbrega.

Ao destrinchar o esquema, o MP/RJ descobriu a engrenagem hierarquizada e ramificada da organização, o modus operandi, seus principais operadores. A sede era o gabinete do Flávio Bolsonaro na ALERJ, onde o então deputado federal Bolsonaro despachava assiduamente às sextas-feiras.

Queiroz, lotado no gabinete do Flávio até ser desligado em 15/10/2018 com o conveniente vazamento da operação Furna da Onça da Lava Jato, se desempenha como capataz do Bolsonaro; é o homem de confiança que exerce funções de tesoureiro, conselheiro político, “gerente de recursos humanos” e coordenador de ações especiais como planejar a fuga e o esconderijo do miliciano Adriano.

Foi nesta condição de autoridade no esquema que, mesmo fugindo da justiça, ele foi chamado para interceder “junto a milicianos que atuam nas favelas do Rio das Pedras, Tijuquinha e Itanhangá”. Note-se que quem foi requerido para resolver desavenças entre integrantes do bando foi Queiroz, o capataz e “gerente de RH”, e não Adriano da Nóbrega, como corresponderia se ele fosse, efetivamente, o verdadeiro chefe da milícia.

Queiroz era o responsável pelo recolhimento do salário dos funcionários-fantasmas lotados nos gabinetes do Flávio na ALERJ e do Jair na Câmara dos Deputados, como das próprias filhas e da mãe e da esposa do miliciano Adriano da Nóbrega [o inquérito ainda não traz dados sobre eventual ocorrência desta prática também nos gabinetes do Carlos e do Eduardo].

Era o tesoureiro Queiroz quem geria as finanças e creditava valores nas contas dos Bolsonaro, como os R$ 24 mil para a 1ª dama Michelle. Ele também realizava os pagamentos das despesas familiares – sempre em dinheiro vivo – como, por exemplo, mensalidades escolares das filhas do Flávio e planos de saúde da família do Flávio.

Além de fazer caixa com salários de funcionários-fantasmas, o tesoureiro Queiroz também recolhia os recursos provenientes de negócios imobiliários ilegais, restaurantes de fachada etc.

O MP/RJ descobriu depósitos de R$ 400 mil feitos por Adriano nas contas bancárias do Queiroz que devem ter origem nestas fontes adicionais de renda da organização. Ora, se Adriano fosse o chefe do Escritório do Crime, porque repassaria tamanha quantia a Queiroz?

O inquérito criminal documenta diálogo do Adriano com a esposa que deixa implícito que o miliciano podia ser, na realidade, um assalariado informal da milícia pela função de coordenador do braço armado do bando.

Depois da prisão do Queiroz, o advogado e amigo do clã que “conhece tudo que tramita na família Bolsonaro”, Frederick Wassef – em cuja casa Queiroz ficou escondido por quase 1 ano – indicou o advogado Paulo Emílio Catta Preta para defender Queiroz. Por outra incrível coincidência que ronda os Bolsonaro, Catta Preta foi também advogado de defesa do miliciano Adriano da Nóbrega.

Queiroz é a chave de acesso à totalidade do sistema criminoso que pode ruir e arrastar o presidente Bolsonaro para a ruína política e penal. Diante do inquérito bem fundamentado com um acervo de provas contundentes, dificilmente Bolsonaro deixará de ser acusado, condenado e, finalmente, preso, se as instituições de fato “funcionarem normalmente”.

As revelações do inquérito criminal justificam os motivos para tamanha ousadia e atrevimento do clã Bolsonaro em manter Queiroz escondido e fora do alcance da polícia e da justiça por tanto tempo.

Os segredos enterrados no porão da milícia criminosa deverão vir à tona. O mais notório dos crimes imputados ao Escritório do Crime, o assassinato de Marielle e Anderson em 14 de março de 2018, poderá ser finalmente esclarecido.

O jornalista Humberto Trezzi escreveu que quando foi interventor federal na segurança pública no Rio, “Braga Netto ganhou dos amigos a reputação de ter o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio”. É difícil acreditar que os militares desconheciam na época os antecedentes do clã Bolsonaro. E é impossível que continuem desconhecendo isso ainda hoje.

O Congresso precisa instalar urgentemente o processo de impeachment do Bolsonaro na Câmara e de cassação do Flávio Bolsonaro no Senado. Isto é o mínimo que se espera do Congresso, se quiser recuperar um mínimo de dignidade, decência e respeito.

 

22
Jun20

Peça 4 – o amigo Bolsonaro

Talis Andrade

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IV - Xadrez de Frederick Wassef, o advogado dos Bolsonaro

 
por Luis Nassif
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O caminho encontrado por Wassef foi o ex-capitão Jair Bolsonaro, deputado obscuro, mas que, à luz das mudanças ocorridas na opinião pública, passa a ter possibilidades eleitorais.

Rapidamente se aproxima de Flávio Bolsonaro, o representante comercial da família.

Passa a ser um dos mais ardentes propagadores do discurso contra a corrupção. Em entrevista à Globonews sustentou que o que o abriu a Bolsonaro foi o discurso contra a corrupção .

Para evitar críticas, simulou uma separação de Cristina Bonner. Ontem, os jornalistas foram atrás dele justamente na casa de Cristina Bonner.

Torna-se o pau para toda obra dos Bolsonaro. Quando Adriano Nóbrega – o chefe do Escritório do Crime – é caçado pela polícia, seu advogado é Paulo Emilio Catta Preta. Quando Queiroz é preso na própria casa de Wassef, o advogado que surge, dizendo-se contratado pela filha de Queiroz, é o mesmo Catta Preta.

O advogado é estreitamente ligado a Wassef e foi seu advogado pessoal em uma dezena de ações com as quais liquidou o ex-marido de Cristina Bonner.

Bruno Basso não conseguiu receber os R$ 200 milhões a que tinha direito com o fim da sociedade. Foi preso ou detido pela polícia por quatro vezes, mostrando a incrível influência de Wassef sobre o universo das polícias.

Wassef mora na casa em que construiu junto com a Cristina, mas que está embargada por ações propostas por Wassef.

Bruno foi literalmente massacrado pelas ações de Assef. Hoje em dia mora em Goiânia, em apartamento emprestado, com sua defesa sendo feita de graça por advogados que se solidarizaram com ele

 
 

 

21
Fev20

Veja embrulha Witzel e Bolsonaro na morte de miliciano

Talis Andrade

Entramos no carnaval da “milícia doida”. Hoje, a Veja mergulha o governador Wilson Witzel no pantanal da morte do miliciano Adriano Nóbrega. Ele teria recebido – segundo sua mulher, Júlia Mello Lotufo, 2 milhões...

por Fernando Brito

Entramos no carnaval da “milícia doida”.

Hoje, a Veja mergulha o governador Wilson Witzel no pantanal da morte do miliciano Adriano Nóbrega.

Ele teria recebido – segundo sua mulher, Júlia Mello Lotufo, 2 milhões de reais em dinheiro vivo para sua campanha eleitoral ao governo do Rio.

Também revelou a ela quem pediu e quem recebeu as mochilas de dinheiro — repassado, nas palavras dele, como uma espécie de investimento, um seguro que garantiria proteção para tocar seus negócios clandestinos sem ser importunado pelas autoridades, especialmente a polícia.

Witzel, claro, nega tudo e diz que vai processar a viúva de Adriano.

Ela, diz que Witzel roeu a corda da relação com o miliciano para colá-lo na testa dos Bolsonaro.

A revista traz mais: o fazendeiro Leandro Abreu Guimarães, “que deu guarida a Adriano em sua fazenda no município baiano de Esplanada” e que ajudou o ex-PM a fugir de um cerco policial na Costa do Sauípe, aparece, sorridente, numa selfie com Jair Bolsonaro.

Não é nada, é claro, senão mais uma coincidência das dúzias de “por acaso” que surgem na história das ligações milicianas do presidente.

Que mais uma? Lauro Jardim a traz: Paulo Catta Preta, advogado da família de Adriano é amigo antigo de Fred Wassef, advogado de Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas.

— o 01 empregava a ex-mulher e a filha de Nóbrega em seu gabinete de deputado estadual. Catta Preta, aliás, já foi até advogado da ex-mulher de Wassef, Cristina Boner.

Ô mundo pequeno…

 

 

10
Fev20

Ex-capitão Adriano, "arquivo-morto" que perseguirá os Bolsonaros

Talis Andrade

Jair e Flávio Bolsonaro, com Fabrício Queiroz, amigos em comum do ex-capitão Adriano Nóbrega 

 

por Marcelo Auler

Certamente nesta segunda-feira (10/02), Jair Bolsonaro evitará a famosa paradinha na porta do Palácio Alvorada onde costuma, a pretexto de cumprimentar militantes e apoiadores, provocar entrevistas nas quais busca manter o controle, escolhendo a quem e o que responder. Assim tenta se manter na mídia, evitando as questões mais incômodas, ainda que de forma atabalhoada, quando não grosseira e mal educada.

Nesta segunda, porém, caso pare e seja abordado pelos jornalistas, não terá subterfúgios para evitar os questionamentos a respeito do assassinato, na manhã de domingo (09/02), do seu amigo, o foragido ex-capitão reformado da PM do Rio, Adriano da Nóbrega Silva, 43 anos, chefe do famigerado Escritório do Crime. Um grupo miliciano que além de executar inimigos e/ou adversários, praticava agiotagem, grilagem de terras, construções ilegais, vendia segurança e costumava explorar serviços como transporte alternativo, venda de botijões de gás e exploração ilegal de sinais de TV a cabo.
 

Uma morte sobre a qual, para muitos, recai, desde que foi anunciada, a suspeita de que se tratou de uma “queima de arquivo”. Arquivo que ao desaparecer, aparentemente, trará benefícios à família Bolsonaro, tal como alertou Alex Solnik, no Brasil247, na postagem Morte do Capitão Adriano é boa notícia para Bolsonaro. Mas caso não fique devidamente esclarecido, poderá se tornar em um eterno motivo de cobranças aos Bolsonaros.

A natural suspeita de queima de arquivo sempre surge quando a policia deixa de capturar vivo alguém que teria muito o que falar/denunciar/esclarecer, se preso com vida e submetido a interrogatórios. Mesmo quando estes interrogatórios ocorram sem que se utilize os métodos violentos que as mícilias, como a comandada pelo ex-capitão Adriano, usam contra seus adversários. Era o caso dele, tal a gama de negócios e crimes em que seu nome foi associado. Em especial, o esquema de “rachadinha” adotado no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, alvo de investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro.

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Ex-capitão Adriano previu que seria assassinado como “queima de arquivo” 

 

Na morte dele, essa suspeita de “queima de arquivo” aumenta ainda mais após se descobrir que a própria vítima, dias antes de morrer, em telefonema ao advogado Paulo Emilio Catta Preta, com o qual jamais falara, previu que seria morto.

Como seu defensor admitiu aos jornais Folha de S.Paulo – Advogado diz que miliciano ligado a Flávio temia ser morto como ‘queima de arquivo’ – e Estado de S.Paulo – Capitão Adriano tinha ‘certeza’ de que queriam matá-lo para ‘queimar arquivo’.

“Me causou surpresa na terça (4) ou quarta (5) ele me ligar diretamente. Se apresentou, e disse que a razão da ligação era que estava receoso pela vida dele. Disse que tinha certeza de que a operação para prender era para matar”, afirmou Catta Preta à Folha.

Temor compartilhado também pela, hoje, viúva, Danielle Nóbrega, em telefonema ao advogado. Para ela, o marido foi assassinado. De acordo com Catta Preta, Daniele explicou que “o miliciano se encontrava em condições precárias de fuga e não estaria armado”. Isso, a se confirmar, contraria a versão da polícia.

Pelo relato oficial, o miliciano estava com uma pistola Glock, 9mm com a qual revidou. Provocou, assim, troca de tiros. Acabou atingido. Para completar ainda mais o quadro de suspeita, consta que o local foi desfeito, pois teriam tentando socorrer o oficial reformado da PM do Rio, levando-o ao Hospital São Francisco São Vicente, conforme esclarece a Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira (10/02). Uma funcionária disse ao jornal que Adriano já teria chegado morto ao local, diferentemente do que afirma o governo da Bahia. A versão oficial é de que ele ainda estaria vivo.

A poça de sangue no interior da casa onde Adriano se escondia. (Reprodução do vídeo apresentado pela Folha)

 

A mesma Folha apresenta um vídeo do interior da casa onde o miliciano se escondia, feito após a operação policial.

O sítio pertence a Gilson Batista Lima Neto, conhecido como Gilsinho da Dedé, vereador do PSL. em Esplanada (BA) – município de 37 mil habitantes a 160 km de Salvador. Trata-se do mesmo partido pelo qual os Bolsonaros se elegeram. Mas o vereador, que diz estar em Recife, nega conhecer Adriano e diz desconhecer que ele ocupava seu sítio.

Coincidentemente Flávio Bolsonaro estava em Salvador nesse final de semana.

O curioso no vídeo é a poça de sangue que aparece no chão da sala da casa onde o ex-capitão da PM do Rio se escondia. Teria sido ali que tombou Adriano? De onde os policiais trocaram tiros com ele? São questões iniciais, para se esclarecer o caso que merecem resposta de peritos e legistas. Mas, com a retirada do corpo, o local foi desfeito.

Desfazer locais sob o pretexto de tentar salvar a vida de alguém é forma tradicional de atrapalhar a perícia, muitas vezes para ocultar execuções. Pode não ser o caso. Mas tudo isso leva à necessidade de uma investigação isenta.

A questão, porém, é saber quem terá isenção nesse momento: a polícia baiana, possivelmente autora do disparo que vitimou o marginal? Ou a Polícia Federal, subordinada ao ministro da Justiça Sérgio Moro, incapaz de colocar o ex-militar, criminoso dos mais procurados do Rio de Janeiro, inclusive com alerta vermelho da Interpol, na lista dos bandidos mais procurados pela Justiça brasileira?

Adriano, "um foragido com esconderijo identificado"

Mais ainda, como narra o Painel da Folha de S.Paulo desta segunda-feira, a polícia do Rio chegou a sondar o Ministério da Justiça sobre a possibilidade de ajuda da Polícia Federal, com o empréstimo de um helicóptero na operação que caçava Adriano.

Questionada, a pasta da Justiça disse que não teve envolvimento com a operação e que “não haveria nenhum motivo para disponibilizar helicópteros e policiais para a captura de apenas um foragido com esconderijo identificado”. A Secretaria de Polícia Civil do Rio informou que “a parte operacional foi realizada pela Polícia Civil da Bahia”.” Ou seja, mais uma vez o ministério comandado pelo ex-juiz Moro se omitiu.

Não seria o caso de o governo baiano convocar peritos e legistas autônomos, de universidades públicas, para analisarem oficialmente o caso e afastarem as chamadas “teorias conspiratórias”, como pode ser a própria suspeita de “queima de arquivo”?

O envolvimento com os Bolsonaros

Ao contrário do que foi dito, o ex-capitão Adriano não tinha ligações diretas com a morte da vereadora Marielle Franco. Ela foi executada pelos milicianos Ronnie Lessa, de 48 anos, sargento reformado da PM-RJ, e por Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, ex-soldado PM. Ambos até mantinham relações com Adriano, mas não lhe estavam diretamente subordinados no submundo do crime. Tal e qual o deputado Marcelo Freixo correu a esclarecer em áudio, pelas redes sociais, na tarde de domingo.

Ou seja, além de uma condenação anulada e de diversos outros crimes pelos quais tem a responder, a importância do ex-capitão no cenário político atual era a sua ligação com a família Bolsonaro e com o braço direito deles, Élcio Queiróz, com quem o ex-capitão assassinado serviu em um quartel da PM no Rio.

Em 2003, o então deputado estadual no Rio, hoje senador Flávio Bolsonaro propôs uma moção de louvor a Adriano por desenvolver sua função com “dedicação, brilhantismo e galhardia”.

Em janeiro de 2004, o então tenente da PM foi preso preventivamente pelo homicídio do guardador de carros Leandro dos Santos Silva, 24. Leandro denunciara extorsão de policiais militares a serviço da milícia. Adriano chegou a ser condenado por esse homicídio, no Tribunal do Júri, em outubro de 2005. Depois, conseguiu com um recurso anular a sentença e ser submetido a um novo julgamento. Foi solto em 2006 e absolvido no ano seguinte.

Enquanto preso, foi alvo de uma segunda homenagem por Flávio Bolsonaro. Este lhe concedeu a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio. Na justificativa, entre outras razões, o então deputado estadual escreveu que Adriano teve êxito ao prender 12 “marginais” no morro da Coroa, no centro, além de apreender diversos armamentos e 90 trouxinhas de maconha.

No julgamento do policial, o hoje presidente Jair Bolsonaro, na época deputado federal, serviu como sua testemunha de defesa no Tribunal do Júri. Sua ajuda ao amigo da família não se limitou ao depoimento em juízo. O levou a fazer um pronunciamento na Câmara Federal, no dia 27 de outubro de 2005, em defesa do policial, reclamando de sua condenação (ouça aqui). Falou, inclusive, não saber como colaborar com o condenado, classificado como “coitado” e como um “brilhante oficial”. Não satisfeito, criticou um coronel que relatou ao júri o resultado de uma sindicância interna da PM que responsabilizava o então tenente.

A amizade dos Bolsonaros com o miliciano, por mais esdrúxula que seja – e não é o único laço deles com milicianos – não seria ainda suficiente para apontar a família do presidente como beneficiária da morte do ex-oficial da PM. Isso seria pouco.

Há, porém, a participação de Adriano e seus familiares com o escândalo da rachadinha, que está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual do Rio, envolvendo Flávio Bolsonaro e servidores fantasma do seu gabinete quando deputado estadual. Em um esquema coordenado por Fabrício Queiroz, o ex-companheiro de Adriano no quartel da PM e braço direito da família Bolsonaro.

Sobre a rachadinha, o ex-capitão da PM do Rio teria muito a falar. Afinal, entre os servidores fantasmas de Flávio Bolsonaro estavam a hoje viúva de Adriano, Danielle Nóbrega, e a sua própria mãe, Raimunda.

Danielle foi empregada em 6 de setembro de 2007 e demitida apenas em 13 de novembro de 2018 no gabinete de Flávio. Jamais apareceu para trabalhar. Raimunda conseguiu dois empregos: primeiro, na liderança do PP, partido ao qual Flávio era então filiado; depois, passou a trabalhar no gabinete do deputado estadual — quando o filho de Bolsonaro se transferiu para o PSC. Também nunca esteve na Alerj.

Danielle e Raimunda receberam na Assembleia um total de R$ 1.029.042,48, do qual repassaram R$ 203.002,57 a Queiroz, de acordo com o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro. Outros R$ 202.184, 64 foram sacados em dinheiro. Há, portanto, valores ainda não esclarecidos.

São estes fatos que poderão fazer com que a morte de Adriano neste domingo seja sempre relacionada aos Bolsonaros. Como seu viu acima, há motivos de suspeitas – que podem jamais serem confirmadas – de uma “queima de arquivos”. Afinal, o próprio miliciano disse que na operação da polícia baiana com a participação de policiais do Rio de Janeiro ele seria morto, não recapturado.

O envolvimento dele com os Bolsonaros & Queiróz alimentará as suspeitas de que sua morte, como “queima de arquivo”, beneficia a família do presidente, na medida em que seu depoimento poderia servir para esclarecer fatos que estão sendo apurados diretamente relacionados ao crime de utilização de servidores fantasmas para confisco de parte dos seus salários. A chamada “rachadinha”. Logo, Adriano poderia incriminar mais ainda os Bolsonaro. Hipótese pouco provável, já que nas organizações mafiosas, como as milícias, funciona a lei da ormetà. Do silêncio.

A prevalecer a inocência dos Bolsonaros na relação com o miliciano – algo difícil de se acreditar -, a própria família deveria se empenhar para mostrar que não houve “queima de arquivo”. Do contrário, a morte do miliciano continuará sendo uma pedra no caminho da família do atual presidente. A suposta “queima de arquivo” irá persegui-los eternamente, por mais que desagrade a Jair. No caso, não vale apenas pregar a inocência. É preciso prová-la.

 

 

 

10
Fev20

Miliciano sabia que era arquivo a ser queimado

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Deu-se o previsível.

O ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto na manhã de hoje durante uma alegada troca de tiros com policiais de Batalhão de Operações Especiais da PM da Bahia, com apoio do setor de inteligência da Polícia Civil do Rio e de um helicóptero, num sítio no interior baiano.

Para o elo concreto entre Flávio Bolsonaro e organizações milicianas, agora, não há mais confissão, nem mesmo delação premiada.

A família, querendo, pode guardar a Medalha Tiradentes que o “Filho 01” lhe deu, quando estava preso. Mas acredito que não queira ficar com ela, à guisa das flores que máfias mandam a seus executados.Armas encontradas no imóvel em Esplanada (BA) onde Adriano da Nóbrega estava escondido

Desconhece-se como um só homem, cercado por uma tropa, com um revólver, uma pistola e duas velhas “papo amarelo” de filme de faroeste (se é que todas as armas eram dele) poderia oferecer dificuldades para, vendo não ter saída, acabar por se entregar.

Mas a conveniência deste desfecho é óbvia.

Tanto que, noticia o Estadão, Adriano “nunca havia falado diretamente com seu advogado, Paulo Emilio Catta Preta, até a quarta-feira passada. Foi quando, preocupado com os últimos movimentos da polícia, ligou para ele e relatou que tinha 'certeza' de que queriam matá-lo para 'queimar arquivo'. A viúva do miliciano também fez o mesmo relato”.

A lei do silêncio está restabelecida.

 
09
Fev20

Adriano da Nóbrega, suspeito de envolvimento no caso Marielle, é morto em operação policial na Bahia

Talis Andrade

Advogado diz que ex-PM temia “queima de arquivo” dias antes de ser morto. Era apontado como líder do ‘Escritório do Crime’ e teve nome ligado ao caso da ‘rachadinha’ de Flavio Bolsonaro

O ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega.

O ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto na manhã deste domingo, 9 de fevereiro, durante uma operação policial na cidade de Esplanada, na Bahia. Ex-integrante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Rio de Janeiro, o Capitão Adriano, como era conhecido, era apontado como líder de uma milícia em Rio das Pedras (na zona oeste do Rio) e estava foragido da Justiça fluminense há pouco mais de um ano, procurado por crimes que envolviam grilagem de terras, cobrança irregular de taxas à população e receptação de mercadoria roubada. O miliciano também era apontado como um dos líderes do grupo de matadores de aluguel conhecido como Escritório do Crime, do qual supostamente fazia parte o ex-PM Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora carioca Marielle Franco e o motorista dela, Anderson Gomes, em março de 2018. Adriano da Nóbrega também teve seu nome ligado ao escândalo de corrupção chamado de rachadinha do gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flavio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.

O advogado Paulo Emílio Catta Preta contou ter recebido uma ligação de Adriano da Nóbrega na última terça-feira, na qual ele dizia temer ser assassinado por “queima de arquivo”. Segundo o defensor, foi o primeiro contato direto com seu cliente. Desde que Catta Preta passou integrar a defesa do ex-PM num processo que o acusava de chefiar uma milícia em Rio das Pedras, em maio do ano passado, eles só se comunicavam por meio dos familiares. “Quando entrei no caso, ele já estava foragido. E eu nunca tive nenhum contato direto neste período", afirmou ao EL PAÍS neste domingo, por telefone.

“Queima de arquivo”

O advogado do ex-PM afirmou ainda que uma operação policial já havia sido deflagrada para prender seu cliente neste mês de fevereiro, o que motivou a chamada de Adriano. “Ele disse que essa operação não seria para prendê-lo, mas para matá-lo”, disse. O advogado contou que o aconselhou a se entregar à polícia, pois essa atitude o ajudaria a conseguir habeas corpus. Argumentou que, diante das provas no processo, acreditava que havia boas chances de absolvição, segundo disse ao EL PAÍS. “Ele respondeu que não faria isso porque tinha certeza que seria morto logo em seguida, por queima de arquivo. Não aprofundei essa conversa. Não sei quem poderia querer matá-lo, mas hoje de manhã fui surpreendido com a morte", completou o advogado.

Questionado se Adriano da Nóbrega relacionou seu temor a algum caso, Paulo Emílio Catta Preta disse não ter alongado a conversa sobre isso e ter focado em convencer seu cliente a se entregar. “Ele foi acusado de ser chefe de milícia de Rio das Pedras. Muito embora a imprensa publique muito sobre ele, não há provas suficientes no processo. Falei que estava confiante de que ele seria absolvido, mas ele dizia que iam matá-lo”, finalizou. [Transcrevi trechos. Leia mais

 

09
Fev20

Morte de miliciano ligado ao clã Bolsonaro na Bahia pode ser álibi para esconder queima de arquivo

Talis Andrade

 

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por Jeferson Miola

 

Adriano foi morto na zona rural do pacato município baiano de Esplanada, distante 155 km de Salvador e que, segundo dados do IBGE de 2013, tem menos de 36 mil habitantes.

Enquanto a Polícia Civil da Bahia alega que Adriano reagiu a tiros ao cerco policial, a defesa e a família de Adriano negam.

Segundo Paulo Emílio Catta Preta, advogado do chefe miliciano vinculado ao clã dos Bolsonaro, na última 4ª feira, 5/2, Adriano lhe telefonou para relatar “medo de um plano de queima de arquivo”; alegou que “queriam matá-lo, não prendê-lo”.

As circunstâncias da morte de Adriano precisam ser apuradas com rigor. Mas existem elementos que reforçam a tese de queima de arquivo, a começar pelo local ermo onde ele foi morto e que, em tese, permitiria uma operação de prisão ao invés da eliminação física do foragido que tem alerta vermelho da Interpol e que, apesar disso, Moro o excluiu da lista dos bandidos mais procurados [aqui].

Segundo informações da Polícia baiana, a operação contou com a cobertura de helicópteros e equipes especializadas e poderia resultar na prisão do amigo dos Bolsonaro, mas ele acabou sendo morto. Esse é outro daqueles mistérios insondáveis que rondam as polícias em qualquer Estado e sob comando de qualquer governo …

Ser morto pela Polícia Civil do Estado comandado por um governador do PT é um ótimo verniz para aparentar a “morte em combate” de Adriano, versão que a defesa e a família de Adriano refutam.

Adriano da Nóbrega é filho e marido de assessoras do Flávio Bolsonaro que participavam das “rachadinhas” coordenadas por Fabrício Queiroz, outro integrante do exército do Escritório do Crime que, aliás, também anda foragido como Adriano e, por isso, correndo risco de ser outro arquivo a ser queimado, em nome nos interesses superiores do clã miliciano.

 

05
Fev20

Foragido, miliciano ligado a Flávio Bolsonaro alugou mansão na Costa do Sauípe para festa

Talis Andrade

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O chefe da Milícia do Rio das Pedras do Rio de Janeiro, capitão Adriano d Nóbrega, o Caveirão, não foi incluído por Sérgio Moro na lista dos mais procurados

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Da Revista Fórum

Foragido da Justiça há um ano, o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães d Nóbrega mudou de visual e até de nome. Denunciado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público estadual como um dos chefes da milícia de Rio das Pedras e da Muzema, ele deixou a barba crescer e passou a usar uma carteira de identidade falsa. O documento foi encontrado na semana passada, quando investigadores tentaram prendê-lo na Costa do Sauípe, na Bahia, a mais cara e luxuosa praia do Brasil.

Adriano alugou uma mansão, ao custo de R$ 1 mil por dia, em um condomínio do balneário para festejar seu aniversário, no último dia 14. 

Segundo o jornal O Globo, foi na mansão que a polícia realizou uma operação frustrada no último sábado para prender o miliciano, que teria fugido em meio à mata. No local, os policiais encontraram uma carteira de identidade falsa que está sendo usada pelo miliciano, que teve mãe e ex-esposa empregada no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

No documento, Adriano adota o nome de Marco Antonio Lins Negreiros, e aparece de barba na foto. Na identidade, emitida em 9 de junho de 2016 pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, o ex-Bope aparece como natural de Fortaleza. Ele preservou o primeiro nome da mãe, Raimunda, e do pai, José, alterando apenas o sobrenome de ambos.

Rede de proteção

Segundo investigadores, Adriano conta com uma “rede de proteção” para continuar foragido. Há a suspeita de que a carteira foi realmente emitida pela órgão de segurança cearense a partir de uma certidão de nascimento falsa.

Na fuga do resort baiano, Adriano deixou a atual esposa e duas filhas. O advogado de Adriano, Paulo Emílio Catta Preta, disse que está apurando com Júlia Motta, mulher de seu cliente, se houve abuso de autoridade por parte dos policiais que realizaram as buscas na Costa do Sauípe. Ele contou ter recebido a informação de que os agentes invadiram a mansão com fuzis, constrangendo mãe e filhas.

 

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