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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

22
Mai22

Lançamento da campanha de Lula em Paris recebe apoio da esquerda francesa

Talis Andrade

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Lançamento da pré-campanha de Lula (PT) em Paris conta com representantes dos partidos políticos da esquerda francesa. © Paloma Varón/ RFI

 

O núcleo do Partido dos Trabalhadores (PT) em Paris organizou na manhã deste sábado (7) o lançamento da pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil. Representantes de partidos da esquerda francesa estiveram presentes para mostrar o seu apoio ao ex-presidente, que tenta um terceiro mandato depois de 12 anos longe do cargo. 

O lançamento em Paris ocorreu algumas horas antes do evento oficial realizado no Expo Center Norte, em São Paulo, para apresentar a chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin (PSB), candidatos à presidência e à vice-presidência.

Segundo a pesquisa Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) divulgada na sexta-feira (6), o ex-presidente Lula conta com 44% das intenções de voto na corrida pelo Palácio do Planalto. O atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição, tem 31%. O primeiro turno da eleição vai acontecer no dia 2 de outubro. 

Para a senadora Laurence Cohen, do Partido Comunista Francês (PCF), presidente do grupo de Amizade França-Brasil do Senado francês, é importante mostrar que Lula tem apoio das forças progressistas francesas e europeias: “Eu acabo de voltar de uma viagem à Amazônia e eu pude constatar mais uma vez os danos da política de Bolsonaro, com violações aos direitos humanos e ao meio ambiente. Então, é absolutamente importante que Lula possa ganhar esta eleição”, disse. 

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A senadora também defende a presença de observadores internacionais nas eleições brasileiras “para evitar que Bolsonaro dê um golpe contra a democracia”. “Lula já demonstrou, com Dilma Rousseff, que pode ter uma verdadeira política social, tirando milhões de brasileiros da pobreza. Ele tem uma outra concepção de relações humanas e também das relações com a Europa. Por todas essas razões, me parece importante estar aqui para apoiar a sua candidatura no Brasil”, concluiu Cohen à RFI

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Christian Rodríguez, coordenador de Relações Internacionais do partido A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, e candidato a deputado pela América Latina e Caribe à Assembleia Nacional francesa pela Nova União Popular, Ecológica e Social (Nupes, um grupo lançado oficialmente também neste sábado e formado pelos partidos da esquerda francesa para as eleições legislativas de junho, na França), disse que hoje é um dia histórico: “A Justiça venceu, apesar de todas as perseguições a Lula, apesar de tudo o que ele sofreu, a prisão, a humilhação, as mentiras contra ele, Lula saiu vitorioso de tudo isso e eu acho que isso vai contar a seu favor para que ele volte a ser presidente”.

 

"Lula representa uma grande esperança" 

 

“Estou aqui para trazer o apoio de Jean-Luc Mélenchon e das forças progressistas e políticas e sociais da França, para os quais Lula representa uma grande esperança. Lula não é só do Brasil, ele é do mundo. O Brasil é uma potência e queremos que seja progressista. É preciso eliminar Bolsonaro, não é possível que o fascismo continue nesse país”, acrescentou Rodríguez.

Anne Joubert, da direção do partido ecológico Génération.s, disse que o seu partido apoia os “camaradas brasileiros” no lançamento da pré-campanha de Lula “porque é preciso colocar um fim à política de Bolsonaro, que é escandalosa, com destruição econômica e social do Brasil, desrespeito aos direitos humanos, ao meio ambiente e aos povos indígenas”. 

O coordenador do núcleo do PT em Paris, Esdras Ribeiro, ressalta que Lula e o PT têm um grande apoio na capital francesa. “Nossos amigos e parceiros aqui estiveram com a gente na luta contra o impeachment da Dilma, a prisão do Lula, e a gente não poderia passar esta data sem fazer esta manifestação. Para a gente, é um momento de carinho, de compaixão com o povo brasileiro. Muitas vezes nós, brasileiros e franco-brasileiros, estamos aqui em situação mais confortável, mas acho importantes falarmos da fome e das dificuldades que o povo brasileiro vem atravessando”, salientou, agradecendo o apoio dos partidos políticos da esquerda francesa. 

Representantes de movimentos estudantis de brasileiros na França, do Partido Operário Independente (POI) francês e de outros movimentos sociais também marcaram presença.  

No Brasil, além as lideranças do PT e do PSB, a cerimônia contou com a presença dos partidos que já declararam apoio formal à chapa: PCdoB, Solidariedade, PSOL, PV e Rede. Centrais sindicais, movimentos sociais e militância dos partidos também participaram.

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20
Mar22

Com direito a discurso de ódio, Câmara de Curitiba nega homenagem a Marielle Franco

Talis Andrade

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Homenagem a vereadora carioca assassinada a tiros teve 17 votos contra e só 11 a favor; oito vereadores de Curitiba se abstiveram

 

08
Mar22

Daniel Silveira e Rodrigo Amorim imitam Mamãe Falei

Talis Andrade

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Ato em homenagem à Marielle distribuiu mil placas de rua no | Política

Vivi Reis
@vivireispsol
Quatro ano depois, os fascistas Daniel Silveira e Rodrigo Amorim voltam a exaltar ódio à memória de Marielle. A foto foi tirada nesta semana, no gabinete de Daniel Silveira. Ao fundo, a foto de Flávio Bolsonaro é emblemática. Descobrir quem mandou matar Marielle é urgente!Image
Brasil 247
Irmã de Marielle reage a foto de Daniel Silveira e Rodrigo Amorimwww.brasil247.com - Anielle Franco, Marielle Franco, deputado Daniel Silveira e o deputado Rodrigo Amorim"O ódio que vocês sentem por essa placa é porque metade dela é maior do que vocês dois juntos!", disse Anielle Franco
GugaNoblat
@GugaNoblat
Daniel Silveira e Rodrigo Amorim são tão minúsculos que vivem da sombra da placa quebrada da Marielle. De novo usando a memória dela para tentar ter relevância.Placa em homenagem a Marielle Franco é inaugurada em | Internacional
Anielle Franco
@aniellefranco
Ao invés dos deputados estarem trabalhando como foram eleitos pra fazer, tão à toa incitando o ódio e desprezando a vida, a luta e a memória das mulheres! Esse ato é tão desprezível quanto vocês!Crédito: Divulgação
Caiu na rede: Pelado com a mão no bolsoO fascista Daniel Silveira sairá impune? - CTB
Altamiro Borges: A pressão pela cassação de Daniel Silveira - PCdoB

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ribis- marielle consciencia negra quebra placa car

Daniel Silveira, Eduardo Bolsonaro, Flordelis: os casos parados no Conselho  de Ética da Câmara - O CORRESPONDENTE
Paris inaugura jardim em homenagem a Marielle Franco | Globo News Jornal  Globonews | G1
 
Paris escolhe local nobre para receber nome de Marielle Franco
Jardim em homenagem a Marielle Franco é inaugurado em Paris - Casa Vogue |  Cidade
 
Ultrajano on Twitter: "3 anos hoje sem resposta! Quem mandou matar Marielle  Franco? Absurdo! https://t.co/BxG9LeVy9O" / Twitter
 

21
Fev22

Paris: Memorial do Holocausto expõe o inferno dos homossexuais na Europa nazista

Talis Andrade

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O triângulo rosa era um dos símbolos usados pelos nazistas para identificar homossexuais e lésbicas nos campos de concentração.
 © don de Wilhelm A_ Kroepfl_

 

A diretora de atividades culturais do Memorial do Holocausto de Paris, Sophie Nagiscarde, lembra que os homossexuais e lésbicas faziam parte do grupo dos chamados "degenerados", perseguidos intensamente pela ideologia nazista. "Já havia alguns anos que queríamos abordar essa temática, sobretudo porque trabalhamos com o Holocausto, que é a nosso principal foco de estudo. Mas entender como e por que chegamos ao Holocausto é também compreender a ideologia nazista", resume Nagiscarde.

"No centro da ideologia nazista, os judeus são evidentemente a primeira obsessão racial, em particular de Adolf Hitler, mas existem outras vítimas de primeira hora como os portadores de deficiência e os homossexuais", lembra a diretora. 

No entanto, Sophie Nagiscarde sublinha que homossexuais e lésbicas já eram perseguidos muito antes do advento do Nazismo. "Os homossexuais já eram visados pela lei antes da chegada do regime nazista ao poder na Alemanha porque desde 1871 o Código Penal alemão reprimia a homossexualidade através do famoso parágrafo 175", considera. 

"Mais foi verdadeiramente durante o período nazista que vimos uma aceleração das perseguições extremamente significativa, perseguições que continuaram depois da guerra, uma vez que esse parágrafo 175 só foi abolido na República Democrática Alemã depois de Maio de 68, e em 1969 no leste da Alemanha", diz.

Para a diretora do Memorial do Holocausto, é interessante notar também as reações poderosas ao nazismo demonstradas pelas personalidades da época. "O que achei particularmente interessante foi o surgimento, a partir do fim do século 19, início do século 20, das primeiras associações em defesa dos direitos dos homossexuais que irão, naturalmente, tentar acabar com o parágrafo 175, com a participação de uma personalidade famosa como Magnus Hirschfeld, diretor do Instituto de Sexologia que existia na época em Berlim, mas também através da arte, do espetáculo, conhecemos, por exemplo, toda a militância dos artistas do Cabaré berlinense; havia um aumento da visibilidade homossexual, mas que continuava, é claro, marginal, porque a sociedade continuava hostil em sua maioria", detalha.

Do triângulo rosa invertido dos campos de concentração nazistas ao triângulo rosa do Orgulho Gay, presente em grupos históricos de resistência e luta homossexual, como o Act Up [da luta contra a AIDS nos anos 1980 e pela visibilidade LGBTIQ+], a exposição mostra também a transformação do símbolo nazista em imagem de resistência.

"Vimos na Alemanha do pós-guerra que a homossexualidade continuou a ser perseguida, o que significa que se poderia ir para a prisão, mesmo que não se tratasse mais de um campo de concentração. Demoramos enquanto sociedade quase 100 anos para mudar isso", diz Nagiscarde.

"Somente nos anos 1960 e 70 conseguimos mudar a lei, sendo que, na França, mesmo se a homossexualidade era descriminalizada desde 1791, mas havia um parágrafo incluído durante o período da Ocupação nazista que aumentava para 21 anos a idade da maioridade sexual entre pessoas do mesmo sexo. As associações francesas lutaram para retirar esse parágrafo da lei, o que finalmente aconteceu em 1982", lembra a diretora.

"Me marcou também essa ambiguidade sexual das imagens homoeróticas produzidas por gente como Leni Riefenstahl, e esses grupos masculinos como os da Juventude Hitlerista, e também a presença de homossexuais notórios dentro das tropas nazistas", destaca a programadora. "Acho muito interessante também o fato de que, na ideologia racial ariana, de um povo eleito, ser homossexual ou lésbica não entrava nos planos do regime nazista. O homossexual era considerado degenerado de um ponto de vista médico da raça ariana", aponta.

19
Nov21

"Vai demorar muito para reconstruir o Brasil", diz Lula ao anunciar encontro com Macron em Paris

Talis Andrade
O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em conferência na Sciences Po, em Paris, dez anos após receber o título de Doutor Honoris Causa desta prestigiosa escola de política. 16 de novembro de 2021
O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em conferência na Sciences Po, em Paris, dez anos após receber o título de Doutor Honoris Causa desta prestigiosa escola de política. 16 de novembro de 2021 © RFI/ Paloma Varón

Em seu primeiro dia em Paris, terceira etapa de seu giro europeu, o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva proferiu a conferência “Qual lugar para o Brasil no mundo de amanhã?” nesta terça-feira (16) na prestigiosa escola de ciências políticas Sciences Po de Paris, onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa há dez anos. Em seu discurso sobre as relações entrre o Brasil e a Europa, Lula disse que vai se encontrar na capital francesa com o presidente francês Emmanuel Macron. 

Em seu giro pela Europa, Lula, que ontem foi apaudido de pé no Parlamento Europeu, na Bélgica, não cansa de reiterar o quanto é grato pela solidariedade que recebeu durante os seus 580 dias de prisão.

Em solo francês desde a manhã desta terça-feira, o ex-presidente brasileiro já encontrou a prefeita socialista de Paris, Anne Hidalgo, que lhe concedeu o título de cidadão honorário no ano passado, e citou, durante a conferência na Sciences Po, a solidariedade que recebeu do ex-presidente francês François Hollande (Partido Socialista) e do deputado de esquerda radical Jean-Luc Mélenchon (A França Insubmissa) durante seus dias no cárcere. 

Lula citou também o comitê Lula Livre Paris e os acampados que resistiram durante todo o tempo de sua prisão e lhe davam "bom dia" e "boa noite". Mas o que surpreendeu na noite desta terça-feira foi o anúncio de que ele se encontrará com o presidente francês. Lula não representa o Brasil oficialmente e não se sabe em que circunstâncias ocorrerá o encontro, mas ele é importante para a imagem do país na França, visto que o atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não mantém boas relações com o governo francês desde seu primeiro ano de mandato.

Em 2019, Bolsonaro se recusou a receber o chanceler Jean-Yves Le Drian, em visita a Brasília e com uma reunião agendada com o presidente, com uma desculpa de agenda cheia, mas fez uma live cortando o cabelo na hora em que deveria ocorrer o encontro. Depois, acusou Macron de ingerência sobre o Brasil, quando o presidente francês denunciou as queimadas na Amazônia. Logo em seguida, criticou a aparência da primeira-dama, Brigitte Macron. Neste contexto, o encontro entre líderes políticos dos dois países, que sempre tiveram laços de amizade, mas andavam se desentendendo após tantos conflitos diplomáticos, é um acontecimento simbólico.  

Comparação inevitável

Nos discursos de abertura, Laurence Bertrand Dorléac, presidente da Fundação Nacional de Ciências Políticas, e Olivier Dabène, presidente do Observatório Político da América Latima e o Caribe (OPALC), saudaram Lula com um "bem-vindo à sua casa" e destacaram que o ex-presidente foi o 16º a receber o título Honoris Causa e o primeiro a vir da América Latina. “Um evento que entrou para a história da Sciences Po, que é a sua casa. O Brasil é bem-vindo à Sciences Po", disse Bertrand Dorléac.

 

Lula fala na Sciences Po em Paris

 

Em sua fala, que foi aplaudida efusivamente diversas vezes pelos estudantes da instituição e demais presentes, Lula traçou um histórico da pobreza no Brasil e de como o seu governo priorizou a educação. 

"É inevitável comparar o Brasil que tínhamos há dez anos ao isolamento em que o país se encontra hoje", disse o ex-presidente. "O Brasil chegou a ser a sexta economia do mundo. Graças ao Bolsa Família, tiramos 36 milhões de pessoas da miséria. Em 2012, saímos do Mapa da Fome da ONU", continuou, lembrando que criou 18 universidades e reservou cotas para negros, indiígenas e alunos de escolas públicas. 

"Pela primeira vez, negros, pardos e filhos de trabalhadores chegaram a ser maioria nas universidades públicas do país. Reduzimos as desigualdades e aprofundamos a nossa democracia. Pela primeira vez, colocamos os trabalhadores e os pobres no orçamento da União. E vimos que o pobre era a solução, não um problema", afirmou. 

"Vivemos uma época de crescimento extraordinário do Brasil; éramos o país mais otimista do mundo. O país com mais esperança, mesmo sem ganhar uma Copa do Mundo desde 2002", disse o ex-presidente, fazendo a plateia francesa rir.

 

Críticas a Bolsonaro

Segundo Lula, transformações desta magnitude parecem intoleráveis paras as elites forjadas na escravidão.

Em seguida, ele lamentou a "destruição da Petrobras e do Bolsa Família: acabou porque eles entenderam que era um símbolo do governo do PT e precisavam destruir".

“Tenho 76 anos de idade e nunca vi a fome tão espraiada no Brasil como está agora. Temos 19 milhões de pessoas com fome e 16 milhões com algum problema de insegurança alimentar”, denuncia. Para ele, o "impeachment de Bolsonaro virá do povo, pelo voto democrático". "Chega", desabafou. 

"O governo Bolsonaro desmonta políticas públicas bem sucedidas, persegue cientistas e artistas, colocou o Brasil de costas para o mundo e quem mais sofre com isso é o povo brasileiro. Hoje ninguém investe no Brasil, porque não acredita em mentiras", segundo ele, por falta de credibilidade do atual governo. Lula citou as "fake news de Bolsonaro" como um dos fatores que afastam investidores.Image

"O Brasil, que era a menina dos olhos dos investidores se transformou numa coisa feia. Bolsonaro vai ao G20 e ninguém o cumprimenta ou cumprimenta por obrigação", analisa. Lula classifica o Brasil de hoje como "uma vergonha".

Quando o mundo dizia que o Brasil ia bem porque eu dava sorte, eu digo: "Se sorte é o que o Brasil precisa, então vamos eleger alguém que tenha sorte", disse, arrancando mais aplausos. 

Mas, mesmo otimista, Lula admitiu que "vai demorar muito mais para reconstruir o Brasil agora". 

 

10
Out21

Manifestantes pregam absorventes na embaixada do Brasil em Paris em protesto a veto de Bolsonaro

Talis Andrade

Brasileiras pregaram absorventes nas grades da fachada da embaixada brasileira em Paris para protestar contra veto do presidente Jair Bolsonaro a artigos que determinam a distribuição gratuita do produto para população precária

Brasileiras pregaram absorventes nas grades da fachada da embaixada brasileira em Paris para protestar contra veto do presidente Jair Bolsonaro a artigos que determinam a distribuição gratuita do produto para população precária 

O ato, ocorrido na manhã deste domingo (10), teve como objetivo chamar a atenção da comunidade internacional para a decisão do presidente brasileiro de vetar a criação do Programa de Fornecimento de Absorventes Higiênicos para mulheres em situação precária, anunciada na quinta-feira (7).

Em uma intervenção simbólica em frente à Embaixada do Brasil em Paris, no 8º distrito da capital francesa, um grupo de brasileiras organizou um flash mob em protesto à decisão do governo brasileiro.

“A embaixada é um lugar simbólico e é uma referência para os brasileiros. Sempre que possível, organizamos atos no local. Foi uma ideia que tivemos anteontem, em torno do veto da distribuição gratuita dos absorventes higiênicos para a população feminina vulnerável”, explicou a jornalista e escritora Marcia Camargos, representante do grupo militante Alerta França/Brasil, à RFI. “Por isso escolhemos a embaixada. Isso será divulgado e a comunidade internacional agora talvez se dará conta de que ele [Jair Bolsonaro] foi capaz de chegar a esse ponto”, declarou.Brasileiras criaram instalação com absorventes em frente à fachada da embaixada brasileira em Paris neste domingo (10).

Brasileiras criaram instalação com absorventes em frente à fachada da embaixada brasileira em Paris neste domingo (10). 

 

Durante o ato, as brasileiras amarraram absorventes higiênicos com frases de protesto escritas em vermelho, em alusão ao fluxo menstrual, nas grades do prédio da embaixada brasileira na capital francesa, situada perto da Avenue Montaigne, uma das mais sofisticadas de Paris. “Amarramos com cordinhas, não usamos cola, tinta ou outros materiais que pudessem deteriorar o patrimônio. Sempre temos esse cuidado. Levamos os varais prontos ”, diz Marcia, explicando que atos como o de hoje são "clandestinos" e não têm como objetivo reunir centenas de pessoas. "Chegamos sem avisar", diz.

A ação, explicou Camargos, foi inspirada na instalação do artista brasileiro radicado na França Julio Villani, de maio de 2020. Na época, ele instalou vários painéis na fachada da Embaixada do Brasil em Paris, em protesto ao governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro

 

Supressão de artigos

Neste sábado (9), a secretaria de Comunicação do governo federal afirmou que pretende “viabilizar a aplicação da medida” para atender as necessidades da população, sem fazer referência clara à extinção do veto aos artigos da lei da deputada Marília Arraes (PT/PE), que prevê a distribuição gratuita dos absorventes higiênicos. O texto previa que o dinheiro viria dos recursos destinados pela União ao Sistema Único de Saúde (SUS) – e, no caso das presidiárias, do Fundo Penitenciário Nacional.

A estimativa é de que o programa beneficiaria cerca de 5,6 milhões de brasileiras, incluindo presidiárias, mulheres que vivem nas ruas, ou menores infratoras. O congresso brasileiro terá 30 dias para analisar a manutenção dos vetos do governo. Os artigos extintos pelo presidente também beneficiavam alunas das escolas públicas do ensino fundamental e médio, propondo, além da distribuição dos absorventes, a oferta de cuidados básicos para a saúde menstrual.As brasileiras escreveram mensagens com canetas vermelhas nos absorventes higiênicos.

As brasileiras escreveram mensagens com canetas vermelhas nos absorventes higiênicos. 

 

Pobreza menstrual

O veto de Bolsonaro reabre a discussão sobre o conceito de pobreza menstrual no país. Segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), em todo o mundo, uma em cada dez meninas deixa de ir à escola quando está menstruada, por falta de acesso aos produtos de higiene.

De acordo com o relatório apresentando pelo fundo, "Pobreza Menstrual no Brasil, Desigualdades e Violações de Direitos", mais de 700 mil meninas brasileiras não têm banheiro ou chuveiro dentro de casa e cerca de 4 milhões não têm acesso, por exemplo, a absorventes ou banheiros com sabonetes nas escolas, o que acaba gerando uma alta taxa de absenteísmo e prejudicando a educação das garotas.

 

Crueldade

 

08
Mar21

Prefeita de Paris, Anne Hidalgo celebra anulação das condenações de Lula

Talis Andrade

Lula e Anne Hidalgo

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, comemorou a decisão do ministro da Justiça que anulou nesta segunda-feira (8) as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e devolveu seus direitos políticos. 

"Tão feliz ! Justiça é feita para @LulaOficial", escreveu a socialista que governa a capital francesa sobre a decisão do STF pelo Twitter. 

No dia 3 de março de 2020, Lula recebeu das mãos da prefeita Anne Hidalgo o título de cidadão honorário de Paris. O título foi concedido pelo Conselho de Paris, órgão equivalente a uma Câmara de Vereadores, em razão do “engajamento de Lula na redução das desigualdades sociais e econômicas no Brasil” e também por sua política “contra as discriminações raciais”.

 

09
Mai20

Imagens aéreas do confinamento mostram uma Paris que ficará para a história

Talis Andrade

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Os mesmos drones da polícia francesa que ajudaram a controlar o confinamento por causa da Covid-19 registraram imagens que vão ficar para a história. Do alto, vê-se uma Paris imersa em um sono profundo. Um cenário desolador e belo. Assustadoramente calmo. E que tem data para acabar.

A partir de segunda-feira (11), a população francesa volta às ruas sem precisar de uma justificativa de deslocamento, como acontecia desde o dia 17 de março, quando o país entrou em isolamento total. Nesse período, as câmeras aéreas foram usadas como ferramentas na difícil missão de manter os habitantes em quarentena. Apesar dos esforços, mais de 12 milhões de controles foram realizados pelos agentes de segurança, que aplicaram mais de 760.000 multas de € 135 euros aos infratores.  

O inferno são os outros

Há oitenta anos, um dos grandes filósofos franceses escreveu: “o inferno são os outros”. Ao proferir essas palavras, no entanto, Jean-Paul Sartre (1905-1980), jamais imaginaria que hoje os outros fariam tanta falta.

Foram oito semanas de comércio fechado, escolas sem aulas, empresas paradas e vida social em suspenso. Uma estratégia firme do governo francês para frear a pandemia de Covid-19 e diminuir a sobrecarga nos hospitais.

Uma decisão que se mostrou eficaz do ponto de vista sanitário, evitando ao menos 60.000 mortes pelo coronavírus, de acordo com um estudo da Escola Francesa de Saúde Pública. Mas que também deixou marcas profundas na economia do país, que entrou oficialmente em recessão, depois de registrar uma queda do PIB de 5,8% no primeiro trimestre do ano; o pior índice desde 1949.

O remédio amargo contra o vírus mudou a rotina e o cenário da Cidade Luz.

 

O vídeo produzido pelo ministério do Interior mostra Paris em dias bizarros, que entrarão para a posteridade como um dos maiores desafios já enfrentados na França moderna. Ninguém diante da catedral de Notre Dame, que teve o canteiro de obras paralisado por conta da epidemia, e onde as atividades só foram retomadas na segunda-feira (4).

“A ideia era mostrar a capital francesa como jamais vemos. Em tempos normais, não podemos usar drones dessa forma, pois há questões de segurança envolvidas”, explica à RFI Javier Namour, responsável pelo setor de fotografia e vídeo do serviço de comunicação do ministério do Interior. “A filmagem foi interessante para ver se o confinamento foi cumprido, mas também tem um valor estético, ao mostrar os museus e o rico patrimônio arquitetônico de Paris, uma cidade tão bonita”, acrescenta.

Vista do alto, em pleno confinamento, a movimentada Praça de Saint Michel, no Quartier Latin, deixou de ser a mesma. Palco de tantas manifestações, a Praça da República também parece ter entrado num silêncio sepulcral. Enquanto o jardim das Tuileries, o mais antigo de Paris, criado no século XVI, perdeu o vai e vem habitual dos turistas. Assim como a Praça da Concórdia, ornamentada pelo obelisco do templo de Luxor, presente recebido pela França, de 3.300 anos.

Plano detalhado de filmagem

A operação de filmagem exigiu um plano detalhado. Era preciso delinear um trajeto adequado para o voo dos drones, sem a interferência de antenas ou cabos que pudessem atrapalhar o visual. Além disso, a meteorologia foi determinante, já que as imagens deveriam ser feitas com condições ideais de visibilidade e vento. “Fizemos vários dias de gravações, com sobrevoos de curta distância e a aproximadamente 50 metros de altura. Outras capitais também aproveitaram o confinamento para manobras assim”, afirma Namour.

Berço do luxo e da sofisticação, a avenida do Champs-Élysées, uma das mais belas do mundo, ficou inerte. Em tempos normais, esse ponto turístico da arquitetura e paraíso de compras recebe, em seus 2 quilômetros de extensão, cerca de 300.000 visitantes por dia. As cenas raras, filmadas do céu, mostram cartões postais transformados sem a presença humana.

Felizmente, Paris tem data para acordar desse repouso absoluto: 11 de maio marca a abertura gradual das atividades, quando os moradores retomarão o direito de ir e vir. E de flanar pelas avenidas e ruelas de sua metrópole milenar. Ainda que de uma forma diferente: portando máscaras, mantendo distância uns dos outros, protegidos e atentos contra uma ameaça invisível, mas ainda presente. Como alertam as autoridades de saúde, os franceses terão de aprender a conviver com o vírus.

“Certamente são registros de momentos únicos, pois Paris nunca havia parado assim. Mas eles só passarão para a posteridade quando tudo isso terminar e a vida voltar ao normal”, conclui, prudentemente, Javier Namour.

Guerra sanitária

Erguido há 200 anos para comemorar as vitórias militares de Napoleão Bonaparte (1769-1821), o Arco do Triunfo testemunha atualmente uma guerra sanitária, cuja maior batalha acontece dentro dos hospitais. De acordo com um balanço recente, 23.200 pessoas continuam internadas, quase 3.000 em UTIs.

Em plena epidemia, a celebração pelo fim da Segunda Guerra Mundial, nessa sexta-feira (8), aconteceu de forma discreta. Acompanhado de poucas pessoas, o presidente Emmanuel Macron participou de uma cerimônia em formato reduzido no túmulo do soldado desconhecido e depositou flores diante da estátua do general de Gaulle, chefe da resistência francesa.

Em tempos de coronavírus, a bandeira tricolor da França tremula, dia e noite, na Praça da Étoile, formada pela junção de 12 importantes avenidas da capital. Além de comemorar a vitória sobre os alemães, há 75 anos, o símbolo nacional nas cores azul, branco e vermelho, também homenageia hoje os mais de 25 mil franceses mortos pela Covid-19 e todos aqueles que vivem e trabalham para proteger a população.

Paris confinada

Inúmeros profissionais de comunicação visual aproveitaram a calmaria da quarentena para realizar trabalhos inusitados. “Paris confinada” é um filme de 3 minutos que presta homenagem à riqueza arquitetônica da capital francesa, bem como aos homens e mulheres que continuam a mantê-la viva, ainda que reclusa.

Durante 25 dias, os diretores Marc Didier (Skydrone Film) e Christophe Lyard, (Futuria Production) capturaram essa atmosfera incomum, a fim de mostrar como a cidade e seus habitantes passaram por esse momento tão particular.

Do céu e graças a dezenas de horas de filmagens usando um drone, o trabalho proporciona, ao mesmo tempo, uma visão imutável da capital francesa e de sua herança histórica, e um parêntese instantâneo da solidariedade humana expressa durante a pandemia.

O filme testemunha uma cidade aparentemente confinada, em que a visibilidade de determinadas tarefas e ofícios se revela pela urgência da crise sanitária. Os autores destacam o contraste entre a imobilidade imposta pelo isolamento e a nova percepção de tarefas que sempre existiram, mas ninguém via e valorizava.

Trata-se de um tributo aos “invisíveis”, seguido de um muito obrigado. Um reconhecimento ao trabalho de carteiros, entregadores, garis, costureiras, caixas de supermercado, policiais, professores, médicos, enfermeiros e tantos outros profissionais que deixaram de lado seus medos para aliviar as dores e suprir necessidades de outros franceses.

 

04
Mai20

Síndrome de Kawasaki: doença que pode estar relacionada à Covid-19 é detectada em crianças na Europa

Talis Andrade

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Cerca de vinte casos da Síndrome de Kawasaki foram detectados em crianças com idades entre 2 e 10 anos testadas positivas ao coronavírus na região parisiense. iStock / SanyaSM

 

 

O alerta foi feito por médicos do Reino Unido e reforçado por especialistas na França. Diversas crianças testadas positivas ao coronavírus apresentam também sintomas da Síndrome de Kawasaki, doença rara caracterizada pela inflamação na parede dos vasos sanguíneos e complicações cardíacas.

Na região parisiense, cerca de 20 casos já foram detectados em crianças com idades entre 2 e 10 anos. A professora de Reumatologia Pediátrica do hospital Kremlin-Bicêtre, em Paris, Isabelle Kone Paut, confirma um “acúmulo anormal de casos”.

“Há um mês, recebemos regularmente telefonemas de UTIs sobre crianças que apresentam quadro de miocardite severa e sinais da Síndrome de Kawasaki. Algumas delas testaram positivo à Covid-19”, afirma a especialista em entrevista ao jornal francês La Dépêche.

No norte da Itália, uma das regiões mais castigadas pelo coronavírus, especialistas também registraram casos severos desta doença em crianças de idade inferior a 9 anos. Na Espanha e na Bélgica, hospitais atenderam a menores com sintomas similares.

As autoridades sanitárias europeias ainda investigam se existe uma relação entre a Síndrome de Kawasaki e a pandemia de Covid-19. Mas a situação é preocupante, em um momento em que os países europeus anunciam a saída do confinamento a partir do começo de maio e a França prevê que as crianças de escolas maternais e ensino primário voltem às aulas.

Por isso, muitos médicos e pesquisadores franceses, entre eles pediatras e especialistas em doenças inflamatórias, realizam uma reunião de emergência sobre essa questão.

Equipes médicas da França em alerta

Em entrevista à France Info, o ministro francês da Saúde, Olivier Véran, confirmou ter recebido um alerta por parte das equipes médicas de Paris indicando que “cerca de 15 crianças apresentam sintomas de febre, problemas digestivos e uma síndrome inflamatória vascular que pode provocar problemas cardíacos”.

Em sua opinião, algumas dessas crianças foram contaminadas pelo coronavírus. O ministro afirma que a situação é levada a sério e necessita “vigilância e atenção”. “Mobilizo a comunidade médica e a comunidade científica na França e internacional para ter o máximo possível de informações e saber se existe uma relação entre o coronavírus e essa doença que, até o momento, não vinha sendo observada em nenhum lugar”, reiterou.

Questionado sobre a possibilidade desse novo quadro poder adiar a reabertura das escolas na França – prevista para 11 de maio – Verán afirmou que, na ausência de explicações médicas sobre o fenômeno, nenhuma decisão será tomada por enquanto. “Teremos novas informações rapidamente sobre essas crianças e seus dossiês médicos para poder explorar soluções”, afirmou o ministro.

As autoridades sanitárias britânicas também trabalham para tentar descobrir se existe uma relação entre a Covid-19 e a Síndrome de Kawasaki. De acordo com o ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, a doença pode ser causada pelo coronavírus.

“Não temos 100% de certeza, porque algumas pessoas que a contraíram não foram testadas positivas ao coronavírus. Estamos fazendo muitas pesquisas, mas é algo que nos preocupa”, declarou à rádio LBC.

Já o chefe dos serviços de Saúde do Reino Unido, Chris Witty, ressaltou que a Síndrome de Kawasaki é uma doença “muito rara”. “Acredito que seja plausível que ela esteja relacionada ao vírus, ao menos em alguns casos”, declarou na coletiva de imprensa do governo britânico na segunda-feira (27).

Como se manifesta a Síndrome de Kawasaki

Em entrevista à rádio francesa RMC, Pierre-Louis Léger, chefe da UTI neonatal do hospital Trousseau, em Paris, afirma que a Síndrome de Kawasaki é “uma doença relativamente rara, mas conhecida dos pediatras”. Mais frequente na Ásia do que nos países ocidentais, a doença se manifesta por uma inflamação das artérias, especialmente as coronárias, podendo causar um infarto do miocárdio. Entre os sintomas estariam a febre, erupções cutâneas, vermelhidão em torno da boca e das mucosas labiais e garganta, inchaço dos gânglios no pescoço, inchaço de mãos e pés, além de irritação dos olhos.

Para o especialista, alguns casos apresentam “insuficiência cardíaca necessitando levar o paciente para a UTI e aplicar tratamentos específicos”. Léger afirma ter atendido três crianças nos últimos 15 dias no hospital Trousseau e diz estar a par de que outras foram hospitalizadas com sintomas similares em Paris.

O especialista indica que muitos dos menores hospitalizados não tinham antecedentes graves de saúde ou sofriam de doenças crônicas. Ele ressaltou que muitos deles testaram positivo ao coronavírus.

“Nem todos apresentaram sintomas respiratórios típicos na fase inicial. Mas, em um segundo momento, eles desenvolvem sintomas pouco descritos até o momento em crianças contaminadas pelo coronavírus: problemas digestivos, febre, piora do estado geral”, observa.

Léger afirma que depois de alguns dias na UTI, seus pacientes logo se recuperaram. “As crianças respondem bem aos tratamentos. Até o momento, nenhum paciente teve consequências graves, mas esses casos precisam ser monitorados e receber muita atenção, salienta.

Excesso de resposta imunitária

O reumatologista e pediatra Alexandre Belot, do hospital Femme Mère Enfant, em Lyon, lembra que, até o momento, nada permite confirmar a relação entre a Síndrome de Kawasaki e o coronavírus, mas as suspeitas existem e estão sendo avaliadas.

“A Síndrome de Kawasaki é uma doença inflamatória sobre a qual não conhecemos a causa. Essa pode ser genética, mas poderia ser ativada pelo estímulo de um vírus”, afirma o especialista, em entrevista ao jornal francês La Depêche.

De acordo com Belot, “é possível que crianças infectadas pelo coronavírus desenvolvam uma forma desta doença provavelmente devido a um quadro propício, talvez excesso de resposta imunitária”.

04
Mai20

Coronavírus: 329 prefeitos da região parisiense pedem que escolas continuem fechadas em 11 de maio

Talis Andrade

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A Associação dos Prefeitos da Região Parisiense publicou no domingo (3) uma carta aberta direcionada ao presidente francês, Emmanuel Macron, pedindo que as escolas não sejam reabertas em 11 de maio - data prevista para o início do relaxamento da quarentena na França. AFP - DAMIEN MEYER

 

A Associação dos Prefeitos da Região Parisiense publicou uma carta aberta direcionada ao presidente francês, Emmanuel Macron, neste domingo (3), pedindo que as escolas não reabram em 11 de maio. A data, que marca o início do relaxamento das medidas de quarentena na França, é considerada precipitada pelas autoridades locais.

"Senhor presidente da República, na região parisiense, o Estado não pode se abster de sua responsabilidade da reabertura das escolas em 11 de maio. Esse calendário é impraticável e irrealista", escreve a Associação dos Prefeitos da Região Parisiense em uma carta aberta publicada no site do jornal francês La Tribune.

O documento, assinado por 329 prefeitos - entre eles, a de Paris, Anne Hidalgo - denuncia a falta de organização do governo, além da impossibilidade de receber os alunos em boas condições. “A preparação do fim do confinamento se faz em um calendário forçado, quando ainda não temos todas as informações para orientar a população”, afirma a carta aberta.

A associação pede, desta forma, o adiamento da abertura das escolas. “A flexibilização e a adaptação às condições locais são necessárias e os prefeitos desejam, evidentemente, estar associados às negociações. (…) Mas a falta de engajamento do Estado de suas responsabilidades em matéria educativa e sanitária, em plena crise e quando o estado de emergência será prolongado, é inimaginável”, reitera o documento.

 

Polêmica volta às aulas

Várias organizações sindicais já haviam criticado, nos últimos dias, a data de volta às aulas, considerada “arbitrária”. A principal organização do ensino primário, a SNUipp-FSU lembrou que esse calendário não foi aprovado por nenhuma autoridade médica. Já a central sindical Sud reivindica a reabertura das escolas em setembro devido “às exigências impraticáveis”.

“As condições sanitárias não estão reunidas e não permitem uma volta às aulas em maio em boas condições para os alunos e profissionais. Recomeçar em setembro permitiria ter tempo para preparar melhor as aulas e os estabelecimentos tanto na organização do material quanto em contratações suplementares”, afirma o sindicato.

Pais também se preocupam com a reabertura das escolas em um momento em que vários países europeus, entre eles a França, registram casos da Síndrome de Kawasaki em crianças contaminadas pelo coronavírus. O próprio Conselho Científico francês – criado pelo governo durante a pandemia – recomendou a reabertura das escolas somente em setembro. Mas o governo insiste na volta às aulas em 11 de maio.

Nesta segunda-feira (4), ao apresentar o projeto do fim gradual da quarentena ao Senado, o primeiro-ministro Edouard Philippe afirmou que a reabertura das escolas é uma prioridade do governo. “Onde ela pode acontecer, ela vai acontecer, se possível para as crianças que mais precisam”, afirmou.

Os estabelecimentos escolares estão fechados desde 16 de março na França devido à epidemia que já deixou 24.895 mortos no país. O projeto do governo prevê a abertura dos maternais e do ensino primário a partir de 11 de maio. As classes seguintes devem voltar as aulas a partir de 18 de maio. Já a situação do ensino médio será reavaliada no final do mês, segundo o primeiro-ministro. As medidas foram aprovadas pela Assembleia, na semana passada, e passam por exame e votação no Senado nesta segunda-feira.

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