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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

08
Mar21

Prefeita de Paris, Anne Hidalgo celebra anulação das condenações de Lula

Talis Andrade

Lula e Anne Hidalgo

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, comemorou a decisão do ministro da Justiça que anulou nesta segunda-feira (8) as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e devolveu seus direitos políticos. 

"Tão feliz ! Justiça é feita para @LulaOficial", escreveu a socialista que governa a capital francesa sobre a decisão do STF pelo Twitter. 

No dia 3 de março de 2020, Lula recebeu das mãos da prefeita Anne Hidalgo o título de cidadão honorário de Paris. O título foi concedido pelo Conselho de Paris, órgão equivalente a uma Câmara de Vereadores, em razão do “engajamento de Lula na redução das desigualdades sociais e econômicas no Brasil” e também por sua política “contra as discriminações raciais”.

 

09
Mai20

Imagens aéreas do confinamento mostram uma Paris que ficará para a história

Talis Andrade

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Os mesmos drones da polícia francesa que ajudaram a controlar o confinamento por causa da Covid-19 registraram imagens que vão ficar para a história. Do alto, vê-se uma Paris imersa em um sono profundo. Um cenário desolador e belo. Assustadoramente calmo. E que tem data para acabar.

A partir de segunda-feira (11), a população francesa volta às ruas sem precisar de uma justificativa de deslocamento, como acontecia desde o dia 17 de março, quando o país entrou em isolamento total. Nesse período, as câmeras aéreas foram usadas como ferramentas na difícil missão de manter os habitantes em quarentena. Apesar dos esforços, mais de 12 milhões de controles foram realizados pelos agentes de segurança, que aplicaram mais de 760.000 multas de € 135 euros aos infratores.  

O inferno são os outros

Há oitenta anos, um dos grandes filósofos franceses escreveu: “o inferno são os outros”. Ao proferir essas palavras, no entanto, Jean-Paul Sartre (1905-1980), jamais imaginaria que hoje os outros fariam tanta falta.

Foram oito semanas de comércio fechado, escolas sem aulas, empresas paradas e vida social em suspenso. Uma estratégia firme do governo francês para frear a pandemia de Covid-19 e diminuir a sobrecarga nos hospitais.

Uma decisão que se mostrou eficaz do ponto de vista sanitário, evitando ao menos 60.000 mortes pelo coronavírus, de acordo com um estudo da Escola Francesa de Saúde Pública. Mas que também deixou marcas profundas na economia do país, que entrou oficialmente em recessão, depois de registrar uma queda do PIB de 5,8% no primeiro trimestre do ano; o pior índice desde 1949.

O remédio amargo contra o vírus mudou a rotina e o cenário da Cidade Luz.

 

O vídeo produzido pelo ministério do Interior mostra Paris em dias bizarros, que entrarão para a posteridade como um dos maiores desafios já enfrentados na França moderna. Ninguém diante da catedral de Notre Dame, que teve o canteiro de obras paralisado por conta da epidemia, e onde as atividades só foram retomadas na segunda-feira (4).

“A ideia era mostrar a capital francesa como jamais vemos. Em tempos normais, não podemos usar drones dessa forma, pois há questões de segurança envolvidas”, explica à RFI Javier Namour, responsável pelo setor de fotografia e vídeo do serviço de comunicação do ministério do Interior. “A filmagem foi interessante para ver se o confinamento foi cumprido, mas também tem um valor estético, ao mostrar os museus e o rico patrimônio arquitetônico de Paris, uma cidade tão bonita”, acrescenta.

Vista do alto, em pleno confinamento, a movimentada Praça de Saint Michel, no Quartier Latin, deixou de ser a mesma. Palco de tantas manifestações, a Praça da República também parece ter entrado num silêncio sepulcral. Enquanto o jardim das Tuileries, o mais antigo de Paris, criado no século XVI, perdeu o vai e vem habitual dos turistas. Assim como a Praça da Concórdia, ornamentada pelo obelisco do templo de Luxor, presente recebido pela França, de 3.300 anos.

Plano detalhado de filmagem

A operação de filmagem exigiu um plano detalhado. Era preciso delinear um trajeto adequado para o voo dos drones, sem a interferência de antenas ou cabos que pudessem atrapalhar o visual. Além disso, a meteorologia foi determinante, já que as imagens deveriam ser feitas com condições ideais de visibilidade e vento. “Fizemos vários dias de gravações, com sobrevoos de curta distância e a aproximadamente 50 metros de altura. Outras capitais também aproveitaram o confinamento para manobras assim”, afirma Namour.

Berço do luxo e da sofisticação, a avenida do Champs-Élysées, uma das mais belas do mundo, ficou inerte. Em tempos normais, esse ponto turístico da arquitetura e paraíso de compras recebe, em seus 2 quilômetros de extensão, cerca de 300.000 visitantes por dia. As cenas raras, filmadas do céu, mostram cartões postais transformados sem a presença humana.

Felizmente, Paris tem data para acordar desse repouso absoluto: 11 de maio marca a abertura gradual das atividades, quando os moradores retomarão o direito de ir e vir. E de flanar pelas avenidas e ruelas de sua metrópole milenar. Ainda que de uma forma diferente: portando máscaras, mantendo distância uns dos outros, protegidos e atentos contra uma ameaça invisível, mas ainda presente. Como alertam as autoridades de saúde, os franceses terão de aprender a conviver com o vírus.

“Certamente são registros de momentos únicos, pois Paris nunca havia parado assim. Mas eles só passarão para a posteridade quando tudo isso terminar e a vida voltar ao normal”, conclui, prudentemente, Javier Namour.

Guerra sanitária

Erguido há 200 anos para comemorar as vitórias militares de Napoleão Bonaparte (1769-1821), o Arco do Triunfo testemunha atualmente uma guerra sanitária, cuja maior batalha acontece dentro dos hospitais. De acordo com um balanço recente, 23.200 pessoas continuam internadas, quase 3.000 em UTIs.

Em plena epidemia, a celebração pelo fim da Segunda Guerra Mundial, nessa sexta-feira (8), aconteceu de forma discreta. Acompanhado de poucas pessoas, o presidente Emmanuel Macron participou de uma cerimônia em formato reduzido no túmulo do soldado desconhecido e depositou flores diante da estátua do general de Gaulle, chefe da resistência francesa.

Em tempos de coronavírus, a bandeira tricolor da França tremula, dia e noite, na Praça da Étoile, formada pela junção de 12 importantes avenidas da capital. Além de comemorar a vitória sobre os alemães, há 75 anos, o símbolo nacional nas cores azul, branco e vermelho, também homenageia hoje os mais de 25 mil franceses mortos pela Covid-19 e todos aqueles que vivem e trabalham para proteger a população.

Paris confinada

Inúmeros profissionais de comunicação visual aproveitaram a calmaria da quarentena para realizar trabalhos inusitados. “Paris confinada” é um filme de 3 minutos que presta homenagem à riqueza arquitetônica da capital francesa, bem como aos homens e mulheres que continuam a mantê-la viva, ainda que reclusa.

Durante 25 dias, os diretores Marc Didier (Skydrone Film) e Christophe Lyard, (Futuria Production) capturaram essa atmosfera incomum, a fim de mostrar como a cidade e seus habitantes passaram por esse momento tão particular.

Do céu e graças a dezenas de horas de filmagens usando um drone, o trabalho proporciona, ao mesmo tempo, uma visão imutável da capital francesa e de sua herança histórica, e um parêntese instantâneo da solidariedade humana expressa durante a pandemia.

O filme testemunha uma cidade aparentemente confinada, em que a visibilidade de determinadas tarefas e ofícios se revela pela urgência da crise sanitária. Os autores destacam o contraste entre a imobilidade imposta pelo isolamento e a nova percepção de tarefas que sempre existiram, mas ninguém via e valorizava.

Trata-se de um tributo aos “invisíveis”, seguido de um muito obrigado. Um reconhecimento ao trabalho de carteiros, entregadores, garis, costureiras, caixas de supermercado, policiais, professores, médicos, enfermeiros e tantos outros profissionais que deixaram de lado seus medos para aliviar as dores e suprir necessidades de outros franceses.

 

04
Mai20

Síndrome de Kawasaki: doença que pode estar relacionada à Covid-19 é detectada em crianças na Europa

Talis Andrade

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Cerca de vinte casos da Síndrome de Kawasaki foram detectados em crianças com idades entre 2 e 10 anos testadas positivas ao coronavírus na região parisiense. iStock / SanyaSM

 

 

O alerta foi feito por médicos do Reino Unido e reforçado por especialistas na França. Diversas crianças testadas positivas ao coronavírus apresentam também sintomas da Síndrome de Kawasaki, doença rara caracterizada pela inflamação na parede dos vasos sanguíneos e complicações cardíacas.

Na região parisiense, cerca de 20 casos já foram detectados em crianças com idades entre 2 e 10 anos. A professora de Reumatologia Pediátrica do hospital Kremlin-Bicêtre, em Paris, Isabelle Kone Paut, confirma um “acúmulo anormal de casos”.

“Há um mês, recebemos regularmente telefonemas de UTIs sobre crianças que apresentam quadro de miocardite severa e sinais da Síndrome de Kawasaki. Algumas delas testaram positivo à Covid-19”, afirma a especialista em entrevista ao jornal francês La Dépêche.

No norte da Itália, uma das regiões mais castigadas pelo coronavírus, especialistas também registraram casos severos desta doença em crianças de idade inferior a 9 anos. Na Espanha e na Bélgica, hospitais atenderam a menores com sintomas similares.

As autoridades sanitárias europeias ainda investigam se existe uma relação entre a Síndrome de Kawasaki e a pandemia de Covid-19. Mas a situação é preocupante, em um momento em que os países europeus anunciam a saída do confinamento a partir do começo de maio e a França prevê que as crianças de escolas maternais e ensino primário voltem às aulas.

Por isso, muitos médicos e pesquisadores franceses, entre eles pediatras e especialistas em doenças inflamatórias, realizam uma reunião de emergência sobre essa questão.

Equipes médicas da França em alerta

Em entrevista à France Info, o ministro francês da Saúde, Olivier Véran, confirmou ter recebido um alerta por parte das equipes médicas de Paris indicando que “cerca de 15 crianças apresentam sintomas de febre, problemas digestivos e uma síndrome inflamatória vascular que pode provocar problemas cardíacos”.

Em sua opinião, algumas dessas crianças foram contaminadas pelo coronavírus. O ministro afirma que a situação é levada a sério e necessita “vigilância e atenção”. “Mobilizo a comunidade médica e a comunidade científica na França e internacional para ter o máximo possível de informações e saber se existe uma relação entre o coronavírus e essa doença que, até o momento, não vinha sendo observada em nenhum lugar”, reiterou.

Questionado sobre a possibilidade desse novo quadro poder adiar a reabertura das escolas na França – prevista para 11 de maio – Verán afirmou que, na ausência de explicações médicas sobre o fenômeno, nenhuma decisão será tomada por enquanto. “Teremos novas informações rapidamente sobre essas crianças e seus dossiês médicos para poder explorar soluções”, afirmou o ministro.

As autoridades sanitárias britânicas também trabalham para tentar descobrir se existe uma relação entre a Covid-19 e a Síndrome de Kawasaki. De acordo com o ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, a doença pode ser causada pelo coronavírus.

“Não temos 100% de certeza, porque algumas pessoas que a contraíram não foram testadas positivas ao coronavírus. Estamos fazendo muitas pesquisas, mas é algo que nos preocupa”, declarou à rádio LBC.

Já o chefe dos serviços de Saúde do Reino Unido, Chris Witty, ressaltou que a Síndrome de Kawasaki é uma doença “muito rara”. “Acredito que seja plausível que ela esteja relacionada ao vírus, ao menos em alguns casos”, declarou na coletiva de imprensa do governo britânico na segunda-feira (27).

Como se manifesta a Síndrome de Kawasaki

Em entrevista à rádio francesa RMC, Pierre-Louis Léger, chefe da UTI neonatal do hospital Trousseau, em Paris, afirma que a Síndrome de Kawasaki é “uma doença relativamente rara, mas conhecida dos pediatras”. Mais frequente na Ásia do que nos países ocidentais, a doença se manifesta por uma inflamação das artérias, especialmente as coronárias, podendo causar um infarto do miocárdio. Entre os sintomas estariam a febre, erupções cutâneas, vermelhidão em torno da boca e das mucosas labiais e garganta, inchaço dos gânglios no pescoço, inchaço de mãos e pés, além de irritação dos olhos.

Para o especialista, alguns casos apresentam “insuficiência cardíaca necessitando levar o paciente para a UTI e aplicar tratamentos específicos”. Léger afirma ter atendido três crianças nos últimos 15 dias no hospital Trousseau e diz estar a par de que outras foram hospitalizadas com sintomas similares em Paris.

O especialista indica que muitos dos menores hospitalizados não tinham antecedentes graves de saúde ou sofriam de doenças crônicas. Ele ressaltou que muitos deles testaram positivo ao coronavírus.

“Nem todos apresentaram sintomas respiratórios típicos na fase inicial. Mas, em um segundo momento, eles desenvolvem sintomas pouco descritos até o momento em crianças contaminadas pelo coronavírus: problemas digestivos, febre, piora do estado geral”, observa.

Léger afirma que depois de alguns dias na UTI, seus pacientes logo se recuperaram. “As crianças respondem bem aos tratamentos. Até o momento, nenhum paciente teve consequências graves, mas esses casos precisam ser monitorados e receber muita atenção, salienta.

Excesso de resposta imunitária

O reumatologista e pediatra Alexandre Belot, do hospital Femme Mère Enfant, em Lyon, lembra que, até o momento, nada permite confirmar a relação entre a Síndrome de Kawasaki e o coronavírus, mas as suspeitas existem e estão sendo avaliadas.

“A Síndrome de Kawasaki é uma doença inflamatória sobre a qual não conhecemos a causa. Essa pode ser genética, mas poderia ser ativada pelo estímulo de um vírus”, afirma o especialista, em entrevista ao jornal francês La Depêche.

De acordo com Belot, “é possível que crianças infectadas pelo coronavírus desenvolvam uma forma desta doença provavelmente devido a um quadro propício, talvez excesso de resposta imunitária”.

04
Mai20

Coronavírus: 329 prefeitos da região parisiense pedem que escolas continuem fechadas em 11 de maio

Talis Andrade

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A Associação dos Prefeitos da Região Parisiense publicou no domingo (3) uma carta aberta direcionada ao presidente francês, Emmanuel Macron, pedindo que as escolas não sejam reabertas em 11 de maio - data prevista para o início do relaxamento da quarentena na França. AFP - DAMIEN MEYER

 

A Associação dos Prefeitos da Região Parisiense publicou uma carta aberta direcionada ao presidente francês, Emmanuel Macron, neste domingo (3), pedindo que as escolas não reabram em 11 de maio. A data, que marca o início do relaxamento das medidas de quarentena na França, é considerada precipitada pelas autoridades locais.

"Senhor presidente da República, na região parisiense, o Estado não pode se abster de sua responsabilidade da reabertura das escolas em 11 de maio. Esse calendário é impraticável e irrealista", escreve a Associação dos Prefeitos da Região Parisiense em uma carta aberta publicada no site do jornal francês La Tribune.

O documento, assinado por 329 prefeitos - entre eles, a de Paris, Anne Hidalgo - denuncia a falta de organização do governo, além da impossibilidade de receber os alunos em boas condições. “A preparação do fim do confinamento se faz em um calendário forçado, quando ainda não temos todas as informações para orientar a população”, afirma a carta aberta.

A associação pede, desta forma, o adiamento da abertura das escolas. “A flexibilização e a adaptação às condições locais são necessárias e os prefeitos desejam, evidentemente, estar associados às negociações. (…) Mas a falta de engajamento do Estado de suas responsabilidades em matéria educativa e sanitária, em plena crise e quando o estado de emergência será prolongado, é inimaginável”, reitera o documento.

 

Polêmica volta às aulas

Várias organizações sindicais já haviam criticado, nos últimos dias, a data de volta às aulas, considerada “arbitrária”. A principal organização do ensino primário, a SNUipp-FSU lembrou que esse calendário não foi aprovado por nenhuma autoridade médica. Já a central sindical Sud reivindica a reabertura das escolas em setembro devido “às exigências impraticáveis”.

“As condições sanitárias não estão reunidas e não permitem uma volta às aulas em maio em boas condições para os alunos e profissionais. Recomeçar em setembro permitiria ter tempo para preparar melhor as aulas e os estabelecimentos tanto na organização do material quanto em contratações suplementares”, afirma o sindicato.

Pais também se preocupam com a reabertura das escolas em um momento em que vários países europeus, entre eles a França, registram casos da Síndrome de Kawasaki em crianças contaminadas pelo coronavírus. O próprio Conselho Científico francês – criado pelo governo durante a pandemia – recomendou a reabertura das escolas somente em setembro. Mas o governo insiste na volta às aulas em 11 de maio.

Nesta segunda-feira (4), ao apresentar o projeto do fim gradual da quarentena ao Senado, o primeiro-ministro Edouard Philippe afirmou que a reabertura das escolas é uma prioridade do governo. “Onde ela pode acontecer, ela vai acontecer, se possível para as crianças que mais precisam”, afirmou.

Os estabelecimentos escolares estão fechados desde 16 de março na França devido à epidemia que já deixou 24.895 mortos no país. O projeto do governo prevê a abertura dos maternais e do ensino primário a partir de 11 de maio. As classes seguintes devem voltar as aulas a partir de 18 de maio. Já a situação do ensino médio será reavaliada no final do mês, segundo o primeiro-ministro. As medidas foram aprovadas pela Assembleia, na semana passada, e passam por exame e votação no Senado nesta segunda-feira.

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16
Mar20

Dois anos após mortes de Marielle e Anderson, Anistia Internacional cobra identificação de mandantes

Talis Andrade

Imagem de Marielle Franco no jardim que leva o nome da ex-vereadora do PSOL em Paris.

Imagem de Marielle Franco no jardim que leva o nome da ex-vereadora do PSOL em Paris. RFI/Marcos Fernandes

 

02
Mar20

Lula recebe título de cidadão honorário de Paris

Talis Andrade

Lula, acompanhado de Dilma e Haddad, recebe título de cidadão de Paris da prefeita Anne Hidalgo

Lula, acompanhado de Dilma e Haddad, recebe título de cidadão de Paris da prefeita Anne Hidalgo

 

Na capital francesa, ex-presidente critica ataques à democracia no Brasil e agradece apoio da prefeita Anne Hidalgo. Honraria é concedida a personalidades que se destacam pela defesa dos direitos humanos.

por DW Deutsche Welle

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (02/03) o título de cidadão honorário de Paris em uma cerimônia na prefeitura da capital francesa, onde aproveitou para criticar o que chamou de "enfraquecimento do processo democrático" no Brasil.

A honraria a Lula foi concedida pela prefeita de Paris, Anne Hidalgo, em outubro do ano passado, quando ele ainda estava preso, e aprovada pelo Conselho da cidade. De acordo com a prefeitura, a cidadania honorária parisiense é concedida a personalidades que se destacam na defesa dos direitos humanos. Um dos homenageados foi o ex-líder africano Nelson Mandela.

Hidalgo disse que a sucessora de Lula na Presidência, Dilma Rousseff, havia lhe pedido uma ação em favor da libertação do petista, o que a levou a sugerir sua indicação como cidadão honorário de Paris. A prefeita, em plena campanha para a reeleição, destacou o legado do PT na luta pela igualdade social – a qual, segundo ela, está comprometida com a chegada ao poder de Jair Bolsonaro.

Lula@LulaOficial

Merci, Paris!

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A relação entre os governos do Brasil e da França vem se deteriorando, após Bolsonaro entrar em várias ocasiões em confronto com o presidente francês, Emmanuel Macron.

Em seu discurso na prefeitura de Paris, com a presença de Dilma e do ex-candidato do PT à Presidência Fernando Haddad, Lula fez uma série de críticas ao governo Bolsonaro e alertou para o empobrecimento da população brasileira.

Ele disse que o Brasil vive o enfraquecimento da democracia "estimulado pela ganância de poucos e pelo desprezo em relação aos direitos do povo", e denunciou o que chamou de "ataques ao Estado de direito e à Constituição".

Lula contou que, ao saber da homenagem de Paris quando estava preso, teve renovadas as esperanças de recuperar a liberdade. O ex-presidente valorizou o reconhecimento vindo de uma cidade que, segundo ele, "tem um apego especial aos direitos humanos e que sempre acolheu os brasileiros e latino-americanos que os defenderam".

O petista ainda prometeu unir a esquerda nas eleições presidenciais de 2022. Ele disse que, aos 74 anos, está "mais motivado do que nunca para reconquistar a democracia em nosso país".

François Hollande@fhollande
 

Très heureux d’avoir reçu l’ancien président @LulaOficial, @dilmabr et @Haddad_Fernando aujourd’hui à Paris. Nous avons échangé sur la question climatique et la lutte contre les inégalités, qui doivent être au cœur de tous les combats d’aujourd’hui et de demain.

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Lula foi preso em 2018 por corrupção no caso do apartamento tríplex no Guarujá, quando foi acusado de receber propinas de empreiteiras em troca da concessão de contratos públicos. Ele foi libertado em novembro do ano passado, após 580 dias de encarceramento, depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) mudar as regras para as prisões em segunda instância.
 

Antes da cerimônia na prefeitura da cidade, Lula se reuniu com líderes da esquerda francesa, como o ex-presidente francês François Hollande e o líder do partido França Insubmissa e ex-candidato à presidência, Jean-Luc Mélenchon.

Ainda em Paris, o ex-presidente participará, juntamente com Dilma e Haddad, de um evento de campanha de Hidalgo, antes de partir para Genebra e Berlim.

Na Suíça, ele deverá participar de uma reunião do Conselho Mundial das Igrejas (CMI), que reúne representantes de mais de 120 países, sob o tema da desigualdade social.

Na capital alemã, Lula se reunirá com líderes políticos e representantes de sindicatos e participará de um ato público em defesa da democracia no Brasil.

RC/efe/ots/rtr

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Veja a TRAJETÓRIA POLÍTICA DE LULA (galeria de 22 fotografias aqui)

 
02
Mar20

Lula da Silva recebeu título de cidadão honorário em Paris

Talis Andrade

O antigo Presidente brasileiro Lula da Silva recebeu, esta tarde, em Paris, o título de cidadão honorário da cidade, 2 de Março.

O antigo Presidente brasileiro Lula da Silva recebeu, esta tarde, em Paris, o título de cidadão honorário da cidade que lhe tinha sido atribuído em Outubro do ano passado quando ainda estava preso.

Por RFI

No discurso no Hôtel de Ville em Paris, Lula da Silva disse que deve a sua liberdade a todos os que lutaram pela sua libertação durante 580 dias e agradeceu veementemente a solidariedade da cidade de Paris.

A distinção foi-lhe entregue pela presidente da Câmara Municipal de Paris, Anne Hidalgo, pela sua luta contra as desigualdades sociais, já que este título é atribuído a personalidades que se destacaram na defesa dos direitos humanos.

Hermano Sanches Ruivo, conselheiro-executivo da Câmara de Paris, explicou à RFI que a cidade de Paris também teve o seu papel na pressão para libertar Lula da Silva.

A distinção do ex-chefe de Estado brasileiro como cidadão honorário de Paris foi concedida pela Câmara Municipal da capital francesa em Outubro passado, quando Lula da Silva ainda se encontrava preso na cidade brasileira de Curitiba, onde cumpriu 580 dias da condenação de oito anos e dez meses de prisão por corrupção e branqueamento de capitais. Lula foi libertado a 8 de Novembro de 2019 na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal.

A condecoração foi concedida desde a sua criação, em 2001, em 17 ocasiões, para homenagear personalidades presas ou que corressem perigo devido às suas opiniões políticas, incluindo o ex-Presidente sul-africano Nelson Mandela, a escritora do Bangladesh Taslima Nasreen e a vencedora, em 2003, do Prémio Nobel da Paz, a iraniana Shirin Ebadi.

Esta segunda-feira, o antigo chefe de Estado participa, ainda, num comício da campanha para as autárquicas de Anne Hidalgo, acompanhado pela também ex-Presidente do Brasil Dilma Rousseff e pelo ex-candidato à presidência brasileira, em 2018, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad.

Esta terça-feira, Lula da Silva vai estar também em Paris no Festival Lula Livre em Paris” no Théâtre du Soleil, com vários artistas a subir ao palco como a actriz Marina Foïs, a cantora e actriz Agnès Jaouï e a cantora Helena Noguerra.

Lula da Silva vai ainda a Genebra e Berlim até 11 de Março para discutir a questão da desigualdade social com líderes políticos, sindicais e religiosos.

 

 

 

05
Out19

Líderes latino-americanos apoiam título de Cidadão de Honra de Paris a Lula

Talis Andrade

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Considerando a grande importância política e simbólica de Lula para todos aqueles que lutam contra a pobreza e a desigualdade em todo o mundo; 

Considerando o papel decisivo que Lula teve na introdução e consolidação de temas sociais na agenda internacional, como o do combate à fome e à pobreza; 

Destacando que Lula sempre se empenhou na luta por uma ordem mundial menos assimétrica e mais justa, baseada no multilateralismo e na multipolaridade;

Observando que Lula teve papel primordial na articulação dos países em desenvolvimento em diversos foros e no fortalecimento dos processos de integração regional; 

Considerando que, sem seus governos, Lula conseguiu retirar dezenas de milhões de brasileiros da miséria e deu contribuição inestimável para retirar o Brasil do Mapa da Fome da FAO/ONU;

Enfatizando, ademais, que Lula empenhou-se na ampliação das oportunidades para todos os brasileiros e no fortalecimento dos direitos humanos da população do Brasil, bem como na consolidação e aprimoramento das instituições democráticas de seu país;

Considerando sua injusta e vergonhosa prisão, realizada sem uma única prova material, em um processo politicamente motivado e destinado a impedi-lo de disputar as eleições de 2018; 

Considerando a ignóbil e cruel perseguição política a que ele e sua família foram submetidos pelo Estado de Exceção seletivo que se apoderou de algumas instituições brasileiras; e por último;

Considerando que, mesmo após a cruel perseguição e a clamorosa injustiça a que é submetido, Lula permanece confiante na democracia e na justiça, mantendo intacta a sua dignidade e altivez de homem inocente;

O GRUPO de PUEBLA aplaude e apoia integralmente a decisão da assembleia municipal de Paris (Conselho de Paris) de atribuir a Lula o título de Cidadão de Honra daquela magnífica cidade. 

Tal título simboliza o reconhecimento do grande papel de Lula no mundo e, ao mesmo tempo, expressa repúdio aos seus perseguidores, gente menor que, em sua crueldade, intolerância e hostilidade aos direitos humanos e à democracia, provoca o desprezo da comunidade internacional. 

A Cidade Luz iluminou as trevas.

3 de outubro 2019,  

Dilma Rousseff 

Karol Cariola 

Rafael Correa 

Marco Enríquez-Ominami

Esperanza Martínez

Aloizio Mercadante Oliva

Beatriz Paredes

Carol Proner

Guillaume Long

Fernando Lugo 

Alejandro Navarro 

Jorge Enrique Taiana

Carlos Ominami 

Fernando Haddad 

Celso Amorim 

José Luis Rodríguez Zapatero 

Esperanza Martínez 

Carlos Tomada 

Camilo Lagos 

José Miguel Insulza 

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22
Set19

Quero ver Witzel, Daniel Silveira, Rodrigo Amorim quebrar a placa do Jardim Marielle Franco em Paris

Talis Andrade

 

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A revista francesa L’Express publicou os perfis de políticos que saíram vencedores nas eleições de 2018 no Brasil. A matéria dá destaque ao fato de que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, que chamou atenção da comunidade internacional pelo discurso sexista, racista e homofóbico, está longe de ser "uma exceção" no cenário político brasileiro atual, segundo a publicação.

"Vários candidatos extravagantes foram eleitos deputados federais, estaduais ou governadores", diz a revista. "Pouco conhecidos dos brasileiros antes da campanha eleitoral, essas personalidades atípicas foram guiadas pela onda de 'renovação' e 'cansaço' que levou o ex-capitão do Exército à presidência do país. [...] É o caso do novo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Adepto de um discurso forte na cidade dominada pela violência, Witzel sugeriu o uso de armas e até mesmo de drones para abater os criminosos nas favelas", afirma L’Express.

A publicação lembra que o partido de Bolsonaro, o PSL, passou de um parlamentar desde as últimas eleições a 52 em 2018, tornando-se o segundo maior partido na Câmara dos Deputados. Entre os eleitos, "há quem se veste com roupas de estampa militar, como é o caso de Daniel Silveira, que, durante a campanha eleitoral foi fotografado destruindo uma placa em homenagem a Marielle Franco, veredora do Rio assassinada em março de 2018". Leia mais

Transcrevo do jornal O Globo:

Um vídeo gravado ao vivo, no domingo anterior à eleição, mostra Witzel junto com Daniel Silveira, eleito deputado federal pelo PSL, e Rodrigo Amorim, deputado estadual mais votado do Rio, também pelo PSL, durante ato de campanha em Petrópolis, na Região Serrana.

No começo do vídeo, Witzel pede votos para Silveira e depois a câmera mostra o discurso de Amorim em cima do carro de som:

"Marielle foi assassinada. Mais de 60 mil brasileiros morrem todos os anos. Eu vou dar uma notícia para vocês. Esses vagabundos, eles foram na Cinelândia, e à revelia de todo mundo, eles pegaram uma placa da Praça Marechal Floriano, no Rio de Janeiro, e botaram uma placa escrito Rua Marielle Franco. Eu e Daniel essa semana fomos lá e quebramos a placa. Jair Bolsonaro sofreu um atentado contra a democracia e esses canalhas calaram a boca. Por isso, a gente vai varrer esses vagabundos. Acabou Psol, acabou PCdoB, acabou essa porra aqui. Agora é Bolsonaro, p***", gritou Amorim pelo microfone.

Neste sábado, em Paris, foi inaugurado o Jardim Marielle Franco.

O jardim Marielle Franco, situado ao logo da via férrea no 10° distrito da cidade, é um espaço suspenso de 2.600m² ao composto por cerca de 70 árvores, a maior parte delas frutíferas. O acesso é feito pela rua d’Alsace.

Jardim Marielle Franco junto à Gare de l’Est, uma das principais estações de trem de Paris.Mairie 10
 

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Lá no Jardim, em Paris, a placa lembra o martírio, o heroísmo, a coragem, o idealismo de Marielle Franco, sua luta pelos Direitos Humanos, pela Democracia, pela Liberdade, pela Igualdade, pela Fraternidade. Lembra também a covardia dos políticos milicianos do Rio de Janeiro. Eis a placa do Jardim que eles jamais terão a audácia de quebrar:
 

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20
Set19

Jardim Marielle Franco será inaugurado neste sábado em Paris

Talis Andrade
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Marielle Franco, vereadora do PSOL assassinada em 2018, é homenageada em Paris

 

Acontece nesse sábado (21) a cerimônia de inauguração de um jardim em homenagem à vereadora brasileira Marielle Franco, assassinada em março de 2018 no Rio de Janeiro. Além de várias personalidades políticas e militantes franceses e brasileiros, familiares da ativista estão na cidade especialmente para o evento.

Aprovada pelo Conselho Municipal de Paris, a homenagem é fruto de um pedido de várias associações, encabeçadas pela RED.Br – Rede Europeia pela Democracia no Brasil. A prefeitura viu na iniciativa uma prova do “engajamento da capital na defesa dos direitos humanos pelo mundo, mas também da defesa dos políticos em perigo”, segundo comunicado divulgado na véspera da inauguração.

 

A inauguração acontece às 15h em Paris (10h em Brasília). Está prevista a presença de Alexandra Cordebard, prefeita do 10° distrito, Patrick Klugman, Pénélope Komitès e Paul Simondon, chefes de diferentes secretarias muncipais, além de Silvia Capanema, presidente da RED.Br. Do lado brasileiro, participam Antônio Francisco da Silva Neto, Marinete da Silva e Luyara Francisco dos Santos, respectivamente pai, mãe e filha de Marielle, que estão na capital especialmente para a ocasião. Renata da Silva Souza, deputada estadual do Rio de Janeiro e ex-chefe de gabinete da vereadora do PSOL também participa da cerimônia. Já Monica Benício, viúva de Marielle, será representada por Stéphanie Palancade.

A inauguração acontece dois dias após o nome da vereadora ter sido indicado para a edição 2019 do Prêmio Sakharov de direitos humanos. Também fazem parte da lista três outros brasileiros: o líder Caiapó Raoni, o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL) e a defensora da Amazônia Claudilice Silva dos Santos.

 

Manifestações de solidariedade

 

A morte de Marielle Franco suscitou inúmeras manifestações de solidariedade na França. Além de protestos organizados pela comunidade brasileira que vive na cidade, vários responsáveis políticos exprimiram sua indignação após o crime.

A foto da vereadora ficou durante meses exposta em diversos lugares da capital. Alguns prédios, entre eles o da prefeitura, chegaram a colocar a imagem da brasileira em suas fachadas.

O jardim Marielle Franco, situado ao logo da via férrea no 10° distrito da cidade, é um espaço suspenso de 2.600m² ao composto por cerca de 70 árvores, a maior parte delas frutíferas. O acesso é feito pela rua d’Alsace.

Jardim Marielle Franco junto à Gare de l’Est, uma das principais estações de trem de Paris.Mairie 10
 

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