Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

26
Mar19

Papa Francisco já disse que essa economia mata. Mata pessoas e mata a natureza

Talis Andrade

A retaliação do lixo

congonhas onde mora a tragédia .JPG

barragem congonhas.jpg

 

 

por Roberto Malvezzi

---

São 332 barragens nas cabeceiras do Rio São Francisco. Cerca de 70% cheias de rejeitos da mineração. Basta estourar a de Congonhas do Campo, com rejeitos de metais pesados para minerar o ouro, que o Velho Chico estará morto por 100 anos, calculam especialistas da área.

Então, Brumadinho e Marianna, que não mandaram aviso, avisaram que estamos com uma barragem de rejeito amarrada em cada pescoço. Nós somos 18 milhões de pessoas no Vale do São Francisco, sem falar agora dos paraibanos que bebem também dessa água.

Mas, o aviso da velha mídia é que na região de Caldas, também Minas Gerais, há uma represa com rejeitos de material radioativo. Isso mesmo. É a bacia do Rio Grande, portanto do Paraná, portanto do Prata. Só na bacia do Grande são 9 milhões de pessoas. O povo, a Universidade e o MPF alertam para a insegurança da barragem diante de acontecimentos incomuns na parede, leia-se vazamentos e infiltrações. Porém, a Industrias Nucleares do Brasil (INB) já disse que não tem mais de 1 bilhão de reais (Sic!) para desativar a barragem.

Papa Francisco já disse que essa economia mata. Mata pessoas e mata a natureza. Não há duas crises, há apenas uma crise de civilização. Na verdade, ninguém sabe qual a segurança de rejeitos radioativos e de mineração em toda face da Terra. Uma bomba pode aparecer nas nossas vidas a qualquer momento.

Enquanto isso, o povo da região de Itacuruba, Pernambuco, se manifesta mais uma vez contra a instalação de mais uma usina nuclear, dessa vez no Baixo São Francisco. Horror em cima de horror.

Nem vamos falar do plástico que ocupa os oceanos, da contaminação por metais pesados da agricultura, dos hormônios e antibióticos lançados em toneladas nas águas. O capital não pode medir as suas próprias consequências, tem apenas que seguir em frente.

A retaliação do lixo vai se tornando fantástica. Para quem gosta do caos, somando a vingança do lixo com a vingança de Gaia – vide Moçambique -, o espetáculo vai sendo dantesco e inimaginável, apocalíptico. Ninguém vai poder reclamar da falta de emoção. Divirtam-se.

congonhas sitiada pelo inimigo .jpg

Publicou o Correio Braziliense, em 11 de fevereiro último: A preocupação é grande com a Barragem Casa de Pedra, devido à sua localização: praticamente dentro da cidade, é a que todos veem, parecendo abraçar a área urbana. A estrutura fica a 250 metros de casas e a 2,5 quilômetros do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, patrimônio cultural da humanidade.

A preocupação em Congonhas não é para menos. O levantamento mostra 20 desastres em barragens no mundo, sendo sete deles no Brasil, todos em Minas Gerais. A ocorrência mais antiga em território mineiro foi a Mina de Fernandinho, em 1987, quando sete pessoas morreram. 

Depois, veio o da Mineração Rio Verde, em Macacos (Nova Lima, na Grande BH), em 2001, com cinco mortes no desastre que atingiu 43 hectares e assoreou 6,4 quilômetros do leito do Córrego Taquaras. A partir daí, o estado viveu uma sequência de tragédias. 

Em 2003, em Cataguases, na Zona da Mata, a barragem de água e resíduos de produção de celulose de um dos reservatórios da Indústria Cataguases de Papel se rompeu, liberando no Córrego do Cágado e no Rio Pomba cerca de 1,4 bilhão de litros de lixívia (licor negro), sobra industrial da produção de celulose. O desastre afetou três estados, deixando 600 mil pessoas sem água.
 
Quatro anos depois, foi a vez da Barragem da Mineradora Rio Pomba Cataguases (Mineração Bauminas). Mais de 4 mil moradores ficaram desalojados, e ao menos 1,2 mil casas foram atingidas.
 
Em 2014, novamente em Itabirito, uma barragem da Mineração Herculano se rompeu e soterrou os operários que realizavam a manutenção no talude de uma represa de rejeitos de minério de ferro desativada, deixando três mortos.
 
Um ano depois, o rompimento da Barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central do Estado, entrou para o mapa do mundo como o maior desastre socioambiental do planeta. Dezenove pessoas morreram. Um dos corpos nunca foi encontrado.
 
A tragédia de Brumadinho já soma 212 mortos e 93 pessoas ainda estão desaparecidas.
24
Mar19

Como cristãos na sociedade e na política

Talis Andrade

Mensagem para a Campanha da fraternidade de 2019

no Brasil

fraternidade.jpg

 

Por ocasião do início da Campanha da Fraternidade de 2019, que este ano tem como tema «Fraternidade e políticas públicas» e como lema «Serás libertado pelo direito e pela justiça» (Isaías 1, 27) o Papa enviou aos fiéis brasileiros a mensagem que apresentamos a seguir.

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Com o início da Quaresma, somos convidados a preparar-nos, através das práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, para a celebração da vitória do Senhor Jesus sobre o pecado e a morte. Para inspirar, iluminar e integrar tais práticas como componentes de um caminho pessoal e comunitário em direção à Páscoa de Cristo, a Campanha da Fraternidade propõe aos cristãos brasileiros o horizonte das “políticas públicas”.

Muito embora aquilo que se entende por política pública seja primordialmente uma responsabilidade do Estado cuja finalidade é garantir o bem comum dos cidadãos, todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam «o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição» (Gaudium et spes, 74).

Cientes disso, os cristãos - inspirados pelo lema desta Campanha da Fraternidade «Serás libertado pelo direito e pela justiça» (Is 1, 27) e seguindo o exemplo do divino Mestre que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20, 28) — devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça. De fato, como lembra o Documento de Aparecida, «são os leigos de nosso continente, conscientes de sua chamada à santidade em virtude de sua vocação batismal, os que têm de atuar à maneira de um fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus» (n. 505).

De modo especial, àqueles que se dedicam formalmente à política — à que os Pontífices, a partir de Pio XII, se referiram como uma «nobre forma de caridade» (cf. Papa Francisco, Mensagem ao Congresso organizado pela cal-celam, 1/xii/2017) — requer-se que vivam «com paixão o seu serviço aos povos, vibrando com as fibras íntimas do seu etos e da sua cultura, solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que não se deixando intimidar pelos grandes poderes financeiros e mediáticos, sendo competentes e pacientes face a problemas complexos, sendo abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, conjugando a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação» (ibid.).

Refletindo e rezando pelas políticas públicas com a graça do Espírito Santo, faço votos, queridos irmãos e irmãs, que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, ajude todos os cristãos a terem os olhos e o coração abertos para que possam ver nos irmãos mais necessitados a “carne de Cristo” que espera «ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Bula Misericordiae vultus, 15). Assim a força renovadora e transformadora da Ressurreição poderá alcançar a todos fazendo do Brasil uma nação mais fraterna e justa. E para lhes confirmar nesses propósitos, confiados na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, de coração envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Vaticano, 11 de fevereiro de 2019.

Franciscus PP

campanha-da-fraternidade-2019.jpg

 

09
Mar19

Vaticano faz em Manaus reunião preparatória para Sínodo da Amazônia, criticado por governo Bolsonaro

Talis Andrade

sínodo amazonia.png

 

Por RFI
 

A Igreja católica está preocupada com a preservação do planeta e organiza a partir desta quinta-feira (7) duas reuniões para discutir o desenvolvimento sustentável. A primeira começou nesta manhã no Vaticano e vai durar até 9 de março. A segunda acontece em Manaus e é uma reunião preparatória para Sínodo da Amazônia, previsto para outubro e que provoca polêmica com o governo Bolsonaro.

Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

A conferência no Vaticano “As religiões e os objetivos do desenvolvimento sustentável: ouvir o grito da terra e dos pobres” propõe um diálogo inter-religioso para estabelecer objetivos de como ajudar a salvar o meio ambiente. Participam representantes da Organização das Nações Unidas para e Agricultura e Alimentação (FAO), além de religiosos da Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação entre outros. A finalidade é reforçar o empenho das religiões e o envolvimento da sociedade civil na preservação do meio ambiente.

Em Manaus, ocorre o seminário de preparação para Sínodo da Amazônia previsto para outubro. O tema central dos dois dias de debates, abertos ao público, é a preservação ambiental da Amazônia.

As duas reuniões recordam a encíclica do papa Francisco Laudato si', na qual ele critica o consumismo e desenvolvimento irresponsável e faz um apelo à mudança e à unificação global das ações para combater a degradação ambiental e as alterações climáticas.

Críticas do governo brasileiro

Recentemente o governo brasileiro criou polêmica com a realização do Sínodo da Amazônia. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, disse em fevereiro que ONGs estrangeiras e chefes de Estado de outros países não devem dar "palpite" na Amazônia brasileira.

Não houve um comunicado oficial do Vaticano respondendo ao governo do Brasil. A Santa Sé não entra neste tipo de polêmica. Já o bispo de Marajó, no Pará, dom Evaristo Spengler, afirmou que não cabe ao governo brasileiro monitorar os debates da Igreja. Segundo ele, a igreja “não é neutra”, o que não significa que tenha partido. Dom Evaristo declarou que “a igreja está do lado dos mais fracos, dos mais pobres, dos ribeirinhos e dos indígenas”.

O bispo criticou também os interesses econômicos do governo brasileiro. De acordo com ele, existem dois modelos de desenvolvimento: o sustentável e o predatório. Sobre o Brasil, ele falou que “estão incentivando um modelo predatório, que extrai as riquezas da floresta e deixa a população na pobreza”. Além disso, o governo brasileiro “quer construir hidrelétricas, abrir rodovias e permitir o avanço do agronegócio e das mineradoras”.

Vale lembrar que o papa Francisco anunciou o seminário em 2017, muito antes da eleição de Jair Bolsonaro. O Sínodo da Amazônia vai ocorrer de 6 a 27 de outubro deste ano. O Sínodo da Amazônia preocupa o governo de Bolsonaro, que teme que suas políticas contra a demarcação de terras indígenas e ONGs que combatem as mudanças climáticas sejam questionadas durante o encontro.

papa-propos-sinodo-sobre-amazonia-em-2017.jpg

 

Preparativos para o Sínodo da Amazônia

Na semana passada, o Vaticano já havia organizado em Roma um seminário preparatório para o Sínodo de outubro. Foram três dias de debates sobre a Amazônia que contaram com a participação do cardeal Cláudio Hummes, que é presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica, e do bispo de Marajó, Dom Evaristo Spengler. O Sínodo é para a Amazônia, mas sua preservação ou destruição tem repercussão mundial.

Nove países compartilham a Pan-Amazônia: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Nesta região, importante fonte de oxigênio para toda a Terra, concentra-se mais de um terço das florestas primárias do mundo. É uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, abrigando 20% da água doce não congelada.

Neste imenso território vivem cerca de 34 milhões de pessoas, das quais mais de 3 milhões são indígenas, pertencentes a mais de 390 grupos étnicos. Povos e culturas diferentes como afrodescendentes, camponeses, colonos, vivem em uma relação vital com a vegetação e as águas dos rios.

Sobre o mesmo assunto

  • A SEMANA NA IMPRENSA

    Briga por terras indígenas no Brasil esconde catástrofe ecológica na Amazônia

    Saiba mais

  • BRASIL/AMAZÔNIA/BOLSONARO

    Ação de Bolsonaro na Amazônia poderá ser considerada crime contra a humanidade, alertam advogados franceses

     

02
Mar19

O netinho de Lula e o ódio fascista

Talis Andrade

 

LulanetinhoLatuff.jpg

por Altamiro Borges

---

Qualquer ser humano com um mínimo de dignidade ficou triste e abatido com a morte prematura do menino Arthur Araújo, de 7 anos, neto do ex-presidente Lula. Mas os fascistas, os que cultivam o ódio e a violência, não são seres humanos. Não dá nem para chamá-los de vermes, já que estes têm função na natureza. Cínicos, eles berram “Deus acima de todos”. No fundo, eles veneram o demônio, a morte. Para estes psicopatas deveria servir a lição do Papa Francisco: “Quando você comemora a morte de alguém, o primeiro que morreu foi você mesmo”. Em vida, esses milicianos laranjas deveriam pagar por seus crimes. No poder, Hitler e Mussolini festejaram a morte de milhões de pessoas indefesas. Ao final, eles foram devidamente punidos!

 

Logo que a notícia da morte por meningite meningocócica do garoto foi estranhamente postada por um colunista de O Globo, na manhã desta sexta-feira (1), o ódio ao ex-presidente Lula saiu do esgoto. Dezenas de leitores deste jornal – que ajudou a chocar o ovo da serpente fascista com sua criminalização da política e sua satanização das esquerdas – fizeram questão de postar seus comentários asquerosos. Muitos desses babacas desalmados são apenas massa de manobra da cloaca burguesa, que nunca tolerou o “reformismo brando” do ex-presidente que tirou milhões de brasileiros da miséria. Manipulados, eles acreditam que todos os males da humanidade – inclusive sua imbecilidade e nulidade – são culpa de Lula. Por isso, festejaram a morte do neto Arthur Araújo, da esposa Marisa Letícia e do irmão Genivaldo Inácio da Silva, o Vavá, no mês passado.

 

No clima de ódio e irracionalidade que corrói a sociedade, eles inclusive já não se escondem no anonimato, como é o caso da “youtuber” Alessandra Strutzel. Logo após a notícia da morte, a figura escrota postou uma foto de Lula com Arthur e a frase sádica: “Pelo menos uma notícia boa”. Diante da reação de um seguidor – “Qual é a notícia boa?” –, a doente respondeu: “Um filho da puta a menos”. O seguidor replicou: “Acho que você não entendeu. Quem morreu foi o neto, uma criança de 7 anos”. E a tréplica da fascista bem que justificaria um processo na Justiça e uma severa punição: “Entendi sim. Pensa, iria crescer com exemplo do avô, um filha da puta a menos para roubar nosso país”. Na sequência, como todos os covardes fascistas, ela pediu desculpas e alegou que “com a postagem que fiz, eu só queria saber como as pessoas reagiriam”.

 

O pior neste dia triste não foram os comentários escrotos no jornal O Globo ou as postagens da “youtuber” babaca. O mais lastimável foi a postura do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente do laranjal da República. Diante de uma enquete sobre a liberação de Lula para acompanhar o enterro do neto, o que é previsto na legislação, o “pimpolho” do fascista respondeu: “Lula é preso comum e deveria estar num presídio comum. Quando o parente de outro preso morrer, ele também será escoltado pela PF para o enterro? Absurdo até se cogitar isso, só deixa o larápio em voga posando de coitado”. Para quem tem um pai que disse que não o visitaria no presídio da Papuda, é compreensível o rancor deste fascistinha!

 

Em tempo: Qual seria sua atitude diante da prisão de algum membro da famiglia Bolsonaro – seja devido aos vínculos com as milícias assassinas do Rio de Janeiro; ao uso de dinheiro público no emprego de laranjas; ou por apologia ao estupro e a violência; ou por outros crimes?

24
Fev19

Desprezo e indiferença também matam

Talis Andrade

desprezo.jpg

 

Até o insulto, o desprezo e a indiferença em relação ao próximo «podem matar», disse o Papa Francisco.

No âmbito do ciclo de catequeses sobre o Decálogo, o Pontífice prosseguiu a reflexão sobre o quinto mandamento, e comentando o trecho bíblico tirado do Evangelho de Mateus (5, 21-24), equiparou estas três atitudes ao ódio homicida.

Meditando em particular sobre o primeiro, com um acréscimo ao texto preparado, constatou que «nós estamos habituados a insultar. E em nós o insulto nasce espontâneo como se fosse um respiro». Mas, advertiu, «Jesus diz-nos: “Detém-te, porque o insulto faz mal, mata”». E o mesmo acontece com o desprezo, considerado «uma forma de matar a dignidade de uma pessoa». Eis porque, desejou Francisco, «seria bom se este ensinamento de Jesus entrasse na mente e no coração» de cada um.

Ciente de que «nenhum código humano equipara gestos tão diferentes, atribuindo-lhes o mesmo grau de juízo», o Papa observou que ao contrário, «coerentemente, Jesus» convida até a interromper a oferenda do sacrifício no templo, se nos recordarmos que um irmão está ofendido conosco, ir à sua procura e a reconciliar-se com ele. Por conseguinte, «também nós, quando vamos à Missa, deveríamos ter esta atitude de reconciliação com as pessoas com as quais tivemos problemas». Ao contrário, na prática «enquanto esperamos» o celebrante «bisbilhotamos um pouco e falamos mal do próximo». Mas, recomendou, «Isto não se pode fazer! Pensemos na gravidade do insulto, do desprezo, do ódio: Jesus coloca-os ao nível do assassínio». De resto, esclareceu com exemplos concretos, «para ofender a inocência de uma criança é suficiente uma frase inoportuna. Para ferir uma mulher, pode bastar um gesto de insensibilidade. Para partir o coração de um jovem, é suficiente negar-lhe a confiança. Para aniquilar um homem basta ignorá-lo. A indiferença mata. É como se disséssemos a outrem: “Para mim tu estás morto”».

Em síntese, concluiu o Papa, «não amar é o primeiro passo para matar; e não matar é o primeiro passo para amar».

13
Fev19

Papa Francisco: A prisão perpétua é uma pena de morte escondida

Talis Andrade

No discurso à associação internacional de direito penal o Papa reafirma a primazia da vida e a dignidade da pessoa humana

preso saydnaya__pete_kreiner.jpg

 

Promover uma justiça que respeite a dignidade e os direitos da pessoa humana, sem discriminações. É esta a missão dos juristas que o Papa Francisco reafirmou na manhã de quinta-feira 23 de Outubro de 2014, ao receber em audiência uma delegação da associação internacional de direito penal. Pena de morte, prisão perpétua, tortura, corrupção, são alguns dos temas frisados pelo Pontífice num longo e pormenorizado discurso que se relaciona com a carta escrita ao XIX congresso internacional da mesma associação.

nani pena de morte.jpg

 

Depois de duas premissas relativas à incitação à vingança e ao populismo penal cada vez mais presentes nas nossas sociedades, o bispo de Roma denunciou a dúplice debilitação do debate sobre a pena de morte e sobre a substituição da prisão com sanções alternativas Reafirmando a primazia da vida e a dignidade da pessoa humana, o Papa afirmou que «é impossível imaginar que hoje os Estados não possam dispor de outro meio que não seja a pena de morte para defender a vida de outras pessoas do agressor injusto».

 

Por isso exortou «todos os cristãos e os homens de boa vontade a lutar pela abolição da pena de morte, em todas as suas formas – também as ocultas – e para «melhorar as condições carcerárias». A este propósito definiu «a prisão perpétua uma pena de morte escondida», estigmatizando as «deploráveis condições de detenção que se verificam em diversas partes do planeta», obrigando os detidos a viver num estado desumano e degradante. A este propósito advertiu contra a legitimação da tortura e convidou a evitar de aplicar sanções penais a categorias particularmente vulneráveis, entre as quais crianças e idosos.

pena de morte .jpg

 

Por fim o Pontífice frisou algumas formas específicas de criminalidade «que nunca poderiam ser cometidas sem a cumplicidade das autoridades públicas». Entre elas o tráfico das pessoas e o delito de corrupção, definido «um mal maior do que o pecado». Aliás, para Francisco a corrupção é um verdadeiro «processo de morte», porque «há poucas coisas mais difíceis do que abrir uma fresta num coração corrupto».

pena de morte pacote.jpg

 

 

12
Fev19

Governo Bolsonaro e o Vaticano - 'Familiaridade aziaga com métodos empregados por governos totalitários'

Talis Andrade

abin igreja flavio tavares.jpg

 

 

A mente pouco iluminada dos que hoje deveriam comandar a diplomacia brasileiraparou nos anos 30 do século 20. Quem no governo imagina conseguir vantagens políticas pressionando a Hierarquia Católica de modo vertical e por meio de um governo como o italiano, mostra familiaridade aziaga com os métodos empregados por governos totalitários no trato com o Vaticano.

O comentário é de Roberto Romano, professor da Unicamp, publicado no Facebook, 11-02-2019.

Na Concordata de Império da Santa Sé com Hitler foi estabelecido que, para manter vantagens para o clero, a Santa Sé proibiria toda atividade política dos fiéis, dos padres e bispos. Os próprios partidos católicos e aproximados foram abolidos por iniciativa da Santa Sé.

"Atividade política" queria dizer : oposição ao governo nacional-socialista. Também nos tratos entre Mussolini e o Vaticano se tentou afastar a atividade de leigos e padres contrários ao fascismo.

No Brasil de Vargas, houve clara colaboração entre Bispos e governo, paga com o controle das atividades dos leigos opostos à ditadura.

No regime de 1964 a receita deu certo apenas pela metade. O governo conseguiu apoio da maioria dos bispos, mas a minoria aguerrida que se opunha à ditadura, bispos, padres e leigos, teve apoio discreto do Vaticano quando os laços entre apoiadores da ditadura foram longe demais na tarefa abjeta de negar as torturas, etc.

A troca de Dom Agnello Rossi por Dom Paulo Evaristo Arns é um exemplo eloquente. Ou seja, já no regime de 1964 a receita elaborada nos anos 30, que ajudou o totalitarismo nazi fascista com apoio do clero, não deu certo.

O atual chanceler brasileiro (?), imerso numa cultura tridentina, não entende a lógica atual da instituição católica. Ele imagina que o Papa Francisco é Pio XI ou Pio XII.

Erra ainda com a sua leitura de João Paulo II, repetição daqueles pontífices que apoiou ditadores como Pinochet.

O episódio apenas evidencia o atraso histórico e cultural do governo Bolsonaro, sobretudo em setores delicados como o trato com uma instituição milenar, experiente em matéria diplomática como a Igreja Católica.

O pedido de fazer com que funcionários do governo participem do Sínodo é patético.

Agora, o uso da Abin para bisbilhotar os debates e documentos dos bispos e do próprio Vaticano é sinal claro de uma prática bisonha que "não sabe com quem está falando". Práticas como a escancarada pelo governo e sua agências faz lembrar as anedotas sobre a PIDE portuguesa. Seus agentes andavam com distintivos de polícia secreta em plena luz do dia....é o país da piada pronta mesmo. Infelizmente.

Em março de 2018 a Igreja Católica anunciava:

Quatro brasileiros participam do conselho de preparação do Sínodo da Amazônia

- Card. Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo (Brasil), presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica.

- Card. Peter Kodwo Appiah Turkson, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

- Card. Carlos Aguiar Retes, arcebispo da Cidade do México (México).

- Dom Pedro Ricardo Barreto Jimeno, S.J., arcebispo de Huancayo (Peru), vice-presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica.

- Dom Paul Richard Gallagher, arcebispo titular de Hodelm, secretário para as Relações com os Estados.

- Dom Edmundo Ponciano Valenzuela Mellid, S.D.B., arcebispo de Assunção(Paraguai).

- Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto VelhoRondônia (Brasil).

- Dom Oscar Vicente Ojea, bispo de San Isidro, presidente da Conferência Episcopal (Argentina).

- Dom Neri José Tondello, bispo de JuínaMato Grosso (Brasil).

- Dom Karel Martinus Choennie, bispo de Paramaribo (Suriname).

- Dom Erwin Kräutler, C.P.P.S., bispo emérito do XinguPará (Brasil).

- Dom José Ángel Divassón Cilveti, S.D.B., ex-vigário apostólico de Puerto Ayacucho (Venezuela), bispo titular de Bamaccora.

- Dom Rafael Cob García, vigário apostólico de Puyo, bispo titular de Cerbali(Equador).

- Dom Eugenio Coter, vigário apostólico de Pando, bispo titular de Tibiuca(Bolívia).

- Dom Joaquín Humberto Pinzón Güiza, I.M.C., vigário apostólico de Puerto Leguízamo-Solano, bispo titular de Ottocio (Colômbia).

- Dom David Martínez de Aguirre Guinea, O.P., vigário apostólico de Puerto Maldonado, bispo titular de Izirzada (Peru).

- Irmã María Irene Lopez Dos Santos, delegada da Conferência Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas (CLAR).

Mauricio López, secretário executivo da REPAM (Equador).

Leia 

 

 

12
Fev19

Secretário geral da CNBB fala sobre o Sínodo da Pan-Amazônia

Talis Andrade

amazonia.jpg

 

 

Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB, na tarde desta segunda-feira, 11 de fevereiro, lembrou que o Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia é uma iniciativa para que a Igreja compreenda sua missão evangelizadora naquela região do mundo: “é um evento, uma celebração da Igreja e para a Igreja”.

O secretário-geral gravou um vídeo que está disponível aqui e nas redes sociais no qual se vê o anúncio feito pelo Papa Francisco da realização da assembleia especial do Sínodo dos Bispos no mês de outubro de 2017. Dom Leonardo esclareceu: “da Igreja para a Igreja envolve toda a questão da Pan-Amazônia: os povos, o meio ambiente. Toda essa realidade, certamente será abordada. O Santo Padre, no entanto, deseja que encontremos novos caminhos para a evangelização, para a Pan-Amazônia”.

Dom Leonardo pede, no vídeo, que os brasileiros e as populações dos outros oito países que integram a região da Pan-Amazônia rezem pela boa realização do Sínodo.

Sínodo Especial

O documento preparatório para a assembleia de outubro está definido que a Amazônia é “uma região com rica biodiversidade, é multiétnica, pluricultural e plurirreligiosa, um espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja”.

Na primeira parte deste documento, verifica-se a preocupação da Igreja em fazer um chamado a todos para “olhar a identidade e os clamores da Pan-Amazônia. Território, diversidade sociocultural, identidade dos povos indígenas, memória histórica eclesial, justiça e direitos dos povos, espiritualidade e sabedoria.Segundo o documento preparatório, “em sua história missionária, a Amazônia tem sido lugar de testemunho concreto de estar na cruz, inclusive, muitas vezes, lugar de martírio. A Igreja também aprendeu que neste território, habitado por mais de 10 mil anos por uma grande diversidade de povos, suas culturas se construíram em harmonia com o meio ambiente”.

O Sínodo se propõe, desde a sua convocação, a fazer uma revisão do trabalho de evangelização e, por isso, a Igreja deve fazer um sério discernimento diante da Palavra de Deus. O anúncio do Evangelho de Jesus na Amazônia é apresentado a partir das dimensões bíblico-teológica, social, ecológica, sacramental e eclesial-missionária. “Hoje o grito da Amazônia ao Criador é semelhante ao grito do povo de Deus no Egito (cf. Ex 3,7). É um grito de escravidão e abandono, que clama pela liberdade e o cuidado de Deus. É um grito que anseia pela presença de Deus, especialmente quando os povos amazônicos, por defender suas terras, são criminalizados por parte das autoridades; ou quando são testemunhas da destruição do bosque tropical, que constitui seu habitat milenar; ou, ainda, quando as águas de seus rios se enchem de espécies mortas no lugar de estarem plenas de vida”, afirma o texto de preparação.

E, por fim, o texto-base aponta para um comprometimento de todos diante da realidade: novos caminhos para uma Igreja com rosto amazônico. O texto reflete o que seria esse rosto, a dimensão profética, os ministérios e os novos caminhos. “No processo de pensar uma Igreja com rosto amazônico, sonhamos com os pés fincados na terra de nossos ancestrais e com os olhos abertos pensamos como será essa Igreja a partir da vivência da diversidade cultural dos povos. Os novos caminhos terão uma incidência nos ministérios, na liturgia e na teologia”, destaca o texto.

BANNER sinodo.jpg

 

12
Fev19

Sínodo para a Amazônia: trazer de volta os novos caminhos da irmã Dorothy 14 anos depois

Talis Andrade

Dorothy está viva na memória daqueles que continuam a lutar na defesa da Amazônia. Aqueles que a mataram nunca pensaram que ela se tornaria um símbolo de novos caminhos, um legado que está sendo posto em prática através do processo sinodal

doroty.jpg

 

O assassinato da irmã Dorothy Stang, que completa 14 anos em 12 de fevereiro, foi um exemplo claro de que a busca de novos caminhos sempre foi, é e será arriscada. As novidades incomodam quem pretende conservar o sistema estabelecido, que sempre os beneficiou.

Existem muitos personagens que ao longo da história sofreram isso. O mesmo Jesus de Nazaré queria estabelecer uma nova maneira de se relacionar com Deus, o que provocou uma aliança do poder político e religioso para lhe dar a morte de um criminoso.

Com a irmã Dorothy aconteceu algo parecido, porque nos quase quarenta anos que ela desenvolveu sua missão no Brasil, ela conviveu com as pessoas, especialmente as mais pobres, e descobriu que o futuro da Amazônia e seu povo precisava de um novo caminho, que na época soava como ciência ficção, o desenvolvimento sustentável, que começou como algo local, mas que aos poucos foi alcançando reconhecimento nacional e internacional.

Podemos dizer que, com o Papa Francisco, a situação é semelhante, porque nos seus quase seis anos de pontificado ele não se cansou de tomar iniciativas surpreendentes. Agora ele quer buscar novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral, e com isso está mexendo com muita gente.

Encontrar novos caminhos para a Igreja faz com que aqueles que vivem apenas preocupados com o que se passa dentro da sacristia, se oponham a uma Igreja em saída, de portas abertas, hospital de campanha, uma igreja ministerial, sinodal, que não apenas dita o que tem que ser feito, mas também quer ouvir e aprender com todos. Os novos caminhos para a ecologia integral despertam as reticencias das grandes empresas e dos governos que as apoiam. Todos fazem parte do mesmo lado, aqueles que sempre viram a Casa Comum desde o desejo predatório daqueles que colocam o lucro pessoal acima do bem coletivo.

Todos eles reagem, como se viu nos últimos dias, não só contra o Papa Francisco, mas também contra aqueles que o apoiam e se sentem parte da abertura desses novos caminhos. Não tenho dúvidas de que, se ela estivesse viva, Dorothy Stang faria parte de tantos homens e mulheres que nos últimos meses têm insistido em chegar em cada canto da Amazônia para escutar, para aprender um pouco mais com a vida dos povos amazônicos especialmente com os povos indígenas. Aqueles que a perseguiram e assassinaram são os mesmos que continuam a perseguir aqueles que desejaram continuar seu legado.

Como cristãos, não podemos esquecer que nossa fé é baseada em alguém que sentiu a necessidade de tornar o Reino de Deus uma realidade. Para isso, é necessário enfrentar os poderes deste mundo, aqueles que participam da economia que mata, que consideram descartável uma grande parte da humanidade. Foi isso que matou a irmã Dorothy, mas que também faz aumentar a cada dia o número dos inimigos do Papa Francisco, que desde dentro eles chamam de herege e desde fora o chamam de comunista.

Dorothy está viva na memória daqueles que continuam a lutar na defesa da Amazônia. Aqueles que a mataram nunca pensaram que ela se tornaria um símbolo de novos caminhos, um legado que está sendo posto em prática através do processo sinodal. O Sínodo desperta cada vez mais interesse, tanto naqueles que o veem como um sinal de esperança, como naqueles que o consideram uma ameaça aos seus planos malignos.

Em um mundo que está passando por uma crise que põe em risco o futuro do próprio planeta, é sempre bom ter aqueles que se defendem com a mesma arma que Dorothy Stang carregou no momento em que foi vilmente assassinada, a Palavra de Deus. Ela é sempre luz no caminho e está nos fortalecendo diante de ataques daqueles que acreditam que são donos e pretendem controlar além de onde deveriam chegar.

 

 



12
Fev19

Inculturação prioridade para a Amazônia

Talis Andrade

Entre as populações indígenas do Alto Rio Negro 

sinodo.jpg

 

«Todos os sacramentos devem ser inculturados», como afirma a constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, mas «não nos devemos limitar apenas a traduzir nas línguas vernáculas os sacramentos da Igreja. Eles devem ter uma inculturação muito mais profunda»: foi quanto afirmou D. Edson Tasquetto Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira, em vista do sínodo sobre a Amazónia que terá lugar no próximo mês de outubro no Vaticano.

 

O prelado recordou que o Papa Francisco insiste a fim de que a Igreja local tenha um rosto amazónico e indígeno. Para alcançar este objetivo é necessário um processo de inculturação, uma das possíveis novas vias do sínodo. «Entre as populações indígenas do Alto Rio Negro – explicou D. Tasquetto Damian à agência Fides – a missa já foi traduzida e celebrada na língua tucana em diversas localidades», o que deveria ser assumido como habitual pelos povos que falam aquela língua. O mesmo pode-se dizer do rito do batismo, uma experiência que se realiza também na prelazia de Itaituba, onde vivem os mundurukus, como recordou o bispo local, D. Wilmar Santin.

 

Após cem anos de missão entre os mundurukus, nos últimos dez anos «insistiu-se na construção de capelas nas aldeias, tiveram início as celebrações dominicais da Palavra e foram criados grupos litúrgicos. Segundo D. Santin «o primeiro passo foi traduzir cânticos na língua munduruku e agora são eles mesmos, com o seus ritmos musicais, que compõem os cânticos». Diante destes novos percursos, o bispo prelado de Itaituba frisou que «seria necessário encorajar a composição de cantos litúrgicos na própria língua, com os próprios ritmos». Além disso, é necessário «formar bem os ministros da Palavra, a fim de que possam ter criatividade e inculturar a liturgia, enriquecendo a celebração com elementos da sua cultura».

sinodo_amazonia.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D