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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

30
Abr22

Bispos criticam “manipulação religiosa” em nome de “projeto de poder”

Talis Andrade

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Em carta, CNBB também criticou quem busca "colocar em xeque a lisura do processo eleitoral" e "tumultuar o processo político"

 

Raphael Veleda /Metrópoles
 
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A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, nesta sexta-feira (29/4), uma carta avaliando que “o Brasil não vai bem” e pintando um cenário político e social “gravíssimo” no país, além de fazer alertas e pedidos em relação às eleições deste ano.
 

Os religiosos estão reunidos virtualmente para sua 59ª Assembleia Geral e não citam diretamente o presidente Jair Bolsonaro (PL), mas criticam com palavras duras comportamentos que partem do chefe do Executivo, como o questionamento da lisura do processo eleitoral.

Os bispos apontam na carta (veja abaixo a íntegra) o que consideram duas ameaças que merecem atenção especial. “A primeira é a manipulação religiosa, protagonizada tanto por alguns políticos como por alguns religiosos, que coloca em prática um projeto de poder sem afinidade com os valores do Evangelho de Jesus Cristo”. Para os bispos católicos, “a autonomia e independência do poder civil em relação ao religioso são valores adquiridos e reconhecidos pela Igreja e fazem parte do patrimônio da civilização ocidental”.

A outra ameaça apontada pelos religiosos católicos são as notícias falsas, ou, como eles escreveram, fake news. “Carregando em si o perigoso potencial de manipular consciências, elas [as fake news] modificam a vontade popular, afrontam a democracia e viabilizam, fraudulentamente, projetos orquestrados de poder. É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e o respeito aos resultados nas eleições. A democracia brasileira, ainda em construção, não pode ser colocada em risco”, diz o texto

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Eleições 2022

 

A carta da CNBB faz ainda duras críticas a “tentativas de ruptura da ordem institucional, hoje propagadas abertamente, [que] buscam colocar em xeque a lisura do processo eleitoral”.

Para os bispos, “o Brasil não vai bem” e “o quadro atual é gravíssimo”. Os religiosos tratam, no texto, das consequências da pandemia de Covid-19 para o país e se solidarizam com as mais de 600 mil vítimas que pereceram. “A grave crise sanitária encontrou o nosso país envolto numa complexa e sistêmica crise ética, econômica, social e política, que já nos desafiava bem antes da pandemia, escancarando a desigualdade estrutural enraizada na sociedade brasileira”, diz a carta.

Na parte da carta que denuncia as tentativas de ruptura institucional, os bispos escrevem: “Tumultuar o processo político, fomentar o caos e estimular ações autoritárias não são, em definitivo, projeto de interesse do povo brasileiro. Reiteramos nosso apoio às Instituições da República, particularmente aos servidores públicos, que se dedicam em (sic) garantir a transparência e a integridade das eleições”.

A eleição de 2022 também é tema da carta assinada por dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB, dom Joel Portella Amado, secretário-geral da entidade, e pelos vice-presidentes dom Jaime Spengler e Mário Antônio da Silva.

“Iremos este ano às urnas. O cenário é de incertezas e radicalismos, mas potencialmente carregado de esperança”, diz o texto. “Nossas escolhas para o Executivo e o Legislativo determinarão o projeto de nação que desejamos. Urge o exercício da cidadania, com consciente participação política, capaz de promover a ‘boa política’, como nos diz o papa Francisco”.

 

Compromisso com a defesa da vida

 

No fim do documento, os bispos conclamam a sociedade a “votar com consciência e responsabilidade, escolhendo projetos representados por candidatos e candidatas comprometidos com a defesa integral da vida, defendendo-a em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural” e que também “não negligenciem os direitos humanos e sociais, e nossa casa comum onde a vida se desenvolve”.Image

 

Tumultuar o processo político, fomentar o caos e estimular ações autoritárias não são, em definitivo, projeto de interesse do povo brasileiro

 

MENSAGEM AO POVO BRASILEIRO

59ª. Assembleia Geral da CNBB

“A esperança não decepciona” (Rm 5,5).

 

Guiados pelo Espírito Santo e impulsionados pela Ressurreição do Senhor, unidos ao Papa Francisco, nós, bispos católicos, em comunhão e unidade, reunidos para a primeira etapa da 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de modo on-line e com a representação de diversos organismos eclesiais, dirigimos ao povo brasileiro uma mensagem de fé, esperança e corajoso compromisso com a vida e o Brasil.

Enche o nosso coração de alegria perceber a explosão de solidariedade, que tem marcado todo o País na luta pela superação do flagelo sanitário e social da COVID-19. A partilha de alimentos, bens e espaços, a assistência a pessoas solitárias e a dedicação incansável dos profissionais de saúde são apenas alguns exemplos de incontáveis ações solidárias. Gestores de saúde e agentes públicos, diante de um cenário de medo e insegurança, foram incansáveis e resilientes. O Sistema Único de Saúde-SUS mostrou sua fundamental importância e eficácia para a proteção social dos brasileiros. A consciência lúcida da necessidade dos cuidados sanitários e da vacinação em massa venceu a negação de soluções apresentadas pela ciência. Contudo, não nos esquecemos da morte de mais de 660.000 pessoas e nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, trazendo ambas em nossas preces.

Agradecemos ainda, de modo particular às famílias e outros agentes educativos, que não se descuidaram da educação das crianças, adolescentes, jovens e adultos, apesar de todas as dificuldades. Com certeza, a pandemia teria consequências ainda mais devastadoras, se não fosse a atuação das famílias, educadores e pessoas de boa vontade, espírito solidário e abnegado. A Campanha da Fraternidade 2022 nos interpela a continuar a luta pela educação integral, inclusiva e de qualidade.

A grave crise sanitária encontrou o nosso País envolto numa complexa e sistêmica crise ética, econômica, social e política, que já nos desafiava bem antes da pandemia, escancarando a desigualdade estrutural enraizada na sociedade brasileira. A COVID-19, antes de ser responsável, acentuou todas essas crises, potencializando-as, especialmente na vida dos mais pobres e marginalizados.

O quadro atual é gravíssimo. O Brasil não vai bem! A fome e a insegurança alimentar são um escândalo para o País, segundo maior exportador de alimentos no mundo, já castigado pela alta taxa de desemprego e informalidade. Assistimos estarrecidos, mas não inertes, os criminosos descuidos com a Terra, nossa casa comum. Num sistema voraz de “exploração e degradação” notam-se a dilapidação dos ecossistemas, o desrespeito com os direitos dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, a perseguição e criminalização de líderes socioambientais, a precarização das ações de combate aos crimes contra o meio ambiente e projetos parlamentares desastrosos contra a casa comum.

Tudo isso desemboca numa violência latente, explícita e crescente em nossa sociedade. A crueldade das guerras, que assistimos pelos meios de comunicação, pode nos deixar anestesiados e desapercebidos do clima de tensão e violência em que vivemos no campo e nas cidades. A liberação e o avanço da mineração em terras indígenas e em outros territórios, a flexibilização da posse e do porte de armas, a legalização do jogo de azar, o feminicídio e a repulsa aos pobres, não contribuem para a civilização do amor e ferem a fraternidade universal.

Diante deste cenário esperamos que os governantes promovam grandes e urgentes mudanças, em harmonia com os poderes da República, atendo-se aos princípios e aos valores da Constituição de 1988, já tão desfigurada por meio de Projetos de Emendas Constitucionais. Não se permita a perda de direitos dos trabalhadores e dos pobres, grande maioria da população brasileira. A lógica do confronto que ameaça o estado democrático de direito e suas instituições, transforma adversários em inimigos, desmonta conquistas e direitos consolidados, fomenta o ódio nas redes sociais, deteriora o tecido social e desvia o foco dos desafios fundamentais a serem enfrentados.

Nesse contexto, iremos este ano às urnas. O cenário é de incertezas e radicalismos, mas, potencialmente carregado de esperança. Nossas escolhas para o Executivo e o Legislativo determinarão o projeto de nação que desejamos. Urge o exercício da cidadania, com consciente participação política, capaz de promover a “boa política”, como nos diz o Papa Francisco. Necessitamos de uma política salutar, que não se submeta à economia, mas seja capaz de reformar as instituições, coordená-las e dotá-las de bons procedimentos, como as conquistas da Lei da Ficha Limpa, Lei Complementar 135 de 2010, que afasta do pleito eleitoral candidatos condenados em decisões colegiadas, e da Lei 9.840 de 1999, que criminaliza a compra de votos. Não existe alternativa no campo democrático fora da política com a ativa participação no processo eleitoral.

Tentativas de ruptura da ordem institucional, hoje propagadas abertamente, buscam colocar em xeque a lisura do processo eleitoral e a conquista irrevogável do voto. Tumultuar o processo político, fomentar o caos e estimular ações autoritárias não são, em definitivo, projeto de interesse do povo brasileiro. Reiteramos nosso apoio às Instituições da República, particularmente aos servidores públicos, que se dedicam em garantir a transparência e a integridade das eleições.

Duas ameaças merecem atenção especial. A primeira é a manipulação religiosa, protagonizada tanto por alguns políticos como por alguns religiosos, que coloca em prática um projeto de poder sem afinidade com os valores do Evangelho de Jesus Cristo. “A autonomia e independência do poder civil em relação ao religioso são valores adquiridos e reconhecidos pela Igreja e fazem parte do patrimônio da civilização ocidental”. A segunda é a disseminação das fake news, que através da mentira e do ódio, falseia a realidade. Carregando em si o perigoso potencial de manipular consciências, elas modificam a vontade popular, afrontam a democracia e viabilizam, fraudulentamente, projetos orquestrados de poder. É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e o respeito aos resultados nas eleições. A democracia brasileira, ainda em construção, não pode ser colocada em risco.

Conclamamos toda a sociedade brasileira a participar das eleições e a votar com consciência e responsabilidade, escolhendo projetos representados por candidatos e candidatas comprometidos com a defesa integral da vida, defendendo-a em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural. Que também não negligenciem os direitos humanos e sociais, e nossa casa comum onde a vida se desenvolve. Todos os cristãos somos chamados a preocuparmo-nos com a construção de um mundo melhor, por meio do diálogo e da cultura do encontro, na luta pela justiça e pela paz.

Agradecemos os muitos gestos de solidariedade de nossas comunidades, por ocasião da pandemia e dos desastres ambientais. Encorajamos as organizações e os movimentos sociais a continuarem se unindo em mutirão pela vida, especialmente por terra, teto e trabalho. Convidamos a todos, irmãos e irmãs, particularmente a juventude, a deixarem-se guiar pela esperança e pelo desejo de uma sociedade justa e fraterna. Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, obtenha de Deus as bênçãos para todos nós.

Brasília – DF, 29 de abril de 2022.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima, RR
2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
Secretário-Geral

17
Abr22

Papa lava os pés a doze detentos: Deus perdoa sempre!

Talis Andrade

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por Vatican News

Francisco foi a uma prisão no litoral romano e realizou o rito do lava-pés a nove homens e três mulheres, de diferentes idades e nacionalidades. Como normalmente faz nesta ocasião, proferiu sua homilia sem um texto pré-preparado e falou da "simplicidade" do gesto de Jesus: "Que belo seria se isso pudesse ser feito todos os dias e a todas as pessoas".

O Papa Francisco foi a Civitavecchia, nas proximidades de Roma, para celebrar a Santa Missa "in Coena Domini" com as pessoas detidas no Novo Complexo Penitenciário.

Chegando antes das 16 horas, acolhido pelas autoridades prisionais, o Papa presidiu à Missa na Capela da prisão. Além de alguns reclusos, havia uma representação dos agentes e funcionários e algumas autoridades, incluindo a Ministra da Justiça da Itália, Marta Cartabia.

 

Servir com gratuidade, sem interesse

 

Durante a liturgia, o Papa fez a sua homilia sem um texto preparado, comentando o significado do lava-pés, "uma coisa estranha" neste mundo: "Jesus lava os pés do traidor, aquele que o vende". E acrescentou: "Jesus ensina-nos isto, simplesmente: vocês devem lavar os pés uns aos outros [...] um serve o outro, sem interesse: como seria belo se fosse possível fazer isto todos os dias e a todas as pessoas".

O Papa lamentou que muitos de nossos gestos são realizados por interesse. “Ao invés, é importante fazer tudo sem interesse: um serve o outro, um é irmão do outro, um ajuda o outro, um corrige o outro e assim deveria ser feito. E depois, ao traidor, o chama de “amigo” e o espera até ao fim: perdoa tudo. Isso gostaria de colocar hoje no coração de todos nós, inclusive do meu: Deus perdoa tudo e Deus perdoa sempre! Somos nós que nos cansamos de pedir perdão." Ele nos pede somente a nossa confiança.

 

Servir e ajudar

 

Cada um de nós, disse ainda Francisco, "tem algo que está nos nossos corações há muito tempo, mas peçam perdão a Jesus". 

E sugeriu uma oração: “Senhor, perdoa-me. Eu tentarei servir os outros, mas Tu serves a mim com o Teu perdão”.

“Este é o pensamento que gostaria de deixar: servir e nos ajudar.”

O Papa conclui anunciando que repetirá o gesto feito por Jesus. “Eu o farei de coração, porque nós sacerdotes deveríamos ser os primeiros a servir os outros, não explorar os outros. O clericalismo às vezes nos leva para este caminho. Mas devemos servir.”

E recordou que "há um Senhor que julga, mas é um julgamento estranho: o Senhor julga e perdoa". E concluiu exortando as pessoas a prosseguirem com a celebração, com "o desejo de servir e perdoar uns aos outros".

 

O gesto de Jesus

 

Depois da homilia, como é costume, o Papa Francisco repetiu o gesto de Jesus durante a Última Ceia, quando o Senhor lavou os pés dos seus discípulos como sinal de amor radical até ao ponto do serviço e da humilhação. Foram 12 reclusos, homens e mulheres, incluindo pessoas de diferentes idades e nacionalidades.

No final da missa, o diretor da prisão agradeceu ao Santo Padre e ofereceu-lhe uma estampa do antigo porto de Civitavecchia, alguns produtos do jardim cultivados pelos detentos e algumas obras feitas pelos funcionários e prisioneiros.

Após a celebração, o Papa  saudou brevemente cerca de cinquenta pessoas representando os detentos, oficiais e funcionários da prisão. Antes de anoitecer, voltou para a Casa Santa Marta.

26
Mar22

O abuso de poder de Deltan Dallagnol

Talis Andrade

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Por Kenarik Boujikian /ConJur

O Superior Tribunal de Justiça, por sua 4ª Turma, em decisão datada desta terça-feira (23/2), julgou o Recurso Especial 1.842.613 proposto pelo ex-presidente Lula e condenou Deltan Dallagnol, ex-procurador da República, coordenador à época dos fatos da chamada operação "lava jato" no âmbito do Ministério Público Federal, ao pagamento de indenização, por ter acarretado danos morais.

O fato indicado no pedido diz respeito aos atos praticados pelo ex-procurador durante uma entrevista coletiva transmitida ao vivo, convocada para ser realizada em um hotel, em setembro de 2016, durante a qual  houve a exibição de um Power Point, que ficou amplamente conhecido da população através da imprensa nacional e internacional.

Na entrevista, na qual estavam presentes outros procuradores e policiais federais, Deltan apresentou conteúdo ofensivo contra o presidente Lula, seja por meio das mensagens contidas nos círculos do programa de computador, que convergiam por setas para a figura central de Lula, seja pelo que verbalizou, naquela oportunidade.

Este é um dos capítulos que mostram como o lawfere foi exercitado aqui no Brasil e o quanto é danoso para o sistema democrático, quando os agentes de Estado distorcem suas funções. Igualmente, nos mostra como é essencial repudiar e impedir os julgamentos midiáticos.

Papa Francisco apontou estes males, em algumas oportunidades. Pude ouvir diretamente dele, no Congresso da Cúpula Pan-Americana de Juízes sobre Direitos Sociais e Doutrina Franciscana, convocado pelo Vaticano, realizado no dia 4/6/2019 e que tinha juízes de vários países como público:

"Aproveito esta oportunidade de me encontrar convosco para vos manifestar a minha preocupação por uma nova forma de intervenção exógena nos cenários políticos dos países, através do uso indevido de procedimentos legais e tipificações judiciais. Além de pôr em grave perigo a democracia dos países, geralmente o lawfare é utilizado para minar os processos políticos emergentes e tende para a violação sistemática dos direitos sociais. Para garantir a qualidade institucional dos Estados, é fundamental relevar e neutralizar este tipo de práticas que derivam da atividade jurídica imprópria, em combinação com operações multimidiáticas paralelas. Não me detenho a propósito deste ponto, mas todos nós conhecemos o juízo mediático prévio"  (negrito meu.

Ressalto que a lide foi bem delimitada pelo ministro relator, que indicou que o ponto era exclusivamente identificar se na entrevista, na qual  houve a apresentação do power point,  houve abuso no poder de narrar a denúncia, se ele agiu com excesso ou dentro da normalidade; se Deltan extrapolou e se esta conduta causou dano moral, ao ferir os direitos da personalidade e direitos fundamentais.

A decisão do STJ foi que o Deltan extrapolou todos os limites com afirmativas ofensivas, inclusive usando de situações incongruentes com a própria denúncia que apresentara, cujo resultado, como sublinhado pelo ministro, é indiferente para a ação que julgavam.

Um exemplo claro que permitiu esta conclusão foi a expressão usada: comandante máximo da organização,  general da organização, sendo que sequer constava da denúncia o crime de organização criminosa, que era objeto de um outro processo.

Sobre este aspecto, lembre-se que em outro julgamento (Reclamação 2.548) , o ministro Teori Zavaski, alertara da espetacularização da entrevista, com elementos que não constam da denúncia.

Em verdade, o denunciado foi apresentado como condenado fosse, com adjetivações negativas, agressivas e incompatíveis com a dignidade da pessoa humana, sem respeito ao devido processo legal, ao princípio da presunção de inocência, para apenas causar constrangimento ao denunciado e para desconstruir a sua pessoa.

Esta desconstrução encontra-se na lógica da criação da figura do inimigo, utilizada como elemento do lawfere.

Interessante a lição de Luis Manuel Fonseca Pires, que nos atenta para a constituição deste sujeito:

"A mobilização de afetos políticos para a construção social de apoio ao regime autoritário não ocorre aleatoriamente. É preciso um elemento aglutinador. Uma força gravitacional que desperte e movimente a adesão, pode ser uma imagem, uma ideia, sujeito ou grupo, um ponto de fuga para o qual convergem todos que se animam dos mesmos sentimentos que emergem com tal força avassaladora capaz de produzir o consentimento ao regime autoritário." ("Estados de Exceção", editora ContraCorrente, pg 127).

Entendo que a apresentação do Power Point e da entrevista está neste contexto da dinâmica de produção do próprio inimigo.

Não à toa, que durante o julgamento foi lembrada a decisão do CNMP, que em razão do julgamento de Deltan (após mais de 40 adiamentos), recomendou aos membros do Ministério Público o dever de se  abster de usar de divulgação para fins de político partidários.

Anote-se, como ficou claro no julgamento, que não se trata, absolutamente do dever de transparência e informação. Nada do que foi feito guarda a mínima relação com estes deveres dos procuradores da república, o que houve foi um excesso abusivo com o uso da mídia.

Um dos elementos utilizados pelo lawfare, como dito por papa Francisco, é a mídia, é a grande imprensa e sabemos, como ensinou Perseu Abramo no brilhante "Padrões de Manipulação na Grande Imprensa", os manejos possíveis da informação, sem falar em seu total desvirtuamento e a sua aquiescência aos desmandos praticados por agentes públicos.

A questão fundamental é que o processo penal do espetáculo, cuja entrevista e Power Point é um grande exemplo, mina o indivíduo denunciado ou acusado, mas não só a pessoa diretamente vinculada, senão todo o sistema democrático.

O essencial do julgamento é que se procura reconstruir o próprio sistema democrático, tão devastado e oportuniza que o Poder Judiciário cumpra seu papel de garantidor de direitos, reconhecendo a inadmissibilidade do abuso do direito por parte dos agentes que têm funções essenciais ao sistema de justiça, pois uma sociedade civilizada não aceita que um promotor descumpra o dever ético de não prejudicar os cidadãos e atue de forma arbitrária.

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27
Jan22

Bolsonaro revoga decretos de luto oficial por dom Helder Câmara e frei Damião e mantém os de Figueiredo e Geisel

Talis Andrade

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A vingança contra o "Bispo Vermelho" e o Santo dos Retirantes Nordestinos 
 
 
O governo Bolsonaro revogou 35 decretos de pesar editados por seus antecessores, sob alegação de anular normas "cuja eficácia ou validade encontra-se completamente prejudicada". Assim, cancelou os lutos oficiais por católicos dom Helder Câmara e frei Damião. Entretanto, manteve os decretos de luto pelos ex-presidentes militares Ernesto Geisel e João Figueiredo.
 
Nos decretos, a raiva do adorador da tortura contra o "Bispo Vermelho", perseguido pela ditadura militar de 64, e frei Damião dos pobres retirantes do Nordeste que votaram contra Bolsonaro em 2018 e votarão em Lula presidente este ano, no dia 2 de outubro, para uma vitória no primeiro turno.
 
O ódio do admirador do coronel Ustra, mestre da tortura promovido a marechal, e do major Curió, tem seus malignos motivos. 
 
Escreveu Vinícius Sobreira"O arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, que foi ordenado padre por Dom Hélder, o considera “um homem à frente do seu tempo, um verdadeiro profeta”. E relacionando com o momento pelo qual o Brasil passa, Dom Saburido acredita que, caso estivesse vivo, Dom Hélder “estaria sofrendo com esse momento pelo qual o País passa”.
 

O monge beneditino Marcelo Barros resgata que Dom Hélder foi arcebispo de Olinda e Recife justamente durante os 21 anos da ditadura militar e, na opinião dele, vivemos um contexto similar ao implementado em 1964. “Nos tempos atuais eles não precisarem mais de militares nas ruas para dar um golpe institucional, mas hoje vivemos uma espécie de ditadura, uma ditadura no sentido mais profundo, de desrespeito aos direitos fundamentais das pessoas. Vemos o absoluto desprezo aos instrumentos democráticos e principalmente a tudo aquilo que representa uma ordem social de proteção dos mais frágeis e empobrecidos”, opina.

Marcelo Barros relaciona ainda as posturas de Dom Hélder com a do Papa Francisco. “A figura profética do Papa Francisco está, na medida do possível, puxando a Igreja Católica para uma atitude de protesto contra o capitalismo e para mostrar que a raiz de todos os males que vivemos no mundo é essa estrutura econômica e social que mata, que destrói, que assassina, que é imoral. E isso era a mensagem de Dom Helder”, avalia. Ao elogiar o Papa, o monge destaca que a admiração por Francisco deve se converter em ação. “É importante que essa figura do Papa não fique uma figura especial, que todo mundo admira, mas que é isolada. Nos inspirando nele devemos conseguir gritar que nós fazemos parte dessa profecia do Papa Francisco”.

 O governo militar de Bolsonaro justifica:

"Trata-se de decretos já exauridos, que tiveram efeitos por determinado período [de luto]", disse à Folha de S.Paulo a Secretaria-Geral da Presidência. Entretanto, integrantes de gestões anteriores da SAJ (Subchefia de Assuntos Jurídicos) ouvidos em caráter reservado pela reportagem do jornal afirmaram não ver sentido no cancelamento de decretos de pesar. A subchefia é a estrutura que faz a revisão final dos atos publicados no "Diário Oficial" da União.

A revogação de decretos de pesar no governo Bolsonaro não teve tratamento igualitário para todas as autoridades e personalidades que receberam a honraria oficial nos últimos anos.

Em um mesmo período de tempo, foram anulados decretos de luto para determinadas pessoas, enquanto a de outras foram mantidos.
 
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26
Dez21

Papa: a esperança é mais forte que as dificuldades, pois um Menino nasceu para nós

Talis Andrade

 

Diante das tantas crises, tragédias esquecidas e sofrimentos ao redor do mundo, em sua Mensagem de de Natal Francisco diz que "a esperança é mais forte, porque «um menino nasceu para nós»". Que a seu exemplo, aprendamos a escutar-nos e a dialogar, e a caminhar com Cristo pelas sendas da paz!

“O Verbo fez-Se carne para dialogar conosco. Deus não quer construir um monólogo, mas um diálogo. Pois o próprio Deus, Pai e Filho e Espírito Santo, é diálogo, comunhão eterna e infinita de amor e de vida.”

Diálogo é a palavra a partir da qual o Pontífice desenvolve sua Mensagem de Natal dirigida à cidade e ao mundo, pronunciada da sacada central da Basílica de São Pedro em um 25 de dezembro chuvoso, o que não impediu a presença de milhares de peregrinos e turistas de várias partes do mundo na Praça São Pedro, na observância das novas medidas, mais restritivas, para conter a propagação da Covid-19.  

Depois da Mensagem de Natal o Papa rezou o Angelus, seguido pelo anúncio da concessão da Indulgência Plenária pelo cardeal protodiácono Renato Raffaele Martino, que então passou novamente a palavra ao Santo Padre para a Bênção, extensiva também a todos que acompanhavam pelos meios de comunicação.

O sinal da transmissão estava disponível em seis satélites e a Mensagem com a Bênção Urbi et Orbi foi transmitida em Mundovisão por cerca de 170 redes de televisão. A mídia vaticana também ofereceu serviço de tradução na língua dos sinais (LIS). Já o Vatican News ofereceu transmissões em sete línguas: português, espanhol, italiano, inglês, francês, alemão e árabe.  

 

Diálogo, única solução para conflitos

 

“Quando veio ao mundo, na pessoa do Verbo encarnado, Deus mostrou-nos o caminho do encontro e do diálogo” e “como seria o mundo sem o diálogo paciente de tantas pessoas generosas, que mantiveram unidas famílias e comunidades?”, pergunta o Papa, observando que a pandemia deixou isso muito claro ao afetar as relações sociais, aumentar “a tendência para fechar-se, arranjar-se sozinho, renunciar a sair, a encontrar-se, a fazer as coisas juntos”. E a nível internacional, a complexidade da crise pode “induzir a optar por atalhos”, mas só o diálogo conduz “à solução dos conflitos e a benefícios partilhados e duradouros”.

 

As tragédias esquecidas

 

E ao lançar seu olhar para o panorama internacional, Francisco observou que contemporaneamente ao “anúncio do nascimento do Salvador, fonte da verdadeira paz, “vemos ainda tantos conflitos, crises e contradições. Parecem não ter fim, e já quase não os notamos”.

 

De tal maneira nos habituamos, que há tragédias imensas das quais já nem se fala; corremos o risco de não ouvir o grito de dor e desespero de tantos irmãos e irmãs nossos.”

 

Oriente Médio e Afeganistão

 

E dentre as tragédias esquecidas por todos, o sofrimento das populações da Síria, Iraque, Iêmen, em particular das crianças. Mas também o conflito entre israelenses e palestinos, “com consequências sociais e políticas cada vez mais graves”.

Belém, “lugar onde Jesus viu a luz”, vive tempos difíceis “pelas dificuldades econômicas devidas à pandemia que impede os peregrinos de chegarem à Terra Santa, com consequências negativas na vida da população”. Crise sem precedentes que atinge também o Líbano. Mas no coração da noite, surgiu um sinal de esperança. E neste dia de festa pedimos ao Menino Jesus, “a força de nos abrirmos ao diálogo”, implorando a Ele “que suscite, no coração de todos, anseios de reconciliação e fraternidade.

Menino Jesus, dai paz e concórdia ao Médio Oriente e ao mundo inteiro. Amparai a quantos se encontram empenhados em prestar assistência humanitária às populações forçadas a fugir da sua pátria; confortai o povo afegão que, há mais de quarenta anos, está submetido a dura prova por conflitos que impeliram muitos a deixar o país.”

 

Myanmar e Ucrânia

 

Ao Rei dos Povos, o Papa pede que ajude as autoridades políticas a  pacificar “as sociedades abaladas por tensões e contrastes”, em particular Myanmar, “onde intolerância e violência se abatem, não raro, também sobre a comunidade cristã e os locais de culto, e turbam o rosto pacífico daquela população.” Mas também “luz e amparo” para quem acredita e trabalha em prol do encontro e do diálogo na Ucrânia e não permitir que "metástases dum conflito gangrenado" se espalhem pelo país.

 

África

 

O Santo Padre volta então seu olhar para os países africanos atribulados por conflitos, divisões, desemprego, desigualdades econômicas, pedindo ao Príncipe da Paz pela Etiópia para que descubra o caminho da paz e da reconciliação e para que ouça o clamor “das populações da região do Sahel, que sofrem a violência do terrorismo internacional”, bem como pelas vítimas dos conflitos internos no Sudão e Sudão do Sul.

 

América

 

Para as populações do continente americano Francisco pede que “prevaleçam os valores da solidariedade, reconciliação e convivência pacífica, através do diálogo, do respeito mútuo e do reconhecimento dos direitos e valores culturais de todos os seres humanos.”

 

26
Dez21

Papa no Angelus: para preservar a harmonia na família devemos combater a ditadura do eu

Talis Andrade

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Não nascemos magicamente, com uma varinha mágica, mas em uma família e o que somos hoje como pessoa é fruto do amor que recebemos em seu seio. Devemos conhecer a própria história e nossas raízes, para a vida não se tornar árida. E agradecer a Deus pela família que temos, disse o Papa Francisco no Angelus deste domingo, quando deu várias indicações para superar os conflitos e manter a harmonia familiar.

 

por Jackson Erpen

Rezar juntos diariamente para pedir a Deus o dom da paz, escuta e compreensão recíproca para superar conflitos e dificuldades, converter-se do eu ao tu, nunca ir dormir sem ter feito as pazes. Afinal, é no dia a dia que se aprende a ser família, nela estão as nossas raízes e o que somos hoje como pessoa, é fruto do amor que dela recebemos.

É de conselhos práticos que se articula a reflexão do Papa antes de rezar o Angelus neste domingo, 26 de dezembro, em que a Igreja festeja a Sagrada família que, não é aquela dos santinhos, como observou Francisco, mas uma família que também enfrentou “problemas inesperados, angústias, sofrimentos”.

 

Conhecer e preservar as raízes de onde viemos

 

E o Papa mergulha precisamente naquele contexto familiar para sublinhar aos fiéis e turistas presentes na Praça São Pedro em um domingo de tempo instável um primeiro aspecto concreto para nossa família: “a família é a história da qual viemos”:

Cada um de nós tem sua própria história, ninguém nasceu magicamente, com uma varinha mágica, cada um de nós tem uma história e a família é a história de onde viemos.”

Jesus – começou explicando – “é filho de uma história familiar”. Viajou para Jerusalém com seus pais para a Páscoa e seu sumiço provocou grande preocupação em Maria e José:

É belo ver Jesus inserido no laço dos afetos familiares, que nasce e cresce no abraço e na preocupação dos pais. Isso também é importante para nós: viemos de uma história entrelaçada por laços de amor e a pessoa que somos hoje não nasce tanto dos bens materiais que desfrutamos, mas do amor que recebemos, do amor no seio da família. Talvez não tenhamos nascido em uma família excepcional e sem problemas, mas é a nossa história - cada um deve pensar: é a minha história -, são as nossas raízes: se as cortarmos, a vida torna-se árida. E devemos pensar nisso, na própria história!

 

"Ser família" envolve aprendizado diário

 

Deus – disse o Santo Padre - não nos criou para sermos comandantes solitários, mas para caminharmos juntos, e devemos agradecer a Ele e rezar por nossas famílias:

Deus pensa em nós e nos quer juntos: agradecidos, unidos, capazes de preservar as raízes.”

O Papa destaca então um segundo aspecto concreto para nossas famílias: “aprende-se a ser família a cada dia”. E volta seu olhar novamente à realidade da Sagrada Família onde nem tudo é perfeito, “existem problemas inesperados, angústias, sofrimentos”:

Não existe uma Sagrada Família dos santinhos. Maria e José perdem Jesus e angustiados o procuram, para encontrá-lo três dias mais tarde. E quando, sentado entre os mestres do Templo, ele responde que deve cuidar das coisas de seu Pai, eles não entendem. Eles têm necessidade de tempo para aprender a conhecer seu filho. O mesmo vale para nós: a cada dia, em família, é preciso aprender a ouvir e a compreender-se, a caminhar juntos, a enfrentar os conflitos e as dificuldades. É o desafio diário, que é superado com a atitude correta, com as pequenas atenções, com gestos simples, cuidando os detalhes das nossas relações. E isso também nos ajuda muito a conversar em família, conversar à mesa, o diálogo entre pais e filhos, o diálogo entre os irmãos, nos ajuda a viver essa raiz familiar que vem dos avós, o diálogo com os avós.

 

Antes o "tu", depois o "eu"

 

E como então se faz isto? - pergunta Francisco - convidando a olhar para Maria que no

Evangelho de hoje diz a Jesus: «Teu pai e eu estávamos a tua procura»:

Teu pai e eu, não diz eu e teu pai: antes do eu existe o tu (...). Na Sagrada Família, antes o tu e depois o eu. Para preservar a harmonia na família, é preciso combater a ditadura do eu. Quando o eu se infla. É perigoso quando, em vez de nos ouvirmos, jogamos os erros na cara; quando, em vez de termos gestos de cuidado para com os outros, nos fixamos em nossas necessidades; quando, em vez de dialogar, nos isolamos com o celular - é triste ver no almoço uma família, cada um com o seu celular, sem se falar, cada um fala com o celular -; quando nos acusamos mutuamente, sempre repetindo as mesmas frases, encenando uma comédia já vista onde cada um quer ter razão e no final impera um silêncio frio.”

 

Família, nosso tesouro

 

Então, de Francisco, um conselho já dado em tantas outras oportunidades quer aos casais, como à vida em família: nunca ir dormir sem antes ter feito as pazes, caso contrário, no dia seguinte haverá uma “guerra fria”, e esta é perigosa porque dará início a uma história de repreensões, de ressentimentos:

Quantas vezes, infelizmente, entre as paredes de casa, dos silêncios muito longos e de egoísmos não tratados, nascem e crescem conflitos! Às vezes, chega-se até mesmo a violências físicas e morais. Isso dilacera a harmonia e mata a família. Convertamo-nos do eu ao tu. O que deve ser mais importante na família é o tu. E a cada dia, por favor, rezem um pouco juntos, se puderem façam um esforço, para pedir a Deus o dom da paz em família. E vamos todos nos comprometer - pais, filhos, Igreja, sociedade civil - a apoiar, defender e proteger a família, que é o nosso tesouro!”

Que a Virgem Maria, esposa de José e mãe de Jesus – pediu ao concluir - proteja as nossas famílias.

14
Dez21

Lula na Argentina: um caminho para a retomada do crescimento da América Latina

Talis Andrade

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Por Paulo Pimenta 

A viagem do Presidente Lula para a Argentina é um reencontro do maior líder popular da América Latina com um povo que lhe ama e com quem ele tem uma relação histórica de afeto, admiração e parceria. Em 2002, quando venceu a eleição no Brasil, a Argentina foi o primeiro país visitado por Lula, antes mesmo de sua posse e da histórica viagem aos EUA, quando anunciou ao mundo que o Brasil iniciava uma nova etapa da sua trajetória e de seu papel no cenário internacional.

O líder operário, metalúrgico brasileiro, nunca escondeu seu apreço pelo povo argentino. Sua paixão por tudo que faz, sua capacidade de emocionar e fazer do coração a bússola de sua conduta encanta Lula, que em certa medida se enxerga no povo vizinho.

Sua admiração por Maradona, Papa Francisco, Néstor e Cristina Kirchner, pavimentaram os caminhos para essa sólida amizade com Alberto Fernández, reforçada pela coragem do atual presidente argentino, que mesmo durante a duríssima campanha eleitoral que enfrentou, fez questão de visitar Lula em Curitiba em um dos momentos mais difíceis das injustiças patrocinadas por Sergio Moro e a Lava Jato.Lula parabeniza Fernandez/Kirchner pelo resultado das primárias na  Argentina | Partido dos Trabalhadores

Lula sempre teve muito claro o papel estratégico e decisivo do Brasil para a possibilidade de uma mudança estrutural nas condições econômicas, políticas e sociais da América do Sul. Em várias oportunidades fez questão de ressaltar que nunca pensou um projeto de desenvolvimento e justiça social sem que os países vizinhos tivessem oportunidade de crescer junto, criar oportunidades, distribuir renda e proporcionar políticas de inclusão das camadas mais humildes, há tantos séculos vítimas da desigualdade e da injustiça estrutural que marcou a formação econômica da América do Sul, portuguesa e espanhola.

Durante seu governo, em que pese os esforços no sentido de fortalecimento dos BRICS, da presença ativa no G8 e no G20, Lula dedicou um tempo precioso para o fortalecimento do Mercosul e da UNASUL. A década em que Lula presidiu o Brasil foi, sem dúvida, o período mais importante e transformador em toda a história do continente. Todos os estudos realizados revelam que foi nesta década que a desigualdade foi mais combatida na América do Sul, possibilitando políticas de inclusão, distribuição de renda e combate à fome.

Lula no Brasil, Kirchner na Argentina, Tabaré Vázquez e Mujica no Uruguai, Rafael Correa no Equador, Evo Morales na Bolívia, Lugo no Paraguai e Chávez na Venezuela possibilitaram um momento de afirmação de projetos nacionais e de rompimento da relação histórica de submissão aos interesses norte-americanos no Conesul. 

Este movimento provocou marcas profundas e irreversíveis, especialmente no sentimento de pertencimento, de soberania e de certeza de que os países sul-americanos, unidos, possam formar um bloco econômico e político capaz de mudar esta realidade secular.

A presença de Lula na Argentina, o maior parceiro comercial do Brasil no Conesul, é, na realidade, um reencontro do líder brasileiro com os seus compromissos com a América do Sul como um todo. O desejo de pensar um projeto de desenvolvimento para o Brasil, que seja também uma oportunidade de mudanças estruturais em toda a região e o fortalecimento de parcerias econômicas e culturais.

O Brasil, como principal força econômica e política do continente, durante o governo de Bolsonaro, virou as costas para Argentina, para seus países vizinhos e aprofundou a subserviência aos interesses norte-americanos. No período mais crítico da pandemia, tratou com desprezo os irmãos sul-americanos, enquanto reafirmava, de forma permanente, sua sabujice e disposição de cumprir um papel de capitão do mato dos interesses dos EUA na região. Lula faz exatamente o contrário, abre os braços e reafirma de forma pública o seu entusiasmo em promover esse reencontro.

Lula foi recebido na Argentina como um chefe de estado, as manifestações de carinho de apreço e de afeto nos locais onde o líder político brasileiro circula, permitem com que ele agradeça a solidariedade do povo Argentino, principalmente dos trabalhadores e trabalhadoras, do governo de Alberto Fernández e Kirchner e de suas bancadas parlamentares, que sempre se manifestaram a seu favor no período em que foi perseguido pela Lava Jato e por setores da mídia tradicional.

Após sua viagem para a Europa, onde Lula demonstrou que o Brasil pode retomar seu espaço e protagonismo no cenário internacional, tão prejudicado a partir do golpe contra Dilma e pela desastrosa gestão de Bolsonaro, a presença de Lula na Argentina tem por objetivo mostrar que o projeto pensado para o Brasil não é individual. O projeto de Brasil pós-golpe e pós-Bolsonaro é pensado sob a ótica de fortalecimento regional e um intenso processo de mudanças estruturais na América do Sul.

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23
Nov21

Cristo sem teto

Talis Andrade

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O Papa Francisco presenteou a Arquidiocese do Rio de Janeiro com essa estátua chamada "Cristo Sem-Teto", exposta em frente à Catedral. Existem alguns exemplares dessa obra espalhadas pelo mundo, inclusive no Vaticano. Segundo o IPEA, o Brasil tem cerca de 101 mil moradores de rua, e 78% deles já sofreram ataques nas ruas.
15
Nov21

Mensagem do Papa aos pobres: “Entre vocês estão os santos escondidos"

Talis Andrade

 

 

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São Francisco

Mensagem do Papa Francisco por ocasião do 5° Dia Mundial dos Pobres

 

por Vatican News

A organização "Fratello" organizou meia hora de oração mundial em resposta ao paelo de fraternidade lançado pelo Santo Padre em Assis. Na ocasião o Papa fez uma saudação a todos os pobres:

“Como estou feliz por estar com vocês neste dia! Sinto-me muito próximo de todos; quero lembrar a cada um de vocês o quanto Deus nos ama, e o quanto Deus os ama. Sei que muitos de vocês estão passando por situações difíceis, muito difíceis, dolorosas e às vezes insuportáveis (…). Muitos de vocês estão sofrendo na prisão, nas favelas, em uma cama de hospital, nos bairros mais pobres, abandonados, isolados, e às vezes até sofrendo uma guerra, que não buscaram, que é imposta a vocês.  Alguns de vocês hoje não têm mais nada, não sabem se vão comer hoje à noite e onde vão dormir”.

Em seguida proferiu palavras de conforto: “É por isso que peço a Maria, que acolheu plenamente o Espírito Santo, que nos dê agora um pouco de paz, para nos proteger sob seu grande manto de ternura”.

Jesus veio pelos pobres

"A palavra ‘pobre’ - disse o Papa - pode escandalizar algumas pessoas. Mas vendo vocês, quero gritar ao mundo que a Igreja tem a Boa Nova: Jesus precisa de vocês para salvar o mundo, ele veio por nós pobres, os pequenos, os doentes, os feridos da vida, os amargurados, para nos encher com seu amor. Se nos reconhecemos como pobres, reconhecemos uma carência, então Deus pode cobrir essa carência”.

Tesouros da Igreja

O Papa recordou também que o Evangelho nos convida constantemente a sermos pobres: "É  mais fácil para um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que para um homem rico entrar no reino dos céus", e Jesus também nos diz: "Cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes! ". Assim como: "Quem acolhe este pequeno, este pobre, em meu nome, acolhe a mim". É por isso, disse o Papa que dizemos que “os pobres são o tesouro da Igreja”. 

“Abençoados sejam os pobres! Esta é a primeira bem-aventurança. Tornar-se pobre de coração é um convite radical a nos despojarmos do que temos, ou do que pensamos ter, de nosso pecado, para deixar Deus vir e nos encher de seu amor. Que o Senhor nos ajude a nos tornarmos muito pequenos, para que Ele seja grande em nós, grande!”. “Vinde, Espírito Santo! Sabemos que o que Deus escondeu dos sábios e dos espertos, Ele revelou aos pequenos. Mostre-nos sua presença doce e alegre. Amém”.

Depois da prece o Papa Francisco pede perdão:

“Peço seu perdão em nome de todos os cristãos que o magoaram, ignoraram e humilharam. Cada homem e cada mulher é o templo de Deus, você é o templo de Deus, você é o tesouro da Igreja. Seu lugar não é na porta das igrejas, mas no coração da Igreja. Saiba que você é o favorito de Deus. Entre vocês estão os santos escondidos”

E por fim o Papa concluiu:

“Eu os encorajo a amar Jesus cada vez mais, a adorá-Lo, Aquele que se faz tão pobre na Eucaristia, a rezar a Ele. Deem-lhe um lugar confortável, o melhor lugar, no estábulo de seus corações, para que ele possa nascer neles. Ser testemunhas de seu amor no mundo”.

13
Nov21

Papa Francisco: “É hora de devolver a palavra aos pobres”

Talis Andrade

São Francisco nas expressões artísticas - Comunidade Católica Shalom

 

Na manhã dessa sexta-feira, o Santo Padre Francisco presidiu o Encontro de Oração e Testemunhos em Assis, onde se encontrou com um grupo de 500 pobres provenientes de várias partes da Europa, para um momento de escuta e oração. O encontro ocorreu por ocasião do V Dia Mundial dos Pobres, que se celebra no domingo, 14 de novembro de 2021.

Ao chegar a Assis, antes de chegar em Santa Maria dos Anjos, o Santo Padre dirigiu-se ao Mosteiro de Santa Clara para um breve encontro com a comunidade das clarissas.

Chegando à Basílica de Santa Maria dos Anjos, o Santo Padre foi acolhido no adro por algumas autoridades. Depois, três pobres dirigiram palavras de boas-vindas e entregaram simbolicamente a capa e o bastão do Peregrino ao Papa Francisco, indicando que todos foram como peregrinos aos lugares de São Francisco para escutar a sua palavra.

Posteriormente, o Santo Padre entrou na basílica e foi à Porciúncula, onde parou para rezar por alguns minutos. Depois de vários testemunhos, o papa proferiu o seu discurso.

O sítio da Santa Sé publicou o discurso que o Santo Padre dirigiu aos presentes durante o encontro. A tradução é de Moisés Sbardelotto.Pin on Imagens Católicas

Discurso do Papa Francisco no encontro de oração e testemunhos em Assis

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Agradeço-lhes por terem aceito o meu convite – mas fui eu o convidado! – para celebrar aqui em Assis, na cidade de São Francisco, o quinto Dia Mundial dos Pobres, que ocorre depois de amanhã. É uma ideia que nasceu de vocês, cresceu e já chegamos à quinta [edição]. Assis não é uma cidade como outra qualquer: Assis traz impresso o rosto de São Francisco. Pensar que, entre estas estradas, ele viveu a sua juventude inquieta, recebeu o chamado a viver o Evangelho ao pé da letra é, para nós, uma lição fundamental. Certamente, em certo sentido, a sua santidade nos faz estremecer, porque parece impossível poder imitá-lo. Mas, depois, no momento em que lembramos alguns momentos da sua vida, aqueles “fioretti” que foram recolhidos para mostrar a beleza da sua vocação, sentimo-nos atraídos por essa simplicidade de coração e simplicidade de vida: é a própria atração de Cristo, do Evangelho. São fatos da vida que valem mais do que as pregações.

Gosto de recordar um deles, que expressa bem a personalidade do Pobrezinho (cf. Fioretti, cap. 13: Fonti Francescane, 1841-1842). Ele e o frei Masseo haviam se posto em viagem para chegar à França, mas não haviam levado provisões com eles. Em certo ponto, tiveram que começar a pedir caridade. Francisco foi para um lado, e o frei Masseo, para outro. Mas, como contam os Fioretti, Francisco era de estatura pequena e quem não o conhecia o considerava um “mendigo”; em vez disso, frei Masseo “era um homem grande e belo”. Foi assim que São Francisco mal conseguiu recolher alguns pedaços de pão duro e velho, enquanto o frei Masseo recolheu belos pedaços de pão bom.

Quando os dois se reencontraram, sentaram-se no chão e, em uma pedra, puseram o que haviam recolhido. Vendo os pedaços de pão recolhidos pelo frade, Francisco disse: “Frei Masseo, nós não somos dignos deste grande tesouro”. O frade, admirado, respondeu: “Padre Francisco, como é possível falar de tesouro onde há tanta pobreza e faltam até as coisas necessárias?”. Francisco respondeu: “É precisamente isso que considero um grande tesouro, porque não há nada, mas o que temos foi doado pela Providência que nos deu este pão”. Eis o ensinamento que São Francisco nos dá: saber se contentar com aquele pouco que temos e compartilhá-lo com os outros.

Estamos aqui na Porciúncula, uma das igrejas que São Francisco pensava em restaurar, depois que Jesus lhe pedira para “reparar a sua casa”. Então, ele nunca teria pensado que o Senhor lhe pediria para dar a sua vida para renovar não a igreja feita de pedras, mas a de pessoas, de homens e mulheres que são as pedras vivas da Igreja. E se nós estamos aqui hoje é justamente para aprender com aquilo que São Francisco fez.

Ele gostava de ficar muito tempo nesta igrejinha para rezar. Ele se recolhia aqui em silêncio e se colocava à escuta do Senhor, daquilo que Deus queria dele. Nós também viemos aqui para isto: queremos pedir ao Senhor que escute o nosso grito, que escute o nosso grito!, e venha em nosso auxílio. Não esqueçamos que a primeira marginalização que os pobres sofrem é a espiritual. Por exemplo, muitas pessoas e muitos jovens encontram um pouco de tempo para ajudar os pobres e levar-lhes comida e bebida quente. Isso é muito bom, e eu agradeço a Deus pela sua generosidade. Mas, acima de tudo, alegra-me quando ouço que esses voluntários param um pouco para conversar com as pessoas e às vezes rezam junto com elas... Pois bem, o fato de nos encontrarmos aqui, na Porciúncula, nos lembra a companhia do Senhor, que Ele não nunca nos deixa sozinhos, sempre nos acompanha em todos os momentos da nossa vida. O Senhor está conosco hoje. Ele nos acompanha, na escuta, na oração e nos testemunhos dados: é Ele, conosco.

Há outro fato importante: aqui na PorciúnculaSão Francisco acolheu Santa Clara, os primeiros frades e muitos pobres que vinham ao seu encontro. Com simplicidade, ele os recebia como irmãos e irmãs, compartilhando tudo com eles. Eis a expressão mais evangélica que somos chamados a assumir: a acolhida. Acolher significa abrir a porta, a porta da casa e a porta do coração, e permitir a quem bate que possa entrar. E que possa se sentir à vontade, não em sujeição, não, à vontade, livre.

Onde há um verdadeiro senso de fraternidade, vive-se aí também a experiência sincera da acolhida. Onde, ao invés disso, há o medo do outro, o desprezo pela sua vida, então nasce a rejeição ou, pior, a indiferença: aquele olhar para o outro lado. A acolhida gera o senso de comunidade; a rejeição, pelo contrário, fecha no próprio egoísmo.

Madre Teresa, que fizera da sua vida um serviço à acolhida, gostava de dizer: “Qual é a melhor acolhida? O sorriso". O sorriso. Compartilhar um sorriso com quem precisa faz bem a ambos, a mim e ao outro. O sorriso como expressão de simpatia, de ternura. E depois o sorriso envolve você, e você não poderá se afastar da pessoa a quem sorriu.

Agradeço-lhes porque vocês vieram até aqui de tantos países diferentes para viver esta experiência de encontro e de fé. Gostaria de agradecer a Deus que deu essa ideia do Dia dos Pobres. Uma ideia nascida de um modo um pouco estranha, em uma sacristia. Eu estava prestes a celebrar a missa, e um de vocês – chama-se Étienne – vocês o conhecem? É um enfant terrible –, Étienne me deu a sugestão: “Vamos fazer o Dia dos Pobres”. Eu saí e senti que o Espírito Santo, por dentro, me dizia para fazer isso. Foi assim que começou: a partir da coragem de um de vocês, que tem a coragem de levar as coisas adiante. Eu o agradeço pelo seu trabalho ao longo destes anos e pelo trabalho de muitos que o acompanham.

E gostaria de agradecer, desculpe-me, eminência, pela sua presença, cardeal [Barbarin]: ele está entre os pobres, ele também sofreu com dignidade a experiência da pobreza, do abandono, da desconfiança com dignidade. E ele se defendeu com o silêncio e a oração. Obrigado, cardeal Barbarin, pelo seu testemunho que edifica a Igreja.

Eu dizia que viemos nos encontrar: essa é a primeira coisa, isto é, ir um na direção do outro com o coração aberto e a mão estendida. Sabemos que cada um de nós precisa do outro e que até a fraqueza, se vivida juntos, pode se tornar uma força que melhora o mundo. Muitas vezes, a presença dos pobres é vista com incômodo e suportada; às vezes, ouve-se que os responsáveis pela pobreza são os pobres: um insulto a mais! A fim de não fazer um exame de consciência sério sobre os próprios atos, sobre a injustiça de algumas leis e medidas econômicas, um exame de consciência sobre a hipocrisia de quem quer enriquecer desmedidamente, joga-se a culpa sobre os ombros dos mais fracos.

Ao invés disso, é hora de devolver a palavra aos pobres, porque, por muito tempo, os seus pedidos não foram ouvidos. É hora de abrir os olhos para ver o estado de desigualdade em que vivem tantas famílias. É hora de arregaçar as mangas para restaurar a dignidade, criando postos de trabalho. É hora de voltar a se escandalizar diante da realidade de crianças famintas, reduzidas à escravidão, sacudidas pelas águas em meio ao naufrágio, vítimas inocentes de todo o tipo de violência. É hora de que cessem as violências contra as mulheres e de que elas sejam respeitadas e não tratadas como moeda de troca. É hora de romper o círculo da indiferença para voltar a descobrir a beleza do encontro e do diálogo. É hora de nos encontrarmos. É o momento do encontro. Se a humanidade, se nós, homens e mulheres, não aprendermos a nos encontrar, iremos rumo a um fim muito triste.

Escutei com atenção os seus testemunhos e lhes agradeço por tudo o que vocês manifestaram com coragem e sinceridade. Coragem, porque vocês quiseram compartilhá-los com todos nós, embora façam parte da sua vida pessoal; sinceridade, porque vocês se mostram assim como são e abrem o coração no desejo de serem entendidos.

Há algumas coisas de que eu gostei particularmente e que gostaria de retomar de alguma forma, para torná-las ainda mais minhas e deixar que elas se depositem no meu coração. Em primeiro lugar, senti um grande senso de esperança. A vida nem sempre foi indulgente com vocês, pelo contrário, muitas vezes lhes mostrou um rosto cruel. A marginalização, o sofrimento da doença e da solidão, a falta de muitos meios necessários não lhes impediu de olhar com olhos cheios de gratidão para as pequenas coisas que lhes permitiram resistir.

Resistir. Essa é a segunda impressão que eu recebi e que deriva precisamente da esperança. O que significa resistir? Ter a força para seguir em frente apesar de tudo, ir contra a corrente. Resistir não é uma ação passiva, pelo contrário, requer a coragem de trilhar um novo caminho sabendo que dará frutos. Resistir significa encontrar motivos para não se render diante das dificuldades, sabendo que não as vivemos sozinhos, mas juntos, e que somente juntos podemos superá-las. Resistir a toda tentação de desistir e de cair na solidão ou na tristeza. Resistir, agarrando-se à pequena ou pouca riqueza que possamos ter.

Penso na jovem do Afeganistão, com a sua frase lapidar: “O meu corpo está aqui, a minha alma está lá”. Resistir com a memória, hoje. Penso na mãe romena que falou no fim: dores, esperança, e não se vê a saída, mas a esperança forte nos filhos que a acompanham e que lhe devolvem a ternura que receberam dela.

Peçamos ao Senhor que nos ajude sempre a encontrar a serenidade e a alegria. Aqui, na PorciúnculaSão Francisco nos ensina a alegria que vem de olhar para quem está perto de nós como um companheiro de viagem, que nos entende e nos sustenta, assim como nós somos para ele ou para ela. Que este encontro abra o coração de todos nós para nos colocarmos à disposição uns dos outros; abrir o coração para tornar a nossa fraqueza uma força que ajude a continuar o caminho da vida, para transformar a nossa pobreza em riqueza a ser compartilhada e, assim, melhorar o mundo.

Dia dos Pobres: obrigado aos pobres que abrem o coração para nos dar a sua riqueza e curar o nosso coração ferido. Obrigado por essa coragem. Obrigado, Étienne, por ter sido dócil à inspiração do Espírito Santo. Obrigado por esses anos de trabalho; e também pela “teimosia” de trazer o papa a Assis! Obrigado! Obrigado, eminência, pelo seu apoio, pela sua ajuda a este movimento da Igreja – dizemos “movimento” porque se movem – e pelo seu testemunho. E obrigado a todos. Trago-os no meu coração. E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim, porque eu tenho minhas pobrezas, e muitas! Obrigado.

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