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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Out21

A resposta do senador Contarato ao ataque homofóbico de Fakhoury

Talis Andrade

 

Empresário bolsonarista, financiador de fake news, é confrontado por sua vítima na CPI da Covid-19

 
 
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Ao balançar a cabeça em sinal de nervosismo e cercado de advogados aflitos que se consultavam o tempo todo, o empresário Otávio Fakhoury, bolsonarista de raiz, recebeu do senador Fabiano Contarato (Rede-ES) a mais dura e comovente resposta que jamais ouviu até aqui quem já depôs na CPI da Covid-19.
 

Foi um discurso histórico de quase 10 minutos. Nas redes sociais, Fakhoury havia atacado o senador por ele ser casado com um homem. Ao referir-se a um post de Contarato, que continha um erro de digitação, o empresário investigado pelo Supremo Tribunal Federal escreveu em tom de deboche:

“O delegado, homossexual assumido, talvez estivesse pensando no perfume de alguma pessoa ali daquele plenário. Quem seria o ‘perfumado’ que lhe cativou?”.

 

01
Out21

A CPI, a impunidade e o nazismo

Talis Andrade

 

por Miguel Paiva /Jornalistas pela Democracia

Ou eles são muito burros ou realmente acham que nós somos burros e eles têm razão e, pior, vão ficar impunes. É impressionante o que assistimos principalmente nas sessões da CPI. Além dos senadores de sempre, os bolsonaristas que repetem a mesma lenga- lenga, temos os depoentes que chegam com menos ou mais arrogância à bancada como se estivessem fazendo um enorme favor ao país e àquelas pessoas ali sentadas à frente. Alguns perdem a arrogância e saem até com o rabo entre as pernas, mas outros usam e abusam do direito que o STF que eles querem destruir concedeu ou então transformam a bancada numa arena de circo para que eles possam exercer seus papéis de animais não domesticados, mas servis ao senhor deles. Triste espetáculo.

O que vimos na sessão do Sr. Luciano Hang foi patético. Acho que foi bom, que serviu à CPI para mostrar quem são as pessoas que fazem parte da entourage do presidente. Foi bom aquele figurino papagaiado e aquela empáfia de botequim. Os senadores precisam só aprender a não cair em tantas provocações. Até entendo que pode ser difícil, mas seria mais eficaz. No dia seguinte ao Hang vai o Fakhoury, figura conhecida do gabinete do ódio, financiador dos sites de fake news, negacionista, homofóbico e que se diz cristão e de família. Eles são todos assim. 

Apesar das respostas imediatas e um tanto quanto ingênuas dos senadores às colocações do depoente, também acho que funcionam. Os senadores e senadoras falam de amor, que um cristão como ele precisa falar de amor. Sim, aí está a ingenuidade em achar que eles estão preocupados com isso, mas é verdade. Não se vê o sentimento amor em nenhuma atitude que parta desse governo. Como não acredito em deus e sim no amor entre as pessoas isso me toca de perto. Sem amor, resta o conceito, no caso autoritário e ameaçador de deus, para manter a ordem unida. Esse deus que eles pregam é um deus estranho, um deus que serve aos interesses de quem prega justamente o contrário do que eles pregam.

Acho que por detrás desta história e de outras está o capitalismo, o bom e velho capitalismo na sua forma mais nefasta, o neoliberalismo. Não dá para dissociar este conceito econômico do autoritarismo político. Um precisa do outro para se manter de pé, porque sozinho, cai. Mas o capitalismo é como esse governo, não tem religião e nem sabe o que é o conceito de deus. No fim do dia eles se juntam para brindar à sobrevivência de seus valores.

Tem um documentário atualmente na Netflix chamado O Homem Mais Perigoso da Europa que mostra a trajetória do criminoso nazista Otto Skorzeny durante e depois da segunda guerra. Skorzeny fugiu para a Espanha e lá, obra do capitalismo, trabalhou como engenheiro e empreendedor, na construção das bases americanas no país. Todos amigos, franquistas, americanos e nazistas. Passa-se um pano e vamos em frente. 

Depois disso, pasmem, na crise entre Israel e Egito, segundo o documentário, Skorzeny foi secretamente contatado pelo Mossad, serviço secreto de Israel, para agir contra os egÍpcios e conseguiu. Skorzeny tinha uma fama enorme porque tinha sido o homem encarregado por Hitler, de quem compartilhava a amizade, para resgatar o outro ditador fascista Benito Mussolini que estava mantido como prisioneiro num hotel nas montanhas. Mesmo com os aliados bombardeando o país Skorzeny chefiou um comando nazista e levou Mussolini para os braços do patrão maior na Alemanha. 

E assim funcionava o mundo. Durante a guerra a Alemanha teve o aval da justiça do país para se manter. Depois da guerra o capitalismo unificou todas as diferenças responsável pela morte de milhões de pessoas sem se sensibilizar com isso e construiu mais bases para a solidificação dos seus princípios. No pós- guerra eram os aliados de um lado e os Soviéticos de outro. Era um pega pra capar e os nazista, é claro, preferiram ficar do lado de cá. E se deram bem. Skorzeny morreu em 1975 na Espanha reafirmando sua ideologia nazista.

Essas mesmas pessoas que hoje estão no poder aqui no Brasil e aquelas que os apoiaram para chegar lá, como fizeram os alemães para eleger Hitler. Sim, ele foi eleito. Aqui também os votos brancos e nulos se juntaram aos votos bolsonaristas com medo do PT porque realmente a esquerda e o PT querem o oposto disso tudo. Mas, essa parcela da população que fechou os olhos hoje os arregala diante das barbaridades que ajudou a construir. 

Repito, não sou cristão nem agnóstico. Sou ateu e só acredito na contingência cósmica e no feito mágico que nós conseguimos ao criar o amor para sobreviver.

Mas não podemos deixar de olhar pra trás e entender a História. Estão todos lá, os mocinhos e os bandidos e ainda há tempo para os bandidos irem presos e os mocinhos se abraçarem e festejarem no fim.

17
Jul21

Outro empresário bolsonarista na mira da CPI

Talis Andrade

 

por Altamiro Borges

Depois do fujão Carlos Wizard e do "Véio da Havan", mais um empresário bolsonarista está na mira da CPI do Genocídio. O site Metrópoles informa que a comissão deseja investigar o Instituto Força Brasil, uma sinistra entidade que tem como vice-presidente o picareta Otávio Fakhoury, acusado de financiar disparos de fake news em plena pandemia da Covid-19.

A proposta de apurar as sujeiras da ONG foi apresentada pelo vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). "Esse Instituto Força Brasil tem feito campanhas negacionistas em relação à pandemia, em relação às vacinas, e intermediou um negócio para uma vacina fake. Um golpe". A entidade teve as portas abertas no laranjal bolsonariano. 



O sinistro Instituto Força Brasil


Conforme lembra o site, “o representante da Davati Medica Supply, Cristiano Carvalho, afirmou, em depoimento, que em 12 de março teve uma reunião com o Ministério da Saúde para tratar da venda de vacinas. Ela teria sido mediada pelo reverendo Amilton de Paula, da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), e pelo coronel Hélcio Bruno, do Instituto Força Brasil”. 

Cristiano Carvalho chegou a afirmar que o advogado da entidade dirigida por Otávio Fakhoury foi buscá-lo no aeroporto e o levou a uma reunião anterior na sua sede. “O Instituto Força Brasil, a meu ver, foi o braço que a Senah utilizou para chegar frente a frente com [o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde] Elcio Franco”, afirmou o depoente. 
 
Além disso, conforme enfatiza o senador Randolfe Rodrigues, “os personagens desse instituto são investigados na CPMI das Fake News. Encontramos um meandro entre o papel das fake na pandemia e a atuação de alguns destes no apoio ao governo”. O ricaço bolsonarista Otávio Fakhoury também deve estar com nó nas tripas – como seu ídolo hospitalizado. 
 
Image
Defensor da ditadura militar e de armas


Vale recuperar um perfil traçado pelo jornal O Globo, em maio do ano passado, sobre o empresário fascista e bravateiro. Diz o jornal: 

“O investidor Otavio Fakhoury, 45 anos, trabalhou no mercado financeiro, foi sócio da Mauá Investimentos e hoje atua com um fundo próprio, que investe em imóveis. Colecionador de armas e frequentador de clubes de tiro, costuma chamar atenção até mesmo de seus pares conservadores pela defesa do período da ditadura militar, a quem atribui boa parte do desenvolvimento do país. Fakhoury se define como anticomunista, antiglobalista e apoiador voluntário de movimentos conservadores. Agitado e falante, costuma andar armado”. 

“É apontado como financiador do site conservador Crítica Nacional, editado por Paulo Eneas, que ao lado do Vista Pátria, de Allan Frutuoso, foram apontados pelo deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), que rompeu com Bolsonaro, como parte de um esquema que cria e replica campanhas de ódio ou difamação atribuídas ao chamado ‘gabinete do ódio’, comandado pelos filhos do presidente”.

 

12
Nov20

Abraji condena retaliação de procurador da República contra Aos Fatos

Talis Andrade

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Nesta quarta-feira (11.nov.2020), O procurador-chefe do Ministério Público Federal em Goiás, Ailton Benedito, divulgou em uma rede social que está movendo processo contra o site Aos Fatos. Além disso, estimulou outras pessoas a iniciarem ações semelhantes contra agências de checagem em geral. 

Souza informou estar movendo uma ação contra o site de checagens em um Juizado Especial Cível de Goiás, embora não tenha detalhado a qual processo se refere. Há uma ação em andamento, iniciada após o Aos Fatos ter citado o nome do procurador em uma reportagem de maio de 2020 sobre propagadores de informações falsas sobre cloroquina e hidroxicloroquina.

Pelo Twitter, o procurador sugere ainda que “vítimas” de agências de checagem acionem os Juizados Especiais Cíveis (JEC), criados para facilitar o acesso à Justiça, “sem a necessidade de advogado”.

Desde ontem, 10.nov.2020,  Aos Fatos vem sendo atacado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro depois de ter publicado que um terço dos tweets mais populares de bolsonaristas sobre as eleições norte-americanas continha desinformação.

A sugestão do procurador para que todos que se sentissem lesados por ter sido apontados como disseminadores de desinformação procurassem a justiça foi replicada pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e pelo deputado estadual Douglas Garcia (PTB-SP). 

O empresário Otávio Fakhoury, um dos principais suspeitos de financiar atos antidemocráticos em 2019, publicou ameaça semelhante na conta pessoal de Tai Nalon, diretora executiva do Aos Fatos. 

Levantamentos da Abraji mostram como essa tática de intimidação visa constranger profissionais de imprensa e se configura como uma afronta à liberdade de expressão. Organizações internacionais também alertaram sobre o aumento do assédio judicial contra jornalistas no Brasil.

A Abraji repudia a tentativa de intimidar jornalistas por meio de ações judiciais. É inaceitável que um representante do Ministério Público incentive de maneira irresponsável retaliações contra a imprensa fazendo uso dos Juizados Especiais Cíveis, pensados para causas de menor complexidade. Essa tática ameaça o exercício do jornalismo, colocando em risco os direitos fundamentais da sociedade à informação e à liberdade de pensamento e expressão.

Diretoria da Abraji, 11 de novembro de 2020.

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