Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Jun21

Rosa Weber diz que Gabinete Paralelo é fato "gravíssimo" ao manter quebra de sigilo de Wizard

Talis Andrade

Rosa Weber e Carlos Wizard

 

247 - A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Rosa Weber manteve as quebras de sigilo pela CPI da Covid do bilionário Carlos Wizard e do assessor internacional da Presidência da República Filipe Martins, ambos acusados de integrar o "Ministério da Saúde Paralelo".

Na decisão referente a Wizard, a ministra afirma: "A eventual existência de um Ministério da Saúde Paralelo, desvinculado da estrutura formal da Administração Pública, constitui fato gravíssimo que dificulta o exercício do controle dos atos do Poder Público", reporta a CNN Brasil. 

A ministra também negou nesta quarta-feira (16) um pedido para derrubar a quebra de sigilos fiscal e bancário da Associação Médicos pela Vida. 

Segundo ela, as manifestações da entidade em defesa de medicamentos como a cloroquina no "tratamento precoce" contra a Covid-19 pode ter causado “impacto negativo” no enfrentamento da pandemia, especialmente em razão da influência da entidade no governo federal.

"Se existe determinada atividade de natureza privada que, como visto, pode ter impactado o enfrentamento da pandemia, eventual ligação dessa entidade com o poder público propiciará, em abstrato, campo lícito para o desenvolvimento das atividades de investigação", afirmou, conforme reportado no Globo. 

wizar.jpg

CPI quebra sigilo de sócios das empresas produtoras de cloroquina e ivermectina e de Carlos Wizard

 

A CPI da Covid determinou a quebra dos sigilos telefônico e bancário dos representantes de duas farmacêuticas que produzem cloroquina e ivermectina e da Precisa Medicamentos, empresa que mediou a venda da vacina indiana Covaxin ao Brasil. Os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito levantaram os sigilos de Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos; de Renato Spallicci e Renata Spallicci, presidente e diretora da Apsen, respectivamente, e de José Alves Filho, sócio da Vitamedic. A CPI também aprovou a quebra dos sigilos telefônico e bancário do empresário Carlos Wizard, acusado de ser um dos financiadores da disseminação do "tratamento precoce" contra a Covid-19.

Senadores da CPI suspeitam que Jair Bolsonaro tenha trabalhado pessoalmente para favorecer a Apsen, a Vitamedic e a Precisa Medicamentos. Emails do Ministério das Relações Exteriores também mostraram que o governo federal atuou para a Índia liberar o IFA da cloroquina para as empresas brasileiras.

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse, ainda, haver documentos que provam a atuação pessoal de Bolsonaro em favor da vacina indiana.

Sobre a Vitamec, que detém 80% do mercado de ivermectina, a empresa dobrou seu faturamento, segundo a CPI, após Bolsonaro ter incentivado o uso do medicamento, que, assim como a cloroquina, não tem comprovação científica para o tratamento de pessoas diagnosticadas com a Covid-19. 

Confira "PowerPoint" exibido na CPI do Genocídio com organograma do "gabinete  paralelo" do governo Bolsonaro | Revista Fórum

04
Jun21

Exclusivo: vídeos mostram “ministério paralelo” orientando Bolsonaro contra vacinas

Talis Andrade

Reunião de Jair Bolsonaro com médicos, na qual ouve ressalvas às vacinas; na mesa, Osmar Terra ao lado de Bolsonaro, com o virologista Paolo Zanoto sentado à direita, na foto, de camisa cinza e cabelos longos

Imagens trazem o virologista Paolo Zanoto, a imunologista Nise Yamaguchi e o deputado federal Osmar Terra em reunião com o presidente

 
 
 

Imagens obtidas pelo Metrópoles mostram o aconselhamento do chamado “ministério paralelo” sendo feito diretamente ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) – com trechos explícitos de ressalvas à aplicação de vacinas. Trechos de uma reunião, ocorrida em 8 de setembro, também confirmam que Arthur Weintraub intermediava os contatos entre o grupo e o Palácio do Planalto.

Entre os participantes do encontro, estão a imunologista Nise Yamaguchi, o deputado Osmar Terra, o virologista Paolo Zanoto e outros médicos de diversas especialidades. Confinados em uma sala de reuniões do Planalto, nenhum dos profissionais usa máscara.

As imagens também apontam Osmar Terra como o cacique intelectual do grupo. “Uma honra trabalhar com o senhor neste período” afirmou Nise Yamaguchi ao deputado. Na CPI da Covid, ela negou a existência de um gabinete paralelo, e disse que prestava apenas “aconselhamento”.Reunião de Jair Bolsonaro com médicos, em 8 de setembro de 2020; na foto, imunologista Nise Yamaguchi está no microfone

Nise Yamaguchi discursando no Ministério da Morte

 

Tratado com deferência especial, o virologista Paolo Zanoto parece ter intimidade com Bolsonaro. O presidente faz questão de que ele saia da plateia e se sente ao seu lado. Para cumprimentá-lo, o presidente da República bate continência.

Na ocasião, Zanoto aconselha Bolsonaro a tomar “extremo cuidado” com as vacinas contra a Covid-19. “Não tem condição de qualquer vacina estar realisticamente na fase 3”, diz. Na data do encontro, e-mails da Pfizer estavam sem resposta nos computadores do Ministério da Saúde.

A orientação antivacina prossegue. “Com todo respeito, eu acho que a gente tem que ter vacina, ou talvez não”, afirma o virologista, enquanto uma médica balança a cabeça de forma negativa. Ele baseia sua argumentação em um suposto problema dos coronavírus no desenvolvimento vacinal, sem apresentar qualquer evidência.

Veja vídeo aquiReunião de Jair Bolsonaro com médicos, em 8 de setembro de 2020; na foto, Osmar Terra está entre o presidente e o virologista Paolo ZanotoZanoto, sem paletó, na mesa diretora do ministério da morte, do Brasil sem vacinas, da imunidade de rebanho

 

Zanoto deu uma série de entrevistas durante a pandemia avaliando que não seria “uma boa ideia” fazer vacinação em massa no Brasil. Em 8 de dezembro de 2020, por exemplo, em programa da RedeTV, o profissional, formado em biologia na USP e com doutorado em virologia em Oxford, sustenta:

Aqui no caso do Covid-19, do Sars-CoV-2, isso é um vírus que causa muito mais mortalidade em grupos etariamente bem definidos e com comorbidades. Então é óbvio que, se você tem uma função, uma distribuição de risco, deveria ser também uma distribuição de risco associada com, digamos assim, um incentivo a essas pessoas se vacinarem. Por outro lado, vacinar em massa todo mundo não é uma boa ideia, porque a gente não tem uma ideia muito boa de tudo o que acontece com essas vacinas, pois elas não foram desenvolvidas em prazo razoável para se estimar efeitos adversos de baixíssima frequência.”

As imagens também confirmam algo que o Metrópoles revelou na semana passada. O ex-assessor especial da presidência Arthur Weintraub fazia a ponte entre o “ministério paralelo” e Bolsonaro. Zanoto diz que encaminhou a Weintraub a sugestão do que ele chama de “shadow board”, um grupo de supostos especialistas em vacinas para aconselhar o governo sobre o tema.

Na sua vez de falar, o presidente Jair Bolsonaro reforça a retórica antivacina. Ele revela que vetou uma lei que estipulava celeridade da Anvisa na aprovação de fármacos.

“O projeto foi aprovado na Câmara e eu vetei o dispositivo. O veto foi derrubado depois, o que dizia? O que chegasse aqui para combater o coronavírus, a Anvisa tinha 72 horas para liberar [na verdade, o prazo era de 5 dias]. Se não liberasse, haveria aprovação tácita. Eu perguntei: ‘Até vacina? Até vacina.’”

O presidente também expressou desconfiança sobre imunizantes já aprovados no exterior. “Mesmo tendo aprovação científica lá fora, tem umas etapas para serem cumpridas aqui. Você não pode injetar qualquer coisa nas pessoas, muito menos obrigar”, disse, enquanto uma médica reagia com as mãos aos céus e agradecia a Deus.

A atuação de Osmar Terra como uma espécie de “ministro” do gabinete paralelo é explicitada quando ele apresenta a Bolsonaro um cardiologista que seria o primeiro a dizer que não existe risco ao coração no uso da hidroxicloroquina. Bolsonaro endossa a tese com um suposto exemplo de “um amigo” e lança a teoria de que os riscos do medicamento são potencializados para amedrontar as pessoas. “Provavelmente por ser um remédio muito barato”, completa.

Naquele 8 de setembro do ano passado, o Brasil tinha 127.517 mortes por Covid-19 confirmadas, e 4.165.124 casos registrados. Nesta sexta-feira (4/6), o país soma 469.388 vidas perdidas para a doença, e 16.803.472 contaminados. 

A imunidade pretendida não é pela vacina, mas pela contaminação, que tem o preço alto de milhares de mortes, ou milhões. O quê Bolsonaro e o ministério paralelo entendem que seja imunidade de rebanho

 

24
Fev21

Saiba quem está por trás do "informe publicitário" negacionista e pró-cloroquina em jornais

Talis Andrade

nero bolsonaro cloroquina.jpg

 

Entre os 70 profissionais que constam no site da associação Médicos Pela Vida, que assina a publicação de um anúncio pró-cloroquina, de teor negacionista e anticientífico sobre a Covid-19 , estão alunos do “guru” do bolsonarismo Olavo de Carvalho

 
 

O CNPJ apresentado no pé do anúncio conduz à Associação Dignidade Médica de Pernambuco (ADM/PE), inaugurada em dezembro de 2013. O presidente é Antonio Jordão de Oliveira Neto, conhecido por liderar a publicação, em maio, de um tratamento “pré-hospitalar” contra a covid-19, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O protocolo tem 39 páginas, e as palavras cloroquina e hidroxicloroquina aparecem 46 vezes no documento. Medicamentos à base dessas substâncias não têm eficácia comprovada contra o novo coronavírus e não devem ser usados em nenhuma etapa do tratamento devido aos possíveis efeitos colaterais.

O grupo, que geralmente aparece ao público sob o nome Médicos Pela Vida, reuniu-se com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em setembro de 2020, sem a presença de Eduardo Pazuello, ministro da Saúde. O ex-deputado federal e ex-ministro Osmar Terra (MDB-RS) intermediou o encontro e falou como membro da associação em defesa da hidroxicloroquina.

Em entrevista à jornalista Leda Nagle, a anestesiologista Luciana Cruz afirmou à epoca que o “movimento” teria “próximo de 10 mil médicos”.

O site da associação não informa o número total de filiados, mas apresenta uma lista de 70 membros que ofereceriam “tratamento precoce” contra a covid – expressão incorreta e de uso inadequado.

Entre os 70 profissionais que constam no site da associação, estão alunos do “guru” do bolsonarismo Olavo de Carvalho, como o médico Carlos Eduardo Nazareth Nigro, de Taubaté (SP). Durante a pandemia, ele se tornou conhecido no Facebook e em grupos conservadores no Whatsapp por fazer postagens contra o isolamento social e a vacinação.

veja olavo de carvalho.jpg

 

Nigro é citado como referência em uma das notícias falsas mais difundidas sobre a covid, publicada pelo site Estudos Nacionais. O texto afirma que o uso de máscaras é prejudicial à saúde, não reduz o risco de contágio e tem como único objetivo instaurar o pânico. A informação não procede.

olavo decarvalhoeder.jpg

 

O negacionismo sobre as medidas de biossegurança na pandemia e o uso frequente das redes sociais são características comuns a quase todos os nomes da lista. Wilse Segamarchi, outra integrante da associação, assina textos com informações já desmentidas pelas principais revistas científicas do mundo e se refere ao Sars-CoV-2 como “vírus chinês”. A OMS não tem comprovação de que a pandemia começou em Wuhan, na China.

DerrotadosUm dia depois de se recuperar de covid-19, Osmar Terra volta a criticar OMS  | Poder360

Osmar Terra não é a única pessoa próxima ao governo Bolsonaro que integra o grupo. O médico defensor da cloroquina Luciano Dias Azevedo, que consta na lista da associação, foi nomeado por Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, para o Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em junho do ano passado.

Annelise Meneguesso, que também faz parte do Médicos pela Vida, foi candidata a vice-prefeita de Campina Grande (PB) pelo PSL em 2020. A chapa em que ela concorreu ficou em quarto lugar no pleito.

A associação reúne outros candidatos derrotados nas eleições 2020, como o médico Gustavo Rosas (PROS), que concorria como vice de Jorge Federal (PSL) em Olinda (PE) e também ficou em quarto.

Jandir de Oliveira Loureiro Junior (PROS), um dos membros da associação mais ativos nas redes sociais, recebeu apenas 27 votos e não foi eleito vereador em 2020 no município de Rio Bonito (RJ). Suas últimas postagens no Facebook são em defesa do deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL), preso este mês por atentar contra a democracia.

A lista também inclui médicos que levaram “puxões de orelha” de autoridades locais por propagarem informações falsas durante a pandemia. É o caso de Blancard Torres. Em 9 de setembro de 2020, o Conselho Estadual de Saúde de Pernambuco (CES/PE) fez uma nota de repúdio à participação do profissional em evento com Bolsonaro e disse ver “com muita preocupação a defesa do médico sobre a profilaxia em pacientes contaminados pelo novo coronavírus, pois não há até agora, nenhuma evidência científica atestando a eficiência desta droga na cura desta doença.”

Repúdio à veiculação

Artistas publicaram na manhã desta quarta-feira (24) uma carta em repúdio à publicação do anúncio com informações falsas sobre a pandemia que já matou mais de 248 mil brasileiros.

Confira:

O coletivo 342Artes  repudia os “informes publicitários” de conteúdo negacionista, recentemente publicados nos jornais  @folha (SP), @JornalOGlobo (RJ), @jc_pe (PE), @em_com (MG), @correio (DF), @correio24horas (BA), @opovoonline (CE), @gzhdigital (RS). A sociedade civil brasileira sofre com um governo sem qualquer planejamento para a pandemia e suas  consequências sanitárias, sociais e econômicas são catastróficas. O anúncio, que prega o negacionismo, foi pago pela Associação Médicos pela Vida e enaltece o uso antecipado de medicamentos como a cloroquina para curar pacientes infectados pela Covid-19.

Esta indicação contraria a orientação da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI ) que está alinhada com as recomendações de sociedades médicas científicas e outros organismos sanitários nacionais e internacionais, como a Sociedade de Infectologia dos EUA (IDSA) e a da Europa (ESCMID), Centros Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde do Brasil (ANVISA).

É um descalabro que veículos de imprensa em um período tão grave como passa o Brasil, vejam o lucro acima de tudo. Como disse Maria Bethânia precisamos de: vacina, respeito, verdade e misericórdia.

Assinam a carta:

Mari Stockler
Paula Lavigne
Bel Coelho
Carla Nieto Vidal
Sandro Vinícius Couto
Marco Aurélio De Carvalho
Daniela Thomas
Luciana Costa
Marina Dias
Paula Amaral
Ian Black
Douglas Belchior
Magda Gomes
Tainá Marajoara
Deborah Osborn
Caetano Scannavino
Carla Guagliardi
Paulo Machline

Joana Mariani
Beth Ritto
Celso Curi
Pedro Coutinho
Ná Ozzetti
Larissa Bombardi
Carlos Rittl
Marco Mattoli
Fabiano Silva dos Santos
Kakay
Karla Ricco
Afonso Borges
Márcio Toledo
Juca Kfouri
Maria Edina O Carvalho Portinari
João Candido Portinari
Hugo Leonardo
Suely Rolnik
Maneco Muller

Carlos Gradim
Mara Fainziliber
Carlito Carvalhosa
Astrid Fontenelle
Paulo Sergio Duarte
Maureen Santos
Daisy Perelmutter
Caze Pecini
Noemi Jaffe
Edson Leite
Susana Jeha
Marcus Vinicius Ribeiro
Muriel Matalon
Domingos Pascali
Caetano Veloso
Helena Bagnoli
Juliana Souza
Toni Vanzolini
Claudelice Santos
Rico Lins
Lia Rodrigues
Sara Grosseman Venosa
Zilda Moschkovich

Lia Rodrigues
Guilherme Aranha Coelho
Fernanda Barbara
Marcia Fortes
Eduardo Ortega
Augusto de Arruda Botelho
Paula Signorelli
Caio Mariano
Lisette Lagnado
Márcio Rolo
Rosângela Rennó

Natalia Pasternak, PhD 
@TaschnerNatalia
Reconhecimento de um bom trabalho! e o melhor foi receber a notícia do próprio juiz ! Parabéns Eugenio pelo trabalho e pela coragem. que outros sigam seu exemplo.
Justiça determina a suspensão do "kit covid" em Porto Alegre | Brasil de Fato
Conforme destaca a decisão, até o momento o tratamento precoce não tem suporte em evidências científicas robustas e assentadas em pesquisas clínicas conclusivas sobre a sua eficácia
brasildefators.com.br
18
Jan21

“Me dá uma cloroquina aí, bagual… “

Talis Andrade

comunismo.jpg

 

 

por Fernando Brito

- - -

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, é um campeão.

Devia ganhar o Troféu Osmar Terra de negacionismo , acumulado com o Prêmio Eduardo Pazuello de puxassaquismo santário.

A esta altura, quando o charlatanismo presidencial não consegue nenhum adepto capaz de passar por um hospício e por lá ficar, o prefeito pediu ao Governo Federal 25 mil doses de hidroxicloroquina, 60 mil de azitromicina e outras 25 mil unidades do vermífugo Ivermectina.

Todos, claro, descartados pela comunidade científica e, agora, até pela Anvisa, como o tal “tratamento precoce” para a Covid-19.

Desconhece-se se, por razões regionais, o prefeito deixou de pedir também cilindros de ozônio para aplicação retal, como preconizado pelo seu colega prefeito (de Itajaí) e de MDB, Volnei Morastoni.

O caso foi parar na Justiça e ainda assim Melo insiste em fazer o “agrado” ao presidente, de olho em que este “amor sincero” renda recursos federais para a sua administração.

À custa, é claro, da saúde e do dinheiro da população.

homemaranha x nazista porto alegre.jpg

 

08
Ago20

Brasil tem 100 mil mortos por covid-19: uma tragédia anunciada

Talis Andrade

milcheque.jpg

 

 

À época da primeira morte, em março, doença já havia provocado devastação em países como a Itália. Mesmo assim, governo Bolsonaro preferiu desprezar riscos, lançando o país numa aventura que só poderia acabar mal

 

por Jean-Philip Struck / Deutsche Welle

- - -

Menos de seis meses depois de registrar oficialmente sua primeira morte por covid-19, o Brasil ultrapassou neste sábado (08/08) a marca de 100 mil óbitos pela doença. Foram mais 905 mortes registradas nas últimas 24 horas, elevando o total para 100.477, segundo dados Ministério da Saúde. No mesmo dia, o país ainda cruzou a marca de 3 milhões de casos identificados da doença, com o registro de quase 50 mil novas infecções.

Contudo, especialistas e instituições de saúde alertam que os números reais de casos e mortes devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação.

Mas mesmo os números oficiais já representam um dos maiores desastres sanitários da história brasileira. Desde a morte do primeiro paciente por covid-19 – uma mulher de 57 anos em São Paulo, em 12 de março – é como se metade da população de Itajaí (SC) tivesse desaparecido. Em poucos meses, a covid-19 matou no Brasil praticamente o mesmo número de pessoas que a tuberculose vitimou no país em mais de duas décadas.

Desde maio, o país vem registrando com regularidade cerca de mil mortes por dia. Em meados de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que a epidemia no Brasil seguia em expansão, mas que seu crescimento parecia ao menos ter estabilizado e chegado a um platô. Ainda assim, trata-se de uma estabilização com altos números de mortes e de novos casos, que ainda não começaram a baixar.

Segundo a OMS, aquele seria o momento de iniciar esforços para derrubar esses índices e finalmente controlar a doença. No entanto, não há nenhum sinal de que haja vontade política para que isso ocorra em breve. É como se essa rotina de centenas de mortes diárias tivesse sido incorporada ao cotidiano.

Na quinta-feira, dois dias antes da marca de 100 mil mortos ter sido cruzada, o presidente Jair Bolsonaro mais uma vez mostrou que seu governo se resignou com os números. "A gente lamenta todas as mortes, vamos chegar a 100 mil, mas vamos tocar a vida e se safar desse problema", disse.

Não é um comportamento muito diferente daquele que o presidente adotou em março, quando o país registrou oficialmente sua primeira morte por covid-19. Em seis meses, o presidente intercalou minimização do perigo, indiferença, zombaria, desprezo, sabotagem das medidas de isolamento social, propaganda de remédios sem comprovação científica e disseminação de notícias falsas.

Apenas um país acumula mais mortes e casos do que o Brasil: os EUA, também governados por um líder populista, Donald Trump, a quem o presidente brasileiro emula, seja na inação, no negacionismo e na promoção de remédios "milagrosos", seja nos ataques a organismos internacionais.

Previsões erradas e desprezo pelo isolamento

Em 22 de março, Bolsonaro disse que o número de mortes por coronavírus no Brasil não ultrapassaria os 800 óbitos pela gripe H1N1 em 2019. À época, a doença já avançava com força em países como a Itália, que já registrava mais de 600 mortes por dia. Dois dias depois, seria a vez de Bolsonaro chamar pela primeira vez a covid-19 de "gripezinha” e estabelecer o padrão de minimização da doença pelo seu governo.

Meses depois, dois ministros que tentaram aplicar medidas para conter a doença foram forçados a sair, e o país segue sem um titular da Saúde desde meados de maio. A União parece ter desistido há muito tempo de tentar implementar uma política nacional de enfrentamento da doença em colaboração com estados e munícipios. No final de julho, relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que o Ministério da Saúde havia gastado somente 29% do dinheiro que recebera para as ações de combate ao coronavírus.

Diante desse quadro, o governo federal tem preferido transferir o fracasso do combate ao coronavírus para a conta dos governadores e prefeitos, que já haviam sido alvos de ataques do presidente à época da imposição das primeiras medidas de isolamento, em março. 

Entre as autoridades municipais e estaduais, muitas também sucumbiram à pressão incentivada por Bolsonaro e vêm implementando políticas erráticas de flexibilização do isolamento, mesmo com os casos continuando a aumentar, facilitando ainda mais a propagação do vírus. Os governos também têm falhado em ampliar o número de testes e rastrear doentes e seus contatos. Outros políticos, como o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, são suspeitos de simplesmente desviarem recursos destinados ao combate à doença. Assim, velhas mazelas brasileiras, como a corrupção e a ineficiência de autoridades, amplificaram o perigo.

Com esse vácuo na liderança, tornaram-se comuns cenas de multidões nas grandes cidades brasileiras, com pessoas agindo como se o pior já tivesse passado. Outras se refugiam no negacionismo, repetindo mentiras propagadas por redes de apoio ao governo, entre elas a de que o número de mortes estaria sendo inflado artificialmente por prefeitos sedentos por recursos.

Considerando como a ação política contra o vírus se desenvolveu nos últimos meses, não é exagero afirmar que esse marca de 100 mil mortes era uma tragédia anunciada.

Maus exemplos e negacionismo

O Brasil teve inicialmente a vantagem de ter sido atingido pela pandemia semanas depois de várias nações europeias, o que poderia ter proporcionado mais tempo para se preparar.

Mas em vez de olhar para casos bem-sucedidos, como a Alemanha ou a Nova Zelândia, a liderança do país preferiu justificar sua inação elogiando os modelos de países como o Reino Unido e a Suécia, que inicialmente evitaram adotar medidas amplas de isolamento. As duas nações continuaram a ser elogiadas mesmo após a explosão dos seus índices de casos e mortes.

O governo Bolsonaro chegou até mesmo a copiar uma malfadada campanha lançada em fevereiro na cidade de Milão e que pregou a reabertura do comércio poucos antes da explosão no número de mortes no norte da Itália. 

E quando os casos começaram a se acumular, o governo federal, além de estimular a boataria sobre números inflados, ainda adotou uma postura "otimista" sobre a crise, preferindo propagandear um "número de curados" da doença, minimizando a contagem de mortos e não procurando saber se os que se livraram da doença não ficaram com sequelas. "O Brasil tem o maior número de curados", alardeou um cínico "Painel da Vida" do governo na primeira vez em que o país registrou mais de mil mortos num dia.

No início de junho, esse comportamento se tornou mais extremo quando o Ministério da Saúde, agora com um general interinamente no comando – mas na prática sob o controle total de Bolsonaro – passou a esconder os números da pandemia. A medida só foi revertida dias depois por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), mas levou o Brasil a se juntar, mesmo que por um breve período, a países autoritários como o Irã e o Uzbequistão, que sistematicamente escondem seus números.

Com os militares ocupando todos os postos-chave do ministério e obedecendo Bolsonaro sem questionamentos, o comando da pasta abandonou ainda a defesa do distanciamento social. O general Eduardo Pazuello, que comanda a pasta interinamente, ainda tentou emplacar amadores para alguns cargos, como o criador de um curso de inglês, que desistiu após conceder uma entrevista catastrófica. O general foi mais bem-sucedido ao arrumar um posto para uma amiga de décadas em Pernambuco. Durante a gestão interina de Pazuello, iniciada em 15 de maio, o país registrou mais de 84 mil mortes por covid-19 e de 2,6 milhões de casos.

A pandemia como arma política

O governo Bolsonaro ainda instrumentalizou a pandemia para promover sua agenda extremista. Em vez de tratar a doença como um problema sanitário, ela se tornou mais uma frente da "guerra cultural" do bolsonarismo. É o principal símbolo dessa tática é a hidroxicloroquina, um remédio contra a malária, que foi inicialmente promovida em círculos radicais de direita na internet e pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Transformada em arma política, a cloroquina não demonstrou sucesso contra a covid-19 em estudos pelo mundo. Mas a falta de comprovação científica não inibiu Bolsonaro. No dia 29 de março, ele afirmou que a droga seria uma "cura". "Deus é brasileiro, a cura tá aí", disse. "Está dando certo em tudo que é lugar." Meses depois, ele ergueria uma caixinha do remédio como se fosse uma hóstia para um grupo de apoiadores.

Para Bolsonaro, a existência de um suposto tratamento eficaz se encaixa na sua estratégia de instar os brasileiros a voltar ao trabalho, propagandeando que a doença poderia ser facilmente tratada com um fármaco barato no caso de uma infecção. Mas a entrada em cena do remédio também permitiu que seus apoiadores e seu círculo radical rotulassem os críticos da estratégia do governo como "torcedores do vírus” e desviassem o foco sobre a falta de ações efetivas do Planalto, como se o avanço dos casos e mortes fosse culpa dos céticos da cloroquina.

Nenhuma mudança de rumo à vista

O desleixo do governo federal se reflete até mesmo dentro do Palácio do Planalto, que virou um local de surto do vírus, com 70 casos registrados entre servidores em julho. Oito ministros já foram infectados, além do casal presidencial.

Nesta semana surgiu mais um sinal de como o Ministério da Saúde – que atualmente tem o Exército como sócio – continua a encarar a pandemia.

Na segunda-feira, a agenda do ministro interino tinha apenas duas audiências. A primeira era um encontro com defensores de aplicação de ozônio pelo ânus para tratar covid-19 – prática sem nenhuma comprovação e que foi ridicularizada após o prefeito de Itajaí defender sua adoção.

O segundo item da agenda: uma visita do deputado Osmar Terra (MDB-RS), um notório negacionista da pandemia, difusor de fake news sobre a doença e que conspirou para derrubar o primeiro ministro da Saúde de Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta. Terra já afirmou, entre outras coisas, que a epidemia no Brasil terminaria em abril (depois atualizou a previsão para junho) e que apenas 2 mil pessoas morreriam de covid-19 no país.

capa-jornal-expresso-da-informacao-08ag.jpg

capa-jornal-extra-08ag.jpg

jornal-meia-hora-08ag.jpg

jornal-o-estado-de-sao-paulo-08ag.jpg

jornal-o-globo-08ag.jpg

jornal-o-povo-08ag.jpg

Image

28
Jul20

Uso de “hidroxicloroquina com azitromicina tem alto risco cardíaco comprovado”

Talis Andrade

 

isolamento.jpg

 

“A alternativa ao isolamento é muito mais gente morrer, não tem outra”

Marina Amaral entrevista Natália Pasternak

 

Agência Pública - A Fiocruz lançou uma nota técnica alertando para a contra indicação para o uso de hidroxicloroquina ou de cloroquina com azitromicina, que é exatamente o que já está sendo prescrito em hospitais com ensaios clínicos registrados ou não. Isso representa um risco para a população?

Sim, porque há um risco cardíaco aumentado. Tanto a hidroxicloroquina como a azitromicina aumentam o risco de arritmia. E essas arritmias são sérias, podem levar até a uma parada cardíaca. Foi isso que o pessoal da Fiocruz de Manaus, do Instituto de Medicina Tropical, observou. Eles fizeram um trabalho comparando doses diferentes, no caso eles usaram cloroquina e azitromicina, e viram que aumentava o risco cardíaco – tiveram até que interromper o estudo no meio porque o grupo que estava com a dose mais alta apresentou muita alteração cardíaca.

Tem vários outros estudos que estão saindo pelo mundo que estão mostrando também o risco dessa combinação de hidroxicloroquina e azitromicina. A gente tem um hospital em Nice (França) que parou de usar essa combinação porque, acompanhando os pacientes com eletrocardiograma várias vezes por dia, eles perceberam a arritmia e pararam de usar esses medicamentos. A mesma coisa aconteceu na Suécia e em um hospital em Michigan. Agora, é importante destacar que eles estavam acompanhando os pacientes com eletrocardiograma, por isso perceberam as alterações e pararam de usar. Por acaso a gente tem no SUS condição de monitorar todos os pacientes com eletrocardiograma 2, 3 vezes por dia pra ver se está tendo arritmia? No Einstein talvez eles possam fazer mas e no SUS?

Eu acho bastante complicado.

 

Também está sendo muito usado na rede Prevent Senior que atende muitos idosos.

Sim. E o protocolo da Prevent Senior não é hospitalar. O protocolo deles é atendimento por telemedicina e eles mandam entregar os medicamentos na casa da pessoa: hidroxicloroquina + azitromicina. Daí, eu fico com mais medo ainda. Imagina o idoso, recebe o remédio em casa, vai tomar sozinho, com acompanhamento só por telefone, e ele tem uma parada cardíaca!

 

Perdeu a chance de se recuperar. Porque outro ponto que eu queria destacar é exatamente a alta probabilidade de cura da doença.

Sim! É incômoda, é difícil, mesmo as pessoas que têm sintomas e não são hospitalizadas falam que é complicado, é uma doença bem debilitante. Mas a grande maioria se recupera. E a gente começar a dar esse remédio, que tem esse risco cardíaco, e se a gente estiver realmente atrapalhando em vez de ajudar? Não é algo inócuo, não é uma coisa que você possa falar ‘se não deu certo, não deu’. Pode atrapalhar, tem um risco ali, principalmente usando essa combinação.

 

Por que então insistir nessa combinação?

Olha, eu já ouvi vários argumentos. Do tipo ‘danem-se os efeitos colaterais o que importa é salvar a vida do paciente’, como se isso também estivesse comprovado, ou que ‘nós estamos em guerra então vale tudo’, até que se não der nada, ‘o paciente vai morrer de qualquer jeito’. Basicamente acho que as pessoas estão confundindo muito e pensando: ‘pegou coronavírus o jeito é tomar cloroquina ou morrer’. E isso não é verdade. Primeiro que o coronavírus não é uma sentença de morte, tem 90% de taxa de cura; depois, até agora, a cloroquina não salvou ninguém. As pessoas falam ‘tá todo mundo usando, está salvando vidas’. Justamente, está todo mundo usando. Vocês não acham que se estivesse salvando vidas a gente estaria vendo? Por exemplo, quando se percebeu que os marinheiros que comiam frutas cítricas não tinham escorbuto, isso era tão evidente que não precisava fazer teste clínico. O efeito era tão claro que mesmo no século 18 eles perceberam. Se a cloroquina fosse assim a gente ia perceber!

 

E por que essa pressão política para o uso da cloroquina?

Essa não é minha área, minha área é ciência, tudo que eu disser aqui é um belo dum palpite. Mas pelo que observo, com essa pressão do governo para a volta ao trabalho, poder dizer que existe um remédio facilita muito esse discurso. Mas é um discurso muito perigoso, que dá uma falsa sensação de segurança para as pessoas. A gente tem um presidente falando ‘é só uma gripezinha e tem remédio’, o pessoal fica pensando ‘por que não vou voltar pro trabalho então? É só tomar o remédio, tem 100% de cura, por que eu tenho que ficar em casa?” Tenho muito medo disso.

 

O Bolsonaro fez várias declarações, chegou a dizer que poderia ter tido o vírus e agora estaria imunizado, e que o melhor seria que 60, 70% da população fosse imunizada pelo contágio. O que aconteceria se a gente liberasse os mais jovens para trabalhar, por exemplo?

O que aconteceria é que ia morrer um monte de gente e o resto ia ficar imunizado. O problema é o monte de gente que ia morrer de uma vez. O que o Bolsonaro falou é muito parecido com o que disse o Boris Johnson na Inglaterra, mas o conceito da imunidade de rebanho está distorcido na cabeça dos dois líderes. Quando uma grande parte da população fica infectada e desenvolve anticorpos, a gente de fato atinge a imunidade de rebanho. A gente atinge essa imunidade de rebanho também com vacina por isso a gente faz campanha de vacinação. Você garantindo que uma grande parte da população está vacinada, você garante que os vulneráveis, aqueles que não puderam tomar a vacina porque são muito jovens ou imunossuprimidos, estão protegidos. Por isso que a gente chama de imunidade de rebanho, porque o rebanho faz com que a doença pare de circular. Como a gente não tem vacina, a única maneira de atingir a imunidade de rebanho é uma grande parcela da população se infectar, adquirir anticorpos, e isso vai acontecer. O que o isolamento social faz é garantir que isso aconteça bem devagar pra dar tempo da gente cuidar dos nossos doentes, para ter leito, respirador pra todo mundo. Se relaxa, vai ficar um monte de gente doente ao mesmo tempo, a gente não dá conta, e vai morrer um monte de gente por falta de atendimento. A alternativa ao isolamento é morrer muito mais gente, não tem outra.

 

Mesmo que isso fosse combinado com o isolamento vertical que o presidente também sugeriu?

Não funciona. A gente não consegue isolar totalmente as pessoas e não é uma doença em que os vulneráveis estejam tão bem localizados assim. A gente está vendo muita gente jovem se infectar. A gente está vendo muita gente das mais variadas idades, se infectar e progredir para casos severos da doença. Então a gente não tem como fazer essa previsão e esse isolamento vertical.

 

E a senhora já conseguiu observar o efeito do isolamento na curva de propagação do coronavírus? Conseguimos achatar a curva?

No momento a gente está com a curva bem exponencial, bem inclinada. E como a gente tem muita subnotificação no Brasil, a situação deve ser bem pior. Eu acho que é cedo ainda pra gente ver os efeitos do isolamento social. E vendo os números do Estado de S. Paulo, do isolamento, a gente vê que o pessoal deu uma relaxada o que acho bem preocupante. Porque as pessoas começam a achar que não está acontecendo nada, mas está. Eu espero que a gente não precise chegar em um ponto em que as pessoas só vão perceber o valor do isolamento social quando estiverem perdendo as pessoas próximas, isso é muito triste. Pra muita gente, a doença parece longe, mas ela está batendo aqui na porta.

 

E temos pessoas ligadas ao governo, como o Osmar Terra, que estão anunciando nas redes sociais que a epidemia já chegou ao pico em São Paulo e que logo tudo vai melhorar.

Ele não tem como prever isso. É uma informação até perversa nos dias de hoje porque dá uma esperança pras pessoas que, daqui a 15 dias, a vida vai voltar ao normal. Não é verdade, a curva ainda está subindo, ainda está exponencial. Mesmo na Itália, que foi um dos primeiros países afetados, só agora que parece que o número de casos está estabilizando, está parando de crescer. Então pra dizer que chegou no pico, a gente precisa fazer o platô. Os casos têm que ter parado de crescer por dias seguidos, não é 2 ou 3 dias que basta. Aí poderemos dizer que chegamos no pico. Mas, prever quando esse platô vai chegar agora, é impossível. A gente não tem nem o número real de casos. Como eu disse, a subnotificação é um fato e como a gente não tem condição de testar, então a gente tem que valer dos poucos testes que tem e do diagnóstico. E multiplicar os números que a gente tem por dez para chegar a realidade, inclusive o número de mortos. Temos muitas mortes por sintomas respiratórios e não confirmadas para Covid-19.

 

A coluna da Mônica Bergamo na Folha noticia que um grupo de pesquisadores da USP, Fiocruz, Universidade de Brasília e Instituto Butantan fez um estudo, cruzando mobilidade de pessoas no Rio e SP com a velocidade de transmissão do coronavírus, que teria concluído que a taxa de isolamento social para conter o vírus no Brasil é de 40%, e que com os 55% de isolamento, em média, já atingidos no Rio e em SP , “vamos passar bem pela epidemia”. Qual sua opinião sobre isso?

Eu vejo alguns problemas nessa informação. Primeiro, que a gente não sabe de onde eles tiraram esse número, qual foi o modelo matemático usado. Segundo que a epidemia está em progressão, e como temos aquele problema sério de subnotificações, não sei se eles corrigiram esses números, se calcularam 10 vezes mais casos porque é o que estudos internacionais estão mostrando que a gente tem. Então não sei que números eles usaram nem que modelo.

Em relação à ocupação de hospitais, e aquela explicação meio esquisita [que aparece na mesma notícia], de que a Covid-19 atacou primeiro os ricos e aí os hospitais particulares deram conta, eu acho que, se a epidemia ainda está a progressão, a gente ainda não viu como ela está atingindo a periferia. E outras reportagens já mostraram que 70% dos leitos dos SUS estão ocupados. Então, se ela ainda está crescendo e temos 70% dos leitos do SUS ocupados, acho bastante preocupante. É um pouco precoce anunciar em uma reportagem que 40% de isolamento seria razoável, sendo que em São Paulo o governador gostaria que a gente chegasse a 70%, e pode levar as pessoas a relaxarem ainda mais o isolamento. Então acho difícil comentar sem ter acesso aos dados que eles usaram, mas acho a afirmação precoce.

 

E a vacina? Que esperança temos de ter uma vacina em breve?

Tem um monte de estratégias vacinais sendo desenvolvidas pelo mundo e eu sou apaixonada por cada uma delas. As estratégias vacinais feitas com biotecnologia elas são muito bem feitas e muito seguras e nós temos uma história muito bonita de vacinas no Brasil. Mas vai demorar, porque o difícil não é desenvolver a tecnologia, é testar. Demora muito tempo. Tem que testar em animais pra ver se está desenvolvendo anticorpo e, depois que a gente começa em testar em humanos, tem várias fases, tem que testar segurança, eficácia, tem que saber quanto de anticorpo está produzindo, se tem efeito colateral, tem que chegar a testar um grande número de pessoas. Então pelo menos uns dois anos; normalmente é mais, mas a gente está com pressa pra ter essa vacina no mercado. E não pode apressar. Vacina, a gente vai dar pra bilhões de pessoas, a gente não pode errar. Se você errar, mesmo que seja em um efeito colateral, você perde a credibilidade de todas as outras vacinas. Não podemos esquecer que a gente tem um grupo anti-vacina muito forte. Então ter ser feito com muita seriedade. A única arma que a gente tem por enquanto é o isolamento social, os cuidados com higiene, e a paciência. A gente vai ter que ter paciência de saber que a gente está fazendo isso para cuidar uns dos outros porque não tem alternativa boa. A alternativa é morrer muito mais gente porque a gente não consegue tratar. A alternativa é forçar nossos médicos a escolher quem vai viver e quem vai morrer. Eu não desejo essa escolha pra nenhum médico. Não custa a gente ficar em casa e fazer a nossa parte por mais angustiante que seja.

 

E por falar em ciência, a senhora acha que os cientistas brasileiros vão conseguir desenvolver pesquisas relevantes para essa pandemia?

A gente vem mostrando que tem toda capacidade intelectual e técnica para contribuir, mas o que a ciência não tem no Brasil é investimento e aí não se faz milagre. E a falta de investimento em ciência não é de hoje, faz muitos anos. A gente não consegue fazer ciência sem equipamento adequado, sem insumos, sem bolsa de estudos para os nossos alunos, a gente não vai tirar do chapéu. Por mais que a gente tenha capacidade intelectual, capacidade técnica e muita vontade de fazer. Veja os testes diagnósticos. As universidades, os institutos de pesquisa que trabalham com biologia molecular têm condições técnicas de fazer os testes diagnósticos. Mas não tem reagente! Não tem laboratório de segurança em número suficientes, não tem máquinas de PCR em número suficiente. Sem investimento não dá. Eu acho que a gente tem um papel importante para contribuir intelectualmente, mas não vai dar pra fazer.

 

Uma pergunta-provocação pra finalizar. A gente está vivendo essa pandemia 100 anos depois da gripe espanhola e às vezes temos a sensação que continuamos tão indefesos quanto naquela época. A ciência está nos protegendo de fato?


Não é verdadeira essa sensação, as coisas mudaram muito. Em 1918, na época da gripe espanhola, além de morrer de gripe as pessoas morriam por infecções secundárias bacterianas porque não tinha antibiótico. A ciência evoluiu muito. O tratamento de suporte que a gente pode dar, ventiladores, anestésicos para poder entubar a pessoa, todos os medicamentos de suporte, anti-inflamatórios, imunomoduladores. Acho que tem também uma confusão muito grande, que eu vejo muito quando falo do problema da cloroquina, que as pessoas dizem ‘ah, não vai dar nada então? Vai deixar morrer’ e não é deixar morrer, as pessoas estão recebendo um tratamento de suporte que é extremamente complexo. Não é porque não tem um medicamento específico, que as pessoas não estão sendo tratadas. Elas estão recebendo ventilação, oxigênio, sendo entubadas quando necessário, recebendo outros medicamentos de suporte que cem anos atrás a gente não tinha. Certamente naquele tempo haveria uma taxa de letalidade muito maior e de sofrimento humano. A ciência é a única coisa que temos. Espero que a gente confie cada vez mais na ciência para ter maior sucesso em uma próxima pandemia.

 

E virá uma próxima pandemia?

 

Olha, tem muita gente e o mundo é muito conectado então qualquer tipo de doença que transmite pelo ar ou de pessoa a pessoa vai conseguir circular muito rápido. E tem a questão ambiental, quando a gente interage muito com ambientes que antes não eram o nosso habitat, a gente acaba se deparando com viroses de outros animais que a gente não se depararia se não estivesse invadindo o território deles, então faz parte do desenvolvimento da civilização. Por exemplo, tem um monte de espécies de coronavírus em morcego, a gente sabe, o azar de um desses vírus se adaptar para infectar humanos é um azar. Mas é uma azar que tem probabilidade de acontecer porque tem um monte de coronavírus em morcego. Vírus transmitidos por mosquitos, também tem um monte. É uma azar a gente ter dengue transmitida por mosquito? Sim, mas um azar com probabilidade de acontecer. Quando a gente interfere em outros territórios, a gente começa a encontrar patógenos que podem se adaptar para nos infectar. Não é uma grande surpresa a gente ter um outro coronavírus da síndrome respiratória, a gente já teve a Sars e o primeiro surto de Sars foi em 2002. Por que ninguém desenvolveu uma vacina pra Sars? Um medicamento pra Sars? Se a gente tivesse hoje uma vacina para trás, seria muito mais fácil fazer um reposicionamento, adaptar uma vacina que já existe. Mas por que ninguém desenvolveu? Porque passou o surto e todo mundo desencanou, não se investiu em ciência. Aqui, no Brasil, por que até hoje a gente não tem uma vacina contra dengue do Butantan? Por que até hoje ela não foi para o mercado? Porque não teve investimento. E é dengue, uma doença que é nossa, que é endêmica, deveria ter investimento. Então eu espero que a gente aprenda que a gente tem que investir em pesquisa em doenças que a gente sabe que tem probabilidade de acontecer, e que a gente precisa investir em ficar mais autossuficiente em insumos e reagentes. O que a gente percebeu agora? Que todos os nossos reagentes são importados. E os países que exportam estão retendo, então não é nem mais uma questão de dinheiro, a gente não consegue comprar os reagentes. Isso mostrou como nossa ciência está longe de ser autossuficiente, a gente precisa de produção local também. 

27
Jun20

Desandando a maionese

Talis Andrade

reuniao ministerial.jpg

 

 

III - Brasil derruba Weintraub 

por Luciano Wexell Severo/ Le Monde
- - -

Diante das frequentes ameaças de Bolsonaro de recorrer ao Art. 142 da Constituição, interpretando-o de forma inconstitucional, o Brasil se mexe mesmo em meio à quarentena. Congresso Nacional, STF, governadores, sindicatos, partidos políticos, movimentos sociais, entidades e organizações se mobilizam.

Em menos de um ano e meio de mandato, Weintraub é o décimo membro do alto-escalão a deixar o campo. Entre os que o antecederam estava Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, que havia sido coordenador da campanha presidencial. Homem-forte do governo, saiu brigado com Bolsonaro e seus filhos. Em março de 2019, morreu repentinamente. Outro peso-pesado era Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo. Ficou seis meses na função até chocar-se com Olavo de Carvalho. Houve uma segunda troca na Secretaria-Geral da Presidência, com a saída de Floriano Peixoto, que havia substituído Bebianno. Igualmente foram demitidos Gustavo Canuto, do Ministério do Desenvolvimento Regional, e Osmar Terra, do Ministério da Cidadania.

Em abril de 2020, poucas horas depois de Bolsonaro exonerar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Mauricio Valeixo, tratando de interferir nas funções dessa instituição, Sergio Moro pediu as contas do Ministério da Justiça. Sabe-se que o chefe da Operação Lava Jato, bem treinado nos Estados Unidos, havia grampeado e divulgado ligação telefônica entre a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, prendido o principal líder político do país e alterado totalmente o resultado das eleições de 2018. Como prêmio, em um episódio vergonhoso, abandonou uma carreira de mais de vinte anos como juiz federal para comandar o Ministério e talvez, depois, seguir para o coroamento no STF. Mas este é assunto para outros escritos.

Também em abril, pouco antes, foi a vez de Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde, ser demitido por defender o isolamento social e seguir as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), considerada uma instituição “comunista” pela cúpula bolsonarista. Enquanto isso, o presidente afirmava que “o meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho…”. No lugar de Mandetta, apareceu Nelson Teich, que ficou menos de um mês na função. Entrou por baixo, muito mal na foto, mas saiu por cima ao negar-se a autorizar o uso da cloroquina, como exigia o presidente.

O terceiro escolhido foi Eduardo Pazuello, há um mês “interino”. Agora o Brasil não tem comando, não tem política pública, não tem ministro de Saúde e não tem sequer dados confiáveis sobre a Covid-19. Mas, pelo menos, a cloroquina foi liberada. De acordo com a página oficial do Ministério da Saúde, o interino recebeu “diversas condecorações pelo desempenho do seu trabalho, como a de Pacificador, Mérito Tamandaré, Ordem do Mérito Aeronáutico Cavaleiro e Distintivo de Comando Dourado”. Na área da saúde, no entanto, nada consta. Deméritos que sugerem descompromisso e falta de seriedade. E que geram crescente rechaço da sociedade, mesmo com todo mundo (que pode) escondido dentro de casa.

A gota d’água para a saída de Weintraub foram os atritos com o STF. No entanto, foi a imensa mobilização social, nas ruas ou não, que o derrubou. Foram as pessoas protestando, a onda anti-fascista, as tiazinhas da merenda, os choferes das escolas, as senhoras terceirizadas que limpam o chão, as inspetoras bravas, os guardas-escolares. Foram os brasileiros, de Norte a Sul (dos dois hemisférios…), das grandes metrópoles às cidadezinhas do interior. Foram os sindicatos, as entidades, as rádios, os jornaizinhos que derrotaram a campanha da “balbúrdia”. Foi o Brasil que derrotou o “Escola Sem Partido”, o “Future-se” e a escolha arbitrária de reitores pelo MEC. O Brasil, mesmo em quarentena, venceu Weintraub. Há espaço para a luta. E vamos seguir adiante. Apareceu o Queiroz! Vamos por mais vitórias.

13
Abr20

Ex-mulher de Terra foi torturada por Ustra, ídolo do sujeito que ele bajula por um cargo

Talis Andrade

Monica Tolipan com seu livro, “Uma Presença Ausente”

 

Por Kiko Nogueira

Diário do Centro do Mundo

Entre as figuras deploráveis da vida pública nacional, Osmar Terra é uma estrela em ascensão.

Médico, no sexto mandato como deputado do MDB, é cotado para substituir Luís Henrique Mandetta no Ministério da Saúde porque concorda, ou finge concordar, com o terraplanismo de Jair Bolsonaro na área.

Na última sexta-feira, a CNN Brasil divulgou um diálogo em que ele aparece conspirando com Onyx Lorenzoni, seu conterrâneo, contra Mandetta.

“Eu ajudo, Onyx. E não precisa ser eu o ministro, tem mais gente que pode ser”, disse, simulando desinteresse.

A conversa foi gravada porque ele “esqueceu” o telefone ligado para o repórter da emissora, evidentemente com a anuência de Lorenzoni.

Terra defende a cloroquina no tratamento do coronavírus e é contra o isolamento vertical.

Cita dados incorretos, chuta, passa vergonha, é orgulhoso da própria ignorância - ou seja, preenche todos os requisitos para trabalhar em Brasília.

Sua história conta muito sobre até onde está disposto a ir.

Foi prefeito de Santa Rosa, no RS, entre 1993 e 1996, depois secretário de saúde no governo daquele estado, ministro do Desenvolvimento Social no governo Temer e da Cidadania de Jair Bolsonaro.

Foi demitido por causa de problemas na gestão do Bolsa Família e para acomodar Onyx, que causava problemas na condução da Casa Civil.

Saiu, mas não largou o osso. Essa é a marca de Terra.

Sua trajetória, da esquerda para a direita, é espantosa.

 
Sua companheira foi torturada pelo coronel Ustra, chefe do Doi-Codi, ídolo do presidente que Osmar bajula, nos anos 70, quando ele era comunista e ela era líder estudantil.

Monica Tolipan era monitora da escola Chapeuzinho Vermelho. 

Foi estudar Psicologia na PUC do Rio de Janeiro. 

Elegeu-se presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) em 1972.

“Ficamos confinados a uma cidadania de segunda classe durante muitos anos. Já nascemos com a insígnia do terror”, falou em 2013 na chamada Caravana da Anistia, do Ministério da Justiça.

O casal fugiu para Buenos Aires. De volta, mudaram-se para Porto Alegre e então para Santa Rosa, onde acharam que estariam seguros contra a ditadura.

Ela só conseguiu concluir a graduação em 1982. “Muitos colegas se referiam a mim como alguém que tinha se mantido na clandestinidade”, relatou.

 

MDB GAÚCHO

“Votei no Osmar, pedi votos para ele, sempre apoiei e estive próximo. A decepção é muito grande”, disse à Zero Hora João Carlos Bona Garcia, um dos fundadores do MDB gaúcho.

“É lamentável ver pessoas como ele jogando sua história para o alto para ficar se aproveitando de nacos do poder”.

A barganha faustiana de Osmar pode render um ministério num governo de um debilóide fascista que não hesita em colocar os brasileiros em risco diariamente.

Um preço pequeno a pagar para Osmar Terra.
 
11
Abr20

Tudo indica que estamos nos encaminhando para um desastre absoluto, simples assim

Talis Andrade

governo morte bolsonaro.jpg

 

O vírus é a causa específica do desastre que nos aguarda, mas as condições para que ele ocorresse vieram dos muitos anos em que nossa 'elite' cevou o obscurantismo, julgando que ele lhe seria útil

 

por Luis Felipe Miguel

- - -

Em muitas cidades, estamos há semanas numa espécie de semiconfinamento - é confinamento, mas não na hora de comprar ovo de Páscoa ou ir no parquinho com as crianças. Tudo indica que ele é insuficiente para conter o avanço do vírus.

E, se é assim, em breve teremos que iniciar um confinamento de verdade, contando a partir do zero.

Ninguém consegue impor confinamento só na base da repressão, sem um amplo consenso na sociedade a sustentá-lo. No Brasil, a produção desses consenso é boicotada sistematicamente por políticos desonestos e religiosos picaretas, que se dispõem a arriscar a vida de todos para garantir o que lhes parece ser um ganho imediato.

O fato de que o discurso de minimização do risco do coronavírus continua circulando é grave também porque funciona de válvula de escape para quando o confinamento se torna pesado.

Não é que a pessoa de fato acredite nas asneiras ditas por Bolsonaro, Terra ou Malafaia. Mas quando a vontade de romper o confinamento fica grande demais, cresce a tentação de conceder a ela o benefício da dúvida...

Fiel à estratégia bannoniana de abraçar a incoerência sem pudor, os fascistas locais ao mesmo tempo dizem que o coronavírus "é uma gripezinha" e exigem que os doentes sejam tratados, desde os primeiros sintomas, por um medicamento forte, com graves efeitos colaterais - e sem eficácia comprovada.

Há quem sugira que existem interesses econômicos por trás do entusiasmo tão descabido com a cloroquina. Talvez. Mas basta o interesse político.

É construída - abertamente, já que sutileza não é o forte - uma narrativa em que eles trazem soluções (a cloroquina) enquanto a esquerda (no sentido amplo que o bolsonarismo dá ao termo, uma esquerda cujos protagonistas são Dória e a Globo) traz problemas (o coronavírus).

Quando alertamos para o crescimento dos casos de contágio e de mortes, parece que estamos torcendo pelo vírus. Quando enfatizamos que faltam muitos testes para provar que a cloroquina é eficiente e que os resultados dos testes até agora feitos estão longe de ser unívocos, parece que estamos torcendo para que o remédio não funcione.

O desastre se aproxima a passo rápido. Logo estará a galope. Já são mais de mil mortos no Brasil. Serão muitos mais.

Uma pesquisa na Alemanha indicou que a taxa de letalidade do vírus é baixa: 0,37%. Parece pouco. Mas mesmo que a gente replique aqui os números alemães, mesmo que o colapso do sistema de saúde não leve - como fatalmente levará - a um aumento desses número, esse percentual aponta para a morte de cerca de 700 mil brasileiros.

É um número que deveria assustar.

Infelizmente, o trabalho ideológico dos políticos e religiosos da extrema-direita passa fundamentalmente por negar o valor da vida humana.

A cada dia, eles dizem que muitos de nós não merecemos viver. Mulheres que praticaram aborto. Lésbicas e gays. Pessoas trans. Comunistas. Umbandistas. Ateus. Professores. Jornalistas. Funcionários públicos. A lista não termina.

E, como disse certa vez, de forma memorável, o atual presidente da República, "se vai morrer alguns inocentes, tudo bem".

O vírus é a causa específica do desastre que nos aguarda. Mas as condições para que ele ocorresse vieram dos muitos anos em que nossa "elite" cevou o obscurantismo, julgando que ele lhe seria útil.

 

01
Mar20

O esforço de Bolsonaro para vigiar a mulher de perto

Talis Andrade

michelle.jpg

CONSTRANGIMENTO Michelle Bolsonaro nascida na periferia: origem camuflada e negada

Crédito: EVARISTO SA / AFP)

 

 

Deu no 'Brasil confidencial', coluna de Germano Oliveira (diretor de redação), na revista Istoé:

Image

Confira na revista Istoé. É o assunto mais badalado hoje no passarinho azul. Veja aqui.

Escreve o jornalista Esmael Moraes: "Dois veículos da velha mídia –Estadão e IstoÉ– sugerem fortemente neste Carnaval que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a primeira-dama Michele já não dividem a mesma escova de dente.

Estadão conta que, apesar de não levar Michele, o presidente Jair Bolsonaro levou junto com ele para pular Carnaval as seguintes pessoas:

  • Laura, sua filha caçula de 9 anos
  • Flávio Bolsonaro
  • Hélio Negão
  • Luiz Eduardo Ramos
  • Michelle dá continuidade aos trabalhos articulados pelo ministro Osmar Terra desde o governo do ex-presidente Michel Temer, quando a primeira-dama Marcela Temer tornou-se embaixadora do programa Criança Feliz, voltado para assistência de crianças na primeira infância
  • primeira viagem.jpg

    A primeira viagem de Michelle foi em abril de 2019, para visitar crianças com microcefalia em Campina Grande, Paraíba

 

Em maio último, entrevistado por Sívio Santos, admitiu Bolsonaro:

“Eu fui casado uma vez, aí depois tive uma união estável e agora eu tô na segunda e última esposa, né? Agora chega. Se der errado, então o errado sou eu”.

Wikipédia registra três casamentos

 Rogéria Nantes (c. 1978; div.1997)
Ana Cristina Valle (c. 1997; div.2007)
Michelle Bolsonaro (c. 2007)
FilhosFlávio · Carlos · Eduardo ·Renan · Laura

 

bolsonaro amor.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub