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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

17
Fev20

Adriano da Nóbrega, o policial que levou para o túmulo os segredos do submundo do Rio

Talis Andrade

Vista área da região de Muzema

 

Em 2005, a cadeia para policiais militares do Rio de Janeiro viu a entrega da maior condecoração do Estado. No entanto, o homenageado não era um guarda, mas um preso. Um agente acusado de assassinato recebeu a medalha Tiradentes —um reconhecimento pela prestação de serviços relevantes ao Estado— proposta de um deputado carioca de vinte e poucos anos, Flavio Bolsonaro. Seu pai, Jair Bolsonaro, então um irrelevante deputado que se tornaria presidente do Brasil, compareceu ao julgamento do prisioneiro condecorado e dedicou-lhe, inclusive, um discurso no plenário da Câmara dos Deputados. Ele o considerou um corajoso injustamente perseguido depois de matar durante uma operação policial “um elemento que, apesar de estar envolvido com o tráfico de drogas, era considerado pela imprensa como um simples flanelinha”. Neste sábado, Jair Bolsonaro voltou a falar sobre o miliciano. “Não tem nenhuma sentença transitada em julgado condenando capitão Adriano por nada, sem querer defendê-lo. Naquele ano ele era um herói da Polícia Militar”, afirmou em entrevista à imprensa

Adriano Magalhães da Nóbrega foi um policial excepcional e depois um delinquente excepcional. Instrutor da corporação que protagonizou o filme Tropa de Elite, ele se tornou criminoso anos atrás, depois de sair a prisão em 2006. Em 2018 foi interrogado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e no domingo passado morreu abatido em uma operação policial. Tinha 43 anos.

casa adriano bh.jpeg

 

O capitão Adriano estava escondido havia menos de um dia na casa em que foi abatido por ex-colegas. Seu advogado diz que estava nervoso, que tinha medo de ser assassinado. Não se sabe se alguém o avisou que estavam atrás dele. O que foi confirmado é que a casa isolada que usou como último esconderijo pertence a um vereador do partido com o qual o chefe do clã Bolsonaro ganhou as eleições presidenciais.

Rio-das-Pedras.jpg

 

O repórter de O Globo explica que os negócios mais lucrativos do capitão Adriano nos últimos tempos eram empréstimos e construção ilegal em Rio das Pedras, favela construída para abrigar babás, jardineiros ou motoristas dos moradores ricos dos condomínios da Barra da Tijuca, onde Bolsonaro tem a casa da família. Entre seus vizinhos de condomínio estava o policial militar acusado de disparar quatro tiros no rosto da vereadora Marielle Franco em um carro em movimento. Chamado Ronnie Lessa, sua trajetória é semelhante à do capitão Adriano. O repórter conta que a habilidade exigida para esse ataque foi a razão pela qual Adriano acabou sendo interrogado sobre o assassinato da vereadora. O desabamento de um prédio construído ilegalmente em Rio das Pedras matou 24 pessoas no ano passado.

“Faz muitos anos que assistimos a uma privatização ilegal perversa da segurança pública no Rio de Janeiro; a polícia não patrulha há muito tempo, é uma polícia de operações: o que faz é tirar criminosos daqui para lá”, diz Muniz. “Fabrica-se uma guerra para poder aumentar o preço dos subornos do aluguel do território”, conclui. Para não serem párias, os senhores desses negócios ilegais presidem escolas de samba, que no fim do mês desfilarão no Carnaval diante do Brasil e do mundo.

O relatório pericial sobre a morte do capitão Adriano ainda não foi divulgado. Mas as fotos publicadas pela revista Veja indicam que recebeu pelo menos um tiro a queima-roupa. O que sabia sobre as cloacas de uma das cidades mais bonitas do mundo levou para o túmulo. Nenhum dos milicianos presos abriu a boca. Tampouco o acusado de liquidar Marielle. [Transcrevi trechos

 

12
Fev20

Enigmas da morte do miliciano ligado aos Bolsonaro

Talis Andrade

 

por Jeferson Miola

A morte do miliciano Adriano da Nóbrega está cercada de enigmas. Os muitos pontos obscuros, as contradições e dúvidas sobre o episódio animam as suspeitas de execução.

As suspeitas sobre a queima de arquivo ganham veracidade porque Adriano não era um bandido trivial. Ele chefiava o Escritório do Crime, milícia especializada em assassinatos por encomenda com matadores de aluguel, e privava da intimidade nos negócios do clã Bolsonaro na política.

Por intermédio do sumido Fabrício Queiroz, a mãe e a esposa de Adriano ficaram contratadas pelo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembléia Legislativa do RJ até dezembro de 2018. Elas só foram demitidas depois que começaram as investigações sobre as “rachadinhas” e os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa contra Flávio Bolsonaro.

A morte do miliciano, envolta em enigmas, está longe de ser esclarecida:

1. Adriano era alvo de uma ordem de captura internacional da Interpol desde janeiro de 2019. Apesar disso, Moro não incluiu o perigoso miliciano na lista de bandidos mais procurados no Brasil, publicada em janeiro passado pelo seu Ministério [ler aqui a respeito];

2. Sérgio Moro “desconhecia” o pedido de captura de Adriano em qualquer parte do mundo; mas, curiosamente, sabia da operação montada para matar Adriano – não para prendê-lo – numa propriedade rural no interior da Bahia;

3. a execução do miliciano ligado aos Bolsonaro em alegado “confronto” com a polícia de um Estado governado por petista não deixa de ser um ótimo álibi para a alegação de “isenção” policial, não de queima de arquivo;

4. o filho presidencial Eduardo Bolsonaro coincidentemente estava em Salvador justo no dia da execução do miliciano. Segundo ele avisou em rede social, estava em Salvador pela 1ª vez. E não escondeu sua “Satisfação [em] conhecer Salvador com @alexandrealeluia”. Incrível coincidência [ler aqui].

5. Adriano foi morto na chácara de Gilsinho de Dedé, vereador do PSL de Esplanada, uma pacata cidadezinha interiorana distante 155 km da capital Salvador. A curiosidade é que a Câmara de Vereadores de Esplanada, composta por 13 vereadores, tem 12 partidos representados no Legislativo. Por outra daquelas incríveis coincidências que rondam os Bolsonaro, o miliciano fugiu para se esconder justamente no sítio do vereador do PSL e não na propriedade de nenhum vereador dos outros 11 partidos do Legislativo de Esplanada;

6. chama atenção o silêncio ensurdecedor dos Bolsonaro em relação à morte de Adriano, a quem no passado recente Jair e Flávio devotaram discursos de homenagem nas tribunas da Assembléia do Rio e da Câmara dos Deputados. Flávio elogiou a “dedicação e brilhantismo” de Adriano, e Jair declarava o miliciano como um “brilhante oficial”, talvez por associação do adjetivo com o nome do seu ídolo e inspirador, o também bandido morto Brilhante Ustra.

7. Maurício Teles Barbosa, o Secretário de Segurança da Bahia, alega que Adriano foi morto [não executado] durante tiroteio. Entretanto, vídeo e fotografias da cena da execução mostram que houve de fato uma execução, não um tiroteio.

8. Adriano era um alvo fácil para ser capturado com vida. Estava numa chácara isolada, sozinho, sem comparsas, sem munições, com arsenal bélico inexpressivo [1 revolver, 1 pistola 9 mm e 2 espingardas enferrujadas] e sitiado no interior de uma pequena casa. Este cenário da operação mostra, portanto, que a prioridade nunca foi prender Adriano, mas sim matá-lo. O advogado de Adriano, aliás, confirmou que o próprio miliciano sabia que não queriam prendê-lo, mas sim matá-lo. Ele sabia que era alvo de queima de arquivo.

9. Um estranho mistério ronda o corpo de Adriano da Nóbrega. Até o momento, nada se sabe sobre o paradeiro do defunto. O corpo do Adriano já está ficando tão sumido quanto Queiroz e tão inverossímil como a facada em Bolsonaro. Afinal, cadê o corpo do morto? Ou este é um caso raro de morte sem cadáver?

10. E, quando o cadáver aparecer, é preciso confirmar cientificamente que pertence à pessoa física do Adriano da Nóbrega. E é preciso que uma autopsia confiável mostre quantos tiros foram disparados em Adriano e quais partes do corpo dele foram alvejadas. Com a autopsia, o Secretário de Segurança da Bahia poderá então comprovar a tese de que não houve execução.

11. Aliás, outra coincidência é que o Secretário de Segurança da Bahia é do Rio de Janeiro e delegado da Polícia Federal. Na descrição da concessão da Comenda 2 de Julho ao Secretário de Segurança, que fora proposta pelo deputado do PSL [outra vez o PSL!] Delegado Deraldo Damasceno em 2015, a biografia de Maurício Teles Barbosa apresenta credenciais importantes que permitiriam que a caçada a Adriano tivesse desfecho bem distinto do havido. No seu currículo, o Secretário Maurício tem “Cursos de inteligências – ABIN, Ações Táticas – PF, Operações de Inteligência – Polícia Federal, Operações Especiais – Polícia Federal, Gerenciamento de Crises – Polícia Federal e participou de cursos em outros países de Inteligência Anti sequestro – Colômbia, Inteligência em Terrorismo – Israel”.

Não menos enigmáticos são os silêncios tanto do Ministro Sérgio Moro, como do governador da Bahia, Rui Costa, sobre a morte do miliciano ligado ao clã dos Bolsonaro.

É enigmático, aliás, que tenha sido Witzel/RJ e não Rui Costa/BA o governador que, até o momento, se pronunciou sobre a execução de Adriano da Nóbrega – e, naturalmente, para sustentar a falsa tese do “confronto”.

mor miliciano .jpg

 

28
Out19

Por que aparecem agora os áudios do Queiroz sumido?

Talis Andrade

 

cellus queiroz.jpg

 

por Fernando Brito

O áudio revelado agora de manhã pela Folha, onde o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, o operador das “rachadinhas” e milicianos no gabinete do Filho 01 na Assembleia do Estado do Rio de Janeiro, um dia depois daquele em que aparece sugerindo nomeações de R$ 20 mil em gabinetes do Congresso, por influência do ex-chefe, pode ter duas finalidades, diametralmente opostas.

A de ser um recado para os seus chefes, que o teriam abandonado, sem defesa e homiziado em algum lugar de São Paulo ou, ao contrário, por isso mesmo, mostrar uma “distância” dele que os proteja das investigações.

Primeiro, ele “valoriza o seu passe”, lamentando não estar em condições de continuar funcionando como “miliciano político” do clã:

Com ele(s) lá em Brasilía eu podia estar que nem você, andando, aí dava para investigar, infiltrar…Botar um calunga (informante) no meio deles, entendeu…levantar tudo? A gente mesmo levantava essa parada aí…”

Depois lamenta o suposto abandono em que se encontraria:

É o que eu falo, o cara lá está hiperprotegido. Eu não vejo ninguém mover nada para tentar me ajudar aí. Ver e tal… É só porrada. O MP [Ministério Público] tá com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente. Não vi ninguém agir”

Diz que o uso do Twitter, dirigido por Carlos Bolsonaro é uma tolice e recomenda usar Sergio Moro para partir para cima de Rodrigo Maia:

É f…, cara, aí não dá para entender. (…)Tão fazendo chacota do governo dele, Rodrigo Maia está esculachando. Rodrigo Maia, meu irmão, p… As declarações dele humilham o Jair, Jair tinha de dar uma porrada neste filho da p…Botar o Sergio Moro para ir no [en]calço dele, porque tem pica na bunda dele aí, antiga, cara…

E reclama que a pressão da imprensa fez Bolsonaro afastar funcionários antigos, como a ex-babá Cileide (Barbosa Mendes), empregada no gabinete de Carlos Bolsonaro:

Na época, o Jair falou para mim que ele ia exonerar a Cileide porque a reportagem estava indo direto lá na rua e para não vincular ela ao gabinete. Aí ele falou: ‘Vou ter que exonerar ela assim mesmo’. Ele exonerou e depois não arrumou nada para ela não? Ela continua na casa em Bento Ribeiro?

Manifesta, como se nada tivesse acontecido, o seu desejo de assumir o PSL no Rio, controlado por Flávio – assim que essa ventania tiver passado – para “burilar” o partido e faz questão de dizer que jamais irá trair o clã presidencial.

Seja qual for as intenções de começarem a surgir os áudios do desaparecido, uma coisa é certa: a família presidencial brasileira é um caso de milícia.

Ouça os áudios aqui

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21
Jun18

STF autoriza a “xepa” das delações, via Polícia

Talis Andrade

Na Lava Jato, proibido delatar traidores do Brasil

 

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por Fernando Brito

 

A absolvição da Senadora Gleisi Hoffmann, por falta de provas das acusações de corrupção e de lavagem de dinheiro baseadas em delações regiamente premiadas, pôde dar alguma esperança de que o Supremo Tribunal Federal estivesse colocando limites na deformação de processos judiciais baseados essencialmente no “dedurismo” de gente que, para fugir de suas responsabilidade ou por simples medo, acaba incriminando aqueles que a máquina repressiva deseja destruir, seja pela denúncia, seja julgamentos que, por si só, são verdadeiras aberrações.

 

Mas vê-se que essa esperança é fugaz.

 

Hoje, o STF legitimou uma nova aberração, porém, ao permitir que acordos de delação premiada sejam propostos diretamente ao juiz pela Polícia (Federal e estaduais), sem a participação do Ministério Público.

 

O fato de promotores estarem usando abusiva e deformadamente o instituto de delação não quer dizer que estender esta franquia à polícia, que dispõe até de mais meios de coação que o MP, possa entrar nesta verdadeira “farra de delações” que se vive hoje na Justiça Criminal e que se tornou, ao contrário do que pode parecer aos incautos, uma forma de transformar o processo judicial não numa ferramenta de apuração da verdade, mas num instrumento de transações ( e não só penais) e de perseguições políticas.

 

E não se diga que a homologação de um juiz vai proteger o processo deste tipo de deformação, porque mesmo que seja um magistrado de boa-fé – o que anda raro – os simples depoimentos e uma montanha de papéis não vão permitir que, sem ouvir as partes, possa avaliar se o que se tem não é, basicamente, uma acusação que visa a livrar o acusador das consequência de seus crimes e que o dirigismo policial juntou apenas aquilo que pode ajudar a “confirmar” o que se disse.

 

Pior ainda: estabelece-se uma “competição” de deduragem entre policiais e promotores, em lugar da colaboração que deveria existir para apurar a verdade.

 

Além de isso ser absurdo – colocar duas instituições numa disputa – ainda abre espaço para que delatores e advogados abram um verdadeiro leilão entre elas, trocando propostas de penas menores ou de perdão por acusações que sejam mais “rentáveis” para promotores e delegados.

 

E o prejuízo vai além. Como no Brasil os juízos de instrução e o de julgamento não se distinguem, são o mesmo, a aceitação da delação e de seu acordo, previamente, pelo julgador do delatado significa, mais que a aceitação da denúncia a ser processada, um juízo de valor sobre o que diz o delator, que é tomado como verdade sem que, muitas vezes, o acusado sequer possa saber o que disse.

 

Ao contrário das técnicas de investigação técnicas, que deveriam ser o traço de uma Justiça moderna, estamos andando para trás, para o tempo onde se “pendurava” um acusado para ele delatar gregos e troianos e deixar que se “escolha” quem interessa.

 

Agora, quando o MP achar que não vale a pena alguma “deduragem” e deixar o acusado diante de seu processo, sempre será possível oferecer a delação na “xepa” policial.

 

Pode até haver algo de bom, mas o que impera nessa xepa é lixo, apenas.

 

Mas é um passo a mais para o estabelecimento do Estado Policial, patrocinado pelo Judiciário.

 

 

PETROBRAS PERDEU R$ 160 BI EM 4 ANOS DE LAVA JATO

 

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Adendo deste Correspondente: Na Lava Jato ainda não apareceu nenhum delator de doleiro, de traficante de armas, de traficante de drogas, de traficante de diamantes, de traficante de mulheres, de traficante de órgãos, que ninguém é doido suicida.

 

A Lava Jato - criada para investigar os tráficos de drogas e de diamantes, chegou a prender alguns traficantes, a máfia libanesa de Brasília, que tem Alberto Youssef como capo, fornecedor da grana - mas mudou de rumo, com a desculpa de investigar a corrupção na Petrobras.

 

No início, a propaganda orquestrava uma nacionalista defesa da empresa estatal, do Pré-Sal, parecia o reinício da Campanha O Petróleo É Nosso. 

 

Pura ilusão! Na Lava Jato é proibido denunciar os traidores da Pátria, que no governo de Fernando Henrique fatiaram a Petrobras, venderam mais de 30% das ações, e realizaram cinco leilões quermesses do Pré-Sal. 

 

O golpe de 2016 foi dado para queimar as riquezas do Brasil em uma imensa feira. Os traidores da Pátria tramaram e executam a privatização das estatais e desnacionalizam as grandes empresas. 

 

Vide a Petrobras. 

 

Transcrevo do 247:

 

Desde 2014, quando se iniciou a operação Lava Jato, comandada pelo procurador Deltan Dallagnol e pelo juiz Sérgio Moro, até este ano, a Petrobras já registrou uma redução no seu patrimônio de R$ 160 bilhões, como registra o jornal Valor Econômico desta sexta-feira, 16; em 2017, a Petrobras teve seu quarto prejuízo anual consecutivo, quando registrou perdas de R$ 466 milhões, impactada pelo provisionamento de R$ 11,2 bilhões para pagar investidores dos Estados Unidos, sem ter sido condenada; o valor de mercado da companhia hoje é de R$ 292,4 bilhões e seu patrimônio líquido vale R$ 269,6 bilhões; em 2013, antes da Lava-Jato, o patrimônio líquido era de R$ 350 bilhões 

 

Preservados, idolatrados os traidores do Brasil. Dedurar, caluniar, cantar para conseguir uma delação mais do que premiada, tudo bem, desde que seja contra um cidadão com uma história de respeito aos direitos humanos, uma pessoa pacífica, um político ou governante que nunca aprovou atos de tortura - o prende e arrebenta dos golpes, das intervenções militares, os abusos de autoridade, as costumeiras invasões das favelas, da polícia atirando no povo e derrubando portas. 

 

moro explode petrobras pré-sal.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

19
Mai18

Conheça o advogado podre de rico por vender delações mais do que premiadas. Cobrança de mesada de 50 mil dólares desde os tempos do BanEstado para a república do Paraná

Talis Andrade

advogado-antonio-figueiredo-basto.png

 

 

 

 

 

Até julho de 2017, o criminalista Antonio Figueiredo Basto já havia firmado com a república do Paraná mais de 20 acordos de delações premiadas. 

 

Escreve o jornalista Sérgio Rodas, "na lava jato, Basto negociou compromissos como o do doleiro Alberto Youssef — a seu ver, o mais importante da operação — e o do dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa".

 

Incrível, espantoso, em um país de justiça justiça, em um país sério certas denúncias deveriam ser investigadas pelas autoridades competentes: o Conselho Nacional de Justiça e o Congresso Nacional. 

 

Atente: Tacla Durán, em depoimento no Congresso Nacional, denunciou o esquema de venda de delações. Uma denúncia grave, mas que nenhuma autoridade leva a sério, que no Brasil os poderes estão podres. 

 

"A chamada República de Curitiba é quase uma família. Ou 'panela', como teria definido o consultor financeiro Ivan Carratu. 


Tacla Durán disse que foi avisado por Carratu de que seria citado na delação de Ricardo Pessoa. Que Carratu havia sugerido contratar um advogado da “panela” de Curitiba e adiantado que, com a assistência de um desses advogados, o acordo de delação premiada seria favorável.


De fato, Tacla Durán foi citado no adendo ao acordo de delação, mas em um depoimento que é estranho não apenas pelo conteúdo, mas pela forma. Quem toma o depoimento, como se fosse um procurador ou delegado da Polícia Federal, é a própria defesa de Ricardo Pessoa. Na verdade, são dois depoimentos — o de Ricardo Pessoa e o do diretor financeiro da UTC, Walmir Pinheiro Santana.


Um complementa o outro".  Leia mais para entender o emaranhado da teia criminosa aqui

 

Sérgio Rodas no primeiro páragrafo da entrevista destaca a defesa de Antonio Figueiredo Basto: "os ataques à atuação do Ministério Público Federal e do juiz Sergio Moro não passam de 'garantismo de ocasião". Que lindo!

 

Acrescenta Rodas: Pioneiro da colaboração premiada, Figueiredo Basto virou alvo de críticas de seus pares. Isso porque muitos criminalistas consideravam ou consideram que o mecanismo suprime o direito de defesa do acusado. Mas ele dá de ombros para os ataques.

 

“Meus colegas viraram a cara, torceram o nariz, mentiram, me difamaram, mas a caravana passou e a cachorrada ficou latindo”, ataca, citando que boa parte dos antigos críticos agora faz delações.

 

Segundo ele, até mesmo o parecer do jurista português José Joaquim Gomes Canotilho, segundo o qual os acordos de delação são ilegais por prometer redução da pena em patamar não previsto na Lei das Organizações Criminosas, é "perfumaria".

 

Diz Basto: Colaborar com a Justiça não é uma deduragem de delegacia, um sujeito apontando o dedo para uma pessoa. Pelo contrário: é um processo formal, um acordo. Leia mais 

 

 

Mais uma denúncia contra Basto. Foi acusado pelos doleiros Vinícius Claret e Claudio de Souza, integrantes do esquema de Dario Messer, de protegê-los em seus acordos de colaboração, a troca de uma mesada de US$ 50 mil, durante vários anos, desde as investigações sobre o Banestado.

 

A informação é do jornalista Ricardo Galhardo. "Os doleiros Vinícius Claret, conhecido como ’Juca Bala’, e Cláudio de Souza, acusados de integrar o esquema comandado pelo ’doleiro dos doleiros’ Dario Messer, disseram em delações feitas ao Ministério Público Federal que entre 2006 e 2013 pagaram mensalmente uma ’taxa de proteção’ de US$ 50 mil (cerca de R$ 186 mil ao câmbio atual). O dinheiro, conforme os relatos, era entregue ao advogado curitibano Antonio Figueiredo Basto e um colega dele cujo nome não foi informado. O advogado é considerado um dos maiores especialistas do Brasil em colaborações premiadas", escreve Galhardo. "Na Lava Jato, Figueiredo Basto foi o responsável por negociações e acordos de delação de Lúcio Funaro, Renato Duque, Ricardo Pessoa, entre outros. Em 2004, intermediou o primeiro acordo no modelo atual do País no caso do Banestado, em nome do doleiro e Alberto Youssef – também pivô da Lava Jato –, e homologado pelo juiz Sérgio Moro", diz ainda o jornalista.

 

DCM comenta: Figueiredo Basto também foi advogado de Tony Garcia, que volta agora ao noticiário com a gravação que implica o ex-governador do Paraná, Beto Richa. Era advogado de Tony Garcia quando este fez o acordo de colaboração com Sergio Moro, há mais de dez anos. E Tony passou a grampear pessoas indicadas pelo juiz, inclusive algumas que tinham foro privilegiado. Essas pessoas também têm histórias a contar sobre Figueiredo Basto, na mesma linha dos doleiros.

 

Se puxar o fio no novelo, a investigação vai longe a pode manchar a imagem de herói de alguns.

 

Em Curitiba, sempre se soube que Dario Messer é o cara que pode detonar a panela da qual faz parte Sergio Moro. Apesar de aparecer no caso Banestado, Messer nunca foi molestado pelo líder da Lava Jato. Mas seus concorrentes no mercado clandestino de dólar acabaram presos, inclusive o Toninho da Barcelona.

 

A dúvida é saber até onde os procuradores do Rio de Janeiro e o juiz Marcelo Bretas querem ir. Matéria-prima tem para derrubar a farsa.

 

 

 

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