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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

02
Jul17

Oreny Júnior

Talis Andrade

oreny júnior poeta.jpg

 

 

precoce solidão


a solidão é colhida
na sua precocidade
à sombra de bonsais

expostas nas janelas
entre redes protetoras de suicídios
do vigésimo segundo andar

 

 

sonhos venosos


palavras com tromboses
línguas em fiapos
almas em desníveis
atos grogues
sonhos venosos

 

 

caverna


colho
essa
pérola
em
noite
de
caverna
escura
reconheço
com
o
dedo
a
esfera
úmida
em
cristais
busco
essa
flor
alga
em
água
límpida
caverna
do
meu
dragão
domado

 

 

despí o eu


despi
o eu
no pó
lago
da poesia
esse eu
não narciso
não espelho
bêbado
de imagens
reflexos
vultos
do
medo
em poesia

 

 

o infarto do poema


saudade dos meus
como gostaria de poder abraçá-los
beijá-los
poder dizer nos olhos de cada um
o quanto eu os amo
saudade dos meus
iwska eu te amo
iury eu te amo
paixão eu te amo
mamãe, papai eu te amo
meu irmãos eu te amo
oh dor
que estreita esse mar
em lágrima
olhos de canal
mar lacrimal
o homem morre
quando é retirado do seu solo
extraído brutalmente
desse útero geográfico materno
saudade meus amores
aqui jaz um poema

02
Jul17

Tempos de ouro em Natal

Talis Andrade

PELO JORNAL DE WODEN MADRUGA E SUBSTANTIVO PLURAL

 

woden-3.jpg

 No Jornal de WM (foto):

 

 

Navegando pelas águas da internet me ancorei, ontem, no cais do Substantivo Plural, saite de Tácito Costa, em cujas páginas o leitor encontra boas novidades do mundo cultural desta aldeia de Poti mais esquecida e também de outras partes do tal planeta terra. Lá estava uma palavra (muitas palavras) do poeta Talis Andrade para o poeta Oreny Júnior. Oreny, aqui em Natal, Talis no Recife. Na conversa, Talis vai enfileirando as saudades do tempo em que viveu por estas bandas natalenses, coisas dos anos 50, 60 pegando começo dos 70. Como poeta dirigiu o Suplemento Cultural de A República (governo Dinarte Mariz) e como jornalista dirigiu o próprio jornal (governo Cortez Pereira). Um agitador cultural sangue puro, autor de 13 livros e mil coisas mais jogando nos meios literários de Natal e Recife, para onde voltou em 1970. Este ano ele entra no time dos octogenários.

 

 

Manoel-Onofre-Jr..jpg

Manoel Onofre Jr 

 

 

Bom, passamos a palavra para Oreny Júnior, como está no Substantivo Plural:

 

- Conversando com Talis Andrade, onde passei os contatos de Manoel Onofre Jr, que deseja falar com ele, tendo em vista não se falarem há algum determinado tempo, eis a resposta de Talis Andrade:


"Oreny, li sua mensagem hoje. Saudades de Onofre. Saudades de um tempo sem volta. Saia de noite do jornal A República para a casa de Cascudo. Ele fazia uma pausa nas leituras ou escritos. Fumava um charuto. Era um ritual. Imagine os fotogramas em câmara lenta. Pegava o charuto. Amaciava com os dedos. Cortava a ponta. Mergulhava em um cálice com conhaque. Cheirava e lambia a parte molhada. Depois acendia. Para gostosas e fumacentas baforadas.

 

"Outras vezes ia me encontrar com Ticiano lá na frente da estação de trem, no bar restaurante do pai de Tarcísio Pereira, que foi meu aluno de jornalismo na Católica, e dono da Livro 7, aqui no Recife, a maior livraria do mundo. Tempos de ouro de Natal. Nunca mais vai aparecer tanta gente linda pra uma noite de boemia: Navarro, Sanderson, Woden, Veríssimo, Walflan, Berilo, Márcio Marinho, Francisco Fausto, Myrian branca e tímida como um anjo deslocado, Zila, Dorian, Expedito Silva que dormia bêbado na redação, e um dia acordou do porre para casar e logo morreu na lua de mel. Onofre, Djalma Marinho, Djalma Maranhão apareciam e sumiam e levavam Myriam e Zila que não poderiam ficar, que a madrugada sempre foi má companhia apesar da brisa do Potengi e da Maresia do Forte dos Reis Magos.

 

"Oreny, esse Natal que eu vivi fica doendo em mim na saudade".

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