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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

14
Mai22

Lula e o ódio das elites do atraso

Talis Andrade

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por Luiz Marques

“Lula é mais aceito pelo establishment internacional do que pelas oligarquias locais”, escreve o diplomata aposentado Milton Rondó, na Carta Capital, a propósito da entrevista de Lula da Silva na revista Times, onde foi capa nesta semana. A reação da mídia nativa mostra o seu completo despreparo e mediocridade ao abordar o assunto.

Olha o galho, mas não enxerga a árvore, muito menos a floresta. A floresta mostra a importância da liderança do ex-presidente, reconhecido e prestigiado no mundo inteiro. Seria motivo de orgulho para o país, se as “elites do atraso” gostassem do Brasil e do povo brasileiro. A árvore mostra a visão holística do entrevistado acerca do conflito na Eurásia, que não repete feito papagaio os pronunciamentos do porta-voz do governo norte-americano. Ao contrário do que se lê, se ouve e se vê abaixo da linha do Equador. O galho é o que se inventa para justificar a cegueira.

Não apenas o Congresso Nacional fica pior a cada eleição, os vários veículos de mídia também. Na GloboNews o comentarista mais inteligente da turma buscava explicar a posição de Lula sobre a guerra da Ucrânia, apontando os erros do presidente-comediante ucraniano, quando abruptamente foi tirado do ar. A lucidez não tem sinal de satélite nos meios de comunicação da Terra brasilis. Não passa na Globo.

Nenhuma opinião discordante conseguiu romper o bloqueio imposto pela insensatez. Saudosa da inexistente “terceira via” e sedenta por uma ponte que justique voltar para os braços de Bolsonaro, os analistas midiáticos aproveitaram a oportunidade, não para felicitar o destaque da edição do prestigiado periódico de repercussão mundial, e sim para tecer críticas desairosas e desrespeitosas a Lula. Grande novidade.

Sobraram as comparações de praxe entre o democrata que fez o melhor governo da história da nação com o representante da extrema-direita, que tem como programa a destruição neoliberal (em curso, desde o impeachment) das políticas públicas em todas as áreas (saúde, educação, cultura, infraestrutura, desenvolvimento econômico, geração de emprego e renda, meio ambiente, etc). Igualar os desiguais é necessário para depois fazer como o editorial de O Estadão, em 2018, que declarou ser uma escolha difícil optar entre a democracia e o fascismo. Como se o preconceito contra as esquerdas (o PT, em particular), inflado pelos próprios meios de comunicação, fosse desculpa para corromper o bom senso. Não é.

Os estudantes de Jornalismo não merecem ter como horizonte trabalhar em um ambiente tão tóxico. Idem, no que toca os profissionais capazes tolhidos, hoje, em sua atividade por diretrizes verticais e comerciais. Uma pena porque as redes sociais, em grande parte manipuladas pelos robôs bolsonaristas, não representam uma alternativa. A solução está na democratização da democracia, que não se confunde com a liberdade para propagar fake news. A democracia é um processo histórico cumulativo de valores civilizatórios. As opiniões devem manter esse compromisso para receber o selo de validade. Please.

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Bolsonaro "vai perder", diz Lula em entrevista a jornal francês

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25
Abr22

Brasil profundo

Talis Andrade

Brasil à noite

 

Na escuridão do desconhecido, o Brasil profundo tem cada vez mais pessoas que têm apenas velas para iluminar os caminhos, e seguem as vias do fanatismo religioso

 

por Marcio Pochmann

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Visto de cima, o Brasil segue dominado por suas aparências, como se fosse uma espuma boiando na superfície. O Brasil profundo se mantém pouco conhecido, com sua essência incapaz de ser completamente decifrada.

Esse ponto de partida é a chave que permite abrir um novo horizonte de saída para uma sociedade apartada desde o seu nascimento enquanto nação, há dois séculos. Ao inserir-se no mundo da Era Industrial como um país consumidor de produtos manufaturados, passou mais de cem anos dependendo das importações de bens e serviços industriais. E, por não dispor de moeda de pagamento para importar, tornou-se prisioneiro do modelo econômico primário-exportador. Isto repartiu a população em dois grupos. Um menor, que constitui o andar de cima da sociedade, ligado às atividades da produção e exportação dos bens primários. O país da sobremesa, conforme Oswald de Andrade revelou no seu manifesto de 1937: “País de sobremesa. Exportamos bananas, castanhas-do-pará, cacau, café, coco e fumo. País laranja! (…). Os nossos economistas, os nossos políticos, os nossos estadistas deviam refletir sobre este resultado sintético da história pátria. Somos um país de sobremesa. Com açúcar, café e fumo só podemos figurar no fim dos menus imperialistas. Claro que sobremesa nunca foi essencial”.

A outra parte da população, a maior, teve que se acomodar no apertado andar de baixo, distante do acesso à educação, saúde, cultura e transporte decente. Esta parte da sociedade foi exposta às profundezas da reprodução da vida pelo trabalho em atividades de subsistência humana, que passou a ter acesso ao consumo de bens e serviços da Era Industrial somente a partir da Revolução de 1930, que ousou substituir o modelo econômico primário-exportador pelo de substituição de importações.

A valorização da produção nacional abriu espaços para incluir a população do andar de baixo em postos de trabalho com identidade reconhecida por uma carteira de acesso a direitos sociais e trabalhistas – férias, descanso semanal, salário mínimo e outros até então desconhecidos.

Nos dias de hoje, em pleno avanço na Era Digital, o fosso que separa o andar de cima do de baixo aumentou significativamente. Para a maioria da população, já não há mais a perspectiva de trabalho com identidade e pertencimento superior. Resta apenas a subsistência no interior do antigo e cada vez mais apertado andar de baixo da sociedade.

Na escuridão do desconhecido, o Brasil profundo tem cada vez mais pessoas que têm apenas velas para iluminar os caminhos, e seguem as vias do fanatismo religioso.

Ocupando este mesmo espaço reduzido à essencialidade da vida humana, também está o banditismo social, com as promessas de abertura de túneis de ligação direta com alguns dos cofres que guardam riqueza acumulada pelo andar de cima.

Essa divisão poderia ser rompida pelas novas oportunidades que a Era Digital oferece. Mas isto requer ultrapassar a condição de país consumidor/importador de bens e serviços digitais condicionado ao modelo econômico primário-exportador.

Mas, a manutenção do modelo atual apenas aprofunda a separação da sociedade em orgânica, vinculada à produção e exportação, e a inorgânica, submetida a qualquer atividade de subsistência, seja legal ou não.

A retomada da complexidade econômica, com a internalização da produção e consumo da Era Digital, poderia trazer à tona o Brasil profundo, pois é a única saída capaz de oferecer uma efetiva perspectiva de vida soberana à nação.

Para isso é preciso inverter o plano das imagens. Um olhar a partir de baixo do Brasil profundo.

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EUROPA À NOITE - Satélite infravermelho registra imagem da Europa à noite.  O VIIRS (Visible Infrared Radiome… | Light pollution, Earth at night, Mind  blowing images

Europa à noite iluminada

23
Abr22

Como perder um país

Talis Andrade

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por Cristina Serra

 

O perdão de Bolsonaro ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), um dia depois da condenação pelo Supremo Tribunal Federal, leva o país ao limiar da anarquia institucional, seja qual for o desfecho de mais essa crise, calculada com o propósito de elevar a tensão entre os poderes, às vésperas da campanha eleitoral.

O ato de Bolsonaro, antes mesmo do trânsito em julgado da sentença, afronta os magistrados, o STF, a democracia, a Constituição e o Estado de Direito. Bolsonaro está mostrando a seus comparsas que o crime compensa e que podem contar com a proteção da maior autoridade do Executivo, disposta a esticar a corda e deixar que ela arrebente.

Bolsonaro age com método e estratégia para desmoralizar as instituições e incendiar o país. Engana-se quem acha que tudo vai se resolver, como num passe de mágica, com as eleições de outubro. Chegaremos até lá? Já não está claro que a extrema-direita tentará um golpe?

Só um impeachment poderia evitar a catástrofe no horizonte. Mas essa é uma esperança perdida. A indulgência cúmplice de Arthur Lira e de Rodrigo Pacheco legitima Bolsonaro no enfrentamento com o STF. Discute-se a decisão do presidente do ponto de vista de uma querela jurídica quando se trata, essencialmente, de uma questão política. O procurador-geral da República, Augusto Aras? Foi visto flanando em Paris.

Tudo isso acontece num ambiente de degradação democrática do qual não escapa nenhum mecanismo institucional. A Lei Rouanet, destinada a fomentar a cultura, tornou-se instrumento de promoção do armamento da população. Autoridades sentem-se à vontade para zombar de quem foi torturado na ditadura, com declarações cínicas e desavergonhadas.

Quando se chega a esse ponto e tudo fica como está é porque a sociedade naturalizou o inaceitável, perdeu a capacidade de se indignar e de cobrar o mínimo de decência das instituições e das autoridades que as representam. E é assim que se perde um país.

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18
Abr22

Viagra é uma pequena amostra da grande corrupção que turbina o projeto de poder dos militares

Talis Andrade

 

por Jeferson Miola

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O Viagra, medicamento usado para tratar disfunção erétil e melhorar o desempenho sexual masculino, foi adquirido pelo Exército Brasileiro em grande quantidade e, ainda por cima, com superfaturamento de 143%, segundo denunciaram os deputados do PSB Elias Vaz/GO e Marcelo Freixo/RJ.

O ministério da Defesa, sempre muito inventivo na arte de tergiversar e mentir, alega que a compra se destina ao tratamento de militares com hipertensão arterial pulmonar. A falsa alegação é contra-arrestada pelo esclarecimento científico da coordenadora da Comissão de Circulação Pulmonar da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Veronica Amado.

A especialista afirma que para hipertensão pulmonar se prescreve o Viagra somente na dosagem de 20 mg. Mas o Exército adquiriu 35 mil comprimidos com dosagens de 25 mg e 50 mg, cujo emprego é exclusivo para aumentar/melhorar a ereção do pênis.

No início do ano passado, quando surgiram denúncias sobre compras esdrúxulas – e também superfaturadas – de leite condensado e de chicletes, o ministério da Defesa esclareceu de modo sui generis. Justificou a compra de toneladas de leite condensado “por seu potencial energético”, e de chicletes para compensar a “impossibilidade de escovação apropriada”.

A preocupação com a melhora da “moral das tropas” não se restringe ao Viagra. Conforme denunciado, na farra com dinheiro público o Exército também adquiriu próteses penianas infláveis, do melhor padrão do mercado, pelo valor de 3,5 milhões de reais.

Na página 106 do livro Conversa com o comandante, organizado pelo professor Celso Castro, o general Villas Bôas cita com certo regozijo o episódio – ou mimo – em que um helicóptero do 4º Batalhão de Aviação do Exército foi usado com o exclusivo propósito de levar-lhe uma revista Playboy na selva, onde estava em treinamento com a tropa há 20 dias.

Além de zelar pela luxúria e prazer dos fardados, as cúpulas das Forças Armadas também se esmeram em propiciar-lhes o desfrute de sofisticada gastronomia nos quartéis.

Enquanto milhões de brasileiros famintos catam osso no lixo para enganar a fome dolorosa, a rotina alimentar nas instalações militares é suprida com toneladas de picanha, filé mignon, cortes nobres de carne, lombo de bacalhau, camarão, frutos do mar selecionados etc.

Tudo, claro, regado a muita cerveja, uísque 12 anos e conhaques de grife, e tudo bancado com orçamento público e a valores superfaturados, conforme denúncias jornalísticas.

Por mais anedóticos e ultrajantes que possam parecer tais gastos das Forças Armadas com dinheiro público, é preciso observar que se tratam, no entanto, de pequenas amostras do descontrole e da grande corrupção que turbina o projeto político-partidário das cúpulas militares.

O governo militar protagonizou inúmeros escândalos, a maioria deles abafados ou acobertados pelo colaboracionismo fascista na PGR, PF e judiciário.

A cobrança de propinas é a moeda de troca do governo militar, como aconteceu na compra de vacinas pelo ministério da Saúde dirigido por um general da ativa do Exército, e na roubalheira em nome de deus no MEC, para ficar apenas nesses dois exemplos.

Os militares propagam um falso-moralismo, falso-profissionalismo e falso-legalismo para venderem uma imagem de austeridade, pureza, competência e incorruptibilidade. É, evidentemente, mero artifício diversionista para apresentarem-se como fundadores da consciência nacional e tutores da Nação. Sem noção do ridículo, entendem que incumbe a eles conduzir os destinos do país em lugar das elites civis incompetentes, corruptas e impuras.

A realidade, no entanto, é bastante diferente, como atestam os privilégios, nepotismos, favorecimentos, corrupção, práticas nada republicanas e, óbvio, a tremenda incompetência.

As Forças Armadas vivem de modo quase clandestino e secreto no Estado brasileiro; vivem totalmente à margem do controle do poder político, o Congresso, e das instituições civis.

É uma instituição isolada, que se autogoverna e se organiza como partido político – o partido dos generais; ou Partido Militar, como definiu Oliveiros Ferreira – que desestabiliza o sistema, conspira contra a democracia e participa ativamente de golpes contra governos democrático-populares.

Os militares administram com critérios opacos um orçamento anual de mais de 115,9 bilhões de reais [2021] do ministério da Defesa. Uma desproporção considerável em relação ao SUS, que contou com 189,9 bilhões de reais para atender 212 milhões de brasileiras e brasileiros.

Do orçamento total do ministério da Defesa, apenas 8 bilhões de reais são para investimentos, e 89,6 bilhões [77,3%] são despesas de pessoal da “família militar”. Nestas despesas de pessoal está incluído o impressionante valor de 55,6 bilhões pago a militares da reserva, reformados e pensionistas: 137,9 mil filhas de militares mortos são pensionistas. A pensão vitalícia mais antiga remonta ao ano de 1930 do século passado, paga a uma filha de militar.

Há casos notórios de burla na concessão de pensões militares, como o da neta do ditador Garrastazu Médici, adotada pelo general como filha quando ela tinha 21 anos e pais vivos. O ditador praticou esta fraude poucos meses antes de falecer, em 1985. Com isso, a pensionista forjada receberá, enquanto viver, uma pensão mensal de R$ 32,6 mil correspondente ao salário de “marechal”.

O símbolo maior de corrupção do governo das cúpulas partidarizadas das Forças Armadas, que tem nominalmente Bolsonaro na presidência é, no entanto, o esquema do bilionário orçamento secreto de mais de 20 bilhões de reais.

O orçamento secreto é o nome fantasia do regime de corrupção bilionáriamontado pelo partido dos generais para comprar apoio e sustentação da escória no Congresso e, desse modo, garantir a continuidade do projeto de poder dos militares.

O orçamento secreto é, enfim, o Viagra que turbina o colaboracionismo fascista e por meio do qual os larápios do Centrão foram promovidos de anões a “gigantes do orçamento”.

xico sá
Deu no NP
Puraingresia
@fsmcruz
Não sei ainda bem os porquês, mas esta chibança dos milicos me fez lembrar desta antalógica manchete do NP.
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14
Abr22

Fala de Lula sobre retirar militares do governo ‘é classificada como ato terrorista’, diz deputado general Girão

Talis Andrade

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Pornofônico general baixa o nível, faz discurso de ódio, de pregação golpista, e ameaça Lula de morte. Tudo para defender a ocupação militar do governo: Mais de oito mil cargos civis usurpados por militares de pijama, que acumulam cobiçados cargos comissionados com ricas aposentadorias

 
por Jovem Pan
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O ex-presidente e pré-candidato do PT para a presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende tirar quase 8 mil militares de pijama que ocupam cargos comissionados, os famosos marajás chapas-brancas e Maria Candelárias, caso seja eleito no pleito de outubro deste ano. A afirmação foi feita pelo petista durante um encontro na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ao elencar dificuldades que encontrará caso seja eleito para substituir Jair Bolsonaro (PL) na presidência, Lula falou sobre os militares e seus planos para o grupo. “Nós vamos ter que começar o governo sabendo que vamos ter que tirar quase 8.000 militares que estão em cargos de pessoas que não prestaram concurso. Vamos ter que tirar. Isso não pode ser motivo de bravata, tem que ser motivo de construção. Porque se a gente fizer bravata pode não fazer”, afirmou o petista. Em entrevista ao Jornal da Manhã, o deputado federal General Girão (PL-RN) falou sobre a ocupação militar dos cargos civis no governo federal, criticando duramente a postura de Lula.

12
Abr22

Fundo eleitoral ou orçamento secreto: o que importa nas eleições

Talis Andrade

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O orçamento secreto é composto por uma montanha de dinheiro, estimada em mais de R$ 16 bilhões, para ser distribuída ao sabor de apenas duas canetas: a do Presidente da Câmara e a do Presidente da República, tendo este terceirizado esta função para o Ministro Chefe da Casa Civil

 

Por Fernando Facury Scaff /ConJur

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No Brasil atual existem dois fundos públicos que custeiam a atividade eleitoral.

O Fundo Partidário (Lei 9.096/95), que serve para custear as despesas quotidianas dos partidos, como luz, água, aluguel, contadores, advogados, impulsionamento de conteúdo na internet etc. É deste fundo que saiu o dinheiro para que o partido político Podemos blindasse o carro do ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro, que era seu candidato a presidente da República, mas, ao trocar de partido, se tornou um ex-candidato a presidente. Consta que o partido político Podemos gastou cerca de R$ 3 milhões com a ex-candidatura de Sérgio Moro, incluindo R$ 22 mil de salários mensais. O valor que foi distribuído em 2021 para todos os partidos equivaleu a R$ 1 bilhão.FUNDO PARTIDÁRIO - O QUE É ISSO? - YouTube

Outro é o Fundo Eleitoral (Lei 13.487/17), que surgiu para custear as eleições após o STF ter declarado que nossa Constituição proíbe o financiamento privado de campanhas. Para esse Fundo foi alocado o montante de R$ 4,9 bilhões para serem distribuídos em 2022 (cinco vezes mais que o Fundo Partidário). A divisão dos recursos ocorre através dos partidos políticos, na proporção de suas bancadas no Congresso, considerando a última eleição - portanto, não se deve olhar a situação partidária atual, mas a que resultou das urnas nas eleições de 2018. Neste ponto, a maior bancada era a do PSL, que recentemente se fundiu com o DEM, e resultou no UB (União Brasil), que receberá quase 16% desse total. O PT receberá quase 10% e assim por diante. O PL (Partido Liberal), que é o atual partido do presidente Bolsonaro, presidido por Waldemar da Costa Neto, está em sétimo lugar neste ranking, recebendo quase 6% dos R$ 4,9 bilhões).Parlamentares questionam aumento de verbas destinadas ao Fundo Eleitoral -  Diário do Rio Doce

Observe-se que, a serem mantidas estas regras, terá mais dinheiro do Fundo Eleitoral para as eleições de 2026 quem eleger maior número de deputados e senadores em 2022. Logo, para muitos partidos a estratégia é a de ampliar suas bancadas, para que se fortaleçam e tenham mais recursos à frente.

Essa descrição dá a entender que, quanto mais dinheiro tem um partido, maior poder de atração de candidatos ele tem. Afinal, no jogo eleitoral, quem tem mais dinheiro, tem mais poder — ocorre que essa frase é verdadeira e falsa ao mesmo tempo.

É verdadeiro afirmar que, quem tem mais dinheiro, tem mais poder.

É falso afirmar que o dinheiro/poder advém do Fundo Eleitoral, pois aqui entra uma variável externa ao sistema de financiamento eleitoral, mas que vai deturpá-lo, que são as emendas de relator, conhecidas como orçamento secreto, conforme importante série de reportagens do jornal O Estado de São Paulo, tendo à frente o repórter Breno Pires.

É fácil explicar: o orçamento secreto é composto por uma montanha de dinheiro, estimada em mais de R$ 16 bilhões, para ser distribuída ao sabor de apenas duas canetas: a do Presidente da Câmara e a do Presidente da República, tendo este terceirizado esta função para o Ministro Chefe da Casa Civil.

Pense comigo e responda, o que é mais atrativo: (1º) Disputar os R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral, que é dividido entre todos os partidos conforme o quadro eleitoral de 2018, ou (2º) disputar R$ 16 bilhões do orçamento secreto que serão divididos ao bel-prazer de duas pessoas, independente de partidos, sendo suficiente que o político se alie ao governo? Bingo! A segunda alternativa é a mais interessante.

Isso é facilmente demonstrado através da movimentação partidária, pois o União Brasil perdeu 30 deputados, embora tenha mais dinheiro do Fundo Eleitoral, e o PL, que é o partido do presidente, recebeu 42 deputados. Logo, retorna-se à parte verdadeira da frase acima: quem tem mais dinheiro, tem mais poder. E, neste caso, o orçamento secreto desequilibra qualquer jogo de forças eleitoral, pois tem mais dinheiro, é de mais simples distribuição, e é suprapartidário. É dezesseis vezes maior que o Fundo Partidário e três vezes maior que o Fundo Eleitoral, podendo ainda ser ampliado. Simples assim.

Tudo isso lembra a antiga AP (ação popular) 470, conhecida como julgamento do mensalão, relatada no STF pelo ministro Joaquim Barbosa, através da qual 25 pessoas foram condenadas (ver aqui). O confuso acórdão, com mais de 8.400 páginas (não é o processo, é só o acórdão), indica que a distribuição dos recursos era feita à margem da lei.

E agora? Tudo isso está sendo feito dentro da lei? Ou estará sendo feito dentro da lei, mas fora das quatro linhas da Constituição? Vale transcrever o artigo 14, §9º, da Constituição:  Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. Esta parte final merece muita atenção.

Eleições não são vencidas apernas no dia da votação, porém muito antes, e a distribuição do dinheiro é importantíssima nesse contexto.

O que fazer? A palavra está com as autoridades jurisdicionais constituídas.

Pelo tema e pelo momento em que vivemos, fará muita falta a voz e a presença de Dalmo Dallari, falecido semana passada. Minhas condolências à família e ao Brasil.

Charge do Zé Dassilva: Orçamento secreto | NSC Total

05
Abr22

Afastar Bolsonaro

Talis Andrade

Dora Longo Bahia. Revoluções (projeto para calendário), 2016 Acrílica, caneta à base de água e aquarela sobre papel (12 peças) 23 x 30.5 cm cada

 

Por Chico Whitaker /A Terra É Redonda

A cada dia que passa com essa execrável pessoa no comando do governo mais iniciativas destruidoras ele toma

Começou finalmente a ecoar, nas ruas brasileiras – ainda que timidamente, na II Caminhada do Silencio em São Paulo, dia 31 de março último – o grito Fora Bolsonaro Já!, frente ao descalabro social, político e econômico a que o Brasil foi sendo progressivamente jogado com a eleição, em 2018, do atual Presidente de República. Esse grito agrega uma palavrinha a mais – já! – no brado que começou a se espalhar em todo o país no primeiro mês do segundo ano de seu desgoverno.

Bem antes, nos primeiros meses do seu mandato, pedidos de impeachment por crimes de responsabilidade começaram a se acumular na mesa do Presidente da Câmara dos Deputados, a quem cabe decidir sobre o início desse processo. Hoje são quase 150, subscritos pelos mais diversos setores sociais. As razões para isso foram também se acumulando e se diversificando, desde o dia em que, logo depois de empossado, disse em Washington, capital do império de que é um fiel servidor, que sua missão era destruir.

Logo depois mostrou, em vídeo que ele mesmo difundiu em sua própria conta no Twitter e que provocou o segundo pedido de impeachment, que não tinha a mais mínima noção da “dignidade, honra e decoro”, como diz a Constituição, do cargo que assumira (episódio do golden shower na Avenida Paulista). E no terceiro mês de seu desgoverno já se posicionou pela volta dos militares ao poder no Brasil (o que reafirmou neste último 31 de março). A destruição a que se referira em Washington era exatamente a de todos os avanços civilizatórios que a sociedade brasileira tinha sido capaz de construir depois da ditadura militar a nós imposta em 1964.

Mas logo se verificou a inviabilidade do impeachment. Rodrigo Maia, o Presidente da Câmara que recebeu os primeiros pedidos, não os submeteu à votação, nem os seguintes, por considerar insuficiente o número de votos necessários para aprova-los, dada a venalidade da maioria dos deputados, parceiros da onda eleitoral de Bolsonaro. E essa insuficiência ficou ainda mais assegurada quando Artur Lira, o atual Presidente da Câmara, passou a usar, em todas as decisões legislativas, o assim chamado “orçamento secreto”, contestado sem muito resultado até pelo STF. Esse instrumento de corrupção, inventado por ele para instalar esse “desvio de conduta” no coração do poder que preside, permite-lhe satisfazer a fome de dinheiro público da maioria, de que ele também faz parte, com as chamadas “emendas do relator”, que destinam verbas da União aos seus redutos eleitorais, ensejando obviamente muitas “sobras” e propinas para os bolsos dos assim comprados.

Os primeiros meses do segundo ano do desgoverno Bolsonaro já foram marcados pela escolha do processo criminal para afastar o Presidente. Representações ao Procurador Geral da República, Augusto Aras, elencavam os crimes comuns que ele estava cometendo frente à pandemia, em que mais uma das facetas daninhas de sua personalidade se revelava: seus distúrbios mentais, que poderiam ser classificados como de psicopatia, o tornavam mais perigoso do que a doença que assolava o mundo.

Propagandeando remédios inócuos e mesmo letais e se opondo às vacinas – que para ele pareciam ser uteis somente para negociatas – assim como aos demais cuidados recomendados pelas organizações internacionais, provocava, sem nenhuma empatia com os familiares das vítimas, milhares de mortes evitáveis. As representações ao Ministério Público denunciando o Presidente foram encaminhadas uma após a outra – a primeira em janeiro de 2021, a última em junho desse mesmo ano – por quatro organizações respeitáveis da sociedade civil.

Em outubro chegou à chefia do Ministério Público a representação da CPI da pandemia, ainda mais consistente. Todas supunham que o Procurador Geral iria cumprir seu dever constitucional de denunciar Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal e que, uma vez autorizada pela Câmara a abertura do processo criminal, o Presidente seria imediatamente afastado de seu cargo.

Mas esse caminho para o afastamento, que pareceria mais rápido que o do impeachment, foi bloqueado pelo próprio Procurador Geral, indicado para esse cargo por Bolsonaro exatamente para blindá-lo. Sua inação diante dessas representações era na verdade um crime de prevaricação, de que foi logo acusado ao STF pela Comissão Arns. Mas o ritmo de decisão de nossas cortes não tem muito a ver com as urgências nacionais.

Por seu lado, algumas das organizações que encaminharam essas representações pareceriam descrentes de sua eficácia, como se tivessem decidido encaminha-las somente para marcar posição e deixar na história um registro de sua ação, com o que se resguardariam de futuras acusações de omissão. Ou consideravam que o que já tinham feito estava de bom tamanho e só lhes caberia esperar. Foram assim deixadas dormindo o sono dos justos, totalmente ignoradas pelo Procurador Geral. Mas o que se pode fazer diante disso, já que não se conseguiu que nem mesmo um pequeno número de membros do Ministério Público se insurgisse contra a prevaricação de seu chefe, tornando-se todos eles cúmplices de seu crime?Image

Para coroar toda essa tristeza, as posições do Procurador Geral foram inesperada e surpreendentemente reforçadas pelo próprio STF com a decisão liminar de um dos seus ministros – ainda a ser convalidada pelo plenário dessa Corte – em processo iniciado por aliados do Presidente. Nessa liminar se justificou a inação do Procurador Geral a partir da sua independência funcional, a ele atribuída pela Constituição. Mas com isso, diferentemente de decisões mais exigentes de outros ministros, na prática a liminar o autorizou a prevaricar protegendo um criminoso contumaz e, portanto, agindo no sentido exatamente inverso ao objetivo definido para seu cargo, com todo o seu direito à independência funcional.

Mas ao mesmo tempo tornava-se essencial afastar o mais depressa possível o atual Presidente da República. A cada dia que passasse com essa execrável pessoa no comando do governo mais iniciativas destruidoras ele tomaria – as famosas “boiadas” a fazer passar enquanto todos se preocupavam com a pandemia, como lhe recomendou em reunião ministerial um de seus igualmente execráveis Ministros. E mais sofrimento provocaria para o povo, com suas ações a favor dos negócios e pela maior letalidade da pandemia. Foi aí que emergiu, no imenso mar opaco das preocupações, a proposta de agregar a palavra “Já!” ao slogan “Fora Bolsonaro”. Mas não se conseguiu nem que ela fosse discutida nas instancias de condução da campanha Fora Bolsonaro, há tempos espalhada em todo o mundo. Parecia assim que a força do Mal tinha penetrado em todos os setores e níveis da vida do país.

Surgiu então um derradeiro caminho para livrar o Brasil do pesadelo Bolsonaro: pedir ao Senado que usasse o poder que lhe é atribuído na Constituição para decretar o impeachment do Procurador Geral da República, por bloquear criminosamente o caminho do processo criminal. Mais de mil pessoas enviaram então, individualmente, uma Carta Aberta a cada um dos senadores e senadoras pedindo-lhes que, como representantes do povo por ele eleitos, cumprissem seu dever de destituir o PGR (ainda é tempo de assinar essa Carta para que seja enviada ao Senado. Se o quiser, vá a https://ocandeeiro.org/fora-aras-ja). Mas, que se saiba aqui na planície em que vivemos, os mails ou caíram no lixo eletrônico daquela casa dita do povo e dele protegida ou não comoveram muita gente no nível mais alto do Poder Legislativo. Alguns bem poucos confirmaram recebimento, mas ficou nisso…

O que fazer então? Desesperar, sem remédio? Ou fingir que não é conosco o que se passa à nossa volta, mesmo se tropeçarmos em gente dormindo na rua? Será que perdemos todos o timing, e já não temos tempo à frente para afastar do poder político o Aras, muito menos o Bolsonaro? Teremos que aceitar que o único poder que nos resta, como cidadãos e cidadãs, que é grande e só nosso – é o exercício do voto para escolher quem nos represente nos Poderes Legislativo e Executivo? E assim nos adaptarmos, todos, à solução encontrada pelos políticos profissionais: derrubar Bolsonaro na eleição de outubro próximo, como se vivêssemos tempos normais de alternância democrática no poder?

Mas enquanto pensamos no que fazer o espaço da mídia vai sendo tomado pelos partidos, que existem para disputar o poder, e pelos candidatos à Presidência, à Câmara e ao Senado, que há dois meses se movimentam intensamente para captar eleitores e por vagas de candidato, até mudando de partido se necessário. O que fazer se tal azáfama é ainda mais alimentada pelas pesquisas de intenção de voto e pelos meios de comunicação que se comprazem oferecendo o espetáculo das negociações, devidamente comentadas, entre as raposas da política?

Ao mesmo tempo, as telas das televisões se encarregam de nos ocupar com campeonatos, bandas musicais e até imagens e notícias da guerra da vez, entremeados pela propaganda de produtos que nos darão a felicidade e de investimentos que nos enriquecerão. Tudo parece conspirar para que seja aplicada em todos nós, sem que o percebamos, uma anestesia geral que nos fará nos acostumarmos também com nossa impotência, ajudando-nos a guardar nossas indignações em algum lugar protegido de nossas consciências. Preparando-nos para o mundo cinza em que acordaremos depois que termine esta terrível quadra da história de nosso país.

Tudo isto me faz lembrar o poema de Brecht sobre a ascensão do nazismo. Ele nos disse, com outras palavras: vieram buscar aquele conhecido meu e eu não disse nem fiz nada; vieram em seguida buscar alguém mais próximo e eu também não me movi; depois vieram buscar meu vizinho ao lado, que era até meio parente, mas continuei sem dizer nem fazer nada; até que um dia vieram me buscar. É a “naturalização” do que acontece, com o inaceitável e o indefensável se tornando normais, a pior das doenças que pode acometer um país.

Assim, vitimados por ela, deixamos que a avalanche de mensagens e notícias que nos atingem até no recôndito de nossos celulares nos mantenham ocupados, e esquecidos de que, antes das eleições de 2018, vieram do exterior novos tipos de criminosos, especializados em algoritmos e fake news, para treinar os nossos técnicos a serviço do mal. E os deixamos agir, achando que seriam bloqueados por algum poder da República realmente preocupado com manipulações eleitorais mal-intencionadas. Mas eles conseguiram garantir a inacreditável vitória eleitoral de Bolsonaro. Ele então assumiu o poder, com sua linguagem chula com que se entende com seus apoiadores mais primitivos. E logo começaram a passar as primeiras “boiadas” destruidoras, no cumprimento das suas promessas, mas achamos que tudo poderia ser depois remediado. Hoje nos damos conta da dimensão do esforço que será necessário se pudermos reconstruir o país.

Esquecemos também do susto que levamos em seguida, com as primeiras 100.000 vítimas da pandemia. Pensamos então que iria parar por aí e tocamos a vida como podíamos, em nossos isolamentos. Estamos agora nos aproximando das 700.000 mortes.

Os que não sabiam que as “rachadinhas” eram corriqueiras em nossos Legislativos ficaram escandalizados quando foram denunciados os Queirozes da vida, encarregados de recolherem os frutos desses roubos, com que se enriqueciam os filhos parlamentares de Bolsonaro e de que ele já se servira. Hoje a ele lhe basta o cartão de credito corporativo de Presidente da República. E acabamos de nos escandalizar com os auxiliares de um Ministro que pediam, como propina pelos serviços que prestavam com verbas públicas, alguma porcentagem enfeitada de um quilo de ouro – cuja obtenção pelo garimpo ilegal era e continua sendo estimulada por Bolsonaro e seus generais ainda que destrua rios, florestas e comunidades indígenas e ribeirinhas e os contamine com mercúrio. Mas vivemos tempos de impunidade, a começar pela do próprio Presidente… E ainda nem fomos informados do volume dos lucros obtidos por uns e outros com a venda de patrimônios nacionais ou com desmatamentos e outros crimes ambientais…

Enquanto isso, pouco a pouco Bolsonaro já está retomando seus ataques irritados contra o STF e as urnas – agora em companhia de um novo general como candidato a vice. E não estou seguro que consigamos convencer muita gente a protestar nas ruas – segundo os entendidos em política, é isto que de fato provoca a queda de maus governos. Não estou seguro também que ainda tenhamos fôlego para outros tipos de pressão possíveis e necessárias: sobre o Senado, para que tome pela primeira vez uma decisão que marcará a história do Brasil, destituindo um Procurador Geral da República; sobre o novo Procurador Geral que assuma esse cargo, para que não se oriente como o Procurador destituído; sobre o próprio STF, para que não convalide a triste liminar que abriu espaço à prevaricação de Aras; sobre a Câmara, para que autorize o processo criminal de Bolsonaro, se o Senado não destituir antes o PGR. Ainda que nada disto atinja seus objetivos, serviria pelo menos para desgastar, aos olhos dos muitos desinformados de nosso país, a candidatura de Bolsonaro à reeleição, assim como ajudar a eleição de um Congresso com menos oportunistas.

Uma grande dúvida ainda paira no entanto sobre nós, menos azul que o pendão da esperança: e se Bolsonaro e sua gangue impedirem as eleições, ao se convencerem de que serão derrotados, repetindo algo parecido com o que já fizeram na tentativa de virar a mesa no 7 de setembro passado, quando colocaram 100 caminhões gigantes na Esplanada dos Ministérios, com gente rompendo durante a noite as barreiras que os impediam de descer à Praça dos Três Poderes, enquanto o Presidente do STF vivia, apesar de protegido pelos guardas por ele convocados, o dia mais tenso de sua vida, como ele mesmo agora o disse?

E se depois das eleições, dados seus resultados, Bolsonaro e sua gangue declararem que houve fraude, e suas milícias, PMs e civis recalcados começarem a usar as armas, cuja entrada no país ele praticamente liberou, para “justiçarem” os opositores do Presidente, assim como os “comunistas”, os negros, os indígenas, os LGBTs, e até as mulheres que se levantaram pelos seus direitos? E se, por causa do caos assim criado, nossas “forças armadas” intervierem para pôr ordem no pedaço e então, já que até terão prendido o inominável, tomarem o poder para mais 15 anos de autoritarismo militar, submisso aos grandes interesses econômicos dominantes no mundo?Image

 

Talvez sejamos salvos pelo que D.Helder Câmara, um dos nossos Bispos campeões da luta contra a ditadura, chamava de “minorias abrâmicas”, dizendo que “o mundo não mudará pela ação isolada de líderes esclarecidos e sim pelo empenho comunitário de grupos de resistência e de profecia”. Que esses grupos se lembrem também do que dizia D. Evaristo Arns, outro de nossos bispos, campeão da luta contra a tortura nessa mesma ditadura, ao se despedir de quem o visitava: “força e coragem!” É do que estamos urgentemente precisando. Quem sabe o Papa Francisco, para não saírmos do mundo dos religiosos comprometidos com a sorte de todos, nos dará sua benção.

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03
Abr22

A sombra macabra da ditadura será dissipada pela democracia

Talis Andrade

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É inconcebível a audácia débil das Forças Armadas, a qual cabe servir ao país e não a um governo

 

 

por Márcia Lia

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A sombra macabra do golpe político-empresarial-militar que instituiu a ditadura militar no nosso país, infelizmente, ainda não foi dissipada. 

O acordo pela estabilidade institucional que pavimentou as bases da anistia e abriu alas para compor a Constituição Federal de 1988, nos últimos tempos, tem sido solapado, enquanto valores totalitários passaram a ser exaltados pelo presidente Jair Bolsonaro, que, constantemente, infringe o dever de defender a Carta Magna nacional.   

A contestação dos parâmetros constitucionais tem sido recorrente nas manifestações do presidente Jair Bolsonaro. Neste ano, ela foi antecedida pela censura aos artistas, que se apresentaram no show musical Lollapalooza, e avançou com os pronunciamentos do presidente, em 31de março, em razão dos 58 anos do golpe militar.

Assim como Bolsonaro, representantes das Forças Armadas enalteceram o golpe militar na Ordem do Dia publicada pelo ministro da defesa, general Braga Neto, em alusão aos 58 anos do golpe que impôs 21 anos de nefasta ditadura militar no Brasil, quando o terror do Estado censurou, perseguiu, torturou, desapareceu e executou críticos, resistentes e oponentes ao regime.

É inconcebível a audácia débil das Forças Armadas, a qual cabe servir ao país e não a um governo.

As constantes tentativas de intimidações do presidente Bolsonaro e de seus asseclas não passarão.

As forças democráticas têm em sua gênese o brilho libertário que romperá as névoas da censura e os ensaios autoritário que tentam turvar nossa sociedade.

As conquistas do Estado Democrático de Direito devem ser reafirmadas e consolidadas a partir das próximas eleições, de forma legítima e lícita. 

O povo brasileiro sabe o valor da democracia, exercerá sua cidadania e levará às urnas o projeto que trará em seu bojo dias límpidos e que explicitará a verdade e a elevação da democracia, da justiça, da inclusão e da soberania.   

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28
Mar22

Gente podre no poder

Talis Andrade

 

 

 

 

 

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Reinaldo Azevedo
Bolsonaro diz q embrulha o estômago, às vezes, cumprir a Constituição. Faz sentido. Urubu vomita qdo se sente ameaçado. O fedor da carne podre e fermentada é insuportável. Entendeu, presidente? Vomitar é da natureza do urubu. Ficar enjoado c/ a democracia é da sua natureza. Nojo!
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Bolsonaro diz q eleição “é luta do bem contra o mal”. Tem razão. Só está errado numa coisa: ñ é um confronto entre forças do outro mundo, mas deste. Milícias, pastores vendilhões, desmatadores, fascistoides, golpistas, misóginos, homofóbicos, negacionistas… Tudo deste mundo.
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Lenio Luiz Streck
Qdo Dallagnol fez o Power Point, os jornalões deram CAPA. Inteira. DD condenado, deram 5 linhas. Qdo era contra o PT, JN tinha a tubulação saindo $$. Lembram? Agora com os pastores do MEC, nada. Não deveria ter uma Bíblia da qual saem $$? Oh, grande imprensa!
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@LenioStreck
Nunca o Brasil foi tão BBB: Boi, Bala e Bíblia. Fácil passar a boiada de pastores! Ligeiro como bala! Vendilhões do templo, da Bíblia, aqui é literal. No Brasil, “comissão” e tráfico de influência não é crime: é projeto! Oremos!
Renato Terra
Essa frase foi tirada da coluna que publiquei hoje na
@folha que fala sobre o Messias que guiou a alma de um pastor para operar o milagre da multiplicação de verbaswww.brasil247.com - { imgCaption }}
O pastor tirou atenção do orçamento secreto, que tirou atenção da prevaricação no caso Covaxin, que tirou atenção da viagem de Carlos à Rússia, que tirou atenção do talento imobiliário de Flávio, que tirou atenção das rachadinhas. Mas não há corrupção no governo Bolsonaro!ImageImage
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Natália Bonavides
Mais um prefeito relata como funcionava o esquema criminoso de roubo de verbas do MEC. Se fosse amigo do ministro de Bolsonaro, poderia ter 50% de desconto na propina para liberação do dinheiro. E assim, como um bom mafioso, o pagamento era pra ser feito no mesmo dia!Image
Bolsonaro quer rebater com censura o que o povo manifesta espontaneamente! O consentimento do TSE a lógica repressiva do Governo é um alerta p o grau de importância da disputa de 2022 nos rumos do país. Uma decisão absurda q não pode ficar sem contraponto.Image
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CORONEL SIQUEIRA 
O OURO VAI PARA O MINISTRO RAUL ARAÚJO, DO TSE, QUE RESOLVEU PROIBIR A LIVRE EXPRESSÃO DE ARTISTAS EM UM FESTIVAL PRIVADO!!! ESTÁ PROIBIDO CRITICAR O PRESIDENTE!!! PARABÉNS, MINISTRO!!! OBRIGADO POR ESSA AMOSTRA GRÁTIS DE COMO A JUSTIÇA SERÁ IMPARCIAL NAS ELEIÇÕES DE 2022!!!
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O deputado federal Paulo Pimenta (PT) criticou o ex-coordenador da Força Tarefa da Lava Jato de Curitiba, Deltan Dallagnol. “É muito ridículo, um bandidinho de 5ª categoria”, disse o deputado.“Esse DD é muito ridículo. Vi um vídeo dele com cara de choro, mentindo descaradamente e fico pensando: como pode essa mídia sabuja e um monte de micos adestrados ter dado o tratamento que deu para esse meliante. Bandidinho de 5ª categoria”.

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23
Mar22

Deus acima de todos. E pastores do bezerro de ouro acima de Deus, é claro!

Talis Andrade

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por Reinaldo Azevedo

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"O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos, e o Bezerro de Ouro acima de Deus". Esse deve ser agora o lema do governo Bolsonaro. O pastor Mílton Ribeiro, ministro da Educação, não pode continuar mais um único dia à frente da pasta. Deveria ser demitido e proibido de entrar no prédio, deixando por conta de algum servidor administrativo a tarefa de arrumar os seus teréns para, em seguida, desaparecer da vida pública — a não ser, claro!, para responder a eventuais ações penais e de improbidade administrativa. Se a coisa já era insustentável, piorou muito.

Gilberto Braga (PSDB), prefeito de Luís Domingues, no Maranhão, diz com todas as letras, informa reportagem do Estadão, que o pastor Arílton Moura cobrou dele, em abril do ano passado, uma taxa de R$ 15 mil para que seu pleito, apresentado ao Ministério da Educação — da ordem de R$ 10 milhões — fosse oficializado. E não era só com Braga, não. O encontro reunia outros prefeitos, e todos receberam o número da conta de Arilton. Os R$ 15 mil correspondiam, vamos dizer, a uma taxa de inscrição. Braga não pagou, e seu pedido não prosperou. Mas havia mais.

Como Braga vem de uma região em que há mineração, o ousado pastor cobrou um quilo de ouro de taxa de sucesso: se liberado o recurso, aquele homem de Deus receberia, então, o vil metal — algo em torno de R$ 304 mil na cotação desta terça. Arilton é um dos dois pastores que intermedeiam a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. O outro é Gilmar Santos.

Na segunda, a Folha revelou que, em reunião com prefeitos, na presença desses dois monumentos morais, Ribeiro afirmou que sua prioridade, claro!, era atender aos municípios que mais precisassem de recursos. Em seguida, o que valia mesmo eram os pedidos de Gilmar — e de Arilton. Disse mais: estaria cumprindo ordens do presidente Jair Bolsonaro.

Em conversa gravada, o ministro afirmou: "Sobre a questão do Gilmar... O apoio, ao apoio que a gente pede, não é segredo, isso pode ser publicado, é apoio sobre a construção das igrejas..."

Parlamentares já se movimentam para acionar a Procuradoria Geral da República. Não basta, é evidente, a abertura de um procedimento preliminar, não é mesmo, Augusto Aras? Há a confissão do ministro de que os pastores, que não exercem cargo público nenhum, interferem na liberação de recursos milionários. A sugestão de que existe uma contrapartida é explícita. Cabe ao Ministério Público Federal e à PF a condução da investigação. Além da confissão, há um testemunho explosivo: parece claro que Arilton não contava só com compensações divinas. Fosse assim, ele pediria apenas rios de leite e mel quando chegasse ao Paraíso. Segundo o prefeito, ele cobrou coisas bem terrenas: dinheiro e ouro.

Se assim se deu com o prefeito Gilberto Braga, não há motivo para ser diferente com os outros. A questão é grave demais para ficar entregue apenas ao Ministério Público Federal e à PF. Ainda que seja difícil, é preciso, sim, tentar instalar uma CPI. O que o governo Bolsonaro fez com os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação?

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é filho do seu pai, opõe-se à saída de Ribeiro. A seu juízo, o pastor faz um excelente trabalho à frente do Ministério da Educação porque estaria combatendo o comunismo... Entendi: um jeito de enfrentar, então, a coletivização comunista, como se nota, é privatizando o dinheiro público, distribuindo-o entre os amigos. A posição deste senhor pode ser, em si, chocante, mas não é surpreendente. No fim das contas, poder-se-ia perguntar, o que esperar de um dos protagonistas da rachadinha? Ocorre que o ponto pode ser outro.

Por incrível que pareça, Flávio ainda é o elemento mais prudente e moderado da família — e isso diz muito dos demais, claro! Insistir na permanência de Ribeiro — a menos que este peça demissão — é um jeito de preservá-lo e de evitar que venha a se tornar um fio desencapado. Não há uma só alma em Brasília que acredite que Milton Ribeiro tinha "o seu" esquema no MEC. Mostrou-se, na pasta, um fiel cumpridor de ordens. Entenderam?

Dado o testemunho de Ribeiro — e sua nota tentando se desmentir foi muito pouco convincente —, é claro que Bolsonaro também tem de ser investigado. É pouco crível que um esquema como esse funcionasse no Ministério da Educação sem o seu conhecimento. Antes da acusação feita pelo prefeito, sentia-se o cheiro do tráfico de influência e da tramoia política. Depois dela, vê-se que o esquema pode também ter movimentado muito dinheiro. E o nome disso — precisa ver os tipos penais específicos— é mesmo roubalheira, corrupção.

Com o Orçamento terceirizado ao centrão, Bolsonaro, já escrevi, virou boneco de mamulengo do próprio governo. O que indica o esquema dos pastores? Deu-se um jeito de avançar nos desembolsos obrigatórios da Educação. E é possível que outras verbas carimbadas estejam sendo alvos de assalto semelhante.

O centrão e a bancada evangélica, diga-se, não estão gostando dessa folia. Parece que Bolsonaro decidiu, por meio de Ribeiro, ter, vamos dizer assim, o seu próprio esquema evangélico.

É uma esculhambação.

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