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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

10
Dez20

Lawfare latino-americana: a Operação Condor do século 21

Talis Andrade

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Não estamos habituados com essa ave, o condor, embora seja a maior ave voadora do mundo. Ela pode ser encontrada ao Norte, na Venezuela e Colômbia, com mais frequência na região andina, podendo esporadicamente estar no sudoeste do Brasil, até a Terra do Fogo, na Argentina. Um típico símbolo da América Latina, que se alimenta de roedores e carniça.
 

Os agentes repressivos, à frente das forças armadas na época da ditadura civil-militar, estavam atentos ao símbolo e batizaram de Operação Condor a colaboração instituída entre os regimes ditatoriais da América Latina. Essa aliança político-militar, levada a cabo nos anos 1970 e 1980, era coordenada pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos.

Inúmeros documentos divulgados anos mais tarde pelo serviço secreto estadunidense apontavam essa ação conjunta com o propósito de eliminar os grupos de oposição às ditaduras, simbólica e até fisicamente, da maneira que fosse necessário, seja com ações terroristas do próprio Estado ou exílios forçados. A Operação Condor aproveitava para trocar informações sobre os prisioneiros de diferentes países e fragilizar as organizações de luta pela resistência.

Cortamos desse contexto para o ano de 2020. Momento em que nos deparamos com uma rearticulação e avanço de grupos de extrema-direita na América Latina e nos Estados Unidos, estabelecidos na sociedade civil e chegando ao comando dos Estados. Alguns desses grupos, como no caso brasileiro, chegaram ao comando da nação através das eleições, mesmo que para isso fosse necessário deturpar a democracia, articulada por fake news e por outra novidade dos tempos atuais, o lawfare.

Esse último termo em inglês significa o uso de instituições jurídicas, de forma abusiva, para perseguir adversários políticos. Dessa forma, a atividade política de grupos que estavam no comando do Estado poderia ser criminalizada.

Da mesma forma que a bandeira da corrupção foi usada com sucesso na ditadura militar, ela foi repaginada para o convencimento da opinião pública e a sustentação do lawfare. A corrupção, apesar de termo forte, seu significado é facilmente maleável pelos grupos que estão no poder. Esses grupos políticos podem, com um ato legislativo, transformar o que era legal em ato corrupto e o que era corrupção em ato legal. Vide a legalização das “pedaladas fiscais” semanas depois de condenarem politicamente a ex-presidenta Dilma pelo ato.

Uma nova colaboração carreada pela extrema-direita na América Latina e coordenada pelos Estados Unidos foi articulada. As operações de lawfarecumpriam o papel que já foi operacionalizado pela Operação Condor, de troca de informações entre esses países latino-americanos com o intuito de difundir uma nova tática antidemocrática de aniquilamento das forças opositoras.

vazamento de informações pelo Intercept e as diversas viagens do ex-juiz Sérgio Moro aos Estados Unidos para capacitação nos órgãos de estado são provas cabais e de conhecimento público dessa articulação.

Os resultados do lawfare foram imediatos, conforme se aproximavam os pleitos eleitorais:

Equador: Em fevereiro de 2021 está programada a eleição presidencial, que teria como candidato à vice-presidente, o ex-presidente Rafael Correa. Em setembro de 2020, a Justiça equatoriana confirma a condenação de Rafael Correa, exilado na Bélgica, a oito anos de prisão e perda de direitos políticos por 25 anos. Fundamento: casos de corrupção no governo, recebimento de “contribuições indevidas” não demonstradas.

Bolívia: No fim de 2019, ocorreu um golpe com direito a milícia ameaçando de morte alguns políticos, inclusive o ex-presidente, ação de grupos militares, invasão dos prédios públicos, e caso não seja novamente adiada, ocorrerão eleições em outubro de 2020. Além de tentarem impugnar a candidatura de Luis Arce a presidência, em setembro de 2020, o Supremo Tribunal Eleitoral do país impugna a candidatura ao Senado do ex-presidente Evo Morales, exilado na Argentina por perseguição política. Fundamento: o candidato a senador mora na Argentina.

Argentina: Em outubro de 2019 ocorreram as eleições presidenciais. Em maio de 2019 iniciou-se o primeiro, de vários, julgamentos contra Cristina Kirchner, ex-presidenta. Fundamento: casos de corrupção no governo como fraudes através da concessão de obras públicas, não demonstradas em juízo.

Brasil: A operação de lawfare mais exitosa até agora, sem sombra de dúvidas, foi a operação Lava-Jato, sobretudo, se considerarem o seu resultado político: a inabilitação/prisão do ex-presidente Lula antes das eleições de 2018, único candidato capaz de vencer Bolsonaro.

Na época, já saltava aos olhos de qualquer jurista com formação mediana as violações procedimentais grotescas (conduções coercitivas, aceleração de etapas processuais, delações premiadas, etc.), que se consubstanciaram em sentenças sem lastro probatório, formalmente legitimadas por ratificação em instâncias superiores de uma estrutura Judicial carcomida eticamente, em que o corporativismo e a ideologia política falam mais alto que o senso de justiça e o respeito ao Estado Democrático de Direito.

Derrotar o caráter autoritário do que representa a Lava-Jato e o lawfare na América Latina é um imperativo absoluto para o reestabelecimento de princípios razoavelmente democráticos para a direita e para a esquerda.

Vide a postura da maioria dos jornalistas que cobrem essa operação desde Glenn Greenwald à Reinaldo Azevedo. Setores de ambos os lados já entenderam isso, apesar da grande emissora de telecomunicações brasileiras ainda não ter dado o “braço a torcer”, mas logo sentirá na “própria carne”, pois a criatura gerada já começou a engolir seus criadores.

O que um dia foi Condor, hoje tem nome em inglês, mas o propósito é semelhante: destruir as instituições e as organizações populares, fazer do povo carne barata e como a ave, se alimentar da carcaça que persistirá em resistir na América Latina.

31
Out20

"Todos os dias, os dominantes ignoram direitos e rasgam a constituição" (vídeos)

Talis Andrade

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Que sejamos mais baderneiros

 
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Sempre que realizamos algum protesto de expressão popular sobre qualquer reivindicação que seja (saúde, educação, direitos trabalhistas, etc) a primeira crítica que escutamos da mídia conservadora ou quando lemos alguns comentários nas redes sociais é de que tudo não passa de obra de um bando de baderneiros.

No entanto, todas as nossas manifestações dos últimos anos são reivindicações de princípios e direitos já garantidos na constituição brasileira. A baderna da juventude que ocupa escolas e universidades, muito além de lutar por uma educação pública de qualidade (Art. 6º da Constituição), também promove a autonomia e a participação social e politica dos jovens, previstos tanto no Estatuto da Criança e do Adolescente quanto no Estatuto da Juventude.

A baderna, promovida pelos grupos feministas, é a luta pela equidade de gênero e pela dignidade humana da mulher, da mesma maneira que a baderna realizada pelos movimentos negros é a luta antirracista e pela igualdade. Outro exemplo é a baderna dos sem terra e dos sem teto, que apenas lutam pela realização da função social da terra rural e da terra urbana. Até porque, segundo a própria constituição, a propriedade privada deve cumprir a sua função social porque senão ela servirá apenas como mais um instrumento de acumulação de riquezas e de promoção da desigualdade.

 

As ditas badernas giram em torno do que já está garantido no papel, mas que precisa se concretizar na vida cotidiana das minorias!

Todos os dias, os dominantes ignoram direitos e rasgam a constituição. Em casos como o de Rafael Braga, preso por estar com pinho sol e 0.6g de maconha - o que não deixaria nenhum filhinho de papai de pele clara na delegacia por mais de duas horas - é um clássico exemplo de que a lei não é aplicada para todos da mesma maneira.

O episódio dos 18 jovens do Centro Cultural de São Paulo (CCSP) que estão sendo processados por estarem indo a um protesto do “Fora Temer” - que se por ironia fosse uma manifestação pró-impeachment de Dilma Rousseff nem sequer teriam sido abordados - é também um exemplo de desrespeito ao direito de livre manifestação.

Os detentores do poder, que se escondem debaixo de togas, de mandatos e de empresas, tentam inverter os papéis da sociedade. Eles não se enxergam como responsáveis por perpetuar as desigualdades e ainda se consideram vítimas das ações afirmativas; entendem como regalias os direitos que são concedidos pelo Estado aos trabalhadores mais vulneráveis. Por isso que todas as vezes que questionamos e tomamos as ruas pela luta por direitos, o sistema contra-ataca nos intitulando de baderneiros. Esquecem que os causadores do verdadeiro caos são eles mesmos, que persistem na manutenção de seus próprios privilégios.

Essa classe raivosa atropela direitos dos trabalhadores, dos negros, das mulheres e LGBTIS. Cinicamente conseguem transformar a luta por direitos em arma de criminalização e repressão aos movimentos sociais. Eles passam por cima do crivo popular em seus projetos de lei, medidas provisórias e propostas de emendas constitucionais - e de tempos em tempos golpeiam a democracia.

Particularmente considero o adjetivo “baderneiro” muito mais como um elogio. Pois, se estamos exigindo o compromisso com a constituição e reivindicando direitos das minorias ainda não consolidados, significa dizer que estamos exercendo a cidadania, que apenas se inicia nas urnas.

Mais do que nunca é preciso ser mais baderneiro e ir às ruas, porque denunciar as injustiças dos ordeiros e paladinos da moralidade não cabe dentro de um vídeo de 15 segundos feito para a televisão.

Gostem ou não, a cidadania é construída nas ruas por quem mais gera riquezas para o país: o povo. É da cidadania plena que eles mais têm medo, porque sabem que é através dela que podemos vencê-los. Enquanto a nossa baderna girar em torno da luta pela justiça social, pela verdadeira democracia e pela fraternidade entre as pessoas, estaremos no caminho certo.

Que sejamos todos cidadãos, que sejamos mais baderneiros.

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20
Jul20

Lava Jato se autodenomina “operação”, como faziam as forças de repressão dentro da ditadura

Talis Andrade

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IV - A hegemonia da crueldade: Como uma elite raivosa enfiou uma faca no coração da democracia

por Maria Inês Nassif

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A indignação com a crueldade e com a injustiça é o legado que devemos deixar quando denunciamos, para que se registre na história, que o povo e a democracia brasileiros, na última década, são vítimas de uma elite vil, que prefere sacrificar a própria democracia a “conceder” a um projeto socialdemocrata de inclusão social onde pobres, pretos, mulheres, índios, quilombolas e LGBTs aspirem à igualdade.

Por essa razão abrimos essa edição com o capítulo Uma elite cruel. O artigo de Jessé Souza, “Como Moro e a Lava Jato buscaram destruir Lula e a democracia brasileira”, mostra a veia aberta de um país dominado por uma elite desumana. Lula tornou-se o centro do ódio, contra o qual a elite brasileira sacrificou qualquer valor democrático, porque ela própria não pode assumir que, na verdade, alimentava o “ódio (…) perverso ao mais fraco, ao perseguido ao abandonado” – uma verdade tão inconfessável que foi preciso personificá-la “na figura de seu líder maior”.  “Essa é a lei não escrita de toda a sociedade marcada pela escravidão.”

Eugênia Gonzaga e Luís Nassif, em “Da (não) Justiça de Transição à Lava Jato”, também apontam nas raízes autoritárias brasileiras a fragilidade da democracia brasileira. “É a ideologia do direito à eliminação de um ‘inimigo interno, cultivada à margem do regime democrático, que deságua na operação Lava Jato”, observam. Não à toa, a Lava Jato se autodenomina “operação”, “como faziam as forças de repressão dentro da ditadura.”

Em “A força-tarefa e a tarefa da força”, Pedro Pulzatto Peruzzo e Vinicius Gomes Casalino constatam que a chamada “República de Curitiba” exerceu a lógica de que “soberano é quem decide sobre o Estado de exceção”. (Continua)

26
Nov19

Em entrevista nos EUA, Guedes ameaça com volta da ditadura: 'Não se assustem se alguém pedir o AI-5'

Talis Andrade

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira (25) que não é possível se assustar com a ideia de alguém pedir o AI-5 diante de uma possível radicalização dos protestos de rua no Brasil.  

A afirmação foi feita durante entrevista coletiva em Washington, em que Guedes, fã declarado dos ditadores do Cone Sul, comentava a convulsão social e institucional em países da América Latina, e disse que era preciso prestar atenção na sequência de acontecimentos nas nações vizinhas para ver se o Brasil não tem nenhum pretexto que estimule manifestações do mesmo tipo, informa a jornalista Marina Dias na Folha de S.Paulo.   

Cria de Pinochet, mãos leves da previdência, banqueiro falido, proprietário de redes sexuais na internet, Paulo Guedes, o gênio da economia do governo Bolsonaro,  pretende transformar o Brasil no Chile da Operação Condor.

"Sejam responsáveis, pratiquem a democracia. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo para quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente? Levando o povo para a rua para quebrar tudo. Isso é estúpido, é burro, não está à altura da nossa tradição democrática."  

Paulo Guedes justificou as ameaças sobre a edição de um novo AI-5 feitas por um dos filhos de Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro. Para ele, trata-se de uma reação ao que chamou de convocações feitas pela esquerda, endossadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo depois de ser solto, há pouco mais de duas semanas.  

Guedes disse que era "uma insanidade" o petista pedir a presença do povo nas ruas, e que "chamar o povo para rua é uma irresponsabilidade".   

O ministro de Bolsonaro confirmou que o projeto de lei que prevê o excludente de ilicitude seria também uma resposta de Bolsonaro a Lula. O excludente de ilicitude, proposto por Sergio Moro em seu pacote anticrime, é considerado uma licença para a polícia matar.

Dizem que a ministro Damares Alves tinha sido escalada para a anunciação do AI-5. Mas lhe faltou coragem.

Informam as jornalistas Luciana Amaral e Constança Rezende, do UOL:

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos convocou ontem à tarde uma coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. Ao chegar ao local, porém, estava aparentemente abalada e abandonou a entrevista sem responder às perguntas feitas.

Cerca de um hora depois do ocorrido, a assessoria de imprensa da ministra informou que o episódio foi uma encenação. "Objetivo era mostrar como o silêncio da mulher incomoda", informou a assessoria. "Se uma mulher perde a voz, todas perdem", afirmou.

25 de Novembro é o Dia do Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. 

Para justificar mais um comportamento maluco beleza, Damares alegou se tratar de uma encenação para tentar chamar a atenção para a violência contra a mulher. "Eu fiquei em silêncio para que vocês sintam como é difícil uma mulher ficar em silêncio. Quando eu queria falar tanto com vocês hoje, dizer para vocês dessa campanha belíssima, eu preferi o silêncio. É muito ruim tirar a voz de uma mulher. Era esse o recado que eu queria dar. E obrigada por terem participado, voluntariamente e involuntariamente, da campanha. Que todas as mulheres tenham voz".

Com o AI-5 da ditadura militar de 1964, milhares de mulheres foram presas e torturadas e trucidadas porque ousaram falar. 

Imprensa safada aceita esse espetáculo circense de Damares e da lama. Essa mulher do pé da goiabeira é o espalha fato do governo Bolsonaro, para tirar o foco da imprensa dos terríveis assuntos principais. Dos retrocessos de um governo de castas. Tudo para as elites. O povo sofre, passa fome. O governo do falta tudo. Falta medicamentos, falta médicos, falta emprego. Quem trabalha recebe o salário do medo, a aposentadoria tardia e indigna. O governo oferece a polícia capitão-do-mato, a vida animalesca dos sem terra, dos sem teto, dos sem nada, dos moradores de rua, a perseguição secular aos índios, aos negros, aos pobres em geral, o desamor cristão.

Como ninguém leva a sério o que Damares diz, a ameaça do AI-5 seria mais fácil desmentir, desde que não encontre eco nas forças armadas e no povo em geral.

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20
Nov19

Ditador Pinochet será homenageado na Assembleia Legislativa de São Paulo

Talis Andrade

O evento foi um pedido do deputado do PSL, Frederico D'Ávila. A celebração busca valorizar o nome do general que instaurou a ditadura de 1973 a 1990

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Deputado Frederico patrocina homenagem a Pinochet

 

O ditador chileno Augusto Pinochet será homenageado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), no dia 10 de dezembro, data de sua morte e Dia Internacional dos Direitos Humanos. O evento foi um pedido do deputado do PSL, Frederico D’Ávila.

A celebração que busca valorizar o nome do general que instaurou a ditadura de 1973 a 1990 no país latino-americano foi divulgada e criticada nas redes sociais nesta quarta-feira (20). Na agenda da Assembleia Legislativa, o evento aparece sem o nome completo do ditador, omitindo o principal nome Pinochet:

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O ato “Solene em Memória do Presidente Augusto P. Ugarte” [confira] está marcado para ter início às 18h do dia 10 de dezembro, no Auditório Paulo Kobayashi da Assembleia, e ocorre em meio à maior crise social e política do país desde a ditadura, contra o modelo econômico implementado no país com Pinochet.

Com a reação das redes sociais, um abaixo-assinado foi criado na página Change.org contra a iniciativa [acesse aqui].

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Frederico D’Ávila, do PSL (eleito nas sobras), que teve um ascendente que matou milhares de índios na Bahia e Pernambuco, aposta que é mais direitista e nazi -fascista que Pinochet.

Fredericu defendeu a reforma trabalhista de Temer, e aprova a reforma trabalhista de Bolsonaro, e o pacote anticrime de Moro. Inclusive recebeu um convite para exaltar Pinochet nas ruas do Chile, mas declinou da homenagem. Com medo do povo.

Frederico ora está com Bolsonaro, candidato à reeleição, ora prometer fazer campanha para Doria presidente. Com informações do jornal GGN. 

Frederico que ama Pinochet convidou Bolsonaro que ama Ustra. 

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02
Ago19

A ditadura jurídica do herói 666

Talis Andrade

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por Nívea Carpes

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“Ninguém acreditará que fizemos o que estamos fazendo, não haverá traços nem memória” é uma frase recorrente no nazismo, mas parece ecoar bastante bem os propósitos de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. Ela reflete a consciência dos crimes cometidos que pretendiam deixar sem rastros, sem corpos e sem memórias. 

São muitas as formas violentas de eliminação simbólica, mais do que de eliminação física. A Lava Jato constrói-se nessa perspectiva, orientada pela lógica neoliberal da elite brasileira e com intensões colonialistas. A Lava Jato reedita a Operação Condor, para sujeição da nação brasileira aos interesses econômicos e energéticos americanos. Os agentes da implementação do projeto receberiam a contraprestação financeira e para suas mais altas ambições.

Estamos tratando de métodos para retirar o Brasil da disputa de posições no topo das potências mundiais, utilizados para apagar-se da história os anseios e as ações postas em prática para que o povo fizesse parte dos interesses de Estado e também para retirar do mercado internacional grandes empresas nacionais que ocupavam domínios empresariais estratégicos na geopolítica mundial. Para isso, foi necessário cooptar Moro e Dallagnol, para que construíssem a farsa de limpeza, em farsescas punições. Como se eles não estivessem aliados de maneira corrupta para o projeto, uma vez que entregariam a soberania nacional recebendo benefícios pessoais.

Por outro lado, é uma recorrência no modus operandi das elites a utilização da bandeira da corrupção como mote para colocar em prática planos escusos. Contudo, o que seria o capitalismo, o neoliberalismo e o jogo do mercado financeiro se não um vale tudo? A defesa do liberalismo não leva em consideração que se trata de um “salve-se quem puder”? A última questão que está posta nesses alinhamentos é a ética e a legalidade. Para que serviriam os departamentos de inteligência nas empresas, se não para fazer a “limpa” espionagem de mercado, em prol de adiantar-se aos passos dos concorrentes e até mesmo para furto de ciência e tecnologia? Qual “mundo limpo” as elites vendem quando levantam a bandeira da corrupção?

A direita crê que a primazia dos recursos financeiros e naturais do Brasil são de um segmento apenas da sociedade, o que sempre esteve no poder. Quem desajustou a balança? O Partido dos Trabalhadores extrapolou quando propôs que o pré-sal fosse de todos e que com esses ganhos o Brasil financiaria mais tecnologia, educação e saúde para seus cidadãos. Considerar as riquezas nacionais para todos e de todos foi o pecado capital, quando as raposas velhas não puderam mais tolerar os arroubos do populismo (esse que é tão mal classificado teoricamente, por se tratar de políticas para pobres). O pré-sal poderia colocar-nos entre os países ricos!

Eles elegeram um inimigo universal, a corrupção, como foram os “terroristas” do comunismo. A intensão era tomar o poder sem maiores cerimônias, consumir os desavisados egoístas – esses de um ódio mortal contra quem possa ascender socialmente e disputar espaços. Nesse caso, o inconsciente nos trai cotidianamente, basta usar o gatilho de nossas piores pulsões. Os amestrados, formados para colocar o plano em ação – detonaram as piores sensações da sociedade brasileira - não por acaso, é o fel que abre caminho e azeita as engrenagens do plano arquitetado através da Lava Jato.

A Lava Jato fez uso da violência simbólica, uma vez que os direitos de Lula foram negados e a prisão de Lula foi um pretexto que consome a soberania e a constitucionalidade. Os advogados estavam grampeados e Cristiano Zanin não foi ouvido – nada que fizesse importava, a sentença estava dada. Acabar com Lula era acabar com as forças do povo, era interromper a potência da população em geral, era desacreditar toda a política e era desacreditar do Estado brasileiro. A prisão de Lula é a morte das forças de luta, é a morte da proteção às instituições, é o congelamento das atitudes, restando somente a Lava Jato e seus heróis 666. 

A construção de pós-verdades foi o recurso central para toda essa engenhoca. A Era dos recursos à pós-verdade impõe-nos o desafio de não destruir a memória e a existência simbólica de acontecimentos, de ideias e de personagens. Os fatos são contorcidos ao gosto do público que se pretende atingir. Da modernidade líquida, tão bem discutida pelo sociólogo Sigmund Bauman, chegamos à Era dos gases. A verdade já não possui forma tangível e se torna escrava dos desejos, sem que qualquer característica lhe deva garantias ou verossimilhança.

A Lava Jato, impulsionada pela mídia, deu vazão à nossa falta de humanidade e às nossas memórias mal resolvidas. Essa experiência pós, pós-modernidade, tem vínculos profundos com o passado, primeiro, com a herança colonialista, depois, com a ditadura não passada a limpo. São experiências que deixam rastro, que mantêm a porta aberta para novos episódios, que preservam uma chama de autoritarismo e arbítrio. 

Segundo Sófocles, uma nação que transforma a anulação moral em política escreve o seu fim.

Se vale tudo para uma suposta “limpeza”, se esquecer os excessos é o preço que se deve pagar para ter “justiça”, assinamos nossa ruína! Quem coloca o monstro do arbítrio de volta na jaula? Até onde irão os sujeitos que ficam autorizados pela sociedade para definir a excepcionalidade como forma de fazer justiça? Moro deixa claro, como ministro ou juiz, que se considera nas condições de subverter as regras para fazer o justo. O justo é sua obsessão por poder. 

Estávamos enganados, quando acreditamos numa certa estabilidade das instituições. A Constituição Federal, boa parte dela, ficou dormente em aspectos essenciais. A Carta Máxima não tem sido utilizada para proteger os limites mínimos da convivência civilizada. Moro apresentou-nos a posse dos poderes sem qualquer compromisso institucional, sem qualquer senso republicano e democrático.

Daqueles que distribuíram fel, vimos a classe média com as vísceras para fora, essa que não se preocupa se os ricos vão ficar mais ricos, que até acha que eles podem ficar cada vez mais ricos, só não aceita que os pobres lhes alcancem. É o que explica a diferença nos arroubos de ódio quando quem roubou é rico ou pobre. O que não pode é o pobre deixar de ser tão pobre e competir com igualdade de condições.

Pensar que tínhamos uma justiça imparcial foi um erro fatal, o mesmo cometido por Lula, quando pensou que poderia construir acordo com as elites. A direita nunca iria aceitar que nos organizássemos, nunca aceitaria os movimentos sociais, nunca aceitaria os grupos que defendem as minorias, nunca aceitaria os sindicatos. Eles não respeitam nada, estão certos de que são donos de tudo e de que devem tirar vantagens de todas as negociações que envolvem as riquezas nacionais. Eles não se importam em entregar o país às forças econômicas estrangeiras, eles não estão preocupados com soberania, eles desprezam o seu povo. As elites e os oportunistas só pensam nas contas bancárias e nas ações no mercado. 

Moro vendeu sua alma aos interesses americanos que disputam hegemonia no cenário geopolítico. Moro vendeu seu povo e não possui qualquer rumor de ética, é um psicopata social!

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29
Ago18

A Lava Jato é a nova Operação Condor

Talis Andrade

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por Mirela Filgueiras

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Vamos partir do ensinamento de Karl Marx de que o motor da história são as lutas de classes e que seus interesses são inconciliáveis. A partir dele resta claro que a esquerda conciliadora, paz e amor, está fadada ao fracasso, pois nunca será aceita pela elite.

 

O Lulinha paz e amor de outrora não pode mais existir. Se o PT ganhar as eleições novamente, seja quando for, deve, antes de tudo, enfrentar o PIG (Partido da Imprensa Golpista). A lei dos meios é requisito para a democracia. Delenda Globo!

 

As veias abertas da América Latina

 

A esquerda na América Latina nunca teve paz. Governos de esquerda democraticamente eleitos foram, são e continuarão sendo derrubados. Golpes de estado marcam nossa história.

 

"(...) a partir de 1964 se desenvolveu, inicialmente, no Cone Sul e posteriormente em boa parte da América Latina, a proliferação de ditaduras que adotaram a Doutrina de Segurança Nacional (DSN) como referência para a compreensão da realidade com a qual se deparavam. O pioneirismo no estabelecimento dessas ditaduras civil-militares coube ao Brasil, que deu o pontapé inicial do que foi uma verdadeira onda de regimes cerceadores da limitada participação política presente naquele momento. Argentina (1966 e novamente em 1976), Chile (1973), e Uruguai (1976) sucederam o caso brasileiro. Na sequência, a quase totalidade dos países da região foi submetida a regimes autoritários, em maior ou menor grau influenciados pela DSN, com exceção de Venezuela e México." (MENDES, 2013).

 

Operação Condor

 

A operação Condor foi um sistema de troca de inteligência e de repressão militar entre as ditaduras dos países do Cone Sul, mais Bolívia e Peru. Foi financiada e tutelada pelos Estados Unidos e formalmente ratificada em 1975 no Chile.

 

O objetivo era perseguir, prender, torturar e matar quem se opusesse às ditaduras militares nesses países. "Estimativas menos conservadoras dão conta de que a Operação Condor teria chegado ao saldo total de 50 mil mortos, 30 mil desaparecidos e 400 mil presos." (ANGELO, 2008).

 

Cleonildo Cruz, historiador, cineasta e diretor do documentário Operação Condor, Verdade Inconclusa, em entrevista para Vítor Nuzzi, esclareceu as origens dessa cooperação entre assassinos.

 

"Apesar da oficialização da Operação Condor, a partir de 25 de novembro de 1975, essa reunião foi somente cartorial, fixação de uma data do que já existia entre as ditaduras na América Latina. Não foi o marco zero.

 

Na medida em que as ditaduras eram instaladas nos países, Uruguai, Brasil, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, os serviços de inteligência eram imbricados e passavam a trocar informações entre seus aparatos repressivos.

 

Vejamos que a ONU admitia, em 1960, refugiados de um país latino-americano por questões políticas, quem cruzasse a fronteira não poderia ser devolvido, mas esse entendimento foi mudado em 1969, para dificultar o asilo político e facilitar a entrega dos militantes aos seus países de origem, aos seus respectivos aparatos repressivos para serem assassinados.

 

Nos documentos descobertos do arquivo do terror, em 1992, Assunção, no Paraguai, estão documentadas várias ações bilaterais antes mesmo de 1975. A partir de 1975, o intercâmbio de informações pelas embaixadas foi realizado por um sistema informatizado criptografado, conhecido como Condortel, que facilitou as trocas de informações e realização das operações de prisão, tortura, troca de prisioneiros e tendo o total apoio dos Estados Unidos." (NUZZI, 2017).

 

Lava Jato, a nova Operação Condor

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Novamente os governos de esquerda da América Latina sofrem golpes de estado. A Operação Lava Jato, iniciada no Brasil, agora se espalha pela América Latina perseguindo e derrubando líderes de esquerda.

 

No Brasil, Lula está preso por "ato de ofício indeterminado" e Dilma sofreu um golpe de estado "num grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo".

 

Na Argentina, cadernos de um ex-motorista são considerados "provas" contra a ex-presidenta Cristina Kirchner, que levou a cabo a lei dos meios acabando com o monopólio do grupo Clarín.

 

No Chile, a ex-presidenta Michelle Bachelet, enfrentou uma queda na popularidade após acusações de corrupção envolvendo o filho e a nora e não elegeu um sucessor.

 

Mas Michelle Bachelet é um caso à parte, ela não enfrenta nenhuma perseguição judicial e hoje ocupa o cargo de alta comissária de direitos humanos na ONU (Organização das Nações Unidas).

 

Coincidentemente, em janeiro deste ano, uma reportagem do The Wall Street Journal (WSJ) divulgou que "O economia-chefe do Banco Mundial, Paul Romer, reconheceu ao jornal que o organismo financeiro, oficialmente subordinado às Nações Unidas, alterou seu ranking de competitividade empresarial e prejudicou o Chile – e, mais especificamente, Michelle Bachelet. Trata-se do relatório Doing Business, em que a posição do Chile caiu constantemente durante o mandato da socialista (2006-2010), subiu no Governo de direita de Sebastián Piñera (2010-2014) e voltou a cair quando a médica assumiu um novo mandato (2014-2018). Nesses 12 anos, o Chile flutuou entre o posto 25 e o 57." (MONTES, 2018).

 

No Peru, o ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski (PPK), foi preso sob acusação de ter recebido pouco menos de 800 mil dólares da construtora brasileira Oderbrecht por serviços de consultoria enquanto não ocupava nenhum cargo público. Outro ex-presidente, Ollanta Humala, também foi preso pela 'Comissión Lava Jato' acusado de receber US$ 3 milhões de caixa dois da Odebrecht.

 

No Uruguai, em 2016 (ano do Golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff) a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou a abertura de uma comissão de inquérito para investigar suposto caso de corrupção envolvendo o então presidente José Mujica e a empreiteira brasileira OAS. Em 2017, o então vice-presidente Raúl Sendic foi acusado de usar cartões corporativos e de afirmar ter um título acadêmico que não possuiria. O resultado foi a renúncia de Sendic.

 

Fernando Lugo, em 2008, quebrou a hegemonia do conservador Partido Colorado que há 60 anos, sendo 35 de ditadura, governava o Paraguai. Mas durou pouco, em 2012 o Partido Liberal, então da base governista, deu um golpe no ex-presidente e retirou seu apoio ao governo, tomou o poder e processou o impeachment de Lugo em apenas dois dias. Desde então o partido Colorado voltou a ganhar as eleições.

 

Em abril deste ano, Evo Morales, presidente da Bolívia, divulgou a realização de uma investigação feita pelo parlamento boliviano sobre a Odebrecht. Desdobramentos são aguardados.

 

Rafael Correa, ex-presidente do Equador, teve sua prisão preventiva decretada sob acusação de envolvimento no sequestro de Fernando Balda, ex-deputado da oposição, em 2012 na Colômbia. Durante seu mandato, Rafael Correa realizou uma auditoria da dívida externa e reduziu em 70% a dívida equatoriana, o que possibilitou ao país triplicar seus investimentos sociais.

 

Na Colômbia o ex-presidente Ernesto Samper, atual secretário-geral da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), afirmou, em entrevista à BBC Brasil, ser "preocupante juízes que fazem política abertamente".

 

"'Não só no Brasil, mas no resto da região, temos visto juízes e promotores que viraram estrelas e se prestam à judicialização da política. Atuam politicamente mas sem responsabilidade política. E de alguma maneira afetam a governabilidade democrática'", diz Samper." (CARMO, 2016).

 

Samper, que visitou Lula neste ano, enfrentou em 1996 acusações do Procurador-Geral da Colômbia de ter recebido dinheiro do cartel de Cali. Desde 1998 as eleições ficam com homens de direita, dentre eles, Juan Manuel Santos acusado por Nicolás Maduro de ter planejado o mais recente atentado contra sua vida.

 

A Venezuela merece um texto à parte. Ele está em construção...

 

"Cámpora no governo, Perón no poder"

 

É certo que Lula não será o cabeça de chapa do PT. Ele mesmo já disse: "Não iam dar o golpe para me deixarem ser candidato". A pergunta que fica é se teremos uma chapa do PT nas eleições para presidente.

 

A estratégia Haddad é Lula baseada na vitoriosa campanha "Cámpora no governo, Perón no poder" já provou ser acertada: "31% dos eleitores votariam em um candidato escolhido por Lula – o que daria a Haddad alto potencial eleitoral." (BRASIL247, 2018).

 

Mas o que é a nossa alegria também é a nossa preocupação, porque os golpistas já perceberam que irão perder a quinta eleição seguida. E nesse jogo de cartas marcadas quem muda as regras a cada jogada são os golpistas de toga. Isso significa que o PT corre sérios riscos de ficar fora das eleições.

 

"Se Lula for considerado inelegível antes do dia 17 de setembro, que é o prazo final para partidos trocarem seus candidatos, a tendência é que o PT indique o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad para assumir o lugar de Lula. Por enquanto, ele foi registrado como candidato a vice-presidente e está atuando também como coordenador e porta-voz de Lula na campanha. Caso esse cenário se confirme, a deputada estadual do PCdoB Manuela d'Ávila completará a chapa.

 

Mas, se o processo não for concluído até 17 de setembro, o PT vai ter que escolher entre indicar outro concorrente ou arriscar manter o ex-presidente na disputa, mesmo ele podendo ser barrado mais à frente, o que deixaria o partido fora da eleição presidencial." (Schreiber, 2018).

 

Essa é uma possibilidade já prevista em lei, mas e as "inovações legislativas" do judiciário? E as denúncias midiáticas do MP?

 

PT fora das eleições

 

Hoje mesmo o Ministério Público de São Paulo ingressou com uma ação de improbidade administrativa contra Fernando Haddad. A acusação é de enriquecimento ilícito e é baseada em, vejam só que novidade: delações.

Essa é a manobra do dia para tirar Haddad, e consequentemente o PT, das eleições. Virão outras.

 

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18
Ago18

A Lava Jato uma reprise da Operação Condor das ditaduras do Cone Sul

Talis Andrade

 

Natália André e Rafa Santos assinam reportagem no Yahoo:

Ausência de Lula e bronca de Marina Silva em Bolsonaro marcam o debate

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Mesmo sem estar presente, o ex-presidente Lula foi tema recorrente no debate entre presidenciáveis promovido pela RedeTV/IstoÉ. Antes mesmo do início do evento, o púlpito vazio que seria destinado ao candidato do PT provocou muita polêmica. Ao chegar ao debate, Jair Bolsonaro (PSL) fez questão de atacar Lula. “Aqui não tem púlpito para bandido não”, esbravejou. [Bolsonaro é pura baixaria. No mais, um covarde, não respeita a ausência de Lula, preso e amordaçado]

 

O púlpito foi retirado a pedido de todos os candidatos —com excessão de Guilherme Boulos (PSOL)— e foi tema de pergunta de Alvaro Dias (Podemos) a Marina Silva (Rede). Ambos criticaram a candidatura do petista que segue líder das intenções de voto e exaltaram a operação Lava Jato [Criada com a mesma finalidade da Operação Condor, que instalou ditaduras no Cone Sul para combater a corrupção].

 

Henrique Meireles (MDB) também citou o ex-presidente várias vezes ao exaltar o seu legado como presidente do Banco Central na administração petista. Lula ainda foi citado por Bolsonaro e a decisão de retirar o púlpito acabou tendo de ser explicada por Boris Casoy.

 

Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) travaram duelo de "alto nível" sobre suas propostas para a economia. 

 

[Natália e Rafa Santos exageram. Confira aqui. Alckmin e Ciro ficam devendo as simplórias propostas financeiras e econômicas. Tipo a picaretagem de limpar o nome no SPC e no Cerasa. 

 

O programa econômico de Alckmin é o mesmo de Bolsonaro, os candidatos golpistas defendem uma privatização desbragada e desde já prometem colocar no balcão Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica, para começar. Isto é, vender o que sobrar do governo de Michel Temer. A privatização, a abertura comercial irrestrita, a submissão ao FMI, um Brasil colônia do Terceiro Mundo.]  

 

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05
Jul18

MODELO LAVA JATO ESPALHA-SE NA AL PARA SUFOCAR ESQUERDA

Talis Andrade

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Mais de 50 anos depois, as elites americanas trocam o modelo golpe de Estado militar pelo de golpe de Estado sob comando dos juízes em toda a América Latina. A Lava Jato torna-se uma diretriz continental, sob orientação dos EUA, como foi a Operação Condor nos anos de 1980; Brasil, Paraguai, Argentina, Equador e México são os alvos até o momento

 

247 com Tijolaço - 50 anos depois da onda dos golpes militares e das ditaduras abertas na América Latina para sufocar os governos e líderes de esquerda na região, as elites da região criaram um novo modelo que se espalha: a Lava Jato. Em vez de militares, juízes, em muitos casos com apoio de parlamentos e executivos controlados pela direita. Da mesma maneira que no caso dos golpes militares, a "tecnologia" desenvolveu-se no Brasil (1964), com um pequeno ensaio no Paraguai (1954), e foi usada na Bolívia (1964), Peru (1968), Equador (1972), Chile e Uruguai (1973), Argentina (1966 e 1976) e em toda a América Central.

 

Repete-se o cenário, com o modelo Lava Jato: Brasil (2014), Argentina (2016) e Equador (2018). Os alvos são as maiores lideranças de esquerda nestes países: Lula, Dilma, Cristina Kirchner e Rafael Correa. Como no caso dos golpes militares, houve um ensaio prévio no Paraguai, com o golpe contra o presidente Fernando Lugo em 2012. Da mesma maneira que a Operação Condor (aqui), uma articulação político-militar entre os vários regimes militares da América do Sul sob o comando operacional do Brasil e a coordenação da CIA dos Estados Unidos, a Operação Lava Jato na região acontece sob a liderança do Brasil e a coordenação dos Estados Unidos, com uma intensa troca de informações e contatos entre os juízes, promotores e procuradores dos países da região com instituições públicas e privadas norte-americanas.

 

Um caso pouco conhecido no Brasil é o do presidente eleito do México, vitorioso no último domingo, López Obrador, sofreu um processo similar entre 2004 e 2005, quando era prefeito da Cidade do México, um cargo que tem importância estratégica no país. O então prefeito sofreu uma acusação ao estilo "pedaladas fiscais" quando tentaram derrubá-lo. A acusação foi a de violar uma ordem judicial que exigia a suspensão da construção de uma rua em um terreno expropriado anos antes, por governos anteriores. Embora as obras tenham sido suspensas, alegou-se que o cumprimento da ordem havia sido dilatório e López Obrador era diretamente responsável por ela -a similaridade com o processo de Dilma é espantosa. Tentaram retirar-lhe o foro a que tinha direito como prefeito para levá-lo a processo na Justiça Comum (como no caso da Lava Jato), o que de fato aconteceu, mas diante das manifestações populares em protesto o então presidente de direita, Vicente Fox, recuou e o caso acabou encerrado, com a vitória de Obrador e dos democratas mexicanos. Leia sobre o caso aqui e aqui.

 

 

Juízes substituíram militares na nova onda

de dominação na América Latina

correa juiz safado cachorrinho do tio sam.jpg

 

 

por Fernando Brito

---

A ordem de prisão contra o ex-presidente Rafael Correa, do Equador, é o novo capítulo das farsas judiciais que são uma versão "reciclada" da onda de golpes militares com que, nos anos 60 e 70, a direita conseguiu reempalmar o poder numa América Latina que já não podia ser contida por governos oligárquicos.

 

O motivo, claro, oscila entre o fantástico e o pueril. Seria uma ordem de "sequestro" dada por Correa contra um opositor, apontado como "mentor intelectual" de uma rocambolesca tentativa (frustrada) de um equatoriano que fazia parte do círculo do ex-presidente colombiano – e arqui-inimigo de Correa – Álvaro Uribe.

 

Evidente que não tem lógica pensar que um presidente com prestígio político para reeleger-se, vencer plebiscitos e eleger seu sucessor – embora este já se tenha bandeado de lado – iria meter-se numa aventura com áreas de pastelão policial.

 

Como é absurdo que Correa, tendo se apresentado no consulado equatoriano na Bélgica, onde está, para cumprir a ordem judicial de apresentar-se às autoridades, ser considerado "foragido" e ter a prisão pedida à Interpol.

 

Mas tem toda a lógica observar como o Poder Judiciário, em toda América do Sul, está sendo transformado no instrumento de destruição das lideranças que, eleitas, se forjaram como ferramentas de afirmação de suas nações.

 

Exatamente, como foram há 40 anos, as ditaduras militares no continente.

 

Cristina Kirchner, Lula, agora Correa, não são enfrentados na política e nas urnas, mas no juízo dos tribunais, habitados pela mesma elite que jamais se conformou com a inclusão das massas na existência nacional.

 

No nosso caso, em aceitar que o Brasil tem 210 milhões de habitantes, não 50 ou 60 milhões que "existem".

 

Alguém, no Facebook, falou em "Plano Condor 2.0" referindo-se às ações militares e policiais para exterminar as lideranças progressistas da América Latina, e não sem razão.

 

Afinal, porém, só conseguirão, como aquelas, retardar o tempo, jamais fazê-lo parar ou retroceder.

 

 

 

09
Abr18

'Manda esse lixo janela abaixo'; áudio durante voo para Curitiba ameaça Lula

Talis Andrade

Aconteceu com Arraes na ditadura militar 

Os Voos da Morte e a Operação Condor

 

 

Durante a ditadura militar, Miguel Arraes que estava preso em Fernando de Noronha, teve permissão de assistir o casamento da filha mais velha no Recife, hoje ministra do Tribunal de Contas da União.


No voo de volta para o presídio, soldados da Aeronáutica torturaram Arraes, ameaçando que ele seria atirado ao mar.


O Brasil não mudou muito. Neste domingo aconteceu o mesmo com Lula. Um áudio vazado neste domingo (8) mostra diálogo em que uma pessoa não-identificada diz a piloto que levava Lula a Curitiba: “Manda esse lixo janela abaixo”.

 

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Lula chega à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (Foto de HEULER ANDREY/ AFP). Lula saiu de Congonhas, em São Paulo, de bimotor para Curitiba, onde chegou por volta das 22h20. E foi transportado de helicóptero para a superintendência da PF

 

A conversa com o comandante da aeronave PR-AAC, que levou o ex-presidente do aeroporto de Congonhas a Curitiba na noite de sábado (7), teve sua veracidade confirmada pela Força Aérea Brasileira (FAB).

 

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Os presos de Moro sempre viajam para Curitiba em jatinho último modelo. Escreve Gustavo Conde: "Levar um ex-presidente nesse ferro velho para Curitiba beira o delírio. Some-se isso à gravação captada na frequência da aeronave em que se diz para "mandar esse lixo janela abaixo" - fato que tem que ser devidamente apurado - e temos uma situação de emergência. Como o Brasil não tem mais autoridade, resta a denúncia permanente em rede social".

 

Não esquecer nunca. A tortura a Lula faz o Brasil recordar os voos da morte nas ditaduras do Cone Sul. 

 

O escritor Agassiz Almeida informa em seu livro intitulado “A Ditadura dos Generais” que um dos campos de maior movimentação de tortura e mortes foi o de “Automotores Orletti”, situado na esquina das ruas Venâncio Flores e Emílio Lamurca, em Buenos Aires. Ali se realizava um trabalho de conexão entre os exércitos da Argentina, Brasil, Chile e Uruguai.

 

O escritor Agassiz Almeida que, também, denuncia que no Brasil, o local de embarque para lançamento ao mar de presos vindos de vários centros de tortura de São Paulo e Rio era a Base Aérea do Galeão, na época, sob o comando do brigadeiro João Paulo Moreira Burnier.

 

E Agassiz de Almeida afirmou ainda que, enquanto no Brasil, chamados às responsabilidades, os genocidas fugiram pelas portas largas da anistia e todos, acovardados, negaram os delitos cometidos, na Argentina mais de 1200 militares já foram indiciados, uma centena julgados e condenados e quinhentos centros de tortura clandestinos foram reconhecidos. Também cúmplices civis da repressão estão sendo julgados.

 

 

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