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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

29
Out20

Quem é Daniela Reinehr, a ‘neonazista’ de SC

Talis Andrade

 

Por Altamiro Borges

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Ao tomar posse como governadora interina de Santa Catarina nesta terça-feira (27), a bolsonarista Daniela Reinehr se recusou a dizer se concorda com as opiniões neonazistas e negacionistas de seu pai. Questionada por jornalistas durante a sua primeira coletiva, ela fugiu de forma canhestra e patética. 

Daniela Reinehr assumiu o cargo temporariamente após o afastamento do governador Carlos Moisés (PSL), que é alvo de um processo de impeachment. Segundo o site alemão Deutsche Welle (DW), "ela se esquivou de responder se compactua com pensamentos neonazistas e negacionistas do Holocausto". 

Pai nega o Holocausto e elogia Hitler

O questionamento dos jornalistas à governadora interina não foi à toa, como registra o site DW: "O pai dela, o professor de história Altair Reinehr, é conhecido por defender ideias neonazistas e por negar o genocídio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial". 

"Seus pensamentos foram expostos em textos em que ele relativiza o nazismo e teriam sido propagandeados até mesmo em sala de aula. Junto a um desses artigos, Altair publicou uma foto dele em frente à casa onde nasceu Adolf Hitler, em Braunau am Inn, na Áustria". 

No texto, o pai da governadora se queixa de que, na Alemanha, "é proibido falar de Hitler" e "lembrar obras reconhecidamente positivas" do líder nazista. De forma irônica, o admirador do genocida afirma que isso é feito "em nome da democracia, da verdade e da 'liberdade de expressão'". 

O site DW ainda lembra que "o pai da governadora também testemunhou a favor de Siegfried Ellwanger Castan (1928-2010), proprietário da editora Revisão, conhecida por publicar livros negacionistas do Holocausto e literatura antissemita. Castan foi condenado por racismo pelo STF em 2000". 
 
Governadora se esquiva na coletiva
 
Com base nesse tenebroso histórico, Daniela Reinehr foi surpreendida na coletiva à imprensa com a pergunta do jornalista Fábio Bispo, do Intercept Brasil, sobre as ideias defendidas por seu pai: 

"No começo da sua fala, a senhora agradeceu a sua família. Seu pai, como professor de história, pregava em sala de aula o negacionismo do Holocausto judeu... Agora que a senhora é governadora, a gente quer saber qual é sua posição, se a senhora corrobora com essas ideias neonazistas e negacionistas sobre o Holocausto". 

A governadora interina, metida a valente, fugiu da resposta. “Em nenhum momento de sua resposta, porém, Reinehr foi clara em se declarar antinazista ou negar compactuar com as visões negacionistas do Holocausto, atendo-se a dizer que não pode ser julgada por ‘atos de terceiros’", registrou indignado o site DW. 

Ruralista e bolsonarista convicta

A filhote de nazista ficará 180 dias no cargo, enquanto um tribunal especial julga o processo de impeachment do governador eleito. Como destaca a Folha, a produtora rural e advogada é uma bolsonarista convicta. Quando Jair Bolsonaro deixou o PSL para fundar o Aliança pelo Brasil, ela também abandonou a sigla. 

“Assim como Bolsonaro, Reinehr defendeu o uso de cloroquina no tratamento da Covid-19. Suas redes sociais são repletas de fotos com o presidente e ministros da chamada ‘ala ideológica’ do governo, como Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Onyx Lorenzoni (Cidadania)”. 

“Reinehr é amiga da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e próxima de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deputado federal e filho do presidente. “A 1ª Governadora do @somosalianca. Nosso PR @jairbolsonaro ganha mais um Estado como aliado. Ganha o povo!”, postou a pegajosa deputada Carla Zambelli na internet.
 
08
Jul20

A delação do advogado Rodrigo Tacla Durán.

Talis Andrade

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07
Mai20

Bolsonaro sabota os pobres para criar caos

Talis Andrade

o devorador de gente.jpg

 

 

por Tereza Cruvinel

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Esta semana a lei que declarou a pandemia no país (Lei no. 13.979) completa 90 dias. 

Passado este tempo, com os imensos castigos infligidos à população e principalmente aos mais pobres, o governo Bolsonaro continua retendo recursos orçamentários para saúde, assistência social, empresas/emprego, estados e municípios. 

Não é só crueldade, é também uma aposta no caos, para turbinar o projeto golpista e ditatorial.

A assessoria técnica do PCdoB na Câmara constatou uma baixíssima execução orçamentária dos recursos autorizados por medidas provisórias aprovadas ou em vigor, concluindo que, além do atraso na proposição das medidas, o governo joga deliberadamente com a não liberação dos recursos que já poderiam estar sendo liberados com mais celeridade para socorrer a população, seja na frente social ou sanitária.

É a política perversa da asfixia financeira que leva os sem emprego a buscar algum ganho nas ruas, os empresários a pressionar governos pela reabertura da economia e os próprios estados e municípios, diante da perda de receitas, a afrouxar o isolamento. 

O resultado é mais gente nas ruas e o aumento crescente dos casos e das mortes. E depois virá o caos, o pesadelo social com que Bolsonaro conta para seu projeto autoritário.

Ironicamente, o ministério que menos gasta os recursos disponíveis é o da Cidadania, de Onyx Lorenzoni. 

Dos R$ 123,9 bilhões autorizados para socorro social com as três parcelas do auxílio R$ 600,00 (podendo chegar a R$ 1.200,00 para mães chefes de família), até agora foram gastos apenas R$ 35,7 bilhões, ou 28,9% do previsto. 

Enquanto isso, milhares de pessoas se aglomeram na porta de agências da CEF em busca deste caraminguá, outros são obrigados a refazer a solicitação e milhares, ao consultar a situação do pedido, encontram no site a resposta “sua solicitação continua em análise”. 

Mais de 13 milhões estão na última situação.

O ministério da Economia de Guedes gastou apenas 0,6% dos 51,6 bilhões destinados ao Programa de Manutenção do Emprego e Renda. 

Dele devem sair os pagamentos para quem teve o contrato suspenso, por exemplo, e passará a receber um salário-mínimo do governo, mas muita gente ainda não recebeu, e o patrão já deixou de pagar. 

O programa também deve pagar a compensação a trabalhadores que, para preservarem o emprego, fizeram acordo com o empregador para terem a jornada e o salário reduzidos (em 25%, 50% ou 70%), recebendo do governo um pequeno adicional, lastreado no valor a que teriam direito se recebessem o seguro-desemprego, proporcional à redução negociada. 

O pagamento destes adicionais também em sofrido atrasos.

Para o ministério da Saúde aplicar na Emergência em Saúde Pública, vale dizer, para ações de enfrentamento à Covid19, com aquisição de testes, respiradores e reforço da rede SUS, foram autorizados gastos adicionais de R$ 18,9 bilhões. 

Até agora só foram executados 30,2% deste total, ou R$ 6,7 bilhões. 

Enquanto isso acontece a tragédia de Manaus e em outras cidades. 

Pacientes de Covid morreram no Rio por falta de medicamentos necessários ao uso de respirador artificial.

Uma das maiores execuções é a do Itamaraty (76,9%), que recebeu adicional de R$ 62 milhões. Mas o que a pasta fez na pandemia foi repatriar brasileiros que estavam no exterior, e estes não estão entre os mais pobres. Estavam viajando.

Outra execução orçamentária mais avançada beneficia os bancos, que já receberam 50% dos R$ 34 bilhões disponibilizados para empréstimos a empresas, financiando a folha de pagamento das pequena e médias que perderam faturamento pelo encerramento de atividades durante a pandemia.

Do total de R$ 16 bilhões previsto para transferências a estados e municípios (previsão que não se confunde que o projeto que o Congresso está votando para compensar as perdas de arrecadação), o governo transferiu efetivamente apenas R$ 1 bilhão, ou 6,4%.

Estamos vivendo um pesadelo. A pandemia de um vírus letal e um governo que não tem limites em sua crueldade para atingir seus desígnios políticos.
 
05
Mai20

Demissão de Moro marca o divórcio entre a Lava Jato e o bolsonarismo

Talis Andrade

 

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por João Filho

The Intercept

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O PEDIDO DE DEMISSÃO de Sergio Moro representou o fim da aliança entre o lavajatismo e o bolsonarismo. O fim é melancólico e previsível, mas não dá para dizer que a união não foi um sucesso enquanto durou. A Lava Jato, que começou como uma operação policial, se tornou uma máquina política capaz de derrubar e eleger presidentes da República. As publicações da Vaza Jato escancararam o cunho político da operação, que tinha obsessão punitiva em relação aos políticos do PT, mas poupava políticos mais à direita como FHC e Álvaro Dias. Havia uma preferência ideológica na operação, tanto que em 2014 seus integrantes já faziam campanha a favor da eleição de Aécio nas redes sociais. O antiesquerdismo foi a liga que uniu o lavajatismo e o bolsonarismo. Não foi à toa que Bolsonaro foi o candidato dos integrantes da Lava Jato na última eleição, como confessou um ex-chefe da operação.

Voluntariamente ou não, a Lava Jato pavimentou o caminho para o triunfo do discurso anti-política que colocou o bolsonarismo no poder. Durante a campanha presidencial, Sergio Moro atuou nos tribunais para influenciar o processo eleitoral. Faltando seis dias para o fim do primeiro turno, Moro resolveu, sem absolutamente nenhum motivo para isso, divulgar trechos de uma delação de Palocci que prejudicaria o então candidato petista Haddad. Mais tarde, a Vaza Jata comprovaria que nem o próprio Moro acreditava nas delações de Palocci, mas as divulgou mesmo assim.

Naquela época, Moro já conversava com Paulo Guedes sobre um convite para chefiar o Ministério da Justiça. Esse momento talvez tenha sido o nascimento formal da aliança entre bolsonarismo e lavajatismo. O que era namoro virou um casamento, diria Bolsonaro, tão afeito a esse tipo de analogia idiota. O homem que personificava a Lava Jato e era pintado como uma reserva moral decidiu integrar o governo de um extremista de direita que construiu uma carreira como deputado na base das rachadinhas, defendendo milícias, empregando funcionários fantasma e atacando valores democráticos. O lavajatismo emprestou seu verniz de seriedade para um bolsonarismo destrambelhado. Sem esse apoio, Bolsonaro jamais venceria a eleição.

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No governo, Sergio Moro se mostrou um bolsonarista de quatro costados. Perdoou o caixa 2 de Onyx, atuou como advogado da família Bolsonaro em episódios cabeludos como do condomínio Vivendas da Barra, e apoiou o presidente em quase todas as suas loucuras autoritárias. Em boa parte da sua gestão, não atuou com a grandeza que requer o cargo, mas como um soldado raso do bolsonarismo.

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Houve muitos atritos também. Bolsonaro vetou nomeações do ministro, tirou o Coaf do ministério e interferiu na Polícia Federal. Mesmo assim, a manutenção da aliança continuava interessante para ambos. Moro seguia com seu palanque eleitoral — a essa altura imagino que ninguém mais duvide das suas pretensões políticas —, e Bolsonaro mantinha o seu fiador ético.

Para proteger seus filhos de investigações, Bolsonaro determinou a exoneração do diretor-geral da PF Maurício Valeixo à revelia do ministro. Esse teria sido o estopim para a demissão de Moro. Não foi um pedido de demissão qualquer. Foi uma demissão histórica. Moro saiu, mas saiu atirando. O ministro mais popular do governo Bolsonaro acusou, ainda que indiretamente, o presidente de diversos crimes durante o exercício do cargo, entre eles: falsidade ideológica, obstrução da justiça e crime de responsabilidade. Disse ainda que Bolsonaro admitiu que a exoneração do diretor da PF era, sim, uma interferência política. Revelou também que o presidente tinha preocupação com inquéritos em curso no STF, desejava colher informações diretamente com o diretor-geral e os superintendentes, e exigia ter acesso a relatórios de inteligência. Moro também fez uma acusação de falsidade ideológica ao afirmar que o decreto da exoneração de Valeixo não foi assinado por ele. Além disso, a exoneração publicada no Diário Oficial da União consta como se tivesse sido um pedido do diretor, o que é mentira. Ou seja, um importante instrumento de transparência do governo foi usado para fazer politicagem barata e enganar a população. (Continua)

20
Mar20

Bolsonaro corta auxílio alimentação de 158 mil famílias miseráveis depois de decretar a quarentena da pandemia do coronavírus

Talis Andrade

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247 - O governo Jair Bolsonaro cortou 158.452 beneficiários do Bolsa Família no mês de março, mesmo com a pandemia do coronavírus. Do total, 96.861 famílias, que representam 61,1%, estão na região Nordeste, onde o ocupante do Planalto obteve menos votos nas eleições de 2018.

As secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até 10h37 desta sexta-feira (20), que foram confirmados 650 casos do coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil em 22 estados e no Distrito Federal.

O Bolsa Família atende famílias que vivem em situação de extrema pobreza, com renda per capita de até R$ 89 mensais, e de pobreza, com renda entre R$ 89,01 e R$ 178 mensais.

De acordo com reportagem do portal Uol, o número de beneficiários do programa, que atualmente é capitaneado por Onyx Lorenzoni, que foi tirado da Casa Civil par assumir o Ministério da Cidadania, é o menor desde maio de 2017.

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29
Fev20

O xingamento do general e a democracia brasileira

Talis Andrade

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Por Rômulo de Andrade Moreira

 

No último dia 19, numa conversa com o general Luiz Eduardo Ramos (ministro da Secretaria de Governo) e com os ministros Paulo Guedes (da Economia) e Onyx Lorenzoni (Cidadania), o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, discutindo a questão da execução de emendas parlamentares ao orçamento, e sem saber que a sua conversa estava sendo captada, soltou a seguinte frase: “não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo”; depois, ao que parece furioso, disparou: “foda-se!“

Evidentemente, que o general Heleno, ao exaltar-se assim, não cometeu aquilo que Freud chamava de um ato falho, consistente em “certos fenômenos muito frequentes, muito conhecidos e muito pouco estudados, os quais nada têm a ver com enfermidades, uma vez que podem ser observados em toda pessoa saudável.”[1]

Tampouco, creio eu, tratou-se de mais um (humano) desabafo, daqueles que fazemos, vez por outra, às escondidas, quando estamos num estado de alguma indignação, muitas vezes saudável e legítima; não acho que se tratou nem de uma coisa, nem sequer de outra. Mas, de toda maneira, a frase é bastante significativa, especialmente tendo sido pronunciada por um integrante do Exército, hoje na reserva, e um dos homens fortes do governo brasileiro.

É significativa, pois revela de uma forma especialmente incisiva como a democracia incomoda certos setores do Estado brasileiro, e a maneira distorcida como o sistema presidencialista é confundido, muitas vezes, com um sistema autocrático e autoritário. Veja-se que o general, ao saber da divulgação do áudio, escreveu em uma rede social, como se fora uma justificativa, mas sem negar uma só vírgula do que houvera dito – apenas se queixando de uma suposta “invasão de privacidade”, ainda que tenha sido uma conversa captada em um vídeo gravado pela própria Presidência da República durante uma cerimônia no Palácio da Alvorada[2] – escreveu ele que “se desejam o parlamentarismo, mudem a constituição.

Eis o que está por detrás do “foda-se!” do general Heleno: uma incompreensão de que em um regime presidencialista governa-se com o Congresso Nacional, cujos integrantes têm legitimidade popular tal qual a tem o presidente da República; não se governa um país de modelo presidencialista, ao menos de uma maneira democrática e republicana, isoladamente, ou com grupelhos, à moda dos “convescotes de colegiais”, como diria o velho professor Abdias, de Ciro dos Anjos.

Também é reveladora a frase do general, pois desvela uma faceta muito peculiar do atual governo: uma presença intensa, explícita e influente de militares no planalto central do Brasil – especialmente oriundos do Exército –, todos ocupando postos-chaves da administração e do poder, algo, certamente, nunca visto desde o fim da ditadura militar. (Continua)

 

27
Jan20

Petardos: Corrupção aumenta com Bolsonaro

Talis Andrade

O “capetão” Bolsonaro foi eleito com base na promessa de que iria acabar com a corrupção no país – e muito otário acreditou nessa bravata. Agora, porém, o Brasil repete a pior nota no ranking de percepção do combate à corrupção elaborado pela ONG Transparência Internacional

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por Altamiro Borges

Após as denúncias de laranjas, rachadinhas, Queiroz, Val do Açaí e “Micheque”, entre outras, o Brasil caiu uma posição no ranking do IPC (Índice de Percepção da Corrupção) no ano passado e agora ocupa a 106ª posição entre os 180 países avaliados

***

“O resultado reflete um ano de poucos avanços e muitos retrocessos na luta contra a corrupção no Brasil”, avalia Bruno Brandão, diretor da Transparência Internacional. Para ele, estudo prova que “o discurso não é o suficiente”. Só os otários acreditam nas fake news bolsonarianas!

***

Perguntar não ofende-1: A Justiça do Distrito Federal deu prazo de cinco dias úteis para o chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, esclarecer os contratos de sua firma com redes de TV que receberam publicidade do governo. O lobista já prestou contas?

***

Perguntar não ofende-2: Quando o STF vai se pronunciar sobre a investigação do pagamento de Caixa-2 da empresa J&F ao ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil). O assunto estão travado no Supremo desde fevereiro do 2019 – já dá até para ter festa de aniversário de um ano no laranjal

***

O curioso nessa história é que o próprio Onyx Lorenzoni já admitiu o crime. Ele confessou ter recebido na moita R$ 100 mil da J&F na eleição de 2014. Na maior caradura, disse que foi perdoado por Deus. Na sequência, o juizeco Moro também absolveu o compadre do laranjal. E o STF?

***

Mônica Bergamo informa: “PCdoB, PSOL e PT protocolaram representação contra a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) na PGR. Pedem que seja investigado áudio em que Zambelli diz só ter conseguido liberar emendas após votar pela reforma da Previdência”. Muita grana rolou nesse golpe!

***

“O índio mudou, tá evoluindo. Cada vez mais o índio é um ser humano igual a nós”, disparou Bolsonaro em vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira. Com seu piriri verborrágico quase diário, o “capetão” deve envergonhar até alguns dos seus apoiadores mais tapados e imbecis

***

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, encaminhará ao MPF e à PF os conteúdos falsos que circulam contra ele na internet. “Vamos denunciar e cobrar, antes que as milícias digitais viciem outra eleição… Vamos divulgar cada mentira e cobrar providências das autoridades”, afirma

***

Da Época: “Ministério dos Direitos Humanos admitiu por meio da Lei de Acesso à Informação que não usou como referência nenhum dado ou pesquisa científica que comprove a eficácia da abstinência sexual”. Mas Damares da Goiabeira prepara campanha milionária para divulgar a cruzada

***

Segundo o ministério, embora já esteja sendo preparada uma campanha publicitária sobre o assunto, os estudos ‘estão sendo aprofundados’… Não foi informado o exemplo de nenhum país cujos indicadores sociais tenham melhorado com a abstinência sexual”, completa a revista

 

20
Jan20

Petardo: Dallagnol virou garoto-propaganda?

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges

Perguntar não ofende-1: Após ganhar muita grana com suas palestras sobre a Lava-Jato, Deltan Dallagnol agora divulga a "escola de política" RenovaBR, que é financiada por celebridades midiáticas, entre elas o candidato global Luciano Huck, e expoentes da cloaca burguesa. Virou garoto-propaganda? 

Na semana passada, o procurador Dallagnol postou em seu Twitter elogios à iniciativa empresarial. "O curso do RenovaBR hoje é referência na preparação de futuros candidatos", bajulou o jagunço do powerpoint. Em 2018, a Renova elegeu 17 deputados. Agora tem a ajudinha do chefão da Lava-Jato 


*** 

Perguntar não ofende-2: Onyx Lorenzoni, o ministro da Casa Civil do laranjal bolsonariano, já pagou os direitos trabalhistas da ex-cuidadora de sua mãe, dona Dalva? Ele foi processado e negociou em agosto passado o pagamento de R$ 60 mil a Simone Espindola. Já saldou sua dívida? 

Segundo notinha do UOL, "o valor de R$ 60 mil será uma reparação por danos morais, FGTS, férias não pagas e intervalos de descanso não respeitados, além de outras obrigações trabalhistas em falta. O caso corre na 15ª Vara do Trabalho de Porto Alegre". Onyx já revolveu a pendenga? 

*** 

Perguntar não ofende-3: Em março de 2019, Mônica Bergamo informou que "a Justiça condenou o promotor Cassio Roberto Conserino a pagar R$ 60 mil ao ex-presidente Lula por danos morais". O fascistinha metido a justiceiro já pagou a dívida? Ou a Justiça simplesmente esqueceu o caso? 

Em 2016, Cassio Conserino postou no Facebook imagem em que Lula era definido como “encantador de burros”. Para o juiz Anderson da Cruz, o promotor teve a “nítida intenção de humilhar, menoscabar e desprezar” Lula ao publicar imagem com conteúdo “ofensivo, pejorativo e injuriante” 

*** 

Perguntar não ofende-4: Como anda o inquérito aberto em novembro pelo MPF para investigar o uso irregular de fundos do gabinete do deputado Tiririca em viagens particulares? Eleito por SP, ele teria gasto no ano passado R$ 57.800 em 54 passagens aéreas ao Ceará, onde nasceu 
Em 2017, Tiririca fez seu primeiro e último discurso na Câmara Federal e jurou que não tentaria a reeleição porque estava “decepcionado” e com “vergonha” da política. Em 2018, ele esqueceu a promessa e se candidatou pelo PL, obtendo quase meio milhão de votos. É muita palhaçada! 

*** 

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Perguntar não ofende-5: Em novembro, o senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu à PGR que investigasse o secretário da Pesca, Jorge Seif, por recomendar o consumo de peixe contaminado. Entre outras besteiras, ele disse que "peixe é bicho inteligente. Quando vê mancha de óleo, ele foge" 

Criticado pelas babaquices, Jorge Seif ainda tuitou: “Alguém tem registro de cardumes suicidas se jogando para dentro da mancha de óleo?”. Ao acionar a PGR, Jaques Wagner taxou as bravatas de "incompatíveis com o cargo público". Daí a pergunta: o secretário da Pesca foi punido?

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15
Dez19

PSOL questiona Moro oficialmente: ministro tentou defender senadora cassada por corrupção no TSE?

Talis Andrade

 

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Sergio Moro diz que vai varrer a corrupção. Que comece a varredura dentro de casa. Com as empresas dos amigos e da esposa. Com as empresas da corriola de Curitiba, que o ministro Gilmar Mendes chamou, bem chamado, de organização criminosa.

Que o ministro da Segurança Públique investigue Ronnie Lessa, vizinho de Bolsonaro no Rio de Janeiro, traficante de armas e pistoleiro profissional. Lessa matou Marielle Franco. Falta saber o mandante.

Investigue os Queiroz, Fabrício e Élcio, da milícia Escritório do Crime.

Investigue os laranjais de Jair Bolsonaro presidente, de Flávio Bolsonaro senador, de Eduardo Bolsonaro deputado federal, de Carluxo Bolsonaro vereador do RJ, mãe, tios e primos. Eta família da bolsa família maior do Brasil.

Que o ministro de Bolsonaro pare de defender político corrupto. De proteger seu duplo de saia. Certa o PSOL, através de seu líder na Câmara dos Deputados, Ivan Valente, que apresentou requerimento ao Ministério da Justiça sobre a agenda de Sergio Moro. O partido quer saber se o ministro realizou algum encontro ou reunião com integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre os dias 20 de novembro e 10 de dezembro, e quais os temas tratados nos encontros. Ivan Valente solicitou que Moro encaminhe à Câmara cópia das agendas públicas com esses encontros.

O pedido foi feito um dia depois de reportagem divulgada na imprensa que apontava a atuação direta de Moro sobre ministros do TSE para tentar convencê-los da inocência da senadora Selma Arruda, do Podemos (MT).

A grave ação do ministro da Justiça, que pode ter agido como advogado direto de uma condenada por corrupção, não adiantou. Na última terça-feira (10), a Corte cassou o mandato da senadora por abuso de poder econômico e prática de caixa dois na campanha de 2018.

Selma Arruda, que foi eleita pelo PSL, é conhecida como “Moro de saias”, em referência a sua atuação quando era juíza espetáculo em Mato Grosso. 

Mato Grosso.

Ivan Valente@IvanValente
 

Moro usou seu cargo para tentar influenciar o TSE em favor da Senadora Selma Arruda, cassada por Caixa 2.

R$ 1,2 milhão não declarado e ele tem coragem de dizer que foi um mero equivoco.

Na arte de passar o pano pra Caixa 2 ele é imbatível, vide o Onyx. 

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https://epoca.globo.com/carolina-brigido/moro-pediu-absolvicao-de-selma-arruda-ministros-do-tse-24132341 

Moro pediu absolvição de Selma Arruda a ministros do TSE

Ministro da Justiça não obteve sucesso na abordagem: ex-juíza teve mandato de senadora cassado

epoca.globo.com
 
20
Nov19

Moro, o vendilhão desmascarado

Talis Andrade
 

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É verdade que nenhum deles – estou falando de quem cerca Jair Bolsonaro – vale grande coisa. E isso, na melhor das hipóteses: a imensa maioria não vale é nada. 
 

Ninguém que tenha sido chamado para integrar esse governo merece nem verniz de respeito. Isso vale, é claro, para os militares empijamados. 

Ainda assim, oscila entre o curioso, o engraçado e o extremamente sério o que falam aqueles que romperam com o destrambelhado clã presidencial. Do ex-ator pornô Alexandre Frota à robusta plagiadora Joice Hasselman, que do mais que merecido ostracismo saltaram para o palco graças justamente ao desmiolado candidato que acabou virando presidente, todos saem dizendo pestes e contando podres da família miliciana.

Um dos casos que cabem perfeitamente na categoria do extremamente sério é a revelação feita por Gustavo Bebianno, defenestrado do vistoso posto de ministro da Secretaria Geral da Presidência dois meses depois de ter sido nomeado. Sua saída humilhante ocorreu depois de um embate com Carlos Bolsonaro, o mais hidrófobo dos muito hidrófobos filhos presidenciais.

Carlos acusou Bebianno de ter mentido, o acusado provou que o mentiroso era Carlos, e Bolsonaro apoiou justamente quem mentiu. 

Isso aconteceu em fevereiro, e o primeiro grande medo de Bolsonaro foi que Bebianno, que era seu advogado, resolvesse cobrar os honorários dos quais tinha aberto mão.

Bobagem de dimensões olímpicas: devia ter tido é medo daquilo que o cão de guarda que coordenou sua campanha eleitoral sabia. E, mais que medo, devia ter pavor do que Bebianno pudesse contar se alguma vez resolvesse abrir a boca e contasse uma parte milimétrica do que tinha feito.

Ele ainda não contou um milésimo do que sabe. Mas uma das coisas que contou confirma o que muitos de nós sabíamos: pelo menos entre o primeiro e o segundo turno, o então juiz Sérgio Moro foi convidado e aceitou largar a toga para virar ministro de Justiça do candidato altamente beneficiado por ele e a turma da Lava Jato. 

Quando Moro soltou um trecho da delação premiada de Antônio Palocci faltando pouquíssimo para o segundo turno, ficou mais do que claro que se tratava de uma jogada cujo único e exclusivo objetivo era ajudar Bolsonaro na reta final da campanha.

Pois agora Bebianno, em uma entrevista ao jornalista Fabio Pannunzio, precisou de apenas e exatos dois minutos e cinco segundos para revelar e comprovar o que eu e muitíssima gente sabíamos: a cumplicidade do então juiz com o candidato ultradireitista não se limitou a impedir Lula de ganhar a eleição. Teve seu prêmio assegurado com antecedência.

Bebbiano foi, mais que coordenador, o grande articulador da campanha eleitoral e participou ativamente da estruturação do governo de Bolsonaro. Pretendia ser ministro da Justiça. E quando foi informado por Paulo Guedes que seu candidato pessoal tinha sido preferido por Bolsonaro, achou perfeitamente natural. 

Num gesto de lealdade ao passado, na entrevista Bebianno diz que até onde ele saiba, Bolsonaro e Moro não tinham tido nenhum contato pessoal direto. Tudo foi feito por Paulo Guedes. 

O que ele não disse, nem precisava, é que Guedes pode ter sido escolhido por Bolsonaro para as sondagens e negociações com o juizeco que desde sempre se mostrou absolutamente parcial e manipulador.

Com essa revelação feita pelo condutor da campanha eleitoral, que ainda por cima menciona testemunhas da conversa – Onyx Lorenzoni, o empresário Paulo Marinho, Paulo Guedes – a situação de Moro como ministro fica insustentável. 

Quer dizer: ficaria, se tanto ele como Bolsonaro tivessem uma gota de vergonha na cara e um mínimo vestígio de dignidade.

Em compensação, vossas excelências que integram o Supremo Tribunal Federal passam a ter um motivo a mais – o centésimo – para julgar a conduta do então juiz Sergio Moro. Uma conduta imoral, indecente, abjeta. 

E, além de motivo, têm uma nova oportunidade para mostrar que não se trata de um tribunal omisso, cúmplice, poltrão. Oxalá não a desperdicem como desperdiçaram todas as anteriores. 

Também a Câmara de Deputados tem uma excelente oportunidade de tentar desfazer ao menos em parte, pequena parte, sua péssima imagem: Moro já compareceu e mentiu aos deputados.

Por que não fazer uma convocação ampla, incluindo, além de Moro, Paulo Guedes e Onyx Lorenzoni, e provocar uma acareação do trio com Gustavo Bebianno? 

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