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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

11
Jul22

Lava Jato terrorista

Talis Andrade

portaria 666 moro a besta do apocalipse aroeira .j

 

Moro e Dallagnol aparecem nas redes sociais condenando o clima de violência política do país. Hipocrisia pura no Paraná dos torturadores Mário Expedito Ostrovski e Júlio Cerdá Mendes

 

por Marcelo Uchôa

- - -

Tanto pelo obscuro passado no Exército, de onde supostamente teria sido convidado a sair em razão do planejamento de sabotagens com uso de bombas em quartéis e no sistema de abastecimento d’água, como por sua língua ferina apoiadora, desde sempre, dos desmandos da ditadura e da legitimação do uso da violência explícita como meio para o extermínio da oposição política. Também por sua prática diária, responsável pela escalada armamentista, o incentivo a grupos de ódio, e a produção de mortes e mais mortes de pessoas durante a pandemia, nos conflitos nas florestas, e, agora, com a reinserção do país no mapa da fome.

Terrorista sim, mas não só ele. A Lava Jato também foi terrorista. Ela, em si, foi uma operação que, para alcançar seus objetivos políticos espúrios, nacionais e internacionais, de aniquilamento democrático-institucional interno para entrega da soberania do país ao imperialismo, usurpou a ética e a lisura nas práticas judiciais, ministeriais e policiais. Conspirou, constrangeu liberdades fundamentais, massificou o uso de mecanismos de exceção judiciária para alcançar interesses sujos, exacerbou-se no direito de teatralizar ações para contagiar o público, além de buscar notoriedade pública e enriquecimento para os seus. Durante a Lava Jato, conduções coercitivas ilegais, com prejuízo à imagem e à honra dos conduzidos e o uso de delações premiadas foram banalizadas e utilizadas como instrumentos de tortura. Juiz parcial, Ministério Público sem isenção deram a tônica dos trabalhos.

Como se não bastasse a conspiração em si, o terrorismo da Lava Jato não parou por aí. É importante lembrar que foi o juiz Moro que impediu que o então candidato Lula da Silva disputasse as eleições em 2018, tirando da corrida eleitoral aquele que figurava à frente nas pesquisas públicas de opinião. Foi ele mesmo que logo após eleito o atual tirano, abandonou a toga para assumir como todo-poderoso Ministro da Justiça do governo fascista que provavelmente não teria sido eleito se ele não tivesse oportunamente agido. Por outro lado, áudios captados nos indecentes diálogos entre procuradores da República há muito revelaram que a Lava Jato escolheu Jair Bolsonaro como opção de voto, apesar de tanto saber-se sobre seu passado execrável e perigoso. Ou seja, a Lava Jato, que já carregava em sua história a marca do terrorismo, apoiou, conscientemente, um terrorista, sendo, por isso, cúmplice em todo este processo de acirramento político agora visto no país.

Hoje, 11/07, um dia após a notícia da execução covarde e premeditada de uma liderança petista em Foz do Iguaçu, em plena festa de aniversário e diante de toda família, inclusive esposa e filhos menores, Moro e Dallagnol aparecem nas redes sociais condenando o clima de violência política do país. Hipocrisia pura. Não podem. Ambos têm quota-parte de responsabilidade no acirramento desse cenário político hostil. Não fosse por ambos, certamente não teríamos um presidente terrorista na presidência. A partir daí, muita coisa seria diferente.

Em tempo: solidariedade à família de Marcelo Aloizio de Arruda. Que o companheiro descanse em paz!

Nota do correspondente: Não esquecer que a dupla Moro/Dallagnol lançou pacotes anticorrupção, com excludente de ilicitude, o direito de matar pobre e negro, e Moro ministro de Bolsonaro assinou a versão bolsonarista do AI-5: o decreto da besta 666 (vide tag)

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06
Dez21

Desgraça pouca é bobagem: o retorno do juizeco (Episódio 6)

Talis Andrade

 

marreco nu vaza.jpg

 

por Maura Montella

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Encerrei o último episódio com a tétrica notícia do touro, que Jegues, o mentor financeiro de Bobo, mandou matar, empalhar, pintar de amarelo e colocar em frente aos portões do castelo, para que todos os súditos, ao irem catar ossos e outros restos para comer, tivessem consciência daquele momento de pujança e esplendor (que só o débil mental do Jegues enxergava).

Pois é, triste realidade... E como desgraça pouca é bobagem, a maré de infortúnios que devastava o Reino do Sul não parou por aí. Eis que o Juizeco (juiz com voz de marreco), que tinha se bandeado para o Reino do Norte, voltara exigindo seu lugar ao sol.

Você se lembra do Juizeco e da sua trama para prender Nove Dedos e colocar Bobo no trono real, não se lembra? Bom, de todo modo, vou recapitular aqui.

Marreco era um homem das leis a serviço de Trunc, o truculento mandatário do Reino do Norte. Nove Dedos estava no poder, e o Reino do Sul estava indo de vento em popa. Indignado com a soberania do Sul, Trunc preparou Marreco para que ele tirasse Nove Dedos do trono e assumisse o reinado, de modo que ele (Trunc) estendesse seu império pelas terras do Sul também. Isso porque Trunc, além de truculento, tinha mania de grandeza. Ele já tinha criado problemas tanto com o Reino do Oeste, a pequena ilha à esquerda do Reino do Sul, com altos índices de saúde e educação, quanto com o Reino do Leste, o enorme e populoso território conhecido pela produção de quase tudo, incluindo, claro, arroz.

Na verdade, Trunc queria ser o dono do mundo, e não poupou esforços financeiros para atingir seus objetivos. Marreco era o instrumento perfeito para isso. Ele mesmo deveria assumir o trono real no lugar de Nove Dedos, mas a sua falta de carisma aliada à sua falta de leitura não permitiria tal façanha. Foi então que Marreco, mancomunado com o pessoal do Norte, tramou um plano para alçar o idiota do Bobo da Corte ao posto de rei. 

Bobo, que não sabia fazer nada, nem mesmo graça, aceitou na mesma hora. Sua missão era tão somente espalhar pelos quatro ventos que Nove Dedos era "comunista". Como ninguém sabia o que significava, ficou fácil para o dissimulado Juizeco convencer a todos de que Nove Dedos era um criminoso e jogálo na masmorra para que ele apodrecesse ali.

Como você já sabe, Bobo virou rei, e Marreco, seu grão-vizir. Desde então, o outrora virtuoso Reino do Sul foi só declinando, decaindo, descendo ladeira abaixo. Quando tudo indicava que o reinado de Bobo estava chegando ao fundo do poço, duas coisas ainda aconteceram: ávidos por poder, e só tendo lugar para um deles, Bobo e Marreco se desentenderam. Viraram inimigos. Bobo liberou seus cachorros/filhos raivosos para atacarem o dissimulado homem das leis, que, logicamente, se refugiou nas terras do seu patrocinador, o Reino do Norte.

A outra coisa que ninguém esperava foi o aparecimento de uma peste muito, mas muito violenta, que matava as pessoas (quanta tristeza), impedindo que elas conseguissem respirar. Bobo era tão pestilento que nem a peste quis se aproximar daquele corpo putrefato, e ele ainda viu na pandemia uma forma de se livrar de Nove Dedos, que, a essa altura, definhava por mais de 500 dias na masmorra do palácio. Pra ser sincera, a ideia não partiu de Bobo, porque embora ele fosse mau, sua capacidade cognitiva e intelectual era muito limitada. Foi Algoz, o palaciano, quem deu a letra: sugeriu que Bobo autorizasse jogar Nove Dedos ao relento, no meio da rua e entregue à própria sorte. Assim - explicou Algoz - o aguerrido prisioneiro morreria da peste sem que ele, o rei Bobo, precisasse sujar as mãos de sangue.

Bobo achou a ideia excelente e ordenou que fosse logo executada. Bobo só não podia contar (e quem poderia?) com as artimanhas do amor. Pois não é que praticamente no mesmo momento em que Nove Dedos foi solto, Jane, uma linda aldeã, percorria desesperada as desertas ruas do reino?! Ela esperava encontrar umas folhas de eucalipto para ajudar sua pobre mãe, acometida pela infame doença, a respirar melhor. No meio do caminho, Jane se deparou com Nove Dedos e resolveu levá-lo para casa para cuidar dele também.

Por meses, Jane o alimentou com uma sopa fortificada, conhecida como "canja", e seu já completamente apaixonado paciente, passou a chamá-la de Janja. Infelizmente, a mãe de Janja não resistiu à implacável peste, mas não foi embora antes de abençoar o amor do jovem casal.

Janja tinha um primo com um talento muito especial. Bastava um pedaço de carvão na mão e uma superfície plana para que aquele menino fosse capaz de retratar qualquer pessoa. Seus desenhos eram um verdadeiro estouro; talvez por isso tenha recebido o apelido de Estouckert.

Estou contando essa história, porque enquanto Nove Dedos se fortalecia física e psicologicamente, Juizeco, o juiz com voz de marreco, regressava mais uma vez às devastadas terras do Sul. Desta vez, ele não veio com a esposa, a Conja, mas com um jovenzinho, projeto de vigarista, com bochechas rosadas e voz de criança. Nem bem tinha asas e já queria voar, o rapaz.

Por seu jeito imaturo e infantil, mais parecia um passarinho e, para completar, seu sobrenome era Rouxignol. Assim começava a indissolúvel e nefasta dupla: Marreco & Rouxignol.

Marreco & Rouxignol, para cumprirem a missão imposta por seus financiadores do Norte, se aliaram a uma família de nobres abastados que viviam em seu próprio palácio perto do mar. Os Marítimo, como eram tratados por essa proximidade com o mundo marinho, eram conhecidos pela pesca predatória e pelo domínio ilegal do fundo do mar: eles capturavam tudo quanto era tipo de peixe e crustáceo, mas moluscos não eram o seu forte. Nunca conseguiam pegar uma lula sequer, ninguém entendia por quê. Bem que eles tentaram, mas enfim... Os Marinho, ops!, os Marítimo também eram todos letrados e profundos conhecedores dos métodos de espalhar notícias, verdadeiras ou inventadas, de forma global. Com o poder financeiro que já possuíam somado ao baú de moedas de ouro e prata doado pelo Reino do Norte, não foi difícil para os Marítimo encaparem a ideia de destronar o rei Bobo e colocar o Marreco em seu lugar.

A família Marítimo e o Juizeco só tinham um obstáculo, o maior de todos os obstáculos: neutralizar Nove Dedos, que estava solto desde que Bobo resolveu largá-lo no meio da rua para morrer da peste.

Dado como morto, imaginem a confusão que não foi quando Bobo & sua prole e Marreco & Rouxignol viram, penduradas nas casas dos humildes trabalhadores, cópias do retrato, desenhado por Estuckert, de Janja e Nove Dedos abraçados na maior demonstração de amor e companheirismo. Foi um Deus nos acuda!

Marreco não queria acreditar que o homem que ele tinha tanta convicção de mandar prender sem provas estava tão bem disposto, forte e revigorado; e Bobo, sempre tão preocupado com sua masculinidade, olhava o retrato enquanto coçava a cabeça no lugar dos chifres, maldizendo a sua própria falta de sorte nos relacionamentos.

Marreco e Bobo, de queixo caído, apontavam para os retratos pendurados nas portas das casas e não se conformavam com o que viam, afinal, era o Nove Dedos Lá!

Marreco, já sem esperanças de ocupar o trono real, foi procurar uma alternativa que não fosse nem o Reino do Sul nem o Reino do Norte. Disseram que ele estava em busca de uma terceira via e que ele passou anos e anos procurando sem nunca encontrar.

Bobo, por sua vez, foi extravasar sua ira invejosa nas aulas de artes marciais, dadas pelo viril, mas ao mesmo tempo acolhedor, cavaleiro da guarda real de nome Alcebides. Alcebides estava noivo, mas não me pergunte porque eu não sei de quem.

Só sei, minha gente, que fico por aqui. Encerro esta temporada, prometendo começar outra logo em breve, porque assunto é o que não falta no abençoado, mas igualmente devastado Reino do Sul, onde, apesar do estigma de que DESGRAÇA POUCA É BOBAGEM, ainda impera a esperança de que dias melhores virão.

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