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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Out20

Poetas nordestinos contra Bolsonaro no sertão

Talis Andrade

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por Urariano Mota

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Dos jornais na quinta-feira primeiro de outubro:

“O presidente Jair Bolsonaro desembarcou nesta quinta-feira (1º), em São José do Egito, no sertão do estado, para inaugurar a segunda etapa do Sistema Adutor do Pajeú”.

Nesse giro, de cabeça e ausência de caráter, Bolsonaro inaugurou obra inaugurada por Lula e Dilma. A primeira etapa da adutora foi inaugurada em 2013, no governo Dilma. Antes, a captação das águas no Eixo Leste da Transposição do Rio São Francisco foi inaugurado no governo Lula. Mas o presidente de improviso e seus seguidores em caráter de traição, como o senador Fernando Bezerra Coelho, pensam que calam a voz da consciência. Sobre eles, falaram antes os poetas de São José do Egito, terra fértil da poesia popular.

No discurso – na falta de melhor palavra -, Bolsonaro teve dificuldade para lembrar o nome do município e pediu para os moradores buscarem bons candidatos nas eleições deste ano. Alguns trechos da fala do boneco de Trump na presidência, em São José do Egito:

“Vamos caprichar para escolher prefeitos e vereadores. Vamos escolher gente que tenha deus no coração….”

Ora, contra essa fala, o poeta Lamartine dos Passos e Silva na inédita Antologia dos poetas do Pajeú, que tenho em arquivo, escreveu estes versos numa premonição:

 

O DEUS CAPITAL

E assim, do níquel, fez-se o verbo santo;

Eclodia o poder do capital.

Triunfante miséria social

Envolveu os humanos com seu manto;

Proclamando a riqueza e o seu encanto,

Congelando justiça e consciência.

E, abolindo da terra a inteligência,

Faz-se Deus de poder universal;

Gera um mundo tão vil, tão desigual;

Joga os homens na vala da indecência.

 

É o único Deus que oferece

Paraísos reais aqui na terra

É quem diz quando há paz ou quando há guerra;

É quem diz quem progride ou quem padece.

Sua fonte é o trabalho que arrefece

O espinhaço do proletariado.

Seu destino, entretanto é projetado,

Sobre os cofres repletos da nobreza

Condenando o mais pobre a mais pobreza

Dando, assim, mais desgraça ao desgraçado.

 

É o sustento dos Deuses-fantasia;

Compra fé do mais justo ao mais tirano;

Borda d’ouro e cristais o vaticano;

Encarcera e profana o Deus-poesia.

Em seu nome a verdade principia;

Em seu nome a verdade se extravasa.

Onde lança os tentáculos arrasa,

Como um polvo gigante, soberano,

Ditador imortal desse oceano

De ganância, cinismo e mente rasa.

 

Dele o poder emana, é sua cria;

Pelo dinheiro, o poder mancha o nome;

Pra minoria farta se consome

(podre paródia de democracia).

E os baluartes da demagogia,

Com um Deus no bolso, roubam toda a massa;

Esses ladrões, depois que o pleito passa,

Voltam pro trono longe da miséria.

Enquanto o pobre tomba na matéria

Que, em breve tempo, só será carcaça.

 

Mas sem saber onde pisava, sem conhecer o pensamento e sentimento da voz poética dos sertanejos, o boneco de faixa de presidência cometeu mais esta ignorância:

“Deus foi tão abençoado que nos deu até a hidroxicloroquina para quem se acometer da doença”

A isso responde a poeta Carmen Beatriz dos Passos e Silva, na mesma Antologia dos poetas do Pajeú, com este certeiro soneto:

 

PROCURA-SE DEUS

São em vão os caminhos palmilhados

Por quem faz neste mundo a violência.

Tantas guerras, humanos humilhados

Por pessoas de grande prepotência.

 

Buscam Deus nos lugares mais errados

Onde reina a injustiça, a incoerência,

Onde a paz e o amor são enterrados

Ante o ódio, a maldade e a indecência.

 

Rezam aos céus pra pedir dinheiro e fama

E a grandeza da alma é esquecida;

A moral e a bondade jogam à lama…

 

Quando alguém por justiça ainda clama,

Viram as costas pra voz já tão sofrida,

Apagando os sinais da santa chama.

 

Mas o fascista no poder não se recupera, surdo e cego que é para a poesia, e tenta recuperar um lema integralista, a versão do fascismo brasileiro:

“que tenham na alma o patriotismo e queiram de verdade o bem do próximo. Deus pátria e família”.

Para tal patriotismo Deus-Pátria-Família, Simone dos Passos e Silva Leite , uma das vozes poéticas de São José do Egito assim lhe responde:

 

HINO ÀS AVESSAS

Bradam forte os heroicos da nação

Para ver da justiça a clava erguida,

Ao lutar, desbravar bosques da vida,

Ver nascer liberdade neste chão.

Mas as flores que brotam são em vão,

Desfolhadas de forma infame e vil.

E o penhor da igualdade no Brasil

É esquecido por esta Pátria Amada,

Sem razões pra gritar “Terra Adorada”,

Pois não é dos seus filhos Mãe Gentil.

 

E as estrelas do lábaro ostentado,

Ofuscadas no breu do sofrimento,

Vão perdendo no azul do firmamento

O poder de luzir manto sagrado.

Só restou o colorido desbotado

Do que foi o pendão da esperança.

Hoje é pavilhão de insegurança

De um país sem orgulho da bandeira,

Com o progresso e a ordem brasileira

Sucumbindo e ficando na lembrança

 

Nosso hino nasceu desafinado

Entoando uma falsa liberdade,

Que na pauta da vil desigualdade,

Chora as notas de um povo aprisionado.

Se o arranjo não foi bem orquestrado

Resta, em versos, lutar pela utopia,

Libertar dos grilhões a poesia

E trazer esperança à brava gente,

Pra poder transcender eternamente

Novos sons imortais da sinfonia.

 

Então o arremedo de presidente seguiu para outros lugares, a espalhar o seu vírus. A sua única imunidade è aos poetas de São José do Egito, que cantam na voz de Gilmar Leite:

 

Quando as águas tremulam na corrente

São poemas do audaz de Rogaciano,

Que cantou contra o mundo desumano

Na defesa dos pobres e oprimidos,

Que nas margens soltavam os gemidos

 

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16
Jun20

Ong suíça denuncia situação precária dos colhedores de laranjas no Brasil

Talis Andrade

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Brasil fornece metade do suco de laranja consumido no mundo

Desde o surgimento da epidemia de Covid-19, cresceu a demanda por suco de laranja. No entanto, as condições de trabalho dos colhedores de laranja não melhoraram no Brasil, o maior produtor mundial de suco de laranja. A constatação é da Ong Public Eye, que faz um apelo para o gigante comercial Louis Dreyfus, peso pesado do setor, melhorar a situação de seus trabalhadores sazonais no país.

 
- - -

Eles vêm principalmente do Nordeste, região mais pobre do Brasil, para trabalhar na colheita de laranjas na regiões produtoras de São Paulo, onde são chamados de "migrantes". 

Oficialmente, eles são 50 mil trabalhadores, mas o número pode ser maior, já que muitos não são declarados. O trabalho é penoso, de até 110 caixas de 27 quilos, ou seja, 3 toneladas transportadas por dia. Uma das explicações é que  a remuneração depende do rendimento da colheita e, às vezes, apenas disso.

O salário mínimo legal, já bastante baixo, de R$ 1.045,00, nem sempre é respeitado, constatou a Ong suíça. A Public Eye critica a gigante comercial Louis Dreyfus, que comanda suas operações a partir de Genebra.

A empresa se tornou a número três do comércio mundial de suco de laranja concentrado  e congelado, atrás apenas das empresas brasileiras Cutrale e Citrosuco. A Louis Deyfrus investe não apenas em embarcações refrigeradas, armazenamento e processamento, mas também em 25.000 hectares de plantação no Brasil, o país que fornece metade do suco de laranja consumido no mundo.

Insalubre e continuidade da atividade durante a pandemia

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Em suas 38 plantações, a Louis Dreyfus diz respeitar o salário mínimo e equipar adequadamente os catadores, mas isso está bem longe de ser a realidade de seus fornecedores. Trabalhadores sazonais não têm acesso aos planos de saúde do grupo suíço e pagam por moradias insalubres, às vezes sem água encanada, no momento em que a epidemia de Covid-19 castiga duramente o Brasil.

O setor de laranja continua sendo uma atividade essencial neste período de pandemia. Os três principais exportadores, incluindo a Louis Dreyfus, querem manter em 100% a atividade.

A demanda por suco de laranja aumentou consideravelmente na Europa e nos Estados Unidos desde março, fazendo com que os preços desse produto, cotado em Nova York, subissem 36% , enquanto a tendência era de queda no consumo. Mas a situação dos trabalhadores sazonais continua ainda muito precária.

Controle de empresas terceirizadas

A legislação trabalhista no Brasil não exige mais que o tempo de viagem até as plantações, muitas vezes de várias horas, seja integrado aos salários.  A fiscalização dos órgãos públicos é rara. A Ong Public Eye, no entanto, pede à Louis Dreyfus que exerça seu dever de diligência sobre as empresas terceirizadas para garantir aos catadores de laranja não apenas o salário mínimo, mas um salário que garanta um padrão de vida decente no Brasil. 

23
Mar20

Marco Aurélio suspende cortes no Bolsa Família na região Nordeste

Talis Andrade

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Por Fernanda Valente

Configura postura discriminatória promover cortes na transferência direta de renda por meio do programa Bolsa Família a apenas uma região do país. Assim entendeu o Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, ao determinar a suspensão dos cortes na região Nordeste.

A decisão, da última sexta-feira (20/3), acolhe pedidos dos Estados da Bahia, do Ceará, do Maranhão, da Paraíba, de Pernambuco, do Piauí e do Rio Grande do Norte. Eles sustentaram que entre maio e dezembro de 2019 houve a redução da concessão dos benefícios na região.

De acordo com a ação, foram destinados à Região Nordeste 3% dos novos benefícios e 75% às Regiões Sul e Sudeste. Os estados dizem ser "inexplicável a dissonância".

Ao analisar o pedido, o ministro considerou que há um estado de calamidade pública no país e que a concentração de cortes do benefício na Região Nordeste configura discriminação. Na decisão, ele determina que a União justifique quais foram os critérios adotados para os cortes.

"A postura de discriminação, ante enfoque adotado por dirigente, de retaliação a alcançar cidadãos – e logo os mais necessitados –, revela o ponto a que se chegou, revela descalabro, revela tempos estranhos. A coisa pública é inconfundível com a privada, a particular. A coisa pública é de interesse geral. Deve merecer tratamento uniforme, sem preferências individuais. É o que se impõe aos dirigentes. A forma de proceder há de ser única, isenta de paixões, especialmente de natureza político-governamental", diz Marco Aurélio. 

Clique aqui para ler a decisão

 

20
Mar20

Bolsonaro corta auxílio alimentação de 158 mil famílias miseráveis depois de decretar a quarentena da pandemia do coronavírus

Talis Andrade

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247 - O governo Jair Bolsonaro cortou 158.452 beneficiários do Bolsa Família no mês de março, mesmo com a pandemia do coronavírus. Do total, 96.861 famílias, que representam 61,1%, estão na região Nordeste, onde o ocupante do Planalto obteve menos votos nas eleições de 2018.

As secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até 10h37 desta sexta-feira (20), que foram confirmados 650 casos do coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil em 22 estados e no Distrito Federal.

O Bolsa Família atende famílias que vivem em situação de extrema pobreza, com renda per capita de até R$ 89 mensais, e de pobreza, com renda entre R$ 89,01 e R$ 178 mensais.

De acordo com reportagem do portal Uol, o número de beneficiários do programa, que atualmente é capitaneado por Onyx Lorenzoni, que foi tirado da Casa Civil par assumir o Ministério da Cidadania, é o menor desde maio de 2017.

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12
Mar20

Todos os patifes do presidente

Talis Andrade

Não há mais margem de manobra, espaço para os panos quentes, as meias-palavras ou o veja-bem: ou você admite aquilo que é inegável ou faz parte do enorme viveiro de patifes que sustenta o consórcio

 

por Sandoval Matheus

Enquanto o gângster de picadeiro que convencionamos chamar de presidente da República ri, mais e mais brasileiros são atirados à masmorra da miséria. A fila de pobres-diabos suplicando o exíguo valor do Bolsa Família chega agora a 3,5 milhões de pessoas.

Na semana passada, ficamos sabendo que dos pouquíssimos benefícios concedidos em janeiro (100 mil, ao todo), apenas 3% foram destinados ao Nordeste. É nessa região, no entanto, que estão 36,8% dos pobres e extremamente pobres do país.

Um único estado do Sul Maravilha, Santa Catarina, recebeu o dobro de auxílio, 6% do total, mesmo tendo uma população oito vezes menor.

O motivo: Bolsonaro venceu espetacularmente as eleições de 2018 no Sul, mas perdeu no Nordeste.

O Bolsa Família pode ser a diferença entra a vida e a morte de uma criança por inanição. Jogar com isso é mais do que perseguição política, é psicopatia.

Não é um governo, é um consórcio de assassinos. Isso está claro há tempo suficiente. Quem ignora, endossa. Não há mais margem de manobra, espaço para os panos quentes, as meias-palavras ou o veja-bem: ou você admite aquilo que é inegável ou faz parte do enorme viveiro de patifes que sustenta o consórcio.

Cada vereador, cada deputado, cada empresário, cada madame, cada velhote apoiado em um balcão no fim de tarde vociferando contra inimigos imaginários e fechando os olhos para o óbvio – todos patifes.

O dono de uma rede de restaurantes que se autocongratula por fazer “o melhor hambúrguer do mundo”? Que divulgou um vídeo aderindo às manifestações convocadas por Bolsonaro e que estimulam um golpe de Estado? O mesmo que há alguns anos, segundo a Justiça do Trabalho, metia a mão nas gorjetas de seus garçons?

Patife.

(A propósito: as chances de “o melhor hambúrguer do mundo” ter saído de Curitiba são as mesmas de eu ganhar um galardão de astrofísica até o fim da semana.)

O prefeito higienista de uma capital fria que manda roubar cobertores de mendigos? Que ofertou uma medalha a Sergio Moro, o ministro-símbolo do bolsonarismo?

Patife.

(Mais do que um patife, Rafael Greca é o tipo que anseia por uma suposta urbanidade europeia quando na verdade não passa de um arremedo de africâner.)

O governador que ao menor aceno corre emocionado para os braços presidenciais? Um dos poucos que não assinou uma carta de repúdio no momento em que Bolsonaro aperta ainda mais o garrote do autoritarismo? Que há poucos dias nomeou um secretário ligado à Opus Dei? Aquele que, sem se dignar a dar maiores satisfações à ralé, é o único a ir com o chefe da facção à Flórida, numa viagem cujo maior propósito é render uma foto à mesa com Donald Trump?

Patife.

Democracia não exige jeans e blazer, pose de administrador jovem e antenado, discurso 4.0, um giro aleatório por Miami. Exige coragem para, numa situação-limite, mandar o cálculo político para o inferno. Exige diálogo, barganha e negociação, sim, mas também espinha. Coisa que Ratinho Jr não tem.

O que, no caso, é uma tradição familiar. Seu pai, o apresentador Ratinho, é o subserviente entrevistador preferido de Jair Bolsonaro. E encheu as burras de dinheiro para propagandear a reforma da Previdência. Na TV, tinha a exemplar cara de pau de perguntar à população: “Você acha que se a Previdência fosse ruim para o povo, eu estaria a favor?”.

Ao preço de R$ 915 mil por quatro falas breves, acho sim.

Lá fora, há uma visível escalada autoritária, promovida pela família presidencial e seu séquito de patifes. Eu gostaria de acreditar que, um dia, Jair Bolsonaro, Junior Durski, Rafael Greca, Ratinho Jr e muitos outros acabarão na famigerada lata de lixo da história. Mas não há consolo no Terceiro Mundo. No Brasil, a história não tem sequer lata de lixo. Tem uma usina de reciclagem de patifes. 

 

10
Mar20

El delito de la sed: la privatización del agua en Brasil

Talis Andrade

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Fuentes: Brecha (Uruguay)
 

El parlamento está dando luz verde a un anhelo del presidente Jair Bolsonaro: la privatización de Brasil, ahora concretada en la privatización del agua y el alcantarillado. El resultado es una creciente militarización de las fuentes y los canales, que va de la mano de la criminalización de los sedientos.

Por 276 votos contra 124, la cámara de representantes aprobó, la noche del miércoles 11 de diciembre, el texto básico del proyecto que establece el marco legal del saneamiento básico. La propuesta establece nuevas normas para el sector y allana el camino para que los privados se hagan cargo del servicio. Para la oposición, “la cámara aprobó la privatización del agua” (Revista Forum, 11‑XII‑19).

Uno de los puntos más controvertidos del texto es el que hace obligatoria la licitación de los servicios de saneamiento para permitir la competencia entre las empresas públicas y privadas. “La mitad de los brasileños no tiene alcantarillado y 35 millones no acceden al agua limpia. Lo que decidirá si los municipios tendrán saneamiento son las potenciales ganancias de las grandes empresas”, dijo la congresista Sâmia Bomfim (PSOL) al explicar su voto negativo.

 

A contramano

Quienes defienden la privatización esconden el hecho de que desde 2000 han sido reestatizados 884 servicios de agua en el mundo”, añadió el diputado Glauber Braga (PSOL). En efecto, un análisis del Transnational Institute reveló en 2017 que unas 180 ciudades de 35 países habían revertido la privatización del agua, desde Bolivia hasta Alemania. Entre las principales razones para tomar esa decisión figuraban el empeoramiento del servicio privatizado y el aumento desmedido de las tarifas, “ambos dictados por la necesidad de generar ganancias para los accionistas”, destaca el periodista Antonio Martins en la página Outras Palavras.

En tanto, la diputada del PT Erika Kokay apuntó: “El agua es un derecho fundamental. No puede quedar atrapada en la lógica del lucro. Estamos ante un retroceso histórico que va a penalizar a los más pobres”. Los datos hablan por sí solos: apenas el 45% del alcantarillado pasa por algún tipo de tratamiento; el restante 55%, correspondiente a 5,6 millones de metros cúbicos por año, es arrojado directamente a la naturaleza.

Anderson Guahy, dirigente del Sindicato de los Trabajadores en Agua, Alcantarillado y Medio Ambiente de São Paulo, dijo al periódico Brasil de Fato: “Desde 2003, en la ley 11.445, aprobada durante el gobierno Lula, ha habido una regulación para que los municipios tuvieran un control mayor del saneamiento, intentando universalizarlo”. Las licitaciones que se prevén con la nueva ley favorecen a las grandes empresas de la construcción, del tipo de Odebrecht.

Además, los municipios cuyo saneamiento no genera ganancias pueden quedarse sin el servicio, porque hasta ahora había un “subsidio cruzado”, explica Guahy, que hacía que las ciudades donde se generaba ganancia subsidiaran a las que daban pérdidas. Con la privatización “los municipios menores y medios tendrán que pagar más, porque una entidad privada no está obligada, como una estatal, a suministrar agua a todos los municipios que asume y, por tanto, si no tiene ganancias, no va a invertir”.

 

Guerra en el Nordeste

El 2 de febrero, día de Iemanjá, el diario O Estado de São Paulo comenzó a publicar una serie de notas tituladas “Guerra de las aguas”, del periodista Patrik Camporez. El diario destaca que los canales que desvían el agua del río São Francisco hacia las grandes haciendas de la fruticultura en el nordeste están siendo vigilados por guardias armados y drones, mientras se levantan muros para proteger el agua, convertida en negocio para exportar fruta.

Brasil posee el 12% de toda el agua dulce del mundo. El acceso al agua abundante y limpia fue libre durante siglos. Hasta los años noventa casi no había conflictos por ella. Pero en los últimos cinco años fueron registrados 63 mil conflictos con la intervención de la policía y surgieron 223 “zonas de tensión” por el agua. Diez años atrás había sólo 30 zonas de tensión, según la Agencia Nacional de Aguas.

Aunque los casos son muy diversos, hay un patrón común: “El poder económico, el agronegocio, la administración de las hidroeléctricas, las industrias y los taladores ilegales, que quieren apropiarse de las tierras fiscales, intentan de muchas maneras restringir el acceso a los ríos y las represas”, escribe Patrik Camporez (O Estado de São Paulo, 2‑II‑20). El mismo informe establece que el Estado los apoya y, en cambio, siempre salen perjudicados los pueblos originarios y negros, los agricultores familiares y las comunidades tradicionales.

La situación del árido y seco nordeste es tan grave que los pozos privados son vigilados por el ejército. La descripción del periodista parece cosa de otra época: “Jeeps con soldados cortan las calles polvorientas. La operación de guerra del ejército para controlar el agua del subsuelo se convirtió en rutina en el sertão nordestino”.

São Josê de Belmonte es una localidad de 30 mil habitantes en Pernambuco, célebre por un subsuelo pletórico de agua, codiciada por los especuladores. En la madrugada, la ciudad está congestionada por los camiones que recogen agua para venderla a la población.

La carrera desenfrenada por los pozos de Belmonte llevó al gobierno federal a llamar al ejército para controlar y distribuir el agua en la región, que también es llevada en cisternas hacia los estados vecinos de Paraíba y Ceará”, apunta Camporez. El municipio tiene más de mil pozos grandes, de hasta 150 metros de profundidad. “En cada punto de captación hay un equipo del ejército”.

 


Conflictos eternos: de la tierra al agua

Sin conseguir resolver el antiguo problema de los conflictos de tierras, el país vive ahora una nueva crisis. Cada curva de un río caudaloso y de corrientes casi secas es disputada a bala, facón o destornillador”, escribe el periodista Patrik Camporez.

Camporez detalla que los canales prohibidos para buena parte de los habitantes de las regiones irrigadas fueron construidos en las décadas del 80 y el 90 para las plantaciones de fruta de exportación en el nordeste.

La criminalización de quienes no tienen agua es un drama más del semiárido nordeste. El equipo de reportaje estaba cerca del canal, en Petrolina, cuando pudo ver que un habitante se aproximó al curso con un balde y un barril, miró para los lados y, superando el miedo, agarró agua del lugar. Era Cosme Angel, de 26 años, que repartiría el barril con 20 vecinos”, relata Camporez. Cosme explicó luego a los periodistas: “Es una lucha diaria. Si quiero tomar agua directo de un río, tengo que buscar a más de 20 quilómetros en la costa. Entonces, prefiero correr el riesgo de que me vean y llamen a los vigías del agua para hacer la denuncia”.

El caso más emblemático es el del líder comunitario Haroldo de Silva Betcel, de 34 años, asesinado con un destornillador en las márgenes del Igarapé Tiningu, en Santarém, en el estado de Pará. La policía civil dijo que el crimen se debió a la disputa entre ribereños y hacendados por el control del curso del río Tapajós. “En el Brasil de hoy, el agua se convirtió en un asunto policial”, sentencia Camporez.

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03
Nov19

E se manchas de petróleo nas praias do Nordeste fossem um aviso dos deuses?

Talis Andrade

Resíduos de petróleo também podem ser um alerta da decadência política, social e humana que o país está enfrentando

26
Out19

Quinze praias do Nordeste sob o jugo do vazamento de óleo (23 fotos)

Talis Andrade

Dez fotógrafos de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia retratam os estragos do vazamento de óleo na região e o trabalho de voluntários para minimizar os prejuízos

 
 

contato oleo praias causa queimaduras, dores de ca

Veja aqui as fotos do descaso, do Brasil desprotegido, do Brasil do BRICS, que voltou a ser parte do Terceiro Mundo.

23
Out19

É preciso um "fora já" para Ricardo Salles

Talis Andrade

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por Gustavo Aranda

Foram necessários 41 dias para que o Ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, formalizasse o plano de contingência do governo federal para conter o maior desastre ambiental da história brasileira.

Enquanto voluntários se organizavam, colocando a própria saúde em risco, para tentar amenizar os efeitos do derramamento de óleo que atinge 2.000 quilômetros do litoral brasileiro. Enquanto a Justiça, dos Estados do Nordeste, e o Ministério Público Federal cobravam a atuação do governo para adotar medidas para conter a crise, o ministro Salles usava as redes sociais, com vídeo adulterado, para ironizar o Greenpeace.
 
DURANTE AS QUEIMADAS CRIMINOSAS QUE ATINGIRAM A AMAZÔNIA NO MÊS PASSADO, A ATITUDE DE RICARDO SALLES FOI PEGAR UM AVIÃO PARA A EUROPA PARA ENCONTROS SECRETOS COM EMPRESAS MULTINACIONAIS POLUIDORAS, INTERESSADAS NA EXPLORAÇÃO DA AMAZÔNIA, COMO REVELOU O THE INTERCEPT.

Ricardo Salles está condenado por improbidade administrativa e a perda dos direitos políticos, desde dezembro de 2018, por adulterar mapas de preservação ambiental, quando exerceu o cargo de secretário do meio ambiente de Geraldo Alckmin, em São Paulo, para permitir que a Suzano Papel e Celulose despejasse lixo tóxico na várzea do Tietê. A empresa pertence a família Feffer, que é a principal financiadora do grupo “Endireita Brasil”, fundada pelo ministro, e de suas campanhas eleitorais.

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Salles também foi denunciado pelos funcionários da secretaria, às vésperas de deixar o cargo, por tentar vender um prédio público do Instituto Geológico para um amigo pessoal, mentindo sobre o parecer da Consultoria Jurídica que foi contrária ao negócio por gerar danos ao erário. O Ministério Público arquivou o novo processo de improbidade, não por falta de provas, mas, porque o ministro já havia deixado o cargo, o MP conseguiu com a instalação do inquérito que o negócio não fosse concretizado.
 
Em agosto deste ano, o Ministério Público de São Paulo abriu um outro inquérito para investigar a suspeita de enriquecimento ilícito do ministro entre 2012 e 2018, período que ocupou cargos públicos na administração paulista. Em 2012, Salles declarou um patrimônio de 1,4 milhão em bens. Em 2018, quando se candidatou para deputado federal pelo Partido Novo, seu patrimônio era de 8,8 milhões de reais, montante incompatível com os rendimentos de servidor público. Nesse período, Ricardo Salles foi a justiça para reduzir a pensão alimentícia dos dois filhos, alegando que seu salário era baixo demais para cumprir a obrigação. Ele chegou a ser ameaçado de prisão por dever 28 mil reais de pensão para as filhas.
 
DEPOIS DE DISPUTAR A CADEIRA DE DEPUTADO FEDERAL, SALLES FOI ACUSADO DE ABUSO DE PODER ECONÔMICO E DE FAZER PROPAGANDA ANTECIPADA, POR APARECER EM PROPAGANDAS PUBLICADAS EM JORNAIS ANTES DO PERÍODO ELEITORAL. POR ISSO, A PROCURADORIA ELEITORAL QUER QUE ELE FIQUE INELEGÍVEL POR OITO ANOS.
 
O Ministro também foi pego em suas mentiras, ao divulgar durante anos em seu currículo um mestrado em direito público pela Universidade de Yale, onde nunca assistiu uma aula.
 
Em uma semana no ministério, Salles usou o Tweeter para atacar o IBAMA por um contrato de 28 milhões, alegando irregularidades. Bolsonaro compartilhou a mensagem do ministro, mas quando vieram as explicações, o presidente foi obrigado a apagar a postagem.
 
Não é de se esperar de um governo que tem como exemplo de moralidade torturadores, estupradores e criminosos de toda espécie, exigir probidade dos ministros que escolhe. Agora, que a justiça paulista, tão célere em encarcerar integrantes de movimento sociais e políticos de esquerda, mantenha o país e o planeta reféns de um político condenado, com vastas provas documentais e com tantas evidências de imoralidade no trato público, ocupando um cargo da importância que tem o Ministério do Meio Ambiente, se recusando a julgar um processo engavetado desde dezembro do ano passado, só pode ser visto como escárnio, provocação e cumplicidade.
 
Não basta que ONGs denunciem o descalabro da gestão ministerial para ONU e faça protestos pontuais, como a de hoje (23), em frente ao Palácio do Planalto.
É URGENTE QUE A SOCIEDADE SE MOBILIZE PARA COBRAR DA JUSTIÇA O JULGAMENTO DOS CRIMES COMETIDOS PELO MINISTRO PARA QUE AS INSTITUIÇÕES RETORNEM AO ESTADO DE NORMALIDADE DEMOCRÁTICA E POSSAM RESOLVER OS PROBLEMAS QUE AFETAM O PAÍS DE FORMA SÉRIA E SEGURA.
É preciso um “Fora já” para Ricardo Salles e para a política de destruição do meio ambiente imposta pelo governo federal.

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Em "Destaques" no Jornalistas Livres:
 
21
Set19

No país da casa-grande e da senzala a lei é adaptável às conveniências contingentes dos mais fortes, a minoria rica

Talis Andrade

Três meses de revelações do Intercept e nada acontece no Brasil

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por Nino Carta

As derradeiras revelações do The Intercept haveriam de ser o último capítulo do enredo da farsa encenada pelo tribunal da Inquisição de Curitiba, também conhecido como Lava Jato, para alijar a candidatura do ex-presidente Lula das eleições de 2018 ao condená-lo e prendê-lo sem provas. Deveriam ser, e são aos olhos do mundo civilizado e democrático, enquanto o Brasil finge ignorar “a canalhice”, como diz o condenado, cometida por Sérgio Moro e Deltan Dallagnol e sacramentada pelos poderes da República, com destaque para a Suprema Corte estupidamente pomposa a trair seu papel constitucional de guardiã da Lei.

No país da casa-grande e da senzala a lei é adaptável às conveniências contingentes dos mais fortes, a minoria rica. Não há como escapar à visão de um Brasil mergulhado na medievalidade mais obscura. Isto já foi dito e repisado e é do conhecimento até do mundo mineral, mas os brasileiros em sua maioria ainda não chegaram lá.

Há duas razões prioritárias de espanto. A primeira diz respeito ao silêncio das ruas, ao comportamento da mídia, inclusive à dolorosa constatação de que são muitos, em demasia, aqueles que, embora habilitados a perceber a velhacaria da farsa, preferem Lula preso. O ódio de classe explica até um certo ponto. Onde estão os cidadãos favorecidos pelas políticas sociais dos governos petistas, hoje devolvidos à sua irreversível pobreza? Sim, isto também já foi dito, e repetido talvez inutilmente, ao sublinhar a unicidade do fenômeno nativo.

Desde o início de junho, The Intercept divulga o resultado de uma investigação que não deixa dúvidas quanto à sua veracidade. Vêm à tona provas irrefutáveis de uma tramoia ciclópica que envergonha a todos e condena o País à condição de pária internacional, destinado a ser ainda colônia, e habitado por um povo sempre vocacionado para a escravidão. Em mais de três meses de revelações cada vez mais assombrosas, nada aconteceu, a não ser, nesta semana, a patética declaração de Gilmar Mendes, ao acentuar ter agido quando do vazamento de um telefonema entre Dilma Rousseff e Lula, e intervir para impedir a designação do ex-presidente a chefe da Casa Civil, baseado nas informações fornecidas pelos inquisidores, parciais e incompletas.

Ato falho do nosso Darth Vader? De fato, ele reconheceu implicitamente que o The Intercept conta a verdade. Em compensação, a mídia nunca chegou a um papel tão abjeto ao tomar claramente o partido dos desmascarados, até na hora em que estes inventam uma contramanobra para neutralizar o efeito das últimas revelações sobre os criminosos propósitos que orientaram o golpe de 2016. CartaCapital, sem a mais pálida chance de engano, já sustentou que, a partir da Lava Jato, tudo quanto se seguiu até a eleição de Jair Bolsonaro invalida todo o período pós-PT.

Falta falar da segunda razão de espanto terrificante. Está no inesgotável recurso golpista à ignorância do povo, à inconsciência da cidadania, à incapacidade não somente de reação, mas também, e sobretudo, de entendimento da constante humilhação a que foi submetido pelos séculos adentro. A esquerda, se em algum momento existiu e teve peso no contexto político, não soube preparar o povo para a compreensão das intermináveis ofensas recebidas. Na minha opinião, duas passagens da memorável entrevista de Lula a esbanjar energia, publicada na semana passada, me tocam profundamente. Quando declara: “A Dilma, o PT, eu, todos erramos e colhemos o que plantamos”. E mais, constata que o Brasil deveria imitar a Argentina. O grande e querido amigo me perdoe, mas o PT insiste no erro, a não ser nas terras livres do Nordeste. 

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