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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

22
Jun20

Urariano Mota: Felicíssimo Oratório das Águas

Talis Andrade

gustavo.jpg

 

 

A maioria das pessoas o vê apenas como um editor, mas Gustavo Felicíssimo vive e procura viver no mundo material da poesia

 

08
Fev19

De Jussara Salazar

Talis Andrade

sentinela

|img tema elizabeth Perice|

peixes.jpg

 


Uma mulher
na penumbra da casa
pássaro de papel negro
caminha


toada de rebanho escuro
o verde sobre o peito da mulher é áspero
sobre o vestido de louça
e sobre o negro da noite sussurra para as velas brancas
escuto quando a mulher passa
olhos voltados para o dia
segura dois peixes silenciosos
amarelos
azuis
e depois voa
com asas de penumbra

14
Mai18

de Jussara Salazar

Talis Andrade

jussara salazar azulejo onça pintada.jpg

 

 

A hora dos insetos

 

Noite alta aromam raízes

circundam as asas vítreas

e arvorezinhas deslizam nos dedos;

leve o tigre aura em halos que o sol

noturno das pedras silenciosas

guarda qual corpo – e oráculo –

feito a ânsia d’água-mãe.

 

lapso de líquidos o silêncio a boca da casa

e os fragmentos de um jaspe

ugazes lavam

seu suave canto.

 

 

La hora de los insectos

 

noche alta aroman raíces

circundan las alas vítreas

 y arbolitos deslizan los dedo;

leve el tigre aura en halos que el sol

nocturno de las piedras silenciosas

guarda cual cuerpo – y iráculo –

 hecho el ânsia de aguamadre.

 

Lapso de líquidos el silencio la boca de casa

y los fragmentos de un jaspe

fugaces lavan

su suave canto.

 

 

O retorno da noite

 

o eu entardece curvo

deita se fragmentário azul em

cânticos desmancha se

o nada em

grafia nebular encobre

l e v e s   r e f r a ç õ e s ;

partículas à espera de

um quase instar intactas

 

 

diorama acende se em anseios

pelo que virá.

 

 

El retorno de la noche

 

el yo atardece curvo

se deja fragmentario azul en

cânticos se desmancha

la nada en

grafia nebular encubre

l e v e s  r e f r a c c i o n e s ;

partículas a la espera de

un casi instar intactas

 

diorama se eleva en ânsias

por lo que vendrá.

11
Mai18

de Hilda Hilts

Talis Andrade

hilda hilst p&b.jpg

 

 

Sonetos que não são

 

Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha

Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.

 


(A noite como fera se avizinha)

 

Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel.

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.

 

 

01
Mai18

CAÇADOR NOTURNO

Talis Andrade

 

Talis.jpg

 

 

Caçador noturno

de macilento corpo

os olhos frios

 

Caçador noturno

bêbado de vodca

veio dormir

com as polacas

que passaram pelas camas

dos avós

vivendo uma suposta vida

de gozos

na manducação carnal

de branco com branca

ateando fogo ao fogo

ajuntando luxo ao luxo

 

---

Talis Andrade, O Enforcado da Rainha, p.77

30
Abr18

Canibalismo

Talis Andrade

Marcelo-Grassmann.jpg

 

 

Estranho bicho

perdido nos trópicos

para escapar

de um câncer de pele

se entoca no escuro

do quarto

aguardando a noite

escura noite

de frias asas

tenebrosas asas

lhe esconda

a luxuria do corpo

noutro corpo

 

Estranho bicho

de uma palidez lunar

espera a hora

de dar o golpe

a hora propícia

de pegar a presa

que neste velho

perdido mundo

quem não come

morre de véspera

 

 

A vida é morte

a morte é vida

a vida

um curto tempo

de engorda

 

Caçador furtivo

de sangue frio

no escuro da noite

espera a hora

de dar o bote

a hora propícia

de abocanhar

a carne tenra

e doce

a suculenta carne

sanguenta

 

 

---

Ilustração Marcelo Grassmann

Talis Andrade, O Enforcado da Rainha, ps. 75/76

18
Abr18

rua das moças, 43

Talis Andrade

com tema de mandy patullo

 

 

jussara salazar crochê.jpg

 

de Jussara Salazar

 

 

---

corina

teu crochê cobre a noite

rumina


e tecendo tecendo
escreve uma língua
chamada lundum
escuta as aranhas
riscarem os moldes
bordeando
os bordados
emaranhados
mofados
noturnos
escuros
desfiados
desgraçados porque


as tuas
são as
mãos do mundo

18
Abr18

A imortalidade, cães, papéis amassados e nuvens cor do nada

Talis Andrade

com tema de anastasia yanovskaya

 

 

jussara.jpg

 poesia de Jussara Salazar

 

___

 

Às vezes, o vento soprava muito forte.

 

W. e eu
nos protegíamos atrás das vidraças.

 

víamos os telhados nas noites de inverno
ouvindo o barulho do fogo na madeira úmida
ou os passos do guarda noturno da rua
onde as pedras do calçamento
estendiam
a réstia de uma mulher tecendo o amanhecer

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