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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

11
Jan21

Ameaças de neonazistas a vereadoras negras e trans alarmam e expõem avanço do extremismo no Brasil

Talis Andrade

Primeira vereadora negra eleita na Câmara de Curitiba, Carol Dartora recebeu ameaças de morte por e-mailPrimeira vereadora negra eleita na Câmara de Curitiba, Carol Dartora recebeu ameaças de morte por e-mail

 

Ataques contra vereadoras de várias cidades ocorreram em dezembro e polícia ainda busca autores. Vítimas relatam rotina de medo especialistas alertam para escalada das ameaças no país, enquanto os EUA refletem sobre banalização dos discursos de ódio nas redes

 

por ISADORA RUPP /El País
 

Injúrias raciais, infelizmente, não são uma novidade para a professora Ana Carolina Dartora, 37 anos. Primeiro vereadora negra eleita nos 327 anos da Câmara Municipal de Curitiba, e a terceira mais votada na capital paranaense nas eleições 2020, sua campanha foi permeada por ataques, sobretudo nas redes sociais. Até então, Carol Dartora ―como é conhecida a vereadora filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT)― considerava as mensagens inofensivas. Mas no início de dezembro ―logo após uma entrevista do prefeito Rafael Greca (DEM) na qual o mandatário disse discordar da existência de racismo estrutural na cidade― ela recebeu por e-mail uma mensagem a ameaçando de morte, inclusive com menção ao seu endereço residencial.

No texto, o remetente chama a vereadora de “aberração”, “cabelo ninho de mafagafos”, e diz estar desempregado e com a esposa com câncer. “Eu juro que vou comprar uma pistola 9mm no Morro do Engenho e uma passagem só de ida para Curitiba e vou te matar.” A mensagem dizia ainda que não adiantava ela procurar a polícia, ou andar com seguranças. Embora Carol tenha ouvido de algumas pessoas que as ameaças eram apenas “coisas da Internet”, especialistas ouvidos pelo EL PAÍS ponderam que não se deve subestimar os discursos de ódio ―a exemplo de toda a discussão que permeiam os Estados Unidos desde a quarta-feira, 6 de janeiro, quando extremistas apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio em protesto contra a derrota do presidente, provocando cinco mortes.

O e-mail, com texto igual, também foi enviado para Ana Lúcia Martins (PT), também a primeira mulher negra eleita para vereadora em Joinville (SC). As vereadoras trans Duda Salabert (PDT), de Belo Horizonte, e Benny Briolly (PSOL), de Niterói (RJ), também foram ameaçadas pelo mesmo remetente. Até aqui, as investigações policiais dão conta de que o ataque orquestrado partiu de uma célula neonazista que atua sobretudo nas profundezas da internet, a chamada deep web. O provedor do qual a mensagem foi enviada tem registro na Suécia, o que dificulta o rastreamento por parte das polícias civis e, no caso do Paraná, do Núcleo de Combate aos Cibercrimes.

“Fiquei olhando para a mensagem perplexa, sem conseguir processar muito. O espanto de outras pessoas do partido me deu o alerta”, contou Carol ao EL PAÍS. “A violência não é só objetiva. A violência política acompanha a minha trajetória e a das outras vereadoras ameaçadas, com barreiras que vão se criando para que a gente não tenha êxito. Nenhuma mulher deveria enfrentar tanta coisa para exercer um direito básico da democracia”, frisa.

Desde então, o medo faz parte do cotidiano da vereadora de Curitiba. “Tô tentando ser mais discreta. Estou pensando até em mudar o meu cabelo. Isso é muito minimizado, desprezado. As pessoas pensam que é bullying, coisa de Internet. É muito nítida a questão de gênero, do sexismo aliado ao racismo.” Mas foi na Internet, por exemplo, que foi planejado, durante semanas, os ataques ao Capitólio dos EUA por grupos de extrema-direita que não aceitam a derrota de Trump para o democrata Joe Biden. (Continua)

21
Nov19

A vida da Néia era mais barata que uma placa ou um cartaz

Talis Andrade

assassinaro moradora de rua niteroi.jpg

 

 

por Fernando Brito

O tal Aderbal Ramos de Castro, que matou friamente a moradora de rua Zilda Henrique dos Santos Leandro, de 31 anos, no centro de Niterói é, certamente, adepto da tese bolsonariana de que todos devem andar armados para sua autodefesa.

Certamente, alguém que habita a periferia da polícia – segurança, ex-PM, alcaguete, miliciano, etc.

Não fosse, não carregaria um “trezoitão” na cinta, arriscando-se a ser preso em qualquer abordagem policial.

Confiava que alguém, “quebraria essa”.

O tal Aderbal Ramos de Castro, que matou friamente a moradora de rua Zilda Henrique dos Santos Leandro, de 31 anos, ainda que sendo assim, nem precisaria atirar para defender-se, pois a mulher se encolhe e faz menção de correr quando vê o “trezoitão” sair-lhe da cinta.

Mas o tal Aderbal a matou, friamente, porque Zilda, a quem chamam pelo apelido de Néia, o mesmo de minha mãe, não é uma vida que valha nada, para ele.

É só uma “negrinha, bandidinha”, que vive na rua, incomodando os passantes, homens de bem como ele, pedindo o real que não tem e que nem a vida dela nem vale.

O tal Aderbal, quem sabe, vá virar deputado como outro tal, o Coronel Tadeu ou tal e qual o tal e qual, o bombadão Cabo Daniel.

“Aderbal, federal, não promete, faz o mal”

Afinal, não quebra placas, como este, nem cartazes, como aquele.

Não fica no “blá-blá-blá”, vai logo ao “pá, pá, pá” do “trezoitão” de sua cinta.

E a Néia vai para o chão, agonizar como uma placa quebrada ou um cartaz arrancado.

É barato, ela não vale nem um real, bem menos que a bala que lhe deu o tal Aderbal.

 

17
Ago19

A grande família de pastores evangélicos destruída a tiros

Talis Andrade

Anderson do Carmo fundou uma igreja e uma família gigantesca junto à deputada Flordelis dos Santos de Souza. Dois de seus filhos foram indiciados por seu homicídio

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17
Jun19

Marido da deputada Flordelis executado com 15 tiros

Talis Andrade

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marido flor delis.jpg

Flordelis e o pastor Anderson se conheceram em dezembro de 1991. A cantora chamou a atenção do pastor por fazer um trabalho de evangelismo entre traficantes. Por causa disso, ele foi até a igreja que ela frequentava no Jacarezinho, comunidade da Zona Norte do Rio de Janeiro, e a viu pela primeira vez no altar tocando violão e cantando.

Anderson começou a frequentar a igreja e certa noite, quando percebeu que Flordelis não se sentia bem, pediu para acompanhá-la até em casa. No trajeto, que deveria ser tranquilo, eles se depararam com uma mãe que estava desesperada porque seu filho seria morto por traficantes. A cantora interferiu pelo jovem e depois de conversas e oração conseguiu que ele fosse solto pelos criminosos.

– Naquele dia ali eu acho que passei pelo teste da irmã Flor. Nós começamos então a paquerar. E sabe como é namoro de crente, é um namoro sério. Então já marcamos o casamento e em abril de 1994 nós casamos e estamos juntos até hoje, pais de 55 filhos – contou Anderson, animado. (Fotos)

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O pastor foi assassinado na madrugada deste domingo (16) depois de voltar para casa com a deputada, em Pendotiba, Niterói. Anderson Carmo foi executado por volta das 4h, com diversos tiros, pouco tempo após chegar.

Segundo Flordelis, o ataque a tiros aconteceu depois que Anderson voltou à garagem para buscar algo que esqueceu no carro. Os criminosos estavam de toucas ninja e o esperavam no quintal, onde já tinham dopado o cachorro - a fim de não alertar sobre a invasão.

A principal hipótese investigada pela polícia é a de execução. O corpo de Anderson tinha mais de 30 perfurações - entre as provocadas por entradas e saídas de projéteis.

A deputada prestou depoimento neste domingo e falou que o marido tentou evitar que criminosos entrassem em sua casa.

"Eu só fui dar um passeio com meu marido, mais nada, gente... Só um passeio, que acabou desta forma, [com ele] perdendo a vida protegendo a casa, protegendo a família. O que ele tentou foi evitar que... Infelizmente abriu o portão da garagem e ele tentou evitar que eles entrassem dentro da casa. Ele sacrificou a vida dele para proteger a família", contou.

O pastor deixa 55 filhos - 4 biológicos e 51 adotados.

 

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