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O CORRESPONDENTE

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O CORRESPONDENTE

25
Out22

Manifestantes se reúnem em Paris em defesa da democracia brasileira

Talis Andrade
Centenas de manifestantes se reuniram neste sábado (22) em Paris em defesa da democracia no Brasil.
Centenas de manifestantes se reuniram neste sábado (22) em Paris em defesa da democracia no Brasil. © RFI

 

Apreensivos com os resultados do primeiro turno das eleições no Brasil e de olho na votação do próximo dia 30, manifestantes se reuniram neste sábado (22) na Place de la Nation, a leste de Paris, em defesa da democracia.

 

Por Andréia Gomes Durão /RFI

Ídolo dentro e fora dos gramados, o eterno craque Raí subiu ao palanque compartilhando com o público seu entusiasmo pelo exercício cívico de ir às urnas no segundo turno, convidando os eleitores a votarem “contra as desigualdades sociais, à agressão ao meio ambiente, contra o desrespeito ao direito das minorias e contra o ódio, mas principalmente a votarem a favor do amor”.

Sob gritos de “Fora Neymar”, que declarou publicamente seu apoio a Jair Bolsonaro, Raí afirmou que “o Brasil se encontra em um momento terrível, depois de tudo que se passou nos ‘últimos quatro anos’”, se recusando a pronunciar o nome do atual presidente brasileiro.

 

O ex-jogador Raí convida os eleitores brasileiros a votarem contra o agravamento das injustiças sociais.
O ex-jogador Raí convida os eleitores brasileiros a votarem contra o agravamento das injustiças sociais. © RFI

 

Representantes e líderes de entidades francesas e brasileiras comprometidas com a defesa da democracia se revezavam no palco. A presidente do grupo Amitié France-Brésil no Senado, Laurence Cohen, destacou a importância de mostrar que, “na França, há uma solidariedade em relação ao Brasil, em relação à democracia”.

“Já dei meu apoio a Lula quando ele estava na prisão, assim como me solidarizei a Dilma Rousseff, quando ela foi ameaçada de impeachment e, infelizmente, conseguiram tirá-la do poder. [...] É preciso mostrar que os democratas franceses estão mobilizados pelo mundo inteiro, e não apenas pelo Brasil, onde a democracia está ameaçada por um governo que tem ódio da população negra e dos povos autóctones, que é contra o direito das mulheres”, enfatiza a senadora em declaração à RFI.

 

“Sociedade francesa atenta”

 

Glauber Sezerino, co-presidente da associação Autres Brésils, uma das entidades organizadoras da manifestação, faz coro ao discurso de Laurence Cohen, uma vez que o ato evidencia que “a sociedade francesa está atenta ao que está em jogo hoje no Brasil, que é a continuidade de um projeto mortífero”.

“Vimos um aumento considerável de assassinatos no Brasil, um aumento da pobreza, da fome. E nós conseguimos reunir uma série de organizações francesas, que desenvolvem trabalhos na França, mas com um olhar em relação ao Brasil, para mostrar que o Brasil não aguenta mais quatro anos de governo Bolsonaro. Estamos mostrando que vamos continuar mobilizados, solidários a todos os movimentos no Brasil”, sublinha Sezerino.

 

Glauber Sezerino, co-presidente da asssociação Autres Brésils, uma das entidades organizadoras da manifestação.
Glauber Sezerino, co-presidente da asssociação Autres Brésils, uma das entidades organizadoras da manifestação. © RFI
A antropóloga e ativista Kowawa Apurinã.
A antropóloga e ativista Kowawa Apurinã. © RFI

 

Em seu discurso, a ativista indígena e antropóloga Kowawa Apurinã falou da importância da luta de todos os povos “com esse sentimento de mudar o mundo”. “A democracia é uma utopia que nós estamos sempre correndo atrás dela, e no Brasil ela está se tornando algo quase inalcançável. A resistência se faz em ocupar todos os lugares de luta, não só pelo poder, mas uma luta de vida no Brasil. Nós estamos lidando com o mal, estamos lidando com coisas malignas. O Brasil está na escuridão. Nas eleições, esperamos que o fascismo seja finalmente derrotado. [...] Se Bolsonaro não cair, iremos fazer uma revolução.”

A condição dos povos originários também estava entre as principais motivações para a artista plástica Cláudia Camposs participar da manifestação, uma vez que as populações indígenas tangenciam de diversas formas seu trabalho. “Estou muito emocionada com esse movimento todo a favor da democracia aqui em Paris. E eu sempre fui muito motivada às alianças com os representantes indígenas dentro da minha arte. É inadmissível manter Bolsonaro no poder, porque os direitos [desses povos] não estão sendo respeitados. Ele é um genocida e não dá a essas pessoas o direito de viver em seus territórios ancestrais. Isso já acontecia, é histórico, mas piorou muito. A democracia tem que ser defendida, [...] não podemos privilegiar apenas os interesses do homem branco”.

 

A artista plástica Claudia Camposs vê na ameaça à democracia uma ameaça também aos povos originários.
A artista plástica Claudia Camposs vê na ameaça à democracia uma ameaça também aos povos originários. © RFI

 

Meio ambiente

 

Não somente os povos originários, mas uma pauta tão inerente quanto, o meio ambiente, é o que leva o animador gráfico Meton Joffily a participar desta manifestação com uma obra em punho: uma releitura do mapa do Brasil. “Não é só o Brasil que está em jogo. Meu cartaz vem aqui manifestar esta preocupação com a Amazônia, com o tip point, o ponto de não retorno, que está muito próximo. E ainda há brasileiros achando que Bolsonaro é aceitável, depois de quatro anos as pessoas ainda votam nele. Ou elas são inocentes e estão sendo manipuladas pelas mentiras e fake news ou são meio mal caráter e concordam com essa agenda que é realmente autoritária. Todo mundo sabe que um segundo mandato vai fechar o caixão do Brasil.”

 

O animador gráfico Meton Joffily e seu alerta sobre o desmatamento da Amazônia.
O animador gráfico Meton Joffily e seu alerta sobre o desmatamento da Amazônia. © RFI

 

O também artista plástico Julio Villani expressou sua preocupação em “recuperar tudo que o Brasil perdeu”. “Sobretudo essa destruição da palavra que a extrema direita tem feito no mundo e especialmente no Brasil é a coisa que mais me tira o sono. Porque quando a palavra perde o sentido, a educação perde o sentido, a cultura, tudo é destruído. E é o retrato do Brasil atual. Eu tento ao máximo ser otimista. Eu tento me agarrar a esse otimismo, porque a gente ainda vai ter que lutar muito.”

Para o performer, coreógrafo e escritor Wagner Schwartz, esse encontro de pessoas e ideias representa um exercício democrático. “O mais importante de estar aqui é de encontrar as pessoas que são constituintes, que compõem esse grupo que forma a democracia no Brasil. É importante que a gente se encontre nesse momento porque a democracia realmente está em crise. E quando a gente se vê, a gente se sente menos desamparado”, acredita.

 

Wagner Schwartz e Julio Villani.
Wagner Schwartz e Julio Villani. © RFI
O escritor Julian Boal.
O escritor Julian Boal. © RFI

 

Já o escritor e crítico de teatro Julian Boal destaca que este “é um momento muito complicado, em que está havendo muitas mobilizações”. “A questão é saber como fazer para que essas mobilizações permaneçam depois das eleições. Porque o bolsonarismo não é só um fenômeno eleitoral. É também a presença nos palácios dos governadores, nas câmaras, nas assembleias legislativas. E a gente vê também a presença de Bolsonaro nas igrejas evangélicas, nas milícias, e nos corações e mentes de milhões de brasileiros. Então a questão é como a gente continua se mobilizando depois das eleições para tentar lutar contra isso. Porque o fascismo não é um fenômeno que começa e acaba nas urnas. Infelizmente”, diz Boal à RFI.

 

Democracia e autocrítica

 

Para o artista plástico Ivar Rocha, encontros como esse, em defesa da democracia, são também uma oportunidade de autocrítica. “É importante olhar para este momento como uma crítica para a esquerda, para nós todos, para entender a fragilidade do momento e entender que todos nós temos que dar um passo à frente. Porque meu medo, além do Bolsonaro, é constatar que a nossa geração talvez esteja longe de fato querer lutar pela emancipação do homem, e sim querer humanizar um capital, e isso seria uma tragédia muito maior do que qualquer Bolsonaro. Um momento como esse serve para a gente refletir e entender qual é nosso limite, quais são as nossas fronteiras na luta, na entrega, na organização.”

 

Para o artista plástico Ivar Rocha, o momento político no Brasil exige reflexão e autocrítica.
Para o artista plástico Ivar Rocha, o momento político no Brasil exige reflexão e autocrítica. © RFI
O psicólogo Jean-Pierre Guis.
O psicólogo Jean-Pierre Guis. © RFI

 

O psicólogo e fotógrafo Jean-Pierre Guis destaca que, independentemente no resultado nas urnas no próximo domingo, o Brasil seguirá fortemente dividido, o que torna a defesa da democracia ainda mais relevante para assegurar o diálogo e o equilíbrio entre lados tão opostos, que ele traduz como o contraste entre o paraíso – os avanços durante o governo Lula, a cultura brasileira, o calor humano de seu povo – e o inferno, representado pela gestão de Bolsonaro, pela manipulação dos evangélicos e pela agravamento das desigualdades sociais. “Sem um Brasil democrático, o planeta Terra terá se tornado um erro”, ele sintetiza.

 

30
Set22

'Sócrates revira em seu túmulo': imprensa mundial reage ao apoio de Neymar a Bolsonaro

Talis Andrade
Foto del video publicado por Neymar apoyando a Bolsonaro.
Foto del video publicado por Neymar apoyando a Bolsonaro. © neymar

O site esportivo francês RMC Sport resume em sua manchete a surpresa da imprensa estrangeira ao anúncio do apoio do jogador Neymar, atual estrela da seleção canarinha, ao presidente brasileiro: "Brasil: Como explicar o apoio de Neymar e de outros jogadores a Jair Bolsonaro?". Canais de TV internacionais repetiram à exausão nesta sexta-feira (30) o vídeo postado por Neymar em suas redes sociais.

O site esportivo RMC Sport explica aos internautas franceses que "Neymar havia se mantido à distância do pleito até então", mas que "a três dias da eleição presidencial brasileira, deu seu apoio franco a Jair Bolsonaro, presidente de extrema direita". "A proximidade deles remonta a vários anos atrás. O jogador do PSG não é o único atleta a ter demonstrado tal posição. Ele pode ter procurado se aproveitar dessa relação para resolver uma acusação de fraude fiscal em seu país", explica o site.

Entre os canais de televisão na França que não pararam de passar repetidamente o vídeo postado pelo jogador brasileiro, os apresentadores e âncoras do BFMTV explicaram na manhã desta sexta-feira (30) que se tratava de "uma estratégia em dois momentos". "Primeiro, ele postou ontem um agradecimento a Jair Bolsonaro por ter ido à sede de sua fundação, e hoje ele postou um outro vídeo, esse sem apelos caritativos ou galanteios, no qual a mensagem é clara, com sorrisos e música", anunciou a âncora, antes de mostrar a declaração de Neymar em tela cheia.

"Astro do futebol brasileiro Neymar Jr. enfrenta críticas pelo apoio a Bolsonaro", informa o site da CNN, acrescentando que "o apoio de Neymar a Bolsonaro poderia ser 'providencial', uma vez que "uma pesquisa de opinião nacional divulgada na quinta-feira  diz que o ex-presidente brasileiro Lula está à frente por 14 pontos para o primeiro turno nas próximas eleições presidenciais do país, em 2 de outubro".

Para o jornal francês Libération, "Quando os futebolistas brasileiros se aventuram na arena política, seu jogo às vezes se inclina muito para a direita" e "Neymar não é uma exceção à regra". "Embora muitos dos jogadores de futebol do Brasil sejam oriundos de classes desfavorecidas, as mesmas que mais sofreram com o mandato de Bolsonaro, seu apoio é surpreendente", publica o jornal.

"Sua atitude parece completamente esquizofrênica quando se considera que muitos dos jogadores da Seleção são negros ou pardos, e que são os primeiros a ficar indignados, e com razão, quando um de seus próprios jogadores é vítima de racismo", publica Libération. "Ao mesmo tempo, apoiando um candidato que certa vez disse que seus filhos 'não se apaixonarão por uma mulher negra porque foram muito bem educados'", conclui o site francês.

 

"Sócrates deve estar se revirando em seu túmulo!"

 

O jornal L'Humanité dedica um longo artigo ao "caso". Lembrando que outros jogadores brasileiros também demonstraram apoio a Bolsonaro, como Ronaldinho e Lucas Moura, o diário opina que "Sócrates deve estar se revirando em seu túmulo!". "Historicamente, os futebolistas tomaram posições políticas com freqüência no Brasil, mas sempre estiveram longe de aprovar regimes com ideias extremas", critica o jornal francês.

"Recordamos as condenações anti-ditadura do mesmo Sócrates nos anos 1970 e 1980. Lembramos que Romário (estrela do Brasil e do FC Barcelona) se tornou deputado de esquerda após o fim de sua carreira. Hoje, Juninho e Raí também se posicionam contra Jair Bolsonaro e pedem votos para Lula", publica L'Humanité, que termina dizendo que "Mais preocupante ainda, o site brasileiro UOL, que realizou uma pesquisa com jogadores brasileiros, revelou que mais de 20% deles votariam no candidato de extrema direita", espanta-se.

O Daily Mail destaca nesta sexta-feira que "Neymar mostra apoio ao controverso presidente brasileiro Jair Bolsonaro". "A estrela do PSG postou uma música e uma dança pró-Bolsonaro no TikTok que arrecadou 1,6 MILHÕES de pessoas", escreve, em maiúsculas, o tabloide britânico, lembrando que Bolsonaro já havia recebido apoio de Lucas Moura, estrela do Tottenham.

O Mail finaliza o texto contextualizando que Bolsonaro se opôs ao distanciamento social e outras políticas anticovid durante a pandemia, "dizendo que as medidas de restrição matavam mais do que o vírus". "Ele tem sido comparado ao Trump por seu estilo anti-stablishment e seus ardentes apoiadores", finaliza. 

 

"Flerte com a extrema direita"

 

Para o jornal espanhol El País, "Jair Bolsonaro tem motivos para comemorar na reta final da campanha para a presidência do Brasil. Neymar, o maior astro do futebol brasileiro, publicou um vídeo em sua conta no TikTok na quinta-feira, onde ele tem mais de oito milhões de seguidores, no qual ele pede às pessoas que votem no líder da extrema direita", diz o site do jornal.

O jornal catalão El National também informa em seu site que "Neymar na ultradireita: ele postou um vídeo dando apoio a Bolsonaro, que 'seria incapaz de amar uma criança homossexual'". "A estrela dos 'Canarinhos' flerta publicamente e sem vergonha com a extrema direita. Bolsonaro agradece", publica o veiculo, que contextualiza que "a Catalunha e a Espanha não são as únicas áreas do mundo onde o favoritismo e o clientelismo são uma prática comum: um dos filhos de Bolsonaro é membro do Parlamento, e o outro senador".

Milton Figueiredo Rosa
@jmiltonrosa
"Estou curioso para saber se a PUMA, que assinou o contrato de patrocínio mais alto do esporte (US$ 30 milhões/ano) com Neymar está confortável em ter sua marca em exibição em quem declara apoio a um candidato presidencial de direita, racista, homofóbico, extremista?" (D. Mack)
 

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