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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Set21

Justiça quebra sigilo bancário e fiscal de Carlos Bolsonaro

Talis Andrade

 

A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) no âmbito das investigações de desvio de recursos públicos no gabinete do parlamentar na Câmara Municipal. O pedido foi feito pelo Ministério Público e, além de Carlos, de 38 anos, segundo filho do presidente da República, abrange outras 26 pessoas, incluindo a advogada Ana Cistina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro. Sete empresas suspeitas de participar do esquema também tiveram quebrados seus sigilos bancário e fiscal.

Carlos Bolsonaro é investigado por suspeita de se apropriar de salários de servidores lotados no gabinete, mas que não trabalhavam na Câmara, no esquema das rachadinhas que envolve o irmão mais velho dele, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). O vereador afirmou em nota que está à disposição para prestar qualquer tipo de esclarecimento às autoridades.

A investigação sobre servidores fantasmas pelo MP partiu de dois casos apurados pelo jornal Folha de S. Paulo. Lotada como oficial de gabinete de Carlos Bolsonaro até abril de 2019 na Câmara do Rio, Nadir Barbosa Goes, 70 anos, moradora de Magé, município localizado a 50 quilômetros do suposto local de trabalho, negou que tenha trabalhado um só dia para o vereador. A remuneração para esse cargo é de R$ 4.271,00 mensais.

Nadir é irmã de Edir Barbosa Goes, 71 anos, que é o atual assessor de Carlos Bolsonaro. Goes é casado com Neula de Carvalho Goes, 66, uma dos nove servidores exonerados do gabinete de Carlos depois que Jair Bolsonaro assumiu a presidência do país. Outra suspeita dos procuradores é em relação a Cileide Barbosa, 43 anos, que foi nomeada em janeiro de 2001 no gabinete no primeiro mandato do vereador e exonerada após 18 anos com vencimentos de R$ 7.483,00.

Cileide é apontada como uma espécie de faz-tudo da família e laranja de um tenente-coronel do Exército ligado à família Bolsonaro e foi babá de Ana Cristina Valle, ex-companheira de Jair Bolsonaro e mãe de Renan Bolsonaro, filho mais novo do presidente. Enquanto esteve lotada no gabinete do vereador, ela aparece como responsável pela abertura de três empresas que têm como endereço o escritório que Jair Bolsonaro usava antes de ser eleito.

Dinheiro vivo

Ao solicitar o acesso a informações bancárias e fiscais dos investigados, os promotores mencionam pela primeira vez, desde a abertura do caso em 2019, o termo “rachadinha”. Ao embasar a quebra de sigilos de Carlos, o MP aponta o “modus operandi” do esquema foi detectado também no gabinete do então deputado estadual do Rio Flávio Bolsonaro. A prática consiste em saques de dinheiro em espécie das contas dos assessores fantasmas feitos por funcionários de confiança do gabinete encarregados pela arrecadação. O dinheiro em espécie é direcionado ao pagamento de despesas ou aquisição de bens.

Antes da quebra do sigilo, o MPRJ já apurou que Carlos Bolsonaro movimentou muito dinheiro durante seus mandatos como vereador. Em 2003, pagou R$ 150 mil em dinheiro por um apartamento na Tijuca, na Zona Norte da capital; em 2009, usou R$ 15,5 mil em espécie para cobrir uma operação malsucedida na Bolsa de Valores; e na declaração de bens ao TSE em 2020, na campanha pela reeleição, declarou que tinha R$ 20 mil guardados em casa. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta, segundo enfatiza o MP no pedido, operações financeiras suspeitas envolvendo o vereador. Uma delas mostra que ele é sócio da mãe, Rogéria Nantes Bolsonaro, em uma empresa que movimentou R$ 1,7 milhão entre 2007 e 2019.

Mansão no Lago Sul

Ana Cristina Valle e o filho, Jair Renan, foram morar, em junho deste ano, em uma mansão avaliada em R$ 3,2 milhões, em Brasília. O valor médio dos aluguéis no Lago Sul, região onde está instalada a mansão, não baixa de R$ 15 mil, mas a ex-mulher de Jair Bolsonaro pagaria somente R$ 8 mil. Detalhe: ela recebe R$ 6,2 mil de salário como assessora da deputada federal Celina Leão (PP-DF). De acordo com o Coaf, Ana Cristina recebeu “depósito de elevadas quantias de dinheiro em espécie em sua conta bancária”, no período em que estava lotada no gabinete de Carlos. Em março de 2011, foram parar na sua conta mais de R$ 191 mil e, em julho outros R$ 341 mil. No pedido de quebra de sigilo, o MP cita que o Coaf apontou um saldo em conta de R$ 602 mil, incompatível com a renda.

rachadinhas metade fica com os sabidos bolsonaro .

 

26
Abr19

Funcionária de Carlos Bolsonaro nega ter trabalhado no gabinete dele

Talis Andrade

Nadir Barbosa Goes, 70 anos, tinha uma remuneração de R$ 4.271, mas foi exonerada no início deste ano

fantasmas bolsonaro emprega.jpg

 

Por Thaís Paranhos

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vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), empregou uma mulher de 70 anos que negou ter trabalhado para ele. As informações são do jornal Folha de S.Paulo. De acordo com o veículo, Nadir Barbosa Goes tinha uma remuneração de R$ 4.271 até o fim do ano passado, mas confirmou nunca ter desempenhado função no gabinete.

 

Nadir é irmã do atual assessor de Carlos Bolsonaro, o militar Edir Barbosa Goes. Além dela, a esposa de Edir, Neula Carvalho Goes, também foi exonerada no início deste ano, segundo o jornal, após a posse do presidente.

 

A mulher de 70 anos mora em Magé e, de acordo com uma parente de Nadir, não costuma ir à capital, onde fica a Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

 

Procurado pela reportagem, o chefe de gabinete do vereador, Jorge Luiz, desmentiu a versão de que Nadir recebesse salário sem trabalhar para o vereador. Ele informou que tanto ela quanto Neula atuavam em um núcleo que entregava mala direta para a base eleitoral do filho do presidente e ouvia as principais reclamações da comunidade.

 

Esse grupo seria comandado pelo militar Edir. No entanto, atuava em Campo Grande, distante cerca de 130 km de Magé, onde mora Nadir.

 

O jornal procurou Edir, que foi encontrado em casa em uma segunda-feira à tarde e negou qualquer irregularidade na contratação das funcionárias. Ele disse apenas que não era obrigado a trabalhar todos os dias no gabinete.

 

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Nota deste Correspondente: Carlos Bolsonaro também não é "obrigado a trabalhar todos os dias no gabinete". Passou a viver em Brasília, a perambular pelos palácios de Brasília, inclusive despachar no gabinete do pai, quando o presidente viaja. No mais, Bolsonaro treina tiro ao alvo, e espiona o vice, o general Mourão.  

 

Nadir era funcionária fantasma, e não sabia. O salário pago religiosamente. Pago pelos cariocas, via impostos diretos e indiretos. Falta saber quem embolsava, escondida, safada e misteriosamente,  os 4 mil e 271 reais da anciã Nadir Barbosa Goes, todo santo mês.   

 

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