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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

10
Nov23

‘É preciso que Israel inicie a descolonização da Palestina’, afirma liderança judaica

Talis Andrade

 

Em entrevista exclusiva, Shajar Goldwaser, líder Coletivo Vozes Judaicas por Libertação, aponta para a necessidade de que o estado de Israel reconheça que a prática colonialista em relação à Palestina deve ser interrompida e que a solução de dois estados pode não ser o melhor caminho, uma vez que a política de ocupação que o governo Netanyahu busca ampliar deixou cicatrizes profundas na geografia, e até mesmo na relação entre israelenses e palestinos.

Shajar nasceu em Jerusalém, cresceu na Argentina e no Brasil. É formado em Relações Internacionais, e é ativista membro da SEDQ, Global Jewish Network for Justice.

Para NINJA, Goldwaser destaca a importância de distinguir entre a idealização inicial do sionismo pelos pensadores sionistas no início do século 20 e a manifestação real dessa ideologia. De acordo com ele, o sionismo foi concebido como uma busca por segurança para os judeus, mas, na prática, transformou-se em uma colonização europeia no território árabe-palestino, resultando na destruição da cultura e tradições locais.

O coletivo destaca a intenção legítima de judeus em combater o antissemitismo e criar um lugar seguro para conviver, mas questiona se essa aspiração justifica a colonização de outro povo. Shajar explica que seu movimento busca contribuir para a descolonização dos palestinos e destaca a necessidade de separar os interesses geopolíticos dos valores judaicos.

 

Repúdio a Netanyahu

Recentes pesquisas indicam que a maioria da população israelense não vê mais Netanyahu como a pessoa adequada para liderar o país. Entretanto, Goldwaser ressalta a necessidade de uma mudança mais profunda na perspectiva política, destacando as limitações das eleições em Israel, onde a população palestina tem uma representação política mínima e não tem poder de influenciar significativamente as decisões.

“Fico feliz, mas há um ponto importante, que é justamente a virada de perspectiva que, por exemplo, nosso coletivo propõe. Porque quando falamos em eleições em Israel, estamos falando de eleições em que participa apenas a população do território considerado, os palestinos chamam de “Territórios de 48″, onde a maioria da população é judaica”, afirma Shajar.

 

Desafios e perspectivas para uma resolução justa

Sobre uma resolução justa para pôr fim ao histórico de conflitos, Goldwaser enfatiza que a solução deve ser escolhida pela população palestina. O movimento judaico não deveria buscar impor uma resolução, mas permitir que os palestinos determinem seu próprio caminho, visando uma descolonização completa (continua)

09
Nov23

A jogada suja de Netanyahu e Bolsonaro para afrontar Lula e a Justiça

Talis Andrade
 
 
Image
 

por Moisés Mendes

A reunião de Bolsonaro com o embaixador de Israel, na Câmara dos Deputados, não teria acontecido se o anfitrião já estivesse preso ou pelo menos se sentisse sem cara e sem forças para aparições públicas.

Mas Bolsonaro anda por aí com desenvoltura e apareceu de terno e gravata para o encontro, dentro do Congresso, com suporte de gente da bancada de extrema direita. Foi assim que deu exposição cerimoniosa ao evento.

Bolsonaro e o embaixador afrontaram Lula, o governo, o Itamaraty, toda a diplomacia, o Ministério Público, o Judiciário, o Congresso, as instituições e o Brasil. Tudo com roteiro e liturgia e numa sala do Parlamento.

Uma afronta com um detalhe só aparentemente insignificante. Assessores e fotógrafos fizeram registros protocolares e foram retirados da sala, porque o resto ninguém poderia ver.

O Bolsonaro moribundo, que frequenta rodas de conversa no PL, cultos e entrevistas, agora se encontra em reunião fechada no Congresso com o embaixador de um país empenhado em destruir um povo.

A afronta cumpre seu objetivo de desafiar a autoridade de Lula e também o de mostrar que Bolsonaro é um fora da lei avariado, mas ainda vivo e temeroso.

A diplomacia de guerra de Daniel Zohar Zonshine ajuda na sobrevida de Bolsonaro, que se oferece como escada para que Israel tente colocar o dedo na cara de Lula.

Podem dizer que não faz sentido, se Bolsonaro não tem mandato e foi derrotado em duas tentativas de se manter no governo, numa eleição e num golpe tabajara.

A reunião executa o plano de jogar para a torcida e mantê-la acordada, ao mesmo tempo em que Benjamin Netanyahu manda dizer que seu emissário conversa com Bolsonaro.

Foi uma troca. Israel contribui para a sensação de normalidade na vida de Bolsonaro, e o sujeito lhe oferece a vitrine para o desaforo. Netanyahu mandou dizer que Bolsonaro ainda tem poder interno e de interlocução internacional.

Como foi alcançado até agora apenas pela Justiça Eleitoral, Bolsonaro é o elefante que qualquer um enxerga como quiser, apalpando isoladamente a tromba, a orelha, a barriga, o Pix ou o rabo.

Não se tem ideia do conjunto e da sua utilidade política. O que Bolsonaro ainda é capaz de fazer? O sistema de Justiça não o alcançou pelos crimes que cometeu. A inelegibilidade é um dano, mas ainda falta imobilizá-lo criminalmente.

Bolsonaro poderia estar morto politicamente, depois da eleição e da invasão de 8 de janeiro, se já tivesse sido submetido ao código penal, e não só ao código eleitoral.

A punição eleitoral é o que temos para as circunstâncias, porque a base para decisões mais drásticas é tão nebulosa quanto o poder real de Bolsonaro. Ainda não há lastro na sociedade para que ele seja condenado e contido numa prisão.

Por isso combinaram a reunião. Para que uma autoridade estrangeira também dissesse que Bolsonaro vive e circula à vontade, cumprindo compromissos, com terno e gravata, desta vez com a diplomacia de um país mergulhado no sangue de crianças palestinas.

Duas expressões do que existe de pior no mundo hoje confraternizam, numa reunião que parece não ter sentido, pela só aparente impossibilidade de efeitos práticos imediatos.

O efeito é este: o embaixador decidiu dizer aqui, como andam dizendo em outros lugares, que Israel vai manter o massacre e mantém por quanto tempo quiser os reféns brasileiros no sul de Gaza.

Judeus progressistas podem admitir que é constrangedor ver um embaixador de Israel sentado ao lado de uma figura que já tirou fotos com nazistas e tem parte do entorno e da base social com conexões comprovadas com essa gente.

Mas hoje nada mais constrange ninguém. A afronta está feita. O embaixador afrontou o presidente da República e as instituições brasileiras. E Bolsonaro apenas continuou afrontando o Ministério Público e o Judiciário.

Embaixador de Israel se reúne com Bolsonaro

05
Nov23

O mundo não entende por que brasileiros estão presos em Gaza

Talis Andrade

Brasileiros viraram refens? 

Israel respondeu com agressividade e vulgaridade ao Brasil

 

por Marcelo Zero, 247

 

Começa a crescer a suspeita de que os brasileiros retidos em Gaza viraram uma espécie de reféns do governo de extrema-direita de Israel.

Com efeito, tal governo poderia estar usando esses brasileiros para fazer um revide político, relativo ao empenho do Brasil em buscar uma pausa humanitária e um cessar-fogo em Gaza, algo que Israel interpreta, equivocadamente, como uma ação em prol dos interesses do Hamas e contra seu direito à autodefesa.

Tal suspeita cresce porque não há nenhum motivo técnico, jurídico ou burocrático para que esses brasileiros não sejam retirados de lá imediatamente.

Em primeiro lugar, esses brasileiros são muito poucos. São apenas 34, muitos deles mulheres, crianças e idosos.

Em segundo lugar, a lista dos brasileiros foi amplamente divulgada para as autoridades israelenses e egípcias há bastante tempo. Provavelmente foi a primeira lista de estrangeiros em Gaza a ficar pronta. Ao menos umas duas semanas. Tempo mais do que suficiente para fazer checagens de segurança.

Em terceiro, o governo brasileiro providenciou, também há bastante tempo, toda a logística para trazê-los ao Brasil. O ônibus para levá-los até o aeroporto e o avião para transportá-los até o território nacional estão a postos há muitos dias. Nenhum deles ficará no Egito mais do que algumas horas. Portanto, do ponto de vista dos interesses egípcios, esses brasileiros não representam risco algum.

Ressalte-se que o governo brasileiro vem negociando arduamente a saída desses brasileiros há semanas, em todos os níveis diplomáticos. O próprio presidente Lula está diretamente envolvido nas negociações.

Desde o dia primeiro deste mês já saíram, em média, cerca de 500 estrangeiros por dia de Gaza, a maioria estadunidenses e seus aliados. Hoje, mesmo (sexta-feira), saíram cerca de 100 britânicos. Porém, os 30 minguados brasileiros continuam lá e o governo brasileiro continua sem resposta e sem explicações.

E, quando não há respostas às perguntas e explicações e motivos concretos, as suspeitas políticas crescem.

Diplomacia não é, evidentemente, o forte do atual governo de extrema-direita de Israel. Tampouco dos EUA.

Em 2014, quando houve outra intervenção militar de Israel em Gaza, com grande número de mortos de civis, o Brasil, em protesto, chamou seu embaixador um Tel-Aviv para consultas.

Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, acusou o Brasil de ser “parte do problema e não da solução” do conflito israelo-palestino e um “anão diplomático”.

Aparte a agressividade e a vulgaridade quase anedótica da resposta, a reação do governo israelense suscitou algumas perguntas.

Quem é o “anão diplomático” nessa história? O Brasil, que apoia as resoluções da ONU e as tentativas de negociação, ou os governos de direita de Israel, que as descumprem sistematicamente, manifestando desprezo pela comunidade internacional? Quem não apoia a aplicação do Direito Internacional Humanitário?  O Brasil que, com muito esforço, conseguiu construir uma Resolução equilibrada e viável no CSNU, ou os EUA, que a vetaram por interesses políticos menores?

O mundo sabe as respostas a essas perguntas.

O que o mundo e o Brasil não conseguem entender é porque os cidadãos brasileiros continuam presos em Gaza.

29
Out23

QUO VADIS, PALESTINA? Israel diz que moradores do norte de Gaza devem deixar região imediatamente

Talis Andrade

Gaza atacada por terra, mar e ar... e mídia!

 

Desde ontem (27) Israel mantém forte bombardeio sobre a Faixa de Gaza. As tropas israelenses seguem dentro do território palestino neste sábado. Desde o início da guerra em 7 de outubro, é a mais longa incursão terrestre. O número de mortos no conflito ultrapassa os 7.700 em Gaza, incluindo mais de 3.200 crianças, de acordo com o ministério da saúde palestino. Em Israel são 1.400 vítimas fatais.

Até as primeiras horas deste sábado, pelo menos 150 alvos foram bombardeados. A área norte da Faixa de Gaza está sendo bombardeada maciçamente por mísseis de Israel. Repórteres informam que foi uma das noites mais sangrenta das últimas semanas. Nenhum jornalista conseguiu adentrar à Faixa de Gaza desde ontem.

Israel vem comunicando os moradores de Gaza que abandonem imediatamente o norte da região, principalmente da Cidade de Gaza. É esperado o aumento da incursão terrestre no local. “O chão tremeu em Gaza”, afirmou Yoav Gallant, ministro da Defesa de Israel. Gallant disse que a guerra entrou em uma nova fase.

Os jornalistas que estão na fronteira de Gaza também informam através das agências internacionais de notícias que há enorme dificuldade para se obter informações e imagens desta etapa da guerra. O sinal de internet praticamente inexiste, o que também dificulta o ocorro às vítimas, pois não há como solicitar serviços de ambulância e médico. As equipes da Organização Mundial da Saúde (OMS) que atuam na Faixa de Gaza não têm mais contato com a coordenação da organização, de acordo com o chefe da OMS Tedros Adhanom.

Já o exército de Israel afirma que conseguiu matar o chefe da divisão aérea do Hamas, Asem Abu Rakaba. O Hamas informou hoje, segundo notícia da BBC, que veículos das forças israelenses que estavam na zona noroeste de Gaza foram bombardeados.

 

Trégua humanitária

A ONU aprovou ontem uma resolução que pede uma trégua humanitária imediata entre Israel e Hamas. Também exige livre acesso de ajuda a Gaza e proteção de civis.

Mais de 2 milhões de pessoas que vivem na zona de guerra tiveram o fornecimento de energia elétrica e alimentos cortados. A região toda está cercada por tropas de Israel.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a reação desproporcional de Israel aos ataques do Hamas no início do mês. Lula afirmou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quer “acabar” com a Faixa de Gaza. Disse que a posição do Brasil em relação à guerra é “a mais clara possível”.

Ele classificou como “loucura” o direito de veto dos cinco países – Estados Unidos, Rússia, China, França e Inglaterra – que ocupam assento permanente no Conselho de Segurança do ONU.

“Dissemos que o ato do Hamas foi terrorista. Dissemos em alto e bom som que não é possível fazer um ataque, matar inocentes, sequestrar gente da forma que fizeram, sem medir as consequências”, disse. “Agora temos a insanidade também do primeiro-ministro de Israel, querendo acabar com a Faixa de Gaza, se esquecendo de que lá não tem só soldado do Hamas. Tem mulheres, crianças, que são as grandes vítimas dessa guerra”, disse Lula.

Leia também:

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Exército de Israel provoca apagão de comunicações na Faixa de Gaza, enquanto ONU aprova resolução de paz. Antes disso, Lula conseguiu falar com brasileiros

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