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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Nov20

Mais uma ilegalidade no desgoverno Bolsonaro: diretor do Banco Central mora nos Estados Unidos

Talis Andrade

Fábio Kanczuk

 

O diretor de política econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, mora com a família em Boston, nos Estados Unidos, desde março. Ele se mudou (para a matrix) por conta da pandemia do novo coronavírus (desculpa safada e esfarrapada para quem vive no luxo), apesar do país ser o principal afetado pelo vírus no mundo.

Segundo coluna da Carla Araújo no UOL, a ausência de Kanczuk tem incomodado alguns membros da instituição que, nos bastidores, alertam que seria importante ter contato mais direto com o executivo (para um encontro mais íntimo, comprar uma passagem área. Aliás quem paga as despesas - ele tem auxílio moradia? auxílio transporte? auxílio alimentação? o caríssimo auxílio saúde? - de Kanczuk?

Ilegalidade

Morar no exterior é ilegal, pois servidor público só pode sair com exposição de motivos, em viagem oficial, com a autorização direta de Ministro de Estado ou Presidência da República.

Kanczuk também é do Comitê de Política Monetária (Copom), que decide sobre a taxa de juros do país, como a Selic.

Procurado para comentar o fato de o diretor estar fora do país por tanto tempo, o BC afirmou que segue com mais de 90% do seu quadro em trabalho remoto e ainda não há previsão de retorno ao presencial.

Assim, Kanczuk tem feito um bate e volta entre Brasília e Boston e já gastou mais de R$ 1 mil (?) em viagens pagas (informa o portal 247) pelo BC, um órgão público.

Senador Irajá Abreu & o extinto crime menor de falta de decoro

 

R$ 1 mil gasta por noite aquele pimpolho senador porque a mãe é senadora, praticante do que chamo de nepotismo eleitoral. 

Foi visitar a genitora lá dele, Kátia Abreu, internada em São Paulo, com coronavírus, e aproveitou para uma farra numa boite de nome tristemente famoso Café de la Musique. Em uma boate com o mesmo nome, em Santa Catarina, o conquistador André de Camargo Aranha praticou o famoso 'estupro culposo à brasileira', com Mariana Ferrer, uma jovem então virgem, de 20 anos, contratada para promover a festança noturna nas páginas sociais de Florianópolis. 

Diretoria de Política Econômica

A Diretoria de Política Econômica, que Kanczuk chefia, é responsável pela realização de pesquisas e a elaboração do sistema de metas de inflação, ponto importante da política neoliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, que apesar de ter aprofundado a crise econômica (desemprego, etc.) tem buscado manter uma baixa inflação.

Será que Kanczuk tem nacionalidade estadunidense e foi lá pra Bosta votar no Trump, candidato de Bolsonaro? Assim sendo, viajou com permissão presidencial. No mais, não será o primeiro caso de estrangeiro comandar bancos, empresas estatais deste Brasil colônia, republiqueta de bananas do Terceiro Mundo pós-golpe contra Dilma. 

Meu Abrigo

Esta música de Rodrigo Melim parece que foi composta para agradar Kanczuk (sei que não, mas o grande Simão acha que sim):

Uh, uh, uh, uh, uh
Uh, uh

Desejo a você
O que há de melhor
A minha companhia
Pra não se sentir só

O sol, a lua e o mar
Passagem pra viajar
Pra gente se perder
E se encontrar

Vida boa, brisa e paz
Nossas brincadeiras ao entardecer
Rir à toa é bom demais
O meu melhor lugar sempre é você

Você é a razão da minha felicidade
Não vá dizer que eu não sou, sua cara-metade
Meu amor, por favor, vem viver comigo
O seu colo é o meu abrigo
Uh, uh, uh, uh
Uh, uh

Quero presentear
Com flores e Iemanjá
Pedir um paraíso
Pra gente se encostar

Uma viola a tocar
Melodias pra gente dançar
A benção das estrelas
A nos iluminar

Vida boa, brisa e paz
Trocando olhares ao anoitecer
Rir à toa é bom demais
Olhar pro céu, sorrir e agradecer

Você é a razão da minha felicidade
Não vá dizer que eu não sou, sua cara-metade
Meu amor, por favor, vem viver comigo
O seu colo é o meu abrigo

Uh,uh,uh,uh

Meu abrigo
Uh,

O seu colo é o meu abrigo

Uh,

O meu abrigo

uh, uh, uh, ah
aaaaaaah

Você é a razão da minha felicidade
Não vá dizer que eu não sou sua cara-metade
Meu amor por favor, vem viver comigo
No seu colo é o meu abrigo

Uh,uh,uh,uh

Meu abrigo

Uh

O seu colo é o meu abrigo

Uh,uh,uh,uh
Uhieeeee,

No seu colo é o meu abrigo

 

 
18
Nov20

Pai, irmão e cunhada da bolsonarista Zambelli não se elegem

Talis Andrade

 

zambelli familia nepotismo eleitoral.jpg

 

Para levar vantagem em tudo, e imitar o mito, a deputada federal Carla Zambelli lançou candidaturas familiares para mamar nas burras do Estado. 

Tal como acontece com Bolsonaro pai, presidente Zero Zero, que elege: o filho mais velho Flavio Bolsonaro 01 senador, o segundo filho Carlos Bolsonaro 02 vereador do Rio de Janeiro, o terceiro filho Eduardo Bolsonaro 03 deputado federal por São Paulo.

Rogeria Bolsonaro, mãe dos marmanjos, candidata a vereador, foi derrotada no dia 15 último, pelos eleitores cariocas. 

Clã Zambelli

A bolsonarista Zambelli, afilhada de Sergio Moro, justifica:

zambelli.jpeg

Esse nepotismo eleitoral constitui uma mamata que precisa ter fim. Ser combatido pelo povo nas urnas.

Publica UOL:

Pai, irmão e cunhada da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) bem que tentaram, mas não conseguiram se eleger durante as eleições deste ano, segundo resultados apontados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

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Em São Paulo, o seu irmão, Bruno Zambelli, se candidatou para vereador pelo PRTB. Conseguiu apenas 12.302 votos, ou 0,24%, número insuficiente para conquistar uma cadeira na Câmara Municipal.

joao-helio-salgado- zambelli.jpg

 

Também derrotado, o pai, João Hélio Salgado (Patriota), tentou uma vaga como vice-prefeito em Mairiporã, cidade localizada na Região Metropolitana de São Paulo. Ao lado de Major Paulo (Patriota), a chapa alcançou apenas 9,83% —o eleito, neste caso, foi Aladim (PSDB).

tatiana zambelli.jpeg

Tatiana Flores Zambelli.jpeg

 

A cunhada, Tatiana Flores Zambelli, também tentou uma vaga como vereadora em Mairiporã, mas não conseguiu. Registrou apenas 190 votos, ou 0,45%.

Nos três casos, a deputada federal "emprestou" a sua imagem aos candidatos de sua família, promoveu engajamento e publicou vídeos nas redes sociais pedindo votos. "O meu irmão é candidato na raça e a gente precisa da ajuda de vocês", disse ela, em um dos vídeos publicados no Instagram.

"Damos o sangue para combater as injustiças. Mas o compromisso é dele. Não é só comigo, é com você. Por transparência, por ética, pela luta dos nossos direitos e garantias individuais", completou.

Cobrou a militância

No Twitter, Zambelli demonstrou irritação com os resultados apresentados nas urnas, de forma geral, e cobrou a militância. "O que houve com os conservadores? Erramos, nos pulverizamos ou sofremos uma fraude monumental?", escreveu ela, em seu perfil.

E a reclamação de Zambelli faz sentido: além da derrota particular, os conservadores não conseguiram eleger a maioria dos prefeitos que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apoiou nas eleições municipais —somente quatro se elegeram ou foram para o segundo turno.

Carla Zambelli
@CarlaZambelli38
O que houve com os conservadores? Erramos, nos pulverizamos ou sofremos uma fraude monumental?
19
Out20

Não tem corrupção no governo? E Cuecagate é o que?

Talis Andrade

 

por Alex Solnik

- - -

O caso do senador das cuecas, o Cuecagate, tem esse lado humorístico, esse viés Porta dos Fundos, que todo mundo adora, mas é muito mais sério do que isso porque envolve corrupção no governo, sim.

Essa conversa do Bolsonaro de que não é corrupção no governo dele não é verdade.

Ele próprio confirmou que os ministérios fazem parte do governo e os indícios de corrupção da qual o senador Chico Rodrigues emergiu como a ponta do iceberg estão no ministério da Saude.

Os R$17 mil (segundo as mais recentes informações) que estavam na sua cueca são parte da verba de R$13,9 bilhões que o ministério da Saúde deveria ter distribuído para emendas parlamentares a todos os senadores, a fim de serem utilizados para combate ao covid-19.

Aprovada em março pelo Congresso Nacional, a verba deveria obedecer a critérios de distribuição, tais como a quantidade de doentes nas cidades, a disponibilidade de leitos UTI, etc, mas, em vez disso, foram privilegiados os aliados de Bolsonaro, cada um tendo recebido R$30 milhões.

O dobro do que os senadores têm direito a receber por ano.

Parlamentares do PT e da Rede foram excluídos da partilha.

O senador Chico Rodrigues, que iria receber R$20 milhões, reclamou e acabou recebendo R$30 milhões, apesar de ser ficha suja: seu mandato de governador de Roraima foi cassado, em 2014, por gastos irregulares na campanha de 2010, em que se elegeu vice e posteriormente substituiu o titular.

Mesmo ficha suja, foi escolhido por Bolsonaro para ser vice-líder do governo. Eram amigos de mais de duas décadas, o que os dois assumem num vídeo que circula nas redes, no qual Bolsonaro diz que os dois têm “quase uma união estável”.

A Polícia Federal já flagrou uma de suas negociatas, com a empresa Quantum, que forneceu testes rápidos de covid-19 para Roraima com sobrepreço de R$1 milhão.

Não só o senador tem que ser – e está sendo – investigado. Também o ministério da Saúde demanda um pente-fino.

Por que não foram seguidos na distribuição da verba os critérios determinados pelos parlamentares? Por ordem de quem? Por que a distribuição não contemplou a todos? Como a verba foi empregada?

O outro elo que une Bolsonaro ao cuecagate é Léo Índio, primo de um dos filhos do presidente, que tinha o segundo maior salário no gabinete do senador.

A princípio, pensei que ele perderia o emprego. Depois me convenci que não, pois o suplente de Chico Rodrigues é seu filho e seu filho não iria demitir um parente de Bolsonaro.

Mas eis que o próprio Léo Índio se demitiu ainda ontem, desistindo de uma boquinha de R$22 mil mensais.

É claro que não vai ser difícil para ele arrumar outra colocação no mesmo patamar, mesmo em tempos de pandemia.

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19
Out20

Senador da cueca rica deixa nu o governo em seu discursão anticorrupção

Talis Andrade

 

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por Gilvandro Filho

- - -

O governo blindado contra a corrupção alardeado por Jair Bolsonaro é uma grande farsa. Na terra em que o rebanho bovino está no centro de tudo –  do “boi bombeiro” que combate incêndio na mata, ao gado que venera e obedece seu mito por mais que seja absurdo o pretexto deste apoio e à boiada de leis ilegais no campo incentivada por ministro de Estado – achar que o governo e seu entorno são puros e imaculados quando o assunto é passar a mão na coisa pública é, digamos, conversa para boi dormir. Chega um fato e desmente.

Fosse mesmo contra a corrupção, o governo não se prestaria a aparelhar – eita, termo bom para se usar com os outros –  instituições como a Polícia Federal. Ou não usaria a Procuradoria Geral da União para tentar forçar o STF a jogar para debaixo do tapete processos que envolvem presidente, parentes e aderentes. Também não sairia ameaçando jornalistas quando eles, cumprindo seu dever de ofício, perguntam por que o faz-tudo da família, o ex-assessor Fabrício Queiroz, deu R$ 89 milhões à primeira-dama, do nada. Nada disso bate com austeridade, vamos lá.

Dizer, agora, que não tem nada com o escândalo do até hoje de tarde vice-líder do governo no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado pela Polícia com 30 mil reais sob a cueca e à altura das nádegas, é mais que uma desfaçatez. É, no mínimo, uma deslealdade. É jogar às feras um amigo fiel a quem indicou pessoalmente para a vice-liderança do governo na Câmara Alta. Um sujeito “boa gente” e querido pela família a ponto de topar empregar em seu gabinete Leonardo Rodrigues de Jesus, um primo-irmão-melhor amigo de Carlos Bolsonaro, filho do presidente – “Léo Índio” como é popularmente conhecido, exerce um cargo comissionado SF02, de Assessor Parlamentar, pelo qual recebe um belo salário líquido de R$ 16.986,56 (R$ 22.943,73 bruto).

O presidente Jair Bolsonaro perde, com o episódio, uma parte importante do seu discurso, declamado ufanissimamente por alguns dos seus colaboradores mais abnegados como é o caso do vice Hamilton Mourão que também diz por a mão no fogo pela honestidade do governo. Fica estranho e politicamente insustentável fazer cara de paisagem numa hora dessas. Ou será fácil convencer o distinto público de que outras cuecas tão ricas e recheadas não existem e não serão descobertas a qualquer hora?

Chico Rodrigues com sua método pouco usual de fazer poupança foi flagrado pela PF. E deixou nu o discurso moralista no governo Bolsonaro.

- - -

Nota deste correspondente: O senador Chico deve ser substuído pelo filho Pedro Arthur Ferreira Rodrigues. O Brasil tem que acabar com a incestuosa safadeza do nepotismo eleitoral. Sabidamente quase todos os senadores possuem parentes como suplentes. São esposa, filho, genro, irmão. Uma suruba familiar.

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A família presidencial bem exemplifica o nepotismo eleitoral: Zero zero presidente Jair Bolsonaro, 01 senador Flávio Blosonaro, 02 vereador Carlos Bolsonaro (eleito desde os 17 anos no lugar da mãe), 03 deputado federal Eduardo Bolsonaro.

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17
Ago20

Governo Bolsonaro é “estado de golpe”, afirma historiadora Lilia Schwarcz

Talis Andrade

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Em entrevista à Pública, Schwarcz, autora de vasta obra sobre a história do Brasil, expõe as raízes autoritárias, machistas e racistas de nossa sociedade – que ajudaram a eleger Jair Bolsonaro –, comenta a polêmica criada por seu texto sobre Beyoncé, e fala de pandemia e futuro

* Bolsonaro “não precisa derrubar a Constituição, porque ele a rasga todo dia”
* “Um chefe de governo que, em pleno período pandêmico, demite o ministro da Saúde para colocar no lugar um general sem experiência é um presidente autoritário”
* "Essa imagem dos militares como um setor muito racional não confere com nenhum momento em que eles estiveram no poder”

por Giulia Afiune

Mesmo sem ter dado um golpe de estado, as ações autoritárias de Bolsonaro estão aos poucos corroendo a Constituição e a democracia. É o que afirma a antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz, autora de uma série de livros sobre a história e a cultura do país, entre os quais “Sobre o autoritarismo brasileiro” (2019) e “Brasil: uma biografia” (2015). 

“Um presidente que não segue a Organização Mundial da Saúde e prefere criar fatos falsos, que resolve vender para a população a ideia de que um remédio que não é apoiado pelas pesquisas médicas e científicas resolveria o problema dos brasileiros, é um presidente autoritário. E um presidente que fala em liberdade de expressão, quando, na verdade, mentira não é liberdade de expressão”, pontua a professora da Universidade de São Paulo.

Em entrevista exclusiva à Agência Pública, por indicação dos Aliados – nosso grupo de leitores/apoiadores -, que também enviaram perguntas, Schwarcz diz que também vê com preocupação a presença maciça de militares do governo. “Nosso primeiro presidente, Deodoro da Fonseca, foi um militar, o segundo, Floriano Peixoto, também. O Exército foi construindo lentamente essa ideia de “salvadores da nação”, mas quando a gente vê o Exército atuando, não é isso que acontece. Os anos da ditadura militar não foram anos bons para o Brasil, tivemos uma inflação galopante, vários problemas de corrupção. Essa imagem dos militares como um setor muito racional não confere com nenhum momento em que eles estiveram no poder.”

Mesmo sem ter dado um golpe de estado, as ações autoritárias de Bolsonaro estão aos poucos corroendo a Constituição e a democracia. É o que afirma a antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz, autora de uma série de livros sobre a história e a cultura do país, entre os quais “Sobre o autoritarismo brasileiro” (2019) e “Brasil: uma biografia” (2015). 

“Um presidente que não segue a Organização Mundial da Saúde e prefere criar fatos falsos, que resolve vender para a população a ideia de que um remédio que não é apoiado pelas pesquisas médicas e científicas resolveria o problema dos brasileiros, é um presidente autoritário. E um presidente que fala em liberdade de expressão, quando, na verdade, mentira não é liberdade de expressão”, pontua a professora da Universidade de São Paulo.

Em entrevista exclusiva à Agência Pública, por indicação dos Aliados – nosso grupo de leitores/apoiadores -, que também enviaram perguntas, Schwarcz diz que também vê com preocupação a presença maciça de militares do governo. “Nosso primeiro presidente, Deodoro da Fonseca, foi um militar, o segundo, Floriano Peixoto, também. O Exército foi construindo lentamente essa ideia de “salvadores da nação”, mas quando a gente vê o Exército atuando, não é isso que acontece. Os anos da ditadura militar não foram anos bons para o Brasil, tivemos uma inflação galopante, vários problemas de corrupção. Essa imagem dos militares como um setor muito racional não confere com nenhum momento em que eles estiveram no poder.”

Além de relacionar o Brasil do presente com sua história, Schwarcz ressalta a necessidade de construir uma memória indígena, negra e ribeirinha, pois estas experiências não são contempladas na memória das pessoas brancas, que é dominante no país. Ela também reafirma que se precipitou ao criticar o novo álbum da diva Beyoncé em um texto recente, que a tornou alvo de fortes críticas nas redes sociais. “Eu quero viver em um país em que a gente pode errar e sair melhor do erro,” diz. 

 

Na sua obra você afirma que o autoritarismo está na essência do Brasil, ou seja, está nos governos autoritários mas no povo também. Quais são as origens disso?

Quando eu escrevi o livro “Sobre o autoritarismo brasileiro“, foi uma reação imediata à eleição de 2018. Eu anuncio na introdução dois pressupostos básicos: o primeiro é que o nosso presente está lotado de passado e, o segundo, é que, para quem se espantava muito com o resultado das eleições de 2018, o livro ia mostrar como nós sempre fomos autoritários. Claro que existe um contexto global de eleição de vários governos de matriz autoritária, populistas e retrógrados, até, que também explica a eleição de Jair Bolsonaro. Mas eu estava muito interessada em entender as nossas raízes. 

A primeira raiz é a escravidão, que é a grande contradição da história e da sociedade brasileira, na minha opinião. Porque a escravidão criou uma sociedade que naturalizou o [poder de] mando, e mais ainda, naturalizou a prática do mando por poucas pessoas. Claro que nós sabemos que os escravizados reagiram sempre, desde que existia escravidão existiam quilombos. Mas, esse é um modelo que naturaliza a posse de uma pessoa por outra. É um modelo altamente autoritário, porque, inclusive, não concede ao outro nem o estatuto de humano, o outro é uma propriedade que eu posso leiloar, penhorar, torturar. A escravidão, que era mais que um sistema de trabalho, virou uma linguagem violenta com várias consequências.

O outro lado do nosso autoritarismo é a nossa própria estrutura colonial. A América Portuguesa era um território muito grande para uma metrópole pequenina. A saída foi a distribuição de grandes lotes de terra, que seriam dominados, mais uma vez, por poucos mandatários. Na minha concepção, o senhor da época da Colônia se transformou no nobre do café na época do Império, no coronel na época da Primeira República, e isso explica como em 2018 os brasileiros elegeram a maior “bancada dos parentes” [famílias que se perpetuam no poder por gerações]. Estamos falando de uma situação reiterada e que se pauta em um sistema violento.  

 

Como esse autoritarismo se expressa no cotidiano? 

Por exemplo, vamos falar da questão da pandemia. Um chefe de governo que, em pleno período pandêmico, demite seu ministro da Saúde para colocar no seu lugar um general sem qualquer experiência no trato de pandemias é um presidente autoritário. Um presidente que não segue a Organização Mundial da Saúde e prefere criar fatos falsos, que resolve vender para a população a ideia de que um remédio que não é apoiado pelas pesquisas médicas e científicas resolveria o problema dos brasileiros, é um presidente autoritário. E um presidente que fala em liberdade de expressão, quando, na verdade, mentira não é liberdade de expressão.

Ele não é só autoritário – é um presidente populista. O que é a matriz do populismo? É quando você tem chefes de estado que acreditam que falam diretamente com o povo e que, portanto, não precisam da ciência, da academia, dos jornalistas, das instituições democráticas.

Esses são exemplos de um presidente que, inclusive, sequestrou conceitos básicos. É um presidente que fala em democracia como se democracia fosse só eleição. A eleição é o começo, a democracia a gente faz todo dia na prática, o que sustenta a democracia é justamente o tema dos direitos e da liberdade. Nós temos um presidente evidentemente autoritário. (Continua)

 

20
Abr20

4 pontos sobre o discurso de Bolsonaro em ato a favor de 'intervenção militar (vídeos)

Talis Andrade

bolsonaro tosse.jpg

 

por BBC News

- - -

Em meio à crise do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro fez um discurso em ato que pedia "intervenção militar" e o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília.

A atitude do presidente no domingo (19/04), no mesmo dia em que o Brasil chegava a um total de mais de 2.400 mortes confirmadas devido ao coronavírus, despertou críticas de ministros do STF, governadores e parlamentares.

O professor de relações internacionais na Fundação Getulio Vargas (FGV) Oliver Stuenkel afirmou que Bolsonaro alcançou o objetivo de desviar o foco da discussão sobre a pandemia e as medidas necessárias para contê-la.

"Conseguiu pautar a agenda do debate público e desviar o foco. Diferentemente do resto do mundo, que discute como melhor responder à pandemia, nós estamos discutindo se haverá golpe militar ou não", escreveu Stuenkel no Twitter.

Leia, a seguir, os principais pontos sobre o discurso do presidente e as reações (ou silêncios) que ele gerou:

1. 'Não queremos negociar nada'
Bolsonaro foi até o QG do Exército, em Brasília, e discursou em cima da caçamba de uma caminhonete a manifestantes que pediam "intervenção militar".

"Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil", disse o presidente, em discurso que foi transmitido ao vivo em rede social.

Ele voltou a usar frases como "chega da velha política" e disse aos manifestantes: "eu estou aqui porque acredito em vocês e vocês estão aqui porque acreditam no Brasil".

Próximo a faixas que pediam que os militares agissem contra STF e Congresso, Bolsonaro falou em manter a democracia. "Contem com o seu presidente para fazer tudo aquilo que for necessário para manter a democracia e garantir o que há de mais sagrado, a nossa liberdade."

O protesto, no entanto, estava repleto de cartazes contra a democracia. Eles diziam diziam "fora STF", "fora Maia" e pediam o retorno do AI-5, que foi o ato institucional que endureceu o regime militar e autorizou uma série de medidas de exceção, permitindo o fechamento do Congresso, a cassação de mandatos parlamentares, intervenções do governo federal nos Estados, prisões até então consideradas ilegais e suspensão dos direitos políticos dos cidadãos sem necessidade de justificativa.

Um dos cartazes pedia "intervenção militar com Bolsonaro no poder".

Nesta segunda-feira (20), ao deixar o Palácio da Alvorada, Bolsonaro foi falar com a imprensa e defendeu Supremo e Congresso "abertos e transparentes".

"Sem essa conversa de fechar. Aqui não tem que fechar nada, dá licença aí. Aqui é democracia, é respeito à Constituição Brasileira", respondeu a um apoiador que pediu o fechamento do STF.

Bolsonaro disse que "falta inteligência" para quem o acusa de ser ditatorial. "O pessoal geralmente conspira para chegar ao poder. Eu já sou o presidente da República."

Afirmou, ainda, que o povo estava nas ruas, em grande parte, "pedindo a volta ao trabalho" e que a situação econômica do Brasil está se agravando.

Bolsonaro disse que todo e qualquer movimento tem "infiltrados" e que as pessoas têm liberdade de expressão. "Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército brasileiro, é isso e mais nada. Fora isso, é invencionice."


2. Tosse e aglomeração

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Bolsonaro tossiu durante discurso

 

A aglomeração de manifestações, como a que Bolsonaro participou, vai contra as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Durante a participação, o presidente chegou a tossir e passar as mãos no nariz. Em determinado momento, ele também cumprimentou um policial com aperto de mãos.

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Não é novidade, contudo, que o presidente não está cumprindo recomendações de distanciamento social. Ele tem feito saídas em Brasília e no entorno da capital - em uma delas, foi a uma padaria, tirou fotos com funcionários, bebeu refrigerante e comeu.

Ele reforçou o discurso contra o isolamento social e disse que todas as atividades econômicas são essenciais. O presidente vem defendendo que é necessário "preservar a economia" durante a pandemia.

A OMS, porém, afirma que o distanciamento social é importante para reduzir o número de mortes. Diante dessa necessidade de redução da atividade, economistas e entidades recomendam que os governos promovam medidas de apoio à população que pode ficar sem renda ou com renda reduzida.

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3. Reação
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse ontem que repudia atos em defesa da ditadura.

"O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos. Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição", escreveu no Twitter.

No momento em que o governo e o Congresso devem apresentar medidas para responder à crise gerada pelo coronavírus, Maia e Bolsonaro vêm travando briga pública.

Mais um político com quem Bolsonaro vem trocando críticas, o governador de São Paulo, João Doria, também reagiu à atitude do presidente no domingo.

"Lamentável que o presidente da República apoie um ato antidemocrático, que afronta a democracia e exalta o AI-5. Repudio também os ataques ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. O Brasil precisa vencer a pandemia e deve preservar sua democracia."

Ministros do STF também reagiram. O ministro Luís Roberto Barroso escreveu que "é assustador ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de democracia".

"Defender a Constituição e as instituições democráticas faz parte do meu papel e do meu dever. Pior do que o grito dos maus é o silêncio dos bons (Martin Luther King)", escreveu.

"Só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve. Ditaduras vêm com violência contra os adversários, censura e intolerância. Pessoas de bem e que amam o Brasil não desejam isso."

O ministro Gilmar Mendes disse que "invocar o AI-5 e a volta da Ditadura é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática".


4. Silêncio nas Forças Armadas

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Ato na capital federal estava repleto de cartazes contra a democracia

 

Considerando que o presidente discursou em frente ao QG do Exército e em uma manifestação pró-intervenção militar, os pronunciamentos das autoridades militares, como o ministro da Defesa e o comandante do Exército, Edson Pujol, são muito aguardados. A data também marcava o Dia do Exército, comemorado em 19 de abril.

A Defesa e o Exército, no entanto, não se pronunciaram sobre o assunto até a manhã desta segunda-feira (20).

Um mês antes do episódio, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, disse à BBC News Brasil que "manifestações em frente a quartéis não ajudam".

"O momento é de união para juntos vencermos o desafio do coronavírus. Manifestações em frente a quartéis não ajudam", disse o ministro, naquela ocasião. "Vivemos em um ambiente democrático e de liberdade. As Forças Armadas, por outro lado, são instituições de Estado e devem sempre permanecer fortemente arraigadas nos pilares básicos da hierarquia e da disciplina."

O ex-ministro da Secretaria de Governo general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido no ano passado, escreveu no Twitter na manhã desta segunda que "o Exército é instituição do Estado. Não participa das disputas de rotina. Democracia se faz com disputas civilizadas, equilíbrio de Poderes e aperfeiçoamento das instituições. O EB (@exercitooficial) tem prestígio porque é exemplar, honrado e um dos pilares da democracia."

Veja aqui: Bolsonaro tem crise de tosse durante discurso, quase perde o fôlego e é massacrado na web

 

03
Abr20

Quem tem fome, tem pressa! Bolsonaro e Guedes atrasam pagamento de auxílio concedido pelo Congresso

Talis Andrade

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Agora vocês podem medir porquê Bolsonaro caloteiro tem tanta raiva do Congresso, onde foi deputado medíocre, do baixo clero, por sete mandatos consecutivos de deputado federal pelo Rio de Janeiro das milícias. Sete vezes quatro? 28 anos de malandragem parlamentar acrescida do nepotismo eleitoral de eleger os três filhos maiores de idade: 01 senador, 02 vereador, 03 deputado. Três nulidades.  

Governo sanciona com atraso projeto que garante auxílio esmola a trabalhadores durante a pandemia e ainda veta ampliação do BPC

por Sonara Costa

Após dias de espera, o presidente finalmente sancionou o projeto aprovado pelo Congresso Nacional, que prevê auxílio de R$ 600,00 para os trabalhadores informais e de R$ 1.200,00 para ajudar mães responsáveis pelo sustento da família durante o período da pandemia – este último proposta do PSOL. Apesar do discurso mais ponderado no pronunciamento desta terça-feira, 31, até o momento o governo não estabeleceu o calendário de pagamento, que será feito por três meses.

O ministro Paulo Guedes pede paciência, fala em mudanças constitucionais, afirma que dinheiro não cai do céu, mas na verdade busca adiar ao máximo o pagamento desse direito em meio a uma crise sem paralelo em nossa História.

O projeto aprovado pelo Congresso Nacional sofreu ainda um veto que atingirá especialmente idosos e pessoas com deficiência, derrubando a ampliação do valor do BPC (Benefício por Prestação Continuada). Na prática, significa que apenas aqueles que comprovem renda per capita até R$ 261,00 terão acesso ao benefício. Pelo projeto aprovado no Congresso, o BPC seria pago a todos com renda per capita até R$ 522,00, ou seja, a renda média entre os membros de uma família.

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Garantir a quarentena: Paga logo, Bolsonaro!

Assistimos a uma queda de braço. Todos os dias, às 20h30, panelaços ressoam a indignação provocada pelas sucessivas mentiras do presidente Bolsonaro, que desde a primeira hora busca fazer a população acreditar que estamos diante de uma “gripezinha” e acusa a imprensa de promover o pânico apenas no intuito de lhe impedir de governar.

Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o recolhimento de corpos na Itália não deixam dúvidas sobre a gravidade da situação. A quarentena tem sido apontada como a forma mais eficiente de impedir a contaminação em um ritmo que leve à falência o sistema de saúde pública, e consequentemente a morte de milhares de pessoas.

No entanto, esta medida essencial só pode se tornar realidade se houver por parte do Estado o compromisso de colocar a vida em primeiro lugar. Domésticas, diaristas, feirantes, camelôs, mães solo que tiram seu sustento e de seus familiares do trabalho diário, um boleto por vez. Vivem em casas compartilhadas com filhos, tios e avós, para esticar o salário, em centros urbanos onde a vida é cada vez mais cara e o emprego formal mais raro.

Hoje 41% da população ocupada se encontra na informalidade. O presidente sabe que sem o pagamento da renda básica emergencial não é possível garantir a quarentena. Diante da fome, do corte da luz ou do despejo nenhuma mãe ou pai esperará. É cruel que as pessoas cheguem ao ponto de arriscar a própria vida em nome da manutenção dos lucros, que vidas sejam sacrificadas para atender as exigências de empresários e banqueiros.

A urgência da situação exige celeridade, repasse imediato àqueles que mais precisam, pois o pão também não cai do céu. Para salvar as pessoas é preciso exigir: Paga logo, Bolsonaro!

27
Fev20

Reinaldo Azevedo: “Não temos governo, mas um esgoto a céu aberto”

Talis Andrade

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Da Coluna de Reinaldo Azevedo no UOL.

 

Nunca, mas nunca mesmo, devemos cometer o erro de apostar que haverá um recuo, no campo da agressão, da ofensa e do crime, oriundo de Jair Bolsonaro, de seus filhos, da parte de seu ministério que compõe a escória mais asquerosa que a política já viu e das milícias virtuais que lhes dão apoio. Não! Eles sempre serão mais abjetos hoje do que foram no dia anterior e menos do que serão no dia seguinte.

A jornalista Vera Magalhães tornou-se o alvo da vez da canalha toda ao revelar que, num grupo de bolsonaristas que reúne diversos, digamos, tipos de apoiadores do presidente — há lá até aqueles que se confundem ou que são confundidos com profissionais da imprensa —, um empresário se dispôs a financiar caminhões de som para uma manifestação marcada para o dia 15. Mais: afirmou ter feito o mesmo durante a campanha.

A extrema-direita, com o incentivo do presidente e de seus filhos, sob o estímulo original do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete da Segurança Institucional, prega, entre outras aberrações, que os militares intervenham no Congresso e no Supremo.

 

(…)

Não temos um governo, mas um esgoto a céu aberto. Mais uma vez, o ódio à democracia e à imprensa livre se soma à misoginia.

(…)

27
Fev20

Bolsonaro manda vídeo por WhatsApp convocando para ato anticongresso, o dia do foda-se

Talis Andrade

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Jair Bolsonaro compartilhou pelo WhatsApp uma chamamento para os atos do dia do foda-se, 15 de março, contra o Congresso Nacional, que foram organizados após declaração do general da reserva Augusto Heleno, chefe do GSI.

O vídeo,  em tom melodramático sobre a facada da época da eleição, lembra que Bolsonaro “quase morreu” para defender o Brasil, e a chamada: “15 de março. Gen Heleno/Cap Bolsonaro. O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre”.

O vídeo não apresenta nenhum programa de governo. Nenhuma reforma que beneficie o povo em geral. Nenhuma promessa de mais escolas, mais hospitais, mais postos de saúde, mais casas populares, mais creches, mais empregos, aumento do salário mínimo, do bolsa família, congelamento dos preços do gás, da luz, dos medicamentos, da cesta básica. Não promete nada, neca de pitibiriba para o sem teto, o sem terra, o sem nada.

O vídeo de 1 minuto e 40 segundos traz frases como “ele foi chamado a lutar por nós. Ele comprou a briga por nós. Ele desafiou os poderosos por nós. Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele sofre calúnias e mentiras por fazer o melhor para nós. Ele é a nossa única esperança de dias cada vez melhores. Ele precisa de nosso apoio nas ruas”.

Dia do foda-se. “Dia 15.3 vamos mostrar a força da família brasileira. Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos sim capazes, e temos um presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, capaz, justo, incorruptível. Dia 15/03, todos nas ruas apoiando Bolsonaro”.

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26
Nov19

Em entrevista nos EUA, Guedes ameaça com volta da ditadura: 'Não se assustem se alguém pedir o AI-5'

Talis Andrade

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira (25) que não é possível se assustar com a ideia de alguém pedir o AI-5 diante de uma possível radicalização dos protestos de rua no Brasil.  

A afirmação foi feita durante entrevista coletiva em Washington, em que Guedes, fã declarado dos ditadores do Cone Sul, comentava a convulsão social e institucional em países da América Latina, e disse que era preciso prestar atenção na sequência de acontecimentos nas nações vizinhas para ver se o Brasil não tem nenhum pretexto que estimule manifestações do mesmo tipo, informa a jornalista Marina Dias na Folha de S.Paulo.   

Cria de Pinochet, mãos leves da previdência, banqueiro falido, proprietário de redes sexuais na internet, Paulo Guedes, o gênio da economia do governo Bolsonaro,  pretende transformar o Brasil no Chile da Operação Condor.

"Sejam responsáveis, pratiquem a democracia. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo para quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente? Levando o povo para a rua para quebrar tudo. Isso é estúpido, é burro, não está à altura da nossa tradição democrática."  

Paulo Guedes justificou as ameaças sobre a edição de um novo AI-5 feitas por um dos filhos de Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro. Para ele, trata-se de uma reação ao que chamou de convocações feitas pela esquerda, endossadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo depois de ser solto, há pouco mais de duas semanas.  

Guedes disse que era "uma insanidade" o petista pedir a presença do povo nas ruas, e que "chamar o povo para rua é uma irresponsabilidade".   

O ministro de Bolsonaro confirmou que o projeto de lei que prevê o excludente de ilicitude seria também uma resposta de Bolsonaro a Lula. O excludente de ilicitude, proposto por Sergio Moro em seu pacote anticrime, é considerado uma licença para a polícia matar.

Dizem que a ministro Damares Alves tinha sido escalada para a anunciação do AI-5. Mas lhe faltou coragem.

Informam as jornalistas Luciana Amaral e Constança Rezende, do UOL:

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos convocou ontem à tarde uma coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. Ao chegar ao local, porém, estava aparentemente abalada e abandonou a entrevista sem responder às perguntas feitas.

Cerca de um hora depois do ocorrido, a assessoria de imprensa da ministra informou que o episódio foi uma encenação. "Objetivo era mostrar como o silêncio da mulher incomoda", informou a assessoria. "Se uma mulher perde a voz, todas perdem", afirmou.

25 de Novembro é o Dia do Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. 

Para justificar mais um comportamento maluco beleza, Damares alegou se tratar de uma encenação para tentar chamar a atenção para a violência contra a mulher. "Eu fiquei em silêncio para que vocês sintam como é difícil uma mulher ficar em silêncio. Quando eu queria falar tanto com vocês hoje, dizer para vocês dessa campanha belíssima, eu preferi o silêncio. É muito ruim tirar a voz de uma mulher. Era esse o recado que eu queria dar. E obrigada por terem participado, voluntariamente e involuntariamente, da campanha. Que todas as mulheres tenham voz".

Com o AI-5 da ditadura militar de 1964, milhares de mulheres foram presas e torturadas e trucidadas porque ousaram falar. 

Imprensa safada aceita esse espetáculo circense de Damares e da lama. Essa mulher do pé da goiabeira é o espalha fato do governo Bolsonaro, para tirar o foco da imprensa dos terríveis assuntos principais. Dos retrocessos de um governo de castas. Tudo para as elites. O povo sofre, passa fome. O governo do falta tudo. Falta medicamentos, falta médicos, falta emprego. Quem trabalha recebe o salário do medo, a aposentadoria tardia e indigna. O governo oferece a polícia capitão-do-mato, a vida animalesca dos sem terra, dos sem teto, dos sem nada, dos moradores de rua, a perseguição secular aos índios, aos negros, aos pobres em geral, o desamor cristão.

Como ninguém leva a sério o que Damares diz, a ameaça do AI-5 seria mais fácil desmentir, desde que não encontre eco nas forças armadas e no povo em geral.

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