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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

25
Set21

Bolsonaro transborda seu fascismo: “iam morrer, mesmo”

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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A “entrevista” de Jair Bolsonaro para uma dupla de neonazistas alemães– Vicky Richter e Markus Haintz – divulgada ontem à noite é, simplesmente, asquerosa.

Das pessoas que morreram com a Covid-19, disse o facínora, “muitas tinham alguma comorbidade, então a Covid apenas encurtou a vida delas por alguns dias ou algumas semanas”.

Uma bobagem, não é, porque, como ele mesmo gosta de dizer, “todo mundo morre um dia, mesmo”.

Gostaria de vê-lo repetir isso diante da família de quase 600 mil brasileiros e brasileiras que tiveram as vidas “encurtadas”.

Disse ainda que os médicos e hospitais falsificavam a causa da internação dos pacientes, apontando como Covid a razão para receberem mais dinheiro.

— “Uma pessoa na UTI por Covid custa R$ 2.000 por dia. Uma pessoa numa UTI com outras doenças custa R$ 1.000. Então quando uma pessoa mais humilde vai no hospital ela é levada para a UTI porque os hospitais vão ganhar mais dinheiro, então tem uma supernotificação. Isso aconteceu. O número de mortes no Brasil foi superdimensionado”

O pior é que a mais alta entidade médica do Brasil, o Conselho Federal de Medicina, não só não protesta contra isso como, ao contrário, apoia Jair Bolsonaro e seu charlatanismo. Merecem mesmo ser tratados como os canalhas que Bolsonaro diz que são.

O imbecil que nos preside voltou a defender a tal “imunidade de rebanho”, sugerindo que todos devem se infectar para acabar logo com esta história que prejudica os negócios.

“Eu disse para as pessoas não terem medo, que enfrentassem o vírus”

Assim, como se enfrentar o vírus fosse uma briga de rua, onde se pudesse “dar umas bolachas” no coronavírus e sair, vaidoso, dizendo que “aí, dei umas bifas no coronga, mó maricão este vírus“.

Um cidadão como este – desculpem, não consegui escrever ser humano – seria um lunático, já desagradável e perigoso se estivesse em seu lugar, de camisa aberta e correntes de ouro, na porta de um botequim “pé-sujo”.

Na presidência de um dos maiores países do mundo é, porém, inaceitável e exige conversa zero para ser privado do poder e do mando que tem.

Infelizmente, acham que ele vai ser detido pela conversa mole da “institucionalidade” e das cartinhas de Michel Temer.

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23
Set21

NAZISMO. Bolsonaro recebe negacionistas alemães em Brasília

Talis Andrade

Jair Bolsonaro dá entrevista a negacionistas alemães

Na entrevista, Bolsonaro repetiu mentiras e teorias conspiratórias

 

Presidente concedeu entrevista para dois propagadores de teorias conspiratórias ligados ao Querdenken, movimento negacionista e antivacinas que está na mira do serviço de inteligência alemão por laços com nazistas

 

 

  • por Jean-Philip Struck /DW

     

    O presidente Jair Bolsonaro se reuniu na primeira quinzena de setembro com dois membros da cena conspiracionista e negacionista da pandemia na Alemanha.

    Bolsonaro concedeu uma entrevista para Vicky Richter e Markus Haintz, ligados ao Querdenken ("pensamento lateral" em alemão), movimento que organizou no último ano protestos contra as medidas do governo alemão para frear a pandemia de covid-19. Em abril, o serviço de inteligência interno alemão colocou setores do movimento sob vigilância nacional por suspeita de "hostilidade à democracia e/ou deslegitimação do Estado que oferece riscos à segurança".

    A entrevista com Bolsonaro, concedida pelo presidente em Brasília, foi publicada em redes sociais ligadas a Richter e Haintz nesta segunda-feira (20/09).

    A dupla alemã também realizou entrevistas com o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo federal, e a deputada bolsonarista Bia Kicis. Os encontros foram registrados entre os dias 8 e 10 de setembro. A dupla também fez filmagens no ato antidemocrático de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, que contou com a participação de Jair Bolsonaro.

    Dupla de conspiracionistas

    Haintz se apresenta como "advogado, jornalista e ativista pela liberdade". Baseado na cidade de Ulm, ele é uma figura proeminente do movimento Querdenken e costuma usar os protestos negacionistas do movimento para discursar contra o governo alemão e medidas de isolamento. Em agosto, ele chegou a ser detido pela polícia durante um protesto em Berlim.

    Várias manifestações do Querdenken no último ano contaram com participação explicita de grupos neonazistas e de extrema de direita, além de seguidores do culto conspiracionista QAnon.

    Em abril, ao colocarem setores do Querdenken sob vigilância, as autoridades alemãs mencionaram que essas alas constituem ameaça por questionarem a legitimidade da democracia e do Estado alemão. As autoridades também citaram ligações entre o movimento Querdenken e os grupos de extrema direita Reichsbürger e Selbstverwalter, que negam a existência do Estado alemão ou não se consideram parte dele. O Facebook também já baniu dezenas de páginas ligadas ao Querdenken.

    Em outubro de 2020, Haintz foi demitido de uma faculdade de Biberach, onde atuava como professor, por causa das suas atividades no Querdenken. Um administrador da instituição afirmou à época da demissão que as declarações de Haintz legitimam a violência e que o advogado deveria "se envergonhar" pelo seu envolvimento no Querdenken.

    Em seus discursos e publicações no Telegram (ele possui 100 mil assinantes), Haintz pinta a Alemanha como "uma ditadura" sob a chanceler federal Angela Merkel. 

    No entanto, Haintz viu sua posição no movimento ser enfraquecida recentemente após alguns rivais internos passarem a espalhar boatos de que ele trabalha como informante do serviço secreto.

    Em uma publicação recente no Telegram, ele afirmou que há "um ataque global contra as liberdades" e que a sua viagem ao Brasil e outros países tinha como objetivo buscar aliados. Nos últimos dias, ele compartilhou no Twitter diversas publicações de Eduardo Bolsonaro e imagens das manifestações antidemocráticas do Sete de Setembro.

    Já Richter se apresenta como uma ex-militar da Bundeswehr (Forças Armadas da Alemanha) e possui vários canais negacionistas no YouTube, Twitter e Telegram, nos quais propaga conteúdo antivacinas e teorias conspiratórias. Em uma publicação no Telegram, ela afirmou que conversou com a ministra Damares Alves sobre "a elite cabalística por trás do tráfico de crianças" no mundo e "estupros rituais em comunidades indígenas", temas que ecoam teorias conspiratórias do culto QAnon.

    Outras publicações ecoam o discurso radical da base bolsonarista e parecem ter a intenção de apresentar o presidente brasileiro para o público extremista alemão. Nessas publicações, Bolsonaro aparece como "perseguido" pelo Judiciário e "boicotado" pela imprensa internacional. "O fato de que ele enfrenta comunistas e globalistas desagrada os poderosos", diz uma publicação.

    Outras mensagens tem teor ainda mais conspiracionista, afirmando falsamente que "sete ministros do STF" chegaram a "fugir temporariamente do país" por medo de serem presos por Bolsonaro. Outros textos elogiam a gestão negacionista de Bolsonaro durante a pandemia.

    A dupla alemã Vicky Richter e Markus Haintz também participou da fundação do partido Die Basis, uma agremiação negacionista da pandemia surgida em 2020 e que afirma ter quase 30 mil membros. A legenda chegou a disputar uma eleição regional em março, mas não obteve votação expressiva. Richter e Haintz deixaram o partido no início de setembro após disputas internas.

Vicky Richter entrevista a ministra Damares Alves

Vicky Richter entrevista a ministra Damares Alves

Palco para negacionismo

Na entrevista com a dupla alemã, que se estendeu por uma hora, Bolsonaro repetiu mentiras e teorias conspiratórias que ele já havia propagado durante o último ano.

Ele afirmou falsamente que hospitais inflacionaram o número de doentes com covid-19 para receber mais dinheiro, atacou a Coronavac – a vacina promovida pelo governo de São Paulo, chefiado pelo seu rival João Doria –, defendeu tratamentos ineficazes e potencialmente perigosos contra a doença – como a cloroquina – e até mesmo chás medicinais.

Ele também sugeriu que a melhor forma de se proteger contra o vírus é ser contaminado, reiterando novamente a tese da imunidade de rebanho pela infecção. "Eu disse para as pessoas não terem medo, que enfrentassem o vírus", disse Bolsonaro. "A liberdade é mais importante que a vida", completou, quando falava sobre sua oposição à vacinação obrigatória.

Bolsonaro também reclamou da TV Globo, se apresentou como "perseguido", defendeu o armamento da população e mentiu sobre não haver escândalos de corrupção em seu governo.

Já na entrevista com Eduardo Bolsonaro, a dupla Haintz-Richter abordou temas como voto impresso e as manifestações antidemocráticas do Sete de Setembro. O deputado aproveitou a oportunidade para espalhar mentiras sobre as urnas eletrônicas, reclamar da imprensa e se queixar da China.

A entrevista de Richter com Damares, por sua vez, abordou inicialmente a biografia da ministra, mas logo passou para temas mais caros a grupos conspiracionistas. Richter parecia especialmente interessada em práticas de povos indígenas. Damares afirmou que alguns indígenas têm práticas de "estupro coletivo como prática cultural" e "estupro como castigo" para mulheres.

Em uma pergunta, Richter afirmou à ministra que há "uma grande cabala" mundial por trás do "tráfico de crianças" e perguntou se Damares não tinha medo de enfrentar esses supostos grupos. "Eu recebo muitas ameaças de morte", respondeu Damares.

O termo cabala era originalmente usado para se referir à mística judaica, mas com o tempo antissemitas passaram a usar o termo como sinônimo para "conspiração" ou "complô". Esse uso de forma derrogatória costuma ser usado tanto por antissemitas quanto por seguidores do culto QAnon. 

A dupla ainda se encontrou com a deputada de extrema direita Bia Kicis, uma aliada próxima de Bolsonaro. Eles discutiram supostos riscos da aplicação de vacinas em grávidas e uso de máscaras. "O uso de máscaras faz você perder sua identidade", disse Kicis, que regularmente publica conteúdo negacionista nas redes. "Eu desejo que os conservadores se aliem e construam uma rede", afirmou a deputada para os alemães. "Precisamos nos manter juntos e lutar contra o comunismo."

Beatrix von Storch ao lado de Jair Bolsonaro e do marido dela

Bolsonaro e deputada de ultradireita Beatrix von Storch em julho

 

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro e seu filho Eduardo e a deputada Bia Kicis se reúnem com alemães do espectro político populista e extremista de direita. Em julho, o presidente recebeu no Planalto a deputada alemã de ultradireita Beatrix von Storch. Filiada à AfD, Von Storch é uma figura influente da ala arquiconservadora e cristã do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem membros acusados de ligações com neonazistas. Uma organização ligada ao partido também chegou a ser colocada sob vigilância dos serviços de inteligência alemães no início do ano. Neta do antigo ministro das Finanças de Adolf Hitler, Von Storch ficou conhecida na Alemanha por publicações e afirmações xenófobas.

À época, o encontro com a deputada alemã causou ultraje entre organizações judaicas brasileiras.

16
Ago21

Brasil vive escalada de grupos neonazistas e aumento de inquéritos de apologia do nazismo na PF

Talis Andrade

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Por Fernanda Mena

Discurso sectário de Bolsonaro contribui para ascensão de ideologia extremista, avaliam estudiosos

O Brasil vive uma escalada no número de células neonazistas, uma explosão de denúncias de discursos que exaltam essa ideologia de ultradireita nos meios digitais e um aumento de inquéritos que investigam o crime de apologia do nazismo na Polícia Federal.

Esse cenário sinistro acompanha uma onda global de grupos de extrema direita que levaram o secretário-geral das ONU, António Guterres, a instar a criação de uma aliança global contra o crescimento e o alastramento do neonazismo, da supremacia branca e dos discursos de ódio, especialmente a partir da pandemia da Covid-19.

“Tragicamente, depois de décadas nas sombras, os neonazistas e suas ideias agora estão ganhando popularidade”, declarou o chefe da ONU em janeiro de 2021.

 
Já um levantamento na Central de Denúncias de Crimes Cibernéticos da plataforma Safernet Brasil contabilizou uma explosão de denúncias sobre conteúdo de apologia do nazismo nas redes. Em 2015, foram 1.282 casos, ante 9.004 em 2020 —um crescimento de mais de 600%.
 

O ano de 2020 também marcou o recorde histórico de novas páginas de conteúdo neonazista e também o maior número de páginas removidas da internet por conta de conteúdo ilegal ligado às ideias do regime de Adolf Hitler. Foram 1.659 URLs (endereços) derrubadas no ano passado, contra 329 em 2015.

“Quando há remoção é porque o conteúdo era de fato criminoso ou violava os termos de uso dos serviços”, afirma Thiago Tavares, presidente da Safernet Brasil, organização não governamental que atua na prevenção e no combate a crimes cometidos nos meios digitais.

“Quando o conteúdo é ilegal, as plataformas removem as páginas voluntariamente porque constatam que, de fato, há crime.”

Além disso, o número de inquéritos que investigam o crime de apologia do nazismo no âmbito da Polícia Federal aumentaram, no mesmo período, de apenas 6 em 2015 para 110 em 2020. Só de 2019 a 2020, o crescimento das investigações desse tipo de crime foi de 59%. Os dados da PF foram revelados pelo jornal O Globo.

O crime de apologia do nazismo é normalmente enquadrado no artigo 20 da lei 7.716 de 1989. Ela prevê pena de dois a cinco anos de reclusão para quem fabrica, comercializa, distribui ou veicula símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica para divulgar o nazismo.

Tanto Dias, que acompanha as atividades desses grupos, como Tavares, que recebe e encaminha denúncias aos órgãos competentes, avaliam que a presença do neonazismo cresceu e ganhou visibilidade na esteira da ascensão do discurso sectário do hoje presidente Jair Bolsonaro.

“A fala de Bolsonaro é inflamatória. Suas práticas e discursos são determinantes para a ação e manifestação desses grupos tanto na internet quanto fora dela”, avalia a antropóloga que, no mês passado, encontrou em seus arquivos uma carta do então deputado federal Bolsonaro publicada em 2004 em um site neonazista.

A página continha um banner com link direto para a página do político na internet. O caso foi revelado pelo site The Intercept Brasil.

“A descoberta da carta mostra um vínculo com os neonazistas pelo menos desde 2004. E, doravante, todos os sinais que observamos não podem ser vistos apenas como fatos aleatórios ou provocações, mas como projeto”, afirma ele.

Coincidência ou não, em 2016, o neonazista Donato di Mauro foi condenado em Minas Gerais a mais de oito anos de prisão por apologia do nazismo e corrupção de menores e, entre seus pertences encaminhados ao Ministério Público, estava uma carta de Bolsonaro.

 

Pode ser uma imagem de 1 pessoa

À época, Di Mauro causou revolta ao postar uma foto em que supostamente enforcava uma pessoa em situação de rua com uma corrente.Antonio Donato, skinhead que aparece estrangulando morador de rua, é  condenado a 8 anos de prisão - Horizontes - HOME

“É inegável que as reiteradas manifestações de membros do governo, que evocam gestos e palavras próprios da iconografia nazista, têm empoderado essas células no Brasil”, aponta Tavares. “Não são dois ou três exemplos. São vários. E isso faz com que esses grupos se sintam legitimados.”

O presidente adotou como slogan um lema (“Brasil acima de tudo”) que emula o brado nazista “Deutschland über alles” (Alemanha acima de tudo). E seu ex-secretário da Cultura Roberto Alvim protagonizou vídeo em que imitava o ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels.

Em uma live, Bolsonaro e sua equipe tomaram todos copos de leite, num gesto considerado indicativo da exaltação à supremacia branca.

O assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, foi flagrado fazendo gestos considerados obscenos e racistas às costas do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Ainda deputado, Bolsonaro defendeu alunos de um colégio militar de Porto Alegre que elegeram Hitler como personalidade histórica. E posou para foto ao lado de um “sósia” do ditador nazista.

No mês passado, fora da agenda, Bolsonaro se encontrou com a deputada Beatrix von Storch, vice-líder do partido populista de direita AfD (Alternativa para a Alemanha). Neta de um ministro de Hitler, ela já defendeu publicamente que a polícia alemã atirasse em refugiados que chegassem às fronteiras do país.

O presidente da Confederação Israelita do Brasil, Claudio Lottenberg, diz ver com preocupação “o crescimento que tem sido percebido em manifestações neonazistas e antissemitas no Brasil”.

Segundo ele, o Brasil tem um governo “nacionalista, eleito em nome de uma linha de extrema direita”. “Mas ninguém decreta a intolerância, que é fruto do silêncio de uma maioria.”

Para Adriana Dias, o silêncio sobre a história dessa ideologia no Brasil, país que sediou a maior filial do Partido Nazista fora da Alemanha, faz parte desse caldo.

“A desnazificação é um processo que passa pela educação, e isso ainda não ocorreu no Brasil”, afirma. “Em muitos lugares do país ficou instalado um pró-nazismo que não é de superfície, mas algo subterrâneo, e essas pessoas vão aos poucos se juntando e se protegendo.”

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16
Ago21

Decisão de Moraes: o direito, a gravidade do momento e o senso de história

Talis Andrade

 

por Reinaldo Azevedo

A gravidade de um determinado momento histórico não tem de mudar os princípios de ninguém. Mas é, se me permitem algum clichê, no calor da batalha que tais princípios passam a ter consequências, não é? Uma coisa é cultivar valores na reclusão do claustro ou das mansardas, distante do palpitar do mundo real. Outra, distinta, é colocá-los em trânsito quando escolhas podem fazer a diferença entre a vida e a morte, entre a democracia e o golpe, entre a barbárie e a continuidade dos embates civilizatórios.

Não quero parecer rude na teoria, mas sou obrigado a apelar a uma metáfora sem espaço para ambiguidade ou contestação. Se está afundando o navio em que navegam gregos e troianos, guelfos e gibelinos, palmeirenses e corintianos, há uma de três escolhas possíveis: a) dar prioridade às dissensões, alheios todos ao perigo; b) cruzar os braços e acusar os adversários pelo naufrágio iminente; c) ignorar as dissensões e tentar evitar que a embarcação seja tragada pela tormenta, a inimiga de todos.

Na primeira hipótese, ninguém se salva — afinal, sabem como é, homens de convicções jamais abrem mão de seus princípios. Na segunda, também vai tudo para o fundo do mar. Afinal, sabem como é, “não nos juntaremos a eles, ou seremos como eles”. Na terceira, há uma boa chance de a nau chegar à praia e de todos se salvarem. Assim que houver o desembarque, é provável que os adversários comecem a se estapear. Afinal, haviam se juntado apenas para evitar o naufrágio. Não estavam inaugurando a paz universal kantiana.

Por que isso tudo?

Garantistas Distraídos
Posso entender que alguns doutores do garantismo — e o grupo Prerrogativas, que assina uma nota em apoio a Alexandre de Moraes e a Roberto Barroso é garantista, como sou, embora não advogado — oponham algumas restrições à prisão de Roberto Jefferson, decretada pelo ministro Moraes.

Entender os argumentos não implica concordar com eles. E eu discordo dos críticos radicalmente. Já demonstrei aqui que Jefferson deveria ter sido preso em flagrante quando fez um vídeo instruindo “cristãos” sobre o modo adequado de matar policiais. Espantoso é que estivesse solto.

 

Querem alguns dos críticos de boa-fé — não há como dialogar com a má-fé bolsonarista porque golpista e a soldo — que os crimes de Jefferson são graves, mas que falta a devida fundamentação para a prisão preventiva. Falta por quê? A existência de uma organização criminosa, devidamente estruturada, para atacar os Poderes constituídos e em defesa de um golpe está escancaradamente evidenciada nos autos do Inquérito 4.828. A Procuradoria Geral da República, o que não surpreende, preferiu ignorar os atos criminosos ali evidenciados e não viu razão para pedir a abertura de uma ação penal. Não se pode abri-la sem a concordância do titular da dita-cuja. Mas a PGR não pôde impedir a correta instauração de novo inquérito. Aplausos redobrados ao ministro.

Se a articulação criminosa está mais do que clara, esta não existe no vácuo. Tem seus autores. E um dos mais destacados no proselitismo golpista e no incentivo à ação direta, ARMADA, contra os Poderes constituídos é justamente Roberto Jefferson. Quantos são os vídeos em que ele aparece de trabuco na mão, já não sugerindo, mas incitando mesmo a que seus seguidores tornem práticas e efetivas suas particulares noções de justiça?

 

O Precedente Norueguês
Os que estão dispostos a se aprofundar na questão devem pesquisar que linguagem falou em seu manifesto o terrorista norueguês Anders Behring Breivik. No dia 22 de julho de 2011, ele matou 77 pessoas e feriu outras 52. No julgamento, exigiu que sua defesa recusasse a tese de insanidade, arguida pela promotoria. Ao ser condenado, fez uma saudação neonazista e se desculpou com outros extremistas por não ter conseguido matar ainda mais gente.

Por que eu o evoco? Com o patrocínio de Bolsonaro, o país se arma até os dentes. Mergulhe um tantinho nas redes, e não será difícil encontrar a incitação a que o Supremo seja invadido no dia 7 de setembro.

Se os atos de Jefferson não justificam a prisão preventiva, o que justificaria? Leiam, a propósito, o excelente artigo do jurista e professor Lenio Streck. O ex-deputado se encontra num estado de continuidade delitiva que poderíamos dizer “delirante”, não fosse o fato de que, a exemplo de Anders Behring Breivik, recusa a condição de insano. Ao contrário: também ele se quer tocado pela clareza da Divina Providência. O terrorista norueguês dizia querer salvar o Ocidente do Islã. Jefferson, um pouco mais modesto, quer salvar o Brasil da China… Em todo caso, eles escolheram as mesmas armas de luta. Aquele levou a efeito o seu intento criminoso. Jefferson incita a que outros o façam — e diz ele mesmo estar preparado para a luta. Ao menos nos vídeos.

Na audiência de custódia, ora vejam!, o homem que se apresenta para a luta que considera revolucionária, que se oferece como um soldado, diz-se apenas uma pessoa doente. Não, claro!, sem deixar de exaltar a sua virilidade semanal, pela graça de Deus. Isso pega bem com os cuecões e fraldões do golpismo. Definiu-se assim perante o juízo:
“Político, presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), não possui vícios, não bebe, não fuma, ‘dou uma por semana quando Deus me ajuda’, possui doenças crônicas, câncer, tendo sido internado mais de 20 vezes, e trata de infecção renal”.

Diz ainda que tinha prevista para os próximos dias uma cirurgia cardíaca. Como se nota, não parece que estivesse ele próprio disposto a enfrentar as agruras de uma luta armada. É o tipo mais covarde e canalha de prosélito: espera mover, pela retórica, a mão de outros.

 

De Volta Aos Princípios
Não estou aqui a pedir que “garantistas” abram mão de fundamentos do direito. Ao contrário: estou pedindo que os apliquem. Garantias individuais não são heranças divinas, desenhadas na pedra por Deus. Existem na sociedade e na relação entre os indivíduos. Jefferson e qualquer outro têm todo o direito de pensar isso ou aquilo do Supremo; de divergir de suas decisões — eu mesmo já o fiz muitas vezes, incluindo as de Moraes e de Roberto Barroso, para citar dois alvos do momento –; de apontar o que consideram impróprio ou autoritário.

Repudio os fins dessa gente, o que quer para o Brasil; os seus horizontes utópicos — que entendo como distopias. Mas estamos, senhores garantistas, neste momento, num embate SOBRE OS MEIOS. Os escolhidos por Jefferson e outros são lícitos? Incitar o armamento da população contra um dos Poderes da República; desqualificar os ministros da Corte maior, cuja autoridade emana do pacto democrático, ameaçando-os sem reserva ou temor; sustentar que a saída está no aniquilamento daqueles que são tomados como inimigos… Serão tais práticas toleráveis na democracia?

Ainda que houvesse o que reparar na decisão de Moraes — e não há —, seria o caso de indagar se não caberia um outro princípio norteador da civilização: o do mal menor. A canalha fascistoide, note-se, está usando a crítica feita por alguns “garantistas” para endossar a sua pregação golpista. Vale dizer: não hesitam em instrumentalizar os argumentos daqueles que odeiam — e que seriam enviados à cadeia em caso de golpe — para defender o golpismo.

Nota do Prerrogativas
Falei há pouco com o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, que emitiu uma nota em defesa dos tribunais superiores, com acento na atuação dos ministros Alexandre de Moraes e Roberto Barroso.

Carvalho também considera a decisão de Moraes correta, juridicamente hígida, adequada à gravidade do momento. Afirma:
“O Supremo continua a agir como a última resistência — última e única — ao golpismo explícito. E lembro que esse tribunal está empoderado pela coragem do ministro Gilmar Mendes, que deu início a esse processo de reafirmação do papel do tribunal. E se destaque também o trabalho de Ricardo Lewandowski. Eles contribuíram para rearrumar o sistema de Justiça, recuperando parte da credibilidade que este tinha perdido. Alexandre de Moraes continua a botar as coisas no seu devido lugar ao reagir a essas ameaças inaceitáveis às instituições e à integridade dos Poderes. O Supremo — especialmente, no momento, o ministro Alexandre — merece o nosso reconhecimento e o nosso aplauso.”

Encerro
O inimigo, neste momento, é o alinhamento de forças que ameaçam afundar o navio. Ou concordamos na defesa da embarcação para cuidar depois das divergências — e é claro que, em terra firme, são reduzidas as chances de eu vir a ser convencido por aqueles de que discordo — ou morremos todos, porém muito orgulhosos de nosso beletrismo jurídico, literário e moral.

Vai ser o quê?

 

19
Nov20

Quem é o pai de governadora de SC, professor de história que negava holocausto

Talis Andrade

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e textoA imagem pode conter: texto que diz "DENÚNCIA Não é uma simples opinião quando encoraja Racismo e Ameaças 2IR5 petiata no novamente Em resposta agora só falta gente m4t4r el4 e entrar o suplente que branco OPT nie deverie fizeram com e nOsse mais Por tudo que ANA LÚCIA MARTINS VEREADORA Não compartilhe publicações racistas,machistas οU ameaças DENUNCIE!"

Os sindicatos em solidariedade a primeira mulher negra, eleita vereadora de Joinville, professora Ana Lúcia Martins, que vem sofrendo ameaças de morte, denunciou:

Mais um desses crimes no Paraíso Nazista, que Santa Catarina se transformou: Lugar de inseguranças físicas e morais, para as vidas das pessoas negras

Santa Catarina era macabra, exótica e humilhantemente conhecida pelos movimentos nazistas e racistas que, como erva daninha, parasita, sempre reaparece, como acontece hoje no governo de Daniela Reinehr, eleita pelo PSL, que abandonou.Daniela aparece de perfil, com painel atrás dizendo 'Governo de Santa Catarina'

Governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido) titubeou ao ser perguntada por jornalista sobre passado do pai. Foto Mauricio Vieira

 

Escreve Hyury Potter, de Florianópolis para a BBC News:

O passado do pai entrou na agenda da atual governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido), fazendo com que ela emitisse uma nota à imprensa, (29/10), afirmando ser "contrária ao nazismo".

O posicionamento veio depois de a governadora se recusar a responder a um jornalista, (27/10), se concordava com a visão de seu pai, Altair Reinehr, professor aposentado que tinha sido colaborador de uma editora especializada em livros de teor antissemita que negavam o holocausto e outros crimes da Alemanha nazista.

Era a primeira entrevista coletiva concedida por Daniela, que acabara de assumir o governo após o Tribunal Especial de Julgamento afastar o governador Carlos Moisés (PSL) por até 180 dias, para que este responda por crime de responsabilidade no caso do reajuste salarial dos procuradores do Estado. Arrolada no mesmo processo, Daniela foi absolvida.

Altair é conhecido em Maravilha, pequeno município do extremo oeste catarinense, por defender ideias nazistas. Ele também defendeu na Justiça o diretor da editora Revisão, que publicava livros antissemitas nos anos 1980 e 1990.

Até se aposentar em 1998, Altair Reinehr lecionava história para crianças da escola estadual Nossa Senhora da Salete, em Maravilha, cidade catarinense com 26 mil habitantes, onde indicava a seus alunos livros de conteúdo antissemita da editora Revisão, aponta a antropóloga doutora pela Unicamp, Adriana Dias, que pesquisa sobre nazismo no Brasil há mais de 20 anos.

"Altair indicava livros da editora Revisão em sala de aula para crianças, isso é muito grave. Durante a minha pesquisa, conversei com alguns alunos que confirmaram que os exemplares eram de negação do holocausto, algo que ele mesmo mencionava nas aulas", disse a pesquisadora.

Ex-sindicalista da categoria, Reinehr chegou até a atuar na organização de greves dos professores na década de 1980. Em 1985, foi presidente da Associação de Professores de Maravilha. Ao mesmo tempo que defendia melhores condições de trabalho para os professores, o catarinense negava crimes da Alemanha nazista.

Para o professor de história, tudo não passou de uma "lenda" criada para ocultar crimes de guerra dos Aliados, de acordo com texto assinado pelo próprio Reinher e publicado no jornal A Notícia, de Joinville, em 2005.

A pesquisa da antropóloga Adriana Dias mostra que Reinehr chegou a colaborar com textos para a editora, criada em 1987 e que pertencia ao antissemita confesso Siegfried Ellwanger Castan (1928-2010). A publicação de livros que afirmavam que "quem sofreu com o holocausto foi o povo alemão" resultou em uma condenação por crime de racismo no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. A decisão foi depois confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2002, quando teve grande repercussão na imprensa.

No julgamento do STF, ministros leram trechos de livros da editora de Castan, que também era autor de obras favoráveis ao regime hitlerista. O ministro Maurício Corrêa chegou a citar o livro Holocausto Judeu ou Alemão? Nos Bastidores da Mentira, onde Castan escreveu que "os únicos gananciosos da Grande Guerra foram de fato os judeus".

Mesmo assim, o pai da governadora interina de Santa Catarina considerou que não havia qualquer indício de discurso racista, como ele afirmou em depoimento como testemunha de defesa de Castan. Na transcrição, é relatado que "Altair Reinehr, ao ser inquirido, declara ter lido todas as obras descritas na inicial, informando que nunca vislumbrou qualquer resquício de racismo a quem quer que seja. Diz nunca ter observado qualquer conduta racista do acusado".

Em 1998, a Justiça do Rio de Janeiro determinou o recolhimento de livros da editora Revisão na Bienal do Livro por conta do conteúdo antissemita. Dois anos depois, a participação de Castan na Feira do Livro de Porto Alegre também gerou protestos e um embate judicial.

Foto colorida desbotada mostra policiais e manifestantes em estande de bienal

Protesto da organização nuances - Grupo pela Livre Expressão Sexual contra a editora Revisão na Feira do Livro de Porto Alegre, em 2000

 
 

As sucessivas derrotas na Justiça brasileira, em diferentes instâncias, geraram a proibição dos livros antissemitas da editora Revisão. Mas até hoje é possível comprar exemplares em sites de livrarias virtuais.

"Em 2004, pouco depois do julgamento, lembro que vi livros da editora Revisão na banca no aeroporto de Salvador", conta Adriana Dias. "Avisei a Polícia Federal, o dono da banca foi detido, obrigado a retirar os livros e a pagar uma multa. São livros com conteúdo falso sobre a história e não deveriam ser vendidos, mas qualquer pessoa pode achar hoje em livrarias na internet, infelizmente."

Governadora muda discurso

Na coletiva realizada na manhã de terça-feira, o repórter Fábio Bispo, do The Intercept Brasil, perguntou à governadora interina Daniela Reinehr se esta concordava "com as ideias neonazistas e negacionistas sobre o holocausto" de seu pai.

Daniela evitou responder diretamente à pergunta e disse que "me cabe, como filha, manter a relação familiar em harmonia, independente das diferenças de pensamento".

O caso ganhou as manchetes de vários veículos de imprensa e também comentários em redes sociais, criticando o que consideraram uma "passada de pano" em ideias nazistas. A repercussão negativa fez Daniela se pronunciar novamente na quinta-feira (29/10), desta vez em nota*, onde diz ser "contrária ao nazismo, assim como sou contrária a qualquer regime, sistema, conduta ou posicionamento que vá contra os direitos individuais, garantias de segurança ou contra a vida das pessoas".

A reportagem da BBC News Brasil questionou a governadora interina, através da assessoria de imprensa, se ela teria lido as obras da editora Revisão que o pai indicava aos alunos, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Foto no Instagram mostra Daniela ao lado de várias pessoas dentro de sala de aula, entre adultos e crianças, todos enfileirados olhando para foto

Postagem de março na conta de Daniela no Instagram mostra a governadora aparentemente ao lado do pai em visita à escola Nossa Senhora da Salete

 

'O Brasil não passou por uma desnazificação', diz pesquisadora

O assunto nazismo não chega ser novidade no Brasil, muito menos em Santa Catarina. Em sua pesquisa, Dias encontrou 334 células nazistas em atividade no Brasil, sendo 69 delas em Santa Catarina. A antropóloga diz que a eleição do presidente Jair Bolsonaro deu ainda mais espaço a esses grupos, que apregoam supremacia racial e religiosa.

"Há grandes semelhanças na forma como o nazismo usava a religião para controlar o povo e como o governo Bolsonaro usa as igrejas aqui. É inegável também que muitos grupos e pessoas perderam qualquer pudor em expor pensamentos antissemitas e preconceituosos. Há uma permissividade maior com esses atos", afirmou a pesquisadora.

Com 84% dos moradores se autodeclarando de cor branca, segundo o Censo 2010 — maior percentual do país — e com uma fatia significativa de descendentes de alemães vivendo em várias cidades —, partes de Santa Catarina parecem ser um terreno fértil para a circulação de ideais simpáticos ao nazismo.

Contatado pela BBC News Brasil via whatsapp, Odair Batistello, diretor da escola estadual Nossa Senhora da Salete, onde Reinehr lecionou, não quis dar entrevista, mas enviou um áudio dizendo que o professor Reinehr é "um dos ícones da escola e que mais se identificaram com a [escola] Salete".

Em Blumenau, cidade do Vale catarinense que se orgulha de suas origens germânicas, um dos candidatos a vereador nestas eleições é Wandercy Pugliesi, professor de história conhecido por ter uma suástica pintada na piscina de casa e por ter dado o nome de Adolf ao filho.

Para Adriana Dias, o país inteiro possui células nazistas por conta da falta de uma divulgação adequada dos crimes praticados pelo regime liderado por Hitler.

"A Alemanha passou por um processo de desnazificação após a guerra, mas o Brasil não. Aqui alguns jornais falavam bem do nazismo até o governo Vargas determinar a mudança de posição. Então, do dia pra noite, os brasileiros mudaram de lado. É por isso que o nazismo é punido com rigor na Alemanha e aqui é algo aceitável", afirma Dias.

A reportagem da BBC News Brasil não conseguiu contato com o professor aposentado Altair Reinehr.

A governadora do Estado, Daniela Reinehr, disse que deve realinhar sua gestão ao governo do presidente Jair Bolsonaro e que revisará decretos sobre a pandemia, focando na retomada econômica. "Minha fala sempre foi de prevenção, de cuidado, mas sem prejudicar o setor econômico", disse. "Nunca fui a favor da generalização do fecha tudo. Eu acredito que precisamos cuidar dos doentes de acordo com o quadro clínico de cada um."

ÍNTEGRA DA NOTA DA GOVERNADORA INTERINA DANIELA REINEHR:

Antes de mais nada é preciso declarar que sou contrária ao nazismo, assim como sou contrária a qualquer regime, sistema, conduta ou posicionamento que vá contra os direitos individuais, garantias de segurança ou contra a vida das pessoas, e sinceramente, pensei ter deixado isso claro quando fui questionada durante entrevista coletiva concedida na terça-feira (27/10), independente das palavras usadas. Consigo entender a reação das pessoas ante o posicionamento que me imputaram, e principalmente porque isso aconteceu de forma injusta, a partir de uma atitude antiética, que apresentou um vídeo editado, com uma pergunta alterada. Sou amiga de Israel e dos Judeus, e qualquer ilação contrária não corresponde com a verdade.

Daniela Cristina Reinehr Governadora Interina do Estado de Santa Catarina

Florianópolis, 29 de outubro de 2020.

19
Nov20

Primeira vereadora negra eleita em Joinville é vítima de racismo e ameaças de morte

Talis Andrade

Ana Lúcia Martins é a primeira vereadora negra eleita em Joinville

 

Professora e vereadora eleita Ana Lúcia Martins (PT) tem sofrido ameaças nas redes sociais de grupo ligado à Juventude Hitlerista. "A gente mata ela e entra o suplente, que é branco”

 

por Igor Carvalho /Brasil de Fato 

Depois de tornar-se a primeira vereadora negra eleita da história de Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, no último domingo (15), a professora Ana Lúcia Martins tem sofrido ameaças nas redes sociais. Em uma das mensagens, uma pessoa afirma: “Agora só falta a gente matar ela e entrar o suplente que é branco (sic)".

“Sabia que não seria fácil. Estava ciente de que enfrentaria uma certa resistência em uma cidade que elegeu apenas na segunda década do século 21 a primeira mulher negra. Só não esperava ataques tão violentos”, afirmou Martins, em suas redes sociais.

“Por meio de um perfil fake, recebi, por duas vezes, ameaças de morte, evidenciando que o problema central era eu ser a primeira mulher negra eleita da cidade. Esse perfil fake destila no Twitter todos os tipos de preconceitos e discriminações possíveis e, em diversas situações, deixa claro estar organizado com outras pessoas de Santa Catarina, em uma denominada ‘Juventude Hitlerista’”, denuncia Martins.

Ainda de acordo com a vereadora eleita, na noite de domingo (15), após a divulgação do resultado, suas redes sociais foram invadidas. Mais tarde, sua equipe recuperou as contas de Martins.

No texto em que ameaça a petista de morte, um fanático afirma, também, que "não há como comemorar uma petista no poder novamente em Joinville" e que o "PT não deveria existir mais". 

Histórico

Com 3.126 votos, a professora e servidora pública aposentada Ana Lúcia Martins foi eleita a primeira vereadora negra da história de Joinville. A eleição de Ana Lúcia também marca o retorno do PT de Joinville à Câmara de Vereadores, que não havia eleito parlamentares nas eleições municipais de 2016.

Ela foi a única vereadora eleita pelo PT na cidade. O partido disputou também a eleição majoritária com o candidato Francisco de Assis, que fez 10.495 votos. A cidade terá segundo turno, disputado entre o deputado federal Darci de Matos (PSD) e o empresário Adriano Silva (Novo).

CuritibaImage

Nota deste correspondente: Curitiba também elegeu sua primeira vereadora negra, a historiadora e ativista Ana Carolina Dartora, do PT. A candidata foi a terceira mais bem votada na capital do Paraná.

 

26
Out20

"A Bolívia venceu o golpe. É a América Latina se libertando"

Talis Andrade

Image

Presidente Lula:

A Bolívia venceu o Golpe e devolveu a democracia ao seu povo.
Hoje, o Chile derrubou a constituição do Ditador Pinochet (adorado pelo bozo).
Amanhã verei o Brasil derrotando o NeoNaziFascismo e celebrando em praça pública, como no Chile.
É a América Latina se libertando!
 

23
Jul20

A legislação brasileira não possui disposições claras e suficientes para o combate ao nazismo

Talis Andrade

vitor- nazismo.jpg

 

 

 

II - Plataformas facilitam a compra e a venda de artefatos nazistas no Brasil

Por Dani Ribeiro - Laísa de Morais - Stefhani Romanhuk / Plural

(Reportagem feita sob a supervisão do professor Helton Costa, do curso de Jornalismo da UniSecal, em Ponta Grossa, no Paraná.)

- - -

Lei n. 7.716/89

O advogado Leonardo Silva de Oliveira Bandeira, em artigo publicado em janeiro deste ano, falando sobre a redação da Lei n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, argumentou: “percebe-se que a legislação brasileira não possui disposições claras e suficientes para o combate ao nazismo. Urge a criação de uma lei própria cominando [prescrevendo] penas e abordando as mais diversas condutas de divulgação e enaltecimento do nazismo com a finalidade de propagar tal ideal bárbaro e ultrapassado”.

Enquanto a legislação brasileira se mostra vaga, na web, há um comércio livre para produtos desse tipo. Em alguns leilões, um item chega a ter lances de R$ 3 mil. Alguns tentam disfarçar, borrando ou escondendo a suástica. Outros são mais ousados e não disfarçam –  falam abertamente das referências nazistas e colocam até fotos dos donos anteriores com o intuito de valorizar os objetos. A reportagem acompanhou por mais de um ano as movimentações nesse submundo de itens históricos.

Uma coleção de selos nazistas à venda no Mercado Livre, a maior loja virtual de produtos novos e usados do Brasil, custava R$ 90 mil. O vendedor era de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Distintivos nazistas custavam algo entre R$ 600 e R$ 1,2 mil.

Um capacete alemão das tropas de elite Schutzstaffel, mais conhecidas como SS, responsáveis por dezenas de massacres contra civis na Europa, saía por R$ 900 por estar “em mal estado de conservação”.

Por R$ 3,8 mil, era possível comprar uma miniatura de Adolf Hitler, vendida sem mencionar o nome do “líder alemão”. O item lembrava um boneco de brinquedo, com a opção de mudar a cabeça para um Hitler calmo ou para um Hitler furioso.

Boneco de Hitler, como se fosse um brinquedo, vendido por R$ 3,8 mil.

Mercado Livre

Questionado sobre a vendas de objetos nazistas, o Mercado Livre disse que sua atividade principal é o marketplace, formato em que a empresa oferece a plataforma para que as pessoas vendam produtos e serviços. Mas, para fazer isso, os usuários precisam se cadastrar e aceitar os termos e condições de uso.

“A comercialização de objetos que incitem a violência ou discriminação, incluindo produtos que façam apologia ao nazismo, como imitações de venenos usados nas câmaras de gás durante o holocausto, é expressamente proibida na plataforma”, diz o comunicado da empresa.

“Vale ressaltar que 100% dos anúncios publicados no site possuem um botão de ‘Denúncia’, abaixo da publicação, no canto inferior direito, para que qualquer usuário possa apontar práticas irregulares”, segue a nota. “A companhia analisa as denúncias recebidas e remove  prontamente anúncios que violem seus termos e condições de uso, penalizando os vendedores conforme regras da plataforma.”

Alguns anunciantes de produtos citados nesta reportagem diziam não apoiar o nazismo, outros não diziam nada.

Leilões BR

No site da carioca Leilões BR, que trabalha com leilões virtuais, foram encontrados produtos com suástica sendo vendidos com valores entre R$ 3 e R$ 3 mil.

Em contato com a empresa, a mesma disse que não cabe a ela responder pelos produtos, uma vez que “apenas fornece sistemas para realização de leilões através da internet”.

“Não temos acesso ou ingerência sobre fotos e informações apresentadas para os lotes divulgados nos catálogos. Todo leilão é certificado por Leiloeiro Público Oficial, credenciado na Junta Comercial do respectivo estado, ao qual são informados todos os lotes que serão apregoados”, disse a Leilões BR.

No entanto, uma consulta às juntas comerciais do Rio de Janeiro e de Minas Gerais – dois dos três estados com o maior volume de produtos nazistas disponíveis para leilão – mostra que esse argumento “não procede”.

Panzer Militaria

O site especializado Panzer Militaria, de Timbó, em Santa Catarina, vende itens que vão de bustos de Hitler até bonés com símbolos da SS. A empresa não anuncia tais itens em seu perfil no Facebook, que proíbe esse tipo de propaganda.

Porém, em grupos fechados ou secretos dentro do próprio Facebook, não há a mesma censura, uma vez que, se ninguém denunciar a venda, apenas os membros conseguem ver o conteúdo. O mesmo ocorre em grupos de WhatsApp, um aplicativo do Facebook com comunicação criptografada.

“Sou descendente de alemães, meu avô foi sturmbannführer totenkopf SS [major da divisão ‘crânio’, da SS], possuo dezenas de suvenires e já vendi um punhal da hitlerjugend [juventude hitlerista] – estava precisando me capitalizar, na época – através da internet. Nem por isso saio argumentando a favor do antissemitismo, da intolerância racial e afins”, diz postagem em um dos grupos do Facebook

“Acho estranho que milhares de pessoas no mundo (incluindo jornalistas) confundam itens de guerra, que são história, com simpatizantes, necessariamente, do nazismo. Vamos parar com isso! Ridículo!”, comentou outro usuário no mesmo post. Ambos criticavam uma notícia que denunciava a venda de produtos nazistas pela web.

Rastreamento difícil

Para chegar aos vendedores, muitas vezes os produtos já passaram por vários donos, o que dificulta o rastreamento, conforme diz uma fonte que trabalha com leilões dessas peças e que pediu para não ser identificada.

Há ainda famílias que vendem objetos herdados de parentes que estiveram na Segunda Guerra. Nesse caso, segundo a fonte, é mais fácil conseguir documentos para atestar a autenticidade e conseguir um bom preço depois.

A mesma fonte explicou que há rotas pela Argentina, pela Ucrânia e pelos Estados Unidos, de onde é mais fácil importar e revender no Brasil. Em alguns poucos casos, os produtos vêm direto da Alemanha. Há ainda feiras especializadas em militaria – palavra que define os objetos relacionados ao mundo das forças armadas – em vários países europeus.

Quando se trata de réplicas de fardas, por exemplo, exportadores da China enviam para compradores brasileiros usando os Correios. Com a facilidade da internet, dependendo do produto e da origem, ele é entregue na casa do comprador, tanto pelos Correios, quanto por transportadoras privadas.

Um colecionador, que estuda militaria da Segunda Guerra Mundial e que pediu para não ser identificado, explica que boa parte do que vem de fora do país é falsificado. “Mas nem tudo o que é vendido vem de fonte ilícita. Muita coisa vem de famílias, excedentes de guerra etc. E o material da Ucrânia e dos Estados Unidos precisa ser olhado com atenção. Boa parte é falsa. Da Argentina, nem se fala”, diz.

Ministério Público

De acordo com juristas consultados pela reportagem, em caso de suspeita de desrespeito às leis, o Ministério Público pode pedir que os objetos vendidos na web sejam apreendidos, mesmo que não tenha sido instaurado um inquérito policial e, da mesma forma, pode pedir a instauração de inquérito.

Devem ser duas as discussões: a primeira sobre o uso, a utilização [desses objetos] – se para um viés educativo, se para apologia ou divulgação do nazismo, ou por mero colecionismo, por mais mórbido que seja. No caso de apologia, a questão envolve uma perspectiva jurídica. A segunda discussão é sobre a comercialização em si. No nosso entendimento, a simples compra e venda de tais reproduções numa plataforma aberta já é condenável do ponto de vista ético, já que dá margem àqueles que buscam a apologia e, consequentemente, agridem a memória das vítimas.”

Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto, em Curitiba.

Museu do Holocausto

A comercialização de objetos do período nazista, principalmente de filatelia e numismática, são comuns e do conhecimento do Museu do Holocausto, em Curitiba.

“É habitual à doação periódica, por parte de colecionadores, de selos e moedas ao acervo do museu. São conhecidas também as medalhas, broches e insígnias do mesmo período”, diz Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto, em Curitiba.

Reiss também reconhece a existência de um mercado de colecionadores e que, às vezes, pode haver simpatizantes nazistas nesse grupo.

“Para driblar os algoritmos desses sites, os vendedores normalmente omitem palavras-chave e apagam os símbolos nas fotografias – o que é outra discussão. O fato é que é difícil controlar esse comércio”, diz Reiss.

17
Jul20

Um nazi é nazi demais

Talis Andrade

 

O Brasil tem 349 células neonazistas, com sete mil integrantes. Eram cinco mil, no fim do ano passado. Se você contar os simpatizantes do movimento, o cálculo vai pra casa dos 500 mil

31
Dez19

Conheça o primeiro terrorista da sede do Porta dos Fundos

Talis Andrade

João Fellet 
Da BBC

 

eduardo fauzi porta dos fundos.jpg

Terrorista Eduardo Fauzi Richard Cerquise está foragido

 

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou nesta terça-feira (31/12) uma operação para tentar prender um dos suspeitos de atacar a sede da produtora do programa humorístico Porta dos Fundos, na semana passada.

O suspeito, identificado como Eduardo Fauzi Richard Cerquise, não foi encontrado e está foragido. Fauzi já foi condenado judicialmente por agredir um secretário municipal do Rio e tem vínculos com organizações integralistas, movimento político de inspiração fascista.
A polícia diz que a operação ocorreu em quatro endereços e apreendeu R$ 116 mil em dinheiro vivo, munição, computadores, um simulacro de arma e a camisa de uma "entidade filosófico-política".

Segundo informações do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Fauzi é filiado, desde 2001, ao Partido Social Liberal (PSL), sigla pela qual o presidente Jair Bolsonaro se elegeu - o presidente deixou a agremiação em novembro para tentar fundar seu próprio partido.

O ataque à produtora ocorreu após o Porta dos Fundos produzir um programa veiculado na plataforma Netflix chamado A Primeira Tentação de Cristo, no qual Jesus é retratado como gay.

Imagens de câmeras de segurança mostraram homens lançando coquetéis molotov contra a produtora. Após o ataque, os homens fugiram em um carro e uma moto. Havia um segurança no edifício, mas ele não se feriu.

No dia seguinte, um grupo autointitulado Comando Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira divulgou um vídeo reivindicando a autoria do ataque. A polícia investiga se o atentado foi articulado por algum grupo organizado.


Único sem capuz

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Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, o delegado titular da 10ª Delegacia de Polícia, Marco Aurélio de Paula Ribeiro, diz que a polícia monitorou os veículos usados no ataque. Ele afirma que, na fuga, o homem identificado como Eduardo Fauzi saiu do carro e pegou um táxi.
Segundo a polícia, Fauzi era o único membro do grupo que não usava capuz no momento do ataque, o que permitiu sua identificação.

Foi expedido um mandado de prisão temporária de 30 dias contra ele.
"Nenhuma linha de investigação está sendo descartada. Estamos apurando se é um ato isolado ou se há ligação com alguma entidade", disse o delegado.

Fauzi foi condenado em fevereiro deste ano a quatro anos de prisão após dar um soco no rosto do então secretário de Ordem Pública da Prefeitura do Rio, Alex Costa, em 2013.
A agressão, filmada por câmeras de TV, ocorreu durante uma operação de fechamento de estacionamentos irregulares na zona portuária do Rio. Fauzi era dono de um desses estacionamentos e fundou a Associação dos Guardadores Autônomos de Veículos São Miguel.

 

Em um post de 26 de dezembro, a ACCALE comenta o ataque ao Porta dos Fundos e diz não ter "nenhuma relação com o ocorrido".
"Afirmamos, ainda, que caso o vídeo seja autêntico, não será surpresa o ocorrido, pois o Porta dos Fundos atacou deliberadamente e de forma calculista os maiores e mais cultuados símbolos sagrados nacionais, entre eles a figura de Jesus Cristo. Ao fazer isso, o Porta dos Fundos se indispôs com milhões de brasileiros", diz o grupo.
O juiz autorizou Fauzi a permanecer em liberdade durante o julgamento dos recursos do processo.

Após a agressão, Fauzi deu uma entrevista ao canal do YouTube Linha de Frente Audiovisual na qual diz ter atacado o secretário em um momento de "cólera".
Ele disse na entrevista ser formado em economia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e ter militado no movimento estudantil, quando teria tido contato com "a luta diária dos guardadores de veículos".
Disse então ter se tornado ele próprio um guardador, profissão que, segundo ele, é regulamentada por lei federal e diferente do trabalho de flanelinha, este informal.

Segundo Fauzi, a operação da prefeitura que desapropriou seu estacionamento desrespeitou uma decisão judicial e um alvará que garantiam a manutenção do empreendimento. "Um ser humano, qualquer pessoa minimamente civilizada que tenha um nível de consciência política, que se considere um homem, um cidadão brasileiro, é tomado por uma cólera, por uma fúria que eventualmente extravasa", afirmou, ao justificar a agressão.

Laços com grupos integralistas

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Há várias menções a Fauzi em sites de grupos integralistas. Em setembro de 2018, uma nota no site Notícias do Sigma - A ação do Integralismo no Brasil e no Mundo apresenta Eduardo Fauzi como o novo presidente nacional da Frente Integralista Brasileira.
Fauzi também tem ligações com a ACCALE - Associação Cívica e Cultural Arcy Lopes Estrella. Em sua página no Facebook, o grupo se define como "uma associação nacionalista". "Não somos de esquerda, nem de direita, nem de centro. Buscamos boas ideias, venham de onde vierem. Não nos interessam as vias do progressismo ou do liberalismo. Nacionalismo, o único caminho!!!", diz a descrição do grupo.

Arcy Lopes Estrella (1917-2004), personagem que dá nome à associação, foi um dos principais militantes da Ação Integralista Brasileira (AIB), grupo com inspiração fascista que surfou na onda autoritária e nacionalista que varreu a Europa nos anos 1930.

A foto de capa da ACCALE no Facebook mostra uma foto do ex-deputado federal Enéas Carneiro, fundador do Prona (Partido de Reedificação da Ordem Nacional) e um dos ícones da extrema-direita brasileira.

Um post publicado pela ACCALE nesta terça-feira compara Enéas ao ator Gregório Duvivier, membro do Porta dos Fundos que interpretou Jesus no filme recente.
Enquanto Duvivier é apresentado no post como "maconheiro, filhinho de papai e humorista sem graça", Enéas é definido como "médico, professor, matemático, físico e escritor".

 

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