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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

07
Mar20

Jair Bolsonaro vai aos EUA fechar o acordo dos cassinos que o filho começou, e o embaixador da jogatina Ronaldinho é preso no Paraguai

Talis Andrade

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Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Roberto de Assis foram detidos e levados para o presídio na noite desta sexta-feira (6), no Paraguai. Os irmãos são investigados por uso de documentação falsa desde a quarta-feira (4) e, até então, estavam sob custódia no quarto de hotel em que estavam hospedados.

Também estão presos o empresário Wilmondes Sousa Lira, por falsificação de documentos, e as donas originais dos passaportes adulterados, María Isabel Gayoso y Esperanza Apolonia Caballero, cumprem prisão domiciliar.

Ronaldinho viajou a convite de Nelson Belotti, que é sócio de Danilo Gamba no Cassino “Il Palazzo”.

Gamba também é sócio da empresa CPA Assessorial Empresarial e chegou a ser recebido para reunião no gabinete do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), no dia 7 de agosto de 2019, às 10h30. A pauta da conversa foi de “assessoria empresarial em segurança cibernética”, segundo consta na agenda oficial.

Nelson Belotti é citado em vários processos da operação Lava Jato, do Petrolão a JBS, em operações com doleiro Alberto Youssef.

Ronaldinho e o irmão dizem que foram cumprir compromissos de publicidade no país. O ex-jogador é embaixador da casa de apostas Bectris -, e do governo Jair Bolsonaro.

Brasileiro para entrar no Paraguai não precisa apresentar passaporte. Por que Ronaldinho e irmão possuem documentos comprovando que são paraguaios de nascença?

Talvez Nelson Belotti e Danilo Gamba expliquem melhor. Inclusive a viagem do senador Flávio Bolsonaro a Las Vegas 

Escreve Luis Nassif:

Alguém consegue imaginar Jair Bolsonaro envolvido em qualquer tema politico ou econômico que não haja interesse direto do submundo da economia, do qual ele é representante.

A BBC supôs, usando para Bolsonaro a regra que cabe a todo presidente de país sério, que  se iria encontrar com políticos dos EUA, em sua próxima viagem, só poderia ser para tratar de temas de interesse dos políticos. E toca levantar os temas preferenciais de Rick Scott e Marco Rubio, dois dos políticos com os quais Bolsonaro irá se encontrar. Venezuela? Ceticismo climático?

Recentemente publiquei o “Xadrez de como os cassinos financiaram a ultradireita e negociam com os Bolsonaro”, mostrando como o lobby dos cassinos americanos estava entrando no Brasil através do representante comercial dos Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, negociando com Sheldon Adelson, o cappo maior dos cassinos de Las Vegas.

Vamos conferir agora que são os políticos que se encontrarão com Bolsonaro.

Rubio já foi candidato a candidato à presidência da República pelo Partido Republicano em 2015. Sua participação em um dos debates foi curiosa.

Jed Bush Jr atacou Donald Trump, acusando-o de ter feito doações para sua campanha para governador porque tinha interesse em aprovar o funcionamento dos cassinos na Flórida. Era uma acusação pesada, da qual outros candidatos poderiam se valer para enfraquecer Trump. Mas Rubio calado, e sua assessoria alegou que ele não quis se envolver porque, afinal, os candidatos citados já estavam despencando nas pesquisas.

The Guardian matou a charada. Ambos, Jed Bush e Rubio, disputavam as doações de campanha de Sheldon Adelson, o bilionário que está tratando com Flávio Bolsonaro a abertura dos cassinos no Brasil. Segundo The Guardian, Rubio conseguiu a maior parte das doações de Adelson por ter defendido grande parte de suas demandas, os cassinos e o lobby de Israel. Adelson estaria preparando uma doação multimilionária para a ONG Conservative Solutions Project, pro-Rubio.

Já Rick Scott foi governador da Florida. 13 dias após ter sido eleito, em 2013, ele estava em Las Vegas se encontrando com Sheldon Adelson. Na volta instruiu sua equipe a trabalhar na legislação do cassino.

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05
Mar20

Ronaldinho, embaixador do turismo e liberação dos cassinos de Bolsonaro, preso no Paraguai

Talis Andrade

Policías y militares escoltaron ayer al exjugador durante su arribo al país.

Policiais e militares escoltaram Ronaldinho

 

 

Polícia do Paraguai deteve o ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e um dos irmãos dele devido ao ingresso de ambos no país com passaportes falsos. Os documentos se encontravam em um quarto do Hotel Yacht Golf Club de Assunção, onde se hospedavam os brasileiros.

Promotoria do Paraguai confirmou que seus agentes identificaram vários documentos, entre eles identidades e passaportes do ex-jogador e seu irmão. Portanto, uma investigação sobre o ocorrido foi iniciada.

Dado falso: Ronaldinho com nacionalidade paraguaia 

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Acreditam que Ronaldinho foi tratar de parcerias para liberação e regulação de cassinos no Brasil neste ano de 2020. Há promessa presidencial de Jair Bolsonaro.

Publica Cassinos Brasil: Segundo entrevistas e declarações publicadas no site Games Magazine Brazil, existem duas datas estimadas para o esperado dia. Segundo o Subsecretário de Prêmios e Sorteios do Ministério da Economia, Waldir Eustáquio Marques Júnior, em entrevista com Valor Econômico, o governo brasileiro apresentará em março a regulamentação definitiva sobre apostas esportivas.

Já, segundo o mesmo site, no dia 28 do mês de janeiro desse 2020, o filho de Bolsonaro, Flávio, após uma viagem para Las Vegas com motivações turísticas, Flávio Bolsonaro acredita convencer a bancada evangélica para legalizar os cassinos. No entanto, seu pai, o presidente eleito do Brasil já foi criticado também por ter jogado Mega sena. Segundo GMB:

“No último dia 26, o presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio do Alvorada, em comitiva oficial, para apostar na Mega-Sena da Virada. Porém a foto do presidente sorrindo, na casa lotérica, repercutiu negativamente entre evangélicos mais conservadores. A Igreja não vê com bons olhos por ser considerada um “jogo de azar”, segundo informa Constança Rezende, colunista do UOL em Brasília, no seu artigo “Atitudes opõem Bolsonaro a evangélicos; líderes não o consideram membro”.

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Ronaldinho, dois passaportes

 

Liberação de cassinos pode arrecadar 15 bilhões

Segundo o projeto em questão, isto é, aquele proposto pelo diputado Azi, uma das consequências positivas anunciadas é essa cifra em arrecadação de impostos. No entanto, a única forma desse montante de arrecadação acontecer é o projeto focado no mundo do cassino, realmente ser funcional, fato que é questionado pois apostas foram equiparadas com lotérica. Partindo dessa base, os resultados não seriam os mais adequados. A liberação de cassinos somente foi o primeiro passo, para termos realmente uma contraparte legal no Brasil, é necessária a aprovação de um texto regulatório. Mas vamos com calma.Ronaldo de Assis Moreira “Ronaldinho” (d) y su hermano Roberto de Assis (i).

Ronaldo de Assis Moreira, "Ronaldinho', e seu irmão Roberto de Assis na sede da Delegacia Contra o Crime Organizado

 

Contextos

O debate sobre a regularização de cassinos no Brasil se confunde com a liberação de jogos de azar, proibidos em 1946, pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra. Isso porque em meio a efervescência da jogatina da época, o líder da nação resolveu, sob o argumento de preservar a tradição moral, jurídica e religiosa do povo brasileiro, tornar a prática dos jogos uma forma de transgressão a lei. Com isso também foram punidos os cassinos, já que estes eram os locais onde os jogos funcionavam. E isso fica evidente quando se conhecem as penas previstas para os envolvidos, alvo principal da proibição está nos estabelecimentos.

  • A lei penal estabelece um ano de prisão e multa de até 200 mil reais para quem explora jogos de azar, e para quem frauda resultado ou pagamento de prêmio, a detenção é de 2 anos;
  • Ainda assim no decorrer dos mais de 70 anos de ilegalidade dos cassinos, houve tentativas de trazer de volta alguns dos jogos de azar, como os bingos comerciais, que foi reintroduzindo ao mundo legal em 1993, através da Zico, como o objetivo de financiar entidades desportivas;
  • Em 1998, a regra foi ajustada pela Lei Pelé. Dois anos mais tarde, no entanto, a lei voltou a proibir.

    A Liberação de cassinos vai sair?

    Em 2019, o tema voltou a rondar a política brasileira, com a pressão do Centrão, grupo que reúne cerca de 200 dos 513 deputados federais, sobre o poder executivo para apoiar o projeto e mudar a lei federal legalizando os jogos de azar. O argumento maior é de que a prática dos jogos aumentará a arrecadação, a geração de empregos e a liberdade para as pessoas se divertirem como quiserem.

    Enquanto isso, a bancada evangélica, que agrupa quase 200 deputados de diversos partidos, alega o impacto que a legalização terá na família de pessoas viciadas. Além do surgimento de novos vícios. Diante dessa resistência, o poder executivo aponta para uma possibilidade que não era considerada até então: repassar aos estados a decisão sobre a regulamentação dos jogos de azar, por meio de uma medida federal que liberaria a prática.

    Essa decisão reconhece, principalmente, a divergência que o assunto causa, além da barreira quase intransponível imposta pela bancada da igreja. E essa postura não vem somente de líderes religiosos pentecostais. A igreja católica publicou nota condenando a legalização. Segundo texto da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), “a ideia de legalizar cassinos para aquecer a economia segue a linha de raciocínio de que “os fins justificam os meios.

     

    Liberação de cassinos: o que diz o projeto

    Existe um projeto do deputado Ciro Nogueira, apresentado em 2016 que propõe legalizar os jogos de azar proibidos em 1946. Dentre eles o bingo, o jogo de carteado, o pôquer e o blackjack, além de qualquer modalidade de jogo eletrônico. As práticas seriam permitidas em espaços físicos e online, desde que as empresas do setor tenham sede no Brasil.

Veja a liberação de cassinos hoje

Depois disso, no entanto, foi apensada à PL uma proposta do deputado Paulo Azi. Essa proposta autoriza a exploração de jogos somente em cassinos localizados em resorts. Essa proposta limita o número de licenças para cada cidade, conforme a quantidade de habitantes do município. Esssa proposta foi levada por Flávio Bolsonaro nessa recente viagem para Las Vegas. E, após a qual, assegura ter achado argumentos suficientes para convencer a bancada evangélica.

Segundo GMB:

“A comitiva brasileira liderada pelo senador Flávio Bolsonaro foi recebida no primeiro dia em Las Vegas por Rob Goldstein, CEO do Grupo LVS, do magnata Sheldon Adelson. “O Brasil é o interesse número 1 do Las Vegas Sands para investir US$ 15 bilhões ainda em 2020, basta que regulemos o assunto para que tenham transparência e segurança jurídica”, tinha dito o filho do presidente.”

Conclusão

Certamente, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, pastor licenciado da Igreja Universal, defende o estabelecimento de um cassino no Porto do Rio de Janeiro. Sheldon já manteve reuniões com Crivella por conta de um cassino na capital carioca, para a prática de jogos por turistas. E, é claro, a consequente arrecadação para o município. Ele defende que somente turistas possam frequentar o ambiente, liberando para brasileiros, apenas após regulamentação e análise dos impactos.

Outra informação a considerar é que já existem grandes empresários do ramo. Inclusive, magnatas de cassinos de Las Vegas como Sheldon, sondando o resultado do projeto para investir no país. Os investimentos vão para 15 bilhões em cassinos, caso seja legalizado. Independentemente do que venha a acontecer, essa perspectiva é algo precária, embora o resultado, por outro lado, somente será conhecido no futuro.

Por enquanto, resta acompanhar o desenvolvimento dos debates. E que, caso ocorra a concretização das regulações, exista a possibilidade de corrigi-la para nao prejudicar irreversivelmente ao mercado. Pois, já foi comparada com o modelo lusitano por conta do presidente da  ABAESP. E, ao mesmo tempo, avisado pelo empresário português, e CEO da Estoril Sol Digital, Rui Magalhães.

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A ficha-suja de Ronaldinho

Euclides Acevedo, ministro do Interior do Paraguai, explicou que o Departamento de Identificações percebeu que os passaportes não apareciam no sistema. Imediatamente, o Departamento de Migrações do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Luque, região metropolitana de Assunção foi informado, mas os brasileiros passaram pelos controles.

Em janeiro de 2019, Ronaldinho e seu irmão Roberto tiveram os seus passaportes apreendidos após decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que condenou, em fevereiro de 2015, os irmãos a pagarem uma indenização por causarem danos numa área de preservação ambiental na orla do rio Guaíba, em Porto Alegre. Em outubro de 2019, a multa de 8,5 milhões de reais foi renegociada a 6 milhões e Ronaldinho pôde recuperar o seu passaporte.

Em fevereiro passado, o ex-craque tornou-se réu numa ação civil coletiva por danos morais e materiais devido à sua ligação com a empresa 18kRonaldinho que bloqueou o dinheiro de clientes que investiram nas suas campanhas. A ação é movida pelo Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec) que identificou 150 pessoas lesadas dentro e fora do Brasil.

Apesar dos escândalos, o governo Bolsonaro, através da Agência Brasileira de Turismo (Embratur) nomeou o ex-jogador como embaixador do turismo brasileiro.

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