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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

14
Jan24

Os cajus de Navarro

Talis Andrade

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por Woden Madruga

Na gaveta dos papéis desarrumados encontro três joinhas. São cartas (cartinhas, não chegando a 20 linhas, cada) de Newton Navarro, poeta e pintor; de Sanderson Negreiros, poeta e cronista; e de Celso da Silveira, poeta e ator. A de Navarro já passou dos 50 anos, lá se vai meio século. Foi escrita em 1971, nem se pensava na ponte.  Vai na íntegra:

“Natal, 16 de dezembro de 1971

Meu caro Woden:

Sua coluna, como de sempre, que acolhida deu aos meus desenhos expostos em Brasília! Lembra assim, copa larga de cajueiros da Redinha, onde os amigos se reúnem sempre e se faz ainda piquenique com cachaça, lembranças e suculentos cajús daqueles, ainda de folhas cor de vinho, do poeta Cardozo…

Quero lhe agradecer, com todo o sentimento de amizade, a maneira fraternal com que você me acolheu na sua secção do velho jornal, onde sempre encontrei pouso para minhas crônicas, também pudera! Venho da fundação do jornal.

Por mim, agradeço a quantos fazem Tribuna do Norte, pelas notas dadas a respeito da exposição de desenhos. Reparto o sabor da vitória conseguida com os amigos e com isto me sinto compensado.

Seu amigo de sempre

Newton Navarro”

A carta-bilhete de Sanderson Negreiros não está datada, mas deve ter sido coisa dos anos de 1990. Vamos lê-la:

“Caro WM

No bilhete que publiquei em sua coluna, domingo passado, a revisão mudou a expressão, lá escrita, de “modernos Catões”, com C de cadeira, para “modernos gatões”. Catão, como você sabe, foi aquele personagem, na Roma imperial, que dedurava todo mundo sem olhar para os próprios defeitos. E para terminar a história toda: enfatizei a injustiça a injustiça cometido comigo, menos por mim, e mais para defender a classe nossa, de professores, que tempos sido alvo e saco de pancada por todos os erros que têm sido cometidos na Universidade.

O professor paga tudo… Falta-nos sentido de solidariedade. A classe só se une em torno de temas ideológicos, quando se une. Não temos o chamado “espírito de corpo”. Atenção, revisão: não vá botar “espírito de porco”. Por hora, é só, além do efeito estufa que está causando calor demasiado.

Do amigo, 

Sanderson Negreiros”

Agora, a carta de Celso da Silveira:

“Natal, 28.06.92

Caro Woden:

Pelo Jornal de WM estou sabendo da mudança da Confeitaria Atheneu e da festa de despedida da confraria que a frequenta, nesta quarta-feira.

Por volta de 1958, um grupo de jornalistas, universitários e intelectuais fez do local a sede da Confraria dos Gatos Pretos, com o lema: “À Noite Todos os Gatos São Pardos”, reunindo, uma vez no mês, nos altos do 1º andar, figuras como Hélio Vasconcelos, Varela Barca, Moacyr de Góes, Serquiz Farkatt, Expedito Silva, Chagas de Oliveira, Newton Navarro, eu e outros.

O material serviu-me para uma reportagem na “Folha da Tarde”, do finado Djalma Maranhão – guru do grupo. Lembro o episódio para conclamar, por seu intermédio, os “gatos” sobreviventes do tornado existencial, a comparecerem a essa festa, em solidariedade aos nossos amigos que hoje ocupam o espaço. 

Abraço de

Celso da Silveira”

14
Jan24

Djalma Maranhão

Talis Andrade
Ex-prefeito de Natal, Djalma Maranhão foi deposto em 1964 pelo regime militar (Foto: Roberto Monte/www.dhnet.org.br)
Djalma Maranhão com o ex-presidente Café Filho.
Foto Roberto Monte
 
 
por Woden Madruga
 
 

Lembrando que amanhã, 27, segunda-feira, noite de lua cheia, é o aniversário de nascimento de Djalma Maranhão (Natal, 1915), um grande potiguar, um grande brasileiro. Professor de Educação Física, jornalista, político, deputado estadual e federal, prefeito de Natal por dois mandatos, realizando uma das administrações mais importantes da história natalense[CdM1] [CdM2] [CdM3] , investindo principalmente em Educação (“De pé no chão também se aprende a ler”) e Cultura, destaque para os terreiros do folclore. Como jornalista fundou vários jornais, entre eles o Diário de Natal, idos de 1939, quando tinha 24 anos.

Na ditadura militar de 1964 Djalma teve o seu mandato de prefeito cassado. Foi deposto e preso. Posto em liberdade por decisão unânime do Supremo Tribunal Federal, Djalma exilou-se no Uruguai, onde faleceria em 30 de julho de 1971, aos 56 anos de idade. Seu corpo foi transportado para Natal e sepultado no Cemitério do Alecrim.

Na estante pego o livro-álbum “Djalma Maranhão 100 Anos – Uma Fotografia”, organizado por Giovanni Sérgio Rêgo e Adriano de Souza. São 268 páginas, contendo 237 fotos. Uma obra importante que permite se fazer um rico passeio pela história potiguar, principalmente pelos caminhos da aldeia natalense. Fiquei todo ancho quando me vi numa dessas fotos. Foi numa solenidade (todos de paletó e gravata) no palco do Aero Clube: Djalma Maranhão discursando diante do microfone, ao lado o dr. Gentil Ferreira de Souza, presidente do clube (também ex-prefeito de Natal), e o seu famoso mordomo Boquinha. Do outro lado, o jurista dr. João Medeiros Filho e este escriba, que à época, final dos anos 50 começo dos 60, fazia parte da diretoria do Aero. Faz tempo e dá muitas saudades daqueles tempos.

Volto à estante e pego o livro “Cartas de um exilado”, publicado pela Editora Clima, em 1984. Além das cartas de Djalma endereçadas a familiares e amigos, tem um poema (não concluído) que ele escreveu no exílio com o título “Evocação de Natal”, que deveria ser lido em todas as escolas e lembrado em todas as rodas natalense. Em homenagem à sua memória, transcrevo alguns versos:

“Não te esquecerei, Natal,/ Os olhos do sol transpondo as dunas/ Iluminando a cidade,/ Que dormiu embalada/ Pelo sussurro das águas do Potengi./ Jerônimo, o que plantou o marco de tua fundação;/ Poti, o teu guerreiro nativista,/ Que nasceu ali em Igapó, antiga Aldeia Velha, / Brasil Colônia, Brasil Império./ Pedro Velho, teu grande chefe republicano.”

“Não te esquecerei Natal! / No lirismo dos teus poetas;/ O quase bárbaro Itajubá/ E o quase gênio Otoniel/ E também o alucinado Milton Siqueira,/ Jorge Fernandes esbanjando poesia/ Na mesa de um bar/ Era a imagem viva de um Verlaine./ A projeção dos teus intelectuais, / Que tem em Câmara Cascudo / Um nome regional com ressonância internacional;/ A tradição literária dos Wanderley, / Revivendo a tua boemia./ O saxofone de Tibiro./ Os violões de Heronides, Macrino, os irmãos Lucas./ Tuas modinhas – “Praieira dos Meus Amores” – / Deolindo, Cavalcanti Grande, Ávila, Carlos Siqueira, / Vitoriano, Jaime, Pedrinho, Saturnino,/ Jaime declamando sua poesia./ Tuas serenatas e Evaristo de Souza,/ O teu último grande boêmio.”

“Não te esquecerei, Natal! / Na tradição de tua Igreja, / A humildade de João Maria/ E a bondade do monsenhor Pegado,/ A cultura do Padre Monte/ E os sermões de Luís Wanderley, / A vocação social das irmãs Vitória, Gonzaga, Rosali,/ E também os ingênuos poemas de Dom Marcolino;/ Dom José Pereira, o célebre fundador do teu Arcebispado./ Anoto para o futuro as lutas de hoje/ Dos jovens sacerdotes/ Plasmados por Dom Eugênio e Dom Nivaldo, / Para os duros embates sociais,/ Na fidelidade às Encíclicas de João XXIII,/ Herdeiros do sacrifício de Frei Miguelinho.”

“Não te esquecerei, Natal! / A tua jovem Universidade, / Herdeira das tradições do velho Ateneu:/ João Tibúrcio, Torres, Celestino,/ Severino Bezerra, Clementino, Seu Emídio./ A tua Escola Doméstica/ Iniciativa inesquecível de Henrique Castriciano./ Centro altamente refinado de ensino./ E a Campanha de Pé no Chão Também se Aprende a Ler/ Ferramenta indestrutível de uma geração/ Que teima, deseja e atingirá/ As fontes do saber e da cultura,/ Quando um dia o ensino não for um privilégio.”

“Não te esquecerei, Natal! / O austero Forte dos Reis Magos/ Com os velhos canhões de fogo morto,/ A ponte metálica de Igapó,/ A alegre pensão de Maria Boa, / Onde uma geração se iniciou nos segredos do amor./ A Peixada da Comadre, no Canto do Mangue,/ E a Caranguejada do Arnaldo, / A Feira do Alecrim e o seu Clube do Sarapatel,/Os cegos tocando viola,/ A Carne Assada do Lira e do Marinho,/ Batidas de Maracujá nas baiucas da Quarentena,/ Cerveja bem geladinha no Carneirinho de Ouro/ E o café sempre requentado no Bar Quitandinha.”

“Não te esquecerei, Natal! ” [publicado in 25 nov 2023]

07
Nov23

Gaza está se tornando "cemitério para crianças", diz secretário-geral da ONU

Talis Andrade
Um padre realiza uma cerimônia na véspera de Natal enquanto as pessoas rezam em frente a uma parede decorada com cores vivas que retrata cenas cristãs dentro da Igreja Católica da Sagrada Família, na cidade de Gaza, em 24 de dezembro de 2018

ANADOLU AGENCY / GETTY IMAGES.  Fiéis participam de missa de Natal na Igreja Católica da Sagrada Família, na cidade de Gaza, em 24 de dezembro de 2018

 

O brutal impacto do conflito entre Israel e Hamas nas crianças de Gaza

Netanyahu vai parar o massacre dos inocentes antes do Natal, dia que os cristãos festejam o nascimento do Messias? De Jesus?

Com imagens pertubadoras, BBC News publica reportagem que informa:

Crianças da Faixa de Gaza têm sido as principais vítimas do conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas.

As crianças são cerca de 40% do total de mortos no território. Leia aqui 

Reportagem de Dalia Haidar, no BBC Newz, apresenta "Quem são os cristãos de Gaza, agora abrigados em duas igrejas, uma delas já bombardeada. Leia aqui 

 

 

Netanyahu o rei Herodes e a matança

dos pequenos inocentes

Antes do Natal 

 

Por Oussama El Ghaouri - Rádio Nacional - Brasília

O secretário-geral das Nações Unidas, Antônio Guterres, disse nesta segunda-feira (6) que a Faixa de Gaza está se tornando um cemitério para crianças.

A madrugada foi de fortes bombardeios em Gaza. O território passou a noite sem internet. Mas os poucos relatos que chegaram são de que foi o ataque mais intenso desde o início da guerra.

Na manhã desta segunda-feira, sobreviventes procuravam por mortos e feridos nos escombros no campo de refugiados de Maghazi. O hospital Al-Shifa, o maior da Faixa de Gaza também foi atingido. Segundo um funcionário das Nações Unidas, 200 pessoas morreram na noite de domingo no ataque ao hospital.

O Al-Shifa abriga no momento cerca de 50 mil civis que foram desalojados. Israel ordenou a evacuação do local. Mas a população diz que não tem pra onde ir.

O exército de Israel anunciou que concluiu o cerco à cidade de Gaza, no norte. E que dividiu a Faixa de Gaza em duas. Há agora apenas um corredor que separa o norte do sul do território. Por ele, civis podem ir em direção ao sul. O lado norte é onde os ataques estão mais intensos. Mas o sul também não é seguro. A cidade de Khan Younis, onde estão muitos dos que aguardam para sair de Gaza, também foi atingida hoje.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, mais de 10 mil civis foram mortos desde o início do conflito. Israel e os Estados Unidos contestam os números. Mas a Organização Mundial de Saúde diz que é provável que ele seja real. Hoje o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, voltou a pedir cessar- fogo. Ele afirmou que as operações terrestres das Forças de Defesa de Israel atingem civis, hospitais, campos de refugiados, igrejas e instalações da ONU - incluindo abrigos. E que Gaza se tornou um cemitério para crianças.

Guterres também criticou o Hamas e disse que o grupo usa civis como escudo e segue lançando foguetes contra Israel.

Herodes, o Grande, e a matança dos pequenos inocentes: quem é grande e quem é pequeno?

 

Aleteia Brasil

“Mas ele não consegue matar Jesus”

Na juventude, ele matou Malic, o homem que tinha envenenado o seu pai. Ele prendeu o próprio irmão, Fasael, que, levado pelo desespero, acabou se suicidando. Ele matou a própria esposa, Mariamne I, e, alguns anos mais tarde, matou também os dois filhos que tinha tido com ela, Alexandre e Aristóbulo. Cinco dias antes de morrer, ele ainda mandou executar mais um filho, Antípatro, nascido de Dóris, que tinha sido outra das suas esposas.

Ele mandou construir obras à altura do que considerava a sua “grandeza”. Dedicou dez anos à reconstrução do Templo de Jerusalém, aquele mesmo templo a respeito do qual, certa vez, disseram fascinados os discípulos de Cristo: “Olha, Mestre, que pedras e que construções!” (Mc 13,1). Mas nenhuma pedra restou sobre pedra quando o templo, feito por mãos humanas, foi destruído na guerra judaica de 67-70 d.C.

E não foi só o templo ao Deus dos judeus que ele mandou construir. Ele também ordenou a edificação de templos pagãos, inclusive em honra do “divino Augusto”, o imperador romano. Ele fez em Jerusalém um teatro e um anfiteatro. Depois de reformar a fortaleza dos macabeus, ele mudou seu nome para Fortaleza Antônia, em bajulação ao seu protetor romano, Marco Antônio. Ele mandou edificar um magnífico palácio real ao noroeste da cidade. Ele revitalizou a cidade de Samaria, que rebatizou como Sebaste em bajulação a Augusto – porque Sebastos é o termo original grego para o latinizado Augustus. Ele mandou construir o palácio-fortaleza Haerodium, ao sul de Belém. Ele fez levantar Cesareia Marítima, a nova capital, na costa do Mar Mediterrâneo.

Ele se sentava ao trono de uma corte pagã que em muito sobrepujava todas as outras do Oriente em podridão e obscenidade.

Ele queria ser um dos “grandes” da história.

E a história, sempre disposta a bajular de alguma forma os humanamente poderosos, lhe concedeu o título tão obsessivamente desejado.

 

Ele é Herodes, o Grande.

Mas Herodes, o Grande, ficou, certo dia, profundamente perturbado (cf. Mt 2,3).

É que alguns magos lhe tinham anunciado que havia nascido o “Rei dos judeus”. E a suposta “grandeza” de Herodes, daquele momento em diante, se apequenou ainda mais até ficar do tamanho de uma única e determinante preocupação: “Quem era esse que poderia derrubá-lo do trono?”.

O grito de alarme latejava em sua mente doentia e fez a sua desumanidade conceber mais um monstro: se o “Rei dos judeus” tinha nascido havia pouco tempo, não poderia ter mais de um ano de idade. Talvez um ano e meio. Como identificá-lo? Não precisava identificá-lo. Bastava destruí-lo, quem quer que fosse. Bastava exterminar todas as crianças de até dois anos de idade.

E Herodes, o Grande, o fez.

***

Passou-se o tempo.

Depois de seis meses de uma enfermidade cruel e devastadora, imune às “grandezas” dos homens e acompanhada por um cortejo de vermes que já em vida lhe corroíam o corpo, morre em Jericó o rei Herodes, o Grande.

Flávio Josefo, o célebre historiador daqueles tempos, relata que o funeral do “grande” rei foi do máximo esplendor: seu cadáver, apodrecido em todos os sentidos, jazia sobre uma liteira de ouro, cravejada de pérolas e pedras preciosas de várias cores, recoberta de um manto púrpura; também o morto vestia púrpura e uma tiara à qual se sobrepunha uma coroa de ouro; à sua direita jazia o cetro.

Mas os seis meses de agonia dolorosa não tinham acendido na alma cruel daquele rei nenhuma centelha de consciência. Longe disso: Herodes, o Grande, ainda maquinou sua barbaridade derradeira e deu ordens à irmã, Salomé, para prender todos os nobres do reino em Jericó para serem executados no mesmo instante em que ele morresse.

Segundo Flávio Josefo, Herodes teria dito a Salomé: “Sei que os judeus festejarão a minha morte. No entanto, ainda posso ser chorado por outras razões e ter um funeral esplêndido se vós seguirdes minhas orientações. Esses homens que estão presos, quando eu expirar, matai-os todos, depois de rodeá-los de soldados, para que todos na Judeia e todas as famílias, mesmo não querendo, derramem lágrimas por mim”.

Salomé, felizmente, desobedeceu e libertou os prisioneiros após a morte do “Grande” irmão.

A tragédia arquitetada pelos “Grandes” da história, porém, nunca terminou. De “Grande” em “Grande”, a chacina dos inocentes continua até o nosso tempo, muito embora também prossigam as grandiosas construções voltadas a aumentar a aparência de grandeza da nossa civilização e do seu poderio material. Entre as faraônicas e mirabolantes obras que a grandeza humana não cessa de incrementar, permanece vivo Herodes, o Grande, na violência, na corrupção, na promiscuidade, no assassinato, na guerra, na exploração, na fome e, muito significativamente, no extermínio voluntário e implacável dos pequenos inocentes. Herodes vive.

 

Mas ele não consegue matar Jesus.

Não consegue porque, hoje como ontem, mesmo no meio da mais densa das noites, Deus sempre manda anjos a milhares de Josés que ainda ouvem seus conselhos e se dispõem, com prontidão, a renunciar a tudo a fim de salvar a vida dos pequenos e inocentes.

Josés sonhadores, talvez, aos olhos dos homens. Mas muito despertos aos olhos de Deus.

27
Dez22

Minha cartinha ao Papai Noel! Por menos néscios, Bom Velhinho!

Talis Andrade

Quando digo que o ensino jurídico fracassou, eis um exemplo peremptório: “Advogado vai ao TSE contra diplomação alegando que Lula drogou eleitores

 
por Lenio Luiz Streck

Sou Lenio Streck. Avô do Santiago e do Caetano. Professor universitário, constitucionalista, advogado sócio de Streck & Trindade Advogados, fui procurador de Justiça do Rio Grande do Sul durante 28 anos e, vejam só, fui também goleiro. Porteiro. Goalkeeper. Guarda valas. Quase um Dibu Martínez na final da Copa, dizem as boas línguas.

Sempre gostei de futebol. Tenho diploma de comentarista de futebol (fui orador da minha turma de formatura). Não por menos, quando criança, na minha Agudo, pedia ao Weihnachtsmann, o Bom Velhinho (ou não), que me trouxesse uma bola e uma camiseta de goleiro. Um cético daria de ombros: Papai Noel não existe; não para uma criança que, de tão pobre, odiava férias (férias significa ficar em casa; ficar em casa significa trabalhar — e trabalho vem de tripalium, instrumento de tortura). É óbvio que Papai Noel não vem, embora até hoje façamos a árvore de Natal.

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Um pouco de futebol!!!! O talento venceu!!!
 

 

Ou será que vem? Não sei. Fato é que eu fui goleiro. Com a bola, a camisa, e até as luvas, que nem imaginava à época. Abaixo, duas fotos: a primeira, de 1974, jogando no Avenida; a segunda, de 2017, no Prerrô F.C., time de advogados no jogo contra o Politeama, do Chico Buarque. (A primeira imagem mostra que as boas línguas têm razão...!)

Pois é. Será que foi o velho Santa Claus quem me deu as luvas e camiseta? Coincidência ou espírito de Natal?

Não sei. O que sei é que sou um incorrigível otimista metodológico. Ajo sempre "como se". Pudera: estou já há três décadas lutando contra os predadores do Direito. Já perdi muitas, e continuo aqui.

Stoic mujic. Eis o meu lema. Cair e levantar.

Sigo. E hoje, como já se tornou tradição aos finais de ano, divulgo, aqui na Senso Incomum, minha carta para o Weihnachtsmann, que era como chamamos o Papai Noel em terras de colonização alemã.

Eu tinha de recitar a seguinte "oração": "Ich bin Klein, mein Herz ist rein, Darf niemand drin wohnen als Jesus allein" ("sou pequeno, meu coração é puro, nele não deve morar ninguém, a não ser Jesus"). Sem pieguice, mas, repetindo isso agora, uma lágrima me pega desprevenido.

Isso é como ler O Grande Inquisidor: quando chega na parte em que Jesus beija seu algoz, é impossível chegar ao final sem me emocionar. Meus alunos, e quem me viu em palestras tentando contar, sabem do que falo. Não há como segurar as lágrimas quando elas vêm sem convite.

Celebrando o Natal que se aproxima. Pois é... muito embora alguns pensem que eu seja rabugento, por estar aqui na ConJur brigando toda quinta-feira contra o subjetivismo e o emotivismo, não sou nenhum Scrooge — falo do personagem de Dickens que odiava o Natal.

Eis, pois, minha carta ao Velho Noel.

Papai Noel, meu primeiro pedido é que as pessoas leiam textos com mais de quinze linhas (o que inclui este).

Você bem sabe, as coisas aqui no direito brasileiro não têm sido fáceis. Ameaças de golpe de estado quase todos os dias. Dureza. Papai Noel, passe a varinha nessa gente que fica, pateticamente, pedindo golpe e AI-5. Quem pede golpe de estado nunca teve ninguém preso pela ditadura. Eu tive. Papai Noel sabe. Várias vezes contei isso, pedindo para ajudar minha família. Afinal, é o que eles mesmos estão pedindo, pois não? Estou sendo generoso, pois!

Papai Noel, como tem tanta gente falando mal da Constituição e querendo destruir até cláusula pétrea, ajude-me na fundação do movimento salvacionista chamado Unfucking the Constitution (só posso dizer o nome em inglês porque me recuso a dizer palavrões). Ou em francês: Défornication de la Constitution. Já que tem tanta gente querendo fazer o contrário...

Antes que seja tarde demais. Sim, Pai Natal, ajude-me a fazer esse contramovimento. Alguns pedidos têm muito a ver com isso, meu caro Noel. Não quero uma Constituição nova. Pelo contrário. Só peço pra salvar a velhinha, surrada, que fez tão bem... se se dessem conta do bem que fez (e do perigo que seria trocar)...

Poxa, Pai Natal, por que tem tanta gente que faz faculdade de direito e sai odiando a Constituição? Seus professores seriam analfabetos funcionais? Veja isso pra mim, Papai Noel. E depois me conte.

Nosso ensino jurídico não foi, até hoje, capaz de ensinar — direito — conceitos básicos de Teoria do Direito. Sinopses (quem faz sinopse não faz sinapse), esqueminhas, facilitações, quiz shows, Direito-simplificado-mastigado-resumido... Afinal, “seja f... em direito!” (como consta na capa de um “livro”!!) Faça essa gente ajoelhar no milho, Papai Noel. E lhes tire o smartphone. Sem ele, derretem.

Papai Noel, diga-me: por que tem tanta gente reacionária no Direito? Onde fracassamos? Por que as faculdades formam tantos fascistas? Por que a comunidade jurídica é a que mais odeia direitos e garantias? Ajude, Pai Natal. Conceda-me esse pedido. Não mais permita que se forme tanta gente inculta e jus blasfema. Que as faculdades de direito ensinem direito, não uma má teoria política do poder.

A propósito, por favor, não mais permita que embargos de declaração ou agravos sejam "decididos" em duas linhas como "mantenho a decisão pelos próprios fundamentos; encaminhem-se os autos ao Tribunal Superior competente, na forma do artigo 1.042, parágrafo 4º. do CPC", enfim, que a Constituição seja cumprida de forma ortodoxa. Que o "livre convencimento motivado" (acrescido de um "precedente do STJ") não sirva pra justificar qualquer coisa.

Outro pedido, Noel, é que finalmente se discuta a sério neste país o que é isto — um precedente? Já estamos de há muito reféns de um ementário prêt-à-porter.

Assim, meu outro pedido não deixa de ter relação com todos os anteriores; é uma espécie de salvaguarda de tudo que mais importa nos momentos difíceis como é este que vivemos. Que a Constituição seja cumprida. Papai Noel: que se respeite a força normativa da Constituição.

Papai Noel, recolha todos os celulares cujos WhatsApp estejam fazendo fake news tipo "o artigo 142 da CF coloca as Forças Armadas como poder moderador". Faça-os ajoelharem no milho (no meu tempo de ensino fundamental era assim).

Mais um pedido: que os alunos das faculdades leiam livros. E que não fiquem consultando a m... do WhatsApp enquanto o professor fala. Passe a vara de marmelo no lombo dessa escumalha, Papai Noel. Ler, sabe? Ler livros. Parece antiquado, eu sei. Mas perdoem minha insistência: acho mesmo que não tem muito jeito. Fazer o quê? Dá trabalho, né? Pois...

Que as pessoas voltem a ler. Livros. Textos sofisticados. Não fake news de whatsapp ou 280 caracteres de twitter (mas, é claro, o twitter @Lenio_Streck oficial pode).

Se alguém vier com essa coisa de as urnas foram "fraldadas" (sic), ponha de castigo e não dê presente. Vai pro cantinho pra (aprender a) pensar.

Inspire o novo governo para que mude os concursos públicos! Prova de concurso não é para papagaios. Uma reforma na lógica que orienta esse mundo à parte!

Que advogados não mais sejam desrespeitados. Que o exercício da advocacia não se torne um exercício de humilhação. E que não se criminalize a profissão de advogado. Que não se confunda o advogado com seu cliente. A criminalização da advocacia é incompatível com o Direito, Velho Noel.

Que os desembargadores e ministros, durante a sustentação oral das partes, não fiquem olhando os seus tablets; e que prestem atenção no esfalfamento do causídico (ou finjam que estão prestando atenção).

Como se viu, são poucos os pedidos, Papai Noel. Assim como eram poucos os meus pedidos de menino de Agudo, terra do Bagualossauro Agudensis, o mais antigo dinossauro do mundo, encontrado a 3 km de onde nasci. Mais de duzentos e quarenta milhões de anos! Por isso sou um dinossauro da Constituição. Um jurássico.

No mais, querido Papai Noel, queria apenas uma bola, luvas e uma camisa de goleiro. E quem sabe uma boina e alpargatas...

Mas, enfim, homenageando um grande compositor do sul, Cesar Passarinho, sugiro que "oiçam" a música. Chama-se Guri! Vejam que maravilha de letra:

"- Hei de ter uma tabuada e meu livro 'Queres Ler'... E se Deus não achar muito, tanto coisa que eu pedir...!"

Também a música Tão que foi o Natal, música rara de Chico Buarque. Que bom que fosse Natal o ano todo. Oiçam.

Feliz Natal, leitores da ConJur. Sem exclusões. Porque sou includente!

Na forma da lei!

24
Dez22

Os comedores de ouro: Reflexões pré-natalinas

Talis Andrade

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por Marcia Tiburi

- - -

O Natal está chegando e ninguém que tenha vergonha e senso de comunidade comerá sua ceia, caso tenha a chance de ter uma, sem vergonha e sem lembrar dos recentes comedores de ouro.

Em meio à Copa do Mundo ocorrida no Catar, a cena chocou muita gente. Um grupo de jogadores convidados por um ex-jogador chamado Ronaldo, alcunhado de “o fenômeno”, foram a um restaurante de carnes onde se serve um bife salpicado de ouro. Houve quem tenha interpretado a cena à luz do neoliberalismo dizendo que eles tinham o direito de comer o que podiam pagar, outros acharam que jogadores brasileiros comendo um bife pelo qual se paga milhares de reais enquanto o Brasil volta ao mapa da fome, era algo absolutamente indigesto.

Ninguém se preocupou com a « politica sexual da carne », que não é um assunto menor, sobre o qual falarei em outro momento. Por enquanto, saibamos apenas que o show era também de horrores machistas e patriarcais. O frisson do futebol é parte essencial do culto patriarcal do macho.

A derrota combinou muito com a seleção atual e o capitalismo esportivo e recreativo como moral da história.

De outro lado, a indústria cultural da alimentação tenta escamotear a desigualdade de classes inventando falsas democracias alimentares como o McDonalds (lixo consumível para todos), enquanto a resistência se faz vegana, vegetariana ou se volta à agricultura agroecológica.

Enquanto o capitalismo segue em seu exercício de dominação amparado pelo patriarcado monoteísta em sua pose de “dominação e devoração da carne” sobre os corpos e seus órgãos, sem jamais esquecer o estômago, o universo gourmet na era do espetáculo, acrescenta a ostentação ao cardápio deixando evidente que vivemos uma luta de classes, na qual os ricos estão em guerra contra os pobres que, perplexos e lançados no estupor diante de imagens humilhantes, seguem hipnotizados para o abatedouro.

No espirito do Natal, gostaria de sugerir as seguintes imagens:

As ilustrações abaixo referem-se à auri sacra fames, a execrável fome de ouro de que falava Virgilio na Eneida e que Max Weber chamou de “pulsão pecuniária”.

Na primeira imagem, Waman Poma de Ayala, cronista inca do século XVI, mostra um Inca perguntando a um espanhol: “Esse ouro, comes?” E o espanhol responde: “Sim, esse ouro comemos”. A filósofa boliviana Silvia Cusicanqui, atribui a derrota vivida por milhares de Incas a um exército de menos de 150 homens espanhóis a cavalo, ao estado de estupor no qual os indígenas foram deixados diante desses seres, os colonizadores, que não comiam alimentos humanos.

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A segunda se chama “CEOs ou Os comedores de Ouro I” e faz parte do que podemos chamar de « Surrealismo Capitalista ».

 

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 A terceira “Alegoria da América ou Os comedores de Ouro 2”, sendo, este último, uma releitura da obra Conquista da América, (em Nova Reperta, c. 1600, Gravura de Philips Galle, 27 x 20 cm, The Metropolitan Museum of Art). Ambas são obras da autora desse artigo que nos últimos anos acabou se tornando artista plástica.

 

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20
Jun22

60% população está com alguma dificuldade para se alimentar. Não é hora de jogar pessoas na rua!

Talis Andrade
 
 
 
 
Natália Bonavides no Twitter
 
Natália Bonavides
O Tribunal de Justiça/SP decidiu que não é aceitável o presidente da República ofender, usando insinuação sexual, uma jornalista. Parece óbvio, mas nos tempos em que
 
 vivemos se faz cada vez mais necessário reafirmarmos o justo. Parabéns à Patrícia e todas que se somam à luta!A máquina do ódio: Notas de uma repórter sobre fake news e violência  digital (Portuguese Edition) eBook : Mello, Patrícia Campos: Amazon.fr:  Boutique Kindle
 
GOVERNO INIMIGO DAS MULHERES! Agora é o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que responde por assédio sexual. Funcionárias denunciam os abusos sofridos durante o trabalho. Os relatos são enojantes!www.brasil247.com - { imgCaption }}
Que orgulho! Sideral é o "Melhor Curta Internacional" do Festival Internacional de Curtas de Palm Springs!

Somos o "Melhor Curta Internacional" do Palm Springs — Festival Internacional de Curtas! O Palm Spring é o mais importante festival de curtas dos Estados Unidos e é um forte indicador de filmes que podem chegar à reta final do Oscar! Por aqui estamos vibrando de felicidade!
Outra vitória! Comemorando a restauração e reabertura do Forte dos Reis Magos em NatalNatal ganha de presente a reabertura do Forte dos Reis Magos na festa de  emancipação | ESTADO | Mossoró Hoje - O portal de notícias de MossoróSINSP/RN
Forte Dos Reis Magos, Natal | Ticket Price | Timings | Address: TripHobo
 
Mais de 33 milhões de brasileiros passam fome e quase 60% população do país está com alguma dificuldade para se alimentar. Não é hora de jogar pessoas na rua!Pode ser uma imagem de 2 pessoas, pessoas em pé e texto que diz "21DE JUNHO DIA DE LUTA CONTRA OS DESPEJOS NO BRASIL Nas ruas e nas redes participe das mobilizações por Despejo Zero! AOO 05a DESPEJO ZERO #DespejoNoBrasilNãc"
 
O STF precisa prorrogar a suspensão dos despejos. #BrasilPorDespejoZero
 
O legado do governo Bolsonaro para a população é a volta da fome, mais pobreza e a maior queda de renda desde 2012.

Enquanto o presidente é investigado pelos gastos milionários no cartão corporativo, vive de motociatas e passeios de jet ski, mais de 200 mil pessoas não tem um teto para morar. São 33 milhões de pessoas passando fome!Image
Fernando Haddad
Bolsonaro é sinônimo de destruição e morte.Image
Rayane Andrade
Até quando povos originários e indigenistas serão vitimas de garimpeiros e latifundiários? Toda solidariedade às famílias de Bruno Pereira e do jornalista Dom Philips. Queremos justiça! Precisamos saber quem são os mandantes! Esse crime é fruto do golpe de 16 e do bolsonarismo!Image
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JUSTIÇA POR GENIVALDO Não podemos deixar que esse crime bárbaro caia no esquecimento e que seus assassinos não respondam devidamente.PRF: Anistia Internacional cobra governo Bolsonaro por caso Genivaldo,  homem sufocado em "câmara de gás"
 

Encontrados os corpos do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. Causa muita indignação saber que o governo brasileiro nada fez para proteger as vidas, pedir agilidade nas buscas e apoiar a família. Mais um duro crime que recai sobre o governo da mortePode ser um desenho animado de em pé e texto

Uma CRIANÇA de 11 anos, grávida após ser vítima de estupro, está sendo induzida criminosamente pela justiça de Santa Catarina a evitar que interrompa a gestação. Querem submetê-la à segunda violência de ter um filho de um estuprador. Que a menina tenha seus direitos respeitados!Pode ser uma captura de ecrã do Twitter de 1 pessoa e texto que diz "Natália Bonavides @natbonavides Por que expor uma garota vítima de violência desse jeito? Por que fazer ela reviver publicamente toda essa história? Isso é sadismo, passa longe de ser jornalismo. Que tempos... Toda solidariedade e apoio!"

A gente sabe o motivo do desespero! Toda solidariedade à companheira
@taliriapetrone e ao companheiro
George Marques 
@GeorgMarques
Na Comissão de Direitos Humanos da Camara, há pouco o deputado José Medereiros partiu pra cima do @pauloteixeira13. Medeiros quis censurar pergunta da @taliriapetrone ao ministro da Justiça, Anderson Torres, sobre o assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips. Veja vídeoImage
 
15 JUNHO é o aniversário daquela que orgulha o RN, dessa companheira aguerrida que defende o povo com coragem e ternura. Feliz aniversário, deps! Estamos com você na defesa das coisas mais belas  #EquipeNatáliaBonavides
 
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07
Mar22

Marcha das Mulheres nesta terça 8 de março em Natal

Talis Andrade

Dia Internacional da Mulher - Quando é? História e Importância

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "Sov FORTE WZ Sou iNVEN So NATAL/RN #8M PELA VIDA DAS MULHERES EGAL QUESTÃO DA BOLSONARO NUNCA MAIS! POR UM BRASIL SEM MACHISMO, RACISMO E FOME 08 DE MARÇO ÀS 14H30 PRAÇA GENTIL FERREIRA ALECRIM Lute como ma carota NATALIA FEDERAL-PT BONAVIDES"

Natalia Bonavides convoca:

Atenção, Companheiras!
 
Nesta terça (08), Dia Internacional da Luta das Mulheres, ocuparemos as ruas em defesa da vida e por um Brasil sem machismo, sem racismo e sem fome.
 
O governo Bolsonaro e seus aliados têm atacado diariamente a vida das mulheres: retirando direitos, impedindo a aprovação de projetos importantes pras mulheres e cortando recursos das políticas de combate à violência. As mulheres são as principais vítimas deste projeto de carestia e mortes.
 
Por isso, nesta terça (08), a gente se encontra às 14h30, no Alecrim, em Natal.
 
Marcharemos juntas pelo fim deste governo machista, racista e neoliberal!
 
É Pela Vida das Mulheres!
 
Participe usando sua máscara.
 
 
Dia Internacional da Mulher: Origem e importância
07
Mar22

Nazistas atacam em Natal centro de cidadania LGTB e terreiros de Iemanjá

Talis Andrade

Nova Imagem de Iemanjá Praia do Meio 7Iemanjá Praia do Meio 6

A nova e a antiga escultura. Foto José Aldenir

 

Os nazistas ameaçam a cidade libertária de Natal. A cidade que aprendi a amar lendo e andando pelas ruas com Woden Madruga, Berilo Wanderley, Newton Navarro, Márcio Marinho, Sanderson Negreiros, Zila Mamede, Mirian Coeli, Walflan de Queiroz,  Cascudo, Veríssimo de Melo. Andanças pelos bares e reisados de Djalma Marinho e Djalma Maranhão. 

Os nazistas ousam profanar os terreiros de Iemanjá. Ameaçam, com uma longa noite escura, uma longa noite das facas longas os gays.

Os nazistas precisam ser processados e presos. São psicopatas. Têm sede de sangue. Urge contê-los, antes que apareça um serial killer. Ou um tarado tipo Mamãe Falei, deputado Arthur do Val, candidato de Sergio Moro a governador de São Paulo, que discursa: “se ela cagar, você limpa o c* dela com a língua”. Um autêntico caso de coprofagia.

ambulatório.jpg

A deputada federal Natalia Bonavides acionou o Ministério Público denunciando os ataques dos grupos neofacistas contra o Centro Municipal de Cidadania LGTB de Natal. 

"Que as ameaças sejam investigadas o mais rápido possível", exige a parlamentar. "Não passarão!", promete.

 

Vandalismo em Natal levanta debate sobre a cor de Iemanjá

 
por Cláudio Oliveira /Tribuna do Norte
 
 
Depois de ter sido pintada de preto, sem autorização, a estátua de Iemanjá, instalada na Praia do Meio, zona Leste de Natal, esteve mais uma vez no centro de uma polêmica. O questionamento é sobre a cor da pele da divindade. Representantes dos povos tradicionais de matriz africana em Natal dizem que o ato foi criminoso e que não representa nenhum “protesto construtivo” para que a imagem da orixá (divindade africana) represente melhor sua origem negra. Mais que isso, eles acreditam que esse discurso  gera a aprovação do ato de vandalismo, semelhante ao que ocorreu outras vezes, sem que ninguém seja responsabilizado e fazendo com que a intolerância religiosa ganhe força.
 

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Representantes de terreiros apontam que membros de comunidades tradicionais respeitam representação branca de Iemanjá. Foto Alex Régis

 
A imagem de uma mulher magra, de pele clara, cabelos longos e pretos, com vestido azul, braços abertos e pairando sobre as ondas, rodeada de rosas, certamente é a imagem mais popular e que permeia o imaginário dos brasileiros quando se fala em Iemanjá. Ela se popularizou em meados do século passado no Brasil através da Umbanda, religião brasileira que adotou elementos do catolicismo ou espiritismo, da cultura africana e indígena, no fenômeno conhecido como sincretismo religioso. Essa mesma imagem passou a servir como referência no culto afro-brasileiro em várias partes do mundo, incluindo a própria África. Porém, a Iemanjá dos ancestrais africanos não difere somente na cor.
 
“Uma mulher negra, quartuda, careca ou com pouco cabelo feito cocó, seios avantajados. Essa é nossa visão dentro de uma versão de africanidade. Porém, também falamos de uma divindade numa essência divinal, que obrigatoriamente, não tem a essência da cor em si”, explica o Babá Cláudio de Oxalá (Pai Claudinho), do Movimento dos povos tradicionais de Matriz Africana.
 
Ele é do Candomblé, religião afro-brasileira formada a partir de tradições religiosas de povos iorubás e que reconhece Iemanjá como uma mulher negra, mas não impõe essa versão. “Sou de candomblé e existe um diálogo da possibilidade da construção de uma estátua com os vestígios negros. Mas também dialogamos que, dentro da visão do movimento, independente da estrutura da estátua, existe toda uma luta, respeitando o trabalho da Umbanda, dos nossos irmãos que trabalham dentro da visão de uma Iemanjá americanizada”, reforça o Pai de Terreiro.
 
Ele defende que o sincretismo, que transformou a Iemanjá africana em uma mulher branca, ajudou na sobrevivência das tradições dos povos tradicionais. “Precisamos entender que durante todo o tempo, os nossos povos se mantiveram vivos graças ao sincretismo e a Umbanda aderiu a essa branquitude que nós respeitamos. Por mais que entendamos que Iemanjá é negra, respeitamos esse ponto de vista, assim como respeitamos o Jesus dos cristãos, que a gente sabe que não é branco dos olhos azuis, mas, sim, negro e nem por isso a pessoa tem o direito de entrar nas igrejas e depredar as imagens dele, pintando-as de preto”, destacou o Babá Cláudio de Oxalá.
 
Para a Juremeira Suely Costa, do Terreiro de Jurema Mestre Aroeira, de Pai Aurino, o respeito pela tradição umbandista deve prevalecer sobre a cor da divindade. Ela relembra que a religião de matriz chega ao Brasil com a escravidão e representatividade negra e a Umbanda é criada depois, com influência europeia e não apenas na tendência africana. “Há o misticismo do orixá com o santo católico. E, antes de tudo isso existir, já existiam as vertentes indígenas, entre elas a Jurema Sagrada que já estava no Brasil quando tudo isso chegou”, aponta Suely Costa.
 
A questão da cor também é algo que para o Pai Freitas, do Instituto Cultural e Religioso Mestre Benedito Fumaça, não deveria sobrepor o debate em torno do respeito ao culto das religiões afro-brasileiras. “Essa é a única imagem de Orixá genuinamente umbandista e a qual devemos boa parte da popularização de Iemanjá. Aquela estátua não foi feita negra, mas baseada na tradição umbandista que respeitamos e admiramos. Acho que tem que permanecer da forma que estava, respeitando essa tradição”, sugere o religioso.
 
 
Imagem continuará branca
 
A cor da pele da estátua de Iemanjá, na Praia do Meio,  permanecerá em tons claro, como era antes de pintarem de preto sem autorização. O trabalho deve começar nos próximos dias e vai custar R$ 3 mil ao Município.
 
“Nós já solicitamos a abertura do processo para autorização do serviço. Agora é só tramitação, apenas a burocracia que é necessária: análise jurídica, análise da Comissão de Controle Interno, autorização e assinatura do secretário e depois segue para o financeiro que faz a ordem cronológica de pagamento. É o tempo que o artista deverá levar para providenciar o material e inciar os trabalhos”, disse a diretora da Fundação Capitania das Artes (Funcarte).
 
O artista será o próprio escultor, Emanoel Câmara. Ele diz que será preciso remover toda a tinta preta através de um processo cuidadoso de raspagem, para depois refazer partes danificadas, como a mão direita da imagem, a estrela na cabeça e parte do seio que sofreram danos com a ação dos vândalos. Depois disso, a peça receberá nova tintura sem precisar removê-la da praia.
 
 
Terreiros apontam crime e cobram segurança
 
Os dirigentes de Terreiros frisam que interpretar o ato de, sem autorização, pintar de preto a estátua de Iemanjá, como sendo um ato de protesto para corrigir a cor original da orixá, pode ser uma forma de disfarçar o ato de vandalismo e preconceito, quando o debate deveria ser em torno da falta de segurança para aquele patrimônio público.
 
“Na minha visão o mais importante ao invés da questão da cor é a segurança pelo patrimônio. Não é a primeira vez que a imagem sofre ataques. Se observar, poderia ter uma praça, um gradeado para o culto das pessoas deixarem suas flores, realizarem suas orações e proteger a imagem”, diz a juremeira Suely Costa, do Terreiro de Jurema Mestre Aroeira de Pai Aurino.
 
Ela também é bacharel em Direito e destaca que a câmera instalada na Avenida Café Filho, em frente à estátua, não está funcionando, de modo que não foi possível identificar os autores da ação. “Isso mostra a vulnerabilidade da estátua. A câmera deveria sinalizar atos de vandalismo e intolerância, mas há tempos que está quebrada”, reclama a juremeira.
 
Sobre ser ou não um ato de protesto, ela ressalta que, se houver esse interesse, pode-se fazer de uma forma não agressiva. “De qualquer maneira, a forma que foi feita é um ato de vandalismo. Pode juntar um grupo, reivindicar, até aproveitar agora o ato de restauração e se a maioria das casas de terreiro achar que deve ser reformada na cor negra, tudo bem”, sugere.
 
O Pai Claudinho, do Movimento dos povos tradicionais de Matriz Africana, discorda da idéia de que se tratou de uma reivindicação. “O pensamento de que é protesto reveste o ato criminoso de opinião. Se for uma pessoa de comunidade tradicional ela sabe a importância que aquela estátua tem, não pela questão da pedra, mas pelas pessoas que ali vão, pedem, rogam, pelo envolvimento sagrado independente da cor. Uma pessoa que tem conhecimento tradicional jamais praticaria esse tipo de crime”, disse ele.
 
Além de vandalismo, o Pai Freitas, do Instituto Cultural e Religioso Mestre Benedito Fumaça, interpreta o ato como racismo. “A intenção foi racismo e preconceito porque se tivesse sido posta uma imagem negra teriam pintado de branco. Já arrancaram a mão e fizeram outros atos. É uma perseguição que não é de hoje”, pontuou.
 
De acordo com a Secretaria Municipal de Defesa Social (Semdes), tanto a Polícia Militar quanto a Guarda Municipal mantém o patrulhamento na área. Além disso, uma investigação está sendo realizada pelo setor de Inteligência da Guarda Municipal e outra deve correr na 2ª Delegacia de Polícia de Natal, onde foi registrado um Boletim de Ocorrências, para identificar os autores da pintura preta na estátua.
 
 
Estátua tem sido alvo de vandalismo
 
Os fatos comprovam o quanto a intolerância tem perseguido o monumento à Iemanjá ao longo dos anos. A estátua anterior, construída em 1999 pelo escultor potiguar Etewaldo Santiago (já falecido), também sofreu vários ataques. Alguns marcaram a história daquele espaço de oração à orixá. Em 2012, na véspera do Dia de Iemanjá, 2 de fevereiro, a escultura teve as duas mãos arrancadas.  Em março de 2014, arrancaram-lhe o braço esquerdo. Já no dia da orixá, em 2015, danificaram a estátua no pescoço e parte do busto. A Polícia não definiu se esse ataque foi a tiros ou pedradas.
 
Em junho de 2018, os vândalos arrancaram mais uma vez o braço direito. Em 2019 a Secretaria de Cultura de Natal (Funcarte) decidiu remover a estátua do local e substituir pela atual que foi inaugurada no dia da deusa, em 2020. O trabalho custou R$ 18 mil, mas recebeu fortes críticas nas redes sociais sobre os traços fortes do rosto, fazendo com que a escultura fosse considerada esteticamente “feia”, em comparação com a antiga. A reação do público fez com que o escultor Emanoel Câmara fizesse ajustes para suavizar as expressões da deusa.
 
A estátua, feita de pedra calcária, tem 3,5 metros de altura e pesa quase 4 toneladas.
11
Fev22

Ivermectina do prefeito de Natal "mata bichas"

Talis Andrade

álvaro dias.jpeg

 

TV Cultura - O médico português Antonio Pedro Machado, um dos principais defensores da Ivermectina para o tratamento da Covid-19 na Europa, recebeu, desde 2014, mais de 224 mil euros da farmacêutica A. Menarini Portugal, que pertence ao Menarini Group, empresa que produz medicamentos à base de Ivermectina (o Ivecop). As informações são da CNN de Portugal.

 

90% dos pacientes das UTIs em Natal usaram ivermectina, diz infectologista

 

Prefeito da capital do Rio Grande do Norte recomendou o uso do medicamento, que não tem eficácia comprovada contra o novo coronavírus

 

Correio Braziliense - A infectologista Marisa Reis, integrante do Comitê Científico do Rio Grande do Norte, recriminou a recomendação do uso de ivermectina feita pelo prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB). Segundo a médica, ''mais de 90% dos doentes que estão internados nas nossas UTIs (no RN) fizeram uso de ivermectina''.

“É um acinte ao conhecimento médico, ao conhecimento científico. É inaceitável que médicos e o prefeito da cidade de Natal, que é médico, venham dizer que vão distribuir ivermectina nos postos. Isso é uma vergonha. Não adianta as pessoas se esconderem por trás de um comprimido de ivermectina achando que ele vai protegê-las. Não vai!", advertiu Marisa.

Vale perguntar: foi do prefeito de Natal a esperteza de Machado que recebeu 224.184 euros de diversas formas diferentes?

Uma parte era por meio de patrocínios para conferências e outra parte em pagamentos por consultorias ao grupo farmacêutico. Um evento organizado pelo médico em 2021 recebeu 119 mil euros da A. Menarini Portugal.

Já foi comprovado que a Ivermectina não tem qualquer efeito no combate contra a Covid-19 e a Autoridade Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed), a Anvisa de Portugal, não recomenda o uso desse medicamento.

Álvaro Dias é investigado pelo Ministério Público do estado após defender e distribuir, criminosamente, o medicamento ivermectina para tratamento preventivo da Covid-19. Dias decretou em julho de 2020 que a Secretaria de Saúde de Natal teria que disponibilizar para pacientes infectados um kit de remédios com cloroquina, ivermectina, azitromicina e outros, sendo que nenhum deles tem comprovação de eficácia contra o vírus.

26
Jan22

Luiz Ignácio Maranhão, presente!

Talis Andrade

luiz maranhao.jpeg

 

por Natália Bonavides

Em 31 de março de 1964 teve início um dos períodos mais cruéis da história brasileira: a ditadura militar. Nesse período, o governo perseguia quem pensasse diferente dele, censurava, prendia arbitrariamente, torturava pessoas, estuprava mulheres, matava e desaparecia com os corpos. Tem família que até hoje não sabe o paradeiro de seu ente querido.

É o caso de Luiz Ignácio Maranhão Filho, advogado, jornalista e professor potiguar, que por lutar contra a ditadura e defender a democracia, foi preso em 1974 e desde então nunca mais foi visto. Ele foi acusado de realizar formação política de jovens brasileiros. Relatos dos próprios agentes da ditadura contam que Luiz Maranhão foi torturado e morto na prisão, mas até hoje seu corpo segue desaparecido.

É esse regime da MORTE e da TORTURA que Bolsonaro e seu governo celebram. Eles negam que esse foi um período sem democracia, do mesmo jeito que negam a gravidade da covid-19 e as medidas comprovadas que buscam combater a doença. Trata-se dos mesmos setores que esconderam os cadáveres da ditadura, e que hoje tentam esconder as mortes causadas por essa gestão GENOCIDA na pandemia.

Chega de comemorar mortes! Chega de fechar os olhos para as mais de 300 mil mortes de brasileiros na pandemia. Vacina já! Fora Bolsonaro já!

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