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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

28
Dez20

A “mensagem de Natal” do cínico Bolsonaro

Talis Andrade

Por Altamiro Borges

Na patética "mensagem de Natal", transmitida na noite desta quinta-feira (24) em cadeia nacional de rádio e televisão, o presidente-capitão abusou das mentiras e do cinismo. Ladeado pela primeira-dama, já apelidada de "Micheque", Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil é uma "referência" no combate ao coronavírus. 

Na maior caradura, o "capetão" se jactou do auxílio emergencial – escondendo que a sua equipe econômica, chefiada pelo abutre Paulo Guedes – resistiu ao valor de R$ 600 e à duração do benefício. Ele também nada falou sobre a campanha nacional de vacinação, que é alvo de críticas e de vexaminosas comparações com outros países. 

O Brasil deve atingir nos próximos dias 200 mil mortes por Covid-19 e os hospitais devem ficar ainda mais lotados após as aglomerações das festanças do final do ano. A "mensagem de Natal" do fascista entrará para a história como mais uma peça de publicidade desumana e mentirosa do laranjal bolsonariano. 

 



"Certa histeria" na sua live macabra


Pouco antes de utilizar a cadeia nacional de televisão, o "capetão" participou de mais uma de suas macabras “lives” semanais. Nela, mais solto, ele voltou a destilar veneno. Entre outras besteiras negacionistas, criticou “certa histeria” nas restrições às viagens impostas por governos estaduais para conter o avanço da pandemia. 

Vingativo, o "capetão" também aproveitou para metralhar seu ex-aliado e atual rival João Doria, governador de São Paulo. Sem citar seu nome, disparou: "Vai ficar todo mundo em casa que vou passear em Miami, pelo amor de Deus. Fecha São Paulo e vai passear em Miami? Isso é crime". 

Bolsonaro ainda reforçou a sua cruzada contra a vacinação. Sem apresentar provas, ele criticou a CoronaVac, desenvolvida no Instituto Butantan em parceria com a indústria chinesa Sinovac. "A eficácia daquela vacina de São Paulo está lá embaixo. Não vou divulgar percentual porque se errar 0,001% vou apanhar da mídia". 

O presidente também abordou a eleição na Câmara Federal e Senado. “No fundo, todo mundo torce”, disse o farsante – que joga pesado para viabilizar a vitória do deputado Arthur Lira, cacique do Centrão. Para ele, uma das prioridades será “botar em votação o projeto de lei para revogar o estatuto do desarmamento”.

 

 
27
Dez20

A única maneira de nos salvar, de nos curar por dentro, é amar-nos

Talis Andrade

 

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SANTA MISSA DA NOITE DE NATAL

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Nesta noite, cumpre-se a grande profecia de Isaías: «Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado» (Is 9, 5)

 

Um filho nos foi dado. Com frequência se ouve dizer que a maior alegria da vida é o nascimento duma criança. É algo de extraordinário, que muda tudo, desencadeia energias inesperadas e faz ultrapassar fadigas, incómodos e noites sem dormir, porque traz uma grande felicidade na posse da qual nada parece pesar. Assim é o Natal: o nascimento de Jesus é a novidade que nos permite renascer dentro, cada ano, encontrando n’Ele força para enfrentar todas as provações. Sim, porque Jesus nasce para nós: para mim, para ti, para todos e cada um de nós. A preposição «para» reaparece várias vezes nesta noite santa: «um menino nasceu para nós», profetizou Isaías; «hoje nasceu para nós o Salvador», repetimos no Salmo Responsorial; Jesus «entregou-Se por nós» (Tit 2, 14), proclamou São Paulo; e, no Evangelho, o anjo anunciou «hoje nasceu para vós um Salvador» (Lc 2, 11). Para mim, para vós…

Mas, esta locução «para nós» que nos quer dizer? Que o Filho de Deus, o Bendito por natureza, vem fazer-nos filhos benditos por graça. Sim, Deus vem ao mundo como filho para nos tornar filhos de Deus. Que dom maravilhoso! Hoje Deus deixa-nos maravilhados, ao dizer a cada um de nós: «Tu és uma maravilha». Irmã, irmão, não desanimes! Estás tentado a sentir-te como um erro? Deus diz-te: «Não é verdade! És meu filho». Tens a sensação de não estar à altura, temor de ser inapto, medo de não sair do túnel da provação? Deus diz-te: «Coragem! Estou contigo». Não to diz com palavras, mas fazendo-Se filho como tu e por ti, para te lembrar o ponto de partida de cada renascimento teu: reconhecer-te filho de Deus, filha de Deus. Este é o ponto de partida de qualquer renascimento. Este é o coração indestrutível da nossa esperança, o núcleo incandescente que sustenta a existência: por baixo das nossas qualidades e defeitos, mais forte do que as feridas e fracassos do passado, os temores e ansiedades face ao futuro, está esta verdade: somos filhos amados. E o amor de Deus por nós não depende nem dependerá jamais de nós: é amor gratuito. Esta noite não encontra outra explicação, senão na graça. Tudo é graça. O dom é gratuito, sem mérito algum da nossa parte, pura graça. Esta noite «manifestou-se – disse-nos São Paulo – a graça de Deus» (Tit 2, 11). Nada é mais precioso!

Um filho nos foi dado. O Pai não nos deu uma coisa qualquer, mas o próprio Filho unigénito, que é toda a sua alegria. Todavia, ao considerarmos a ingratidão do homem para com Deus e a injustiça feita a tantos dos nossos irmãos, surge uma dúvida: o Senhor terá feito bem em dar-nos tanto? E fará bem em confiar ainda em nós? Não estará Ele a sobrestimar-nos? Sim, sobrestima-nos; e fá-lo porque nos ama a preço da sua vida. Não consegue deixar de nos amar. É feito assim, tão diferente de nós. Sempre nos ama, e com uma amizade maior de quanta possamos ter a nós mesmos. É o seu segredo para entrar no nosso coração. Deus sabe que a única maneira de nos salvar, de nos curar por dentro, é amar-nos. Não há outra maneira! Sabe que só melhoramos acolhendo o seu amor incansável, que não muda, mas muda-nos a nós. Só o amor de Jesus transforma a vida, cura as feridas mais profundas, livra do círculo vicioso insatisfação, irritação e lamento.

Um filho nos foi dado. Na pobre manjedoura dum lúgubre estábulo, está precisamente o Filho de Deus. E aqui levanta-se outra questão: porque veio Ele à luz durante a noite, sem um alojamento digno, na pobreza e enjeitado, quando merecia nascer como o maior rei no mais lindo dos palácios? Porquê? Para nos fazer compreender até onde chega o seu amor pela nossa condição humana: até tocar com o seu amor concreto a nossa pior miséria. O Filho de Deus nasceu descartado para nos dizer que todo o descartado é filho de Deus. Veio ao mundo como vem ao mundo uma criança débil e frágil, para podermos acolher com ternura as nossas fraquezas. E para nos fazer descobrir uma coisa importante: como em Belém, também connosco Deus gosta de fazer grandes coisas através das nossas pobrezas. Colocou toda a nossa salvação na manjedoura dum estábulo, sem temer as nossas pobrezas. Deixemos que a sua misericórdia transforme as nossas misérias!

Eis o que quer dizer um filho nasceu para nós. Mas há ainda um «para» que o anjo disse aos pastores: «Isto servirá de sinal para vós: encontrareis um menino (…) deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Este sinal – o Menino na manjedoura – é também para nós, para nos orientar na vida. Em Belém, que significa «casa do pão», Deus está numa manjedoura, como se nos quisesse lembrar que, para viver, precisamos d’Ele como de pão para a boca. Precisamos de nos deixar permear pelo seu amor gratuito, incansável, concreto. Mas quantas vezes, famintos de divertimento, sucesso e mundanidade, nutrimos a vida com alimentos que não saciam e deixam o vazio dentro! Disto mesmo Se lamentava o Senhor, pela boca do profeta Isaías: enquanto o boi e o jumento conhecem a sua manjedoura, nós, seu povo, não O conhecemos a Ele, fonte da nossa vida (cf. Is 1, 2-3). É verdade: insaciáveis de ter, atiramo-nos para muitas manjedouras vãs, esquecendo-nos da manjedoura de Belém. Esta manjedoura, pobre de tudo mas rica de amor, ensina que o alimento da vida é deixar-se amar por Deus e amar os outros. Dá-nos o exemplo Jesus: Ele, o Verbo de Deus, é infante; não fala, mas oferece a vida. Nós, ao contrário, falamos muito, mas frequentemente somos analfabetos em bondade.

Um filho nos foi dado. Quem tem uma criança pequena, sabe quanto amor e paciência são necessários. É preciso alimentá-la, cuidar dela, limpá-la, ocupar-se da sua fragilidade e das suas necessidades, muitas vezes difíceis de compreender. Um filho faz-nos sentir amados, mas ensina também a amar. Deus nasceu menino para nos impelir a cuidar dos outros. Os seus ternos gemidos fazem-nos compreender como tantos dos nossos caprichos são inúteis. E temos tantos! O seu amor desarmado e desarmante lembra-nos que o tempo de que dispomos não serve para nos lamentarmos, mas para consolar as lágrimas de quem sofre. Deus vem habitar perto de nós, pobre e necessitado, para nos dizer que, servindo aos pobres, amá-Lo-emos a Ele. Desde aquela noite, como escreveu uma poetisa, «a residência de Deus é próxima da minha. O mobiliário é o amor» (E. Dickinson, Poems, XVII).

Um filho nos foi dado. Sois Vós, Jesus, o Filho que me torna filho. Amais-me como sou, não como eu me sonho ser. Bem o sei! Abraçando-Vos, Menino da manjedoura, reabraço a minha vida. Acolhendo-Vos, Pão de vida, também eu quero dar a minha vida. Vós que me salvais, ensinai-me a servir. Vós que não me deixais sozinho, ajudai-me a consolar os vossos irmãos, porque, a partir desta noite – como Vós sabeis – são todos meus irmãos.

15
Dez20

Alice Carvalho, atriz potiguar, ganha prêmio em festival de cinema na Austrália

Talis Andrade

Atriz potiguar Alice Carvalho tem nome confirmado para gravar série da Globo

Alice Carvalho, de Natal, no Rio Grande do Norte, ganhou o prêmio de melhor atriz pela websérie lésbica SEPTO no Changing Face International Film Festival. Única atriz negra a concorrer na categoria, a jovem interpreta a triatleta Jéssica Borges, que vive as custas do sonho de seu pai, que fantasia um dia ver a filha nas Olimpíadas. Alice também é criadora e roteirista da produção.

Passada em Natal, Rio Grande do Norte, a obra é a primeira websérie ambientada e produzida no nordeste e traz questões da sexualidade de sua protagonista como uma das tantas questões com as quais a jovem tem de lidar e que formam sua personalidade.

À Mídia NINJA, Alice contou que para ela, “o valor desse prêmio vai além de ter uma estatueta dentro de casa ou um título pra se ostentar na internet.”

É simbólico, reafirma não só a minha importância enquanto mulher negra, nordestina e LGBT, mas acentua o fato de que mais meninas como eu merecem ser ouvidas, que existe muita potência nos artistas que vivem à margem e que a única coisa que nos diferencia são as oportunidades.”

“É um prêmio coletivo, sem dúvidas”, concluiu Alice.

A série já está em sua 3ª temporada e você pode assistir aos episódios através do youtube.

 

 

10
Dez20

Vítima de racismo, fotógrafo negro de Natal tem imagem divulgada em grupos de whats app como bandido

Talis Andrade

Um fotógrafo negro em Natal foi confundido com bandido e teve sua imagem circulando em grupos de whatsapp como suspeito de tentativa de assaltos em Petrópolis, bairro de classe média alta de Natal (RN).
 
 
 
 

Um fotógrafo negro de Natal passou por uma situação de racismo na terça-feira (8) ao descobrir que sua imagem, captada por câmeras de segurança no bairro de Petrópolis, área de classe média alta da capital, estaria circulando em grupos de whatsApp nos quais ele era apontado como suspeito de tentar assaltos na região.

A vítima de racismo fez um vídeo no instagram relatando a situação. Diogo Mãozinha, como se identifica, além de fotógrafo, também é cinegrafista, editor de vídeos publicitários e bailarino. Em desabafo, explicou foi trocar dinheiro numa casa de câmbio em razão de um trabalho realizado na Suíça e, ao chegar em casa, foi avisado que a imagem dele já estava sendo divulgada como suspeito:

– Estava na (rua) Afonso Pena, para resolver questões de câmbio porque tinha feito um trabalho recente na Suíça e precisava receber o dinheiro.  Era por volta do meio-dia e com o sol forte, não conseguia enxergar o endereço do local no celular e fui numa clínica pedir informação. Eles foram educados e me ajudaram com a localização. Passei um pouco do local que eles me indicaram e parei numa ótica. Ao chegar lá já notei o clima meio fechado. Pedi informação também, eles me passaram a informação e falaram comigo tranquilos. Quando chegou à noite, uma amiga minha mandou mensagem dizendo que tinham colocado minha foto no grupo de policiais e joalheiros da Afonso Pena dizendo que eu tava fingindo que pedia informação e tava rondando, observando o local para cometer assaltos. Quando vi essa mensagem, bateu um desespero, fiquei triste pra caralho. Fora que minha filha sentiu o baque, ela dormiu com medo de eu sofrer alguma represália, ela tá com medo. É foda porque você não pode ir para certos lugares porque é preto, num local que é a zona sul da zona leste. Não posso correr, andar, os caras batem foto, denigrem. Já aconteceu uma coisa parecida há algum tempo, não é a primeira vez que me acontece isso”, contou indignado.

“Papai, por que tá acontecendo isso ? É por que a gente é preto?”, questionou filha do fotógrafo

Ainda durante o vídeo, ele conta que vai fazer um boletim de ocorrência para evitar que situações como essa se repitam:

“Minha filha perguntou: Papai, por que tá acontecendo isso? É por que a gente é preto? Ela é uma criança, não era pra ela ter esse tipo de questionamento. Vou fazer de tudo pra que isso não se repita mais, não só comigo, mas com outros manos pretos, irmãos de sangue e de cor que estão sofrendo com isso. Isso não vai passar, eu tô com olheira, sem dormir pensando numa forma de conseguir dinheiro para conseguir uma casa. Quando cheguei no câmbio, a mulher já tava com cara de assustada, já devia ter recebido a informação desses grupos. Agradeço a quem segue com a gente nessa guerra, tem negro que ainda nega, estão apagando nossa história aos poucos ”, lamenta Mãozinha.

O caso trouxe repercussão nas redes sociais ainda hoje com manifestações de apoio ao fotógrafo e contra o racismo.

 
Foto Chico Barros
26
Dez18

Bolsonaro lava roupa suja na beira do tanque

Talis Andrade

Vídeo divulgado por assessoria é populismo bobo

Bolsonaro eleito mimetiza Lula com sinal invertido

bolsonaro-lava-roupa-suja-na-beira-do-tanque-video

Bolsonaro pendura roupas no varal durante descanso em área da Marinha

por Reinaldo Azevedo

---


Que interesse pode haver em um vídeo em que um homem lava roupa num tanque — segundo consta, roupa de mergulho? Bem, cumpre perguntar à assessoria de Jair Bolsonaro. O filme é de uma criatividade encantadora. Vê-se o presidente eleito, de bermuda cinza e camiseta azul, esfregando e torcendo duas peças. Em seguida, ele as dependura no varal.

Não há texto, não há contexto, não há nada. Nem romance sueco pós-moderno é tão minimalista. É pena que Lars Gustaffson, que escreveu “A Morte de um Apicultor”, não vá poder saborear a cena porque se foi em 2016. A rotina de Lars Westin, o apicultor que é personagem de seu romance, pareceria novela de cavalaria comparada ao vídeo que veio a público.

Bem, a coisa não teria interesse nenhum não fosse o fato de que se trata do presidente eleito. Opa! Esperem aí: aumenta a falta de importância, não é mesmo?

A intenção parece clara: demonstrar que Bolsonaro é um homem comum, simples, desapegado, que leva uma rotina como a nossa. Ele também lava roupa. E, creio, tenta-se demonstrar, adicionalmente, que não é machista. Quando John Bolton o visitou nem sua casa, no Rio, todos vimos a mesa bagunçada do café…

Bolsonaro passou o domingo numa área da Restinga da Marambaia, no Rio, que é administrada pelas Forças Armadas. É a região onde os torturadores e assassinos desovaram o corpo do deputado Rubens Paiva.

paiva.jpg

 

O eleito está com uma bolsa de colostomia e não pode mergulhar. Não se sabe de quem era a vestimenta que lavava.

Se um presidente assim o quiser, nunca tocará num trinco de porta porque alguém se encarrega de abri-la. Também não precisa gastar um miserável tostão com alimentação ou administração do lar porque o poder público se encarrega desses custos. Percebam o aparato de pessoas e veículos de segurança que acompanha Bolsonaro a cada vez que ele se desloca. O filme divulgado é demagogia populista. Há um exército de mordomos invisíveis cuidando de Bolsonaro e de sua família. A menos que ele não resista a um tanque ou que considere uma distinção moral lavar roupa, é evidente que há um batalhão que pode fazer isso por ele.

Espero que resistam à tentação de filmá-lo fazendo faxina nos palácios da Alvora e do Planalto a partir de 2 de janeiro.

Poucos se dão conta de que Bolsonaro tenta ser uma espécie de Lula no espelho. Também o presidente petista gostava de exibir a sua simplicidade, a sua origem humilde, o seu desapego, a sua informalidade. Ao mesmo tempo, não perdia uma só oportunidade de exibir os supostos marcos inaugurais de seu governo.

Bolsonaro mimetiza Lula — e o próprio general Augusto Heleno já destacou em entrevista essa proximidade, embora, claro!, tenha criticado o petista. Mas, como resta evidente, o presidente eleito espelha — e, pois, inverte — o sinal ideológico. Chegou a vez da versão de extrema-direita do homem do povo.

Para quem caça metáforas, uma fica à solta na imagem: Bolsonaro está lavando roupa suja. De quem?

roupa natal.jpg

Vídeo profissional: som ambiente 

23
Dez18

No Natal, melhor um livro para as crianças do que um brinquedo de matar

Talis Andrade

As palavras são o nosso melhor colete à prova de balas contra a discriminação e a marginalidade

21
Ago17

Evocação de Natal

Talis Andrade

por Djalma Maranhão

 

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                                          Foto Adelmaro Cavelcanti Cinha Júnior

 

 


Não te esquecerei, Natal!
Os olhos do sol transpondo as dunas,
Iluminando a cidade
Que dormiu embalada
Pelo sussurro das águas do Potengi.

dunas.jpg

 


(…)


Não te esquecerei, Natal!
No lirismo de teus poetas;
O quase bárbaro Itajubá
E o quase gênio Otoniel
E também o alucinado Milton Siqueira.
Jorge Fernandes esbanjando poesia
Na mesa de um bar
Era a imagem viva de um Verlaine.

milton siqueira .jpg

 


(…)


Não te esquecerei, Natal!
A vocação libertária do teu povo,
A pregação caudilhesca de Zé da Penha,
Alguns políticos enganando o povo,
Que um dia ganhará conscientização.


(…)


Anoto para o futuro as lutas de hoje
Dos jovens sacerdotes
Plasmados por Dom Eugênio e Dom Nivaldo,
Para os duros embates sociais
Na fidelidade às Encíclicas de João XXIII,
Herdeiros do sacrifício de Frei Miguelinho.


(…)


Não te esquecerei, Natal!
A velha Simôa,
Mais imoral que uma antologia de Bocage,
Chico Santeiro, O Aleijadinho potiguar,
Esculpindo os seus bonecos de madeira,
Com uma ponta de canivete.

Patrono..JPG

 


(…)


Não te esquecerei, Natal!
Encontro os teus pescadores no Ano do Centenário,
Com a mesma audácia dos irmãos Polinésios,
Numa jangada de velas esfarrapadas,
Levando a mensagem do Potengi a Baia Guanabara.


(…)


Água de coco com aguardente,
Era e continua sendo o melhor uísque nacional.
E o menestrel escravo Fabião das Queimadas,
Que libertou a si e a própria mãe,
Ganhando dinheiro, cantando e tocando rabeca.

fabiao.jpg

 Fabião das Queimadas


(…)


Não te esquecerei, Natal!
A revolução liberal de 1930,
Meu batismo nas lutas sociais.
Fanfarras agitando, agitando,
Muitos discursos, poucos tiros.


(…)


A voz do fogo do seus tribunos,
Ontem, contra o colonialismo,
Hoje frente ao imperialismo.


Não te esquecerei, Natal!

 

---

Poema escrito no Uruguai.

Transcrevi trechos 

 

21
Ago17

A ronda da noite de Djalma Maranhão

Talis Andrade

 

djalma-maranhao.jpg

 

 

 


Estreladas noites Djalma passava
pel’A República dirigindo um jipão
que parecia um trator. O velho jipão
dos tempos da Grande Guerra
subia descia morros
dançava na areia fofa
das ruas que Djalma mandava ladrear.


O jipão seguia ziguezagueando
por desalinhadas ruas
ladeadas de casinhas de presépio.
Casinhas que a lua alumiava.
Ruas que exibiam os mistérios da noite
como uma mulher mostra os encantos
exclusivamente para o amante.
Ruas em que Djalma mandava levantar
postes de iluminação.


Djalma conhecia as quinas
as curvas das ruas estreitas.
Nos becos e botecos
saltava para um trago.
Djalma conhecia os moradores
as cantorias os amores
as aventuras dos pescadores.
Djalma bêbedo da paisagem
– o encantamento das dunas
estendendo o mar
transformado em areia.


Djalma bêbedo de saudade de Natal
contava histórias de quando preso
nas masmorras de Getúlio
parecendo previa carregadas nuvens
fechariam o tempo fechariam as casas.


Djalma levou consigo a saudade
para a escuridão do cárcere.
A evocação no exílio
lhe consumiu o coração.
Djalma voltou para Natal
dentro de um caixão.

 

---

Foto Jornalista Djalma Maranhão, quando prefeito de Natal

Mais poesia de Talis Andrade aqui

 

 

02
Jul17

Sanderson Negreiros no Jornal de Woden Madruga

Talis Andrade

Transcrevo do Jornal WM publicado na Tribuna do Norte

 

 

sanderson 1.jpg

 

 

 

Segunda-feira que vem, dia 3, consagrado a São Tomé, lua em quarta crescente, o poeta Sanderson Negreiros comemora 78 primaveras, como se dizia antigamente. Publicou o primeiro livro aos 16 anos de idade, O ritmo da busca:

 

"Tudo que é longe

é o dia da primavera,

a hora do navego,

a partida e a volta dis sirgadores.

São as aves das ilhas náufragas,

contempladas das nuvens".

 

O poeta adolescente, recém saído do seminário.

 

 

 

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