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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

20
Nov22

Lula e os nostálgicos de 1964

Talis Andrade

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por Cristina Serra

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Mais difícil para Lula do que a escolha do próximo ministro da Fazenda talvez seja a definição do titular da Defesa que irá substituir o bolsonaríssimo Paulo Sérgio de Oliveira.

Expert no jogo previsível do “morde e assopra”, bem ao gosto do chefe, o general carrancudo disse, primeiro, que não houve fraude na eleição. Um dia depois, se desdisse, caprichando na dubiedade que alimenta grupos fanatizados e catatônicos com doses calculadas de teorias conspiratórias.

É a mesma ambiguidade proposital da nota emitida pelos três comandantes militares sobre os protestos golpistas na porta dos quartéis. A nota reivindica para as Forças Armadas o inexistente papel de “moderadoras”. Os comandantes dizem ainda que as fileiras estão “vigilantes” e “atentas”.

É o mesmo tom de ameaça daquele famoso tuíte de 2018, na véspera da votação do habeas corpus de Lula, no STF (o resto você lembra). É um primor de golpismo. Lula já disse que pretende nomear um civil para a Defesa e afastar milhares de fardados em cargos comissionados. Daí os rosnados e ranger de dentes. Sem falar que vai acabar a farra de Viagra e próteses penianas.

Despolitizar as Forças Armadas é um dos maiores desafios da democracia no Brasil. Aqui, peço licença ao leitor para recomendar o livro “Comentários a um delírio militarista” (editora Gabinete de Leitura), organizado pelo historiador Manuel Domingos Neto, com artigos de 40 autores (esta escriba entre eles).

 

Amazon.com.br eBooks Kindle: Comentários a um delírio militarista, Domingos  Neto , Manuel

 

O livro analisa o “Projeto de Nação – O Brasil em 2035”, proposta formulada sob a égide do Instituto General Villas Bôas (sim, o do tuíte). Tal documento revela a autoimagem dos militares: condutores iluminados do país, tutores dos demais poderes e de todas as dimensões da sociedade civil.

No projeto de futuro militarista, prevalece a ótica da guerra contra o inimigo interno, ou seja, o povo. Há uma indisfarçável nostalgia da noite de 21 anos. Não será fácil mandá-los de volta para os quartéis.

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19
Nov22

Filhas solteiras de militares recebem até R$ 117 mil mensais

Talis Andrade

Frio, fome, chuva e invisibilidade - Nando Motta - Brasil 247

 

País gastou R$ 19,3 bilhões com pensões militares ao longo de 2020. Filhas representam 60% dos beneficiários

 

por André Shalders /Terra

A União gastou R$ 19,3 bilhões com pensões de dependentes de militares ao longo de 2020. A maior parte do dinheiro foi para as filhas. Das 226 mil pessoas que recebem este tipo de benefício no País, nada menos do que 137.916, ou 60% do total, são filhas de militares já mortos. Os dados também revelam que as pensões nas Forças Armadas são maiores do que as dos servidores civis.

Os 226 mil beneficiários de pensões militares receberam, em média, R$ 5.897,57 em fevereiro, enquanto os 286.208 civis ganharam, também em média, R$ 4.741,19. Alguns dos benefícios são quase centenários. A pensão militar mais antiga começou a ser paga pelo contribuinte em setembro de 1930. [Com a revolução que criou a ditadura do Estado Novo, que só terminou em 1945. Em 1964 teve outra ditadura, que durou 21 anos. Terminou em 1985. Os golpes de 1937 e 1964 tiveram nazistas infiltrados nas conspirações] 

Os dados foram divulgados na noite deste domingo, 27, pela Controladoria-Geral da União (CGU), por meio do Portal da Transparência. A divulgação foi feita com quase um ano e meio de atraso, atendendo a uma determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). É a primeira vez que o Estado brasileiro mostra dados sistematizados sobre pensões de militares, inclusive com os nomes dos beneficiários. A decisão do TCU foi motivada por reclamações da agência de dados independente Fiquem Sabendo.

O lote liberado pela CGU abarca os meses de janeiro de 2020 a fevereiro de 2021 e expõe dezenas de pensionistas de militares recebendo valores acima do teto constitucional do serviço público, hoje fixado em R$ 39,3 mil. Em fevereiro deste ano, por exemplo, eram 14 casos de pensionistas que ganhavam mais de R$ 100 mil líquidos, já depois dos descontos.

Em todos estes casos, a "super parcela" se deve a um pagamento eventual, específico. O maior pagamento, já depois dos descontos, foi de R$ 435,6 mil, feito a uma pensionista menor de 16 anos, filha de um segundo-tenente. Os dados dela foram omitidos.O maior benefício que não está relacionado a um pagamento eventual foi o da pensionista Gecy Brilhante da Fontoura Rangel, no valor de R$ 60,5 mil, já depois dos descontos. Ela é filha de um marechal do Exército, Manoel de Azambuja Brilhante, e recebe o benefício desde 1996. O pai de Gecy dá nome a uma rua em Osasco (SP).

Nos seis meses anteriores, o valor final do benefício pago à filha do marechal do Exércitovariou de R$ 117.012,43 (em novembro de 2020) a R$ 61.286,58 (nos meses de agosto, setembro e outubro do ano passado), já com os descontos. No caso de Gecy, porém, a pensão do pai é combinada com benefícios de dois ex-maridos que também eram militares, o que lhe garante uma pensão tripla e explica o alto valor.

Ao todo, pelo menos 77 pensionistas ganharam benefícios maiores que o teto constitucional, em fevereiro deste ano. Na média, receberam R$ 80,3 mil cada, e consumiram R$ 6,1 milhões aos cofres públicos em apenas um mês. Assim como Gecy, outros 28 beneficiários com vencimentos acima do teto não tiveram qualquer parcela extraordinária que justificasse os vencimentos a maior. Juntos, os 29 pensionistas ganharam R$ 1,2 milhão, ou R$ 44 mil cada, em média. Cinco deles, incluindo Gecy, levaram mais de R$ 50 mil para casa. Todas são filhas de militares.

Ao divulgar os dados, a CGU informou que se tratava de uma iniciativa tomada em conjunto com os ministérios da Defesa e da Economia, além do Banco Central. Segundo a Controladoria, os dados serão atualizados mensalmente. A inclusão dos itens mais antigos, porém, será "avaliada e tratada, junto aos órgãos detentores das bases, em uma segunda etapa". O Estadão procurou o Ministério da Defesa nesta terça-feira, 29, mas não houve resposta até o momento.

Direito. As pensões nas Forças Armadas são regidas pela lei 3.765 de 1960. Até 2001, a regra permitia que filhas de militares continuassem recebendo indefinidamente as pensões de pais já falecidos, desde que continuassem solteiras. A norma foi mudada por meio de uma Medida Provisória no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas quem conquistou o direito antes da mudança continua com o benefício.

Os militares que ingressaram na carreira antes da Medida Provisória também deixaram o direito para as filhas. Até hoje filhas e filhos de militares usufruem de regras mais favoráveis para as pensões — eles mantém o benefício até os 24 anos, caso estejam na universidade, quando no INSS a idade usada como parâmetro é 21 anos.

Em 2019, a reforma da Previdência aprovada pelo Congresso criou uma contribuição a ser paga pelos pensionistas de militares, que pode chegar a 13,5% nos casos das filhas que recebem pensão vitalícia. Até então, elas não pagavam qualquer tipo de contribuição.

Advogada especializada em Direito Previdenciário, Cristiane Grano Haik observou que, uma vez que o beneficiário cumpra os critérios definidos em lei, ele passa a ter direito à pensão. Desta forma, ainda que a lei mude depois, este direito não se altera. É o chamado "direito adquirido"."A pessoa passa a ter direito àquilo ad aeternum, ou seja, para sempre. Quem cumpriu os requisitos, na vigência da lei antiga, tem o direito adquirido", disse Haik, que é doutoranda em Direito Previdenciário pela PUC de São Paulo. "No caso dos militares, não é correto falar em 'previdência'. A natureza dos benefícios deles é a de um reconhecimento pelos serviços prestados ao País. É diferente do regime geral do INSS, no qual só quem contribui é que tem direito", completou a advogada.Viagra é uma pequena amostra da grande corrupção que turbina o projeto de  poder dos militares – jeferson miola

 
19
Nov22

Comitê de Bolsonaro vira sede de encontros de Braga Netto com políticos e militantes que defendem golpe

Talis Andrade

O BLEFE QUE BRAGA NETTO NÃO CONSEGUE DESMENTIR – Moisés Mendes – Jornalista  – Porto Alegre – Rio Grande do Sul

 

por Fernando Miller /Diário do Centro do Mundo

O endereço alugado no Lago Sul de Brasília para ser usado como comitê da campanha de Jair Bolsonaro em sua tentativa frustrada de ser reeleito transfomou-se em uma espécie de central do golpe, de acordo com reportagem de Rodrigo Rangel, do Metrópoles, publicada nesta sexta-feira (18).

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QG do golpe fascista

 

Liderados pelo ex-ministro Braga Netto, que tem dado expediente de forma regular no local, conspiradores reúnem-se lá para discutir estratégias visando questionar o resultado das urnas.

De acordo com a apuração do jornalista, que tem acompanhado a movimentação no endereço, o deputado federal Osmar Terra foi um dos frequentadores do “QG do Golpe” nesta última quinta-feira (17).

Questionado, o parlamentar gaúcho reconheceu que foi tratar da auditoria contratrada pelo PL que visa por em xeque a credibilidade do sistema eleitoral.

Outro veículo do mesmo modelo, de um empresário do Mato Grosso, também chegou ao QG pouco antes do general sair de lá.

“(A reunião) foi para buscar informações, (saber) se tinha alguma novidade sobre o processo do PL”, disse ele, referindo-se à auditoria. “Queria ter a informação mais adequada”, emendou, acrescentando que segue no aguardo de “novidades”.

Além de Terra, outros parlamentares aliados do presidente têm frequentado a casa, como Marcel Van Hattem, do Partido Novo e o Senador Eduardo Girão, do Podemos. Além deles, o senador Guaracy Silveira, do PP, também participou da reunião.

O ex-tesoureiro da campanha de Bolsonaro,  coronel da reserva Marcelo Azevedo, é outro frequentador.

A casa tem um fluxo intenso de pessoas, que inclui manifestantes que participam dos protestos antidemocráticos. Isso acaba por ser uma evidência sobre a cadeia de comando das manifestações que vêm ocupando portas de quartéis e estradas com o objetivo de questionar o sistema eleitoral.

Decorada com uma bandeira do Brasil e dirigida por homem com camiseta com inscrições pedindo intervenção militar, uma camionete Amarok, avaliada em R$ 300 mi e com placa de Luis Eduardo Magalhães, na Bahia, esteve no endereço na tarde desta sexta-feira (18). Indagado pelo jornalista sobre quem o receberia, o ‘patriota’ não respondeu. Braga Netto estava lá.

Outro veículo do mesmo modelo, de um empresário do Mato Grosso, também chegou ao QG pouco antes do general sair de lá.

Um terceiro veículo que também passou por lá foi visto horas depois em uma manifestação no quartel-general do Exército, no Setor Militar Urbano de Brasília.

Ou seja, há vínculo claro entre as manifestações e o que se planeja no antigo comitê de Bolsonaro.

Braga Netto tem comparecido tanto a esse local quanto ao Palácio do Alvorada, onde tem visitado Jair Bolsonaro.

O general tem sido umas das principais vozes de incentivo aos golpistas, sempre deixando acesa a expectativa de que uma surpresa ainda pode ocorrer. A um prefeito do interior do Mato Grosso, ele disse que “algo muito bom” iria acontecer até o fim desta semana.

O prefeito Carlos Capeletti, do município de Tapurah, havia ido para comprar mantimentos para o acampamento. Logo depois, Capeletti fez um vídeo dizendo o que ouviu e publicou nas redes sociais.

 

Eu falei que eu iria embora, que não acreditava em mais nada, e ele (Braga Netto) falou assim: ‘Fica tranquilo que vai acontecer’”, disse o prefeito ao Metropoles.

 

O relato demonstra  que o general tem gerado expectativas golpistas entre os bolsonaristas que estão na rua.

Em outro vídeo ele saúda militantes bolsonaristas na frente do Alvorada. Ao ouvir apelos do grupo, que diz estar firme nos protestos, ele afirma:

 

Não percam a fé. É só o que eu posso falar para vocês agora”. 

 

Braga Netto cumprimenta golpistas em Brasília: "Presidente tá bem. Não percam a fé"

 

Dê uma coletiva, Braga Neto! - Renato Aroeira - Brasil 247

Daniela Duarte
@danieladart
Acabamos de encontrar o Vice no Palácio da Alvorada, ele estava em reunião com o presidente. Braga Neto estava com semblante muito tranquilo e disse que tem esperança. Estamos no caminho certo pessoal!
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Urgente: general Braga Neto descaradamente insuflando os caminhoneiros patriotarios a continuarem com a escalada golpista e ataques a democracia.ImageImage
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03
Nov22

Seria uma catástrofe não punir o uso abusivo da máquina pública nessas eleições

Talis Andrade

Setembro 2022 - O CORRESPONDENTEPresidente brasileiro, Jair Bolsonaro, transforma ato pelo 7 de Setembro no Rio de Janeiro em campanha eleitoral.

Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, transforma ato pelo 7 de Setembro no Rio de Janeiro em campanha eleitoral.

Charge Márcio Vaccari. Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, transforma ato pelo 7 de Setembro no Rio de Janeiro em campanha eleitoral. AP - Rodrigo Abd

 

Analistas ouvidos pela RFI defendem a apuração de denúncias sobre as ações do Estado a favor da reeleição de do presidente Jair Bolsonaro, assim como sobre o envolvimento de empresários e políticos nos protestos contra o resultado das urnas

 

Por Raquel Miura /RFI 

O problema não é de hoje e se acentuou desde que foi permitida a reeleição para cargos no Executivo, em 1997. Porém, este ano, as denúncias de uso da máquina pública para angariar votos à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) surpreenderam analistas, que afirmam ser imperioso uma resposta da justiça para que não se abra uma jurisprudência perigosa à democracia no país.

O sociólogo e analista político Paulo Baía, da URFJ, considera que a ação mais explícita do Estado foram as operações da Polícia Rodoviária Federal no domingo de eleição (30), especialmente em áreas onde a força política do PT é maior, como no Nordeste. A fiscalização nas rodovias só foi suspensa quando o TSE ameaçou prender o diretor da corporação.

“Nunca se viu uma eleição, desde a redemocratização em 1989, em que a máquina pública tenha se transformado em máquina eleitoral de forma tão ampla como agora. Não que antes não tenha existido, existiu sim. Mas desta vez foi num patamar muito maior”, afirmou Baía à RFI. “É muito importante que o Ministério Público Eleitoral e o Ministério Público que atua na Justiça Federal ajam de forma eficaz nesses casos. Entretanto, não haverá resposta imediata, porque há todo um processo, tem o tempo da justiça”, completou o analista.

O advogado Antônio Ribeiro Júnior, da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, disse à RFI que as regras eleitorais foram claramente atropeladas com vistas à reeleição do presidente Bolsonaro. Ele cita a Emenda das Bondades, como ficou conhecida a PEC que permitiu o reajuste de benefícios sociais e concedeu vantagens financeiras a diversas categorias, além de antecipações de valores às vésperas do segundo turno, e acrescenta ainda que a democracia corre risco se não houver uma análise cuidadosa desses casos pela Justiça.

“Essas medidas, de imediato, acarretariam uma cassação ou uma ação por abuso de poder econômico e político a gestores municipais. Então precisamos esperar uma posição da Justiça sobre tudo o que vimos nessas eleições. Ou corremos o risco de abrir uma exceção às regras eleitorais, o que, num país continental e com mecanismos ainda falhos de combate à corrupção, seria uma catástrofe”, afirmou o advogado.

Há suspeita também envolvendo gestores locais, como prefeitos aliados do presidente, que teriam pressionado eleitores a votarem em Bolsonaro sob risco de ficarem sem o Auxílio Brasil, ou que estes não teriam disponibilizado transporte coletivo necessário a moradores de determinadas localidades. Na esfera privada, a Justiça Eleitoral recebeu diversas denúncias de assédio de patrões sobre seus funcionários.

 

Manifestações

 

Procuradores também estão investigando a participação de empresários e autoridades políticas nos protestos contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mobilização começou com o bloqueio de estradas e agora passou a se concentrar em frente a quartéis do Exército em muitas cidades brasileiras.

Os dois analistas que conversaram com a RFI disseram que a democracia assegura manifestações mesmo contra o resultado legal das urnas, mas que há limites, o que não inclui o cerceamento do direito de ir e vir de outras pessoas e a apologia a símbolos de tortura e massacre. Num desses protestos, manifestantes teriam feito um gesto nazista, com os braços levantados para cima durante a execução do hino nacional. Diante da repercussão das imagens nas redes sociais, alguns organizadores alegaram ser uma saudação à bandeira.

“É preciso apurar, acompanhar o que está acontecendo, verificar, por exemplo, se empresários estimulam e financiam esses atos, se partidos e autoridades estão por trás disso. A força das instituições precisa prevalecer, mas sem excesso. Porque esses grupos visam também se vitimar e fazer disso uma questão ideológica”, avaliou Ribeiro Júnior.

Para o advogado, “o derrotismo é claro porque o presidente reconhece que perdeu ao indicar o representante para a transição de governo, bem como setores que apoiaram o presidente também reconheceram a derrota. Mas o grupo que protesta tenta clamar uma intervenção para salvar a família, os costumes do que eles consideram como mal maior, que seria a esquerda”.

 

“Uma anomalia”

 

O sociólogo Paulo Baía acredita que essas mobilizações estão sendo acompanhadas pelos órgãos públicos e que a situação irá se normalizar. “Estou muito tranquilo com relação ao que está acontecendo no país. Nós temos uma anomalia quando olhamos esse pessoal questionando as eleições, o que não é uma novidade, era esperado. Mas ao mesmo tempo existe uma extrema normalidade com o funcionamento da Justiça, dos órgãos de segurança e da atuação dos procuradores”, avalia o professor da URFJ.

O Ministério Público de São Paulo informou que apura quem está por trás da organização e do financiamento do que chamou de grupos criminosos que atuaram no bloqueio de rodovias no estado, inclusive com a presença de menores no meio dos manifestantes.

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Michelle Bolsonaro com a farda da golpista Polícia Rodoviária Federal - PRF

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Baderneiro, golpista, inimigo da democracia, sua tropa da câmera de gás tentou impedir o voto livre, democrático e soberano dos eleitores de Lula. Cadeia nesse safado
Sérgio A J Barretto
@SergioAJBarrett
As investigações sobre a cumplicidade do ex-dirigente da PRF com os caminhoneiros golpistas foram também colocadas em sigilo de 100 anos. É um século que vai virar dois meses

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27
Out22

O arsenal na mansão do terrorista Jefferson

Talis Andrade

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No papo amigável que teve com o policial que negociou sua detenção, ele se jactou de ter disparado 50 tiros de fuzil

 

10
Out22

Na caça ao voto religioso, uma guerra santa irrompe

Talis Andrade

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por Juan Arias

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O segundo turno das eleições brasileiras começou com uma guerra religiosa na qual Bolsonaro acusa Lula nas redes de ter um pacto com o diabo enquanto é acusado de flertar com a Maçonaria. Tudo isso para disputar o voto religioso que poderia decidir o resultado final.

Os dois candidatos a chefe de Estado não esperaram um único dia para se engajar em uma briga para desacreditar um ao outro diante do grande eleitorado cristão, que é aquele que pode decidir o resultado final das eleições. Nesta terça-feira, festa de São Francisco de Assis, Lula aproveitou para bajular os católicos ao postar uma oração no Twitter em que recolhe as palavras do santo: “Onde há dúvida, põe fé”, e apareceu em vídeo com um grupo dos frades franciscanos, enquanto sua mulher, Janja, segurava nas mãos uma estátua do santo. O candidato da esquerda confessou aos religiosos: “Levo muito a sério minha fé religiosa. Para mim, a fé é algo muito sagrado. Eu levo minha espiritualidade muito a sério.”

Lula acabara de ser acusado nas redes sociais bolsonaristas de ter feito um pacto com o diabo e que, se eleito, fecharia igrejas evangélicas e perseguiria católicos, como está fazendo seu amigo Daniel Ortega na Nicarágua.

Por sua vez, nas redes lulista, foi postado um vídeo em que Bolsonaro, anos atrás, fala em uma loja da Maçonaria, algo que assusta os evangélicos. O poderoso pastor Silas Malafaia imediatamente saiu em defesa de Bolsonaro para tentar frear uma possível rejeição por parte dos evangélicos ao presidente, que é católico, mas que também se batizou novamente por um pastor evangélico em Israel.

O pastor lembrou que Bolsonaro “é o presidente de todos” e que para ele frequentar a Igreja Evangélica, a Igreja Católica, outras religiões ou a Maçonaria é assunto dele. “Eles não vão manipular os evangélicos. Por que essas mesmas pessoas se recusam a apresentar um vídeo em que Lula aparece em um ritual satânico?” A guerra está aberta sem que ninguém possa saber se todas essas acusações e vídeos são verdadeiras ou encenadas.

O que importa é demonizar, sim, alguns fiéis ou outros para ganhar os votos dos crentes, já que no Brasil eles representam 90% ou mais da população. Por parte dos evangélicos, a mulher de Bolsonaro, Michelle, uma evangélica fervorosa e mística que, depois de ter sido durante todos esses anos relegada a segundo plano, agora aparece em público de joelhos como se estivesse possuída por Deus. Ela afirma que as eleições são “uma luta de Deus contra as trevas”, e refere-se a Lula como alguém “contra a palavra de Deus”, ao mesmo tempo em que pede atenção aos seus correligionários evangélicos que sofrem “de uma cegueira espiritual”.

Bolsonaro, por sua vez, usa a seu favor uma série de referências religiosas e atribui sua eleição a um “desígnio de Deus”. E referindo-se a Lula, afirmou que “lugar de ladrão é cadeia”. Tudo vai servir nas próximas semanas de campanha para tentar ganhar o que chamam de “voto cristão”, que pode condicionar o resultado do concurso.

Sabe-se que os católicos votam esmagadoramente em Lula, enquanto 80% dos evangélicos são seguidores fanáticos de Bolsonaro, instruídos nos templos em ódio aberto contra o que chamam de “comunistas” ou “reino do mal”. Para os bolsonaristas de raiz, os católicos tomaram conta do Brasil em que se trava uma verdadeira batalha entre o bem e o mal, entre Deus e o diabo.

Nessa luta pela conquista do voto religioso, já parece claro que tudo pode dar certo e que uma batalha suja de fake news vai se intensificar nas redes sociais, em que os bolsonaristas são mestres. Foram eles que decidiram a vitória de Bolsonaro em 2018. O jornal O Globo destacou em sua primeira página que uma “guerra santa” começou no segundo turno.

A preocupação com as questões reais e sangrentas que estrangulam milhões de pobres fica para depois, enquanto tentam hipnotizá-los com a miragem da religião e o medo dos demônios.

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24
Set22

Carta a um homem mau

Talis Andrade

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Não desejo a você o mal que você produz, mas sei que ele te encontrará, para além do mero fato de ele já estar em você

 

Marcia Tiburi

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Eu não posso começar essa carta dizendo “Prezado”, como se faz com pessoas que não conhecemos pessoalmente, também não posso escrever “desprezado”, que seria o contrário, porque, de fato, o conceito de desprezível é, ele mesmo, algo desprezível.  

Não tenho certeza que você esteja entendendo o que quero dizer, mas mesmo assim vou confiar na possibilidade de que sua maldade não tenha afetado sua inteligência de modo irrecuperável.  

É um fato que tanto a inteligência, que podemos designar por uma espécie de virtude cognitiva, quanto a bondade, que podemos designar como uma virtude ética, estão intimamente conectadas. Então, quando me refiro à sobrevivência de algum grau de inteligência na sua pessoa, refiro-me também à possível sustentação de algum grau de bondade. Evidentemente, tais conceitos complexos não podem ser assumidos de um ponto de vista dado no senso comum, espaço mental e linguístico no qual estamos todos mergulhados, principalmente porque no momento atual, o senso comum é um território de confusão mental e cognitiva. Em vez de ser um espaço onde buscamos entendimento, tornou-se um lugar onde o desentendimento e a perturbação tomaram conta. Você tem tudo a ver com isso.  

Você ajudou, com palavras e atos, a corromper a mentalidade e a sensibilidade de muita gente.  

É justamente isso o que me faz desconfiar que você não seja tão desinteligente como parece. É que, seja por intuição, seja por hábito, você entendeu desde muito cedo que a esfera pública é onde se constrói o poder político, algo que você sempre desejou ter, mesmo que não soubesse exatamente por quê. E você atuou para dominar a esfera pública. Você queria a alma de cada um, mas queria também a alma de todos e, como deixou claro, a morte para quem não concordava com você. E você sabia que, ao falar assim, conquistaria espaço, assim como quando tocou no profundo sentimento de medo que paralisa as pessoas, ao elogiar um torturador como quem diz: vejam do que sou capaz.  

Desde que você começou a ter alguma fama, você parece atuar para perturbar a mentalidade e a sensibilidade das pessoas com o objetivo de possui-las. E você conseguiu. Em termos muito simples, você descobriu que o discurso de ódio funcionava com as massas. No começo foi algo meio intuitivo. Você percebia que ao falar coisas ruins e propor ações também ruins, você conseguia seguidores e era ovacionado. Depois vieram as redes sociais e nelas você repetiu tudo o que já havia experimentado na vida analógica ao longo de décadas de exercício de falcatruas. Bastava falar grosserias, dizer coisas ofensivas e confiar que ninguém acreditaria no que você estava dizendo e fazendo e assim ir avançando, sem que ninguém percebesse muito bem o que você fazia, até chegar ao topo. Você era parte da democracia e, para muitos, inimputável antes de se beneficiar de um foro privilegiado.  

Você tinha um projeto de poder tanto econômico quanto político e o levaria adiante a qualquer custo.  

Você usou os preconceitos que dão compensação emocional a pessoas toscas e conseguiu os piores aliados, gente disposta a fazer o pior, como você.  

Gente que também tinha um projeto de poder econômico e politico, idêntico ao seu, que, no entanto, não tinha o seu carisma e a sua estranha expressão diabolicamente sedutora. Eles sabiam exterminar desafetos, mas quem sempre soube pregar a matança e incitar à morte foi você. Foi com essa gente sem respeito, sem dignidade, gente capaz de usar o nome de Deus como se fosse uma banana, que você se associou, ou melhor, que você encontrou o seu rebanho. Ninguém diferente de você se tornaria seu sócio. Você é o líder de uma legião de pessoas em tudo idênticas a você.  

Teus aliados, sejam perenes, sejam momentâneos, te adulam, mesmo que no fundo te odeiem, e isso não por que sejam melhores do que você, mas porque têm inveja de você. Se gostam ou não de você, não importa. Fato é que eles idolatram o poder que você tem, assim como você idolatra o poder de outros que você considera superiores a você. De fato, esses aliados são usados por você, mas também te usam. Para muitos você não passa de um espantalho em uma plantação. Você não é o dono de nada, mas aproveita para alimentar o narcisismo que é comum a muitos que almejam cargos importantes.  

 

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Nos rostos dos seus comparsas, pode-se ver que carregam a tristeza infinita das pessoas que se sentem um nada e, de vez em quando, se satisfazem com o fracasso e o sofrimento do outro, o máximo que conseguem sentir. Talvez você não lembre, mas eu lembro quando você riu dos doentes, dos mortos e também dos que restaram vivos chorando seus mortos. Eu lembro porque é impossível esquecer a dor de tanta gente, ao mesmo tempo e por um mesmo motivo.  

Não creio que nenhum ser humano consciente possa esquecer. Mesmo assim, não esquecer, não quer dizer alimentar o ressentimento.  

Mesmo que você seja a expressão perfeita da miséria humana, sobretudo porque hoje você encarna o poder que poderia salvar vidas, salvar a natureza e melhorar o mundo através de palavras e atos, a sua miséria espiritual, intelectual e afetiva, que reverbera ao redor provocando ondas de muitas outras misérias, eu me pergunto se você não poderia mudar. Mesmo que não seja possível, porque a vida é um ato de autorrealização constante, ou seja, nosso devir é, de fato, o que somos, eu ainda gostaria de acreditar que você poderia sair desse circuito de ódio que você cria e alimenta e, assim, liberar também aqueles que foram hipnotizados por suas palavras envenenadas. 

Escrevo para você, sem a intenção de te chamar de estúpido, mesmo que a estupidez não seja um xingamento e apenas uma categoria de análise. Ao contrário, escrevo porque tenho uma suspeita e como pessoa que ama o próximo, você não me é desprezível como eu disse desde o começo, por mais crítica que eu possa ser da sua linguagem, do seu modo de se apresentar e dos seus atos. Na verdade, por mais que você me cause horror. Por mais que você seja um criminoso que cometeu crimes contra a humanidade, eu não gostaria de abandonar o meu desejo de compreender o que levou você a ser quem você é. Eu me pergunto, como você se tornou essa pessoa?  

É por isso que lanço uma singela pergunta ligada à minha suspeita: onde está a sua dor? 

No meio da noite, quando todos dormem e você não tem a quem chamar, ou na cama do hospital, quando seus intestinos param de funcionar e você fica à beira da morte, sendo sempre salvo por médicos que cumprem com o dever humano de salvar vidas, lá no silêncio ao qual toda alma viva faz jus, naquele momento solitário no qual entramos em contato com a gente mesmo e vemos surgir os mais absurdos e indesejáveis sentimentos e monstros da imaginação, aqueles que escondemos de todos porque sentimos vergonha, o que vem à sua mente?  

Eu mesma me autorizo a responder: nada.  

É o nada.  

Contudo, o nada tem uma origem. Ele não é o vácuo.  

O nada é a dor de cada um, com a qual ele não pode entrar em contato.  

Seres humanos são seres de múltiplos sentimentos, alegres e tristes, como dizia um filósofo do passado. Quem é humano sofre em intensidades diversas. O sofrimento é algo que devemos afastar, evitar, contornar, amenizar conforme seja possível. Sofrer não é bom e ninguém precisa sofrer.  

Sem dúvida, o sofrimento em si é um problema, mas a falta de contato com o próprio sofrimento, ou com a própria dor que é uma imagem do sofrimento, não é um problema menor. A falta de contato com a própria dor obriga à escravidão no vazio que nos proíbe de saber sobre a dor. Presos ao vazio, somos incapazes de conhecer o outro.  

A dimensão da alteridade nos escapa quando caímos no vazio.  

Se não há alteridade, não há compaixão. É a impossibilidade de sentir a própria dor que impede que possamos sentir a dor do outro. Contudo, a ausência da alteridade moral, ética e política anda junto com a ausência de abertura para a alteridade cognitiva, ou seja, o conhecimento. Talvez por isso, você não possa deixar de ser diferente do que é e eu tenha que me resignar a esse triste fato. Tomado por esse vazio, que faz pensar que sua alma está morta, embora seu corpo esteja ainda vivo, você explode em mil vazios diariamente destruindo tudo o que estiver pela frente. O seu vazio é uma bomba nuclear explodindo a cultura e a natureza ao redor, a vida em geral que não pode mais ser simplesmente vivida desde que você, por esporte ou perversão, elogia a morte.  

Da experiência de tê-lo encontrado sobre a face do planeta Terra, tão próximo de nós, falando a nossa língua e respirando o nosso ar, saímos todos um pouco machucados. Você é uma ferida. Fica em aberto a questão da bondade da qual você nunca foi capaz, mas talvez em um sentido místico haja algo que possamos compreender. E compreender, mesmo as coisas ruins, é sempre algo bom.  

Contudo, preciso dizer, por mais que você não demonstre compaixão, é curioso como a sua falta de compaixão causou ainda mais compaixão em muita gente. Do mesmo modo, a sua falta de respeito fez muita gente sentir ainda mais respeito por tudo o que você desrespeita. Onde o seu ódio chegou, o amor de muita gente produziu forças de resistência existencial, moral e econômica. Muita gente passou por uma alquimia subjetiva e objetiva fortíssimas. No meu caso, ela foi tão intensa que me permitiu escrever essa carta modesta tentando te olhar de frente e sabendo que você está se desmanchando como uma estátua de sal.    

Talvez possamos sair também mais sábios desse encontro com o mal que você representa se soubermos fazer um projeto de mundo capaz de superar a imensa dor que constitui a condição de possibilidade de existências como a sua.  

Não lhe desejo o mal, seria uma redundância desejar você para você mesmo.  

Desejo mais que justiça, desejo que sejamos capazes de superar o mundo de matança e guerra, de desamor e rancor, de tristeza e preconceito que você propõe.  

Um dia você será passado, assim como eu e como todos. De minha parte, eu terei aprendido várias coisas, pois me esforço em viver para isso. Talvez você não tenha tempo para isso, pois sua última experiência nessa vida será com a justiça que não vai poupá-lo.  

Não desejo a você o mal que você produz, mas sei que ele te encontrará, para além do mero fato de ele já estar em você.  

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24
Set22

Investigações sobre Flávio conectam Jair Bolsonaro ao esquema | UOL Investiga T1E4

Talis Andrade

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O quarto e último episódio do podcast "UOL Investiga - A vida Secreta de Jair" conecta todas as histórias da família Bolsonaro e do esquema ilegal de devolução de salários nos gabinetes. O programa traz bastidores da prisão de Fabrício Queiroz e um resumo das provas contra ele e Flávio Bolsonaro. Também revela o que se descobriu para conectar o presidente Jair Bolsonaro diretamente ao esquema.

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Sérgio A J Barretto
@SergioAJBarrett
Bolsonaro ONU. Lá em Nova York, o pessoal está na porta do hotel para lembrar Bolsonaro dos 51 imóveis comprados com dinheiro vivoImage

Charge do Zé Dassilva: Em dinheiro vivo | NSC TotalÚltimas notícias sobre Minha Casa Minha Vida | A Gazetawww.brasil247.com - { imgCaption }}

 

21
Set22

Cenários do Brasil: catástrofe, golpe ou dificuldade extrema

Talis Andrade

Assunto "jair-bolsonaro" • Eliane BrumEliane Brum lança livro na França e diz que “esperança é um luxo que Brasil  não tem mais” - RFI Convida

por Eliane Brum 

 

A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha mostrou que, se a eleição fosse hoje, Lula se elegeria no primeiro turno. É a torcida de muitos, por entenderem que seria mais difícil para Jair Bolsonaro executar o golpe que prepara e anuncia em caso de derrota. O problema para Lula – e para qualquer brasileiro que tenha gosto pela democracia – é que o melhor cenário é de extrema dificuldade.

Se Bolsonaro se reeleger, o que está longe de ser impossível, é catástrofe. Se em menos de quatro anos o atual presidente já desmontou o melhor que a democracia construiu no país nos últimos 40 anos, mesmo o mais pessimista teria dificuldades em antecipar o pavor de um segundo mandato. Bolsonaro provou que sua capacidade de destruição é maior do que seus maiores críticos previam. O Brasil se aproxima das eleições com 33 milhões de pessoas em estado de fome crônica. Se Bolsonaro perder e der o golpe que prepara e anuncia, num país em que o número de armas nas mãos de civis quadruplicou durante seu governo, será um horror com consequências difíceis de prever. O melhor cenário é a eleição do único candidato com condições de vencê-lo – Lula – e é este o sentimento que as pesquisas apontam.

O problema é o dia seguinte. E quem melhor o encarnou foi a cantora Anitta, hoje a mais popular artista brasileira no cenário global. Depois que anunciou nas redes sociais seu voto em Lula, o PT tentou usar sua imagem para impulsionar outras candidaturas do partido. Anitta lacrou: “Atenção candidatos do PT, atenção partido PT. Eu NÃO SOU petista. Não autorizo o uso da minha imagem para promover este partido e seus candidatos. Minha escolha nessas eleições foi de trazer engajamento e mídia para a pessoa que tem maior chance de vencer Voldemort (usando a referência ao vilão de Harry Potter para nomear Bolsonaro) nessas eleições”.

Uma parcela daqueles que votarão em Lula só o farão, como Anitta, porque ele é a única chance de derrotar Bolsonaro. Não é um voto de confiança ou adesão ao projeto do PT – e sim um voto antibolsonaro. Para que isso seja possível, Lula busca conciliar os inconciliáveis, fazendo alianças com quem votou pelo impeachment de Dilma Rousseff e com notórios destruidores da Amazônia. O próprio vice, Geraldo Alckmin, quatro vezes governador de São Paulo com um projeto de direita, tem uma folha corrida que causa arrepios, com violência contra estudantes em protesto e massacre de sem-tetos, sem contar o fato de ser padrinho na política de Ricardo Salles, que com Bolsonaro se tornou o pior ministro de meio ambiente da história do Brasil.

Juntar gente que não consegue ficar na mesma sala talvez seja a única forma de derrotar Bolsonaro, mas certamente é uma perspectiva muito difícil para governar um país arruinado. No dia seguinte à possível vitória, a única base para a aliança circunstancial de muitos – derrotar Bolsonaro – vai se desfazer. Restará um presidente que envelheceu nas ideias, que já não representa uma utopia de futuro e que estará amarrado a aliados perigosos. Se no passado Lula representou a esperança, hoje ele representa apenas a esperança de derrotar Voldemort. Ser brasileiro e ser democrata hoje é torcer – muito – pela dificuldade extrema.

Minha coluna no El País (em espanhol)

16
Set22

"Tem criança com fome": internautas se revoltam com veto de Bolsonaro ao reajuste da merenda escolar

Talis Andrade

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Repasses da merenda escolar não são reajustados há cinco anos. Crianças são obrigadas a dividir até um ovo com outros colegas

 

247 - Internautas de todo o país levaram o termo "tem criança com fome" aos assuntos mais comentados do Twitter nesta sexta-feira (16) em função da revelação de que os valores dos repasses da merenda escolar não são reajustados há cinco anos e que o último aumento, aprovado em agosto pelo Congresso Nacional, foi vetado por Jair Bolsonaro (PL) sob a alegação de que isso poderia estourar o teto de gastos. 

O travamento do reajuste, associado à alta da inflação dos alimentos, que chegou a 26,75% entre maio de 2021 e maio deste ano, tem levado muitas escolas a carimbarem a mão de crianças para que estas não repitam o prato de comida

Os alunos são obrigados até mesmo a dividir ovo com colegas. Houve redução em itens básicos como arroz e carne. A situação deverá se repetir ao longo do próximo ano, uma vez que o Projeto de Lei Orçamentária enviado ao Congresso também não prevê reajuste para o exercício de 2023.

A merenda escolar é assegurada pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que atende cerca de 41 milhões de estudantes em todo o país. Sem reajuste, os valores diários per capita repassados pelo programa para Estados e municípios são de R$ 1,07 para as creches, R$ 0,53 para a pré-escola e de R$ 0,36 para o ensino fundamental e médio. 

Um estudo da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), divulgado na quinta-feira (15), aponta que 37,8% dos lares com crianças de até 10 anos sofrem com a fome ou redução da quantidade e da qualidade dos alimentos. 
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Senador Paulo Paim
@paulopaim
Esta foto é chocante. Crianças nas escolas públicas dividem até ovo. Cenas assim se alastram pelo Brasil. Repasses para a merenda não crescem há 5 anos. Atual governo federal veta reajuste para 2023. É a política do prato vazio, da fome. É muita crueldade. Basta!
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