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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

06
Jun20

Estudioso das Forças Armadas afirma que militares ainda estão presos na lógica da Guerra Fria e creem na ameaça de um "marxismo cultural"

Talis Andrade

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II - "Militares não mudaram modo de pensar depois da ditadura"

Bruno Lupion entrevista João Roberto Martins Filho

 

DW Brasil: O que aconteceu com as Forças Armadas brasileiras após o regime militar?

João Roberto Martins FilhoEu compararia com o que aconteceu na Argentina. Lá, a ditadura desmoronou dada a escala da repressão, que atingiu 30 mil mortos e desaparecidos, enquanto no Brasil foram menos de 500. As Forças Armadas da Argentina saíram do governo repudiadas pela opinião pública e com seus principais chefes julgados e condenados. No Brasil, houve um processo de dez anos de retirada controlada dos militares, que saíram do governo praticamente ilesos e até com certo prestígio.

A partir dali, houve um processo lento de avanço do controle democrático sobre as Forças Armadas. O [Fernando] Collor extingue o Serviço Nacional de Informações, em 1999 é criado o Ministério da Defesa, e em 1996 sai a primeira Política de Defesa Nacional, depois uma Estratégia Nacional de Defesa e o Livro Branco da Defesa, que foram elaborados com a participação de civis.

Aparentemente, os militares tinham se adaptado aos limites da democracia, todos os ministros da Defesa eram civis. Mas não houve mudança no modo de pensar deles – eles só não estavam expressando sua forma de pensar. Com a crise política, começou a brotar aquilo que estava recalcado. E, de repente, nos surpreendemos com esse afã de voltar a participar da política, e com ideias muito ultrapassadas. Isso numa sociedade que não tinha incorporado a crítica à ditadura, como se fez, por exemplo, na Alemanha com relação ao nazismo. Não houve aqui uma política de construção de uma memória crítica em relação à ditadura.

 

Quais são as ideias hoje predominantes entre os militares?

Eles ainda consideram que existe um comunismo disfarçado, como na época da Doutrina de Segurança Nacional. A marca da Guerra Fria era o anticomunismo, e isso não mudou. Se você ler hoje [03/06] o artigo do vice-presidente no jornal O Estado de S. Paulo, você fica horrorizado. Como é que, depois de duas manifestações de oposição, ele já está falando em polícia, prisão, conspiração internacional? Esse tipo de coisa não mudou.

O que mudou foi que os militares conservadores, na época da ditadura, eram portadores de um nacionalismo autoritário e estatista. Nos últimos cerca de 20 anos, os militares começaram a ter cursos oferecidos pela Fundação Getúlio Vargas e pela Fundação Dom Cabral, MBAs nos quais eles se preparavam para o que poderiam fazer depois que fossem para a reserva – quando eles não se tornam general, vão para a reserva cedo, com 48, 50 anos. Esses cursos fizeram surgir algo que nunca existiu na mentalidade militar brasileira, uma visão liberal e ultraliberal da economia, e eles se afastaram daquele nacionalismo estatista e desenvolvimentista.

 

Como os militares puderam manter essa ideologia anticomunista se não existe mais a "ameaça" do comunismo no mundo?

Não existe mais o comunismo, mas há mais de 20 anos os militares passaram a acreditar que há uma ideologia do marxismo cultural, sobre a qual se fala muito hoje no Brasil. A ideologia do marxismo cultural seria a nova forma de atuação do comunismo, que teria se disfarçado em uma série de novas frentes, como no movimento pelas minorias, contra o racismo, pelos direitos da mulher e assim por diante. Essa seria uma forma nova do insidioso comunista atuar no mundo. Por isso, quando o [então] comandante do Exército [general Eduardo Villas Bôas] passou o comando [ao general Edson Leal Pujol] no começo do governo, em janeiro do ano passado, ele saudou o Bolsonaro por encerrar a era do politicamente correto, onde todos pensam igual. E falou que, de acordo com Walter Lippmann, onde todos pensam igual, ninguém pensa. Para ele, foi uma vitória o bolsonarismo, porque acabou com uma época supostamente de pensamento único. E esse pensamento único é a esquerda, é uma uma alusão a um comunismo disfarçado, apesar de ser algo inexistente na realidade. É um pouco absurdo, mas é o que eles pensam. 

 

Não há nas Forças Armadas uma ala moderada, com um pensamento mais moderno?

Estamos procurando essa ala hoje, mas ainda não a encontramos. No caso do confronto artificial criado entre o governo e o Supremo, vários generais se manifestaram dando lição de direito constitucional ao Supremo. Imagine isso na Alemanha, um general falando para um membro da Alta Corte alemã como ele deve interpretar a Constituição alemã. Isso gerou um apoio, quase unânime, nas Forças Armadas à ideia de que está havendo uma intervenção do Poder Judiciário na liberdade do Poder Executivo. Complementada com a leitura de que o artigo 142 da Constituição permitiria que o Executivo chamasse as Forças Armadas para atuar como Poder Moderador, o que foi já recusado por um manifesto de 650 juristas. Me parece que esse caráter conservador, neoliberal e a defesa do governo Bolsonaro são mais ou menos unânimes, independente da Força ou de ser da reserva ou da ativa.

10
Abr20

Que mundo teremos depois disso?

Talis Andrade

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Milão

 

Texto de Leila Guerriero

Até dias atrás falávamos do avanço da direita, da xenofobia, do nacionalismo, de Trump e de Bolsonaro como as bestas negras. Agora, em um cenário de guerra química, nas varandas da Itália o hino nacional é cantado e até os mais hereges se sentem transtornados de patriotismo, atordoados de emoção, cantando “Estamos prontos para morrer, a Itália chamou”. Os cidadãos clamam a seus Governos que lhes impeçam de viajar, que os vigiem, que fechem as fronteiras, que expulsem os estrangeiros, que a polícia patrulhe. A quarentena obrigatória transformou a delação em orgulho cidadão, a suspeita em solidariedade: “Denunciou o vizinho porque não cumpria a quarentena”. O confinamento é vivido como alívio, o controle social como dever. A distância com o outro como “sinal de amor”. 

 

03
Abr20

França não descarta nacionalizações e endividamento para superar crise do coronavírus

Talis Andrade

 

O ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, foi entrevistado ao vivo nesta sexta-feira (3) pela RFI e pela TV France 24. Aos jornalistas Christophe Boisbouvier e Roselyne Febvre, ele declarou que desde o primeiro dia teve consciência da gravidade dessa crise e antecipou que a retomada econômica será “longa, difícil e cara”.

Assim que o confinamento entrou em vigor, o Executivo francês anunciou várias medidas para ajudar as empresas do país a superar o choque criado pela redução drástica das atividades. A decisão de avalizar em até € 300 bilhões (mais de R$ 1,7 trilhão) de empréstimos das firmas junto aos bancos é uma das mais expressivas. O volume equivale a 15% do PIB francês, e é «apenas uma primeira etapa», disse à RFI Bruno Le Maire. “Decidimos fazer tudo para salvar nossa economia, evitar falências em série e milhões de desempregados. Disponibilizamos muito dinheiro público, € 45 bilhões, para evitar a bancarrota econômica e social.”

Em relação à polêmica falta de equipamentos médicos, a começar pelas máscaras e pelos testes de diagnóstico do novo coronavírus, Bruno Le Marie lembrou que o objetivo é oferecer ao maior número de pessoas, mas a “prioridade absoluta é proteger as equipes de saúde”. As máscaras estão sendo compradas da China, mas o ministro fez questão de elogiar o esforço de fábricas francesas que reorientaram suas atividades e multiplicaram a produção nacional do produto. "Uma atitude patriota", afirmou.

Soberania econômica nacional e soberania econômica europeia

Le Maire insistiu sobre a necessidade de se obter uma soberania econômica nacional e europeia: “Existe uma necessidade absoluta de reconstruir alguns valores na França. Temos que reforçar nossa independência econômica”.

 

“Se a Europa não for fiel a suas raízes históricas, se ela não der provas de solidariedade humana, uma atitude que deve ser prioritária diante de considerações econômicas ou financeiras, ela não vai conseguir se reerguer”, martelou. Segundo ele, o bloco está numa encruzilhada. “Ou continuamos a ser solidários aos países mais atingidos pelo coronavírus, de maneira concreta, ou voltaremos aos egoísmos nacionais e a Europa desaparecerá”, prevê Le Maire.

Nesse sentido, o ministro da Economia propõe várias pistas. Ele pede a utilização do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES), criado após a crise financeira de 2008 e dotado atualmente de cerca de € 410 bilhões, o desbloqueio de recursos do Banco Europeu de Investimentos (BEI) e do Fundo Europeu de Desemprego Temporário. Le Maire é favorável à criação de um novo fundo para enfrentar as consequências dessa crise econômica no bloco, que seria financiado por dotações dos países integrantes da União Europeia ou por uma taxa de solidariedade específica.

“Poderíamos mobilizar € 240 bilhões do Mecanismo Europeu de Estabilidade, que já é uma soma considerável. Além disso, cada país definirá suas necessidades”, detalhou. Le Maire defendeu a possibilidade dos Estados se endividarem. “É melhor se endividar hoje e ter meios financeiros à disposição do que deixar nossa economia afundar. A retomada econômica na França e na Europa custará caro”, reiterou.

Nacionalização

O pagamento das taxas fiscais e sociais das empresas será suspenso enquanto durar a crise sanitária. “Seremos coerentes. Não vamos suspender o dispositivo de ajuda antes da economia ser relançada”, assegurou.

Sobre a ideia de nacionalização de empresas francesas, ele informou que uma lista dos grupos fragilizados por esta crise foi feita e entregue ao presidente Emmanuel Macron, mas garantiu que a medida seria provisória. “A ideia é o Estado proteger, mas por um período limitado. As empresas seriam nacionalizadas temporariamente, pois o Estado não tem vocação a dirigir firmas do setor comercial no lugar dos empresários”, explicou.

Ao alertar mais uma vez que a crise será “longa e durável”, o ministro prometeu que o governo francês fará tudo o que estiver ao seu alcance “para proteger o emprego dos trabalhadores”.

Moratória da dívida de países africanos?

Na quinta-feita (2), Bruno Le Marie pediu para se evitar um “drama” nos países em desenvolvimento, particularmente na África. Ele propôs como medidas de apoio uma moratória da dívida dessas nações. Na entrevista à RFI, o ministro francês ressaltou que está “preocupado com o impacto violento que esta crise pode ter nos países africanos” e reafirmou que pediu no “G20 uma solidariedade total” ao continente.

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21
Fev20

Compras públicas

Talis Andrade

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6 - Tofolli está certo: a Lava Jato destruiu a indústria do Brasil

por Marlon de Souza

 

 

Ainda como parte do desarranjo da indústria brasileira o ministro da Economia Paulo Guedes anunciou no final do mês passado no Forum Econômico Mundial em Davos que o Brasil irá aderir ao Government Procurement Agreement – GPA -  (sigla em inglês para Acordo sobre compras governamentais) da Organização Mundial do Comércio (OMC). O GPA estabelece aos países signatários uma série de compromissos entre os principais está o acesso aos mercados nacionais de compras públicas. Seus integrantes ficam obrigados a dar “isonomia” de tratamento entre empresas nacionais e estrangeiras. Atualmente 48 países integram o GPA, entre eles as 27 nações da União Europeia.

Hoje as compras públicas no Brasil é a mais eficiente e maior política de Estado para desenvolvimento das empresas nacionais, apenas indústrias do Brasil podem concorrer as licitações, com esta decisão de adesão ao GSA o governo brasileiro abre o mercado nacional de compras públicas para empresas estrangeiras e o efeito pode ser a extinção de setores inteiros econômicos nacionais.

Sem data ainda para ser assinado, mas o que se sabe é de que as consequências para a indústria brasileira será gravíssima e com prejuízos irrecuperáveis de ordem econômica e social sobretudo para o mercado de trabalho de profissionais brasileiros.

O Estado do Brasil hoje é um comprador de bilhões de reais ano e proporciona o desenvolvimento econômico social. É possível se ter a dimensão do que as compras governamentais representam ao se observar o estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) onde aponta que entre 2006 e 2016, a média anual da contribuição do setor para o PIB “nunca esteve abaixo de dois dígitos alcançando a média de 12,5% no período”, apontam os pesquisadores Cássio Garcia Ribeiro e Edmundo Inácio Júnior, responsáveis pela aferição.

O IPEA aponta também que as compras da União representaram a maior fatia do mercado de compras governamentais brasileiro no período — em média, cerca de 50%. Metade desse volume era de compras da Petrobras, que durante os governos Lula e Dilma adotou uma política de conteúdo nacional em suas aquisições, resultando no grande impulsionamento da produção brasileira voltada para a cadeia de óleo e gás — indústria sofisticada, que gera empregos qualificados, formais e com remunerações mais elevadas. Foi um momento em que comumente havia recrutamento e migração de trabalhadores de todas as partes do país para colaborarem na indústria naval, nas refinarias e plataformas de petróleo.

Este programa de uso do poder de compra do Estado se estende não apenas para a União, mas para todas as esferas da administrações públicas como os governos municipais e governos estaduais. Quando fala-se em poder de compra do Estado trata-se de contratação de obras, serviços, tecnologia, aquisição de materiais de qualidade, manutenção ou substituição de materiais.

“A política de compras governamentais poderia assumir um importante papel na recuperação da economia do país, pelo seu enorme potencial anticíclico”, alertam os pesquisadores do Ipea. Em uma economia estagnada com 12,6 milhões de desempregados, e mais do que isto em uma economia em desenvolvimento, isto é ainda não desenvolvida e em estágio de capitalismo atrasado, as compras realizadas pelos governos têm um papel fundamental, mas a política ultraliberal do ministro da Economia Paulo Guedes abre mão desta política pública abrindo as licitações públicas para empresas estrangeiras em detrimento da indústria brasileira. [Continua]

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20
Fev20

BNDES

Talis Andrade

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5 - Tofolli está certo: a Lava Jato destruiu a indústria do Brasil

por Marlon de Souza

 

 

Historicamente o principal instrumento de desenvolvimento da indústria brasileira é o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) que financia a inovação e investimento de plantas industriais produtivas a juro subsidiado, bem abaixo do mercado. Como parte da política anti-indústria do governo Bolsonaro o BNDES desde o início do atual governo tem suas linhas de financiamento desmontadas e as operações executadas no governos Lula/Dilma atacadas e descreditadas publicamente.

Cumprindo com a promessa de campanha eleitoral de 2018 o BNDES no governo Bolsonaro contratou auditoria para desvendar a suposta caixa-preta de operações feitas entre 2005 e 2018. Foram contratados dois escritórios de advocacia; um estrangeiro com sede em Nova York e outro no Rio de Janeiro para investigar a “chamada caixa-preta do BNDES”. Conforme apurou o jornal Estado de São Paulo uma auditoria de seis páginas no BNDES que não apontou evidência alguma de corrupção gastou R$ 48 milhões - R$ 6 milhões por página.

Mobilizada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, a campanha sobre supostas irregularidades no banco tinha como alvo atingir os governos do PT - Lula e Dilma, não só não encontrou nenhum desvio como agora o valor gasto pelo atual governo na auditoria de R$ 48 milhões é questionada pelo Ministério Público (MPTCU) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). O pedido é assinado pelo sub-procurador-geral do MPTCU Lucas Rocha Furtado e requer informações se a contratação da auditoria está de acordo com a legislação brasileira e se o valor do contrato está condizente com o praticado no mercado.

O próprio ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht em entrevista a Folha de São Paulo publicada em dezembro do ano passado afirmou que quando realizava uma obra em outro país o “BNDES financiava conteúdo nacional, geração de trabalho no Brasil”, explicou. Sobre o porto de Cuba, por exemplo, Odebrtecht explicou que o contrato do financiamento do BNDES obrigava aquele país a importar do Brasil a “estrutura metálica, maquinário, produtos com conteúdo nacional”. Isto derruba o argumento de que o BNDES financiava projetos no exterior, o dinheiro ficava no Brasil, gerava empregos aqui. Odebrecht ressaltou ainda na entrevista que o presidente Lula apresentava de forma institucional e enquanto estadista as empresas brasileiras no exterior no mesmo patamar de competitividade e concorrência sem privilegiar nenhuma. [ Continua ]

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12
Set19

Bolsonaro, o falso nacionalismo e a destruição do Brasil

Talis Andrade

As atitudes de Bolsonaro não devem ser vistas como improvisadas e impensadas: representam uma cruzada ideológica para impor um governo forte e repressivo internamente, mas fraco e servil no plano internacional

 

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por Carlos Eduardo Martins

Versão em espanhol aqui

A crise ambiental e diplomática promovida pelo governo brasileiro, em razão de sua cumplicidade com o Dia do Fogo organizado por setores do agronegócio na Amazônia e das hostilidades que dirigiu ao governo francês, é apenas mais um capítulo de um projeto, em curso, de submissão neocolonial ao imperialismo unilateral de Trump e à extrema-direita estadunidense. Apresentada por Bolsonaro e sua base como uma reação do governo brasileiro a um imperialismo francês e europeu que pretenderia internacionalizar a Amazônia, representa em verdade o exato oposto: a subordinação visceral de um subimperialismo títere e vassalo ao poder estadunidense e à internacional fascista que o trumpismo organiza.

 

Fragilizado internacionalmente com a diminuição acelerada de sua competitividade a partir de 2008, pressionado pela expansão de sua dívida pública, pela projeção da China na economia mundial, pela afirmação de distintos projetos de integração regional e de um novo eixo geopolítico mundial, através da rota da seda, do BRICS e das pretensões de um projeto de Sul Global, os Estados Unidos têm buscado reagir a essa conjuntura que lhe é globalmente desfavorável de diferentes formas.

Obama combinou as políticas de ampliação da globalização neoliberal com as de desestabilização, cerco ou intervenção militar, a pretexto humanitário, de acordo com espaços e circunstâncias. Expressão da busca de ampliação da globalização neoliberal foi a tentativa de firmar o Acordo de Parceria Transatlântica em Comércio e Investimento com a União Europeia, a assinatura do Acordo de Parceria Transpacífica, o acordo com o Irã sobre enriquecimento do Urânio e o projeto de flexibilização do bloqueio a Cuba, para frear sua integração crescente à economia chinesa. As políticas de cerco e desestabilização se orientaram para a Rússia – buscando separá-la de regiões fronteiriças, como a Ucrânia, e confrontá-la à União Europeia – para o Norte da África e, principalmente, a América Latina, por meio da preparação e apoio aos golpes de Estado no Paraguai e no Brasil, ou do cerco à Venezuela, declarada ameaça à segurança dos Estados Unidos. As políticas de intervenção se manifestaram nas coalizões que liderou para a intervenção na Líbia, ocasionando a derrubada e assassinato de Muammar Al Gaddafi, e na Síria, que fracassou em função do apoio da Rússia a Bashar-al-Assad.

Trump rompe com as políticas regionais de livre-comércio e investimento, paralisa organismos multilaterais como a OMC, assume uma perspectiva hostil à defesa do ecossistema, retirando os Estados Unidos do Acordo de Paris e se opõe ao Pacto Mundial Para Migração. Toma a sério os efeitos da globalização neoliberal sobre a destruição do setor industrial estadunidense e o rebaixamento dos salários dos trabalhadores. Entretanto, não rompe com a globalização financeira e a financeirização do capital: corta os impostos das grandes corporações, ampliando o déficit e a dívida pública, e escolhe, como inimigos, os Estados competidores e os trabalhadores imigrantes. Para atingi-los usa a força do Estado não apenas contra a China, mas contra aliados históricos como a Alemanha e o México: impõe tarifas sobre os produtos chineses; ameaça com sanções as empresas e os Estados que negociarem com a Huawei; intimida a Alemanha anunciando o propósito de estabelecer cotas sobre as exportações dos seus automóveis por razões de segurança nacional; e chantageia o México com impostos sobre suas exportações, caso não imponha um controle das fronteiras que impeça ou derrube drasticamente o fluxo migratório para os Estados Unidos, exigindo ainda que compre grandes volumes de sua produção agrícola.

America First, de Trump, deve ser entendido ainda como uma retomada da Doutrina do Destino Manifesto. Trata-se de restabelecer o controle político e econômico sobre a América Latina e o Caribe, que considera o seu espaço continental vital, reduzindo os seus Estados à condição de semicoloniais e neocoloniais, para enfrentar ameaças estrangeiras ou obstáculos ao expansionismo dos Estados Unidos. Esta doutrina, que guiou a política externa dos Estados Unidos de 1846 até 1933, entre a guerra pela conquista do território mexicano até a Política de Boa Vizinhança de Roosevelt, está sendo ampliada para incluir não apenas o México, o Caribe, a América Central e o Canal do Panamá, como antes, mas a América do Sul, zona então vista como de autonomia relativa. Isto tem relação com o grau de desafio, muito superior, ao imperialismo estadunidense, representado pela ascensão da China no sistema mundial.

Trump dá sequência a um giro já realizado por Obama para conter a integração latino-americana e sua articulação geopolítica mundial. Mas o faz de forma muito mais unilateral e violenta. Rompe com o liberalismo global, restabelece com maior intensidade a estratégia do cerco contra Cuba e busca derrubar o que chamou de Troika da Tirania, que imputou aos governos deste país, da Venezuela e da Nicarágua. Estabelece nova escala de sanções econômicas e de guerras híbridas, estimulando ainda uma intervenção militar na Venezuela por meio do Grupo de Lima. Seu objetivo é o de controlar os imensos recursos estratégicos da região para dar novo impulso à industrialização dos Estados Unidos, ameaçada pela competição internacional. Neste projeto, se reserva a desindustrialização à América Latina, convertendo-a em produtora de alimentos e de matérias-primas minerais e agrícolas. A desindustrialização atinge inclusive o setor petrolífero, onde os Estados Unidos se lançam como uma potência industrial, exportadora de diesel e gasolina, e importadora de petróleo cru. Abre-se assim um enorme espaço para a corrida sobre os recursos naturais da Amazônia visando a exploração mineral, pecuária e agrícola. De especial interesse torna-se a área constituída pela Reserva Nacional do Cobre e Associados (RENCA), que se pretende extinguir, revertendo a demarcação de terras indígenas e outras reservas naturais que estão no seu perímetro e equivalem em tamanho à Dinamarca.

O governo Bolsonaro impulsiona internamente essa estratégia e encontra resistência limitada dos segmentos industriais. Estes aceitam reconverter-se na financeirização, ou em estratégias de diversificação produtivas mais específicas, como a mineração e o agronegócio, recusando qualquer projeto mais amplo de desenvolvimento que eleve o nível de emprego e, com isso, as pressões dos trabalhadores para a redistribuição do excedente. Abandona-se o desenvolvimento em nome do controle político sobre o Estado

O imperialismo unilateral de Trump implica uma mudança na relação com a União Europeia. Trump, ao contrário de Obama, apoia o Brexit e a liderança de Boris Johnson para enfraquecê-la Ele a vê cada vez mais como competidora e busca limitar sua penetração tanto sobre o mercado interno dos Estados Unidos. Busca limitar ainda sua atuação sobre a área que supõe de dominação continental dos Estados Unidos, recuperando a dimensão imperialista da Doutrina Monroe. Quando Mercosul e União Europeia acertaram os termos de um acordo de livre-comércio, Trump exigiu ao Brasil abrir a negociação para firmar um TLC e despachou o Secretário de Comércio Exterior estadunidense, que não vinha desde 2011 a este país, para alertar sobre o risco de armadilhas que inviabilizassem um futuro com os Estados Unidos. Desde então Bolsonaro abriu fogo contra o acordo com a União Europeia, escolhendo a França, a potência europeia mais sensível em questões ambientais, como alvo.

Na véspera da chegada de Wilbur Ross ao Brasil, Bolsonaro desmarcou a reunião com o Chanceler francês, alegando problemas de agenda, para cortar o cabelo, durante o horário marcado, em liveinspirada no registro fotográfico de corte do cabelo de Hitler em uma barbearia. Ele cruzou os braços diante Dia do Fogo, forjado para exibir apoio à sua política para a Amazônia, retardando o socorro à floresta, às reservas indígenas e aos seus habitantes. Acusou as ONGs ambientais de estarem por trás do incêndio, ofendeu a Primeira-Dama francesa, recusou a ajuda da União Europeia para combater o incêndio e promover a reflorestação. Fez o possível para criar um incidente diplomático irreversível que inviabilize o acordo, enquanto simulava um nacionalismo retórico denunciando a suposta tentativa europeia e francesa de internacionalizar a Amazônia, quando em discurso de campanha, afirmou entender não ser mais do Brasil. Ele anunciou estar articulando junto com os Estados Unidos uma solução para a Amazônia e liderar a formulação de um documento de governantes sul-americanos repudiando o intervencionismo europeu.

As atitudes de Bolsonaro não devem ser vistas como improvisadas e impensadas, mas como parte de uma estratégia deliberada e articulada para comprometer o multilateralismo da política externa brasileira e submeter o país ao imperialismo neocolonial de Trump. Representam uma cruzada ideológica para impor um governo forte e repressivo internamente, mas fraco e servil no plano internacional. Sua defesa do nacionalismo brasileiro se revela patética quando os fatos indicam que age como uma marionete de Trump para entregar nossas riquezas e o controle da Amazônia ao capital estadunidense. A imprudência de Macron em revelar sua pretensão de internacionalizar a Amazônia, caso o governo brasileiro não a protegesse, serviu de pretexto para que Bolsonaro levantasse uma cortina de fumaça em torno de suas reais intenções. A ameaça de um imperialismo francês sobre a Amazônia equivale a um risco zero para o Brasil. Não há nenhuma possibilidade de emprego da força francesa ou europeia que contrarie os interesses dos Estados Unidos na região. Por outro lado, o nacionalismo não deve ser defendido como instrumento para aniquilar direitos dos trabalhadores, promover ecocídio, extermínio das populações indígenas, destruir a democracia e ameaçar governos socialistas vizinhos. Foi por esta razão que a Alemanha nazista terminou invadida pela URSS durante a Segunda Guerra Mundial, com amplo respaldo internacional e de grande parcela dos alemães, oprimidos pelo fascismo.

Bolsonaro expressa no século XXI e, de forma acentuada, as formulações da ala fascista que organizou o Golpe Militar do grande capital em 1964, e que teve seus principais representantes nos generais Artur da Costa e Silva e Silvio Frota. Algumas de suas principais inciativas ecoam as diretrizes básicas deste grupo: a subordinação da política externa ao alinhamento ideológico dirigido pela extrema-direita dos Estados Unidos, a aproximação com o sionismo, a redução drástica do Estado na economia, a busca do protagonismo dos militares e dos setores repressivos no aparato de Estado e o rechaço à democracia.

Em Ideais Traídos, Sylvio Frota expõe essas teses: alega que as razões ideológicas são mais importantes que as motivações de comércio exterior; recusa a política externa de pragmatismo responsável e ecumênico de Geisel; ataca o estabelecimento de relações diplomáticas com a China, afirmando que o maoísmo não seria compatível com a civilização democrática (sic) e cristã brasileira, procedimento que Ernesto Araujo reverbera, quando diz que o Brasil não deve vender a alma para exportar soja e minério à China; opõe-se ao voto brasileiro contra o sionismo; rechaça a abstenção no bloqueio à Cuba; e critica o estabelecimento de relações com Angola e Moçambique. Ele ainda acusa Geisel e Golbery de serem de centro-esquerda; arremete contra o capitalismo de Estado na economia, que considera precursor do comunismo; opõe-se à redemocratização e à liberdade de imprensa; propõe o alinhamento radical aos Estados Unidos, nomeando-os como o derradeiro reduto da democracia, ainda que não a todos os seus dirigentes, como Jimmy Carter, a quem imputa agir sob influência soviética quando tentou conter o sionismo.

Um dos aspectos da política de submissão neocolonial de Bolsonaro, que já começa a despontar, é a liquidação das reservas brasileiras para impedir que forças políticas no futuro possam usá-las para o desenvolvimento do país e da integração latino-americana. Apenas em setembro, o Banco Central, sob o comando de Roberto Campos Neto, pretende se vender U$ 11 bilhões a pretexto de manter estável o valor do real frente ao dólar. Tal iniciativa, caso se torne sistemática, pode atuar para reforçar a liquidação dos ativos do Estado e ameaçar as poupanças das camadas médias em favor da centralização financeira em grandes bancos internacionais.

Este projeto, se prosperar, cristalizará o poder quase absoluto de uma burguesia compradora e parasitária sobre o aparato de Estado, que o utilizará para fazer seus negócios particulares, destruindo-lhe a autonomia relativa e impondo um estilo de gestão privado e familiar, como na máfia. Para tanto, buscará colocar no lugar da ciência, da educação e da cultura, o fanatismo religioso e a cultura de extermínio, reduzindo a classe trabalhadora à condição de um lumpemproletariado desamparado, composto por uma ralé de indivíduos pobres, ignorantes, violentos e ressentidos, que sem direitos e o mínimo de consciência anticapitalista, se aproximarão a situações de trabalho análogas à escravidão, tornando ainda mais viva a metáfora do retorno a um Brasil colonial.

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***

A edição atual da revista semestral da Boitempo, a Margem Esquerda, traz um dossiê especialinteiramente dedicado aos rumos do governo Bolsonaro, com análises de Leda PaulaniCelso AmorimAlysson Mascaro e João Quartim de Moraes. E ainda, reflexões de Patricia Hill Collins, Michael Burawoy, Carlos Rivera-Lugo, Joachim Hirsch e Nuno Ramos, entre outros.

12
Set19

“A Amazônia é propriedade do Brasil. É o Brasil quem tem que cuidar dela”, diz Lula ao Le Monde

Talis Andrade
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Le Monde publicou uma entrevista exclusiva com o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 12 de setembro de 2019.Reprodução/Le Monde
 
 

O jornal Le Monde desta quinta-feira (12) traz uma entrevista exclusiva com o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, concedida na sala de imprensa da sede da Polícia Federal de Curitiba. Dizendo se sentir bem, moralmente e fisicamente, Lula ratifica sua inocência e se diz otimista sobre sua saída da prisão. Também falou sobre a soberania do Brasil sobre a Amazônia, mas defendeu o presidente francês, Emmanuel Macron, dos insultos de Jair Bolsonaro e membros do governo brasileiro.

“Sempre tive excelentes relações com todos os presidentes franceses, de esquerda como de direita, com Chirac, Sarkozy e Hollande. Sou solidário a Emmanuel Macron, depois dos insultos contra sua esposa. Foi uma grosseria injustificável, e isso não tem nada a ver com o povo brasileiro”, afirma o ex-presidente, em entrevista ao novo correspondente do Le Monde no Brasil, Bruno Meyerfeld.

Entretanto, Lula discorda da questão evocada por Macron sobre internacionalizar a floresta amazônica. “A Amazônia é propriedade do Brasil. Ela faz parte do patrimônio brasileiro. É o Brasil quem tem que cuidar dela. Isso não quer dizer que é preciso ser ignorante, que a ajuda internacional não é importante. Mas a Amazônia não pode ser um santuário da humanidade. Lembro que 20 milhões de pessoas vivem lá, precisam comer e trabalhar. Devemos também cuidar deles, levando em consideração a preservação do meio ambiente”, diz.

Para Lula, é preciso que os brasileiros reajam e se mobilizem pela defesa da natureza. O líder petista lembra ao Le Monde que durante seu governo foram criados fundos, financiados pela Alemanha e a Noruega, para proteger a floresta, além de 144 zonas naturais protegidas, permitindo diminuir o desmatamento ilegal. “Não podemos esperar nada de Bolsonaro e seus ministros sobre essa questão”, avalia.

 

"Governo de destruição"

Ao ser questionado sobre Bolsonaro, Lula adota um tom cáustico, afirmando que o atual presidente brasileiro destrói a educação, os direitos dos trabalhadores e a indústria brasileira. “É um governo de destruição, sem nenhuma visão de futuro, sem programa, que não é qualificado para o poder. É por isso que Bolsonaro diz tantas besteiras, que ele insultou a esposa de Macron e Michelle Bachelet, que ele briga com Maduro. É a loucura total. E, ainda por cima, se submete totalmente a Trump. Nunca vi disso!"

O líder petista também minimiza a vitória de Bolsonaro nas últimas eleições, avaliando que discursos reacionários sempre atraíram eleitores. “Bolsonaro é, antes de tudo, o resultado de uma rejeição da política. Nesses momentos da história, nos quais a política é tão odiada, as pessoas se apegam ao primeiro monstro que encontram. É lamentável, mas aconteceu”, diz.

Apesar da forte rejeição de parte dos brasileiros, Lula não acredita que o PT deva fazer uma autocrítica. Para o ex-presidente, apesar do intenso antipetismo, a sigla consegue chegar em primeiro ou segundo lugar a cada eleição há vinte anos. “Fernando Haddad obteve 47 milhões de votos. É muito! Sim, perdemos uma eleição, é verdade. Mas perder é normal na democracia. Não podemos ganhar sempre. No Brasil, há muitos antipetistas, mas também muita gente que acredita no partido, e outros ainda que precisam ser convencidos”, afirma.

Ao comentar sua esperança de sair da prisão, Lula não poupa críticas a Sérgio Moro, quem acusa de se articular com procuradores e mentir à Suprema Corte. Mas o ex-presidente está convicto de que um dia deixará o cárcere e “que um dia as pessoas serão responsabilizadas sobre o que aconteceu neste país”.Lula também afirma ao Le Monde não temer por sua vida, caso seja libertado. “O Brasil é um país de paz, com um povo que ama a vida. (…) Quero sair da prisão e falar com o povo. Sou um homem sem espírito de vingança, sem ódio. O ódio queima o estômago, dá dor de cabeça, dores nos pés! E eu estou bem, justamente, porque estou do lado da verdade. E, no final, é sempre ela que ganha”, conclui. 

 
25
Abr19

Gleisi acusa Lava Jato de corrupção, lavagem, formação de quadrilha e organização criminosa; Moro e Dallagnol deveriam estar presos e não Lula

Talis Andrade

 

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A deputada Gleisi Hoffmann afirmou, na tribuna da Câmara, que os chefes da justiça paralela Deltan Dallagnol e Sérgio Moro deveriam estar presos. “Estes sim, cometeram quatros crime”, acusou. E não Lula, que foi encarcerado em um processo que não tem provas, que sequer tem crime devidamente tipificado no ordenamento penal brasileiro. 

Gleisi enumerou os crimes de Moro e Dallagnol:

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Primeiro, de corrupção passiva, artigo 317 do Código Penal. “Eles entregaram informações relevantes da Petrobras e da Odebrecht aos Estados Unidos e Suíça, para prejudicar as empresas e o Brasil, e receberam, por isso, R$ 9,3 bilhões”.

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Segundo: eles incorreram também no crime de lavagem de dinheiro, Lei 9.613. “Eles criaram um fundo, que já tem dinheiro, e queriam criar uma fundação a despeito da Procuradoria-Geral da República, para receber dinheiro em troca de terem dado as informações. Isso é lavagem de dinheiro”.

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Terceiro: Moro e Dallagnol atuaram em conjunto e de maneira organizada e hierárquica para desviar recursos públicos por fora do Orçamento ao colocar esses recursos em um fundo e em uma fundação. “Portanto, eles incorrem em formação de quadrilha, artigo 288 do Código Penal”.

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E, por fim, completa Gleisi, “eles usaram, recursos obtidos de forma ilícita para sustentar e promover atividades de interesse pessoal, de seus gestores, além de interferir em questões de governo. Isso organização criminosa, Lei 12.850”.

“Portanto, eu acuso a Operação Lava Jato de incorrer em quatro crimes, deixando preso um homem inocente. Mas nós vamos resistir, e nós vamos tirar isso a limpo. A nossa luta é pelos direitos do povo, por soberania!”, afirmou Gleisi.

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Vítima de power point e do interesse do Departamento de Justiça dos EUA

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A presidenta do PT enfatizou que Lula é vítima de um power point, “das convicções de um procurador de primeira instância do estado do Paraná, o doutor Deltan Dallagnol, e da perseguição implacável de um juiz que se dizia neutro, Sérgio Moro, e que recentemente assumiu o Ministério da Justiça de Jair Bolsonaro, mostrando seu lado político”.

Gleisi relembrou que Lula foi vítima de condução coercitiva espetacular, de escutas ilegais, de abusos no processo penal. “E agora nós descobrimos que tudo isso tem algo mais forte por trás, que não só as acusações contra Lula de corrupção passiva, de lavagem de dinheiro, como quiseram demonstrar”. Ela afirmou que o que está por trás é o interesse sem precedente do Departamento de Justiça (DoJ) norte-americano, que desde 2009, está treinando os componentes da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Em 2009 o DoJ fez aqui no Brasil um treinamento e tirou como objetivo uma primeira operação, uma operação prática de treinamento que foi a Operação Lava Jato. “E quem era o objetivo dessa operação? Além de lideranças do PT, Luiz Inácio Lula da Silva”. E hoje, explicou a deputada, fica claro porque Lula era o objetivo dessa operação, porque Lula era o foco. Porque Lula defendia a nossa soberania nacional. Foi Lula que descobriu o pré-sal, que investiu nos BRICS, que investiu na Unasul, que abriu novos mercados ao povo brasileiro, ao setor produtivo brasileiro, tirando o Brasil da posição subalterna com os americanos.

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“E hoje nós estamos vendo exatamente o contrário. Bolsonaro devolve o Brasil a bater continência aos Estados Unidos e a se subjugar aos interesses americanos”.

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Delações e acordo de leniência revelam perseguição a Lula

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A indústria das delações, na avaliação da presidenta do PT, deixa evidente o caráter de perseguição a Lula. “A OAS fez negociação com seus executivos, pagando a cada um R$ 1 milhão para que corroborassem com a delação do seu chefe, daquele que entregou o Lula depois de duas vezes ter negado envolvimento com o presidente, o senhor Léo Pinheiro”, acusou.

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Gleisi disse também que, depois, ficou mais claro ainda a perseguição com os acordos de leniência firmados com a Petrobras e com a Odebrecht. “O acordo com a Petrobras é um acordo de lesa-pátria, entregou o nosso pré-sal, entregou informações relevantes para os americanos, sequer sem serem formalizadas. Aliás, está no convênio formalizado por procuradores de primeira instância, por juiz de primeira instância, que não precisava formalidade para entregar as informações”, criticou.

E agora, continuou a deputada, descobrimos nessa semana, o acordo com a Odebrecht, na Suíça, mediado pelos Estados Unidos, para também entregar várias informações. “Isso tudo rendeu ao Ministério Público Federal e ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, R$ 9,3 bilhões.

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02
Mar19

A biografia proibida: A outra face de Sérgio Moro

Talis Andrade

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por Emanuel Cancella

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Fui funcionário concursado da Petrobrás, onde trabalhei por 42 anos, hoje sou aposentado. Fui sindicalista e sempre um defensor incansável da Empresa.

Mas aprendi com um dos ícones na luta em defesa da Petrobrás, a saudosa médica Maria Augusta Tibiriçá, em seu livro O Petróleo é Nosso, onde ela escreveu que a luta do petróleo não termina nunca. A história confirma isso e a Petrobrás nunca esteve tão ameaçada como agora!

Moro, em 2006, participou do Mensalão como assistente da ministra Rosa Weber. Daí saiu a condenação do ministro José Dirceu, do PT, com um parecer que entrou para história dos absurdos jurídicos: “Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite” (2).

E Lula, não por acaso, foi condenado e preso a partir de uma denúncia totalmente sem provas, apenas com base em convicção, pelo mesmo juiz Moro (8).

E o mensalão tucano, mesmo sendo anterior ao mensalão do PT, está prescrevendo sem julgamento (3).

Achei no mínimo estranho o surgimento da operação Lava Jato, em março de 2014, chefiada pelo juiz Sérgio Moro.

Primeiro porque Moro fora premiado pela Globo, inimiga nª 1 da Petrobrás. A Globo, junto com FHC, tentou sem sucesso, na década de 90, privatizar a Petrobrás. Assim, na época, a emissora comparava a Petrobrás a um paquiderme e chamava os petroleiros de marajás.

Mas a grande resposta da Petrobrás e dos petroleiros veio com o desenvolvimento de tecnologia inédita no mundo que permitiu a descoberta do pré-sal. Mas a Globo não deu o braço a torcer e, em dezembro de 2015, em editorial escreveu: “O pré-sal pode ser patrimônio inútil” (5).

Desconfiei também porque Moro foi o juiz que chefiou a investigação do Banestado. Segundo o ex-senador Roberto Requião, o Banestado foi a mãe de todos os escândalos, pois surripiou meio trilhão de reais dos cofres públicos, um escândalo exclusivamente tucano e nenhum deles foi preso (1).

Mais um fato estranho. Na Lava Jato, também chefiada por Moro, nenhum tucano foi preso. O tucano Aécio Neves, o recordista em delação na Lava Jato, é o grande exemplo da cumplicidade da Java Jato com os tucanos (6).

O livro que fiz não é uma biografia é um pouco da trajetória do juiz e nunca será um best seller, mas tem algumas peculiaridades. Custou ao autor duas intimações do MP a pedido do juiz Sergio Moro.

Uma das intimações foi na véspera do lançamento. E o livro saiu. O MP alega possíveis ataques à honra do funcionário público, no caso, a do juiz Sergio Moro.

O livro não visa ao lucro, já que a renda é voltada exclusivamente para os demitidos da Lava Jato e foi totalmente custeado pelo autor. Três lotes de sextas básicas já foram entregues a esses trabalhadores (9).

E, nesses tempos tão raros de ícones no jornalismo, a jornalista Fátima Lacerda doou seu pró-labore para a causa do livro. Fátima Lacerda, que já trabalhou entre outras empresas de comunicação, na Globo, e foi candidata do PT a prefeita Niterói, na verdade, é a mãe do livro, pois sem ela, o livro não existiria.

Nas principais livrarias, vários obras exaltam o juiz Sergio Moro. O meu é dos poucos que critica o juiz de forma direta e com fatos.

Vale lembrar que o autor em novembro de 2016 denunciou ao MPF a lava Jato por omissão a gestão criminosa dos tucanos, FHC e Pedro Parente na Petrobrás, até hoje sem resposta (10).

O fato de o Ministério Público me intimar, na véspera do lançamento do livro, num claro intuito de impedi-lo, não me parece uma atitude digna do órgão tido como fiscal da lei (7)!

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Fonte:

1https://www.ocafezinho.com/2015/10/03/requiao-relembra-banestado-roubalheira-tucana-desviou-meio-trilhao/

2https://www.diariodocentrodomundo.com.br/as-contribuicoes-de-jose-dirceu-do-novo-direito-brasileiro-por-fernando-brito/

3https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2017/06/impunidade-e-lentidao-da-justica-marcam-12-anos-do-mensalao-tucano

4http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/03/juiz-da-lava-jato-ganha-premio-de-personalidade-do-ano-do-globo.html

5https://oglobo.globo.com/opiniao/o-pre-sal-pode-ser-patrimonio-inutil-18331727

6https://www.brasil247.com/pt/247/minas247/255474/Recordista-em-dela%C3%A7%C3%B5es-A%C3%A9cio-Neves-cobra-arrependimento-de-Lula.htm

7https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=2201420444155051389#editor/target=post;postID=8382123977884912038;onPublishedMenu=template;onClosedMenu=template;postNum=18;src=postname    

8https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nao-temos-provas-mas-conviccao-o-powerpoint-de-dallagnol-nos-jogou-de-vez-no-paraguai-por-kiko-nogueira/

9http://www.bancariosrio.org.br/bkp/2013/ultimas-noticias/item/38630-autor-de-a-outra-face-de-sergio-moro-entrega-cestas-basicas-para-desempregados

10http://www.fnpetroleiros.org.br/noticias/3901/petroleiro-denuncia-a-operacao-lava-jato-ao-mpf-veja-na-integra-teor-da-denuncia-protocolada-ontem

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22
Dez18

COM A TERRA ARRASADA DA LAVA JATO, CONSTRUTORAS ESTRANGEIRAS PREPARAM-SE PARA DOMINAR MERCADO

Talis Andrade

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As mais devastadoras de todas as corrupções a traição da Pátria, o entreguismo das riquezas do Brasil, a privatização das estatais a preço de banana em fim de feira, a desnacionalização das grandes empresas, o tráfico de cérebros, a elitização da educação, a desvalorização da cultura.

 

As maiores construtoras estrangeiras estão se preparando para dominar o mercado brasileiro, depois que a Operação Lava Jato destruiu a engenharia nacional nos últimos anos. A informação é do site do Clube de Engenharia. Todas as maiores empreiteiras do planeta querem invadir o Brasil.

 

Com a Lava Jato, apoiada por agências de espionagem e inteligência estrangeiras, as construtoras do Brasil foram riscadas do mapa global: Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e OAS, que estavam entre as 100 maiores do planeta, não aparecem mais nem entre as 200.

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247 - As maiores construtoras estrangeiras estão se preparando para dominar o mercado brasileiro, depois que a Operação Lava Jato destruiu a engenharia nacional nos últimos anos. A informação é do site do Clube de Engenharia. Todas as maiores empreiteiras do planeta querem invadir o Brasil. O motivo principal, segundo a reportagem: "o encolhimento das gigantes da construção civil, após serem investigadas pela operação Lava Jato". Encolhimento é uma palavra tênue para indicar o que aconteceu com as construtoras brasileiras, riscadas do mapa global.

 

"Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e OAS frequentavam com certa rotina a lista das 100 maiores construtoras do planeta. Na edição de 2018 do ranking, apenas uma delas aparece entre as 200" -a Andrade Gutierrez, no entanto, dificilmente figurará entre as 200 na edição do ranking de 2019. Em julho, a empresa mineira deu um calote de nada menos que deixar US$ 345 milhões em seus credores e tentata liquidar desesperadamente todos os seus ativos (aqui).

 

No respeitado ranking da publicação International Construction, pelo segundo ano consecutivo, as empreiteiras chinesas ocuparam as primeiras colocações em 2018 (referente a 2017), seguidas das tradicionais Vinci (França), ACS (Espanha), Bouygues (França), Bechtel (Estados Unidos) e Hochtief (Alemanha). Em comum, essas empresas projetam empreender no Brasil em 2019. Todas têm a expectativa de que o mercado da construção civil possa se abrir no país, permitindo que elas participem de projetos de infraestrutura, depois da terra arrasada da Lava Jato.

 

Veja o perfil das maiores construtoras do mundo:

1. China State Construction Engineering Corporation
A empresa teve um faturamento de 164 bilhões de dólares. Com atuação forte nos países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein e Catar, a CSCEC tem sede também em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Além de seu envolvimento com obras de infraestrutura, a China State Construction Engineering Corporation é atualmente a que mais constrói unidades habitacionais no mundo.

2. China Railway Group
A China Railway Group teve um faturamento de 101 bilhões e 400 milhões de dólares em 2017. Apesar de pertencer a um conglomerado que abrange desde a construção de equipamentos até laboratórios de pesquisa, a expertise da China Railway Group é construir ferrovias, rodovias, pontes, túneis, hidrelétricas, portos e aeroportos.

3. China Railway Construction Corporation Limited
A China Railway Construction Corporation Limited faturou 99 bilhões e 556 milhões de dólares em 2017. A CRCC tem um foco muito específico na construção de ferrovias convencionais, ferrovias de alta velocidade, pontes ferroviárias, túneis ferroviários, metrôs e trens urbanos.

4. China Communications Construction Company
A China Communications Construction Company (CCCC) tem como característica se associar a construtoras nos países em que atua. Sua mais recente aquisição foi a John Holland Group, uma das principais empresas de engenharia da Austrália. As obras mais emblemáticas da empresa chinesa são os aeroportos. Em 2017, seu faturamento chegou a 54 bilhões e 400 milhões de dólares.

5. Vinci
A Vinci é uma empresa italiana que atua globalmente. Atualmente, a empresa está envolvida na reforma do Mandarin Oriental Hotel, em Londres, na construção do Femern Tunnel, na Dinamarca, e atua paralelamente em outros 43 projetos em 19 países. Vinci emprega mais de 185.000 pessoas em todo o mundo. Sua receita no ano passado foi de 49 bilhões e 400 milhões de dólares.

6. Atividades de Construcción y Servicios
A Actividades de Construcción y Servicios (ACS) é uma empresa espanhola com atuação global. Porém, são nos Estados Unidos e no Chile onde se encontra o maior volume de obras atualmente. Em 2017, sua receita chegou à casa de 40 bilhões de dólares.

7. Bouygues
A francesa Bouygues é especializada em construções industriais e em obras de infraestrutura, mas atua em várias frentes. Entre seus projetos mais recentes está a construção do novo campus da Universidade de Cardiff, no País de Gales. A Bouygues emprega 118 mil pessoas e seu faturamento em 2017 chegou a 37 bilhões de dólares.

9. Bechtel
A norte-americana Bechtel tem forte atuação na Europa e na África, além do próprio Estados Unidos. A empresa possui cerca de 50 mil funcionários e seu faturamento em 2017 chegou a 32 bilhões e 800 milhões de dólares.

10. Hochtief
A alemã Hochtief fechou 2017 com pouco mais de 30 bilhões de dólares. A empresa é considerada atualmente a maior especialista em construção sustentável do mundo. Ela atua na área habitacional, mas também desenvolveu expertise na construção de rodovias verdes com pavimento de concreto.

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