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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

08
Nov23

O contexto da ocupação israelense

Talis Andrade
 
 
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A des-historicização do que está acontecendo ajuda Israel

a seguir políticas genocidas em Gaza.

 

por Ilan Pappe 

Tradução Pedro Paulo Zahluth Bastos

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Em 24 de outubro, uma declaração do Secretário-Geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, causou uma forte reação de Israel. Ao se dirigir ao Conselho de Segurança da ONU, o chefe da ONU disse que, embora condenasse com veemência o massacre cometido pelo Hamas em 7 de outubro, queria lembrar ao mundo que ele não ocorreu em um vácuo. Ele explicou que não se pode dissociar nossa preocupação com a tragédia que ocorreu naquele dia e os 56 anos de ocupação israelense de territórios.

O governo israelense não demorou a condenar a declaração. Autoridades israelenses exigiram a renúncia de Antonio Guterres, alegando que ele apoiou o Hamas e justificou o massacre. A mídia israelense se juntou ao movimento, afirmando, entre outras coisas, que o chefe da ONU “demonstrou um grau impressionante de falência moral”.

Essa reação sugere que um novo tipo de alegação de antissemitismo pode estar surgindo. Até 7 de outubro, Israel pressionava para que a definição de antissemitismo fosse ampliada para incluir críticas ao Estado israelense e questionamentos sobre a base moral do sionismo. Agora, contextualizar e historicizar o que está acontecendo também pode provocar acusação de antissemitismo.

A des-historicização desses eventos ajuda Israel e os governos do Ocidente a adotar políticas que eles evitavam no passado devido a considerações éticas, táticas ou estratégicas.

Assim, o ataque de 7 de outubro é usado por Israel como pretexto para praticar políticas genocidas na Faixa de Gaza. É também um pretexto para os Estados Unidos tentarem reafirmar sua presença no Oriente Médio. E é um pretexto para alguns países europeus violarem e limitarem as liberdades democráticas em nome de uma nova “guerra contra o terror”.

Contudo, há vários contextos históricos para a situação atual em Israel-Palestina que não podem ser ignorados. O contexto histórico mais amplo remonta a meados do século XIX, quando o cristianismo evangélico no Ocidente transformou a ideia do “retorno dos judeus” em um imperativo religioso milenar e defendeu o estabelecimento de um Estado judeu na Palestina como parte do caminho que levaria à ressurreição dos mortos, ao retorno do Messias e ao fim dos tempos.

A teologia tornou-se política no final do século XIX e nos anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial por dois motivos. Em primeiro lugar, ela serviu aos interesses daqueles que, na Grã-Bretanha, desejavam desmantelar o Império otomano e incorporar parte dele ao Império britânico. Em segundo lugar, repercutiu entre os membros da aristocracia britânica, tanto judeus quanto cristãos, que se encantaram com a ideia do sionismo como uma panaceia para o problema do antissemitismo na Europa Central e Oriental, que havia produzido uma onda indesejada de imigração judaica para a Grã-Bretanha.

Quando esses dois interesses se fundiram, eles levaram o governo britânico a emitir a famosa – ou infame – Declaração de Balfour em 1917.

Os pensadores e ativistas judeus que redefiniram o judaísmo como nacionalismo esperavam que essa definição protegesse as comunidades judaicas do perigo existencial na Europa, focando na Palestina como o espaço almejado para o “renascimento da nação judaica”.

No processo, o projeto cultural e intelectual sionista transformou-se em um projeto de colonização por povoamento, cujo objetivo era judaizar a Palestina histórica, desconsiderando o fato de que ela era habitada por uma população nativa.

Por sua vez, a sociedade palestina, bastante pastoril naquela época e em seu estágio inicial de modernização e construção de uma identidade nacional, produziu seu próprio movimento anticolonial. Sua primeira ação significativa contra o projeto de colonização sionista ocorreu com a Revolta de al-Buraq, em 1929, e não cessou desde então.

Outro contexto histórico relevante para a crise atual é a limpeza étnica da Palestina em 1948, que incluiu a expulsão forçada de palestinos para a Faixa de Gaza a partir de vilarejos em cujas ruínas foram construídos alguns dos assentamentos israelenses atacados em 7 de outubro. Esses palestinos desenraizados faziam parte dos 750.000 palestinos que perderam suas casas e se converteram em refugiados.

Essa limpeza étnica foi percebida pelo mundo, mas não foi condenada. Como resultado, Israel continuou a recorrer à limpeza étnica como parte de seu esforço para garantir o controle total da Palestina histórica com o menor número possível de palestinos nativos. Isso incluiu a expulsão de 300.000 palestinos durante e após a guerra de 1967 e a expulsão de mais de 600.000 da Cisjordânia, de Jerusalém e da Faixa de Gaza desde então.

Há também o contexto da ocupação israelense da Cisjordânia e de Gaza. Nos últimos 50 anos, as forças de ocupação impuseram uma punição coletiva contínua aos palestinos nesses territórios, expondo-os à perseguição constante dos colonos e das forças de segurança israelenses, e prendendo centenas de milhares deles.

Desde a eleição do atual governo fundamentalista messiânico israelense em novembro de 2022, todas essas políticas severas atingiram níveis sem precedentes. O número de palestinos mortos, feridos e presos na Cisjordânia ocupada disparou. Ainda por cima, as políticas do governo israelense em relação aos locais sagrados cristãos e muçulmanos em Jerusalém se tornaram ainda mais agressivas.

Por fim, há também o contexto histórico do cerco de 16 anos a Gaza, onde quase metade da população é composta por crianças. Em 2018, a ONU já estava alertando que a Faixa de Gaza se tornaria um lugar impróprio para humanos até 2020.

É importante lembrar que o cerco foi imposto em resposta às eleições democráticas vencidas pelo Hamas após a retirada israelense unilateral de Gaza. Ainda mais importante é retroceder à década de 1990, quando a Faixa de Gaza foi cercada por arame farpado e desconectada da Cisjordânia ocupada e de Jerusalém Oriental após os Acordos de Oslo.

O isolamento de Gaza, a cerca ao seu redor e o aumento da judaização da Cisjordânia foram uma indicação clara de que, aos olhos dos israelenses, Oslo significava uma ocupação por outros meios, não um caminho para a paz genuína.

Israel controlava os pontos de entrada e saída do gueto de Gaza, monitorando até mesmo o tipo de alimento que entrava, às vezes limitando-o a um determinado número de calorias. O Hamas reagiu a esse cerco debilitante lançando foguetes em áreas civis de Israel.

O governo israelense alegava que esses ataques eram motivados pelo desejo ideológico do movimento de matar judeus – uma nova forma de nazismo – desconsiderando tanto o contexto da Nakba quanto o cerco desumano e bárbaro imposto a dois milhões de pessoas e a opressão de seus compatriotas em outras partes da Palestina histórica.

O Hamas, em muitos aspectos, foi o único grupo palestino que se comprometeu a retaliar ou responder a essas políticas. No entanto, a maneira como ele decidiu reagir pode levar à sua própria ruína, pelo menos na Faixa de Gaza, e também pode fornecer um pretexto para uma maior opressão do povo palestino.

A selvageria de seu ataque não pode ser justificada de forma alguma, mas isso não significa que não possa ser explicada e contextualizada. Por mais terrível que tenha sido, a má notícia é que não se trata de um evento que mude o jogo, apesar do enorme custo humano de ambos os lados. O que isso significa para o futuro?

Israel permanecerá um Estado estabelecido por um movimento de ocupação colonial, que continuará a influenciar seu DNA político e a determinar sua natureza ideológica. Isso significa que, apesar de seu autorretrato como a única democracia do Oriente Médio, ele continuará sendo uma democracia apenas para seus cidadãos judeus.

A luta interna em Israel entre o que se pode chamar de Estado da Judeia – o Estado colonizador que deseja que Israel seja mais teocrático e racista – e o Estado de Israel – que deseja manter o status quo – que movimentou Israel até 7 de outubro, entrará em erupção novamente. De fato, já há sinais de seu retorno.

Israel continuará a ser um Estado de apartheid – conforme declarado por várias organizações de direitos humanos – independentemente do desenrolar da situação em Gaza. Os palestinos não desaparecerão e continuarão sua luta pela libertação, com muitas sociedades civis a seu lado, ao mesmo tempo em que seus governos apoiam Israel e lhe concedem uma imunidade excepcional.

A saída continua a mesma: uma mudança de regime em Israel que traga direitos iguais para todos, do rio ao mar, e permita o retorno dos refugiados palestinos. Caso contrário, o ciclo de derramamento de sangue não terá fim.

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05
Nov23

Israel na Palestina - 1

Talis Andrade
 
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Uma guerra entre os que defendem sua terra e os que lha querem tirar

 

“Já ouço como ajustam seus instrumentos de morte. Por favor. Façam o que puderem. Isto não pode continuar”
(Dr. Mads Gilbert).

 

por Gilberto Lopes

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“A última noite foi extrema. Já ouço os instrumentos de morte. Os rios de sangue continuarão a correr na próxima noite”, disse o Dr. Mads Gilbert, do Hospital Al-Shifa, em Gaza, em 24 de julho de 2014. Esse hospital ainda existe? Terá acontecido algo melhor para ele do que para o Hospital Al-Ahli, destruído por um bombardeio na semana passada. Fui verificar. Sim, segue existindo. É o maior hospital de Gaza. Com capacidade para atender 700 pessoas por dia, recebe atualmente 5.000. Estava à beira do colapso. “Quando chega o bombardeio, o inferno inteiro se desmorona sobre Al-Shifa”, disse Alejandra Pataro, jornalista do Clarín.

A voz do Dr. Gilbert continua ressoando, mas as razões dessa tragédia continuam por esclarecer. Temos que tentar compreender…

A guerra na Faixa de Gaza desviou a atenção da Cisjordânia, o outro território com o qual deveria ser formado um Estado palestino. “Esta falta de atenção”, afirma a jornalista israelense Amira Haas, no jornal Haaretz, “permitiu que os colonos judeus, apoiados pelo exército, pela polícia e pelas forças paramilitares, atacassem novamente os agricultores e pastores palestinos da Cisjordânia, com um objetivo claro: expulsar as comunidades de suas terras e de suas casas.

O Haaretz ilumina aspectos de uma realidade que passou a segundo plano em Israel e que o resto do mundo praticamente ignora. A frente militar desta guerra está sendo travada novamente em Gaza, com suas consequências dramáticas, mas, mesmo assim, é difícil decidir qual dos dois cenários – Gaza ou Cisjordânia – é o mais cruel.

Há pouco mais de dez anos, em maio de 2013, o colunista do Haaretz Bradley Burston escreveu sobre o “verdadeiro segredo” de Israel. “Não é a bomba atômica”, afirmava, mas o orçamento que o Estado destinava aos assentamentos judeus na Cisjordânia. Ninguém sabe quanto dinheiro é distribuído para os assentamentos. Ninguém! Nunca! Bradley Burston referia-se a uma reportagem da rádio do exército israelense sobre os recursos destinados a legalizar estes assentamentos e a criar incentivos para atrair milhares de novos moradores para além das fronteiras da Cisjordânia, estabelecidas pela “Linha Verde”. “A pobreza em Israel é boa para os assentamentos e ótima para a ocupação”, acrescentou. Quando a construção dos assentamentos começou na década de 1980, diz Bradley Burston, os governos do partido conservador Likud de Benjamin Netanyahu “já tinham começado a desmantelar as redes de seguridade e bem-estar social”, base da economia e da sociedade de Israel desde a sua fundação em 1948. À medida que as privatizações avançavam, muitas pessoas dos povoados e bairros periféricos de Israel eram deixadas para trás. O governo financiou então a criação de subúrbios com moradia a preços acessíveis, que atraíram milhares de compradores. Financiou escolas e transporte, de modo que a ocupação do território palestino se tornou uma realidade, fileira após fileira. Depois, surgiram bases militares em todas as direções “para proteger os colonos”.

Dez anos depois do artigo de Bradley Burston, Ofer Aderet publicou, também no Haaretz, outros detalhes do plano, revelados em documentos dos arquivos estatais, graças a um projeto do Taub Center para estudos israelenses, da Universidade de Nova Iorque, que mostram como a ocupação dos territórios palestinos na Judeia e Samaria foi cuidadosamente planejada. “O estabelecimento de assentamentos judeus nos territórios ocupados foi o maior empreendimento nacional do último meio século, mas atraiu muito pouca pesquisa acadêmica”, lê-se no site do Taub Center.

Os documentos tornados públicos revelavam que, primeiro, tentaram expropriar as terras agrícolas dos palestinos, sob o pretexto de que as transformariam numa zona de treinamento militar. Se os habitantes se recusavam a sair, os soldados sabotavam suas ferramentas ou utilizavam seus veículos para destruir as plantações. Como último recurso, envenenavam as terras, pulverizando-as com produtos químicos tóxicos, letais para os animais e perigosos para os seres humanos. Essas medidas, aplicadas na cidade de Aqraba em 1972, durante o governo da primeira-ministra Golda Meir, são um exemplo de como, nessa questão, a mesma política foi promovida de forma semelhante pelos diversos partidos israelenses.

Em 21 de setembro, um relatório da ONU denunciou um êxodo sem precedentes de colonos palestinos na Cisjordânia. Mais de 1.100 foram obrigados a abandonar suas propriedades desde 2022 devido à violência dos colonos judeus, que obrigaram os palestinos a desalojar completamente cinco comunidades. Outras seis viram metade de seus habitantes partir, e, em algumas outras, partes menores de sua população. “Sinto-me como se fosse um refugiado aqui e os colonos são donos de nossa terra”, disse Ali Abu Kbash, um pastor que deixou sua propriedade na aldeia de Al-Qabun, na Cisjordânia, com seus quatro filhos e 60 ovelhas para se instalar nas encostas rochosas de uma aldeia vizinha.

A onda de abandono da chamada “Área C” da Cisjordânia (com 60% do território sob controle do exército israelense, de acordo com os acordos de paz de Oslo dos anos 90) intensificou-se. “A expulsão de palestinos em meio à crescente violência dos colonos atinge uma magnitude nunca antes documentada”, segundo Andrea de Domenico, coordenadora do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários no Território Palestino Ocupado. Os colonos instalam postos avançados em terras palestinas, soltam suas ovelhas nas terras de pastores palestinos e queimam suas casas, com o apoio das autoridades e dos militares.

Em setembro de 2020, os tribunais israelenses ordenaram a expulsão de uma dúzia de palestinos de suas terras em dois casos distintos: num deles, para entregar as terras a uma associação de colonos; no outro, a uma empresa de propriedade de ativistas de extrema-direita.

Netanyahu, lutando por sua sobrevivência política nas eleições de setembro de 2019, anunciou sua disposição para apropriar-se de até um terço da Cisjordânia. Ministros árabes das relações exteriores, reunidos no Cairo, consideraram isso um “plano perigoso” que viola o direito internacional. O ministro das relações exteriores turco considerou-o “racista e incendiário”. A ilegalidade destas ações foi reiterada pelas mais diversas instâncias. A política de construção e expansão dos assentamentos, incluindo Jerusalém Oriental, é ilegal de acordo com o direito internacional. A União Europeia afirmou que não reconhecerá qualquer anexação unilateral do Vale do Jordão por parte de Israel, segundo a porta-voz do serviço diplomático europeu, Maja Kocijancic, em resposta ao plano anunciado por Benjamin Netanyahu.

 

Pobreza endémica

É impossível, num artigo de jornal, contar a história de sete décadas. Mas há inúmeras notas, de várias fontes, que resumem a situação que tentamos descrever. Em dezembro de 2004, a BBCentrevistou Peter Hansen, diretor da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio, também conhecida pela sigla UNRWA. A entrevista pode ser vista aqui. “As estatísticas de morte, destruição e pobreza não conseguem transmitir o verdadeiro sofrimento das pessoas nos territórios ocupados. Bairros inteiros (…) foram arrasados. Nas nossas escolas, toda uma geração está crescendo num ambiente de violência aterradora. A maldição da pobreza endêmica atinge agora dois terços da população”, disse Peter Hansen à BBC.

Em novembro (2004), a UNRWA pediu fundos para alimentar 1,6 milhões de palestinos nos territórios ocupados. “São pessoas que, não fosse a UNRWA, não teriam nada para comer?”, pergunta o jornalista. “Isso mesmo”, disse Hansen. “Desde o início da Intifada (setembro de 2000), quase todas as possibilidades de emprego para os palestinos em Israel desapareceram. Antes da Intifada, havia 130.000 palestinos trabalhando em Israel. Estamos falando de 130.000 famílias, quase um milhão de pessoas, porque as famílias são numerosas”, explica.

“Um relatório do Banco Mundial de novembro de 2004 afirma que 50% dos palestinos vivem na pobreza, com menos de dois dólares por dia. A UNRWA denunciou que uma em cada cinco crianças nos territórios ocupados sofre de desnutrição”, afirma o jornalista. “Estamos neste programa de emergência há quatro anos. Devido à falta de recursos, tivemos que baixar o nível da ajuda alimentar de 80% das necessidades de uma família para 60% e, atualmente, para 40%, porque simplesmente não temos dinheiro suficiente para fazer melhor”. “Quer dizer”, perguntaram-lhe novamente, “que as famílias recebem apenas 40% dos alimentos de que necessitam para sobreviver?”. “Isso mesmo. Terão que encontrar o resto em outro lugar”.

As relações de Washington com os palestinos tinham-se tornado difíceis. Em 6 de dezembro de 2017, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos reconheciam Jerusalém como a capital de Israel. O secretário de estado Mike Pompeo e a embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas Nikki Haley (atualmente pré-candidata presidencial pelo Partido Republicano) defenderam a medida, argumentando que o programa era responsável pela pobreza na Palestina.

O líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Mahmoud Abbas, condenou a decisão. “Esta medida deplorável e inaceitável compromete deliberadamente todos os esforços de paz”, afirmou Mahmoud Abbas. Para o Hamas, a decisão “abria as portas do inferno para os interesses dos Estados Unidos na região”. Em agosto de 2018, Donald Trump cancelou os recursos destinados pelos Estados Unidos ao programa de ajuda aos palestinos. Uma medida que Joe Biden reverteu em abril de 2021, anunciando 150 milhões de dólares para a UNRWA e outros 75 milhões de dólares para assistência econômica e humanitária na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

 

O muro

A UNRWA também denunciou o muro que estava sendo construído por Israel na Cisjordânia. Apesar de sua importância, a grande imprensa pouco (ou nada) diz sobre este muro. Ainda que não esteja totalmente concluído (e, por razões políticas, talvez nunca venha a sê-lo), suas consequências são devastadoras para os palestinos, como indicava Hansen. “O muro passa por alguns lugares que separam a população das instalações que temos para educação e saúde”. “Há problemas para que cheguem aos hospitais, porque a maioria dos hospitais fica em Jerusalém, que está sendo totalmente fechada”.

Uma estrutura complexa que se estende por mais de 500 km, com cerca de 30 km de muros de concreto de até sete metros de altura e quatro metros de profundidade, complementada por barreiras, grades e torres de vigilância que circundam a Cisjordânia e Gaza. Barreiras que os palestinos têm que cruzar através de postos de controle, dos quais, até o ano passado, onze estavam abertos diariamente, enquanto outros estavam abertos em determinados dias da semana ou apenas em determinadas épocas de colheita. E onde a passagem era sempre uma decisão arbitrária, e muitas vezes humilhante, dos agentes de segurança.

Uma pessoa que vive perto de Jerusalém e tem que ir ao hospital, em vez dos quinze minutos que levava antes, agora são três horas. Tem que fazer um percurso muito longo até o sul de Jerusalém e voltar pelo norte. Para pessoas idosas e doentes, isto está longe de ser o ideal. “Um obstáculo que vai muito além do impacto físico óbvio: é a dor da família separada, o desamparo diante da casa confiscada ou demolida, a angústia do agricultor que não irriga sua terra e perde seu sustento, a fúria das viagens prolongadas para percorrer o desvio, a humilhação dos postos de controle militar para atravessar, a expectativa dos fiéis que anseiam por rezar em Jerusalém, a melancolia de um pôr do sol roubado”, contou a jornalista Carmen Rangel num artigo publicado no Huffington Postem 26 de junho do ano passado.

Israel começou a construir um muro em junho de 2002 e previu estendê-lo posteriormente por cerca de 700 km, a um custo de mais de 3,5 bilhões de dólares. Os palestinos denunciaram a expropriação de novos territórios com a construção do muro, que não segue a fronteira da Linha Verde. O Tribunal Internacional de Justiça de Haia decidiu, em 2004, que a estrutura é ilegal porque grande parte de seu traçado atravessa os territórios autônomos palestinos.

Em 23 de dezembro de 2016, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 2.334, reafirmando que “o estabelecimento de assentamentos por Israel nos territórios palestinos ocupados desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental, não tem validade legal e constitui uma violação flagrante do direito internacional”. Reiterou sua exigência para que Israel cessasse “imediata e completamente” todas as atividades de assentamento nos territórios palestinos ocupados e apelou à adoção de medidas para prevenir quaisquer atos de violência contra civis. Como sabemos, nada disto aconteceu.

A Autoridade Palestina, o organismo palestino que administra parte do território ocupado e que surgiu nos Acordos de Oslo em 1993, viu sua autoridade diminuída pela divisão do território da Cisjordânia em três áreas: A, B e C. Os Acordos de Oslo deixaram nas mãos de Israel o controle total da economia palestina, bem como dos assuntos civis e de segurança em mais de 60% da Cisjordânia, designada por Área C.

Insatisfeitos com esta situação, desde 2005, os palestinos elegeram o Hamas e sua política de resistência armada à ocupação como seu representante em Gaza, cujo ataque à população no sul de Israel, no início de outubro, deu início à mais grave escalada militar do conflito israelo-palestino.

 
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15
Mai21

Ação da polícia na comunidade do Jacarezinho

Talis Andrade

Campanha 'Vacina Pra Favela, Já!' Lançada no Dia de Enfrentamento da  Covid-19 nas Favelas - RioOnWatch

 

Raquel Rolnik entende que existe uma ambiguidade nos territórios populares em relação à cidade. Esses locais são legais ou ilegais? Não existe uma resposta, justamente por causa dessa ambiguidade, que possibilita ações de força por parte do Estado

Por Sandra Capomaccio

No último dia 6 de maio, a comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro,  foi invadida por forças policiais civis, que executaram 27 pessoas sob a justificativa de “guerra às drogas”. No local, de controle do Comando Vermelho (CV), crianças estariam sendo recrutadas, o que justificaria uma exceção à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das favelas, que tramita no STF (Superior Tribunal Federal) e tem medida cautelar que suspende ações policiais no Rio de Janeiro durante a pandemia.

Nas cidades latino-americanas, desde os anos 1990, políticas urbanísticas e de segurança pública constituem verdadeiros perímetros de intervenção excepcionalizada nas cidades.

São demarcações territoriais e aparatos cultural-midiáticos, construiu-se um entrelaçamento entre drogas, raça e território, delimitando – em áreas populares, em regiões centrais, favelas e comunidades e/ou nas quebradas e periferias – as fronteiras que separam o legal do ilegal, do ponto de vista urbanístico, mas também do ponto de vista moral. A territorialização do comércio e do consumo de drogas  no local opera no sentido de conferir sentido a projetos urbanos de “revitalização”, ou seja, de não reconhecimento da existência de vidas ali. “É absolutamente viável superar esse muro e integrar esses espaços em uma cidade diversa e heterogênea, que abrigue as diversas formas de morar”, avalia a professora Raquel Rolnik.

Parem o genocídio do povo preto e pobre! Punição aos responsáveis pela  chacina de Jacarezinho/RJ - Fenasps

13
Nov20

Os candidatos do Dem a prefeito

Talis Andrade

No Sul e Sudeste, Bolsonaro vence em Florianópolis com Gean Loureiro (Dem), em Curitiba com Rafael Greca (Dem), e no Rio de Janeiro com Eduardo Paes (Dem). Essa gente do Centrão deu o golpe na Dilma, aprovou a reforma trabalhista de Temer, a privataria e desnacionalização das empresas. O entreguismo que emprobece o país, o sucateamento do SUS, a morte pela fome, a peste, a guerra das milícias, o genocídio dos jovens negros e dos povos indígenas. É desmatamento. E fogo na Amazônia, no Pantanal. É óleo nas praias. E lama tóxica das mineradoras nos rios. É o nojo, o vômito de Greca, o abandono nas periferias. E desemprego no campo e nas cidades. É o país dos sem terra, dos sem teto, dos sem nada.

AmapáImage

por Leando Fortes /Jornalistas pela Democracia

José Samuel Alcolumbre Tobelem, 47 anos, mais conhecido como Josiel, está à frente nas pesquisas para a prefeitura de Macapá. Ele é do famigerado DEM e surfa na popularidade do irmão, Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal.

Então, se a maioria do povo da capital do Amapá, um estado arruinado pelo apagão provocado pela privatização da companhia de energia elétrica estadual, votar em um sujeito desse, melhor não contar, nunca mais, com a solidariedade do resto do País.

Porque não faz sentido, depois de mais de 10 dias de caos, não entender que o DEM é a linha de frente da destruição dos direitos dos trabalhadores e da política de privatizações que nada tem a ver com interesse público. É um movimento para vender o patrimônio nacional a preço de banana – e o povo que se dane.

Não sejam idiotas, amapaenses. É hora de dar o troco nessa gente.

 
02
Abr19

Bolsonaro visita Muro das Lamentações com Netanyahu e rompe tradição diplomática

Talis Andrade

Por RFI

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Quipá na cabeça, Jair Bolsonaro colocou as duas mãos nas pedras do Muro das Lamentações Benjamin NetanyahuMenahem KAHANA / POOL / AFP
 

 

O presidente Jair Bolsonaro visitou nesta segunda-feira (1) o Muro das Lamentações em Jerusalém, acompanhado do primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu. O líder brasileiro torna-se, assim, o primeiro chefe de Estado a realizar tal visita ao lado de um primeiro-ministro israelense.

 
 

Rompendo com a prática diplomática, Bolsonaro foi ao local mais sagrado do judaísmo com Netanyahu. Quipá na cabeça, o presidente brasileiro colocou as duas mãos nas pedras do muro e, com Netanyahu fazendo o mesmo do seu lado esquerdo, recolheu-se por vários segundos com a cabeça inclinada.

O chefe de Estado cumpriu com a tradição de inserir nos espaços do Muro um pedaço de papel destinado à realização de um voto. A visita foi um dos pontos altos da viagem oficial de Bolsonaro a Israel.

O conjunto em torno do Muro das Lamentações é conhecido como Esplanada das Mesquitas ou Monte do Templo, o local mais sagrado do judaísmo, e onde também está a mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado do Islã, após Meca e Medina.

Jair Bolsonaro e Benjamin Netanyahu diante do Muro das Lamentações, ponto alta da visita do líder brasileiro.Menahem Kahana/Pool via REUTERS
 
 

O Muro fica em Jerusalém Oriental, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, em uma decisão que não foi reconhecida pela comunidade internacional. Durante décadas, os líderes estrangeiros se abstiveram de aparecer ao lado de um líder israelense em frente ao monumento, para evitar não serem acusados de se posicionar sobre o tema.

 

O presidente americano Donald Trump, aliado de Israel, visitou o Muro em maio de 2017, mas ele foi acompanhado pelo Rabino do Muro, Shmuel Rabinovitz, e não por um líder israelense.

(Com informações da AFP)

22
Set18

Nenhum candidato a presidente, a governador, a senador tem coragem de entrar nas favelas do Rio apesar da intervenção militar que não serve para nada

Talis Andrade

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O Rio de Janeiro tem 1mil e cem favelas, sem governo e sem lei. O eleitorado dessas favelas decide qualquer eleição majoritária, e possui representantes eleitos deputados federais e estaduais, indicados pelas polícias e/ou milícias. 

 

São currais eleitorais, vários deles cercados por muros pelo ex-prefeito Eduardo Paes, que depois de uma fugida para os Estados Unidos, volta como candidato a governador.

 

Nem Paes, nem Romário, nem Garotinho, os três candidatos mais cotados, arriscam subir os morros ou descer nas marés para pedir votos, apesar da intervenção militar do general de Michel Temer, com ordem de atirar para matar.

 

Para entender o medo dos candidatos a governador e a senador, inclusive do filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flavio, que pretende pular da Assembléia Legislativa para um mandato de oito anos no Senado Federal, leia reportagem da Agence France Press - AFP que transcrevo:

 

"Como pretende melhorar a segurança pública, para evitar que a gente perca aula, já que toda hora tem operação policial?", pergunta Ellen, uma adolescente da Maré, aos candidatos ao governo do Rio de Janeiro.


Ela tem 14 anos, a mesma idade que Marcos Vinicius, morto durante uma operação da polícia quando voltava da escola em junho na mesma comunidade.


É neste complexo de favelas com aproximadamente 140.000 habitantes - incluindo mais de 100.000 com idade para votar - que ONGs organizaram um debate com os candidatos ao cargo de governador do estado.


O centro cultural lotou: por volta de 300 pessoas, em sua maioria jovens, negros e quase todos moradores da Maré. Todas as cadeiras de plástico foram ocupadas, bem como os paletes de madeira transformados em grades, e muitos espectadores ficaram de pé.


Apesar disso, apenas três dos 12 candidatos compareceram. Dayse Oliveira (PSTU), Marcia Tiburi (PT) e Luiz Eugênio (PCO). Tarcísio Motta (Psol) foi representado pela vice, Ivanete Silva.


Segurança 

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"Cadê os candidatos, não conheço ninguém aqui. Nenhum deles vai para o segundo turno, mal passam de 1%", lamentou Daniel Silva, de 21 anos, que esperava ver os favoritos, o ex-jogador de futebol Romário e o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes.

 

"Estou um pouco decepcionada, mas isso só mostra o perfil desses candidatos. É importante o candidato ir para a favela e ter contato com a gente, para ter uma noção diferente do que a mídia passa", considerou Karla Rodrigues, de 35 anos.


Todos os dias, tragédias causadas por tiroteios nas favelas do Rio ocupam as páginas dos jornais.


O debate eleitoral na Maré não foi poupado. Por alguns segundos, o discurso de um candidato foi abafado pelo som de duas rajadas de tiros.


Arthur Viana de Andrade, de 21 anos, vai votar pela primeira vez. Ele ainda não escolheu seu candidato para governados nem para presidente, mas sabe em quem não irá votar.


"Quando um candidato foca muito nessa questão de 'bandido bom, bandido morto', vejo que não é o caminho a ser seguido, porque como homem negro favelado, você entende que é um alvo", afirma, em referência ao discurso do candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, que lidera as intenções de voto para o primeiro turno da presidencial.


 "Nenhum pudor" 

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Os organizadores escolheram a segurança como tema do debate. Mas quando perguntado sobre suas prioridades, os moradores citam primeiro a saúde e a educação.


"Eles têm que fazer um hospital grandão lá atrás. Esse negócio de segurança pública dentro de favela não existe. Hospital pode realmente ajudar. A saúde é o mais importante", afirma Lucia Gomes, de 49 anos, que vende bolos na entrada do centro cultural.


"As pessoas aqui estão bem descrentes da política, e generalizam muito, falam que todo político é corrupto, todo político é ladrão. Mas eu quero ouvir as propostas, porque deixar de votar não é a solução", declara por sua vez Sheyla Amaral, de 42 anos

 

Para Eliana Sousa Silva, diretora da Redes da Maré, ONG que organizou o debate, o posicionamento político dos candidatos e suas propostas não são, necessariamente, levados em conta nas favelas.


"É difícil ter uma penetração inteligente e interessante da política porque as pessoas acabam votando de forma muito instrumentalizada. Alguns políticos veem as favelas como um curral eleitoral no qual estabelecem relações assistencialistas e clientelistas", explica.


E em certos casos, os candidatos devem obter autorização dos traficantes para fazer campanha, às vezes pagando pedágios.


"Já vi candidato oferecendo corte de cabelo, distribuindo peixe podre. Parece que é mentira, mas eles não têm o menor pudor", conclui Shyrlei Rosendo, membro da ONG

 

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14
Out17

Verde a cor da paz. Onze países africanos estão construindo uma muralha de árvores

Talis Andrade

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 A África está construindo um muro gigante de árvores para conter o deserto 

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A barreira cruza o continente de leste a oeste - e o território de 11 países - e faz parte de uma tentativa de mitigar os efeitos de mudanças climáticas.

 

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A Grande Muralha Verde consistirá em uma faixa de árvores e plantas ao longo de 7 mil quilômetros, desde o Senegal, no Atlântico, até Djibuti, no Golfo de Áden, no Índico

 

 

 

O plantio de árvores teve início em 2007 e o objetivo é fazer com que o muro atinja 8 mil km de comprimento e 15 km de largura.


Até agora, Senegal é o país que fez o maior progresso, com 11 milhões de árvores.
De acordo com Absaman Moudouba, líder de um vilarejo do sul do país que fica nas cercanias da chamada Grande Muralha Verde, o projeto está revertendo a desertificação.


“Quando não havia árvores, o vento escavava e desgastava o solo. Mas está mais protegido agora. As folhas viram compostagem e a sombra aumenta a umidade do ambiente - e assim há menos necessidade de água”, afirma.


“Antes, havia fome e seca generalizadas aqui. Então, começou a plantação de árvores e depois um jardim onde as mulheres fazem a cultura agrícola. Antes, as pessoas costumavam migrar, mas agora elas só seguem a linha da Grande Muralha Verde em busca de emprego. Elas não partem mais”, diz Moudouba.

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Mulheres plantam sementes no norte do Senegal 

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O projeto começou em 2007 e o custo estimado é de U$8 bilhões (R$25 bilhões). Apesar de estar anos distante de ser finalizado, o Banco Mundial, a ONU, a União Africana e os Jardins Botânicos do Reino Unido seguem na busca de fundos para continuar o plantio. In BBC.

 

Essa muralha de árvores podia ser plantada nas fronteiras dos estados nordestinos. Uma das árvores poderia ser o umbuzeiro, que resiste a seca, e considerada sagrada pelo índio.

 

Os muros construídos por Paes no Rio de Janeiro, para segregar, discriminar os favelados, deviam ser substituídos por árvores.

 

Os africanos oferecem uma boa lição para os guerreiros sanguinários que construíram muros separando os Estados Unidos do México, Israel da Palestina...

11
Out17

Apartheid. O negro no seu lugar

Talis Andrade

O Brasil dos apartheids está visível por todos os lugares.

 

Nos muros construídos pelo prefeito Eduardo Paes no Rio de Janeiro, isolando favelas nas zonas da classe média. 

 

Na necessidade de cotas para negros nas universidades, nos serviços públicos.

 

Nas vestimentas de trabalho. A exemplo dos uniformes brancos para as babás. 

 

Escreve Andreia Landa Pandim

 

 

Babá fica isolada em restaurante enquanto família come em outra mesa

 

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Uma foto está causando grande revolta na internet, a foto mostra uma babá isolada em restaurante enquanto a família fazia sua refeição em outra mesa.


A foto foi postada no Facebook por Michael Fanny e já teve mais de 60 mil compartilhamentos.

 

Segundo seu post, a empregada estava distante dos patrões e não consumia nenhuma refeição. E ele ainda escreveu : “A sua empregada faz parte de sua família. Um reflexo de sua humanidade. Imagine você no lugar dela, sem celular para ver, sem ser convidada para comer, apenas olhando em volta”. e completou “A vida não é sobre lucros e perdas, não é sobre nós mesmos .. Ao compartilhar um pouco do que temos, então estamos compartilhando o amor de Deus.”

 

 

 

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