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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Dez20

Sérgio Moro, sit tibi terra levis!

Talis Andrade

 

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por Ricardo Mezavila

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Depois de destruir as indústrias brasileiras e fazer com o desemprego atingisse índices históricos, de tirar o país da pobreza e deixa-lo na miséria, de trapacear com a Constituição e fazer com que toda a justiça fosse desacreditada, Sérgio Moro vai deixar o país para viver nos Estados Unidos da América. 

Moro recebeu uma proposta para trabalhar em uma empresa que se beneficiou da quebra das construtoras brasileiras Odebrecht e OAS, destruídas pela famigerada operação Lava Jato da qual Sérgio Moro era o juiz. 

Rosângela Moro, ‘conja’ do ex-juiz e sócia de escritórios de advocacia que se beneficiaram dos esquemas das delações premiadas, do alto de seu desprezo pela empatia, mostrou-se aliviada por estar saindo do país destruído e disse que o casal enfim poderá viver a sua vida. 

A Intercept Brasil revelou a promiscuidade na relação entre Sérgio Moro, vulgo Russo, e Procuradores, que direcionaram ações da polícia federal, conspirando e ordenando busca e apreensão na casa de suspeitos sem o conhecimento do Ministério Público. 

“Russo deferiu uma busca que não foi pedida por ninguém…hahahah. Kkkk”, escreveu Luciano Flores, delegado da PF alocado na Lava Jato, em fevereiro de 2016, no grupo Amigo Secreto — se referindo a Moro pelo apelido usado pelos procuradores e delegados. “Como assim?!”, respondeu Renata Rodrigues, outra delegada da PF trabalhando na Lava Jato. O delegado Flores, em resposta, avisou ao grupo: “Normal… deixa quieto…Vou ajeitar…kkkk”. 

As ações serviram na condenação e prisão do o ex-Presidente Lula, para que ficasse inelegível nas eleições presidenciais de 2018. Depois de servir de algoz, Moro aceitou convite obsceno para ser ministro da justiça do governo Bolsonaro.  

O Supremo Tribunal Federal tem a obrigação de julgar a suspeição de Moro no caso do tríplex do Guarujá. É uma questão de honra que os ministros reparem essa página da história e façam com que a lei seja cumprida. 

Apesar de todo o estrago, Sérgio e Rosângela sabem que em 2023 podem estar residindo no Palácio da Alvorada. Nessas horas me identifico com Lulu Santos quando ele canta, “não desejamos mal a quase ninguém”

 

24
Jul20

Reinaldo Azevedo: 'É preciso pôr fim à farsa publicitária da Lava Jato'

Talis Andrade

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247 - "Ou o lavajatismo dá um golpe de vez nas instituições, com o consequente fim do devido processo legal e do Estado de Direito, ou, então, os valentes terão de responder por sua obra. Ainda dispõem de poder de retaliação e têm guardadas bombas de fragmentação. Vamos ver", escreve o jornalista Reinaldo Azevedo.

O jornalista parabeniza os "respectivos presidentes do Senado e do Supremo, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Dias Toffoli, por terem impedido não a busca e apreensão no gabinete do tucano José Serra, mas a invasão do Senado pela polícia". 

"Até a ditadura foi mais contida", afirma. 

"Minha opinião a respeito não é nova: até onde sei, fui o único na imprensa a criticar duramente, em setembro do ano passado, a decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, que autorizou a PF a invadir —sim, escolho esse verbo!— os respectivos gabinetes do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e do deputado Fernando Bezerra Coelho Filho (DEM-PE) sob o pretexto de colher provas de desvios de recursos públicos supostamente ocorridos entre 2012 e 2014".

"Nos marcos atuais, o que impede um juiz de primeira instância de determinar busca e apreensão no gabinete de um ministro do STF ou do presidente da República? Este, por exemplo, não pode ser responsabilizado por crimes anteriores ao mandato, mas investigado pode. É jurisprudência do tribunal. Já aconteceu com Michel Temer".

[...] "É preciso pôr fim à farsa publicitária da Lava Jato para que o combate à corrupção seja eficaz e se dê nos marcos da legalidade".

"A Segunda Turma do STF tem de decidir em breve se anula ou não a condenação de Lula. Têm pululado na imprensa nestes dias notinhas sobre a candidatura de Sérgio Moro a presidente ou a vice. A simples leitura provoca sentimento de vergonha —em quem tem vergonha".

"A luz chegará aos porões da Lava Jato. Resta a cada ministro do STF escolher se associa seu nome ao Estado de Direito ou ao terror policial-judicial que erigiu falsos profetas que nos legaram como herança o abismo da cloroquina moral".

Leia a íntegra

06
Mai20

A geopolítica para entender o perigo

Talis Andrade

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IV - Porque Moro é mais perigoso até do que Bolsonaro

por Carlos Tautz

Córtex Político

___

Moro é de outra qualidade. E para entender em toda a sua extensão o perigo que ele representa para o Brasil é necessário partir da chave conceitual da geopolítica, disciplina que, em resumo, orienta o estudo dos Estados assentados em largas  porções de territórios – como no caso brasileiro.

Os comprovados vínculos de reiteirada submissão, seus e de seus comandados na LJ, ao Departamento de Justiça, órgão subordinado à Casa Branca e que, nos EUA, tem funções semelhantes às do Ministério Público Federal no Brasil, colocam sobre Moro enorme desconfiança. Ele aparenta ser uma espécie de Cavalo de Tróia dos interesses estadunidenses. O grande problema é que esse Cavalo de Tróia tem reais chances de chegar à Presidência da República no Brasil, seja em 2022 ou depois, porque o ex-juiz tem pouca idade (47 anos), o que lhe permite disputar várias eleições.

Eleger Moro teria importância geopolítica sem igual para os EUA, que sempre se sentiram em alguma medida ameaçados pela simples existência na América do Sul (o primeiro círculo da sua hegemonia global) de um País como o Brasil: extenso e unificado territorialmente, com uma população de centenas de milhões de habitantes que falam a mesma língua, possuem moeda única e que nunca enfrentaram separatismos nacionais que efetivamente ameaçassem a sua unidade territorial. Tudo reunido em um País que possui em enorme escala elementos da natureza (água doce, diversidade biológica, insolação, petróleo, minerais etc) indispensáveis à reprodução do capital em forma acelerada e, a rigor, indispensável até à reprodução da própria espécie humana.

Em outra palavras. Mais do que ter apoiar um governo títere, seria muito mais estruturante para os EUA escolher um Presidente do Brasil que compartilha de seus valores e tem a capacidade de articular a seu favor amplos setores da população brasileira, de fração majoritária da burguesia que se hospeda por aqui, do ecossistema de comunicação historicamente anti-brasileiro e de Forças Armadas cujas elites há décadas se associam de forma subserviente à lógica global de Washington.

Nesse ambiente, tudo passa a ser possível. Inclusive, fracionar o território Brasileiro ou, pelo menos, ter uma presença política e militar institucionais muito mais intensa e extensa dentro desse território (como um enclave a laGuantánamo). Que  ninguém se espante, mas os exemplos da Coréia e do Iraque mostram que esta se  coloca para os EUA como opção real.

E, para o Brasil, como enorme risco à integridade de seu território e à soberania nacional. (Continua) 

29
Mar20

Onde foi parar a grana bilionária depositada em um indecente fundo da gangue dos procuradores da lava tato?

Talis Andrade

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Ministro do STF Alexandre de Moraes enviou ofício à 13ª Vara Federal de Curitiba para saber se 2,5 bilhões desviados da Petrobras foram indevidamente utilizados por Deltan Dallagnol e mais cinco procuradores "donos" de imoral "fundo" da lava jato?

 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anda desconfiado do destino do dinheirame desviado pela Operação Lava Jato, e que fez Deltan Dallagnol salivar com a possibilidade de utilizá-lo fecundando uma secreta 'fundação' bilionária – mutreta para receber multas de acordos de leniência de grandes empresas assinados nas coxas, e de delações premiadas de traficantes, doleiros e empresários corruptos.  

Alexandre de Moraes também responsável por suspender a criação da misteriosa 'fundação', criada por seis procuradores. Criada para receber, inicialmente: 2,5 bilhões desviados da Petrobras. Istoé dinheiro: 2 bilhões, 567 milhões, 756 mil reais.  

Eis os seis procuradores, os ernestos, os sabidos e espertos fundadores da ong ou fundação:  

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A 'fundação', ou grupelho, tem apenas seis procuradores como proprietários do "fundo" mágico. Importante não esquecer os nomes dos malandros: Deltan Martinazzo Dallagnol, Januário Paludo, Felipe Délla Camargo, Orlando Martello, Diogo Castor de Mattos, Athayde Ribeiro Costa.

Existe ata de criação dessa fundação ou ONG? Uma ONG é uma organização não governamental. São organizações privadas sem fins lucrativos, legalmente instituídas com o objetivo de promover o desenvolvimento social.

Após estabelecida, deve-se seguir o passo a passo abaixo para oficializar sua formação:

  • Elaborar a proposta de Estatuto;
  • Fazer uma assembleia com os associados para aprovação do Estatuto;
  • Registrar o Estatuto em Cartório;
  • Realizar inscrição na Receita Federal para obtenção do CNPJ;
  • Registrar no INSS;
  • Registrar na CEF para FGTS;
  • Registrar na Prefeitura;
  • Registrar na Secretaria da Receita Estadual, obtendo a Inscrição Estadual;
  • Registrar os funcionários, se houver, junto à Delegacia Regional do Trabalho. 

A fundação ou ong ou fundo da lava jato é um trem fantasma. Uma caverna de Ali Babá. Uma galinha de ovos de ouro. Uma botija . Um tesouro encantado. Já pensou 2,5 bilhões para gastança em eventos, em propaganda enganosa, em institutos tipo Mude, em escritórios criados por esposas de procuradores e juízes (as empresas das "meninas")? Nas eleições de 2022, no partido da lava jato, nas campanhas de Dallagnol a senador ou governador do Paraná, de Sergio Moro presidente?

É muita safadeza, muita corrupção, complacência, anistia antecipada, que mais de um ano que esse dinheiral foi depositado, mofa sabe o diabo onde.

Eis o comprovante dos 2,5 bilhões depositados pela Petrobras, no dia 30 de janeiro de 2019, em uma conta gráfica autorizada pela juíza  Gabriela Hardt, na Caixa Econômica Federal de Curitiba.

A bolada de 2,5 bilhões ficou esperando a saída de Sergio Moro (a esposa do ex-juiz, criou uma empresa de eventos), o começo do governo de Bolsonaro presidente, eleito com o apoio da lava jato, para virar uma conta gráfica.

Por que uma conta gráfica?

Ministério Público Federal com uma conta gráfica?

Onde já se viu? 

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A DANÇA DO DINHEIRO

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O ministro Alexandre de Moraes fez doação de parte desse dinheiro primeiro para o Ministério do Meio Ambiente (e da Amazônia Legal), depois para o Ministério da Educação e, agora, para o Ministério da Saúde.  Ou esse dinheiro não mais existe, ou está bichado, mal-afamado, que ninguém quer tocar nele. Quando foi destinado para apagar incêndios na Amazônia, consideraram uma decisão equivocada e ilegal.

Quase um ano depois do depósito, a Folha de S. Paulo deu a seguinte manchete: "MEC recebe e não usa um R$ 1 bi recuperado na lava jato. Verba para educação básica vai acabar no limbo".  

Nas contas de Moraes, a doação de um bilhão, e fica faltando um bilhão e meio.

Ou a doação de um bilhão e meio, e fica faltando um bilhão.

FUNDO DO POÇO

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A criação do fundo bilionário veio a público no início de 2019 e nem precisou sair do papel para gerar indignação – sob controle total do Ministério Público, sua existência violaria a legislação brasileira que impede o uso de dinheiro público sem o aval do Congresso ou do próprio presidente. Em suma, procuradores do MP jamais poderiam decidir sobre o destino dos recursos amealhados pela lava jato.

Na época, o então Líder do PT Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta, apresentou documentos que comprovavam a ilegalidade da Força-Tarefa da Lava Jato, os Estados Unidos e a Petrobras na criação da fundação privada para gerir US$ 2,5 bilhões, oriundos de uma multa (?) da justiça dos Estados Unidos. Segundo o parlamentar, o fundo “é um procedimento totalmente ilegal” e os procuradores envolvidos “cometeram crimes contra os interesses nacionais”. 

Em resumo: procuradores receberam, secreta e ilegalmente, dinheiro de governo estrangeiro. A troco de quê as trinta moedas? 

Pimenta lembrou ainda que a criação do fundo fere a Constituição Federal. “Essa República de Curitiba acha que está acima da lei, acha que não precisa cumprir a Constituição e resolveu abocanhar R$ 2,5 bilhões de maneira criminosa. Vamos levar às últimas consequências essa responsabilização do Dallagnol e de todos os procuradores envolvidos”, apontou.

A partir de um texto da Agência PT de Notícias com informações do Conjur

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09
Mar20

QUEM SÃO OS JUÍZES-CELEBRIDADE ESPALHAFATOSOS QUE MILITAM NA DIREITA

Talis Andrade

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O JUIZ-CELEBRIDADE é uma figura cada vez mais comum nestes tempos obscuros. Ele vive dando palestras, opina constantemente sobre assuntos que não dizem respeito à atividade judicial, ataca instâncias superiores e se dedica à militância política.

Sergio Moro talvez seja a maior referência desse tipo de juiz, que rejeita sistematicamente alguns dos princípios básicos que norteiam o ofício da justiça, mas que é visto por parte relevante da sociedade como um justiceiro do bem, um herói capaz de atropelar as leis para enquadrar vilões e proteger cidadãos de bem. Ele e alguns de seus companheiros lavajatistas abriram as portas para um festival de conduções coercitivas irregulares, grampos ilegais e vazamentos seletivos de informação — atos incomuns, mas que sem eles teria sido impossível transformá-lo numa celebridade. O juiz de primeira instância soube aproveitar os holofotes e, depois de ajudar a destruir a classe política, entrou para a política pelas mãos de Bolsonaro, o maior beneficiário político da sua atuação enquanto juiz.

As principais orientações do Código de Ética da Magistratura têm sido desprezadas pelo juiz-celebridade, que tem sua atuação regida por um certo “sentimento social”, como diria Barroso, e não pelas regras da magistratura. O código recomenda que os magistrados devem, por exemplo, evitar comportamentos de autopromoção, opinar fora dos autos sobre processos que estão em andamento e manter distância equivalente das partes. Mas juízes-celebridade não demonstram qualquer pudor em se autopromover, opinar sobre processos em andamento e aparecer frequentemente confraternizando com o bolsonarismo. Não foi à toa que esses juízes viraram baluartes da militância de extrema direita. [Continua]

 

24
Jan20

DECISÃO DE FUX CONTRA JUIZ DE GARANTIAS EXPÕE AS VÍSCERAS DO PARTIDO DA LAVA JATO

Talis Andrade

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NUM DOS CAPÍTULOS MAIS SURPREENDENTES da série Vaza Jato, mostramos que o procurador Deltan Dallagnol considerou – e ainda considera – colocar seu nome e seu rosto de bom moço na urna eletrônica. Segundo o plano, não deveria ser um movimento isolado, mas coordenado, para “o MPF lançar um candidato por Estado”. Seria a instituição, de fato, do PLJ: o Partido da Lava Jato.

Oficialmente, o PLJ ainda é um projeto do procurador. Na prática, ele disputa com a tosquice ideológica do olavismo e o vale-tudo contra a educação e o meio ambiente o protagonismo do governo de extrema direita que ajudou a eleger.

Com Sergio Moro no comando, o Ministério Público Federal no papel de polícia política e a adesão incondicional de dois – ou talvez três – ministros do Supremo, esta semana o lavajatismo mostrou a extensão de sua força. Na terça-feira, o jornalista Glenn Greenwald foi acusado de crime sem sequer ter sido investigado.

Ontem, o ministro Luiz [In] Fux [We Trust] – um dos correligionários da Lava Jato na suprema corte – decidiu suspender a implementação do juiz de garantias, aprovado como resposta do poder Legislativo aos abusos em série cometidos por Moro, Dallagnol e companhia e revelados desde junho passado pelo Intercept e os parceiros  Folha de S.Paulo, El País, Bandnews FM, Veja, BuzzFeed News, Agência Pública e UOL.

O recado é claro: se procuradores e juízes não gostam de uma lei, ela não irá vigir.

Fux fez muxoxo para a independência entre os poderes e agora vai empurrar com a barriga algo que o parlamento votou e o presidente sancionou. Uma decisão de poder quase real, ao sabor da vontade de Moro e Dallagnol, que eram contra a figura de alguém que pudesse frear seus abusos. O recado é claro: se procuradores e juízes não gostam de uma lei, ela não irá vigir. Não importa que o Congresso e o poder Executivo a tenham aprovado.

A criação do juiz de garantias divide entre dois magistrados a responsabilidade de coordenar e julgar um processo criminal. Num exemplo prático, ou Moro coordenaria ou julgaria os casos da Lava Jato – mas não faria as duas coisas, como ocorreu. O juiz de garantias é discutido no Brasil há décadas e foi um dos impactos mais visíveis da Vaza Jato. Mas não quero discutir a intenção do parlamento ao criar a figura do juiz de garantias, nem o mérito ou a aplicabilidade da proposta.

O caso é que a decisão de Fux – tomada horas antes do pacote anticrime de Moro entrar em vigor – é teratológica, como adoram dizer os lavajatistas sempre que discordam de uma sentença que não lhes agrada. O ministro nem fez questão de esconder o que o motivou a suspender uma lei aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente da República: “A existência de estudos empíricos que afirmam que seres humanos desenvolvem vieses em seus processos decisórios não autoriza a presunção generalizada de que qualquer juiz criminal do país tem tendências comportamentais típicas de favorecimento à acusação”, argumentou em sua decisão.

Não é a primeira machadada de Fux na independência dos poderes e em defesa da Lava Jato, lembrou Bruno Boghossian na Folha. Em 2016, ele mandou cancelar uma votação da Câmara que havia alterado as autoritárias e delirantes dez medidas contra a corrupção de Dallagnol. Para o ministro, legisladores usurparam competências ao… legislarem!

Juízes ganham bem e poderiam trabalhar mais, abrindo mão dos 60 dias de férias anuais.

Desde que a figura do juiz de garantias foi aprovada, o lavajatismo tem lutado com força para derrubá-lo. Argumenta que ele vai aumentar os custos para o estado, vai demandar a contratação de novos juízes, vai alongar processos judiciais. Eu poderia dizer que juízes ganham bem para fazer o que fazem e certamente poderiam trabalhar mais – abrindo mão dos 60 dias de férias anuais, privilégio pornográfico num país em que a maior parte de quem tem algum trabalho não tem carteira assinada.

Mas nem é esse o ponto. O caso é que há outras previsões do pacote anticrime que também irão onerar os cofres públicos – por exemplo, a extensão de 30 para 40 anos da pena máxima de prisão e o fim da progressão de regime para presos ligados a facções (qualquer um familiarizado com o sistema carcerário brasileiro sabe que submeter-se a PCC ou CV é questão de sobrevivência antes de escolha).

Nisso, Fux nem tocou. Mas derrubou tudo que desagradava à fúria persecutória de Moro e sua turma: o veto a que juízes fossem impedidos de dar sentença caso soubessem que o processo contém prova inadmissível e a liberdade compulsória para suspeitos de crimes que não tiverem audiência de custódia até 24 horas após a prisão. As cadeias brasileiras estão lotadas de gente nessa situação. Mas quem se importa com eles?

Nas horas seguintes à decisão de Fux, o PLJ foi às redes sociais comemorar. A procuradora Monique Cheker fez pouco de “um parlamentar” que ousou dizer que o ministro lavajatista desrespeitara o poder Legislativo com sua sentença. O tal parlamentar é Rodrigo Maia, do DEM, presidente da Câmara. Mas quem é o presidente de um dos três poderes para se opor à Lava Jato e seu partido, não é mesmo, doutora?

Monique Cheker@MoniqueCheker

É de causar espanto a manifestação de um parlamentar dizendo que um Ministro do STF desrespeita o Congresso ao suspender uma norma inconstitucional. Imagino que o parlamentar não saiba que talvez o Congresso tenha desrespeitado primeiro a Constituição Federal.

 

Dallagnol e seu colega de Lava Jato Roberson Pozzobon também celebraram. “As mudanças vêm trazendo retrocessos ou criando insegurança jurídica no trabalho anticorrupção”, escreveu o coordenador da Lava Jato. “O Min. Fux tem total autoridade na decisão”, fez coro Pozzobon.

“Cumpre elogiar a decisão do Min Fux”, celebrou Moro. “Uma mudança estrutural da Justiça brasileira demanda grande estudo e reflexão. Não pode ser feita de inopino“. Horas depois, com o pacote anticrime finalmente a seu feitio, ele teve o seu “grande dia“. Nem a mulher de Moro, Rosangela, faltou à celebração pública. “WE trust em Fux”, ela escreveu, em sua conta no Instagram. É “In Fux We Trust”, doutora. Trust pra caramba!

Em nome de uma causa única e difusa como o “combate à corrupção” – e existe alguém a favor dela? –, a turma do PLJ segue em campanha, seja em acusações absurdas como a do MPF contra Glenn, seja nas redes sociais. Os alvos prediletos, no segundo caso, são “os políticos”, assim mesmo no plural, indistintamente, de forma a alvejar toda a classe.

Deltan Dallagnol@deltanmd

Emenda que reduz o foro privilegiado tem um "jabuti" que dá aos políticos o melhor de 2 mundos: não poderão ter cautelares decretadas por juiz (quebras de sigilo, buscas e prisões) e ainda desfrutarão da morosidade e recursos infinitos de 4 instâncias. https://glo.bo/3axcYPd 

Juiz de primeira instância continua sob ataque

Emenda feita no Congresso à PEC do foro privilegiado faz parte da reação de autodefesa dos políticos

oglobo.globo.com
Roberson Pozzobon@RHPozzobon

O Globo revela acordo que está sendo idealizado POR políticos PARA políticos:

❌ Substituição do foro privilegiado por 4 instâncias
❌ Prisão só depois da 4ª instância
❌ 1ª instância SEM poder investigarhttps://oglobo.globo.com/brasil/camara-dos-deputados-votara-pec-que-extingue-foro-privilegiado-mas-quer-restringir-atuacao-de-juizes-24186455 

Câmara dos Deputados votará PEC que extingue foro privilegiado, mas quer restringir atuação de...

Acordo entre parlamentares prevê que juiz de primeira instância não poderá decretar medidas cautelares contra políticos; Líderes argumentam que a restrição se justifica para evitar “ativismo” dos...

oglobo.globo.com
Roberson Pozzobon@RHPozzobon
 

Pois é...

Câmara se prepara p/ votar PEC que extingue foro privilegiado, mas parlamentares querem “aproveitar” e incluir dispositivo que IMPEDIRÁ juízes de 1ª instância de decretar medidas cautelares contra políticos, como prisão, quebra de sigilos e ordem de busca e apreensão.

A fúria persecutória do lavajatismo já nos legou Jair Bolsonaro na presidência da República. O fã de ditadores e torturadores era o candidato da Lava Jato, que expôs seu preconceito contra partidários da esquerda ao comentar a morte de parentes de Lula e o pedido de informações feito por um jornal. Mas nem o espaço que ocupa no governo de extrema direita parece satisfazer o lavajatismo.

Moro, Dallagnol e companhia gostaram de ter poder nas mãos e não querem largá-lo. Assim, não têm pudores em usar instituições da democracia como Ministério Público e poder Judiciário como armas contra adversários e palanques para insuflar seus seguidores contra políticos, genericamente, ajudando a erodir a já combalida credibilidade da atividade política – essencial para a democracia – por aqui.

Quem tem dúvidas de que Dallagnol está gestando sua candidatura para 2022? E ele não está só. Outro lavajatista, o juiz Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro, já deixou claro que pretende ir pelo mesmo caminho. E nem precisamos falar de Moro. Suas associações de classe, enquanto isso, tentam conseguir que eles possam disputar eleições no conforto dos cargos, com 60 dias de férias e salários régios.

Um exemplo do que essa turma pode fazer no poder já existe: é o governo do ex-juiz federal Wilson Witzel no Rio, cuja polícia mata mais que o crime em 11 regiões do estado. É realmente esse o tipo de gente que o Brasil acredita que irá salvá-lo? Então, mãos ao alto: vem aí o Partido da Lava Jato.

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