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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Dez20

Jornalista explica como Moro ficará milionário com a "porta giratória" entre investigadores e escritórios de advocacia

Talis Andrade

 

 

1) A consultoria americana Alvarez e Marsal anunciou que Moro será o chefe de investigações, disputas e compliance no seu escritório envidraçado na Vila Olímpia, à beira da Marginal Tietê, pertinho do luxuoso Shopping JK.

2) Especializada em reestruturação corporativa, a Alvarez & Marsal é a administradora judicial da Odebrecht, após a construtora ter pedido recuperação judicial por causa das investigações da Lava-Jato no Brasil, nos EUA e em dezenas de países da América Latina.

3) A consultora já faturou 17,6 milhões com o serviço, segundo reportagem do Uol. O Valor Econômico noticiou que o contrato de Moro o exime de advogar em causas em que haja conflito de interesses.

4) Entre os sócios sêniores, a empresa orgulha-se de contar com um ex-agente do FBI, um ex-procurador do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e outro do governo britânico, além de um ex-funcionário da NSA.

5) Há alguns anos, críticos vêm apontando para a escandalosa “porta giratória” entre os procuradores americanos que se dedicam a investigar corrupção e os riquíssimos escritórios de advocacia que vendem serviços para empresas se “blindarem” exatamente desse tipo de investigação.

6) São jovens com ar de auto-satisfação e luxuosos escritórios com vista para os pontos mais cobiçados de Nova York ou Washington.

7) O caso mais notório é Patrick Stokes, que liderou entre entre 2014 e 2016 o departamento de FCPA (corrupção transnacional) do DOJ e depois virou sócio no escritório Gibson, Dunn & Crutcher’s, em uma posição cujo salário chegou a R$ 3,2 milhões em 2017.

8) Detalhe: a empresa foi a contratada pela Petrobras para negociar o acordo com o DOJ, assinado no final de 2018, dois anos depois de Patrick sair do cargo. O contrato traz a assinatura do advogado Joseph Warin, hoje sócio de Patrick.

9) Em um breve levantamento feito com a jornalista Raphaela Ribeiro identificamos que dentre 19 procuradores americanos envolvidos nas investigações da Lava Jato, do DOJ e do Securities and Exchange Commission (Sec), pelo menos seis foram para a iniciativa privada.

10) Kevin Gingras, que veio ao Brasil em nome do DOJ entrevistar Nestor Cerveró e Alberto Youssef em julho de 2016, hoje é vice-presidente de litígios na empresa fabricante de armas e tecnologia de defesa Lockheed Martin Corporation.

11) Charles Duross não chegou a trabalhar nos casos da Lava-Jato, mas liderou a unidade de corrupção internacional do DOJ até 2014. Estava nessa posição quando o governo americano começou a investigar a Embraer por corrupção na República Dominicana.

12) Duross hoje é advogado associado no escritório Morrison & Foerster LLP. Ele foi indicado pelo DOJ para acompanhar as práticas anticorrupção que vêm sendo adotadas pela Odebrecht e o desenvolvimento do setor de “compliance”, depois de pagar uma multa bilionária aos americanos.

13) Do lado do FBI, George “Ren” McEachern liderou até 2017 a Unidade de Corrupção Internacional, supervisionando as investigações de corrupção ligadas à Lava Jato. Pouco depois, passou para a consultoria Exiger, onde ensina métodos de “compliance”.

14) Aqui no Brasil, o pioneiro ao “mudar de lado” foi o procurador Marcelo Miller, que aparece como um dos principais articuladores com os americanos nas conversas da Vaza-Jato, propondo acordos diretamente a eles durante reuniões do grupo anticorrupção da OCDE.

15) Em abril de 2017 ele deixou o MPF e em seguida virou sócio do escritório de advogados especializado em compliance Trench Rossi Watanabe. Miller se deu mal.

16) O anúncio do afastamento foi feito às vésperas da delação de Joesley Batista, da JBS, que teve intermediação do mesmo escritório. Por ter atuado nas duas pontas do negócio, passou a ser investigado e foi denunciado pelo próprio MPF.

17) Em setembro daquele ano a PGR rescindiu o acordo de colaboração de Joesley Batista mediado pelo procurador. E Miller saiu da empresa poucos meses depois de ser contratado, recebendo a bagatela de R$ 1,6 milhão, segundo reportagem do O Globo.

18) Outro que pulou para a iniciativa privada foi o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. Hoje no seu linkedin ele se descreve como “advogado na área de compliance, investigações internas, monitoria, e acordos de leniência e colaboração premiada”.

19) Virou consultor, segundo coluna de Fausto Macedo, sem dar o nome aos clientes que o têm contratado, autor de livro sobre compliance para bancos e palestrante.

20) Sem magistratura, a nova empreitada de Moro pode ser lida apenas como uma demonstração do apreço ao dinheiro – lembremos que ele chegou a receber mais de R$ 100 mil como juiz – e de falta de imaginação, engordando ainda mais fila da “porta giratória” da Lava-Jato. (Transcrito do portal 247)

 

 
 
 
16
Dez20

“Merval e Miriam contribuíram muito para o pensamento único na Globo”, diz Tereza Cruvinel

Talis Andrade

Tereza Cruvinel, Merval Pereira e Miriam Leitão

247 - A jornalista Tereza Cruvinel, que já foi colunista do jornal O Globo, falou durante o programa Bom Dia 247 desta quarta-feira (16) sobre a crise financeira do jornalismo dos Marinho e também sobre os cortes salariais dos colunistas Miriam Leitão e Merval Pereira, que terão que publicar apenas três colunas por semana.

A jornalista destacou que o grupo Globo sempre trabalhou para homogeneizar a opinião, procurando estabelecer “uma linha de pensamento única no jornalismo político”.  

Cruvinel relembrou que “Miriam Leitão e Merval Pereira sempre trabalharam na linha de seguir a linha de pensamento dos donos do grupo” e que “fazer hostilidades era algo comum com quem pensava diferente”. 

“O Merval contribuiu muito para criação do antipetismo e o endeusamento da Lava Jato, a Miriam foi decisiva na construção de aspectos jurídicos das pedaladas fiscais no impeachment de Dilma, com a ideia de um crime de responsabilidade que não houve”, acrescentou. 

Em sua visão, o corte de salário de Miriam e Merval deixa claro que “a crise na Globo é muito grave”. 

O grupo Globo encontrou uma fórmula para reduzir os salários de seus dois principais colunistas: o analista político Merval Pereira, que fez campanha pela prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a analista econômica Miriam Leitão, que fez campanha pelo golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff, a partir da tese das “pedaladas fiscais”. Os dois, que publicavam seis colunas semanais, folgando apenas na segunda-feira, agora terão a obrigação de publicar apenas três textos por semana. O corte na produção (e nos salários) também atinge o colunista Bernardo Mello Franco.

- - -

Nota deste correspondente: Os Marinho continuam podres de ricos. Coloquem podre na riqueza que começou nos idos de março da ditadura militar, no surgimento da TV Globo, no monopólio da TV Globo, nos programas vendidos a preços superfaturados a empresas estatais e bancos oficiais.

Apoiando as privatizações de Fernando Henrique, de Temer, de Bolsonaro, os Marinho jantaram as galinhas de ovos de ouro. 

O corte nas colunas da Miriam e do Merval acontece porque perderam leitores. Qualquer assinante do jornalismo do grupo sabe que Miriam e Merval vão escrever amanhã. Pedaladas são defendidas nos tempos de Paulo Guedes. Santificar os altos negócios de Sergio Moro virou publicidade paga da Alvarez & Marsal, diretamente para os cofres das empresas dos Marinho. 

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