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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Set21

As dúvidas sobre o alerta de Lewandowski

Talis Andrade

 

por Moisés Mendes /Jornalistas pela Democracia

O Brasil tem duas figuras públicas, bem conhecidas, encarceradas sob a acusação de que atentaram contra a Constituição, a democracia, a ordem política e as instituições: o deputado federal Daniel Silveira e o presidente do PTB, Roberto Jefferson.

Os dois pregaram golpes e desordem e fizeram ameaças a ministros do Supremo. Sara Winter, há muito tempo em liberdade, também já esteve presa pelos mesmos motivos.

Mas quem mais, que tenha feito as mesmas pregações, foi encarcerado preventivamente, antes de julgamento? Há algum anônimo preso em algum lugar como golpista? É quase certo que não.

Então, se temos apenas dois presos como inimigos declarados da democracia e defensores de insurreições contra o Supremo, é possível esperar que mais gente seja encarcerada depois das manifestações pró-golpe de 7 de setembro?

A pergunta não é uma indagação ao léu e foi acionada por recente artigo na Folha em que o ministro Ricardo Lewandowski lembra Bolsonaro, sem citá-lo, que uma tentativa de golpe armado “constitui crime inafiançável e imprescritível”.

Lewandowski observa que a advertência vale tanto para os personagens que ele define como o superior que dá ordens quanto para o inferior que obedece, ou seja, os comandados não podem aparecer dizendo depois que se submeteram às ordens dos comandantes.

O artigo repercutiu porque explicitou uma posição que precisava ser tornada pública. O Supremo está atento aos movimentos de Bolsonaro e não teme seus blefes.

Mas deixa em aberto, porque não aborda, a questão da subversão pela ameaça de golpe de qualquer um, seja um Daniel Silveira, um Roberto Jefferson ou um “inferior” desimportante, sem que isso configure uma tentativa real de levante armado.

Não é um dilema qualquer. As manifestações de 7 de setembro terão a peculiaridade da participação maciça de policiais militares da reserva e, dizem, até da ativa, alguns armados.

Pregações golpistas deverão ser exacerbadas, em falas, cartazes e atitudes. Esses exageros serão aceitos no 7 de setembro como parte das manifestações, e somente será contido o gesto em direção ao golpe assumido por Bolsonaro e por seus generais?

Se Roberto Jefferson e Daniel Silveira fossem soltos às vésperas das manifestações e aparecessem defendendo, em discursos ou em pregações no meio da Paulista, o que haviam dito em vídeos, aconteceria o quê?

Há muito tempo, antes mesmo da posse de Bolsonaro, pregadores de golpes vestidos de amarelo fazem discursos na internet, em palanques ambulantes e nas esquinas.

Na mesma Avenida Paulista, já se juntaram milhares deles. Em Porto Alegre, no Parcão, o reduto dos ricos e da direita militante, golpistas bacanas pregam o golpe ao lado de pastores evangélicos, aos gritos, sem medo de nada.

Golpistas ameaçam em vídeos, desfilam com cartazes e faixas, berram nas ruas. Eles não incorrem em crime por pensamento, mas por ação deliberada, em voz alta, contra as instituições e a democracia, como fizeram Silveira e Jefferson, e todos estão soltos. Nunca foram nem perturbados.

Há no Supremo um inquérito que trata desses pregadores, juntando na mesma investigação os donos e subalternos da fábrica de fake news do Planalto e os que promovem e patrocinam atos antidemocráticos.

Os atos nas ruas, como estão sendo prometidos, devem disseminar esses crimes, ou não serão eventos do mais extremado bolsonarismo, num momento complicado para o líder acossado.

A pergunta concreta é esta: será possível levar mais pregadores de golpes para a cadeia, dependendo do que disserem no 7 de setembro, ou será preciso esperar pelas denúncias e pelo andamento dos processos?

Se o 7 de setembro for a amplificação do que tivemos até aqui, agora com forte participação de militares, e se não acontecer nada com os pregadores do golpe, seremos induzidos a pensar que qualquer um pode imitar Silveira e Jefferson e ficar impune.

Ficariam impunes os que não têm a expressão política e o poder de Silveira e de Jefferson? Mas qual é o poder de um deputado insignificante como Daniel Silveira?

Dizer, como disse o ministro Luiz Fux, que “o exercício de nossa cidadania pressupõe respeito à integridade das instituições democráticas e de seus membros” é reforçar o alerta.

Mas o que acontecerá se o alerta não for levado a sério e tivermos no feriado da independência o maior, mais agressivo e mais barulhento show dos golpistas desde a posse de Bolsonaro?

28
Ago21

Esse seria um golpe com assassinos e torturadores?

Talis Andrade

 

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por Moisés Mendes /Jornalistas pela Democracia

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É razoável que muitos já se perguntem sobre os estragos e as crueldades de um golpe com Bolsonaro. Porque um golpe põe sempre um país em desordem e tudo na sequência passa a ser imprevisível.

Se um golpe tem desdobramentos incontroláveis, e mesmo que hoje não tenha os componentes de um golpe considerado clássico, o que se pode esperar e temer, se Bolsonaro for além do blefe?

Em 64, sabem os bem os que têm memória e os que se preocupam hoje em buscá-la em algum lugar, o golpe recrudesceu em 68, quando a ideia de ditadura se consolidou e ampliou tudo o que ‘legalizava’ a arbitrariedade.

Bolsonaro é um despreparado em qualquer área. Hoje, não tem quadros com um mínimo de sofisticação e reputação para amarrar base jurídica e política para que um golpe seja bem sustentado.

Alguns dirão que qualquer advogado medíocre, sendo ou não um poste da República, arranja base para um golpe, com estado de sítio, estado disso e daquilo, intervenções pontuais e portarias e decretos com a imposição de arbitrariedades.

Na hipótese mais frequente, a que considera como primeira agressão um ataque ao Supremo, o que Bolsonaro poderia fazer para conter o Judiciário que ameaça a família?
 
Em 64, muitos antes do AI-5, e logo depois da deposição de Jango, os militares fizeram o que Bolsonaro deve imaginar agora, mesmo que precariamente, na sua cabeça limitada e confusa.

Os militares baixaram o AI-1, dirigido ao Judiciário, e tiraram de qualquer juiz, em quaisquer instâncias, o acesso à apreciação de cassações e da suspensão de direitos em geral.

Meses depois, o AI-2 aumentou de 11 para 16 o número de ministros do Supremo e determinou que civis ‘subversivos’ seriam julgados pela Justiça Militar. E que processos contra governadores que atentassem contra a segurança nacional cairiam no Superior Tribunal Militar.

Mais adiante, já sob o AI-5, ministros do STF foram cassados e outros decidiram ir embora, e a Justiça passou ao controle total da ditadura.

É o que Bolsonaro poderá tentar de imediato? Mas como? Bolsonaro pode querer também amordaçar Congresso e imprensa.

Mas teria como imitar os atos institucionais ou produzir algum arremedo? Há ambiente para algo semelhante como medidas jurídicas de exceção?
 
Há como ter Bolsonaro como chefe de um golpe, mandando em generais fracos, ou o sujeito chefia apenas blefes para atiçar milicianos?

E surge então a questão mais preocupante, por envolver cidadãos comuns. Além de perseguir inimigos bem identificados, é possível que um golpe decida caçar também pessoas comuns, como fizeram a partir de 64?

A ditadura perseguiu, caçou (e cassou), prendeu, matou e determinou que ‘desaparecessem’ também pessoas sem expressão política, sem liderança relevante reconhecida.

É provável que um golpe sob o comando de Bolsonaro volte a provocar mortes e desaparecimentos, ou as perseguições serão pontuais e apenas desestabilizadoras da vida dos inimigos?

É provável que a tortura seja um recurso à disposição dos golpistas, com a execução das violências a cargo das polícias e dos militares, como aconteceu nos anos 60 e 70? 

Não são perguntas sem fundamento. Nada mais é sem fundamento num país em que o presidente pede que as pessoas, ao invés de comprarem feijão, comprem fuzis.

Também não é absurdo pensar que o sonho de Bolsonaro talvez seja o de ter réplicas fiéis de Brilhante Ustra sob o seu comando.

a divina e trágica comédia brasileira flavio t

26
Ago21

O governador, e não o Exército, deve impor autoridade para evitar motins

Talis Andrade

 

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por Moisés Mendes /Jornalistas pela Democracia

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Está disseminada a tese de que o Exército deve intervir, não se sabe como, no processo de politização das polícias militares que fazem militância pró-golpe e ameaçam com motins.

Toda a argumentação nessa linha é um equívoco, se examinada sob o ponto de vista das obviedades constitucionais ou sob o olhar subjetivo da política.

Nesse caso, o que orienta atitudes e ações é o poder da política, estúpido. Tentar evitar motins é tarefa de quem tem representação determinada pela democracia.

Dizem alguns que as PMs, como são forças auxiliares do Exército para situações excepcionais em que são convocadas a intervir, precisam estar sob a vigilância dos militares.

Não podem e não devem. A Constituição, que permite tantas hermenêuticas, como diria o jurista da esquina, é muito clara. Está escrito no parágrafo sexto do artigo 144, que trata da segurança pública:

“As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios”.

A abordagem profilática e informal, diante da ameaça de motins, pode até envolver os militares, pela natural interlocução entre fardados.

Mas a intervenção primeira, formal, legal e política, no sentido de conter a ameaça de motins e insubordinações, deve ser dos governadores.

Todos sabemos, inclusive o soldado e o cabo do jipe de Eduardo Bolsonaro, que Exército e PMs têm vínculos umbilicais pelo caráter das suas funções e por suas histórias. Mas nada mais além disso, no sentido de tentar enxergar atribuições nos militares na tutela das PMs.

Quem nomeia comandos, quem trata de orçamentos e prioridades e delibera sobre ações das PMs são os governadores.

Quem destitui um coronel de um posto de comando, como João Doria fez agora com o oficial de Sorocaba que sugeria apoio a manifestações golpistas, é o governador.

Nenhuma outra autoridade ou instituição pode usurpar da prerrogativa dos políticos que fazem a gestão dos Estados ou achar que essa é uma responsabilidade a ser terceirizada.

Quem tem convivência cotidiana com as polícias militares e conhece a realidade das atividades da segurança, inclusive as protegidas pelas sombras e até por arbitrariedades, é o governador.

O governador é quem tem autoridade para mandar frear desmandos, a partir da intervenção em comandos que passarão então a ser investigados por seus atos. É seu dever, mais do que um direito, como chefe das PMs.

Mas o Exército e as outras duas armas devem estar atentas aos movimentos das polícias porque pode acontecer aqui o que aconteceu na Bolívia. Lá, a Polícia Nacional, sob comando federal, passou a dar ordens aos generais antes do golpe de novembro de 2019.

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Foram as polícias, com os civis golpistas, que empurraram generais acovardados a escrever e ler a nota com a advertência a Evo Morales, para que o presidente renunciasse. A Polícia Nacional impôs a desordem dos motins aos generais.

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Que se publique de novo aqui essa informação já muito repetida: todos estão presos, os chefes da polícia e os comandantes das três armas (o então chefe das Forças Armadas, general Williams Kaliman, está foragido).

Se fosse preciso fazer um resumo, essa seria uma síntese para o atual momento: que as Forças Armadas tentem contribuir para evitar o pior, se acham que devem, mas sem pretender substituir os governadores e sem nunca sugerir que poderão estar ao lado de quem incentiva e promove motins.  

Hoje, quem tem o poder de impor previamente a ordem e intervir para que depois os amotinados sejam punidos pela Justiça, mesmo em seus primeiros ensaios, é o governador.

Se eles têm autoridade real e moral, com histórico e coragem para essa tarefa, aí já é outra história.

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11
Ago21

Mais uma obra com a grife Braga Netto

Talis Andrade

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por Moisés Mendes

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Se os mesmos homens que organizaram o desfile com sucatas de tanques serão também os organizadores do golpe de Bolsonaro, já se sabe que dificilmente haverá golpe. 

Podem até tentar um golpe e anunciá-lo formalmente como golpe. Mas a turma envolvida na desorganização do desfile não tem condições de aplicar e de segurar um golpe.

Se Bolsonaro fosse submetido a alguma racionalidade, mesmo como golpista, os organizadores do desfile deveriam ser chamados e dispensados. O pior inimigo de Bolsonaro não conseguiria fazer o que foi feito nesta terça-feira em Brasília.

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Ninguém esperava um desfile como os que Kim Jong-uno organiza na Coreia do Norte, como se soldados e armas de guerra fossem robôs. Muito menos um espetáculo com a exibição de harmonia, poder e beleza como os promovidos historicamente por russos e chineses.

Mas não precisava ser algo tão degradante. Faltou aos militares a preocupação com um item que os fardados valorizam. Faltou respeito às liturgias do mundo militar. Uma simples fila de tanques não faz um desfile.

Faltaram organização e disciplina e sobrou fumaça. Os militares deram uma demonstração não de improviso, mas de desorganização. Se um desfile é realizado com tanto desleixo, como seria um golpe?

O evento desta terça passa um desprezo dos generais pela própria ideia do golpe. Ficou claro que não houve empenho com o teatro armado por Bolsonaro. Entregaram ao sujeito o que eles devem achar que ele merece.

Mas como ficam as Forças Armadas depois do show diante do Palácio do Planalto? Ficam como estão desde a posse do seu comandante supremo. O desfile ampliou a sensação de que Bolsonaro sustenta o blefe em bases cada vez mais precárias.

O ministro da Defesa, diretor do desfile, ofereceu mais um produto ruim ao seu líder. Braga Netto, o interventor do Rio, o famoso autor do Programa Pró-Brasil, um plano colegial de investimentos estatais, apresentado em abril de 2020 e que nunca saiu do PowerPoint, fracassou de novo.

Foi Braga Netto quem se sentou à mesa, no pico da pandemia, nas entrevistas coletivas, cercado por gente da saúde pública, como o escalado por Bolsonaro para dizer que ali havia um comando forte. Ele seria o interventor-articulador das falas e das ações do governo. Foi um horror, e o general sumiu.

Braga Netto é desde o final de março o escolhido por Bolsonaro para a tarefa de promover a adesão incondicional dos militares ao governo, refugada pelo general Fernando Azevedo e Silva. O desfile de ontem poderia ser sua grande obra alegórica. Foi patético.

Bolsonaro e seus militares desmoralizaram os preparativos para o golpe. Há entre os analistas, os políticos, os empresários e entre o povo o sentimento de que, mesmos sem condições objetivas de levar um golpe adiante, Bolsonaro não irá desistir.

O aprofundamento da sua fragilização e de seu desespero é o que acelera o desatino. Bolsonaro vai sendo retroalimentado por seus fracassos. Na sequência de seus atos, hoje ou amanhã ele pode dizer que o golpe será levado adiante.

E aí alguém terá de coordenar as ações que levarão ao golpe, para amordaçar Congresso, Supremo e imprensa e estabelecer os protocolos de um regime de exceção.

Mas se Bolsonaro não tem um grupo capaz de articular um desfile, teria quadros civis e militares em condições de dar forma e sentido a um golpe? Braga Netto deve saber ou achar que sabe.

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09
Ago21

Falta o manifesto dos militares

Talis Andrade

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por Moisés Mendes /Brasil-247

A defesa das eleições e da democracia já mobilizou artistas, escritores, juízes, religiosos e economistas. Temos manifestos produzidos em todas as áreas contra a tentativa de golpe.

Temos abaixo-assinados categóricos de subprocuradores a banqueiros. 

Mas não temos ainda uma manifestação pública dos militares legalistas.

Temos notas demais de generais reformados que saem em socorro de Bolsonaro. 

Na semana passada, os clubes de oficiais da reserva do Exército, da Marinha e da Aeronáutica emitiram uma declaração pública em defesa do “voto auditável”.

No início do ano, o presidente do Clube Militar, general Eduardo José Barbosa, divulgou um manifesto em que atacava a CPI do Genocídio, defendia Bolsonaro e definia Lula como representante das trevas.

O mesmo autor já atacou diretamente o presidente da CPI, Omar Aziz, e advertiu que “as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”.

São textos precários. Mas não há nem textos precários do outro lado, o dos militares que defendem a Constituição e as eleições.

Os calados têm a desculpa de que militares, na ativa ou na reserva, estão impedidos de emitir opiniões políticas. 

Por isso os legalistas estariam quietos.Se não pudessem falar, não teríamos repetidas manifestações de militares governistas.

No caminho inverso, da contestação, é possível decorar os nomes dos críticos de Bolsonaro e os questionadores dos blefes do golpe. 

São os generais Paulo Chagas, Santos Cruz e Francisco Mamede de Brito Filho e o coronel Marcelo Pimentel.

Quem entrar no Google com buscas sobre militares que se atrevem a atacar Bolsonaro terá como resposta os nomes deles. 

Sempre os mesmos nomes.

Bolsonaro já demitiu 17 generais. 

Humilhou e mandou embora os comandantes das três armas. 

Dispensou o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que talvez seja o mais bem informado general sobre os humores de Brasília, dentro e fora dos quartéis.

Todos os que foram rejeitados estão quietos, porque a regra é não falar. Santos Cruz é a exceção, por causa do temperamento, do destemor e por ter alguma certeza de que as ameaças de Bolsonaro são uma farsa. E os outros?

Militares são protagonistas da política, querendo ou não, por ação ou por omissão, em situações em que a democracia passa a ser ameaçada por aberrações.

Hoje, são protagonistas como protetores de Bolsonaro. 

O mais protagonista dos protetores é o general Braga Netto, que cumpre agora no governo uma função que Azevedo e Silva se negou a cumprir.

Braga Netto já autorizou, com uma nota pública, que outros digam o que pensam. Augusto Heleno já havia feito o mesmo. O próprio Azevedo e Silva emitiu nota com conotação política.

Mas os limites estão bem claros. 

Muitos podem dizer tudo o que pensam, desde que pensem como Bolsonaro. 

Os outros podem discordar silenciosamente.É razoável que, sob a ameaça de golpe, os brasileiros tentem avaliar, sem quaisquer medidores confiáveis, quais são as posições dos militares.

Seria bom se, com a mesma valentia dos colegas aliados de Bolsonaro, os militares democratas dessem alguns sinais e também expusessem o que pensam.

Pode parecer ingenuidade acreditar que seja possível ter militares legalistas defendendo de forma explícita suas posições em meio ao tiroteio. 

Que sejamos ingênuos.

Oficiais democratas deveriam mandar pelo menos recados a Bolsonaro, se não querem correr o risco de emitir posições públicas.

Precisamos dos legalistas, porque os cúmplices dos blefes do golpe já disseram tudo. 

Os outros, os que estão calados, poderiam arranjar um jeito de dizer que são discordantes, mesmo que não seja por manifestos.

Em algum momento, se o golpe começar a ganhar forma, eles terão de se manifestar, para um ou outro lado, e aí pode ser tarde demais.

 
 

23
Jul21

O blefe que Braga Netto não consegue desmentir

Talis Andrade

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por Moisés Mendes

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Braga Netto mandou o recado do golpe a Arthur Lira, para que Lira passasse o aviso do golpe adiante. 

Se não fosse assim, não teria sentido mandar o recado.

Era preciso que muitos deputados e senadores ficassem sabendo da ameaça, e não só os membros da comissão especial que examina a proposta de emenda do voto impresso na Câmara.

Como muitos receberam o aviso e era sabido que alguém iria vazar a ameaça, não há agora como negá-la. A nota de Braga Netto em que diz que não disse nada a Lira também acaba não dizendo nada.

A notícia da ameaça (se não tiver voto impresso, não tem eleição) saiu no Estadão. 

Se não tivesse mandado o recado, o general diria categoricamente que era uma mentira e que iria exigir provas do jornal.

Ao chegar para trabalhar, Braga disse aos jornalistas que a notícia era uma invenção. Na nota, disse que se tratava de desinformação.

Não usou as palavras inverdade ou mentira. Ficou no meio do caminho, e o Estadão reafirmou: o que publicou sobre a ameaça de golpe era mantido. 

O jornal mandava outro recado ao general: nós sabemos que o aviso existiu.

O recado é uma prova de amadorismo de articuladores de golpes que são, na verdade, blefadores há quase dois anos. 

Braga Netto foi longe demais e acabou sendo desmascarado pelo que parecia improvável.

O jornal que denunciou sua manobra ainda é o conservador jornal brasileiro. 

É ultraconservador, é reacionário. 

O Estadão foi golpista em 64 e foi golpista em 2016 e só não é bolsonarista porque Bolsonaro declarou guerra a toda a grande imprensa.O Estadão e o Centrão desmascararam, com o vazamento da ameaça, o golpe de um trapalhão. 

É quase certo que Braga Netto, o mais fiel dos militares, cumpriu uma missão de Bolsonaro.

Bolsonaro o incumbiu de mandar a advertência ao presidente da Câmara, para que esse se encarregasse de espalhar no Centrão. E o Centrão devolveu a granada sem pino ao colo do general.

Bolsonaro blefa, Augusto Heleno já blefou e Braga Netto vem blefando. 

O que pode sobrar dos blefes é que todos se tornarão inconfiáveis para possíveis golpistas que ainda acreditavam no que eles diziam.

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25
Mar21

Sergio Moro não pode ser um traste impune

Talis Andrade

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Por Moisés Mendes /Jornalistas pela Democracia

O show de Gilmar Mendes humilhando Kassio Nunes Marques e a revisão do voto de Cármen Lúcia resgatam esperanças que andavam meio extraviadas. Mas não encerram a prestação de contas da suspeição de Sérgio Moro.

Falta saber como ex-juiz pode ser enquadrado e responder a processos pelos crimes que cometeu. Como disse Mendes, sem essa conversa fiada de que são falhas de conduta ou delitos administrativos, desses que devem ser tratados por corregedorias de órgãos corporativos.

Moro cometeu todo tipo de arbitrariedade na Lava-Jato porque só poderia ser arbitrário cometendo crimes. Quebrou as empreiteiras, encarcerou Lula antes da eleição, foi cruel com presos sem condenação, fez acordo com Bolsonaro, foi ministro da extrema direita.

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Agora, é empregado da consultoria paga para tentar salvar as empreiteiras que ele mandou que fossem quebradas sem piedade.

Não basta que Moro seja considerado suspeito pelo que fez contra Lula em articulação com Deltan Dallagnol, a direita e a extrema direita. Nem que tenha sido chamado de novo até de analfabeto por Gilmar Mendes.

Sérgio Moro terá de se submeter aos ritos da Justiça, não como fazia com seus réus na masmorra curitibana, ou o gesto de ontem do Supremo terá sido incompleto.

O que há formalmente contra ele ainda é pouco. Queixas-crimes apresentadas pelos Juristas pela Democracia e pelo Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia, contra Moro e os procuradores de Curitiba, ainda não deram em nada.

O que existe é uma investigação do TCU em torno das suspeitas de que sua contratação pela Alvarez & Marsal pode ter sido ilegal, muito mais do que antiética.

Depois há, na carona da investigação do TCU, uma decisão do juiz João de Oliveira Rodrigues Filho, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que suspende os pagamentos da Odebrecht à Alvarez & Marsal.

O juiz quer saber qual é o papel de Moro como prestador de serviços da consultoria. Que papel pode ter um ex-juiz na empresa que está tentando salvar o que sobrou de uma megacorporação massacrada pela ação do próprio justiceiro?

A principal suspeita é a de que Moro deve ser uma figura de fachada dentro da empresa, para que funcione como um chamariz para outros clientes. A contratação é tão acintosa que ele e a empresa não se preocuparam, por soberba e sentimento de impunidade, com a exposição do que seriam as suas reputações.

Mas a principal suspeita mesmo é a de que a prestação de serviços é um acerto prévio envolvendo o juiz que quebra empresas e a empresa que salva as empresas que o juiz quebrou. Não há como argumentar que isso possa ser normal ou uma casualidade.

A Odebrecht não é a única corporação destruída pela Lava-Jato que a consultoria agora assessora em planos de recuperação judicial. Também a OAS, a Queiroz Galvão e a Sete Brasil são clientes da empregadora de Moro.

É uma aberração. Não há como imaginar-se que um delegado que investigou uma empresa por contrabando possa depois ser um agregado legalizado da consultoria que tentará salvar a contrabandista ou submetê-la a normas de conduta consideradas éticas e legais.

Sérgio Moro é uma excrescência da Justiça produzida pela direita. Ele nunca foi um juiz de elite, nem a turma agrupada na força-tarefa de Curitiba era excepcional por suas qualidades.

Moro e Dallagnol eram apenas os mais aptos, porque sem escrúpulos, para a tarefa que entregaram a eles. Era preciso caçar Lula, destruir as grandes empresas nacionais e abrir a porteira para a volta de um projeto político de direita patrocinado pela Globo, pela Fiesp e pelos bancos, depois de derrotas consecutivas nas eleições.

Só o que não deu certo foi esse projeto tucano, que acabou produzindo Bolsonaro. Mas até nisso Moro foi mais ousado do que seus padrinhos e seguiu em frente, para completar o trabalho sujo. Talvez até por ser um sujeito simplório.

Não conseguiu ficar ao lado de tucanos e bacanas da Avenida Paulista, como seria o plano original, e se prestou a ser um subalterno malmandado de uma família ligada a milicianos.

Sérgio Moro perdeu o apoio dos tucanos, virou inimigo dos Bolsonaros e hoje é um traste de uma facção esfacelada da Justiça. Mas, mesmo como traste, não pode ser um traste impune.

19
Mar21

Algum morto pode abalar Bolsonaro?

Talis Andrade

 

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por Moisés Mendes

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A porção emotiva do Brasil convive com uma dúvida aparentemente sem fundamento: chegará o dia em que Bolsonaro irá se emocionar ou se abalar com a morte de alguém pela Covid-19?

Não um lamento protocolar, como poderia ter feito, e nem isso fez, em homenagem ao Major Olímpio. Bolsonaro ignorou Olímpio na live feita logo depois de saber que o ex-amigo estava morto. Foi num silêncio ofensivo.

Só alguém muito crédulo pode esperar de Bolsonaro um lamento genuíno, um sentimento verdadeiro de quem também sofre a perda de um parente, amigo, conhecido, colega.

Bolsonaro está cercado de gente infectada. Ele foi um dos primeiros. Reúne-se todos os dias com ministros e assessores de todos os escalões que já passaram pelo medo de morrer por não terem o histórico de atleta.

Só no Palácio do Planalto, são mais de 450 casos de infectados. Dos assessores mais próximos de Bolsonaro, incluindo ministros, são mais de 40 pessoas. O vírus circula em ares promíscuos. Por causa do medo imposto por Bolsonaro, usar máscara no Planalto é um acinte.

Essa semana morreu o 2º sargento do Exército Silvio Kammers, supervisor da ajudância de ordens do gabinete de Bolsonaro. O palácio escondeu a morte do sargento.

Um presidente normal faria uma declaração dizendo que lamentava a morte de alguém próximo, porque os ajudantes de ordens são pessoas do cotidiano de um governante.

Se tivesse dito que lamentava a morte do militar, Bolsonaro passaria empatia e se aproximaria do sofrimento das famílias que já perderam alguém para a pandemia. Mas o Planalto determinou que escondessem a morte do sargento, como faziam na ditadura.

Bolsonaro ainda não experimentou a sensação da perda de alguém muito próximo, e aí pode estar a diferença, ou não.

Já morreram muitos políticos que conviveram com ele. Morreu o general Antonio Miotto, ex-comandante militar do Sul.

Miotto era um aglutinador com grande capacidade de gestão e liderança. Bolsonaro não disse nada de específico sobre as virtudes do general quando se referiu a ele. Disse que pode ter morrido por não ter feito o tratamento precoce com cloroquina.

No dia do enterro de um comandante, um tenente comete a grosseria de dizer publicamente que o general não soube se cuidar.

Talvez falte o teste da perda de alguém do seu núcleo duro ou dos seus afetos, para que o sujeito sinta o que milhões de pessoas já sentiram.

As famílias brasileiras ainda não ouviram de Bolsonaro uma manifestação de pesar pela tragédia que ele ajuda a provocar ao combater as ações dos governadores e sabotar a máscara, a vacina, a ciência.

Ainda não aconteceu uma morte que mexesse com Bolsonaro, se é que poderá mexer. Falta uma morte que o abale. Até agora, as quase 300 mil mortes de brasileiros passaram ao longe, como se tivessem acontecido na Ucrânia.

Essa é a dúvida que talvez não tenha qualquer fundamento. O que Bolsonaro sentirá quando alguém muito próximo morrer de Covid-19? É provável que diga, como já disse, que um dia todos morrerão.

Major Olímpio foi muito chegado a Bolsonaro, até virar inimigo da família toda. Que ressentimentos o silenciaram diante da morte do major?

Nesta quinta, o sujeito iria ao Senado para participar do ato simbólico de entrega de MPs ao Congresso. Quando soube da morte de Olímpio, desistiu.

Um presidente normal faria o contrário. Avisaria que nenhum outro compromisso o impediria de ir ao encontro dos colegas do senador morto, para que assim homenageassem juntos sua memória.

Bolsonaro fugiu de um confronto. Não quis que o olhassem na cara logo depois da notícia da morte de um desafeto que foi seu aliado por muitos anos e deveria saber muito dos podres da família.

O Planalto escondeu a morte do sargento, e Bolsonaro escondeu-se da morte do major. Falta o morto que ofereça a chance de humanizar Bolsonaro, mesmo que a humanização seja improvável.

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07
Mar21

O Paraguai é o Brasil amanhã?

Talis Andrade

Protestos no ParaguaiProtestos em Assunção contra o Governo de Mario Abdo Benítez.Manifestantes, en las inmediaciones de Mburuvicha Róga.Lamentablemente, uno de los manifestantes terminó muerto, aunque en circunstancias ya ajenas a la gran movilización ciudadana.Manifestações no Paraguai (06 março 2021)La ciudadanía autoconvocada persiste en su pedido de renuncia del presidente Abdo. Los ciudadanos se volvieron a movilizar este domingo para manifestarse contra el Gobierno de Mario Abdo Benítez.

por Moisés Mendes

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O presidente paraguaio, que pode cair a qualquer momento, é cria da velha direita latino-americana, mas não é o Bolsonaro deles. Não há ninguém com o mesmo padrão de crueldade, idiotia e chinelagem de um Bolsonaro na América Latina.

Não há mais ninguém com conexões tão profundas e comprometedoras com a militarização de um governo quanto Bolsonaro. Não há outro presidente com três filhos políticos com vínculos com milicianos.

Bolsonaro afundou o Brasil no lixão do que existe de pior na direita e na extrema direita mundiais.

Mario Abdo Benítez (foto) é de família com vínculos com o fascismo, mas evita apresentar-se como um extremista e tenta se desgrudar do passado comprometedor. Perto de Bolsonaro, seria quase um liberal.

O pai de Marito, como é chamado, foi um dos homens mais próximos do ditador Alfredo Stroessner, como seu secretário particular. Deixou para o filho o nome, uma fortuna em fazendas e a herança política.

Marito também passou pelo Exército e vende a imagem de homem apegado à Bíblia e à família. É a nova cara do caudilhismo do partido Colorado, que manda no Paraguai há seis décadas, com apenas uma interrupção no poder.

Presidiu o Senado e conquistou lugar na elite política. Foi figura importante no Congresso. Estudou marketing nos Estados Unidos. Mas não elogia militares e torturadores. É um reacionário cauteloso.

Bolsonaro é o que sabemos que é. Se derrubarem Marito, os paraguaios que o elegeram estarão mandando um recado ao Brasil.

É possível romper com uma decisão que eles mesmos tomaram ao eleger Marito em 2018 para um mandato de cinco anos.

Se mandarem para casa o caudilho chique, os paraguaios terão cometido uma façanha: abreviar o mandato de um líder do mais poderoso partido do país e filho de um cúmplice da ditatura que nunca foi julgado.

Bolsonaro não tem histórico de família a que possa se agarrar. Não tem nem partido. Tenta se proteger em grileiros, mas não tem ligação com latifundiários tradicionais com os quais possa se identificar.

Bolsonaro tem as milícias, os jagunços da Amazônia, tem os militares e tem o centrão, que alugou por um preço que talvez não consiga pagar.

Marito e Bolsonaro são filhos das ditaduras, um com grife, um homem fino e rico, e o outro um ogro de origem modesta, mas que age como se fosse rico e com uma família que deseja ficar rica a qualquer custo.

Marito tem 49 anos e conviveu, da infância ao início da juventude, com o poder mantido à força pelos militares. Bolsonaro tem 65 anos e nunca esteve próximo de poder algum.

Foi apenas um aspirante a oficial que ganharia fama como militar, por ter passado por quartéis como um rebelado (processado pela tentativa de atos terroristas), com um arremedo de carreira medíocre no Exército.

O partido de Marito organizou o golpe que levou ao impeachment de Fernando Lugo, o único presidente progressista do Paraguai, em 2012.

Ele e Bolsonaro ainda têm em comum o fato de que apoiaram a tentativa de golpe contra Maduro na Venezuela. E os dois foram paraquedistas do Exército.

Marito pode estar se preparando para um salto que talvez Bolsonaro não seja obrigado a dar no curto prazo. Porque o Paraguai tem milhares de jovens em manifestações nas ruas, e o Brasil tem amontoados de jovens em aglomerações em bares, praias e baladas.

Os militares podem segurar Marito lá e Bolsonaro aqui? Se cair, o paraguaio estará derrubando junto mais de meio século de coronelismo, militarismo, corrupção e banditismo dos herdeiros de Stroessner. E nós? Por enquanto, é certo que vamos ficar apenas olhando.

22
Jan21

O negacionista e o general legalista que morreu de Covid-19

Talis Andrade

 

por Moisés Mendes

- - -

Esta cena da foto é de 30 de abril do ano passado, quando Bolsonaro participou em Porto Alegre da cerimônia de transmissão de cargo de comandante militar do Sul para o general Valerio Stumpf Trindade.

O general Geraldo Miotto se despedia do comando. Bolsonaro tentou, mais de uma vez, em diferentes momentos da solenidade, cumprimentar os militares e outras autoridades com as mãos (alguns civis cederam, por subserviência).

A foto, reproduzida de um vídeo, é de Miotto tomando a iniciativa de evitar o cumprimento. Diante da aproximação ostensiva, ele oferece o cotovelo a Bolsonaro.

O general era respeitado por militares e civis no Estado e fora dele. Era um defensor da Amazônia, onde atuou como comandante da região.

E tinha uma conduta sempre cautelosa em relação à pandemia. Defendia as medidas de contenção que Bolsonaro sempre sabotou.

Seu perfil no Facebook tinha um link permanente para informações sobre medidas de prevenção contra a Covid-19.  

Miotto morreu de Covid-19 na quarta-feira, aos 65 anos, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, depois de 50 dias de internação. E o que disse Bolsonaro, o negacionista, ao lamentar a morte de quem considerava amigo? Disse o seguinte, na live dessa semana:

“Pelo que me consta, não foi feito tratamento precoce nele. Ele veio a falecer e lamentamos a perda dessa pessoa”.

"A perda dessa pessoa" que não tomou cloroquina foi lamentada pelos gaúchos que o conheceram.

Miotto tomava iniciativas de interesse de várias áreas, e não só do Exército, como a decisão de contribuir para a duplicação de trechos da BR-116, que leva ao sul do Estado, e na montagem de tendas de atendimento a pacientes com suspeita de Covid no Hospital Conceição.

Era um general legalista, que morreu dois dias depois de Bolsonaro voltar a sugerir que as Forças Armadas podem estar ao lado da sua obsessão por uma tentativa de golpe.

Sabe-se que não estão. Mas Miotto está morto, e Bolsonaro e Pazuello estão bem vivos.

 

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