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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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11
Jul20

Na Europa, idade é fator de risco. No Brasil é a morada e a cor da pele

Talis Andrade

Na Europa, idade é fator de risco. No Brasil é a morada e a cor da pele

Foto Mauro Pimentel/ AFP

 

Estudos indicam que o sítio onde moram e a cor da pele definem a fronteira entre os que têm maior ou menor probabilidade de contrair a covid-19 e morrer da doença no país

por DN/ Lusa

Em Grajaú, na periferia de São Paulo, Denner Silva Melo tem 2,5 por cento mais probabilidade de contrair a Covid-19 que noutras zonas de São Paulo, um sinal da desigualdade da maior cidade brasileira, que se reflete na ausência de infraestruturas básicas para milhões.

"As pessoas não estão respeitando a quarentena nos bairros pobres, por isto o vírus se propaga mais entre as pessoas da periferia, de baixa renda", desabafa Dener Silva Melo, que vive a um quilómetro e meio da estação rodoviária do Grajaú.

Ao contrário da Europa, em que a idade é o fator mais decisivo para a taxa de mortalidade, em São Paulo, os estudos indicam que a morada e a cor da pele definem a fronteira entre os que têm maior ou menor probabilidade de contrair a covid-19 e morrer da doença.

"Eu conheço pessoas que chegaram a óbito [morreram] por causa do coronavírus", porque eles "não se preveniram corretamente", afirmou à Lusa Dener Silva Melo, que critica o comportamento da população mais pobre, que depende de transportes públicos e nem sempre usa máscaras ou proteções adequadas.

A Rede Nossa São Paulo, uma ONG que realiza anualmente um mapa sobre a desigualdade na maior cidade do Brasil, divulgou no final de junho uma versão extraordinária do estudo cruzando dados sobre a covid-19 que confirmaram informações de que os moradores negros das periferias da cidade são as maiores vítimas da doença.

"O que nos estamos identificando é que diferentemente do que aconteceu na Europa, em que o grande indicador de covid-19 foi a idade, o maior fator de risco, aqui em São Paulo e no Brasil é o endereço", afirmou Jorge Abrahão, diretor da Rede Nossa São Paulo.

O mapeamento da Rede Nossa São Paulo mostrou que Moema e Jardim Paulista, dois bairros de classe média alta com expectativa de vida acima de 80 anos, registavam cerca de 130 mortes causadas pelo novo coronavírus até junho.

Comprando estes dados com os números dos bairros periféricos onde a população tem expectativa de vida abaixo dos 60 anos verificou-se que em dois deles, Grajaú e Cidade Tiradentes, registaram 460 mortos.

Nestas duas periferias existem 3,5 vezes mais óbitos causados pela pandemia do que nos dois distritos ricos e com maior expectativa de vida da cidade.

Destacando indicadores como a raça, o cruzamento de dados da ONG apontou que os afrodescendentes são as maiores vítimas da doença em São Paulo.

Os dois bairros com maior proporção de população negra entre seus habitantes, Jardim Angela (60%) e Grajaú (57%), apresentam um elevado número de óbitos causados pelo novo coronavírus (507).

Jorge Abrahão considera que isto acontece porque os negros recebem salários 25% menores do que a população branca e, portanto, são obrigados a viver em lugares sem infraestruturas adequadas.

"O que estamos mostrando no mapa [da desigualdade que incorporou dados sobre a covid-19] é que justamente nestes espaços mais vulneráveis, onde existe uma maioria de negros, está havendo o maior número de mortes", frisou o diretor da Rede Nossa São Paulo.

"Tem muita festa, muito baile funk"

Um outro estudo feito por analistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também realizado em junho, mostrou que a população negra é 2,5 vezes mais infetada pelo novo coronavírus do que a população branca.

A pesquisa contou com exames sorológicos de 1.183 pessoas que vivem em 115 regiões diferentes da cidade de São Paulo.

"O que eu vejo mesmo é a falta de consciência das pessoas. O pessoal não respeita o distanciamento, tem muita festa, muito baile funk", disse à Lusa Vera Alice Silva Brito.

Moradora do Grajaú, Vera Alice contou que teve conhecimento de seis casos entre vizinhos e salientou que apenas um dos elementos do grupo fez isolamento social, enquanto os outros continuaram a sair para a rua normalmente.

A trabalhadora independente que passa os dias vendendo café, doces e bolos na frente da estação do Grajaú, Luana Rodrigues Vieira concorda.

"Acho que as pessoas não estão se cuidando o suficiente porque pensam que sempre vai acontecer com os outros, mas nunca na família deles. Chego aqui de manhã e vou embora só a noite. Vejo muita gente passando sem máscara. Muita gente diz que não vai usar máscara porque usando ou não usando iria pegar [a doença] do mesmo jeito", concluiu a vendedora.

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31
Mar20

Advertência de Jeca Tatu ao presidente da República

Talis Andrade

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A essa altura da carreata da ignorância, só resta ao Jeca Tatu emancipado ― representante da gente na sala de televisão da quarentena - chamar na chincha o bocó lá de Brasília. Direto da Refazenda gilbertiana, cabe ao nosso Jeca Total mostrar que até o amarelão (ancilostomose) ainda faz estrago no Vale do Ribeira e em outras freguesias desprotegidas. Só o Jeca Tatu, o guru do Almanaque Biotônico Fontoura, para contar ao espertalhão do Planalto que o brasileiro, ao contrário do que ele folcloriza, não resiste meia hora ao esgoto e à falta de saneamento. 

A febre do rato (leptospirose) segue castigando nos mocambos e palafitas, adverte o Jeca, sorumbático e macambúzio, saindo de pés-descalços do “Urupês” (livro de 1918) de Monteiro Lobato. Quem tem que ser estudado, o capiau segue na prosa, é Vossa Excelência, com todo respeito deste caipira. O brasileiro pega de tudo, não me venha com seus arroubos de vilão Vaca-Brava, pois até a lepra (hanseníase), daquela mais primitiva, campeia solta no mato e nos arrabaldes.

A criatura corre do mosquito e não escapa do caramujo, foge da dengue e vem a zika, na mesma terra onde ainda persistem sarampo, caxumba e rubéola. O sujeito acha que é apenas mais uma ressaca existencialista e lá vem o diagnóstico: chikungunya na caveira. Na roça, para a tristeza do Jeca, resistem a doença de Chagas, a peste bubônica, a curuba... Agora dá licença que vou tomar meu elixir de salsa, caroba e cabacinha, ave!, tesconjuro. (Continua)

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