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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

03
Ago19

Doente de Brasil

Talis Andrade

"O povo, adoecido de Brasil, permanece inerte. Vai trabalhar sem direito a aposentadoria até morrer de Brasil”

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[Segunda parte] Podemos – e devemos – discutir como chegamos a ter um presidente que usa, como estratégia, a guerra contra todos que não são ele mesmo e o seu clã. Como chegamos a ter um presidente que mente sistematicamente sobre tudo. Podemos – e devemos discutir – como chegamos a ter um antipresidente. Assim como podemos – e devemos – perceber que a experiência brasileira está inserida num fenômeno global, que se reproduz, com particularidades próprias, em diferentes países.

Esse esforço de entendimento do processo, de interpretação dos fatos e de produção de memória é insubstituível. Mas é necessário também responder ao que está nos adoecendo agora, antes que nos mate.

Em 10 de julho, o psiquiatra Fernando Tenório escreveu um post no Facebook que viralizou e foi replicado em vários grupos de Whatsapp. Aqui, um trecho: “Acabei de atender a um homem de 45 anos, negro, sem escolaridade. Nos últimos cinco anos, viu seus colegas de setor serem demitidos um a um e ele passou a acumular as funções de todos. Disse-me que nem reclamou por medo de ser o próximo da fila. Tem sintomas de esgotamento que descambam para ansiedade. Qual o diagnóstico para isso? Brasil. Adoeceu de Brasil. Se eu tivesse algum poder iria sugerir ao DSM (o manual de transtornos mentais da psiquiatria) esse novo diagnóstico. Adoecer de Brasil é a mais prevalente das doenças. Entrei agora na Internet e vi que a reforma da previdência corre para ser aprovada sem sustos. O povo, adoecido de Brasil, permanece inerte. Vai trabalhar sem direito a aposentadoria até morrer de Brasil”.

Alagoano da pequena Maribondo, Fernando Tenório fez residência e atuou na rede pública de saúde mental do Rio de Janeiro. Atualmente, mantém consultório na capital fluminense e atende trabalhadores de um sindicato do setor hoteleiro. O psiquiatra me conta, por telefone, que cresceu muito o número de pessoas que chegavam ao seu consultório com sintomas como taquicardia, desmaios na rua, sinais de esgotamento corporal, dores de cabeça frequentes, sentimentos depressivos. Eram pessoas que estavam objetiva e subjetivamente esgotadas pela precarização das condições de trabalho, como jornada excessiva, acúmulo de funções, metas impossíveis de cumprir, falta de perspectivas de mudança, insegurança extrema. Tinham um “trabalho de merda” e, ao mesmo tempo, medo de perder o “trabalho de merda”, como testemunharam acontecer com vários colegas.

O psiquiatra diz que ele mesmo se descobriu adoecido meses atrás. “Fiquei muito mal, porque me senti quase um traficante de drogas legais. Estava tratando uma crise, que é social, no indivíduo. E, de certo modo, ao dar medicamentos, estava tornando essa pessoa apta a sofrer mais, porque a jogava de volta ao trabalho.” Na sua avaliação, o adoecimento está relacionado à precarização do mundo do trabalho nos últimos anos, acentuada pela reforma trabalhista aprovada em 2017, e foi agravado com a ascensão de um governo “que declarou guerra ao seu povo”. “O Brasil hoje é tóxico”, afirma.

Após a publicação do post, Tenório sentiu ainda mais o nível da toxicidade cotidiana do país: recebeu xingamentos e ameaças. Um dos agressores lembrou que sua filha, cuja foto viu em uma rede social, um dia poderia ser estuprada. A menina é um bebê de menos de 2 anos. [Continua]

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24
Mar19

Bolsonaro no Chile: "Devemos beijar a informalidade porque a nossa mão-de-obra talvez seja uma das mais caras do mundo"

Talis Andrade

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Jair Bolsonaro encerra neste sábado (23) sua visita de três dias ao Chile. Após um encontro com o presidente chileno, Sebastián Piñera, em Santiago, Bolsonaro é o convidado de honra de um almoço com a presença de líderes parlamentares e referências políticas chilenas. Antes de se reunir com o Piñera, o presidente brasileiro participou de um café da manha com empresários chilenos e mandou um recado para Rodrigo Maia. Ele acusou “os que resistem a avançar com a reforma da Previdência de "não quererem largar a velha politica". Depois da reforma da Previdência, Bolsonaro quer reforma trabalhista que "beire a informalidade".

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Por Márcio Resende, enviado especial da RFI a Santiago

Antes de ser recebido no Palácio La Moneda, sede do governo chileno, pelo presidente Sebastián Piñera, Jair Bolsonaro se reuniu-se com empresários chilenos para detalhar o cenário econômico que pretende para o Brasil, com as reformas que abram o terreno para os investimentos estrangeiros.

Bolsonaro indicou que, depois da reforma da Previdência quer uma reforma trabalhista que desburocratize a economia com empregos que beirem a informalidade. "A nossa equipe econômica também trabalha numa reforma para desburocratizar a nossa economia, para desregulamentar muita coisa e, na questão trabalhista, nós devemos beijar a informalidade porque a nossa mão-de-obra talvez seja uma das mais caras do mundo. Uma CLT que não se adequa mais à realidade", afirmou.

Sobre a reforma da Previdência, Bolsonaro mostrou-se confiante. "Temos chance, sim, de sair dessa situação que nós encontramos com as reformas. E a primeira delas, a mais importante é essa da Previdência", afirmou confiante.

Em meio ao anúncio do presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, que anunciou que não fará mais a interlocução do governo com a Câmara para aprovar a reforma previdenciária, Bolsonaro mandou um recado: "Os atritos que acontecem no momento, mesmo estando eu calado fora do Brasil, é porque alguns, não são todos, não querem largar a velha política", acusou.

Novas críticas ao sistema do voto eletrônico

Aos empresários chilenos, Bolsonaro voltou a questionar o voto eletrônico, mesmo tendo ganho as eleições. "Mesmo com um sistema eleitoral duvidoso, que utiliza as urnas eletrônicas, nós conseguimos chegar à Presidência", vangloriou-se.

Os jornalistas foram acusados de serem doutrinados pela esquerda. "É difícil encontrar um jornalista da grande imprensa que possa discutir conosco de igual para igual. Eles têm viés de esquerda. Estão doutrinados demais", criticou.

Também supôs que, se não tivesse ganho as eleições, o presidente brasileiro não estaria no Chile, mas na Venezuela. "Se o Haddad tivesse ganho as eleições, ele não estaria aqui, estaria conversando com o Maduro", comparou.

Após o café-da-manhã com os empresários chilenos, Jair Bolsonaro foi recebido pelo presidente chileno, Sebastián Piñera, com quem manteve uma reunião privada a sós. Em seguida, um outro encontro, com a participação dos demais membros dos dois governos foi realizado.

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22
Mar19

Cortina de fumaça: prisões desnecessárias

Talis Andrade

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Bolsonaro participou do golpe que derrubou Dilma Rousseff e colocou Temer no poder

 

 

por Valéria Guerra Reiter

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Hoje, o ex-presidente Temer, foi preso, seria o bom curso da tão famosa "Operação Lava-Jato"? Ou apenas um movimento necessário para que o time governamental vigente lançasse uma cortina de fumaça sobre os olhos desavisados do nosso ainda inexperiente povo, que infelizmente, caminha incauto diante do verdadeiro panorama político partidário e elitizado que nos bastidores nacionais e internacionais se engendra para que a nova conjuntura que se encaminha em curso tenha o SUCESSO necessário para se tornar ESTRUTURA.

As pesquisas últimas demonstram que existe aí uma mudança na aceitação popular em relação ao governo "eleito" em outubro do ano passado; e esta transformação no pensamento do povo, reflete sua tendência em refletir sobre os últimos acontecimentos: "O caso Queiroz", "A Reforma da previdência"; "A extinção do Ministério do Trabalho", entre outras supressões e injustiças que rolam ao longo deste primeiro trimestre da gestão presidencial.

Milhares "devem" para Justiça? será que cada vez mais o Golpe que removeu do cenário brasileiro o governo legítimo da presidenta Dilma, mete os pés pelas mãos, através de estratégias que parecem protetivas para o novo comando em Brasília; o que é inusitado, sem dúvida, é a evidência de que existe uma política de guerrilha interna entre os jogadores do poder.

As prisões que ocorreram tanto do ex-ministro Moreira Franco, como do ex-presidente Temer, são apenas movimentos que auxiliam a maquiar todo o horror e torpor anárquico que ocorre entre poderes. A situação virtual é uma, e a real outra: Entre ambas, existe a população que está fatiada em relação à verdade. E a verdade, parece não pertencer a ninguém; o que existe é o cumprimento de ações que eliminam as pessoas certas na hora precisa – JÁ NÁO RESTA DÚVIDA QUE LAVA-JATO É UM GOVERNO.

A parcela de brasileiros que "enxerga" poderá gerar uma Revolução de verdades que possa criar uma nova Justiça!

Que o ex-presidente preso tem suas culpas, isto é fato, o que causa estranhamento, é o momento em que ela ocorre.

"Quem matou a vereadora Marielle, e seu motorista"? Quando este questionamento será sanado; muitos que agora comemoram tais encarceramentos não conseguem ver, pois a fumaça embaça a visão, com certeza.

Agora mais do que nunca #LULALIVRE.

temer bolsonaro mesma direção sobre mesma ponte.

Bolsonaro foi o candidato dos governistas para suceder Temer. Na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro e filho votaram em todos os projetos de Temer, inclusive a reforma trabalhista, que se completou com a extinção do Ministério do Trabalho

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