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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Jun21

Vacina Covaxin: CPI acredita ter indícios de que autoridades sabiam de irregularidades em negociações

Talis Andrade

Para Além do Cérebro: Xadrez de Bolsonaro e o impeachmentômetro, por Luis  Nassif

por Ana Flor /G1

Senadores da CPI da Covid acreditam que podem obter, nos próximos dias, provas contundentes de que autoridades públicas sabiam das supostas irregularidades nas negociações envolvendo a compra da vacina Covaxin e não denunciaram, o que pode representar crime contra a administração.

A suspeita surgiu a partir de indícios e documentos obtidos pela comissão que detalham o interesse do governo em negociar a importação da vacina por meio da Precisa Medicamentos, representante no Brasil da empresa indiana Barath Biontech, desenvolvedora da vacina.

Pessoas que ocupam cargos públicos e servidores têm obrigação de denunciar irregularidades ao tomar conhecimento, sob pena de cometerem crime. A lei vale também para ocupantes de cargos públicos eleitos.

Segundo relatos obtidos pelo blog, a antecipação do depoimento de Luis Ricardo Miranda, chefe de importação do Departamento de Logística em Saúde do Ministério da Saúde, tem por objetivo obter mais informações.

Miranda irá como convidado. Além dele, há a expectativa de que informações serão levadas pelo irmão de Luis Ricardo, o deputado federal Luis Claudio Miranda (DEM-DF).

O deputado esteve com senadores da CPI e pediu para acompanhar o irmão e apresentar informações.

Já Luis Ricardo afirmou que recebeu pressões para favorecer a Precisa em depoimento ao Ministério Público no inquérito que apura a conduta do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

Para os senadores, outras autoridades podem ter tido conhecimento de fatos e não agiram para que fossem investigados.A cruzada de Bolsonaro - Miguel Paiva - Brasil 247

 

 
23
Jun21

Investigada, compra da Covaxin foi a mais rápida entre as vacinas

Talis Andrade

Sócio da Precisa Medicamentos não irá à CPI na quarta, anuncia Omar Aziz |  Política | Valor Econômico

 

 

A aquisição do imunizante indiano levou apenas 3 meses e 5 dias entre o primeiro contato e a assinatura do contrato

 
Lucas Marchesini /Metrópoles
 

A aquisição da Covaxin pelo Ministério da Saúde foi a mais rápida entre todos as negociações de compra de imunizantes conduzidas pelo Ministério da Saúde. Foram apenas três meses e cinco dias entre o primeiro contato com a Precisa Medicamentos, ocorrido em 20 de novembro de 2020, e a assinatura do contrato, em 25 de fevereiro deste ano.

O Ministério Público Federal (MPF) encontrou indícios de crime na aquisição das 20 milhões de doses da Covaxin, que custaram R$ 1,6 bilhão, ou cerca de R$ 80 por vacina. Como comparação, uma dose do imunobiológico desenvolvido pela Universidade de Oxford e AstraZeneca custa menos de R$ 20.
 
A celeridade na transação com a Precisa Medicamentos, que representa a indiana Bharat Biontech no Brasil, contrasta com a demora para assinar outros contratos. No caso da Pfizer, por exemplo, foram 11 meses entre o contato inicial e a assinatura. O primeiro diálogo da empresa norte-americana com o Ministério da Saúde foi feito em 22 de abril de 2020, mas a negociação só foi celebrada em 18 de março deste ano.
 

Em relação à Janssen, a demora foi de 10 meses, com a primeira reunião em 13 de maio do ano passado e a assinatura do contrato sendo firmada também em 18 de março deste ano, na mesma data da transação com a Pfizer.

A negociação com a Precisa foi mais rápida até do que as tratativas com a Universidade de Oxford e com o Instituto Butantan. No primeiro caso, foram quatro meses entre o primeiro contato, feito em 8 de maio do ano passado, e a assinatura da Encomenda Tecnológica pela empresa britânica e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Já com o Instituto Butantan, o primeiro contato listado pelo Ministério da Saúde foi em 6 de agosto de 2020, mas o órgão só celebrou a compra em 7 de janeiro deste ano, o que significa demora de cinco meses.

As informações sobre as datas são do próprio Ministério da Saúde e estão na Nota Informativa 24/2021, escrita em resposta a requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) feito no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19. O documento teve o sigilo levantado em 16 de junho.

 

 Na página de Randolfe Rodrigues no Twitter

 
 
Randolfe Rodrigues 
Conte com nosso apoio irrestrito, Tico! Não podemos e nem iremos deixar que a violência daqueles que pregam o ódio, se sobressaia.
Tico Santa Cruz 
Quero agradecer a todas as pessoas que manifestaram solidariedade e apoio em relações as ameaças direcionadas a minha família. Seguiremos na luta! As autoridades competentes já foram acionadas! Não nos calarão com intimidações! #FORABOLSONARO
Para a Pfizer não havia nem resposta. Qual era o negócio com a Covaxin? Iremos receber na CPI o Sr. Francisco Emerson Maximiano, da Medicamentos Precisa, empresa investigada por intermediar a compra da Covaxin pelo Governo.
 
 
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23
Mai21

Está comprovada a ação de (outra) quadrilha no governo e no círculo de Bolsonaro

Talis Andrade

bolsonaro amazonia mato.jpg

 

O precário sistema de fiscalização foi destruído na Amazônia e no Pantanal

 

por Janio de Freitas /Folha

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primeira função da CPI está realizada, embora ainda em andamento: já ficou bem demonstrado a que classe de gente o Brasil está entregue. Entre (ex) ministro das Relações Exteriores, (ex) dirigente da comunicação governamental com as altas verbas, e (ex) ministro-general da Saúde, o governo só teve para apresentar, e representá-lo, impostores. Falsários das atribuições dos respectivos cargos, falsários no cinismo mentiroso com que tentam evadir-se dos próprios atos e palavras no entanto gravados, impressos, criminosos.

A função subsequente da CPI não contará com a contribuição da corja proveniente do governo. Dependerá de como e quanto o relator Renan Calheiros (MDB-AL), até aqui com desempenho competente, e o preciso presidente Omar Aziz (PSD-AM) conduzam a formação das conclusões submetidas à comissão. De conhecimento público antes mesmo da CPI, os fatos em questão não suscitam dúvida, mas a altivez e a coragem política para relacioná-los com o Código Penal e gravíssimas consequências será de ordem pessoal.

O problema não acaba aí. Renan Calheiros faz supor a disposição de uma atitude à altura do episódio, com um relatório rigoroso. Mas aprová-lo, alterá-lo ou recusá-lo caberá ao corpo da comissão. E, em qualquer dos casos, essa etapa será de luta sem freio e sem compostura, a exigir muito de Omar Aziz. Posta tal perspectiva, pode-se ouvir que Bolsonaro, à vista de derrota na comissão de maioria opositora, tentaria algo para impedir a CPI de consumá-la. Algo?

Será, então, a hora do inestimável Ministério Público. Para dividi-lo mais, não falta muito à percepção de ações e omissões do governo articuladas no gênero próprio de quadrilha. Amazonense e conhecedor indignado do que se passou na crise do oxigênio em Manaus, o senador Omar Aziz está convicto de que o povo ali foi “feito de cobaia”, para indução da cloroquina, como para a imunização coletiva pelo vírus mesmo.

Em paralelo ao que houve, e não terminou, na Saúde e morte de quase 450 mil pessoas, está comprovada a ação de (outra) quadrilha no governo e no círculo de Bolsonaro. Da derrubada à entrega da madeira amazônica no exterior ou aqui mesmo, o número de operações combinadas é bem grande. Todas criminosas. Não pode ser coisa de poucos e amadores. A maior apreensão de madeira ilegal, que custou ao delegado Alexandre Saraiva sua transferência na Polícia Federal, e a denúncia americana de madeira contrabandeada e apreendida nos Estados Unidos puseram, enfim, algemas por ora morais nos pulsos do ministro (sic) Ricardo Salles.

Já na campanha Bolsonaro anunciava a desmontagem do Ibama, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (acompanhamento ambiental por satélite), Funai, das reservas indígenas e de toda a defesa ambiental. O já precário sistema de fiscalização florestal foi, de fato, destruído na Amazônia e no Pantanal. Por Salles e seus prepostos. Por ordem de Bolsonaro.

A proibição, sem sequer hipótese de justificativa, de destruição do maquinário de garimpo ilegal e de tratores e serrarias do desmatamento clandestino foi óbvia proteção de Bolsonaro aos criminosos e seu enriquecimento compartilhado. A dispensa ilegal, mas acobertada, de licenciamento para exploração da terra amazônica é objeto de iniciativa do governo para legalizá-lo. E por aí segue a sequência de ações contra a riqueza do solo e do povo amazonense.

Ou a ação de cima e a operação direta são coordenadas, ou a madeira, o ouro e minerais valiosos nem sairiam do chão, quanto mais chegar a portos dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia. E essa coordenação numerosa, profissional, de cima a baixo, tem nome no Código Penal: quadrilha. No caso, como disseram os americanos, quadrilha internacional.

Nada surpreendente. Relações várias, próximas e financeiras com milícias. Apropriação de dinheiro público por extorsão dos vencimentos de funcionários reais e fantasmas. Controle da Abin e da Polícia Federal com direções subservientes. Entrega do Meio Ambiente a um condenado por improbidade quando secretário do Meio Ambiente de Geraldo Alckmin. O desmantelamento anunciado e realizado. Ah, sim, e milhares de militares da ativa e da reserva do Exército compondo um exército de guarda-costas políticos e judiciais, em proteção ao grande assalto. O que poderia sair desse conjunto não é mais nem menos do que saiu.

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11
Mai21

Missionário divulga foto de criança Yanomami debilitada em rede para expor falta de assistência a indígenas: 'aldeias abandonadas'

Talis Andrade

Missionário em Roraima fala sobre foto da criança yanomami desnutrida

 

por Valéria Oliveira /G1

foto de uma menina Yanomami debilitadanuma rede na comunidade Maimasi, região de difícil acesso na floresta amazônica, em Roraima, evidencia a falta de assistência a indígenas que vivem na Terra Indígena Yanomami, a maior do país, segundo o missionário Carlo Zacquini, responsável pela divulgação da imagem. Na avaliação dele, a situação retrata o abandono nas aldeias.

O registro foi feito no dia 17 de abril e enviado a Zacquini. Ele não revela quem flagrou a cena para evitar represálias ao autor da foto, mas afirma que a menina tem entre 7 e 8 anos e havia sido diagnosticada com malária, pneumonia, verminose e desnutrição. A imagem foi publicada na capa da edição impressa da "Folha de S. Paulo" desta segunda-feira (10).

"Faz alguns meses que recebo confidências sobre a situação na Terra Yanomami, mas ninguém se dispõe a falar por medo."

 

Essas aldeias estão abandonadas. Todas elas sem assistência. Não há equipes. A equipe é desfalcada de pessoas. Tem postos de saúde que estão fechados há meses na Terra Yanomami", que atua desde 1968 dando assistência aos Yanomami

 

Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami fica entre os estados de Roraima e Amazonas, e em boa parte da fronteira com a Venezuela. Mais de 26,7 mil índios - incluindo grupos isolados - habitam a região em cerca de 360 aldeias.

 

O missionário relata ainda que há falta de medicamentos e dificuldade para consegui-los.

 

Essa situação da falta de remédio me foi relatado por várias pessoas de várias áreas Yanomami, não é algo único desse lugar. Há dificuldade para obter remédios. Falaram, inclusive, que não havia estoque para verminose na Sesai, em Boa Vista. Até a cloroquina, remédio para malária, era contado. Era recomendado o uso restrito. Quer dizer, para outra coisas têm, para isso, não. Naturalmente, o Ministério da Saúde diz que as coisas estão maravilhosas, que está tudo bem", pontuou.

 

O Ministério da Saúde, por meio da Sesai, informou que a menina foi removida a Boa Vista no dia 23 de abril - cinco dias depois que a foto foi feita, por transporte aéreo. Ela está internada no Hospital da Criança Santo Antônio, na capital Boa Vista.

"A criança passa por tratamento e seu estado de saúde é estável. A família também é acompanhada pela equipe de saúde na Casa de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) Yanomami", informou o Ministério.

A comunidade Maimasi fica na região da Missão Catrimani, região de Caracaraí, no Sul de Roraima. Cerca de 800 indígenas habitam a localidade.

O líder Yanomami, Dário Kopenawa Yanomami, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), disse que atualmente há um surto de malária na região, o que implica em outras doenças, como a desnutrição.

 

O combate à malária está prejudicado por falta de profissionais de saúde. Essa foto da nossa 'parente' [Yanomami] que está circulando mostra nossa vulnerabilidade. O governo federal não está preocupado com os problemas que enfrentamos hoje em dia", resumiu.

 

 

Dário atribui ao garimpo o avanço da malária e outras doenças na região. Desde o ano passado, os indígenas têm relatado o aumento de infectados por Covid-19 dentro da Terra Yanomami e de garimpos ilegais, o que causa devastação da floresta - no ano da pandemia aumentou 30% a degradação.

 

Na Terra Yanomami temos vetores que têm afetado a vida do Yanomami: os garimpeiros, que transmitem a malária, pois causam os danos ambientais, deixam os rastros em que o mosquito da malária, a carapanã, se reproduz e há a transmissão, causando o surto na Terra Yanomami. Eles também levam o coronavírus. Poluem nossos rios com mercúrio e nosso povo adoece."

 

 
 

 

10
Fev21

“Nada" foi feito para conter a variante da Covid do Brasil que assusta o mundo

Talis Andrade

Funcionários da prefeitura do Rio desinfetam ruas de Santa Marta para conter covid-19

Brasil registra 1.330 mortes por covid-19 em 24 horas

Por DW 

O Brasil registrou oficialmente 59.602 casos confirmados de covid-19 e 1.330 mortes ligadas à doença nesta quarta-feira (10/02), segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass).

Com isso, o total de infecções identificadas no país subiu para 9.659.167, enquanto os óbitos chegam a 234.850.

Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação.

O mundo preocupado com a variante da Covid brasileira

 

Por Lúcia Müzell /Rádio França Internacional
 

Enquanto o mundo tenta se prevenir da disseminação de três novas variantes do coronavírus, o Brasil nada fez para investigar e conter a cepa de Manaus. O alerta é da epidemiologista e enfermeira Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). "Os países de fora do Brasil estão mais preocupados com a nossa variante do que nós mesmos”, diz a especialista.

Os problemas relacionados ao aparecimento da "variante brasileira”, como está sendo conhecida no exterior, começaram desde sua descoberta. A linhagem foi identificada não pelas autoridades sanitárias brasileiras, mas sim pelo Japão, que identificou a cepa em viajantes que acabavam de desembarcar de Manaus.

"Imediatamente, deveríamos ter feito uma coisa básica em epidemiologia: o cerco sanitário, com controle de entrada e saída, cancelamento de voos, quarentena, semelhante ao que aconteceu em Wuhan e que os países agora fazem com a gente”, afirma a pós-doutora na área pela Johns Hopkins University, de Washington. "Nós não fizemos nada. Nada. Não teve nenhuma ação. É por isso que a gente acredita que essa variante já se espalhou, porque não houve nenhum controle. Os voos continuaram normalmente”, destaca.

Maciel sublinha que, apesar da descoberta da nova linhagem e do aumento do número de internações e mortes por coronavírus na capital do Amazonas, o Ministério brasileiro da Saúde tampouco aprofundou os conhecimentos sobre o mapeamento genético do vírus. Quase dois meses depois, a cientista diz que "sabe-se pouquíssimo" a respeito da nova cepa, mais contagiosa e que, portanto, coloca em xeque a estratégia de vacinação em curso no país.

“É claro que, nesse momento, os pesquisadores, da Fiocruz, do [Instituto] Adolfo Lutz e outras universidades e instituições estão intensificando as pesquisas, mas não estamos tendo um direcionamento do Ministério da Saúde", lamenta a professora da UFES. "Hoje, a gente precisa falar para fora do Brasil para as pessoas saberem o que está acontecendo aqui. Estamos com um governo negacionista que, infelizmente, ainda defende tratamento precoce, com hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, que sabemos que não funcionam no combate à Covid-19.”

Vacinação ameaçada

Na medida em que os países avançam a vacinação contra o coronavírus, causou desânimo a notícia de que a eficácia da vacina da AstraZeneca contra a variante sul-africana do vírus caiu para apenas 22%, nesse início de semana. A queda não coloca a estratégia de imunização na estaca zero, mas ressalta a importância de um plano nacional, rápido e eficaz de aplicação das doses já existentes.

"A preocupação é não deixar o vírus circular muito para ele não ganhar outras vantagens. Contra essas que ele adquiriu, a gente ainda pode conseguir vencer com o que temos”, explica a pesquisadora. “As fabricantes farão modificações nas vacinas. As de RNA, uma tecnologia muito moderna que veio para ficar, podem ser modificadas muito facilmente, porque é tudo programado por computador.”

Entenda como as novas variantes

“enganam”a vacina

Faz parte da natureza de vírus RNA (ácido ribonucleico) ter muitas mutações – mais de 4 mil já foram registradas no Sars-Cov2 até agora. Entretanto, essas três últimas conhecidas – do Reino Unido, da África do Sul e do Brasil – geraram mudanças na proteína spike, as “pontinhas" do vírus, que permitem que ele penetre mais facilmente nas células humanas. O problema é que a maioria dos imunizantes desenvolvidos até agora atuam justamente nessa parte do vírus.

"Como ele fez a modificação nesse lugar que as vacinas agem, ele está 'enganando' o sistema imunológico de quem já foi vacinado. A vacina faz o treinamento do nosso organismo para reconhecer e reagir contra o vírus. É como se ela fosse um retrato falado do agressor”, exemplifica a professora. “A variante faz com que o nosso sistema imunológico não esteja mais conseguindo reconhecer tão bem aquele retrato falado.”

A pesquisadora frisa que, por mais que as mutações enfraqueçam a imunização em curso – pelo menos no caso da África do Sul –, a vacina ainda se mostra igualmente eficaz para prevenir formas graves e a morte de doentes de Covid-19. Por conta das deficiências na resposta ao surgimento da variante do Brasil, ainda não há dados sobre a perda ou não da eficiência dos imunizantes contra a cepa brasileira, sublinha Maciel.

“Para o vírus, não é interessante nos causar uma doença mais grave, que leve à morte rapidamente. Ele quer poder se multiplicar para contagiar mais pessoas”, lembra a cientista.

 

31
Jan21

Escandaloso é o teto de gastos e o quanto a defesa “rouba” da saúde e da educação

Talis Andrade

Gustavo Noronha: Escandaloso é o teto de gastos e o quanto a defesa “rouba” da saúde e da educação

Lutando com monstros

“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” (Friedrich Nietzsche)

 

Por Gustavo Souto de Noronha /Viomundo

Em que pesem os ótimos memes e piadas, a matéria do diário Metrópoles sobre os gastos em alimentação do governo federal é um desserviço ao debate público.

Temos todo o direito de ficar felizes em ver o desgoverno ter que se explicar, ao mesmo tempo que devemos nos preocupar quando ele o faz com ataques à imprensa, ainda mais quando a imprensa dá um ponto sem nó como nesta matéria.

A “reportagem’ não explicita, mas dela se subentende que o gasto público em alimentação é todo feito pelo presidente e, justamente por força dessa injunção, não se apura onde efetivamente possam ter ocorrido desvios.

Obviamente que somos todos a favor de que se apure o mau uso do dinheiro público, todavia o tamanho da repercussão reforça mais a ideia recorrente no imaginário público de que o problema não seria que o Estado gasto pouco, mas que ele gasta mal.

Concretamente, uma apuração cuidadosa verá que eventuais desvios em compras de alimentos são irrisórios.

O combate à corrupção se dá principalmente com transparência, o que temos graças à implementação em 2004 do Portal da Transparência e da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12527/2011).

Os trabalhadores do serviço público desenvolveram ainda o Painel de Preços do governo federal onde a consulta sobre qualquer compra do governo federal fica facilmente acessível.

Um trabalho jornalístico efetivo poderia dar uma dimensão real do problema e apontar exatamente os locais onde haveria possibilidade de superfaturamento. Aliás, o dinheiro que se gastou em medicamentos de eficácia nula contra a Covid-19 como a cloroquina é muito mais grave que o leite condensado do pudim dos cadetes.

Talvez o objetivo nunca tenha sido fazer jornalismo. O Metrópoles, veículo que publicou a matéria, pertence ao ex-senador Luiz Estevão, isso nos remete ao poeta alemão Bertold Brecht, “pergunta a cada ideia: serves a quem?”.

A notícia falsa (porque é falso que o Bolsonaro tenha gastado 15 milhões em leite condensado, afinal são compras gerais do governo) foi amplamente repercutida pelo campo progressista – teve até pedido de CPI do “Leite Condensado”.

O problema de quando tudo vira notícia falsa, nada mais é notícia falsa, e neste terreno o bolsonarismo nada de braçada.

E o resultado disso tudo provavelmente será reforçar o discurso de que o Estado não sabe gerir recursos públicos e que tem que privatizar tudo.

Escandaloso não é o que o governo gasta em alimentos, escandaloso é o teto dos gastos que constrange o orçamento público.

E sobre esse escândalo deveríamos falar mais, se os gastos em alimentação das forças armadas impressionaram, façamos um comparativo da evolução dos orçamentos globais da saúde, educação e defesa.

Um projeto, iniciado com o golpe de 2016, institucionalizado com o teto dos gastos, e adotado tons bárbaros após a eleição do Bolsonaro não se sustenta sem apoio orgânico dos militares.

Desconstruir políticas públicas que atendem ao povo requer controle do aparato de repressão, e o aparato exige seus agrados.

À exceção do ano de 2020, por conta da pandemia da Covid-19, os gastos em saúde e educação reverteram a tendência de crescimento e iniciaram uma trajetória declinante com o golpe enquanto os gastos em defesa seguiram aumentando.

Importante destacar que, apesar do ponto fora da curva nos gastos em saúde em 2020, a previsão orçamentária para 2021 indica para este ano 86,17% dos recursos destinados à saúde em 2019.

O gráfico abaixo mostra como evolui a proporção do gasto em defesa em relação aos gastos em saúde e educação. Num cenário de constrangimento imposto pela EC nº 95, o gasto em defesa “rouba” da saúde e da educação.

Concretamente, impressiona tamanho gasto em defesa sem que o exército seja capaz de formar um general especialista em logística com competência para equacionar, pelo menos, os problemas de logística em todas as políticas de combate à pandemia da Covid-19.

O orçamento empenhado da defesa aumentou 35,44% de 2015 para 2016.

O respaldo dos militares brasileiros tem sido imprescindível para a guerra contra o Brasil e seu povo imposta com o golpe de 2016, a EC nº 95 e o governo genocida de Jair Bolsonaro.

Não podemos esquecer do discurso do presidente de que “o Brasil está quebrado” é uma das mentiras econômicas mais repetidas pela mídia.

Quando Bolsonaro repete o mantra apenas ecoa o que o oligopólio midiático prega. Essa talvez seja a maior mentira propaga aos quatro ventos em Pindorama.

Países como o Brasil – continentais, populosos, entre os maiores PIBs e com altas reservas internacionais – não quebram. Nunca quebraram, jamais quebrarão.

As restrições hoje existentes no Brasil a uma expansão do gasto público são de natureza legal, não econômica.

Ou seja, os gestores políticos do país fizeram, em nome do povo, uma escolha política de impedir que o governo tenha a sua disposição as ferramentas necessárias a uma gestão econômica socialmente responsável.

A emenda constitucional nº 95 (teto de gastos), a regra de ouro e alguns dispositivos da lei de responsabilidade fiscal constituem o tripé de regras fiscais autoimpostas.

Ficaria mais claro se fossem chamadas de teto de direitos, regra de pirita (o ouro dos tolos) e lei de irresponsabilidade social.

O debate sobre o gasto público federal precisa sair da armadilha das restrições fiscais e passar a debater os limites econômicos reais, inflação e restrições externas.

E, importante frisar, discutir o chiclete da aeronáutica vai sempre implicar na crítica comum ao “estado inchado”.

Sempre que prejudicial, temos que nos livrar do senso comum e não reforçá-lo sobre qualquer pretexto.

De fato, o resultado de todo esse escândalo do bombom com leite condensado será rebaixar o debate do gasto público.

O foco deveria ser a denúncia o caráter genocida do governo, do negacionismo no trato com a pandemia ao fim do auxílio emergencial.

É preciso sair do feitiço dos discursos dos especialistas do mercado, estreitamente ligados à banca e à indústria diria Kalecki, e pararmos de tratar a questão do gasto público, do emprego e renda do trabalhador aos recursos necessários a um efetivo combate da Covid-19, como resultado da conjuntura e sabores do deus mercado.

O emprego, saúde, educação são direitos e o trabalhador deve ter a garantia de que não será jogado à miséria e à morte em qualquer crise econômica. Existem saídas, só não estão nas velhas ideias dos economistas brasileiros que já não encontram mais eco nem no FMI.

A situação econômica do Brasil é ímpar.

Uma recessão acompanhada de uma desestruturação de cadeias produtivas que já provoca inflação por desajustes no lado da oferta.

Empresas e famílias endividadas sugerem que dificilmente saídas pelo investimento ou consumo sejam possíveis.

Um cenário externo adverso (com o Itamaraty apreciando que o Brasil seja um pária na comunidade internacional) não sugere uma alternativa de desenvolvimento liderado pelas exportações (isso sem mencionar a necessidade de importação de insumos para um programa de vacinação em massa).

Não existe alternativa que nos tire da crise econômica e sanitária que não seja através de um Estado forte, com um SUS estruturado e cuja estratégia de desenvolvimento seja um forte programa de investimentos públicos com ênfase nos gargalos produtivos e aproveitando a enorme capacidade ociosa (principalmente mão de obra) existente no país.

Dito isso, não parem com os memes, nem com as piadas.

Deixem que o governo se explique. Contudo, assim como nas eleições estadunidenses onde se sabia que era urgente que o mundo se livrasse de Donald Trump, nós do Sul Global não guardamos nenhuma ilusão com a eleição do Biden.

Preparemo-nos, portanto, para o debate necessário, sem nos tornamos os monstros que defendem um Estado austero.

Fora Bolsonaro! Pelo fim do teto dos gastos!

11
Ago20

“A VELHINHA DE TAUBATÉ ACREDITA PIAMENTE NO MINISTRO DA SAÚDE DO BRASIL, SEJA ELE QUEM FOR”

Talis Andrade

 

luis fernando verissimo.jpg

 

Tom Cardoso ( jornal “Valor Econômico”) entrevista Luis Fernando Veríssimo sobre o livro ‘Verissimo Antológico’

 

VALOR - Rita Lee, assim que descobriu a internet, escolheu dar entrevistas apenas por e-mail. Você seguiu tardiamente esse caminho, agora sem volta. Quais as vantagens de conceder entrevistas nesse formato? Ou continua sendo uma experiência menos agradável do que ver um jogo do Internacional e ouvir jazz?

LF - A vantagem de responder por escrito é que você tem tempo de pensar no que vai dizer e não diz bobagem. Ou diz menos bobagem. Nada se iguala a ver o Internacional jogar, e ganhar, claro, ouvindo jazz.

 

VALOR - O senhor declarou que “um dos prazeres de continuar vivo é que você nunca está longe de encontrar um novo prazer”. Foi possível achar um novo em meio à pandemia ou está difícil?

LF - Está difícil pensar num prazer inédito que sobreviva ao último noticiário de mortes pela pandemia. O jeito é nos concentrarmos em velhos prazeres e tentar não pensar nos mortos que se multiplicam.

 

VALOR - Parece que uma das suas receitas para espantar o tédio e a melancolia em tempos de pandemia é arrumar devagarinho sua estante de livros. O seu colega Ruy Castro, colunista da “Folha de S. Paulo”, tem publicado listas de livros que levaria para uma ilha deserta. Tem a sua?

LF - Segundo aquela velha piada, para uma ilha deserta deve-se levar um manual de instruções sobre como construir um barco para sair da maldita ilha deserta o mais rapidamente possível. Mas se estiver certo que a estadia na ilha será longa, eu levaria toda a obra do Shakespeare, inclusive para aproveitar o papel.

 

VALOR - Woody Allen citou “Memórias Póstumas de Brás Cubas” como um de seus cinco livros favoritos. Por que Machado não fez o mesmo sucesso internacional que outros autores latino-americanos?

LF - A Susan Sontag, entre outros, também era admiradora do Machado. Autores brasileiros tem menos publico no mercado internacional do que autores de língua espanhola justamente pelo fato do mercado de língua espanhola ser maior do que o de língua portuguesa. Mesmo assim, Jorge Amado, Clarice Lispector, Moacyr Scliar e mais meia dúzia de escritores brasileiros, sem esquecer o Paulo Coelho, tem seu publico internacional.

 

VALOR - Aliás, quem toca melhor sax alto, Woody Allen ou Luis Fernando Veríssimo?

LF - O Woody Allen toca clarinete no estilo de Nova Orleans, eu toco, ou tocava antes de perder o fôlego, sax alto. Quando comecei no sax, nem sabia que existia Woody Allen. Tenho espalhado que foi ele que me imitou.

 

VALOR - As crônicas de “Veríssimo Antológico” foram distribuídas em ordem cronológica. Como o senhor vê a evolução do cronista ao longo dos anos? Passou a escrever melhor ou a qualidade da escrita não está necessariamente ligada ao tempo de prática?

LF - O que mais me surpreende quando vejo crônicas minhas antigas é o tamanho dos textos. Sempre digo que não sei se fiquei mais conciso ou mais preguiçoso. O inegável é que quanto mais a gente escreve, mais difícil fica. O escritor relapso vai, com o tempo, pouco a pouco, se transformando num leitor exigente.

 

VALOR - Numa crônica sobre o poder, “o poder e a troça”, o senhor escreveu: “Quanto mais forte o poder, mais impune o bobo”. Atualíssima, não?

LF - Acho que a crônica era sobre o humor e o poder, ou o papel do humorista num regime autoritário, ou no processo de enrijecimento, como no Brasil. Quanto mais duro o poder, mais ele teme o ridículo e portanto o humorista. Ou ao contrário, quanto mais certo do seu poder o rei, mais irrelevante o bobo da corte. Algo por aí.

 

VALOR - Qual é o melhor e o pior presidente da história do país aos olhos de um cronista brasileiro?

LF - O pior foi Jânio Quadros o Breve, cuja loucura nos legou tudo isso que continua aí. Os generais da ditadura também foram lamentáveis. E agora temos o capitão Bolsonaro, que não é um presidente, é um cataclismo.

 

VALOR - Nos anos 1970, a imprensa o saudou como o “novo Stanislaw Ponte Preta”. era mais uma para do “festival de besteira que assola o país” ou a comparação fazia algum sentido?

LF - Sergio Porto, o Stanislau Ponte Preta, foi único e incomparável. E como está fazendo falta, neste festival de besteiras que nos assola.

 

VALOR - O “festival de besteira” é um terreno fértil para qualquer cronista ou o senhor acha que conseguiria manter a mesma sagacidade como autor se tivesse nascido na Basileia?

LF - Estou aprendendo basileico, uma estranha língua com duas consoantes e um arroto, para o caso de uma imigração se tornar inevitável.

 

VALOR - sobre timidez, o senhor escreveu: “Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado”. O estratagema, no seu caso, deu mais do que certo, não?

LF - A timidez deu certo até agora mas não a recomendo para ninguém. Podendo escolher o que ser na vida, escolha ser a Elke Maravilha.

 

VALOR - Na crônica amor, você diz: “Literatura é quando o amor ainda não veio ou quando já acabou, literatura durante é mentira”. O senhor nunca deixou de escrever. Sempre produziu muito. O amor ainda não veio ou tem custado a acabar?

LF - No meu caso o amor já veio, ja se instalou e ficou.

 

VALOR - O senhor começou no jornalismo escrevendo sobre gastronomia no jornal “Zero Hora”. O ex-crítico gastronômico continua achando a culinária francesa muito superior à italiana? O senhor chegou a classificar a pizza italiana como “bizarra”. Os italianos sabem disso?

LF - A pizza é uma contravenção que os italianos vendem como comida há anos.

 

VALOR - o que o senhor gostava de comer sempre e não pode mais, por conta dos cuidados com a saúde?

LF - Tudo.

 

VALOR - Como a Velhinha de Taubaté está encarando a pandemia?

LF - A Velhinha de Taubaté acredita piamente no Ministro da Saúde do Brasil, seja ele quem for.

 
09
Ago20

Os impactos da pandemia de Covid-19 e o descaso do governo Bolsonaro

Talis Andrade

 

II - Bolsonaro, a pandemia e a explosão das demandas sociais 

por Equipe do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) / Le Monde

- - -

É nesse cenário desolador que a Covid-19 chega ao Brasil. Além das consequências dramáticas da crise sanitária, temos um governo que trata com descaso e despreparo a pandemia e os efeitos da recessão econômica.

Ainda que, por um lado, as políticas de manutenção de renda (Auxílio Emergencial) e de emprego (financiamento da folha salarial e Programa de Manutenção de Emprego e Renda) sejam anunciadas como prioritárias, seu baixo nível de gastos após mais de quatro meses de pandemia é assustador. A execução orçamentária da renda básica e o financiamento da folha salarial atingiram somente metade de seu potencial, e o Programa de Manutenção de Emprego e Renda, apenas 30%.

Os impactos da crise se fazem sentir no mundo do trabalho. Segundo dados recentes publicados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),4 em maio, 18,5 milhões de brasileiros não trabalharam e não procuraram ocupação por causa da pandemia; 19 milhões de pessoas foram afastadas do trabalho e 30 milhões tiveram alguma redução em seus rendimentos. Note-se, contudo, ainda de acordo com o órgão de pesquisa, que o auxílio emergencial tem sido essencial para cobrir boa parte da perda de rendimento dos beneficiários.

O desmando federal na saúde e na educação

O quadro na área da saúde é dramático, com quase 90 mil óbitos e 10% da população com casos confirmados da nova doença. O Brasil se tornou, em meados de junho, o segundo país do mundo com maior número de óbitos por Covid-19, somente atrás dos Estados Unidos. A responsabilidade do governo federal nas mortes decorrentes do novo coronavírus é evidente e pública. O presidente culpabiliza estados e municípios pela crise econômica, desdenha do isolamento social e propagandeia a utilização de medicamentos sem comprovação científica. Esse comportamento se reflete no Ministério da Saúde, que deveria ser o grande coordenador do enfrentamento à pandemia, mas que até hoje não executou nem metade dos recursos que recebeu exclusivamente para isso, da ordem de R$ 39,7 bilhões. Ademais, dois ministros foram demitidos e substituídos por militares sem especialização na área. A situação só não é pior porque o país possui o Sistema Único de Saúde (SUS), gratuito e universal, que, a despeito do descaso do governo federal, conta com a atuação dos estados e municípios.

No caso da educação, pode-se dizer que as desigualdades ficaram ainda mais escancaradas. Olhando apenas para a escola pública, há falta de preparo de educadores para lidar com esse momento e de acesso à internet ou a equipamentos adequados para que os educandos acompanhem aulas a distância. Também grave é a situação de mães e pais que precisam trabalhar em meio à pandemia, não tendo condições de acompanhar seus filhos, seja por falta de tempo, seja por falta de escolaridade.

Os principais alvos são negros, quilombolas e indígenas

Os efeitos da pandemia contribuem ainda para reforçar desigualdades de raça e de etnia. A população negra é proporcionalmente muito mais afetada que a branca: 55% de pessoas negras que se internaram em hospitais do Brasil com Covid-19 morreram; entre os brancos, esse percentual foi de 38%.5

No tocante à população indígena, mesmo diante da disseminação do novo coronavírus, que já matou mais de quinhentos e infectou outros 16 mil indígenas,6 o governo federal investiu menos recursos em Saúde Indígena no primeiro semestre deste ano do que no mesmo período do ano passado. Além disso, os recursos extraordinários para enfrentamento da Covid-19 alocados na Funai tiveram execução orçamentária de apenas 33%.7 A população quilombola, que não conta nem mesmo com um sistema de saúde que atenda a suas especificidades culturais, ficou desassistida com os cortes na política de cestas básicas e a dificuldade de acesso ao auxílio emergencial.

Não satisfeito, o governo selou as políticas de morte para indígenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais vetando 22 itens do PL n. 1.142, que previa a criação de um plano de enfrentamento da Covid-19 entre esses povos. (Continua)

 

31
Jul20

Carta de mil padres com críticas a Bolsonaro

Talis Andrade

 

12
Jul20

Covid: Gilmar alerta para o risco de o Exército associar-se a um genocídio

Talis Andrade

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“É preciso pôr fim a isso”, disse o ministro

Por Ricardo Noblat 

- - -

 

Foi, de longe, a mais dura advertência feita por um ministro do Supremo Tribunal Federal ao governo e às Forças Armadas desde que o coronavírus se espalhou pelo país e colheu a primeira vida no final de março último. Atém ontem, a pandemia matou cerca de 71.500 pessoas e contaminou pouco mais de 1.840 mil.

Ao comentar o fato de um general (Eduardo Pazuello) estar como ministro interino da Saúde há mais de 25 dias, Gilmar disparou: “Isso é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso pôr fim a isso”.

Pazuelo substituiu o médico Nelson Teich que sucedeu o médico Luiz Mandetta. Teich não ficou no cargo sequer 30 dias. Largou-o para não ceder às pressões do presidente Jair Bolsonaro que queria que ele recomendasse o uso da cloroquina no tratamento da doença mesmo contra a opinião de médicos e de cientistas.

É a primeira vez desde 1953, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, que o Ministério da Saúde fica tanto tempo sem um titular. Naquele ano, Antônio Balbino comandou de agosto a dezembro a pasta interinamente, enquanto também era chefe do Ministério da Educação. As duas pastas haviam acabado de se seperar. 

“Não podemos mais tolerar essa situação que se passa no Ministério da Saúde. Não é aceitável que se tenha esse vazio. Pode até se dizer: a estratégia é tirar o protagonismo do governo federal, é atribuir a responsabilidade a estados e municípios. Se for essa a intenção é preciso se fazer alguma coisa”, disse Gilmar.

Bolsonaro já quis nomear Pazuello ministro da Saúde. Os militares se opuseram – tanto os que ocupam cargos quanto os que comandam o Exército, Marinha e Aeronáutica. Pazzuelo é um general da ativa. Para não associar a imagem do Exército ao do governo, seus colegas cobram que ele passe antes para a reserva.

Havia outro general da ativa ocupando cargo de ministro – Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria do Governo. Recentemente, sob a pressão dos seus colegas de farda, ele pediu sua passagem para a reserva. Como interno na Saúde, Pazuello tem se comportado até aqui como um dócil servidor do presidente da República.

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