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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

28
Fev20

Deputada Carla Zambelli sobre ato de 15 de março contra o Congresso

Talis Andrade

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A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) disse ao Congresso em Foco que estará nas manifestações contra o Congresso Nacional convocadas para o próximo dia 15. Ela compartilhou em suas redes sociais imagens de convocação para o ato e com crítica ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que classificou o movimento como antidemocrático. “O Congresso ficará contra o povo?”, questionou a deputada. Que povo? As milícias? Os policiais amotinados? A deputada Zambelli devia ser cassada por tramar o fechamento do Congresso e do STF, Superior Tribunal Federal. As manifestações golpistas são palacianas, e o primeiro "foda-se" foi do general da reserva Augusto Heleno. 

> “Dia do foda-se” e greve da PM tensionam debate político pós-Carnaval

 

Segundo ela, não há motivo para os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), reagirem negativamente contra Bolsonaro por causa da manifestação. “Se Maia e Alcolumbre forem inteligentes, não. Pois o Executivo não teve responsabilidade sobre esta convocação”, declarou. Inteligentes?  

A oposição articula reunião para discutir o assunto com a presença de Maia e Davi Alcolumbre. A revelação sobre o compartilhamento do vídeo contra o Congresso foi feita pela colunista Vera Magalhães, do jornal O Estado de S. Paulo.

Bolsonaro confirmou que postou o vídeo, depois negou, como sempre faz quando enfrenta reações. 

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28
Fev20

O golpe de Bolsonaro está em curso

Talis Andrade

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Já está acontecendo: a hora de lutar pela democracia é agora

por Eliane Brum

Só não vê quem não quer. E o problema, ou pelo menos um deles, é que muita gente não quer ver. O amotinamento de uma parcela da Polícia Militar do Ceará e os dois tiros disparados contra o senador licenciado Cid Gomes (PDT), em 19 de fevereiro, é a cena explícita de um golpe que já está sendo gestado dentro da anormalidade. Há dois movimentos articulados. Num deles, Jair Bolsonaro se cerca de generais e outros oficiais das Forças Armadas nos ministérios, substituindo progressivamente os políticos e técnicos civis no Governo por fardados – ou subordinando os civis aos homens de farda nas estruturas governamentais. Entre eles, o influente general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, segue na ativa, e não dá sinais de desejar antecipar seu desembarque na reserva. O brutal general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, chamou o Congresso de “chantagista” dias atrás. Nas redes, vídeos com a imagem de Bolsonaro conclamam os brasileiros a protestar contra o Congresso em 15 de março. “Por que esperar pelo futuro se não tomamos de volta o nosso Brasil?”, diz um deles. Bolsonaro, o antipresidente em pessoa, está divulgando pelas suas redes de WhatsApp os chamados para protestar contra o Congresso. Este é o primeiro movimento. No outro, uma parcela significativa das PMs dos estados proclama sua autonomia, transformando governadores e população em reféns de uma força armada que passa a aterrorizar as comunidades usando a estrutura do Estado. Como os fatos já deixaram claro, essas parcelas das PMs não respondem aos Governos estaduais nem obedecem a Constituição. Tudo indica que veem Bolsonaro como seu único líder. Os generais são a vitrine lustrada por holofotes, as PMs são as forças populares que, ao mesmo tempo, sustentam o bolsonarismo e são parte essencial dele. Para as baixas patentes do Exército e dos quartéis da PM, Bolsonaro é o homem.

É verdade que as instituições estão tentando reagir. Também é verdade que há dúvidas robustas se as instituições, que já mostraram várias e abissais fragilidades, ainda são capazes de reagir às forças que já perdem os últimos resquícios de pudor de se mostrarem. E perdem o pudor justamente porque todos os abusos cometidos por Bolsonaro, sua família e sua corte ficaram impunes. De nada adianta autoridades encherem a boca para “lamentar os excessos”. Neste momento, apenas lamentar é sinal de fraqueza, é conversinha de sala de jantar ilustrada enquanto o barulho da preparação das armas já atravessa a porta. Bolsonaro nunca foi barrado: nem pela Justiça Militar nem pela Justiça Civil. É também por isso que estamos neste ponto da história.

Essas forças perdem os últimos resquícios de pudor também porque parte do empresariado nacional não se importa com a democracia e a proteção dos direitos básicos desde que seus negócios, que chamam de “economia”, sigam dando lucro. Esta mesma parcela do empresariado nacional é diretamente responsável pela eleição de um homem como Bolsonaro, cujas declarações brutais no Congresso já expunham os sinais de perversão patológica. Estes empresários são os herdeiros morais daqueles empresários que apoiaram e se beneficiaram da ditadura militar (1964-1985), quando não os mesmos.

Uma das tragédias do Brasil é a falta de um mínimo de espírito público por parte de suas elites financeiras. Elas não estão nem aí com os cartazes de papelão onde está escrita a palavra “Fome”, que se multiplicam pelas ruas de cidades como São Paulo. Como jamais se importaram com o genocídio dos jovens negros nas periferias urbanas do Brasil, parte deles mortos pelas PMs e suas “tropas de elite”. Adriano da Nóbrega – aquele que, caso não tivesse sido morto, poderia dizer qual era a profundidade da relação da família Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro e também quem mandou assassinar Marielle Franco – pertencia ao BOPE, um destes grupos de elite.

Não há nada comparável à situação vivida hoje pelo Brasil sob o Governo de Bolsonaro. Mas ela só é possível porque, desde o início, se tolerou o envolvimento de parte das PMs com esquadrões da morte, na ditadura e além dela. Desde a redemocratização do país, na segunda metade dos anos 1980, nenhum dos governos combateu diretamente a banda podre das forças de segurança. Parte das PMs se converteu em milícias, aterrorizando as comunidades pobres, especialmente no Rio de Janeiro, e isso foi tolerado em nome da “governabilidade” e de projetos eleitorais com interesses comuns. Nos últimos anos as milícias deixaram de ser um Estado paralelo para se confundir com o próprio Estado.

A política perversa da “guerra às drogas”, um massacre em que só morrem pobres enquanto os negócios dos ricos aumentam e se diversificam, foi mantida mesmo por governos de esquerda e contra todas as conclusões dos pesquisadores e pesquisas sérias que não faltam no Brasil. E seguiu sustentando a violência de uma polícia que chega nos morros atirando para matar, inclusive em crianças, com a habitual desculpa de “confronto” com traficantes. Se atingem um estudante na escola ou uma criança brincando, é “efeito colateral”.

Desde os massivos protestos de 2013, governadores de diferentes estados acharam bastante conveniente que as PMs batessem em manifestantes. E como ela bateu. Era totalmente inconstitucional, mas em todas as esferas, poucos se importaram com esse comportamento: uma força pública agindo contra o cidadão. Os números de mortes cometidas por policiais, a maior parte delas vitimando pretos e pobres, segue aumentando e isso também segue sendo tolerado por uns e estimulado por outros. É quase patológica, para não dizer estúpida, a forma como parte das elites acredita que vai controlar descontrolados. Parecem nem desconfiar de que, em algum momento, eles vão trabalhar apenas para si mesmos e fazer os ex-chefes também de reféns.

Bolsonaro compreende essa lógica muito bem. Ele é um deles. Foi eleito defendendo explicitamente a violência policial durante os 30 anos como político profissional. Ele nunca escondeu o que defendia e sempre soube a quem agradecer pelos votos. Sergio Moro, o ministro que interditou a possibilidade de justiça, fez um projeto que permitia que os policiais fossem absolvidos em caso de assassinarem “sob violenta emoção”. Na prática é o que acontece, mas seria oficializado, e oficializar faz diferença. Essa parte do projeto foi vetada pelo Congresso, mas os policiais seguem pressionando com cada vez mais força. Neste momento, Bolsonaro acena com uma antiga reivindicação dos policiais: a unificação nacional da PM. Isso também interessa – e muito – a Bolsonaro.

Se uma parcela das polícias já não obedece aos governadores, a quem ela obedecerá? Se já não obedece a Constituição, a qual lei seguirá obedecendo? Bolsonaro é o seu líder moral. O que as polícias militares têm feito nos últimos anos, ao se amotinarem e tocarem o terror na população é o que Bolsonaro tentou fazer quando capitão do Exército e foi descoberto antes: tocar o terror, colocando bombas nos quartéis, para pressionar por melhores salários. É ele o precursor, o homem da vanguarda.

O que aconteceu com Bolsonaro então? Virou um pária? Uma pessoa em que ninguém poderia confiar porque totalmente fora de controle? Um homem visto como perigoso porque é capaz de qualquer loucura em nome de interesses corporativos? Não. Ao contrário. Foi eleito e reeleito deputado por quase três décadas. E, em 2018, virou presidente da República. Este é o exemplo. E aqui estamos nós. Vale a pergunta: se os policiais amotinados são apoiados pelo presidente da República e por seus filhos no Congresso, continua sendo motim?

Não se vira refém de uma hora para outra. É um processo. Não dá para enfrentar o horror do presente sem enfrentar o horror do passado porque o que o Brasil vive hoje não aconteceu de repente e não aconteceu sem silenciamentos de diferentes parcelas da sociedade e dos partidos políticos que ocuparam o poder. Para seguir em frente é preciso carregar os pecados junto e ser capaz de fazer melhor. Quando a classe média se calou diante do cotidiano de horror nas favelas e periferias é porque pensou que estaria a salvo. Quando políticos de esquerda tergiversaram, recuaram e não enfrentaram as milícias é porque pensaram que seria possível contornar. E aqui estamos nós. Ninguém está a salvo quando se aposta na violência e no caos. Ninguém controla os violentos.

Há ainda o capítulo especial da degradação moral das cúpulas fardadas. Os estrelados das Forças Armadas absolveram Bolsonaro lá atrás e hoje fazem ainda pior: compõem sua entourage no Governo. Até o general Ernesto Geisel, um dos presidentes militares da ditadura, dizia que não dava para confiar em Bolsonaro. Mas aí está ele, cercado por peitos medalhados. Os generais descobriram uma forma de voltar ao Planalto e parecem não se importar com o custo. Exatamente porque quem vai pagar são os outros.

As polícias são a base eleitoral mais fiel de Bolsonaro. Quando essas polícias se tornam autônomas, o que acontece? Convém jamais esquecer que Eduardo Bolsonaro disse antes da eleição que “basta um cabo e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal”. Um senador é atingido por balas disparadas a partir de um grupo de policiais amotinados e o mesmo filho zerotrês, um deputado federal, um homem público, vai às redes sociais defender os policiais. Não adianta gritar que é um absurdo, é totalmente lógico. Os Bolsonaros têm projeto de poder e sabem o que estão fazendo. Para quem vive da insegurança e do medo promovidos pelo caos, o que pode gerar mais caos e medo do que policiais amotinados?

É possível fazer muitas críticas justas a Cid Gomes. É possível enxergar a dose de cálculo em qualquer ação num ano eleitoral. Mas é preciso reconhecer que ele compreendeu o que está em curso e foi para a rua enfrentar com o peito aberto um grupo de funcionários públicos que usavam a estrutura do Estado para aterrorizar a população, multiplicando o número de mortes diárias no Ceará.

A ação que envergonha, ao contrário, é a do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que, num estado em dificuldades, se submete à chantagem dos policiais e dá um aumento de quase 42% à categoria, enquanto outras estão em situação pior. É inaceitável que um homem público, responsável por tantos milhões de vidas de cidadãos, acredite que a chantagem vai parar depois que se aceita a primeira. Quem já foi ameaçado por policiais sabe que não há maior terror do que este, porque além de terem o Estado na mão, não há para quem pedir socorro.

Quando Bolsonaro tenta responsabilizar o governador Rui Costa (PT), da Bahia, pela morte do miliciano Adriano da Nóbrega, ele sabe muito bem a quem a polícia baiana obedece. Possivelmente não ao governador. A pergunta a se fazer é sempre quem são os maiores beneficiados pelo silenciamento do chefe do Escritório do Crime, um grupo de matadores profissionais a quem o filho do presidente, senador Flavio Bolsonaro, homenageou duas vezes e teria ido visitar na cadeia outras duas. Além, claro, de ter empregado parte da sua família no gabinete parlamentar.

Não sei se pegar uma retroescavadeira como fez o senador Cid Gomes é o melhor método, mas era necessário que alguém acordasse as pessoas lúcidas deste país para enfrentar o que está acontecendo antes que seja demasiado tarde. Longe de mim ser uma fã de Ciro Gomes, mas ele falou bem ao dizer: “Se você não tem a coragem de lutar, ao menos tenha a decência de respeitar quem luta”.

A hora de lutar está passando. O homem que planejava colocar bombas em quartéis para pressionar por melhores salários é hoje o presidente do Brasil, está cercado de generais, alguns deles da ativa, e é o ídolo dos policiais que se amotinam para impor seus interesses pela força. Estes policiais estão acostumados a matar em nome do Estado, mesmo na democracia, e a raramente responder pelos seus crimes. Eles estão por toda a parte, são armados e há muito já não obedecem ninguém.

Bolsonaro têm sua imagem estampada nos vídeos que conclamam a população a protestar contra o Congresso em 15 de março e que ele mesmo passou a divulgar por WhatsApp. Se você não acha que pegar uma retroescavadeira é a solução, melhor pensar logo em outra estratégia, porque já está acontecendo. E, não se iluda, nem você estará a salvo.

Publicado originalmente em 'El País'

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25
Fev20

Brasil miliciano: todo poder às bancadas BBB

Talis Andrade

 

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Por Ricardo Kotscho
 
“Uma certeza se pode ter: a maluquice perversa a que o Brasil está entregue não terminará bem” (abertura da coluna de Janio de Freitas na Folha com o título “Nosso andar no escuro”).


Todo mundo já desconfiava disso, desde o início deste desgoverno, caro Janio, mas nada acontece para evitar o desastre.

Líder sindical de militares e policiais por 28 anos na Câmara, Jair Bolsonaro hoje nem partido tem e despreza a articulação política, mas mesmo assim controla o Congresso como quem manipula um boneco de ventríloquo.

Como isso é possível, com mais de 30 partidos no parlamento, e tantos interesses difusos?
 
Muito simples: depois da Lava Jato, os partidos foram substituídos pelas bancadas “temáticas” e deixaram de ter qualquer importância.

Quem manda agora no Legislativo são as bancadas suprapartidárias chamadas de BBB (da bala, do boi e da bíblia), todas elas ligadas ao bolsonarismo raiz e cevadas com cargos e emendas pelo Palácio do Planalto.

Bolsonaro apenas está colocando em prática, agora com todo o poder na mão, o que pregou como deputado do fundão do baixo clero quando ninguém o levava a sério.

É com e para essa gente que Bolsonaro governa, liberando armas e as terras dos índios na Amazônia para os bois e o garimpo, e dispensando a turma da bíblia de pagar impostos.

Em sua coluna de domingo no Globo, Bernardo Mello Franco lembra que, já em 2003, o ex-capitão pregava da tribuna uma greve geral dos policiais militares contra a reforma da Previdência.
 
Era o início do governo Lula.

A greve não saiu, mas Bolsonaro nunca desistiu do seu projeto de botar fogo no país a partir dos quartéis das PMs. De quem ele quer se vingar?

O grosso da mão-de-obra das milícias que se ramificaram por toda parte, não por coincidência, é formado por ex-PMs e ex-militares expulsos de suas corporações.

É isso que está por trás dos motins que explodiram no Ceará esta semana e já deixaram 170 mortos em cinco dias.

E por que no Ceará?

Nada acontece por acaso, como já escrevi esta semana.

Sergio Moro colocou como secretário nacional de Segurança Pública o general Guilherme Teófilo, que nas últimas eleições tomou uma surra de Camilo Santana, do PT, o governador reeleito do Ceará em 2018, com 80% dos votos, no primeiro turno.

Teófilo foi candidato pelo PSDB, mas logo se bandeou para Bolsonaro e arrumou uma boquinha em Brasília.

O comandante da Força Nacional, a ele subordinada, é um coronel da PM cearense.

Os líderes da rebelião são todos políticos bolsonaristas que se elegeram por diferentes partidos com os votos dos quartéis.

A bancada da bala no Congresso é coordenada por quatro senadores e 32 deputados ligados às Forças Armadas e às PMs.

Bem maiores são as bancadas do boi, formadas pelos setores mais atrasados do agronegócio, e a da bíblia, que não para de crescer, no embalo dos templos neo-pentecostais dos bispos eletrônicos espalhados por todo o país.

Só na estrada que liga Caraguatatuba a São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, dos dois lados da via, há mais templos do que farmácias e botecos, alguns pomposos, a maioria em garagens.

Brotam de um dia para outro com as mais variadas e exóticas denominações.

Bolsonaro se dizia católico, mas desde a campanha eleitoral tornou-se terrivelmente evangélico, a ponto de já ter participado de cultos em 40 templos no seu primeiro ano de governo.

Com o Congresso dominado pelas bancadas BBB e as oposições na muda, o Brasil miliciano que sequestrou as instituições agora poderá formar maioria também no STF, onde serão abertas em breve duas vagas.

O que sobrou da sociedade civil, com as centrais sindicais destroçadas pela reforma trabalhista, limita-se a divulgar notas de protesto quando Bolsonaro exagera na dose da imbecilidade e da estupidez. E fica tudo por isso mesmo.
 
Viramos um acampamento de refugiados em nossa própria terra, onde impera a lei do mais forte e, como dizem os militares, manda quem pode e obedece quem tem juízo.

Sem contar os milicianos de carteirinha (ninguém sabe quantos), já que está tudo muito misturado, são hoje 500 mil homens nas PMs que obedecem ao comando de Brasília e se sentem fortalecidos para afrontar os governadores.

Diante desse quadro, a caminho do poder absoluto, guarnecidos por uma tropa de generais e no comando da rede bolsonarista de rádio e televisão, fica até difícil entender porque os Bolsonaros se mostram tão preocupados com os celulares do amigo miliciano morto na Bahia e as investigações sobre as rachadinhas e o assassinato da vereadora Marielle Franco no Rio.

Estão com medo de quê?

Escreve o sempre bem informado Janio de Freitas, veterano de outras guerras e outros carnavais:

“Aproxima-se uma situação limite. A inclusão de generais em torno de Bolsonaro tem mais a ver com a ditadura, claro, mas também com um motivo prático e imediato: formar uma guarda pretoriana, a partir da ideia de que nenhuma instituição ou movimento público confrontaria essa representação do Exército com a tentativa de um impeachment, que também a alcançaria”.
Impeachment? Com esse Congresso dominado pelas bancadas BBB e o mercado fechado com Paulo Guedes e Trump?

E o que viria depois? O general Mourão?

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come…

Bonito não vai ser, com certeza, caro Janio.

Eu não esperava passar por tudo de novo, já entrando na fase de prorrogação da vida.

Faz escuro, cada vez pior, sem luzes à vista.

E vida que segue…

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25
Fev20

Fogo, tiros, ruas fechadas, 'dia de guerra' no Haiti: policiais contra o exército

Talis Andrade

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Já aconteceu na Bolívia, no golpe policial que derrubou Evo Morales. BBC publica:

Manifestantes antigoverno montaram dezenas de barricadas em ruas importantes de Porto Príncipe, capital do Haiti, na última segunda-feira (24/2).

Os bloqueios ocorreram um dia depois que um grupo de policiais do país, exigindo melhores condições de trabalho, atacou a sede do Exército na cidade.

O governo do presidente Jovenel Moïse chamou o ataque de "tentativa de golpe", e as Forças Armadas do país caribenho falaram em "um dia em situação de guerra".

Ao menos duas pessoas morreram durante os confrontos.

Na segunda-feira, os manifestantes espalharam tijolos, queimaram pneus e derrubaram carrinhos de sorvete nas ruas que levam à casa de Moïse. Os protestos pedem a renúncia do presidente.

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Grande parte da cidade ficou deserta um dia depois que policiais cercaram a sede do Exército e abriram fogo. Alguns dos participantes do tiroteio usavam uniformes da polícia.

O general Jodel Lesage, das Forças Armadas haitianas, disse à imprensa local que a sede do Exército enfrentou um ataque armado. "Estamos sob fogo de armas de todos os tipos, rifles automáticos, bombas de gasolina e gás lacrimogêneo". 

O governo afirmou que a ação foi "um ataque à liberdade e à democracia". Já os policiais disseram que foram atacados primeiro.Os policiais haitianos estão protestando há semanas. Uma de suas principais demandas é a possibilidade de formar um sindicato, o que, segundo eles, vai garantir mais transparência em negociações com superiores. Eles também reivindicam melhores salários.

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Na semana passada, o presidente Moïse anunciou a criação de um fundo financeiro para parentes de oficiais que foram mortos durante o trabalho, mas a medida não conseguiu apaziguar os oficiais descontentes.

Após os confrontos, o governo anunciou que cancelaria todas as celebrações do Carnaval "para evitar um banho de sangue".

Esses não são os primeiros protestos que Moïse enfrentou. No ano passado, os haitianos tomaram as ruas devido ao terrível estado da economia do país, que os manifestantes atribuíram ao governo.

Moïse está no poder desde 2017 e disse que não deixaria o país nas "mãos de gangues armadas e traficantes de drogas".

 

25
Fev20

Bolsonaro à beira de um ataque de nervos

Talis Andrade

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Tom nas grosserias contra jornalistas e receio com a perícia nos telefones de Adriano Nóbrega é quadro típico de quem sabe que pode ser descoberto

Por Luis Nassif 

O tom a mais nas grosserias contra jornalistas, o receio com a perícia nos telefones de Adriano Nóbrega é um quadro típico de quem sabe o que fez e sabe que pode ser descoberto.

Seus últimos tuítes mostram um presidente à beira de um ataque de nervos, com medo de que suas ligações com o miliciano sejam expostas através da perícia nos celulares.

Os poderes da República vão continuar assistindo, inerte, o espetáculo dantesco de um Presidente da República diretamente envolvido com um miliciano que comandava um Escritório do Crime? Cujos pistoleiros foram contratados para executar a vereadora Marielle Franco? As Forças Armadas continuarão dando respaldo a um Presidente sujeito a tal nível de suspeita?

Em outros momentos, Bolsonaro já passara recibo sobre o que poderia vir pela frente, ao alertar sobre “mentiras” que poderiam aparecer.

É possível que a verdade prevaleça. E que todos os que contribuíram para instalar o império do crime no comando do país assumam sua responsabilidade, a começar pelo Supremo Tribunal Federal.

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24
Fev20

Milicianos tiveram papel chave no golpe da Bolívia

Talis Andrade

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Uma coisinha sobre Poulantzas e a fascistização do Brasil

por Francisco Prandi

Nicos Poulantzas  talvez seja o marxista que mais tenha me influenciado até hoje.

Seu livro “Fascismo e Ditadura” (esgotado; reprodução, abaixo na íntegra) deveria estar sendo lido por todo militante não digo nem socialista, mas democrático mesmo.

É preciso pontuar que a visão historicista de que o fascismo foi um fenômeno particular e irrepetível não tem o menor lugar no  esquema teórico de Poulantzas, como assinala várias vezes ao longo do livro.

O fascismo, para ele, está ligado a crises de hegemonia no bloco no poder que dirige o Estado capitalista, uma crise política específica, e a mudanças no capitalismo.

No ano passado quando li esse livro pela primeira vez, uma das ideias que mais me chamaram a atenção é a de que, além da crise dos partidos burgueses e uma derrota do movimento operário e popular, o processo de fascistização também comporta uma dissociação entre o poder formal e o poder real.

Isso não começou do dia pra noite. Todos devem se lembrar de como o Judiciário tem atuado de 2015 para cá.

Eu tinha a convicção de que o Judiciário seria o maior vetor de fascistização no Brasil. Aparentemente, isso vem mudando.

As milícias, que pareciam limitadas ao Rio de Janeiro, estão se espalhando pelo Brasil e podem provocar consequências terríveis para o processo democrático.

O Ceará, nos últimos dias, parece ser um caso bastante elucidativo de como a politização da polícia pode ser o embrião de um novo poder, assim como as milícias o são no Rio de Janeiro.

A ação de Cid Gomes, embora tenha sido irresponsável, é compreensível o desespero, o voluntarismo dele para impedir que esse vetor de fascistização nos leve ao que Poulantzas chama de “ponto de irreversibildiade”.

Aqueles que relativizaram o golpe na Bolívia, em 2019, afirmando que se tratavam de “manifestações democráticas”, talvez nunca enxergarão que ali se tratou de um laboratório para a América Latina.

O papel de milicianos e policiais foi muito mais determinante do que a intervenção do Exército.

Governadores, prefeitos, vereadores, senadores e deputados ligados ao MAS tiveram familiares sequestrados, casas queimadas e saqueadas, foram humilhados publicamente. Tudo isso com policiais encapuzados ou não, mas participando ativamente do ritual nefasto.

O fascismo não é invencível.

Mas não serão iniciativas voluntaristas, desorganizadas e caudilhistas que permitirão enterrar esse movimento político no Brasil.

É necessário fazer a luta ideológica, não renunciando ao debate público e à demarcação com o governo. É preciso reconectar-se com as massas e seus temas cotidianos.

A nenhum militante deve ser permitido a descrença em seu próprio povo!

VENCEREMOS!

 

24
Fev20

O (des)governo do Brasil

Talis Andrade

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por Fernando Brito

João Montanaro, na sua charge da Folha, resume sem uma palavra a nova face do poder político no Brasil.

Não há, praticamente, um estado brasileiro onde a policia não tenha tomado o freio nos dentes e encostado na parede os governantes eleitos, exceção feita aos que já tinham se encostado antes e vivem num regime de promiscuidade total.

O caso do Ceará apenas desnudou, dramaticamente, o quanto a polícia se adonou da vida político-social.

O amotinamento de policiais no estado não teve, até hoje, uma palavra de crítica de Jair Bolsonaro.

É a sua turma.

Não é o presidente que porta um distintivo no paletó – uma “caveira” honorária, como sugeriu Sérgio Moro à bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP).

São os maus policiais, autoritários e ameaçadores que usam, como coletes à prova de punição, as faixas que Montanaro desenhou.

22
Fev20

Quando a polícia bandida quer mandar na sociedade

Talis Andrade

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Policiais militares encapuzados e sem farda se reúnem em protesto na cidade de Fortaleza

 

Essa semana, a cidade de Sobral, Ceará, se tornou o centro do debate político no país. E como todo debate político nestes tempos de internet, o acontecimento já está recheado de vereditos sobre os seus significados. Mas o movimento todo é muito mais complexo do que parece e exige mais cautela em suas análises.

Primeiramente, é preciso que se diga: toda a movimentação que se iniciou entre os policiais do Ceará foi muito mais ampla do que o que aconteceu em Sobral e teve, a princípio, motivações legítimas ligadas à valorização salarial e da carreira. As negociações com o Governo cearense, inclusive, vêm contando com a ampla presença de associações e entidades de policiais do estado. Estas, por sua vez, vinham denunciando a perseguição política que sofriam do Governo.

Militares, porém, não têm direito à greve e possuem regimentos duros que, não raras vezes, são usados para perseguir policiais de baixa patente que reivindiquem direitos, o que sempre torna as manifestações policiais confusas e conturbadas, contando com a presença de seus familiares. Por isso mesmo, é tão necessário que a bandeira da desmilitarização esteja sempre presente nos debates sobre a valorização das carreiras policiais. A esquerda poderia ter um bom papel aqui, mas depois voltamos para este ponto.

Até aqui, nenhuma novidade ou diferença para outros movimentos semelhantes que sempre ocorreram em outros Estados também. Movimentos que, não raras vezes, têm ligações com a bancada da bala e, por outras vezes, já criaram lideranças progressistas de esquerda dentro das próprias corporações policiais. Líderes grevistas da PM do Rio Grande do Norte, por exemplo, integraram o projeto vencedor da atual governadora potiguar Fátima Bezerra, do PT.

Também não é novidade nenhuma a instabilidade política em ano eleitoral. E é claro que se deve levar em conta o papel do bolsonarismo no ocorrido em um estado cuja capital pode vir a ser governada por um Capitão do PSL com bastante influência sobre a corporação policial. O fato da radicalização do movimento ter se dado em Sobral, central dos Ferreira Gomes, família pilar da esquerda cearense, é mais um indício disso.

E é em Sobral que as diferenças deste movimento parecem ter aparecido. Diferentemente do que se vê em greves militares, o movimento em Sobral foi além das costumeiras participações de familiares “impedindo” policiais de trabalharem. Por lá, a participação de policiais foi mais direta e ostensiva, com um claro objetivo de instaurar o terror na cidade. Manifestações que certamente extrapolam as pautas trabalhistas legítimas e mostram um interesse político muito mais amplo. Os militares de Sobral não pareciam querer demonstrar como o seu trabalho é necessário para a sociedade, como fazem grevistas. Eles pareciam querer demonstrar força.

Mas a resposta de Cid Gomes, é preciso que se diga, não foi correta. Não estou, aqui, caindo no moralismo raso de dizer que o diálogo é sempre o caminho e que a violência política é sempre condenável. Mas a atitude do Senador poderia realmente ter causado uma tragédia e, estrategicamente, poderia ter sido tão explosiva quanto a ainda mal explicada facada de Adélio em Bolsonaro. Nada, porém, justifica dois tiros no peito de Cid quando este já havia cessado a sua ação, o que, aliás, afasta qualquer hipótese de legítima defesa.

Nas redes e na mídia, as imagens de policiais encapuzados fechando comércios e aterrorizando a população fez com que muitos cravassem um rápido diagnóstico: as milícias não seriam mais uma exclusividade carioca e estariam se espalhando pelo país. E é exatamente este ponto que discordo e gostaria de explorar neste texto.

As milícias cariocas não são uma ação ou um movimento. São um verdadeiro sistema. Um capitalismo distópico que confunde público e privado e mercantiliza tudo através da força. Apesar de, esteticamente, as ações no Ceará terem sido parecidas com outras já vistas no Rio de Janeiro, a construção deste sistema não pareceu ser o objetivo dos policiais no estado do Nordeste. Não foi algo territorial, foi algo mais com caráter de pressão política. Colocar todo e qualquer tipo de violência policial na caixinha do “milicianismo” é uma simplificação rasa e perigosa que pode nos impedir de enxergar riscos ainda maiores do que as próprias milícias.

O que se viu em Sobral talvez seja mais comparável ao que ocorreu no recente golpe contra o Governo de Evo Morales na Bolívia do que com o que presenciamos todos os dias no Rio de Janeiro. Por lá, para além do histórico papel central das Forças Armadas no golpismo direitista latino-americano, viu-se uma importância inédita das forças policiais no apoio político (e não só de força bruta) ao golpe.

Lembremos que 2018 representou, eleitoralmente, um salto inédito da Bancada da Bala nas Casas Legislativas do país. Uma bancada que reúne membros das altas cúpulas das forças de segurança pública, delegados e coronéis, um grupo com interesses próprios e o privilégio do monopólio da violência. É o perigoso crescimento das instituições policiais como força política no país, e não só como uma força repressiva à serviço de um Governo elitista. Instituições falando por si.

E, apesar deste claramente ser um movimento de Comando, o uso de pautas legítimas, como foi no caso cearense, pode facilmente atrair as baixas patentes para tal movimento, ainda que existam atritos frequentes destes com as altas patentes, que nem sempre possuem os mesmos interesses políticos. Neste ponto, retorno ao papel da esquerda e sua histórica negligência com o tema da segurança pública. Tais pautas legítimas podem e devem ser disputadas pelo campo da esquerda, atreladas a propostas como a desmilitarização e a carreira única, que, ao contrário do que se pensa, têm grande aceitação entre os trabalhadores das bases das polícias.Não se trata, aqui, de colocar a culpa na esquerda pelo perigo que o país corre. Trata-se de apontar um caminho para uma luta que não pode mais ser negligenciada. A segurança púbica é uma realidade, um direito e um serviço do Estado para o povo. A esquerda não pode fingir que a segurança pública não existe e deve disputá-la, até mesmo para travar o risco de um acirramento do golpe que vivemos desde 2016. O temor é de que 2020 já possa ser tarde demais para essa disputa.

 

 

22
Fev20

Motim no Ceará: acabou a brincadeira!

Talis Andrade

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Por Charles Alcantara

O endosso maldisfarçado à tentativa de homicídio contra o senador Cid Gomes e ao motim de policiais no Ceará não são atos irrefletidos ou irresponsáveis do clã Bolsonaro. São um movimento calculado para avançar num projeto cada vez mais evidente: o de instaurar um governo autocrático.

Acontece que esse projeto não se viabiliza sem o engajamento efetivo das forças armadas e do seu braço auxiliar e mais numeroso e capilarizado: as polícias militares. 

Bolsonaro, seus filhos e militares do núcleo duro do governo já colocaram em marcha esse projeto.

Os sinais estão aí, todos os dias e noites, evidentes, gritantes.


Primeiro, a adesão do braço armado; ato contínuo, um soldado e um cabo bastam para submeter o Congresso e o Supremo. Depois, a caça (sem aspas) aos opositores, sindicalistas e críticos.

Não será possível fazer o serviço completo de desmontar o serviço público e o Estado Social de Direitos, sem dinamitar os pilares que restam do regime democrático e sem, portanto, implementar um estado policial/miliciano. 

Até mesmo do ponto de vista da sobrevivência e da liberdade do clã, em face do aumento da percepção na sociedade de seu envolvimento com milicianos, é necessário criar o caos, para que se justifique a instauração da ordem.

A entrada em cena da versão bolsonariana das SA (as “tropas de assalto”) que espalhou o pânico nas ruas de Sobral-CE na manhã da última quarta-feira, 19, antes portanto dos tiros desferidos contra Cid Gomes, serve bem ao propósito de criar o caos justificador do endurecimento do regime.

A alegria e a liberdade que tomam as ruas do país durante o carnaval podem estar com os dias contados. Pode ser o nosso último carnaval com liberdade de expressão, ao menos por um período.

A quarta-feira de cinzas pode não ser apenas o fim de uma quadra momesca, mas o fim do ciclo histórico inaugurado com a Carta de 1988.

O mês de março, penso, será decisivo para os rumos do nosso país.

Ou saímos às ruas, ou seremos trancafiados em casa ou em celas - quando não, enterrados em covas - por um longo período.

- Ah, mas quanto exagero! - certamente alguns haverão de dizer.

- Ah, o Bolsonaro é um um cara sincero, brincalhão e bem intencionado - muitos disseram, antes e ainda hoje.

Pois digo a esse magnífico povo brasileiro, tão espirituoso e brincalhão: 

- acabou a brincadeira!

 

21
Fev20

Brasil se converteu em nação de patifes com os Bolsonaro, diz Veríssimo

Talis Andrade

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“O apatifamento de uma nação começa pela degradação do discurso público e pela baixaria como linguagem corriqueira, adotadas nos mais altos níveis de uma sociedade embrutecida”, diz Veríssimo. Vivemos a era da bestialidade, de glorificação da burrice, da mentira como realidade paralela a ser vivida por esses apoiadores pobres de Bolsonaro, que acham que fazem parte do banquete, mas que comem apenas as sobras dos senhores que sentam a mesa de Bolsonaro.

“Apatifar, nos diz o Aurélio, significa tornar desprezível, aviltar, envilecer. Pessoas se apatifam, nações inteiras podem se apatifar, ou serem apatifadas”, diz o escritor Luis Fernando Verissimo, em coluna publicada nesta quinta-feira no jornal O Globo.

“É impossível observar o Brasil de hoje sem a sensação de estar assistindo a uma pantomima tragicômica, à decomposição de um Estado que, dissessem o que dissessem de governos anteriores – inclusive os lamentáveis -, mantinha, pelo menos, a linha, o que é mais do que se pode dizer da atuação de Bolsonaro & Filhos no palco do poder”, afirma.

O apatifamento de uma nação começa pela degradação do discurso público e pela baixaria como linguagem corriqueira, adotadas nos mais altos níveis de uma sociedade embrutecida. Apatifam-nos pelo exemplo. Milícias armadas impõem sua lei do mais forte e mais assassinos com licença tácita para matar. Há uma guerra aberta com a área de cultura e a ameaça de um retrocesso obscurantista nas prioridades de um governo que ainda não aceitou Copérnico, o que dirá Darwin. Aumentam os cortes de gastos sociais, além de cortes em direitos históricos dos trabalhadores. Aumenta a defloração da Amazônia. Aumentam as ameaças à imprensa”, aponta ainda o escritor.

”E aumenta a suspeita de que, na Universidade de Chicago, o Paulo Guedes só assistiu às aulas de bobagens para dizer, caso a economia não deslanche.” completou Veríssimo, para criticar o fato da economia não decolar com Guedes.

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