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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

09
Dez23

Conheça o deputado investigado por chefiar grupo miliciano na Bahia

Talis Andrade

 

Binho Galinha foi o segundo deputado mais votado de Feira de Santana, maior cidade do interior baiano, nas eleições de 2022. Ele e mais 14 investigados são suspeitos de agiotagem e outros crimes.

Por g1 BA

O deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha, é apontado pela Polícia Federal como suspeito de chefiar uma milícia em Feira de Santana, cidade a 100 km de Salvador.

A operação da PF foi deflagrada dia 7 último e, além do parlamentar, outras 14 pessoas são investigadas - entre elas, três policiais militares que seriam o responsáveis por formar o "braço armado" da milícia. O trio está na Coordenadoria de Custódia Provisória, à disposição da Justiça, conforme a corporação.

Milícia investigada em operação da PF atuava há pelo menos 20 anos na BA

 

Conheça o deputado investigado:

👉 46 anos;

👉 Nascido na cidade de Milagres, a 245 km de Salvador;

👉 Morador de Feira de Santana há pelo menos 31 anos;

👉 Se intitula como empresário;

👉 Ganhou o apelido "Binho Galinha", porque já trabalhou em um abatedouro entregando aves;

👉Também já trabalhou como carroceiro e pintor;

👉 Tem imóveis na cidade de Feira de Santana e outros municípios vizinhos;

👉 Em 2022 foi eleito pela primeira vez como deputado estadual, pelo partido Patriota;

👉 Recebeu 49.834 votos e foi o segundo mais votado na cidade;

👉 No site da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), o estado civil dele aparece como solteiro.

 

👉 Após ser eleito, em 2023 o deputado se tornou vice-líder do bloco parlamentar dos partidos MDB/PSB/Patriota/PSC/Avante.

 

Entenda o caso

Binho e outras 14 investigados tiveram mais de R$ 200 milhões das contas bancárias bloqueadas nesta quinta-feira (7), quando foi deflagrada a operação da Polícia Federal em parceria com outros órgãos e instituições, incluindo o Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Segundo a PF, o grupo é investigado por lavar dinheiro de jogo do bicho, agiotagem, receptação qualificada, desmanche de veículos e outros crimes.

Ao longo das investigações, ainda foram apontados que os suspeitos tinham:

👉 inconsistências fiscais;

👉 movimentação financeira incompatível;

👉 propriedade de bens móveis e imóveis não declarados;

👉 indícios de lavagem de dinheiro.

Além dos R$ 200 milhões, outros bens foram bloqueados e mandados de busca e apreensão foram expedidos - inclusive em fazendas e outros imóveis do deputado. Confira:

👉 bloqueio de 26 propriedades urbanas e rurais;

👉 10 mandados de prisão expedidos;

👉 35 mandados de busca e apreensão expedidos;

👉 suspensão das atividades econômicas de seis empresas.

VÍDEO Reportagem de Aguirre Talento mostra que operação deflagrada pela Polícia Federal teve como alvo uma organização criminosa armada liderada pelo deputado estadual da Bahia Kléber Escolano, o Binho Galinha (Patriota). Segundo a PF, o grupo age como uma milícia, explorando o jogo do bicho e praticando agiotagem. Também cobrava dívidas com ameaças de morte e vendia peças de veículos roubados.

23
Nov23

Vemos com muita preocupação os sucessivos casos de desrespeito aos Direitos Humanos. O assassinato da Ialorixá Mãe Bernadete Pacífico

Talis Andrade

 

Investigação, revelação e inquérito concluído

 

por Fábio Costa Pinto

O assassinato da Ialorixá Mãe Bernadete Pacífico, do Quilombo Pitanga de Palmares no município de Simões Filho, na Bahia, cidade da Região Metropolitana de Salvador, no dia 17 de agosto, alertou sobre a segurança dos ativistas que lutam pela terra e seus direitos. A Polícia Civil baiana concluiu o inquérito de investigação do assassinato com cinco suspeitos denunciados.

No dia 04 de setembro deste ano, em artigo no Portal Brasil247, onde sou colunista colaborador, publicamos com o título, “Evidências, revelações e teses. - Mãe Bernadete e seu filho assassinados. Será que na Bahia teremos uma Marielle? Hoje,16 de novembro, a Polícia Civil da Bahia apresentou detalhes da conclusão do inquérito sobre o homicídio da ialorixá, em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (16) em Salvador.

Fruto de um trabalho de investigação sério, cinco foram denunciados por homicídio qualificado por motivo torpe, de forma cruel, com uso de arma de fogo e sem chance de defesa. Um sexto envolvido foi indiciado em outro inquérito, já concluído pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). 

Mãe Bernadete Pacífico, do Quilombo Pitanga de Palmares, foi assassinada no município de Simões Filho, na Bahia, cidade da Região Metropolitana de Salvador, no dia 17 de agosto. Seis anos antes, seu filho Flávio Gabriel Pacífico, conhecido como “Binho do Quilombo”, também foi assassinado. Mãe e filho eram pretos. Defendiam suas terras e os direitos de seu povo.

Segundo a delegada Heloísa Brito, o indiciamento dos cinco suspeitos é resultado de um trabalho meticuloso e colaborativo entre as diversas áreas da polícia, onde foram denunciados Arielson da Conceição Santos, Josevan Dionísio dos Santos, Marílio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus. Foram identificados como responsáveis pela morte da vítima, cuja principal motivação foi à retaliação de um grupo responsável pelo tráfico de drogas naquela região.   

O coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal, André Lavigne, informou em coletiva com a imprensa, que a partir da conclusão do inquérito policial e do oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, os cinco indivíduos, dois mandantes, dois executores e um partícipe, e um sexto envolvido, vão responder a uma ação penal, onde os procedimentos já foram encaminhados a justiça. 

Vemos com muita preocupação os sucessivos casos de desrespeito aos Direitos Humanos, a insegurança pública e as crescentes ocorrências de letalidade praticada pela Polícia, onde está sendo acompanhada pela representação na Bahia da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e demais órgãos de Direitos Humanos, Nacional e Internacional.

Morte de Quilombolas, Indígenas, Negros, Pobres, Mulheres e Crianças inocentes, às vezes sem identificação dos criminosos, crescimento da milícia no estado, que vem desde 2019, além do crescimento do crime organizado, crimes absurdos e desrespeitos às comunidades mais amenas, quando é dever do Estado a garantia de segurança pública prevista pela Constituição Brasileira. Pelo menos, na Bahia, não teremos uma Marielle.   

Milícia - Vem sendo denunciada, por diversos setores da sociedade, em documentos sigilosos, a existência da atuação de milicianos, na Bahia, desde 2003, e esse modelo empresarial de grilagem de terras; expulsão de moradores de aluguel; domínios de bairros inteiros, para exploração imobiliária; crescimento alarmante de grupos de extorsão e extermínio nos bairros mais pobres, além de alianças ao crime organizado terem sido ampliadas logo após a eleição do presidente Jair Bolsonaro, em 2019. O modelo miliciano carioca chegou à Bahia, depois da vinda, para o Estado, de milicianos como Adriano da Nóbrega, entre outros. (morto na Bahia em 2020). 

A Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, tem sido apontados como os piores no quesito da segurança pública por instituições de monitoramento. No governo de Jair Bolsonaro, os órgãos de defesas e de proteção sofreram diminuição de orçamento, falta de compromisso e dedicação aos mecanismos de proteção aos ativistas ameaçados. Isso sem falar na facilidade de obter armas. 

A preocupação com essa crescente escalada de violência em todo o Brasil, deve ser um sentimento compartilhado por todos nós. Requer ações mais enérgicas por parte das autoridades governamentais e do Poder Judiciário de modo a solucionar esse grave problema que tem atingido toda a sociedade. 

Esperamos que continuem sendo firmes as  investigações na Bahia. Que identifiquem os criminosos, os milicianos, e prendam urgente, pois há “peixe” grande nessa bacia. Ou estará nítido a incompetência, omissão e negligência do Estado. 

Termino este artigo com a indignação a flor da pele, com tanto absurdo, mentiras e perseguição a pessoas inocentes. Para o crime, só a punição é o remédio. Cadeia!

02
Nov23

Quem é Capixaba, suspeito de fornecer metralhadoras do Exército à facção de traficantes do Rio que as milícias não precisam comprar têm a graça de suas armas 

Talis Andrade

Jesser Marques Fidelix, o Capixaba, de 30 anos, apontado pela polícia como suspeito de fornecer armas a traficantes do RJ — Foto: Reprodução

Jesser Marques Fidelix, o Capixaba, de 30 anos, apontado pela polícia como suspeito de fornecer armas a traficantes [Um homem com tanto prestígio pelos quartéis não precisa aplicar pequenos furtos em Copacabana, principalmente no 7 de Setembro. Golpe tem que ser cousa grande. Golpe de estado. O golpe militar de 64 pariu bicheiros que fizeram estórias no Rio de Janeiro e outras praças]

 

Por Marco Antônio Martins, g1 Rio

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O Exército e a Polícia Civil do Rio de Janeiro buscam informações para localizar Jesser Marques Fidelix, de 30 anos, suspeito de [penetrar nos quartéis como alma fantasma e] fornecer a criminosos da maior facção de tráfico de drogas do Rio as metralhadoras furtadas do Arsenal de Guerra, em Barueri, São Paulo, em setembro passado.

De acordo com as investigações, Jesser é chamado de Capixaba em um vídeo enviado para traficantes do RJ.

Na gravação, um homem, ainda não identificado, pergunta a ele como embalar as "armas de guerra".

 

Matuto de facção

A Polícia Civil do RJ aponta Jesser como "matuto" - fornecedor de drogas e armas - do Comando Vermelho. Na verdade, um dos criminosos que abastecem a facção carioca.

Mas a ficha policial de Capixaba já é conhecida das polícias Civil e Federal. Com base em São Paulo, Jesser foi investigado pela PF por estar utilizando um veículo roubado, em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.

Na ficha dele [de errante] consta ainda uma investigação por estelionato, no Leme, e casos de receptação. Com endereços no Espírito Santo e em Macaé, no Norte Fluminense, Jesser já foi preso duas vezes, mas foi posto em liberdade dois dias depois, segundo apurou o g1.

 

Mais duas metralhadoras encontradas

Nesta madrugada de quarta-feira (1), a Polícia Civil seguiu os passos de "Capixaba" até a casa de sua sogra, na Zona Oeste do Rio.

Foi até lá e não o encontrou, segundo informou. Os policiais descobriram que o carro clonado utilizado por ele estava no Recreio, na altura da praia da Reserva. Na mala do veículo, entretanto, foram achadas mais duas metralhadoras, de calibre ponto 50, desviadas da unidade em São Paulo, e um fuzil, de calibre 7,62.

Exclusivo: militares desligaram intencionalmente rede elétrica do quartel do Exército de onde 21 metralhadoras foram roubadas — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Exclusivo: militares desligaram intencionalmente rede elétrica do quartel do Exército de onde 21 metralhadoras foram roubadas — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

 

Na semana passada, o g1 mostrou que a Polícia Civil do RJ investigava a informação de que ainda havia no estado duas metralhadoras de Barueri e que um fuzil estava sendo vendido. Era a primeira vez que o Exército trabalhava com a hipótese de desvio de fuzis. Anteriormente, só se falava, entre os investigadores, no furto de metralhadoras (as MAGs e as .50).

O CMSE não tinha fornecido detalhes sobre onde foi feita a apreensão desta quarta e nem se alguém tinha sido preso até a última atualização desta reportagem. Também não havia sido confirmado se as 3 armas na mira da Polícia Civil são as encontradas desta quarta.

 

Outras operações

Nesta terça-feira (31), o Exército e a Polícia Militar de São Paulo chegaram a fazer uma operação conjunta em Guarulhos, na Grande São Paulo, para tentar localizar as últimas 4 metralhadoras furtadas.

Além dessas duas, outras 17 armas já tinham sido reintegradas em outubro após operações conjuntas do Exército com as polícias do Rio de Janeiro e São Paulo.

As autoridades informaram que as armas foram retiradas do quartel por militares (6 são investigados por suspeita de envolvimento direto com o furto delas). E que depois elas foram negociadas com facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV), no Rio, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo. [Não aparece nenhuma milícia. As milícias usam armas emprestadas, retiradas por empréstimo ou serviço oficial, dos arsenais de sempre]

 

As apreensões até aqui

24
Out23

Como empresa de espionagem israelense alvo da PF se espalhou pelo poder público no Brasil

Talis Andrade

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Sergio Moro espionou para os Estados Unidos, comandando uma quadrilha de procuradores da liga da justiça da Lava Jato. Vide tags

 

PRF, militares e governos de 9 estados contrataram serviços de empresa de espionagem Cognyte, agora sob investigação. E Lava Jato plantou escutas, espionou até para os Estados Unidos. A boceta de Pandora 

07
Out23

As dúvidas sobre a morte dos médicos

Talis Andrade
01
Out23

Especialistas em ética jornalística denunciam problemas na cobertura da Lava Jato

Talis Andrade
 
Em determinadas conjunturas, o interesse público é ameaçado pelos interesses políticos e econômicos das empresas
Em determinadas conjunturas, o interesse público é ameaçado pelos interesses políticos e econômicos das empresas - Charge: Carlos Latuff

 

Concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucas famílias interfere no noticiário sobre a operação

Daniel Giovanaz
 

O artigo Considerações sobre a mani pulite, escrito por Sérgio Moro em 2004, é um elogio à operação Mãos Limpas, investigação judicial que aconteceu na Itália na década de 1990. Principal inspiração da Lava Jato, a Mãos Limpas teve um resultado desastroso sob os pontos de vista político e econômico: a Itália tem um dos índices de corrupção mais altos da Europa, e o PIB é praticamente o mesmo de 12 anos atrás. Naquele texto, o juiz paranaense afirma que a mídia teve um papel decisivo durante a operação: “minar” a imagem dos réus junto à opinião pública, deslegitimando os argumentos da defesa.
“A investigação da mani pulite [Mãos Limpas] vazava como uma peneira. Tão logo alguém era preso, detalhes de sua confissão eram veiculados no L’Expresso, no La Republica e outros jornais e revistas simpatizantes”, descreve Moro na terceira página do artigo. “Os vazamentos serviram a um propósito útil. O constante fluxo de revelações manteve o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva. (...) O processo de deslegitimação foi essencial para a própria continuidade da operação mani pulite”.


Olhos abertos
A exemplo do que Sérgio Moro constatou sobre a operação Mãos Limpas, a imprensa brasileira também contribui para o avanço da operação Lava Jato. Ao alimentar boatos sem a devida checagem, promover vazamentos seletivos e “condenar” os réus antes mesmo da sentença judicial, o noticiário brasileiro têm sido um prato cheio para pesquisadores especializados em ética jornalística.
Professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) aposentada em 2016, Sylvia Moretzsohn estuda as relações entre a ética e os dilemas do jornalismo. Segundo ela, é natural que os interesses das empresas de comunicação interfiram nas coberturas, mas os jornais deveriam preservar o senso crítico e a checagem rigorosa das informações.
“O jornalismo não se justifica se não defender causas. O problema é como as defende, se é panfletário ou não. É preciso conciliar isso com uma postura rigorosa na apuração, na divulgação, e não é isso que a gente está vendo”, analisa a pesquisadora. “A mídia passou a reproduzir a ideia de que ‘nunca se roubou tanto’ quanto nos governos PT. E a intenção foi clara: derrubar o governo [Dilma] e fazer um acordo em favor de interesses [econômicos] que estavam sendo suavemente contrariados”, completa.


Superficialidade
Questionada sobre a cobertura da Lava Jato após o golpe de 2016, Moretzsohn afirma que a “fórmula” é a mesma desde 2005, quando veio à tona o caso Mensalão. “É a partir daí que a coisa começa a degringolar de maneira escandalosa: a espetacularização da Justiça, a proeminência do Judiciário como ator político”, critica. “O Mensalão já tem a figura do juiz ‘salvador da pátria’, que foi o Joaquim Barbosa, mas a Lava Jato radicaliza isso, principalmente devido ao juiz de primeira instância, que mais de uma vez optou por condenar sem provas – como no caso do [José] Dirceu. Ele [Moro] está seguindo rigorosamente o script que descreveu no artigo em 2004, de usar a mídia em favor da operação”.
Em meio ao “fla-flu” ideológico, a pesquisadora lamenta que o jornalismo brasileiro apenas reforce o senso comum, apostando em colunistas políticos que associam a Lava Jato a uma luta “do bem contra o mal” – que supostamente levaria ao fim da corrupção. “A responsabilidade de qualquer jornal que não seja fascista é não dar espaço a essas vozes superficiais, que só reproduzem ódio”, acrescenta a pesquisadora. “O respeito à ética é importante, mas não temos um conselho de ética com poder efetivo. Seria interessante se houvesse uma legislação de imprensa que garantisse a liberdade e punisse gravemente essas práticas, que se avolumam na nossa história recente”.
O Observatório da Ética Jornalística (ObjETHOS), vinculado ao Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), possui uma equipe de vinte pesquisadores, responsáveis por publicar dossiês, artigos e comentários semanais sobre a cobertura da imprensa brasileira e internacional. A operação Lava Jato é um tema recorrente no portal do Observatório, justamente por ocupar a maior parte do noticiário político do país desde 2015.
Um dos professores responsáveis pelo ObjETHOS, Rogério Christofoletti afirma que os jornais brasileiros estão “perdidos” na cobertura da Lava Jato. “O tempo da mídia é diferente do tempo do Judiciário. A checagem dos fatos, das informações, é algo que atrasa a publicação. Mas essa é a função do jornalismo”, ressalta. “A mídia precisa questionar o que são provas e o que são indícios, precisa questionar o porquê de todos esses vazamentos”.

Problema estrutural
No dia 11 de maio, Christofoletti publicou um texto crítico à cobertura do jornal paranaense Gazeta do Povo sobre o depoimento do ex-presidente Lula (PT) em Curitiba. Dois dias antes de Moro receber o petista na sede da Justiça Federal, o jornal havia chamado atenção para a importância do evento que estava por vir; na edição de véspera, porém, a capa anunciava que era “muito barulho por (quase) nada”. “É muito cinismo da imprensa!”, descreve o pesquisador no título do artigo.
As revistas semanais de circulação nacional também deslizaram naquela cobertura, segundo Christofoletti, estampando na capa um suposto duelo entre Sérgio Moro e o ex-presidente. A analogia é incorreta porque juiz e réu não são adversários em um tribunal. “Eu não acredito que uma revista como a Veja desconheça a função de um juiz em um processo. Mesmo assim, eles reproduzem essa lógica adversarial porque é algo que chama a atenção do público”, analisa. “Problemas técnicos muitas vezes são, também, desvios éticos”.
Sylvia Moretzsohn compartilha dessa interpretação e reafirma que, desde 2005, a mídia brasileira tem violado princípios básicos do jornalismo, como a checagem das informações antes da publicação de uma manchete: “Os títulos são desmentidas pelo próprio texto. E isso não é só erro de revisão”, concorda.  Para Christofoletti, “a queda da Dilma e a Lava Jato são questões conjunturais, mas o problema do jornalismo brasileiro é estrutural: a mídia brasileira é oligopolizada [está nas mãos de poucas pessoas]”.
O pesquisador do ObjETHOS explica que seis famílias são donas da maior parte das empresas de comunicação do país, cujos vínculos políticos e econômicos nem sempre estão evidentes para o público: “Os meios de comunicação são atores políticos. Se a gente não esquecer disso, será bom para a democracia, bom para o jornalismo, e bom para o público”. Afinal, os interesses das empresas que apoiam a Lava Jato nem sempre coincidem com o interesse da maioria da população: “A gente não pode esquecer que, na Itália, um dos resultados da operação Mãos Limpas foi o [ex-primeiro ministro Silvio] Berlusconi, que, além da questão do autoritarismo e da corrupção, tinha uma relação muito próxima com a mídia corporativa”.
Paralelamente a um processo de democratização da propriedade dos meios de comunicação no Brasil, Christofoletti aposta na transparência como compromisso ético: “O leitor precisa saber de que lado o jornal está, quais os interesses que estão jogo em uma cobertura, saber onde está pisando. Mas a mídia brasileira tem dificuldade de abandonar o discurso da isenção, mesmo que na prática as coisas se mostrem bem diferentes, como no caso da Lava Jato”.


Seis anos de oposição
Em março de 2010, na sede da Fecomércio, a então diretora-superintendente da empresa Folha da Manhã S.A. – que edita o jornal Folha de S. Paulo –, Maria Judith de Brito, declarou: “Na situação atual, em que os partidos de oposição estão muito fracos, cabe a nós dos jornais exercer o papel dos partidos”. Maria Judith de Brito presidia, na ocasião, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ). Seis anos depois, Dilma Rousseff (PT) sofreu um golpe de Estado legitimado pela mídia comercial.
A pesquisadora Sylvia Moretzsohn interpreta a declaração de março de 2010 como uma síntese dos desvios éticos cometidos pelos jornais brasileiros nos últimos anos. “Isso é realmente escandaloso, porque os jornais assumem através de sua porta-voz máxima que estão fazendo oposição”, afirma Moretzsohn. “Não estão fiscalizando os três poderes, como seria até desejável dentro do conceito de ‘quarto poder’, para impedir abusos, mas se colocam na luta política como um partido”, completa. “E fazer oposição é muito diferente de fazer crítica”. In Brasil de Fato, 16 de Junho de 2017

Vídeo: "Lógica da Lava Jato era a mesma das milícias e do esquadrão da morte" 
 

Vídeo: O jornalista e escritor Mário Magalhães disse, em entrevista ao "Jornalistas e Etc" publicada no canal UOL, que a cobertura da Operação Lava Jato foi um dos piores momentos da imprensa brasileira. "Acho que foi feito pouco jornalismo e muita propaganda. Um dos piores momentos do jornalismo brasileiro, que veio sucedido de um grande momento, que foi a cobertura da pandemia, contra um governo de comensais da morte [nome dado aos seguidores de Lord Voldemort, vilão da série Harry Potter]", analisou.
 
 

Vídeo: O ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol negociou em sigilo com as autoridades norte-americanas um acordo para dividir o dinheiro que seria cobrado da Petrobras em multas e penalidades por causa da corrupção. Procurado, Deltan não respondeu aos pedidos da reportagem, realizada em uma parceria entre o UOL e a newsletter A Grande Guerra, conta a reportagem de Jamil Chade e Leandro Demori
 
30
Set23

Jornalismo mundo cão 11 minutos legitimando o genocídio negro ou como a Globo fez uma reportagem irresponsável

Talis Andrade

Print de imagem da reportagem do programa Fantástico, com imagens de drone de suposto treinamento de traficantes.

por Matheus de Moura
in GENI

“Eles estão ali para matar ou morrer e essas imagens mostram que são treinados para isso. Criminosos aprendem táticas de guerrilha onde vive gente que é de paz, as maiores vítimas dessa guerra”, assim começa a narração de uma reportagem do Fantástico que tinha potencial para ser um relevante mergulho na gestão que o Estado faz sobre os ilegalismos que ele mesmo se dispõe a combater e criminalizar, mas que, apesar de tudo, acabou recorrente ao sensacionalismo barato digno da Record às 18h, na hora do café da tarde.

A matéria em questão tem 11 minutos e é trabalhada em cima de filmagens do complexo de 16 favelas da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, captadas pelos drones da Polícia Civil do Rio de Janeiro ao longo de dois anos. As imagens mostram jovens criminosos sendo treinados mal e porcamente por alguém, que pressupõe-se serem agentes de Estado (mais sobre isso depois), para melhorar o desempenho em conflitos armados contra policiais e membros de outros grupos; além disso, fica registrado também o dia a dia das bocas de fumo e o relaxamento de membros das facções em piscinas e quadras esportivas. Ao todo, após dois anos filmando-os, a polícia decidiu indiciar 1.100 pessoas. O que a Globo fez com esse material sintetizado acima?

 

Um show de pânico moral

Nos primeiros minutos, eles fabricam a ilusão de que o treinamento que aqueles relés traficantes de boca de fumo estão recebendo os deixa par-a-par com as forças armadas. Afirmação não só desproporcional, como absurdamente perigosa, uma vez que passa a legitimar midiaticamente uma atuação mais violenta da Polícia. Pois veja: se todo mundo achar que o tráfico é altamente capacitado para aniquilar as forças policiais, ficará mais fácil justificar um aumento no uso de força quando houver incursões às comunidades, as ditas operações.

Desde os tempos narrados por Caco Barcellos e Misha Glenny que os traficantes do Rio recebem treinos de militares e ex-militares. Conheci até, certa vez, um rapaz que, após terminar seu período como fuzileiro naval, repassou todo conhecimento que tinha para os jovens das bocas da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio. Um homem treinando aqui e acolá uma meia centena de rapazes que, em sua maioria, mal entraram na vida adulta versus o treinamento intenso, diário e que perdura por anos de um matador do Estado. É disso que estamos falando. Você pode por quantos treinadores for, mas um traficante nunca terá as condições de enfrentamento que as polícias têm. E isso tanto é prova que, apesar dos relatos decanos da prática de treinos de guerrilha aos criminosos, vê-se que o número de pessoas mortas pela polícia segue sendo de 6 mil em 2022 enquanto o de policiais mortos no mesmo ano foi de 171, sendo que mais da metade sequer estava em serviço. Ou seja, acontece o que acontecer, o Estado é mais bem equipado e treinado para aniquilar o outro, posto que exatamente por isso detém o monopólio da violência. Não é à toa que os entes do próprio Estado são os responsáveis por essa versão vagabunda de treinamento militar. Algo tão visivelmente vagabundo que na própria reportagem da Globo fica visível como os rapazes não conseguem fazer polichinelos ou flexões direito. Não têm pique, força ou técnica.

Outra ponto é que na irresponsabilidade de legitimar o discurso de medo e preparação para guerra que as polícias gostam de propagar aos quatro cantos, a Globo está também legitimando as chacinas e toda a longa jornada de operações que produzem o genocídio negro no Brasil. Basta ver que o Complexo da Maré foi vítima, segundo um relatório do GENI/UFF, de 23 chacinas, com 107 mortos ao todo, isso entre 2007 e 2022, configurando assim o segundo bairro da capital a mais ser afetado por chacinas policiais no Rio de Janeiro, com 107 mortos. Vítimas da violência estatal expressa nas mãos de Polícias que mais nada são do que facções legalizadas.

Ainda assim, independente das mortes e do fato de que os treinadores de traficantes pareçam ser pessoas oriundas do próprio Estado, a reportagem preferiu focar nos anseios e receios que os próprios policiais têm em relação ao panorama atual da criminalidade urbana. Tão afetados pelo discurso policialesco que estão que até a fonte especialista convidada a opinar sobre o fenômeno é o pesquisador Robson Rodrigues, um cientista social da UERJ conhecido por, outrora, ter pertencido às forças de matar do Estado. Este último, ao analisar as imagens dos criminosos em treinamento, não consegue pensar em resposta melhor para o problema do que a famosa ladainha do “investir em inteligência para fazermos operações mais precisas”, como se o problema não fosse a própria criminalização tácita da juventude negra periférica somado às necessidades do próprio Estado em gerar gestões eficientes para as ilegalidades que abarca sob uma tutela nunca assumida.

 

Jornalismo e ideologia

Por cegueira ideológica e contratos não escritos com as forças policiais — que só concordam em ceder imagens impactantes como essas contanto que não haja questionamentos à sua atuação —, a Globo vende a ilusão de um Estado, que deveria ser um agente de justiça, de um crime que é combatível sem que se modifique as estruturas sociais mais básicas, de uma política de segurança pública baseada na disseminação do medo para justificar o uso de força para algo que as próprias forças do Estado geram.

Afinal: a duas principais facções do país (PCC e CV) surgiram em reação às sistemáticas violações de direitos de presos; as milícias surgem e ainda se sustentam a partir de relações ilegais entre policiais e agentes de segurança do Estado num todo que tinham por intenção o lucro maximizado ao dominar territórios marginais da Zona Oeste; o jogo do bicho só se torna um fenômeno empresarial insuperável a partir da ditadura, quando o regime passa a ajudá-los por baixo dos panos; todos os grupos armados do Rio e do Brasil constroem relações econômicas com agentes de Polícias, seja por suborno, contrato ou sociedade em negócios comuns. Poderia citar aqui as inúmeras formas como aqueles mesmos indivíduos que alertam para o medo de um tráfico mais especializado são, na verdade, os gestores de toda a “brincadeira” que decorre no nosso território. Das fronteiras ao tráfico de armas internas, só não enxerga essa complexa teia de relações quem prefere cair no maniqueísmo de nós (bons cidadãos protegidos pela lei) versus eles (os bandidos que merecem ser mortos).

A Globo, com todas as contradições e disputas internas que ocorrem quando repórteres com diferentes visões brigam pela narrativa oficial de uma pauta, acaba por, na maior parte do tempo, produzir reiterações do mesmo discurso punitivo que só serve para derramar o sangue dos meus.

Se tivessem a boa vontade de ir além do que os policiais querem que saia, a produção do Fantástico poderia ter feito uma investigação mais relevante sobre como funciona esse mercado de treinos de táticas de guerras para criminosos, pondo de forma clara o foco de luz sobre a própria produção estatal desses “treinadores do crime”. Se mais responsáveis, poderiam ter avaliado que estão falando de um território sensível ao se falar da Maré, que é dividida entre áreas de domínio armado de milícias e das facções Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro, o Complexo é um raro exemplo de convívio tão próximo de três grupos armados inimigos em um território tão pequeno. Talvez, justamente ao olhar para isso, conseguiriam reportar a verdadeira complexidade das relações entre facções. Certa vez, para uma reportagem que acabou saindo na Ponte Jornalismo, uma moradora da Maré me relatou que, para escapar do ex-abusivo, recorreu ao chefe do tráfico na favela em que morava para que ele mandasse um recado para o chefe da facção inimiga, que dominava o território em que morava o ex. Dito e feito, com o recado dado, o homem nunca mais a perturbou. Esse tipo de história explica muito mais do mundo do que a mesmice Global.

Mas o que esperar de uma equipe que numa reportagem de 11 minutos não soube diferenciar CV, TCP e milícias e não tratou de forma crítica o indiciamento de 1.100 pessoas, das quais, com certeza, a grande maioria ou não é diretamente envolvida com o crime ou pertence à ralé da ralé da hierarquia de suas redes criminais.

23
Ago23

A emergência dos bandidos e matadores de Deus

Talis Andrade

 

Como policiais e “donos do morro” evocam a imagem de um Deus guerreiro e conquistador para justificar violência. Textos bíblicos são usados para perseguir “inimigos” e religiões afro, beirando o fundamentalismo

 

Em junho de 2017, a pesquisadora Viviane Costa, que também é pastora da Assembleia de Deus em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, teve uma surpresa ao dar uma aula de teologia em uma comunidade na região de Parada de Lucas, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Depois que um dos alunos contou ter deixado o tráfico de drogas e se tornado pastor, um tipo de história de redenção a que Viviane estava acostumada a ouvir, um segundo aluno reagiu à história contado pelo primeiro de uma forma que ela não esperava.

 
Para a pesquisadora, a teologia dos traficantes evangélicos não é muito diferente da “teologia perigosa, intolerante, de cerceamento de direitos e de liberdades” de grupos fundamentalistas que formam as “bancadas da Bíblia” nos parlamentos. “Conter o crescimento do fundamentalismo religioso é essencial para a garantia da liberdade de ser, existir e crer”, afirma.
 
Nesta entrevista, Viviane conta que iniciou sua pesquisa determinada a demonstrar que os “traficantes evangélicos” — como os que dominaram a região de Parada de Lucas e criaram ali um espaço conhecido como Complexo de Israel, comandado pelo pastor e traficante Álvaro Malaquias Santarosa, o Peixão — buscavam uma associação impossível do nome de Jesus Cristo com a violência. Ao longo de seu estudo, porém, ao seguir a trajetória de pesquisadores como Marcos Avito, autor de As Cores de Acari (2001), e Christina Vital da Cunha, autora de Oração de Traficante (2015), percebeu que as religiões sempre fizeram parte do mundo do crime e como o nome de Jesus já vinha sendo usado há muito tempo em contextos de violência, tanto por criminosos como por policiais, e como a imagem de um Cristo guerreiro, semelhante ao Deus do Antigo Testamento, responde aos anseios de quem vive aquela realidade.
 
Fausto Salvadori entrevista Viviane Costa
 
 
 
Viviane Costa é formada em história e teologia e mestra em ciências da religião 


Ponte Jornalismo – Como surgiu a ideia de escrever esse livro sobre o tema dos traficantes evangélicos?

Eu começo as minhas andanças no que agora é conhecido como Complexo de Israel — mas na época eu só conhecia como Parada de Lucas ou Cidade Alta — como pastora da Assembleia de Deus, dando aula de teologia nas igrejas da comunidade. Nessas andanças eu identifico as pinturas e as identidades das ruas mudando. Fui conhecendo a favela e entendendo que aquela divindade naquelas pichações tinha uma relação com a prática de fé do dono do morro. Comecei a pensar se aquela relação da substituição das imagens anteriores, de São Jorge e Nossa Senhora, pela frase “Jesus é o dono do lugar”, ou pichações com essa assinatura em determinados lugares, poderia ter alguma relação com o tráfico. Como pastora pentecostal e teóloga, eu vou pensar: “não tem como o nome de Jesus ser usado num contexto de violência”. Fui fazer o mestrado em ciências da religião na Umesp (Universidade Metodista de São Paulo) e estudar a narrativa do crime com essa categoria de fé nesse contexto. E aí eu identifico que não tem como dizer que o nome de Jesus não pode ser usado nesse contexto de violência, ela já está sendo. Então, eu busco tentar compreender como o imaginário desse novo Jesus — guerreiro, valente, vitorioso, com características do Deus do Antigo Testamento, mas também com características de São Jorge — começa a aparecer e a se revelar pra mim nas ruas das favelas e nas leituras da pesquisa.

 

Inclusive na introdução do livro você conta uma experiência que teve, numa aula de introdução ao Novo Testamento, em que um dos alunos era um ex-traficante e outro ainda continuava no movimento do tráfico. O primeiro contava uma história mais comum nas denominações pentecostais, a da pessoa que deixa o crime e identifica essa saída como uma salvação. Já o outro ainda estava no ambiente criminoso, mas mesmo assim se identificava como evangélico e associava as vitórias que ele tinha como criminoso à ajuda de Deus. A sua reação, que você conta no livro, foi a de perceber que não tinha como “dar respostas para realidades que não conheço”. Como foi isso para você?

Eu conhecia o contexto do ex-traficante evangélico. É um perfil que vem sendo muito pesquisado e nós, que estamos no ambiente evangélico, assistimos a muitos testemunhos dessas pessoas que tinham uma ficha criminal pesada e que foram salvas a partir de um encontro com Jesus e da transformação que essa fé provocou no seu modo de ver o mundo e de viver a vida. Mas, naquela experiência que eu vivi em sala de aula, eu estava vendo algo absolutamente inédito para mim: um traficante me dizendo que é necessário ele participar do movimento porque a partir dali tem um emprego, sustenta a família dele, leva alimento pra dentro de casa. E que a prova de que Deus estava com ele é que, numa situação de risco, ele clamou a Deus e Deus livrou a vida dele. Como eu diria pra ele que Deus não estava com ele? É essa a resposta que eu sentia que não podia dar. Eu não podia dizer “você estava em pecado e tinha que ter morrido”. Estava diante de um fato novo: um traficante convertido, estudando teologia, se identificando como evangélico e afirmando que Deus estava com ele. E ali eu não me sentia apta a responder, porque eu entendo que não posso falar sobre a experiência dele. Porque ali já tinha um pouco da cientista da religião também. Alguém que olha para o fenômeno e não se sente no direito de julgar, mas que procura ler e ouvir essa experiência religiosa como algo que acontece no corpo do outro. Aí eu entendi que precisava respeitar a experiência que ele viveu. E fiz uma oração meio que pra fugir da resposta, porque aí eu joguei pra Deus.

 

De fato, no livro você não desqualifica as experiências dos traficantes evangélicos como sendo menos legítimas, mas tenta entender qual é o papel que esse Deus desempenha na vida deles, a partir de uma epígrafe de Rubens Alves: “Homens ferozes e vingativos criam deuses ferozes e vingativos”.

Fui olhar o fenômeno com a intenção de provar que era impossível relacionar o nome de Jesus e o do Deus evangélico com violência. Mas, olhando para o Complexo de Israel, e fazendo leituras do Marcos Alvito em As cores de Acari e falando da pesquisa dele sobre o crime organizado no final da década de 80 e início da década de 90, e como São Jorge, Ogum, Santo Inácio, São Sebastião e Xangô, como essas divindades e orixás aparecem nessa prática e na dinâmica do crime da favela desde a sua gênese, eu percebi que a categoria religião nunca esteve ausente do mundo do crime. Rubem Alves me ajudou a perceber que a relação desse traficante com São Jorge era necessária porque ele precisa de um Deus protetor, que lhe faça justiça, que lhe dê vitória, que o ajude a conquistar outros territórios e a derrotar o seu inimigo. Com a mudança que acontece na religiosidade praticada nas periferias, que acompanha a mudança do campo religioso brasileiro, Ogum e outras divindades presentes nesses lugares são, em certa medida, substituídas ou redirecionadas para esse Deus de Israel, que também é vitorioso, destrói o inimigo, vence batalha e ajuda na conquista de territórios, que é exatamente a leitura que o Peixão faz nas estratégias para o avanço do território e na administração do Complexo de Israel. E aí, lembrando essa experiência da oração que eu fiz pelos dois alunos que tive, pude entender que aquela divindade, que nasce daquele lugar, nasce do cotidiano do crime que se vive na favela. Uma divindade que precisa dar conta dessa vida de violência constante, que precisa ser protetora, violenta, forte, combativa, vitoriosa, justiceira, que é como a figura de São Jorge, como a figura de Ogum e como essa imagem do Deus de Israel.

 

Quem é Peixão e quais as marcas da religião evangélica na trajetória dele no Complexo de Israel?

O que se sabe do Álvaro Malaquias, que é o Peixão — Peixão em referência ao símbolo do cristianismo do primeiro século —, é o que se vê na mídia, nas denúncias que a própria polícia já divulgou e também o que se ouve na comunidade. Ele é cria da comunidade, um homem absolutamente inteligente e estrategista. Segundo informação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Álvaro Malaquias é um pastor ordenado numa igreja pentecostal em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e hoje faz parte de uma igreja pentecostal em Parada de Lucas, que é uma das favelas que compõem o Complexo de Israel. É um homem devoto, que tem uma prática constante de recorrer a Deus pedindo direcionamento para estratégias de guerra, proteção em casos de confronto, que recebe profecias de vitória e as torna pública, que faz orações para que haja segurança nos espaços e que recebe de Deus direcionamentos para avançar, para recuar e para a administração da própria comunidade.

Capa do livro lançado pela Thomas Nelson Brasil

 

Você conta no livro que ele também faz uma oração diária na comunidade.

A oração diária não é exclusiva do Peixão e surge antes mesmo disso. É relatada no livro de Cristina Vital [Oração de Traficante], que fala da experiência religiosa de um outro traficante, que também tinha práticas e símbolos evangélicos. No caso do Peixão, além da prática de fazer orações no rádio, ele compartilha visões e revelações que recebe nas orações no monte ou em casa. Nessa prática religiosa, ele busca em Deus direção e sabedoria para solução dos conflitos locais para organização e administração da comunidade a partir de uma ética local com traços de uma identidade evangélica, em que existe, por exemplo, a proibição do crack, como fruto dessa experiência que ele vive e da compreensão desse Deus evangélico. É assim que se apresenta Álvaro Malaquias, o Peixão do Complexo de Israel, esse pastor ordenado na Igreja Pentecostal na Baixada Fluminense.

 

É um senso comum se chocar com a ideia de Jesus ou do Deus evangélico ser associado à violência, mas olhando historicamente essa associação não é algo que fuja tanto assim ao que se conhece. Tem vários “PMs de Cristo” com dezenas de mortes nas costas e algumas das atrocidades cometidas por policiais militares são até maiores que as dos traficantes. Qualquer guerra tem um capelão que vai ali abençoar a matança por um dos lados. A associação entre cristianismo e violência é tão fora do comum assim?

Se a gente pensa em Jesus da maneira que está narrada e contada no texto bíblico, que é um texto fundante para a fé cristã, é impossível essa imagem de Jesus ser associada à violência. Mas, infelizmente, a associação do cristianismo com a violência é possível. E é possível desde o seu nascimento. Há violências justificadas em nome de Deus e de um cristianismo nascido a partir de leituras realizadas do texto bíblico que se baseiam em uma interpretação que dá vida a um Deus evangélico com a identidade de um Deus de Israel, encontrado no Antigo Testamento. Esse Deus guerreiro, que avança conquistando novas terras para reforçar seu poder, não se parece com o Cristo que se revela no Novo Testamento como a encarnação de seu amor. Quando a gente olha para a teologia católica, que é a base também da teologia reformada protestante, essa teologia é branca, ocidental e absolutamente colonizadora. O movimento de expansão territorial dessa igreja usa como base teológica estruturante o avanço realizado em nome de Deus. Qual é a diferença de quando a gente pensa paralelamente com o Deus do Complexo de Israel? Quando a gente entende também que nos espaços de periferia, como na Baixada Fluminense e na zona oeste, a milícia está presente há algumas décadas naturalizando dominação e violência, na prática de um justiçamento com as próprias mãos, e não há uma denúncia da igreja, nem do senso comum? Nós sabemos que há mortes e crimes que são justificados. Quais crimes são esses? Crimes que são realizados em nome de Deus, desde que institucionalizados. Seja pela mão do Estado, seja pela mão de um grupo de extermínio, seja pela mão do Exército, desde que seja reconhecida e legitimada pelo cristianismo que não se parece com o Cristo. É por isso que entre a narrativa do cristianismo e a imagem de Jesus Cristo há tanta diferença. Quando a gente se distancia da imagem de Cristo e olha para a história do cristianismo e de toda conquista e violência que já foi realizada em nome desse Deus cristão, da expansão de teologias do poder e da prosperidade, é possível, sim, compreender que outras pessoas façam leituras do texto bíblico que relativizem violências como as que ocorrem nos territórios do Complexo de Israel.

Pichação religiosa faz referência ao Terceiro Comando Puro, na Favela da Palmirinha, zona norte do Rio, em 2015 | Foto: Viviane Costa 

 

Sobre esse cristianismo que não parece com Cristo, seu livro e o de outros pesquisadores apontam que, antes da chegada dos traficantes evangélicos, já tinha uma atuação de PMs evangélicos que se colocavam contra as divindades afrocatólicas, identificadas com o tráfico de drogas. Tem um exemplo no livro, do 9º Batalhão da PM, na região de Acari, que trocou uma imagem de São Jorge por um outdoor de “Jesus é o dono do lugar”. Como foi esse processo?

A dinâmica no Rio de Janeiro de disputa territorial é, desde a sua gênese, marcada pela presença da religiosidade dos donos do morro. A polícia conhecia essas dinâmicas e sabia que, quando um território era dominado, a divindade que representa o dono do morro também precisava ser destruída ou substituída. Por isso, quando o 9º Batalhão da PM, segundo afirma Christina Vital, entra em Acari e expulsa a facção dominante, tira da associação de moradores a imagem de São Jorge que está ali exposta, comunicando para os moradores da favela que o antigo dono do morro foi vencido e a sua divindade, também. O que acontece é que, depois de muito pouco tempo, uma placa dizendo que “Jesus é o senhor desse lugar” é colocada na associação de moradores, espaço de representação de poder coletivo dentro de uma favela. Esses agentes do Estado não estão excluídos da transformação do campo religioso brasileiro, que nas últimas décadas deixa de ser hegemonicamente católico com o crescimento dos evangélicos, principalmente em lugares de pobreza. Quando a gente olha o crescimento do movimento evangélico crescendo e vê as conversões de agentes penitenciários, de policiais, jogadores do bicho e traficantes, o Estado também começa a mudar sua identidade religiosa que até então era naturalizada, apesar de não laica — já que havia uma presença católica nas estruturas não só das leis, mas das práticas institucionais do país. Essas práticas institucionais começam a ganhar uma nova identidade, com agentes do Estado sendo agentes de Deus. E os agentes participam dessas dinâmicas de destruição e substituição de signos religiosos em confrontos e disputas por territórios no Rio.

 

Essa realidade dos policiais se colocando como agentes de Deus vai além do Rio de Janeiro. Algum tempo atrás houve o episódio daquele criminoso, Lázaro, perseguido pela polícia de Goiás, e os policiais que participavam daquela operação criaram uma retórica em que eles se colocavam como “anjos de Deus” contra um Lázaro que seria “satanista”. A polícia chegou a invadir terreiros, que seriam locais identificados com as “práticas satanistas” de Lázaro. Qual é o impacto de forças de segurança assumindo lado na guerra religiosa brasileira?

Quando você fala da religiosidade dos policiais nesse caso que você compartilha de Goiás, amplia a compreensão de como o campo religioso brasileiro vem mudando e de que forma a religiosidade tem mudado o modo de viver e de operar não só individual, mas coletivo e institucional. E essa religiosidade se apresenta cada vez mais evangélica e pentecostalizada, em alguns casos com leitura fundamentalista do texto bíblico, uma leitura que também é de uma teologia racista e que, estruturalmente, demoniza a religião do negro. Sendo assim, um policial evangélico violar os direitos de um de um criminoso que seja considerado “satanista” ou devoto de uma religiosidade afrobrasileira, entende-se como a vitória de um Deus evangélico pentecostal contra um inimigo da igreja. Essa relação não será condenada como é condenada uma associação de um traficante com o movimento evangélico. As transformações na religiosidade brasileira, nas religiosidades individuais e coletivas, estão influenciando nas estruturas e equipamentos do Estado, o que é, sim, algo preocupante e urgente para se olhar. Agora… como não ser assim? Como pensar que a religião pode ser um marcador social não importante para um político, um professor, para um agente de segurança pública, que deve cuidar da segurança de todos para todos igualmente? O único caminho para que a religiosidade individual não afete a liberdade religiosa de todos é essa fé não ser fruto de uma teologia fundamentalista. Uma religiosidade fundamentalista é excludente, desconsidera qualquer outra e terá como objetivo oprimir, violentar e impedir que os direitos do outro sejam praticados e assegurados. E esse é o grande perigo de movimentos com uma leitura mais intolerante e fundamentalista: tomarem os equipamentos do Estado e esses agentes do Estado agirem como agentes de Deus.

Personagem infantil Peixonauta usado como referência a Peixão, junto a mensagem bíblica, no Complexo de Israel 

 

A religião do Complexo de Israel é fundamentalista também?

Álvaro Malaquias, o Peixão, é alguém que se identifica como evangélico e estrutura as práticas, as dinâmicas, as estratégias, a ética, a estética, a partir dessa experiência religiosa com características de novos movimentos pentecostais. Ele afirma, por exemplo, que Deus o direcionou para livrar a Cidade Alta do Comando Vermelho destruindo as forças rivais caso fosse necessário. Quando uma experiência religiosa direciona alguém para a destruição de um inimigo, contra vida e a favor da morte, fica impossível associar essa mensagem com a figura de Cristo.

 

Esse fenômeno do Complexo de Israel é uma exceção, uma espécie de curiosidade, ou a gente talvez possa ver algo parecido com essa figura dos traficantes evangélicos aparecendo em outros locais aí do Brasil?

No caso do Complexo de Israel, os símbolos pentecostais não aparecem só na expressão religiosa, mas na dinâmica do crime que acontece nesse território. Esse fenômeno se diferencia com o de outros traficantes que também têm uma aproximação com o movimento evangélico, que participam de cultos, cantam louvores, mas se entendem como indignos de se identificarem como evangélicos, ou com os que têm uma prática de oração e se programam para deixar o mundo do crime para se dedicarem a uma vida consagrada a Deus. Quanto mais essa teologia evangélica pentecostalizada for se culturalizando, mais comum será ver novas leituras e identidades evangélicas surgindo, seja no mundo do crime organizado, seja no ambiente político — que até pouco tempo era raro —, com identidades múltiplas e novas características que até então seriam consideradas muito ambíguas e paradoxais.

 

O fenômeno que produziu os traficantes evangélicos é o mesmo que produziu as bancadas evangélicas nos parlamentos?

O crescimento dos evangélicos no Brasil, a popularização de uma mensagem evangélica, o crescimento das igrejas pentecostais, a transformação de um pentecostalismo clássico em novos pentecostalismos, seja a partir de canais em mídias televisivas, em uma igreja de periferia, ou numa igreja de classe média, vai transformando a sociedade brasileira enquanto também é transformado por ela, o que nos aponta para uma ressignificação das religiosidades populares historicamente católicas sincretizadas com práticas afro religiosas.

 

Mas como fazer com que o crescimento dos evangélicos não se traduza, como no caso do Complexo de Israel e das bancadas evangélicas nos parlamentos, em intolerância religiosa e prejuízo à democracia?

O crescimento dos evangélicos no Brasil não representa, necessariamente, o que era um ideal evangélico no pentecostalismo clássico, que é a manifestação do Reino de Deus aqui na terra, um reino de justiça, paz, igualdade. Uma teologia que aponta mais a abdicação da própria vida por amor a Cristo, na expectativa de uma vida vindoura, do que para um estabelecimento e crescimento terreno. O que fundamenta o crescimento dos evangélicos no Brasil hoje e os projetos de lei que estruturam as disputas de poder é uma outra teologia, perigosa, intolerante, de cerceamento de direitos e de liberdades e que precisa ser contida. Isso para que as liberdades religiosas, inclusive para os evangélicos, possam ser exercidas e preservadas, já que se vive num país plural, de uma cultura múltipla, riquíssima, com religiosidades múltiplas e expressões de fé cada vez mais diferenciadas. Conter o crescimento do fundamentalismo religioso é essencial para a garantia da liberdade de ser, existir e crer.

13
Ago23

Operações policiais e homicídio - parte 3

Talis Andrade

arma chacina.jpg

 

 

por Martin Magnus Petiz

A Terra É Redonda

3.

Anscombe afirmava ter conhecido um “garoto católico” que ficou estarrecido com a afirmação de que civis inocentes foram mortos em Hiroshima e Nagasaki pela bomba por “um acidente.”[xiv] No Brasil, temos a constante sensação de que as populações marginalizadas continuam sofrendo “acidentes” análogos em operações policiais nos grandes centros. A morte de civis por uma bomba atômica é um “efeito colateral” de uma guerra tanto quanto a tortura e o assassinato premeditado de inocentes o são.

Sob o pretexto da “guerra ao tráfico de drogas”, operações policiais homéricas como a Operação Escudo são levadas a cabo todos os meses no país, com alto custo de vidas – para a polícia e para as comunidades. As constantes mortes de pessoas pobres e negras nessas operações deveriam ser abarcadas sob a presunção de que o Estado é responsável por homicídio sempre que não puder justificar a ameaça iminente total de morte do policial sem o uso da violência, sobretudo agora que há disponível a tecnologia das câmeras nas fardas.

Obliterar uma cidade inteira com a arma mais destrutiva construída até 1945 pelo ser humano era definitivamente um caso de homicídio – ou de guerra injusta. Operações policiais têm de ser analisadas caso a caso, mas o princípio geral a ser aplicado na sua avaliação (pressupondo que o combate ao tráfico é uma “guerra justa”) deve ser o mesmo que Anscombe delimitou para julgar as ações dos EUA na 2ª Guerra Mundial, por uma questão de justiça: mesmo se for possível legitimar o uso da força com um fim legítimo de garantia da segurança pública, esse fim não justifica qualquer ação policial, e as circunstâncias razoavelmente previsíveis pelo Estado têm de ser levadas em conta na responsabilização dos agentes policiais.

Afinal, a presunção de inocência e o princípio penal da legalidade são questões de justiça, cujo respeito confere racionalidade à aplicação do direito. Sem isso, a autoridade jurídica degenera na imposição da mera força bruta, conduta típica de Estados policialescos e totalitários. [xv]

 


[i] 16 mortos em 6 dias: o que aconteceu na operação policial no Guarujá. BBC News Brasil, 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2x54ynjzx4o

[ii] MONCAU, Gabriela. Chacina no Guarujá reforça papel da polícia no genocídio negro, afirmam pesquisadores. Brasil de Fato, 2023. Disponível em: < https://www.brasildefato.com.br/2023/08/03/chacina-no-guaruja-reforca-papel-da-policia-no-genocidio-negro-afirmam-pesquisadores

[iii] Ver HART, H.L.A. Prolegomenon to the principles of punishment. In: HART, H.L.A. Punishment and responsibility: essays in the philosophy of law. 2nd ed. Oxford: Oxford University Press, 2008, p. 4 e ss.

[iv] RAWLS, John. Two concepts of rules. The Philosophical Review, v. 64, n. 1, p. 3-32, 1955, p. 11-12.

[v] Ibid., p. 6-7.

[vi] “Cláudia* chegou ao protesto [contra as mortes na Operação no Guarujá] poucas horas depois de enterrar seu tio, morto pela PM na última sexta (28). Evandro da Silva Belém, conhecido na quebrada como ‘Meu bom’, tinha 35 anos. Segundo sua sobrinha, ele estava recolhendo entulho quando policiais chegaram. Alguns saíram correndo. Ele não. ‘Ele não correu porque não devia nada. Arrastaram para um beco e mataram. Ele deixou duas filhas’, contou Cláudia, mostrando o braço arrepiado ao falar do tio. ‘Quer dizer que porque a gente é pobre, tem que ser tratado desse jeito?’, se indigna. ‘Não é operação, é opressão’, resume.” MONCAU, Gabriela. ‘É vingança’: moradores do Guarujá e movimentos sociais denunciam execuções e pedem saída de policiais. Brasil de Fato, 2023. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2023/08/02/e-vinganca-moradores-do-guaruja-e-movimentos-sociais-denunciam-execucoes-e-pedem-saida-de-policiais.

[vii] LIPSCOMB, Benjamin J. B. The women are up to something: how Elizabeth Anscombe, Philippa Foot, Mary Midgley, and Iris Murdoch revolutionized ethics. Oxford: Oxford University Press, 2022.

[viii] Ibid., p. 156-157.

[ix] ANSCOMBE, G. E. M. Modern moral philosophy. In: ANSCOMBE, G. E. M. (Ed.). The collected philosophical papers of G. E. M. Anscombe. Vol. 3: Ethics, religion and politics. Oxford: Basil Blackwell Publisher, 1981, p. 31-33.

[x] ANSCOMBE, G. E. M. War and murder. In: ANSCOMBE, G. E. M. (Ed.). The collected philosophical papers of G. E. M. Anscombe. Vol. 3: Ethics, religion and politics. Oxford: Basil Blackwell Publisher, 1981, p. 52-53.

[xi] Ibid., p. 54.

[xii] LIPSCOMB, Benjamin J. B. The women are up to something: how Elizabeth Anscombe, Philippa Foot, Mary Midgley, and Iris Murdoch revolutionized ethics. Oxford: Oxford University Press, 2022, p. 158-159.

[xiii] ANSCOMBE, G. E. M. War and murder. In: ANSCOMBE, G. E. M. (Ed.). The collected philosophical papers of G. E. M. Anscombe. Vol. 3: Ethics, religion and politics. Oxford: Basil Blackwell Publisher, 1981, p. 58.

[xiv] Ibid., p. 59.

[xv] Agradeço aos comentários críticos de Caio Tolentino e Gilberto Morbach a uma versão provisória desse texto.

26
Jul23

Bolsonaro mandou matar Marielle?

Talis Andrade
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)
 

 

Agora que as investigações estão sem as correntes que as impediam de prosseguir, o crime será finalmente solucionado

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