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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Out21

Relatório da CPI da Covid já nasce histórico

Talis Andrade

 

choro banheiro bolsonaro por aroeira.jpg

 

 

Reinaldo Azevedo no Twitter
 
 
Reinaldo Azevedo
Bolsonaro diz chorar no banheiro. P q não ri um pouco de satisfação com a queda de contaminações e mortes? Porque teria de admitir a efetividade das vacinas. Espinosa ficaria espantando: Bolsonaro é destituído de “afetos de alegria”.

choro bolsonaro miguel paiva.jpg

CPI não pode ter medo do que achou.

Os senadores responsáveis da CPI não podem se intimidar diante do que viram. Bolsonaro devia e podia ter tomado medidas contra a Covid-19 e se absteve. Não cumpriu a obrigação do "cuidado e da vigilância" e criou o risco do resultado que se vê.

cpi da covid.jpeg

 

A CPI executou exemplarmente o seu trabalho. Agora, cabe ao Ministério Público fazer o que deve, muito particularmente à PGR nos casos com foro especial. A terra de experimentalismo e horror homicida em q se converteu o Brasil ficou plenamente caracterizada.

Bolsonaro chama Renan de bandido. Esperado. Dos 11 crimes apontados, o + evidente é o do Art. 267 do Cod.Penal: Bolsonaro CAUSOU epidemia a cada vez q estimulou pessoas - e o fez ele mesmo - a praticar atos pró-patógenos. Qdo. menos, dolo eventual. 10 a 15 anos a cada estímulo!

E, sim, Bolsonaro incidiu, praticamente todos os dias, no Art. 268: INFRINGIU DETERMINAÇÃO DO PODER PÚBLICO PARA IMPEDIR PROPAGAÇÃO DE DOENÇA CONTAGIOSA. Infringiu até lei que ele próprio sancionou. PENA: de um mês a um ano por infração. Só nesse caso, já somaria uns 30 anos.
 

cpi covid dedo.jpg

cpi da covid.jpg

 

 

 

06
Out21

No paraíso fiscal, patrimônio de Guedes melhora cada vez que o Brasil piora

Talis Andrade

 

por Josias de Souza

Em 2014, fugindo do desastre econômico de Dilma Rousseff, Paulo Guedes encontrou nas Ilhas Virgens Britânicas um refúgio para um naco do seu patrimônio. Em 2019, assumiu o Ministério da Economia prometendo um Éden de prosperidade. Precavido, manteve sua riqueza no paraíso fiscal. Nos últimos dois anos e nove meses, dedicou-se a conduzir as finanças nacionais numa excursão pelos nove círculos do inferno. Cada vez que o Brasil piora, o patrimônio de Guedes melhora.

A exposição da offshore de Guedes no caso Pandora Papers ofereceu material para que Augusto Aras abrisse mais uma investigação preliminar, eufemismo para a embromação de um procurador-geral que foge da abertura de inquéritos. O destino da apuração é o arquivo. O ministro já informou que está tudo dentro da lei, tudo declarado. Há, naturalmente, o conflito de interesses. Guedes lida com decisões que afetam seu investimento. Mas nada parece reprovável sob a presidência de Bolsonaro, chefe de uma organização familiar com fins lucrativos.

O número de pessoas dispostas a levar Guedes a sério já vinha decrescendo na proporção direta do crescimento da inépcia do ministro. Agora, o descrédito tende ao infinito. É difícil respeitar quem chama de contribuinte o brasileiro que não conseguiu se esconder do Fisco num paraíso fiscal. Impossível acatar recomendações de um ministro que fica mais rico cada vez que um arroubo do presidente da República eleva a cotação do dólar.

No momento, o governo tenta arrancar do Congresso a reforma do Imposto de Renda. Numa negociação com Guedes, a Câmara excluiu da proposta o artigo que previa a taxação anual de brasileiros que, como ele, guardam recursos em paraísos fiscais. Manteve-se na proposta enviada ao Senado a ideia de criar o imposto sobre dividendos. Guedes acha justo, muito justo, justíssimo que se taxe o próximo. Protegendo-se de si mesmo nas Ilhas Virgens Britânicas, o ministro transformou o fiasco de sua gestão num grande negócio.

 

04
Out21

Paulo Guedes tem offshore ativa em paraíso fiscal

Talis Andrade

 

por MARIO CESAR CARVALHO e GUILHERME WALTENBERG

O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, têm empresas em paraísos fiscais e mantiveram os empreendimentos depois de terem entrado para o governo do presidente Jair Bolsonaro, no início de 2019.

Ambos dizem que as offshores estão declaradas à Receita Federal. Normas do serviço público e da Lei de Conflito de Interesses indicam que os 2 mais importantes responsáveis pela economia brasileira podem ter desrespeitado os procedimentos demandados de altos funcionários do governo federal –o que eles negam.

DECISÕES DO CMN

Ao atuar em seus cargos no governo Bolsonaro, o ministro da Economia e o presidente do Banco Central foram responsáveis diretos por uma decisão que alterou as regras para donos de offshores. Foi elevado o limite valor depositado no exterior que precisa, obrigatoriamente, ser declarado. Essa decisão de Paulo Guedes e Campos Neto, tomada dentro do Conselho Monetário Nacional, é apontada por especialistas como possível conflito de interesses (embora existam nuances entre ambos).

O CMN tem 3 integrantes: 1) o ministro da Economia (presidente do Conselho), 2) o presidente do Banco Central e 3) o secretário Especial de Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia. Paulo Guedes tem o seu nome ligado à offshore Dreadnoughts International Group Limited (a palavra inglesa “dreadnought” é tanto um navio de guerra, um couraçado, como um capote grosso para o inverno rigoroso). Quando a empresa foi criada, em setembro de 2014, ele depositou US$ 8 milhões. Depois, segundo registros obtidos pelo Poder360, a cifra foi elevada para US$ 9,5 milhões até agosto de 2015.

No caso de Campos Neto, há em seu nome duas empresas encontradas nos arquivos analisados por esta reportagem: Cor Assets S/A e ROCN Limited, esta batizada com as iniciais do seu nome (Roberto de Oliveira Campos Neto). A Cor Assets foi criada em 2004 e teve um aporte inicial de US$ 1,09 milhão.

As empresas de Guedes e de Campos Neto estão sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal que virou sinônimo de offshore. No mercado, é comum ouvir “fulano tem uma BVI”, numa referência ao nome do território em inglês (British Virgin Islands). As Ilhas Virgens Britânicas têm esse apelo porque ali não se cobra impostos de offshores. [Leia mais aqui]

01
Out21

A CPI, a impunidade e o nazismo

Talis Andrade

 

por Miguel Paiva /Jornalistas pela Democracia

Ou eles são muito burros ou realmente acham que nós somos burros e eles têm razão e, pior, vão ficar impunes. É impressionante o que assistimos principalmente nas sessões da CPI. Além dos senadores de sempre, os bolsonaristas que repetem a mesma lenga- lenga, temos os depoentes que chegam com menos ou mais arrogância à bancada como se estivessem fazendo um enorme favor ao país e àquelas pessoas ali sentadas à frente. Alguns perdem a arrogância e saem até com o rabo entre as pernas, mas outros usam e abusam do direito que o STF que eles querem destruir concedeu ou então transformam a bancada numa arena de circo para que eles possam exercer seus papéis de animais não domesticados, mas servis ao senhor deles. Triste espetáculo.

O que vimos na sessão do Sr. Luciano Hang foi patético. Acho que foi bom, que serviu à CPI para mostrar quem são as pessoas que fazem parte da entourage do presidente. Foi bom aquele figurino papagaiado e aquela empáfia de botequim. Os senadores precisam só aprender a não cair em tantas provocações. Até entendo que pode ser difícil, mas seria mais eficaz. No dia seguinte ao Hang vai o Fakhoury, figura conhecida do gabinete do ódio, financiador dos sites de fake news, negacionista, homofóbico e que se diz cristão e de família. Eles são todos assim. 

Apesar das respostas imediatas e um tanto quanto ingênuas dos senadores às colocações do depoente, também acho que funcionam. Os senadores e senadoras falam de amor, que um cristão como ele precisa falar de amor. Sim, aí está a ingenuidade em achar que eles estão preocupados com isso, mas é verdade. Não se vê o sentimento amor em nenhuma atitude que parta desse governo. Como não acredito em deus e sim no amor entre as pessoas isso me toca de perto. Sem amor, resta o conceito, no caso autoritário e ameaçador de deus, para manter a ordem unida. Esse deus que eles pregam é um deus estranho, um deus que serve aos interesses de quem prega justamente o contrário do que eles pregam.

Acho que por detrás desta história e de outras está o capitalismo, o bom e velho capitalismo na sua forma mais nefasta, o neoliberalismo. Não dá para dissociar este conceito econômico do autoritarismo político. Um precisa do outro para se manter de pé, porque sozinho, cai. Mas o capitalismo é como esse governo, não tem religião e nem sabe o que é o conceito de deus. No fim do dia eles se juntam para brindar à sobrevivência de seus valores.

Tem um documentário atualmente na Netflix chamado O Homem Mais Perigoso da Europa que mostra a trajetória do criminoso nazista Otto Skorzeny durante e depois da segunda guerra. Skorzeny fugiu para a Espanha e lá, obra do capitalismo, trabalhou como engenheiro e empreendedor, na construção das bases americanas no país. Todos amigos, franquistas, americanos e nazistas. Passa-se um pano e vamos em frente. 

Depois disso, pasmem, na crise entre Israel e Egito, segundo o documentário, Skorzeny foi secretamente contatado pelo Mossad, serviço secreto de Israel, para agir contra os egÍpcios e conseguiu. Skorzeny tinha uma fama enorme porque tinha sido o homem encarregado por Hitler, de quem compartilhava a amizade, para resgatar o outro ditador fascista Benito Mussolini que estava mantido como prisioneiro num hotel nas montanhas. Mesmo com os aliados bombardeando o país Skorzeny chefiou um comando nazista e levou Mussolini para os braços do patrão maior na Alemanha. 

E assim funcionava o mundo. Durante a guerra a Alemanha teve o aval da justiça do país para se manter. Depois da guerra o capitalismo unificou todas as diferenças responsável pela morte de milhões de pessoas sem se sensibilizar com isso e construiu mais bases para a solidificação dos seus princípios. No pós- guerra eram os aliados de um lado e os Soviéticos de outro. Era um pega pra capar e os nazista, é claro, preferiram ficar do lado de cá. E se deram bem. Skorzeny morreu em 1975 na Espanha reafirmando sua ideologia nazista.

Essas mesmas pessoas que hoje estão no poder aqui no Brasil e aquelas que os apoiaram para chegar lá, como fizeram os alemães para eleger Hitler. Sim, ele foi eleito. Aqui também os votos brancos e nulos se juntaram aos votos bolsonaristas com medo do PT porque realmente a esquerda e o PT querem o oposto disso tudo. Mas, essa parcela da população que fechou os olhos hoje os arregala diante das barbaridades que ajudou a construir. 

Repito, não sou cristão nem agnóstico. Sou ateu e só acredito na contingência cósmica e no feito mágico que nós conseguimos ao criar o amor para sobreviver.

Mas não podemos deixar de olhar pra trás e entender a História. Estão todos lá, os mocinhos e os bandidos e ainda há tempo para os bandidos irem presos e os mocinhos se abraçarem e festejarem no fim.

13
Set21

Perigo do apoio de parte dos militares e da PM

Talis Andrade

 

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Lafa no Twitter
 
Ignorância Times - Quadrinhos
Reinaldo Azevedo
Os golpistas se dizem cristãos. A foto abaixo, de um deles, ilustra esse cristianismo. E vamos à semiótica. Veja a foto do “Mito” que foi escolhida. Do cabelo à sombra no rosto que sugere um bigodinho, parece que se busca uma associação de personagens, não? Cristo andava armado?
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Reinaldo Azevedo (@reinaldoazevedo): Acostuma-te à lama que te espera, Mito!

Hildegard Angel
Mérito de Lava Jato, Moro, José Serra, tucanato em geral, jornalistas lesa pátria, mídia corporativa, Temer, Pedro Parente. Todos merecem o banco dos réus por alta traição à Pátria brasileira.Image

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talisandrade
Queiroz assassino e parceiro miliciano de Adriano da Nóbrega que virou arquivo morto.
Juliana Dal Piva
Fabrício Queiroz tietado no RJ nas manifestações antidemocráticas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Na conta dele entraram mais de de R$ 2 milhões de um grupo de 11 assessores de @FlavioBolsonaro.
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A questão nunca foi o tamanho das manifestações golpistas, mas a reação das instituições. Não dá pra minimizar o perigo. São loucos, estão descolados da realidade, mas tem apoio de ao menos parte dos militares e da PM.Image

Charge Falada entrevista LafaAlmanaque Virtual - Cultura em Movimento

Os apresentadores do podcast Charge Falada, Miguel Paiva e Renato Aroeira, entrevistaram na última semana o chargista Daniel Lafayette, o Lafa, cuja trajetória confirma a inesgotável criatividade que garante o permanente surgimento de novos cartunistas.

O artista começou publicando em um jornal de bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em 1995, passando depois a desenhar tirinhas no Jornal do Brasil e na revista MAD. Ainda lançou uma coletânea pelo extinto selo Barba Negra da Editora Leya, chamado Ultralafa. 

O reconhecimento de seu talento mereceu prêmios no Salão Internacional de Humor de Piracicaba e no Salão Carioca de Humor.

Lafa, com sua modéstia, prefere não ressaltar esses prêmios. Exagero da parte dele. Ele merece todos os reconhecimentos. É desenho de primeira com ideias fantásticas

Sobre a motivação de publicar diariamente suas charges nas redes sociais, diz que foi um tiro no pé [o governo] atentar contra a cultura do País, pois mexeu com os chargistas e colocou a categoria mais mobilizada.

“O que não tem a menor graça nesse momento é esta coisa de não poder falar dos militares. Por quê?”, pergunta o convidado.

Miguel e Aroeira atestam que os cartuns de Lafa são, além de tudo, logomarcas, logotipos de humor de grudar nos olhos. Sintéticos e sofisticados como devem ser os desenhos de humor.

O Charge Falada é apresentado por Renato Aroeira e Miguel Paiva, do 247, e produzido pela Rádio GARAGEMImageDaniel Lafayette lança livro de tiras em quadrinhos na La Cucaracha, em  Ipanema - Jornal O Globo

Almanaque Virtual entrevista Daniel LaFayette

por Bruno Rios Evangelista

Daniel LaFayette. Nem digo que é para guardar este nome, pois inevitavelmente você ouvirá falar dele. Embora não seja exatamente um novato (está na ativa desde 1997), este cartunista carioca vem chamando a atenção de fãs e de consagrados quadrinistas com suas divertidas tiras. Daniel foi colaborador da revista independente Tarja Preta e trabalhou no Jornal do Brasil entre 2005 e 2007. Em 2009, juntamente com os cartunistas Tiago El CerdoStêvz e Eduardo Arruda lançou o álbumBeleléu, e a editora Leya/Barba Negra lançou o livro Ultralafa (176 páginas), compilação das melhores tiras publicada no blog do autor.

Almanaque Virtual - Vamos começar com sua biografia: quando começou o seu interesse por quadrinhos? Como foram os "primeiros passos" de sua carreira?
Daniel LaFayette - Comecei publicando num jornal de bairro de Jacarepaguá acho que em 1997. Naquela época não tinha tantas referências e acabava meio que copiando o estilo de alguns caras, tais como Matt Groening, Angeli e Henfil.

AV - Por favor, fale sobre suas maiores influências, sejam elas oriundas do mundo das HQs ou não.
DL - Difícil falar. Ao citar alguns nomes a gente sempre acaba esquecendo de outros tão importantes quanto. Mas tive muita influência de animadores como John Kricfaluzi (Ren & Stimpy), Matt Groening (Os Simpsons) e Mike Judge (Beavis & Butt-head) além dos clássicos da Warner e Hanna-Barbera. Cartunistas que me influenciaram são muitos. Devo citar ao menos Laerte, Angeli, Adão Iturrusgarai e Allan Sieber. Mas são muitos, muitos mais.

AV - O seu primeiro álbum solo pela Leya/Barba Negra. Como surgiu?
DL - Eu já sondava o Lobo (fundador da Barba Negra) desde que ele trabalhava em outra editora. A recíproca também é verdadeira pois já faz tempo que ele também me mostra interesse pelo projeto. Até que a idéia enfim amadureceu o suficiente para sair das mesas de bar e ir parar nas gráficas.

AV. Você publicou em revistas independentes como a Tarja Preta e a Beleléu, mas também trabalhou durante dois anos no Jornal do Brasil. A seu ver, qual a dirença entre aqueles trabalhos mais "underground" e o conteúdo criado para a grande imprensa? Existe a necessidade de "suavizar" o material?
DL - Olha, enquanto trabalhei pro Jornal do Brasil eu fiz o que me dava na telha. Quando fui entrevistado pelo Ziraldo para ver se conseguia a vaga, ele viu meus desenhos e disse pra que eu tomasse cuidado com essa coisa de criticar religião e isso talvez tenha ficado na minha cabeça porque, pensando agora, não fiz muitos quadrinhos falando de religião enquanto trabalhei lá.

AV. Poderia nos contar sobre a experiência em lançar uma revista própria (a Beleléu)? 
DL - A Beleléu é linda. Mas é filha de quatro pais e eu sou o pai menos atencioso dos quatro. Brinco com os outros que eu sou o pai que bebe e maltrata o filho quando chega em casa. Na verdade eu entrei de gaiato na Beleléu, mas acho que acabou fechando perfeitamente com o trabalho do Tiago El Cerdo, Stêvz e Eduardo Arruda. Mas foram eles que deram vida ao projeto. 

AV. A respeito dos seus quadrinhos: você prefere trabalhar com um personagem fixo ou com idéias diversas?
DL - Gosto das duas coisas. Se um personagem me cativa o suficiente para se tornar recorrente nas minhas tiras, então ele naturalmente ganha espaço. Mas geralmente não me preocupo com isso, o que acaba por me fazer criar histórias sem compromisso com um personagem fixo.

AV. Você trabalha com humor em quadrinhos, e no Brasil os quadrinhos de humor geralmente são bem "escrotos", no bom sentido. Mas atualmente existe meio que um ranço do "politicamente correto" na sociedade. Como você lida com isso? Existem limites para o humor, algum tema que você considera tabu?
DL - É, esse lance do "politicamente correto" é complicado, porque as vezes você vê algo "politicamente incorreto" simplesmente por não ter sacado as referências que o cartunista colocou no seu desenho. Se você tiver sido criado numa família ultraconservadora e de repente dá de cara com uma Chiclete com Banana é capaz de você se sentir ofendido. Mas eu acho que quadrinho é pra ofender, também. O Jaguar diz que o cartum tem que ser "uma porrada gráfica". Mas geralmente, o que acontece é um ruído de comunicação. Hora o cartunista não soube passar bem a mensagem, hora é o leitor que não soube ler a piada. Quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo, vira polêmica.

AV. Para terminar, quais são os seus planos para o futuro?
DL - Essa coisa de fazer planos não é comigo. O único plano que tenho é o de saúde. No mais, estamos aí pra ver o que acontece. (Transcrevi trechos de uma entrevista de 09/04/2011)

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04
Set21

Independência ou morte

Talis Andrade

 

por Miguel Paiva /Jornalistas pela Democracia

- - -

Escrevo este texto antes do dia 7 de setembro, o maior enigma político dos últimos tempos. Racionalmente e até com um certo desejo achamos que não vai acontecer nada, mas no fundo todos temos medo, não aquele medo que paralisa, mas o medo da quebra total de regras por parte da direita que quer ver o circo pegar fogo, literalmente.

Para este governo e para a ideologia que o acompanha isso é normal. Não há nada a construir nem mesmo a candidatura do presidente para 2022. Ele sabe que não terá fôlego e, portanto, só sobrevive com o golpe, e golpe hoje em dia tem um significado muito mais complexo. O bolsonarismo aposta na morte. É da morte que ele se alimenta apesar disso se parecer um paradoxo já que morte é fim. Mas várias mortes juntas, a morte como filosofia, acaba fornecendo o que eles querem. 

O fascismo sempre viveu dessa ideologia. Acabar com a política, com os políticos, com os pobres, com as minorias, enfim, com tudo para que o tirano possa governar com suas milícias de estimação impondo a morte como filosofia e como punição para os incautos opositores.

Mas a morte morre cedo. A morte não resiste ao instinto de sobrevivência das pessoas. Por mais que assuste por não entendermos o que acontece depois, se é que acontece, queremos distancia dela. Desde quando damos o nosso primeiro respiro queremos dar o próximo. 

Viver é instintivo para a maioria das pessoas, mas o instinto de morte, a ideologia da morte assusta e acaba arrebanhando seguidores que encaram a morte como solução, desde que seja a morte do próximo e não a sua. É uma espécie de loteria constante como filosofia de vida. Para quem não tem dinheiro essa acaba sendo mesmo uma saída. Acreditar em Deus, na loteria e no caso, no presidente enquanto ele não te escolher para o sacrifício divino. Somos todos cordeiros de Deus em potencial esperando o chamado para o juízo final em Brasília ou o sacrifício em qualquer viela de Rio das Pedras pelas mãos da milícia. 

Este é o medo que estabelece regras. Mesmo não durando, e a História está aí para provar, ele causa muitos estragos. Perdemos um tempo social irremediável. Andamos anos para trás e retomar o caminho tem um custo muito alto. Mesmo que Lula vença as eleições, o trabalho será enorme, mas a vontade de trabalhar também. Sair fora deste ambiente mórbido e perverso vai criar automaticamente uma alegria de viver. Reconstruiremos a vida no Brasil com prazer, passando pelo trabalho, pela saúde, pela cultura e pela liberdade de viver, não de comprar fuzil e não tomar vacina. 

Venceremos a Covid como seria normal em um país democrático e não teremos mais medo de festejar nas ruas. Por enquanto vamos para as ruas defender esse sonho que está ameaçado. E que as ruas voltem a ser palco de festas e não campo de batalhas como eles querem.

 

02
Set21

O Brasil de volta

Talis Andrade

 

 

“Que país é esse?
Terceiro mundo se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão.”
Legião Urbana – Que país é esse?

Viver no Brasil de hoje exige mais do que paciência e boa vontade. É preciso muita capacidade de abstração para conviver com uma permanente tensão institucional. Há tempos não sabemos o que é tocar a vida sem o risco de uma ruptura nas relações entre os poderes constituídos, mesmo para quem não acredita objetivamente na hipótese de um golpe. O brasileiro vive de sobressalto constante, sem tempo para simplesmente cuidar da sua vida. Aquela normal em que se trabalha, lê, encontra amigos, fala da vida cotidiana, de futebol. Hoje, a regra é acompanhar, entre perplexo e atônito, os inúmeros esgarçamentos entre os poderes, sempre liderados por este Presidente sem nenhuma visão do que é uma República.

Todos nós sabemos que o mundo virou um pandemônio com a crise sanitária. Mas, ao observarmos em outros países o enfrentamento do maior colapso do nosso tempo, constatamos, com muita clareza, que o vírus é o inimigo. As estratégias são todas para enfrentar a pandemia, impedir a morte das pessoas, cuidar da economia, dos empregos, da carestia. Todos os líderes mundiais, ou quase todos, se uniram na tentativa de achar uma saída humanitária para o desastre. Dentro do caos sanitário, as pessoas foram encontrando ar para respirar e soluções para não sucumbirem à tragédia. É assim que os países agem quando se sentem acuados, atacados. Uma união interna que tenta superar o inimigo comum e inevitável. Foi assim que o mundo se posicionou.

Dessa maneira, em meio ao pandemônio, as pessoas tentam encontrar suas fugas para manter a sanidade. Saídas criativas entre governos, empresas e cidadãos furam o bloqueio da depressão com o inevitável fantasma invisível da morte. Um elo de solidariedade se formou entre um enorme número de governos, das mais diversas tendências e das pessoas mais díspares. É como se uma mão imaginária estivesse substituindo o toque afetuoso, o abraço amigo. A vida, mesmo desarranjada, tentava manter uma dignidade para não sucumbir à dor da depressão, a fria lâmina do medo. Em resposta ao desconhecido que essa maldita doença nos traz, há uma maneira digna de mostrar empatia e até amor, mesmo entre aqueles que não eram próximos. E, nessa hora, a presença de governos sérios e responsáveis fez a gente entender o porquê o homem optou por viver em sociedade. Um abraça o outro.

No Brasil, o governo resolveu apostar no caos absoluto. Nem centro meu espanto no negacionismo que deu origem a uma boa parte das 680 mil mortes, nem na opção criminosa por receitar remédios sem fundamentação científica, tudo pelo lucro fruto de corrupção e falcatruas. O que mais me causa indignação é o culto à morte, o desdém cínico com o sofrimento, a provocação desumana com a dor das pessoas, o deboche com a ciência. A barbárie, enfim. Não guarda traço de normalidade a personalidade do Presidente da República. É um homem obscuro, angustiado, profundamente ignorante e inseguro. E mau. Dizer que alguém é mau parece de um maniqueísmo primário, mas, no caso concreto, o Bolsonaro é mau, é perverso, é cruel. A dor do outro parece provocar prazer nele. Não é por acaso que o líder dele é o torturador Ustra. Um animal que gozava com a dor nos outros que ele mesmo provocava com a tortura. Não existe nenhum código de conduta que possa descrever tamanha barbaridade.

Pois esse homem dirige o país nesse momento de profunda crise de saúde e faz questão de aumentar o fosso do desespero da população com uma política perversa e com uma postura acintosamente golpista e desestabilizadora. Ao invés de o país estar concentrado em sair da crise, cada um de nós tem que cavar trincheiras para resistir aos ataques idiotas e inconcebíveis do Presidente da República. É um cidadão que causa asco e que humilha o Brasil diante da comunidade internacional. E é ele a crise permanente. Ele que estica diariamente a corda tênue da estabilidade entre os poderes e que testa a toda hora o Estado democrático de direito. Tivesse poder já teria dado um golpe, mas, como é o comandante e chefe das Forças Armadas, nunca devemos desprezar. Lembrando o nosso eterno Chico Buarque, em Roda-viva:

“ A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mais eis que chega a rodas-viva
E carrega o destino pra lá”

Mas o que mais me angustia é o que está sendo feito com o espírito do brasileiro, com os adolescentes, com os trabalhadores. O País deixou de ser um lugar leve e alegre. Mesmo com nossos fossos abissais de desigualdade, o Brasil sabia rir de si próprio e estava sempre na luta com certo humor e ginga. Agora é um país sem luz, onde as notícias de ciência sobre o vírus foram substituídas por notícias de terror sobre o verme. É baixaria, xingamentos sem nenhum pudor, ameaças a pessoas e instituições. Quebra permanente do equilíbrio entre os poderes. Somos uma nau desgovernada. Não bastasse o desemprego assustador, o fato de termos virado chacota internacional, a quebra da autoestima, temos agora que viver sob o pretenso risco da quebra da estabilidade institucional.

É necessário que um Ministro do Supremo escreva brilhante e didático artigo num jornal de grande circulação explicitando as consequências jurídicas se o Presidente atravessar o Rubicão. No alto da sua ignorância, Bolsonaro deve ter entendido camburão. Da mesma maneira, outros Ministros da Suprema Corte se viram na contingência de se posicionarem como que a reafirmar que o Supremo Tribunal manterá a ordem constitucional. Numa democracia, nenhuma demonstração de força ou de normalidade se fazem necessárias. Naturalmente as relações seguem o curso do respeito às instituições. No Brasil de hoje, o óbvio tem que ser dito e repetido. É lembrar
Arnaldo Antunes, na música Comida:

“ Você tem sede de que?
Você tem fome de que?
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte.
…….
A gente quer dinheiro e felicidade.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer inteiro e não pela metade”.

Por isso, no dia 7 de setembro, deveríamos ficar em casa. Aproveitar o feriado. Ler um bom livro. Assistir a um filme ou simplesmente ficar à toa com a família. Não sair e sequer acompanhar esse bando de neofascistas siderados. Não vamos dar palco para esses golpistas. Nem permitir que eles façam provocações e infiltrem os capangas para provocar tumulto e depredações. Eles estão se armando para uma disputa que não nos interessa. A esta altura, quem ainda sai à rua na defesa desses corrupios assassinos não terá capacidade de qualquer reflexão. Eles se merecem. Deixem eles sozinhos. Vamos cuidar de trazer o Brasil de volta. Não vamos deixar que eles roubem também
nossa alegria e nossa esperança. Um desprezo profundo por eles e pelos movimentos deles deve ser nossa resposta. Contra a violência e a barbárie, vamos mostrar que o Brasil tem jeito e que o nosso jeito é com esse bando isolado. Vamos deixar que, na hora certa, o Judiciário e a polícia se ocupem deles. Como cantou o mágico Lupicínio Rodrigues, em Vingança:

“ O remorso talvez seja a causa
Do seu desespero
Ele deve estar bem consciente do que praticou
…..,
Mas, enquanto houver força no meu peito
Eu não quero mais nada
É pra todos os santos
Vingança, vingança
Clamar”.

 
 
 
 
02
Set21

O golpismo no Brasil: de como cumprir a CF é atitude revolucionária

Talis Andrade

 

1. Da epistemologia do golpismo ao manifesto da FIEMG a favor da monetização das fakes news
Na semana passada, falei sobre como os grandes filósofos explicam os golpistas brasileiros. Retomo aqui as frases, todas verídicas. Absolutamente verídicas. Já que, si non è vero...

Assusta, agora, o manifesto da Federação da Industria de Minas Gerais, que atira contra o STF, criticando-o porque estaria julgando contra a liberdade de expressão.

O manifesto mineiro também critica o fato de o Tribunal estar impedindo que dinheiro público seja usado para financiar sites bolsonaristas. Sim, é isso mesmo que você está lendo. A FIEMG concorda com o financiamento de sites que espalham fake news. Vejam por vocês mesmos: “Falamos de investigações e da possibilidade de desmonetização de sites e portais de notícias que estão sendo acusados em inquéritos contra as fake News”.

Interessante é que era de se esperar que uma Federação emitisse uma nota pela democracia e não contra a democracia.

Resumidamente, a Federação faz um manifesto a favor de uma espécie de direito fundamental à ofensa, ao Contempt of Court. Enfim, o manifesto sustenta um direito fundamental a pregação contra a própria democracia que sustenta o direito de a própria Federação se manifestar. Auto-contradição performativa. Esse é o nome. Ou, em outras palavras, ode ao golpismo. É disso que se trata.

Essa é clássica. A liberdade de expressão, a democracia, a Constituição sendo usadas contra elas mesmas, contra seus próprios fundamentos. O STF diz que não pode se pode patifar com dinheiro público, porque a Constituição tem princípios que dizem que não pode patifar com dinheiro público, e bingo, “ativista”! O engraçado é que essas pessoas que não sabem nada de Direito não sabem explicar o que é ativismo.

Bem disse o ministro Lewandowski em artigo na Folha de S. Paulo na data de 29/8/2021: intervenção armada é crime inafiançável e imprescritível. Simples assim. Isso está na Constituição. Além disso, há a jurisprudência do STF, o Código Penal Militar, a Lei de Segurança Nacional e o Código Penal.

Os democratas devemos estar atentos. Não podemos ficar olhando a algo como “A Crônica de Uma Morte Anunciada”, como no livro de Gabriel Garcia Márquez. Bom, não é por falta de aviso. Os golpistas estão nos avisando. Já há tempo. No Brasil, o golpe é anunciado até em outdoor. E cá estamos.

2. Da reunião de filósofos para falar sobre golpe e o golpismo
Muito bem. Fazendo esse repositório, e agora vacinado, pensei que seria uma boa ocasião para reunir um novo encontro de juristas e filósofos do direito na Dacha (como aqui e aqui) para investigar mais a fundo a epistemologia do golpismo. Chamei muita gente e compartilho com os leitores da ConJur os resultados desse encontro epistêmico.

2.1. Austin, positivista, já chegou dizendo: o direito é uma coisa, seus méritos ou deméritos são outra. Seguiu Austin: “Mas os golpistas, que não têm méritos, destroem o direito. E esse é um juízo puramente descritivo!”

2.2. Bentham, que ouvia de canto, disse: “E vou além. Um código ideal deve envolver uma proibição expressa do golpismo!”

2.3. Hart, concordando com os mestres, acrescentou: “ora, como falar em regra de reconhecimento se golpista não sabe seguir uma regra?!”

2.4. Dworkin, esperto, louco para dar uma alfinetada em Hart, disse: “ora, vocês positivistas estariam ocupados demais descrevendo o golpismo. Esse é o problema do positivismo. São a coerência e a integridade do direito que exigem que não haja espaço para golpes, golpistas, golpismos e quejandos!”

2.5. Kelsen, que não gostou da provocação, mas gostou da ideia, já veio dizendo que não tem essa de descrição do golpismo. Como fazer ciência com quem é anticiência?!

2.6. Waldron, que gostava dos dois lados nessa briga que não era briga, já veio colocando panos quentes: “Amigos, vocês sabem que gosto de disagreements. Quem não gosta de desacordos são os golpistas. Que bom que temos o direito para segurar essa bagunça toda. Que se aplique a lei!”

2.7. Shapiro já emendou dizendo que, nessa, Waldron tinha razão: se o direito é a institucionalização de nossos planos sociais, o golpismo patifa com todos os planos.

2.8. Raz, coçando a barba, sacramentou: “o direito reivindica autoridade legítima. E se o golpista G tem as razões 1, 2 e 3 para dar um golpe g*, basta que o direito diga 4 que, 1, 2 e 3 estão cancelados. E o golpista é sempre ilegítimo e nunca é autoridade!”

2.9. Judith Shklar, defensora do legalismo, veio e disse: “Waldron tem razão quando diz que temos desacordos. Mas acho que todos podemos concordar numa coisa: golpismo só é bom para o golpista. E sempre pode surgir outro golpista. Logo, o golpismo é burro. Fiquemos com o direito!”

2.10. E então apareceu Warat. E disse: bebamos vinho, porque discutir golpismo é perda de tempo. Positivistas e dworkinianos, inteligentes que são, concordam que golpismo é estupidez. “Es uma tonteria. Boludez”, concluiu, com seu tradicional portunhol. E arrematou: “Chega de papo. Os inteligentes não precisam, com os burros não adianta. Como fazer uma epistemologia de um vácuo epistêmico?”!

Pois é. Fomos todos para o vinho. Tinha bastante: já estou estocando comida de há muito.

3. # Cumprir a Constituição é atitude revolucionária
Por fim, fica o meu meme ou #: Hoje em dia, cumprir a Constituição é um gesto revolucionário!

Ao final, uma obviedade do óbvio: Cumprir a Constituição jamais pode ser algo que destrua a democracia. Quem usa a CF para falar contra a democracia e fazer ode ao golpismo é inimigo da democracia. Simples assim. Como bem disse o ministro Lewandowski. E todos os filósofos que participaram do convescote na minha Dacha nas montanhas da Serra Gaúcha.

Artigo publicado originalmente no Consultor Jurídico.

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01
Set21

Os pilares da democracia estão hoje sob ataque

Talis Andrade

 

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Reinaldo Azevedo no Twitter

 
Reinaldo Azevedo
Bolsonaro e o "parabelo". A gente é Corisco e não se entrega ao capitão

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Bolsonaro agora se esforça para retirar o caráter golpista do 7 de setembro. Medo de decepcionar a malta. Não nos esqueçamos do q ele mesmo disse no sábado. Terá um de 3 destinos: - morte - cadeia - vitória (do golpe). Ganhar ele não vai. Sou cristão. Q seja a cadeia.

 
Expectativa: Bolsonaro sendo um animador de auditório, falando absurdos sem importância prática, enquanto a mão invisível do mercado e a mão pesada da milicada iriam "mudando o Brasil", Realidade: os prejuízos se avolumam e as perspectivas são péssimas

   Pesquisa 1: Lula poderia vencer no 1º turno; 62% não votariam em Bolsonaro

Pesquisa 2: Petista vence adversários no 2º turno; economia corrói governo
 
Se a eleição fosse hoje, Luiz Inácio Lula da Silva venceria todos os possíveis postulantes...
 
Agro real repudia golpe com uma nota que tem o a coragem que faltou aos bancos/Fiesp que adiaram seu manifesto. É um texto contra o governo? Não se toca, claro, no nome de Bolsonaro, mas é evidente que os pilares da democracia, identificados no manifesto, estão hoje sob ataque.
E quem os ataca é o presidente. Que pilares são esses? Listo: - estado democrático e de direito; - liberdade e pluralismo; - alternância de poder; - inovação e sustentabilidade. É claro que a mensagem tem como destinatário o presidente da República.
 
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Bolsonaro faz da viola um fuzil e do Brasil um cemitério. Que tipo de gente ri desse gesto?

Que tipo de gente ri de piada com a morte? o mesmo tipo de que exporta toneladas de alimentos num país de famintos.

01
Set21

Feijão, fuzil e Araçatuba

Talis Andrade

 

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por Frei Betto


No sábado, 28 de agosto, cometi tremenda idiotice: comi feijoada. Tivesse dado ouvidos a milicianos, teria caído de boca num prato de balas de fuzil. Mas se careço de inteligência, esbanjo memória. Lembro-me do cerco de Jerusalém, no ano 70, comandado pelo general romano Tito, filho do imperador Vespasiano. No desespero da fome dentro da cidade sitiada, moradores ricos clamavam por trocar joias e ouro por um pedaço de pão.
 
Desconfio que os assaltantes dos bancos de Araçatuba trilharam o caminho inverso. Armaram-se de fuzis e bombas para roubar dinheiro e comprar feijão.
 
Devido aos aumentos do gás de cozinha, da gasolina e do diesel, num país cujos produtos trafegam em quatro rodas, somados à alta da inflação e dos preços dos alimentos, falta feijão na mesa do brasileiro. Nos últimos 12 meses, o preço do feijão-fradinho subiu 42,4%. O do arroz, 39,7%. E todos que nascemos ao som do grito do Ipiranga bem sabemos que o bem-estar do brasileiro se apoia em cinco efes: feijão, farinha, futebol, festa e fé.Image

Se o feijão anda escasso na mesa do brasileiro, as armas abundam nos arsenais. Dados do Ministério da Economia informam que, em 2020, nossa população importou US$ 29,3 milhões (equivalente a 150 milhões de reais) em revólveres e pistolas, um recorde histórico. O volume importado foi 2.656% maior que a média da série histórica, iniciada em 1997. Hoje, o Brasil importa mais armas de fogo que bicicletas e lápis.

Segundo Bernardo Mello Franco (O Globo, 29/08/2021), em 2020 praticamente dobrou o número de armas registradas na Polícia Federal. Foram 186 mil, aumento de 97,1% em relação ao ano anterior. E o governo facilitou também o acesso a armas de alto poder ofensivo, como fuzis semiautomáticos, cujo uso era restrito às forças de segurança.

E você, preclaro leitor ou estimada leitora, onde pensa que vai parar a maioria dessas armas, no prato dos brasileiros ou nas mãos de bandidos como os de Araçatuba?

Não é à toa que BolsoNero escolheu como lema de seu governo o verso truncado de nosso hino nacional: “Pátria armada, Brasil”.
 

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