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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

19
Abr22

TCU ACUSA DALLAGNOL PELO DESVIO DE R$ 2 MILHÕES EM DIÁRIAS E PASSAGENS

Talis Andrade

 

Por Miguel do Rosário /Portal O Cafezinho

Saiu na coluna do Lauro Jardim, há pouco, uma notícia que representa mais um golpe contra a reputação da Lava Jato.

A operação hoje é vista, por muitos juristas, como uma conspirata criminosa, manipulada por interesses escusos, políticos e pecuniários, como ficou evidente na tentativa do grupo de procuradores liderado por Deltan Dallagnol de criar um “fundo” de mais de R$ 2,5 bilhões, com dinheiro da Petrobrás.

Houve denúncias variadas de que procuradores se mancomunavam com advogados corruptos para extorquir empresários acusados, em troca de redução de multas e penas menores. Esta é a denúncia do ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran.

Diversos membros da Lava Jato abandonaram o serviço público para se dedicar a serviços milionários de compliance, em escritórios de advocacia que cuidavam das empresas investidas, como foi o caso de Sergio Moro. O TCU tem uma linha de investigação de possível crime contra o patrimônio público cometido por Moro.

Outra denúncia que agora vem à tôna é que os membros da Lava Jato embolsaram cerca de R$ 2 milhões em diárias e passagens áreas que não precisavam ser pagas.

Procuradores recebiam passagens e diárias para trabalhar em Curitiba, ao invés de serem transferidos para a cidade.

Os principais acusados são o ex-procurador geral Rodrigo Janot, e o ex-chefe da Lava Jato no MPF, Deltan Dallagnol.

No caso de Dallagnol, a acusação do TCU prejudica suas ambições políticas, porque pode lhe deixar inelegível, além de lhe fazer perder os direitos políticos.

Abaixo, a notícia publicada na coluna de Lauro Jardim. Em seguida, trazemos um documento obtido com exclusividade junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), com a íntegra do relatório de acusação a Dallagnol e Janot.

Em decisão unânime, TCU responsabiliza Janot e Dallagnol por pagamentos de diárias e passagens a procuradores

Por Naira Trindade

12/04/2022 • 10:55

Em decisão unânime na manhã desta terça-feira, o TCU responsabilizou Rodrigo Janot e Deltan Dallagnol pelo pagamento de cerca de R$ 2 milhões em diárias e passagens a procuradores da Operação Lava Jato.

O Ministério Público junto à Corte considerou que poderiam ter sido usadas opções mais econômicas pela força-tarefa. Eles recebiam para ajuda para trabalhar em Curitiba, como se estivessem numa situação transitória, em vez de serem transferidos para a capital do Paraná, onde passavam a maior parte do tempo trabalhando.

Foram responsabilizados Janot, ex-procurador-geral da República, Dallagnol, ex-coordenador da força-tarefa, além do ex-procurador-chefe do Paraná, João Vicente Romã.

Os ministros acompanharam parecer do relator Bruno Dantas. O imbróglio pode afetar a intenção de Dallagnol em disputar as eleições deste ano. Caso o tribunal condene o ex-procurador, em novo julgamento que deverá entrar na pauta somente em 60 dias, Dallagnol pode ser considerado inelegível e perder os direitos políticos.

O documento do TCU, com a íntegra da decisão contra Janot e Dallagnol, pode ser baixado aqui.

08
Fev22

ACIDENTE NA LINHA 6 É RETRATO DA MISÉRIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL BRASILEIRA PÓS-LAVA JATO

Talis Andrade

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Por Miguel do Rosário

São três os principais culpados pelo acidente no metrô de São Paulo – que rompeu uma tubulação de esgoto, destruiu possivelmente anos de trabalho, e atrasou ainda mais uma obra essencial para a mobilidade urbana na maior cidade do país:

1) O governo de São Paulo, em primeiro lugar, que tem a obrigação de fiscalizar. E não o fez. Não é perdoável que os responsáveis do governo não soubessem que havia uma tubulação de esgoto da Sabesp ao lado da obra. A Sabesp não tem um mapa de suas tubulações?

2) A empresa que toca a obra, em segundo; cometeu um erro estúpido, imperdoável, cujas consequências estão sendo sentidas pela população paulista.

3) A Lava Jato, que promoveu uma verdadeira hecatombe no universo da construção civil e engenharia do país, quebrando as principais empresas nacionais do setor, deixando um rastro de destruição do qual o acidente desta semana é um dos capítulos.

Sobre o item 1, o eleitor vai resolver em outubro. O neoliberalismo tucano vem desmontando as estruturas públicas do estado há mais de vinte anos, e o preço vem sendo pago, com ágio altíssimo, com esse tipo de acidente. Essa deve ser uma das razões para o desgaste do PSDB, e para o favoritismo da oposição, segundo pesquisas, nas eleições estaduais deste ano.

O item 2 é um ponto que está sob investigação. A responsabilidade das empresas Linha Uni e da Acciona deve ser apurada com rigor. Espera-se, porém, que o bom senso pravaleça dessa vez, e entenda-se que, em se tratando de obras de interesse público, o foco absoluto deve ser, sempre, entregar resultados com segurança e celeridade, ou seja, concluir a obra! Ou seja, que se investigue a fundo, e que se puna severamente os responsáveis diretos, mas sem paralisar nenhuma obra de infraestrutura essencial!

Entretanto, o item 3 é o que merece um profundo debate nacional, porque aí está em jogo não apenas uma obra regional, por mais importante que seja, mas o próprio destino do país.

O acidente reflete uma das mais letais doenças brasileiras, a indiferença das nossas elites – incluindo aquelas com posições de autoridade no Estado – com o problema da infra-estrutura.

Para uma nação, especialmente uma nação com grande população, infra-estrutura significa vida.

Talvez seja necessário dar um passo adiante na conceituação de desenvolvimento econômico. As pessoas não entendem mais o que seja desenvolvimento. Este é um vocáculo, um conceito, uma ideia, que perdeu o sentido na cabeça dos brasileiros.

Então usemos outras palavras, mais próximas do interesse egoísta de cada indivíduo: vida e dignidade. Para que nossos filhos – ou os filhos de nossos próximos, além de nós mesmos – possam viver no Brasil com um mínimo de dignidade, ganhando a vida, honestamente e em segurança, é preciso que o país ofereça uma infraestrutura compatível com seu tamanho.

Infraestrutura energética, hídrica, e no transporte de pessoas e mercadorias.

Com a pandemia, ficou mais claro a correlação, por exemplo, entre um bom sistema de mobilidade urbana, e a vida humana. Tivéssemos, em nossas grandes cidades, sistemas menos congestionados de transporte, muita gente poderia ter evitado a contaminação pelo coronavírus.

A consequência mais dramática do acidente na Linha 6 é mais atraso na conclusão da obra, o que resultará em menos qualidade de vida para milhões de pessoas que desfrutariam de uma nova linha de metrô.

Quando a Lava Jato promoveu a destruição das grandes empresas nacionais de engenharia e construção civil, incluindo aquelas eram responsáveis pela construção da Linha 6, o egoísmo alucinado de nossas elites ficou patente. Os super-ricos não andam de metrô. Procuradores e juízes não andam de metrô. E não parecem interessados que outros tenham oportunidade de utilizar um meio de transporte que significará uma expressiva economia de tempo.

Aparentemente, estes setores do serviço público esqueceram, inclusive, que seus salários são pagos pelo trabalho daqueles que… andam de metrô.

A Linha 6 deveria ter sido concluída em 2020. A Lava Jatou deixou a obra paralisada entre 2016 e 2020, porque o Estado brasileiro abriga irresponsáveis, mais interessados em posar de (falsos) herois nacionais do que em promover, de fato, o bem público. A estimativa é que agora a obra será entregue apenas em 2025 ou 2026 – e essa estimativa foi feita antes do acidente.

Espera-se que, ao menos, o Brasil tenha aprendido com a experiência, e que o país crie anticorpos não apenas para o coronavírus, mas sobretudo para a doença do justiçamento irresponsável e inconsequente que observamos no lavajatismo. O país precisa modernizar sua infraestrutura, e o Estado brasileiro tem de atuar para ajudar, agilizar, fiscalizar, vigiar, sempre consciente de que o objetivo precípuo de cada servidor público é de assegurar o desenvolvimento e, sobretudo, a sobrevivência do país!

PS: Assista, no Twitter abaixo, Eduardo Oinegue, âncora da BAND, dando um recado importante sobre o papel da Lava Jato no acidente da Linha 6. Espera-se que outros meios de comunicação tenham a (má) consciência do papel que jogaram na alimentação do monstrengo judicial que devorou o sistema nacional de construção civil, derrubando a economia brasileira, piorando a nossa representação política (temos mais corruptos no poder do que antes) e desequilibrando perigosamente o Estado democrático de Direito.

08
Fev22

TRAIDORES DA PÁTRIA ENTERRAM O PROGRAMA NUCLEAR E O FUTURO DO BRASIL

Talis Andrade

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LAVA JATO PRENDEU ALMIRANTE OTHON A SERVICO DOS INTERESSES DOS EUA  (Entreguismo, parte 2)

 

Por Miguel do Rosário

Voltemos ao caso do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, herói nacional transformado em bandido pelos espiões dos Estados Unidos e traidores do Brasil.

Após o seu caso ser distribuído para o Rio de Janeiro, o almirante Othon seria condenado pelo juiz Marcelo Bretas, em sentença assinada no dia 3 de agosto de 2016, a 43 anos em regime fechado. Ainda naquele fatídico agosto, no dia 31, o Senado decidiu, por 61 votos X 20, pelo afastamento definitivo da então presidenta Dilma Rousseff. Tristes anos, em que só ouvíamos falar de prisão, destituição, paralisação. Os improdutivos, que não inventam nada, que não ganham eleições, que apenas se regozijam diante da tragédia alheia, haviam vencido.  

Na sentença que o condenou, página 44, Marcelo Bretas nos informa que, após uma minuciosa devassa na vida bancária do Almirante Othon Pinheiro, os investigadores concluíram que ele recebeu exatamente R$ 3,4 milhões de “propina”, pagos pela empreiteira Andrade Gutierrez, entre os anos de 2007 a 2015. 

A versão do almirante era de que se tratava de um acordo firmado entre ele e a empresa em 2004, um ano antes dele assumir a presidência da Eletronuclear, para a prestação de um serviço de consultoria sobre o futuro da energia nuclear no Brasil. 

Segundo o almirante, ele procurou mostrar à empresa que o modelo energético brasileiro estava obsoleto, pois desde os anos 80 o país mantinha o mesmo volume de água em seus reservatórios, ao passo que a demanda havia se multiplicado várias vezes. 

A solução que vinha sendo aplicada, de uso de termoelétricas movidas a diesel, carvão ou gás natural, acarretava em custo muito alto ao contribuinte e às indústrias nacionais, além de extremamente poluente. 

Como o Brasil possui grandes reservas de urânio, a resposta mais inteligente aos riscos de desabastecimento seria ampliar o uso da energia nuclear como o principal complemento às hidrelétricas. Quando faltasse chuva, ligava-se as termonucleares.  Enquanto isso, o Brasil poderia seguir investindo em energias ainda mais seguras e limpas que a nuclear. Ele mesmo, Othon, tinha uma ideia: o desenvolvimento de micro-hidrelétricas, que poderiam ser instaladas em pequenas quedas de água em todo país. 

Um dos pontos realmente grotescos da acusação do Ministério Público contra o almirante, e que também consta na sentença de condenação de Bretas, é o desprezo pelos conhecimentos de Othon Pinheiro enquanto engenheiro nuclear. Os procuradores declaram, e Bretas chancela, que a consultoria de Othon é superficial, inútil, e que não vale os R$ 3 milhões pagos ao longo de 11 anos!

Em 28 de janeiro de 2022, Sergio Moro, agora ex-juiz e ex-ministro, declara que ganhou o equivalente a R$ 3,5 milhões por 11 meses de trabalho para a empresa americana Alvarez & Marsal.

Diante das acusações, vindas de diversas partes, incluindo o TCU, de que esse valor poderia ser visto como uma espécie de propina, Deltan Dallagnol, que também desistiu do serviço público, o mesmo Dallagnol que outrora se mostrara tão duro com o almirante Othon, veio a público defender Sergio Moro e dizer que a Lava Jato estaria sendo “perseguida”. 

Moro pode ganhar R$ 3,5 milhões em 11 meses, sabe-se lá por que serviço, e o almirante Othon, o maior engenheiro nuclear da história brasileira, não pode auferir R$ 3,4 milhões em 11 anos?

Em 25 de setembro de 2017, a Reuters informa que, segundo publicado no Diário Oficial da União, a Eletronuclear assina o seu primeiro contrato com a Alvarez & Marsal, no valor de R$ 3,86 milhões…

Desde então, tem sido difícil seguir o quanto a Alvarez recebeu da Eletronuclear, porque novos contratos e aditamentos se sucedem frequentemente. Encontrei notícia de aditamento de R$ 503 mil, assinado em 13/09/2019, e de um novo contrato de 25 de maio de 2020, de R$ 1 milhão. Sempre com a Alvarez & Marsal. 

Além disso, as relações entre essas grandes firmas americanas de advogacia, especializadas em processos de corrupção de alcance internacional, e a comunidade de inteligência dos Estados Unidos, são profundas. 

Nossa conhecida Hogan Lovells, por exemplo, que espetou recentemente uma conta de R$ 400 milhões na Eletrobras, para “ajudar” a estatal a enfrentar os problemas que a Lava Jato gerou junto a Justiça americana, tem entre seus quadros o advogado Timothy S.Bergerer, que foi o último diretor de equipe do Comitê de Inteligência do Congresso, órgão responsável por supervisionar todos os serviços de inteligência ligados ao governo.

Bergerer foi também, durante doze anos, o chefe de gabinete do deputado democrata Adam Schiff, presidente do mesmo Comitê desde janeiro de 2019.

No dia 2 de fevereiro de 2022, 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF-2) formou maioria em favor de uma brutal redução na pena de Othon Pinheiro. 

Ao invés de 43 anos, o desembargador Antonio Ivan Athié, relator da apelação, sugeriu 4 anos e 10 meses. 

Ele foi seguido pela desembargadora Simone Schreiber. A turma tem apenas três nomes. O desembargador Flávio Lucas, o terceiro voto, pediu vistas. O julgamento deverá ser finalizado em menos de 30 dias. Procurado, o advogado Fernando Augusto Fernandes, responsável atual pela defesa do almirante, explicou que não pode se manifestar antes do resultado final. Mas apuramos junto a outras fontes que é certo que a defesa deverá pedir a anulação do processo junto ao STJ.

O argumento principal da defesa é que as acusações contra o almirante são exclusivamente baseadas em delações de empresários intimidados pelos procuradores. 

Além disso, numa outra reviravolta, o próprio juiz que condenou Bretas também foi citado por um delator, o advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho, que revelou diálogos que manteve com Bretas. Num dos diálogos, Bretas dá a entender que a severidade na condenação do almirante Othon, 43 anos em regime fechado, teria a função de assustar outros réus, para fazê-los pagar propina ao juiz, em troca de “alívio” na sentença. 

Uma outra mutreta descoberta pela defesa do almirante envolve a cooperação internacional “selvagem” entre a Lava Jato e órgãos de investigação de outros países.  Numa das denúncias contra Othon, os procuradores revelam saber o valor exato da quantia que ele mantinha numa conta no exterior, US$ 185 mil, antes mesmo de obterem autorização judicial para quebrarem o sigilo bancário do réu em eventuais contas que possuísse no estrangeiro. 

Bretas também ignorou o fato de que a referida conta foi devidamente informada ao Banco Central e à Receita Federal em agosto de 2015, antes que a denúncia fosse aceita pela justiça brasileira. 

Entretanto, o mais chocante, em todo o processo envolvendo o almirante Othon é o ódio, o desprezo, e mesmo a crueldade com que procuradores e juízes do caso tratam um cientista com um tal histórico de serviços prestados ao país.

Esse ódio ao Brasil que produz, que inventa, que desafia o mundo, é impressionante. 

A postura de tratar o almirante como inimigo público nacional é visível tanto no despacho de prisão de Sergio Moro, em julho de 2015, quanto na coletiva dos procuradores da Lava Jato, dada no mesmo dia da prisão. 

O procurador Athayde Ribeiro Costa é a voz mais estridente dessa coletiva, que recebe uma cobertura totalmente sensacionalista da grande mídia, a começar pela Globo

Costa solta frases de efeito, como a de que a corrupção no Brasil tinha se tornado uma “metástase”, ou seja, associando o almirante Othon Pinheiro a um câncer. Detalhe, naquele momento a denúncia não havia sido sequer recebida. Não havia ainda nenhuma condenação objetiva, jurídica, do almirante. Mas a condenação midiática já era definitiva, mortal. 

GDPAPE: Notícias

 

Quando o caso é distribuído ao juiz Marcelo Bretas, no Rio de Janeiro, esse ódio ao almirante é ainda mais explícito. Mesmo sabendo que o almirante era um idoso com quase 80 anos, que cuidava da esposa doente (mal de Parkison), Bretas mandou que o cientista saísse de sua prisão domiciliar e fosse conduzido a uma unidade militar, na Base de Fuzileiros Navais, em Duque de Caxias. 

Neste local, o almirante pedia para ligar para sua esposa diariamente, para saber se ela estava bem, usando um telefone da unidade. Bretas, informado disso, reagiu furiosamente, e ordenou que o almirante fosse levado a um presídio comum, Bangu 8, zona oeste do Rio. 

Para Bretas, o vice-almirante desfrutou de regalias “absolutamente incompatíveis com a custódia preventiva”. Algum tempo depois, a defesa conseguiu transferi-lo novamente para uma prisão militar. 

Em todas essas ocasiões, o Ministério Público e o juízo de primeira instância, sempre tentou, a todo o custo, manter o almirante nas piores condições possíveis. A transferência de Bangu 8 para uma unidade militar só ocorreu por decisão da segunda instância. 

O almirante então tentou o sucídio, por enforcamento, mas foi impedido por uma das oficiais de plantão na unidade militar. 

Em algum momento, a justiça será feita para o almirante Othon Pinheiro. Espera-se que isso se dê ainda em seu tempo de vida. A truculência com que ele foi tratado nos últimos anos, por servidores públicos desprovidos de qualquer senso de soberania nacional, de sensibilidade humana, e que pelo jeito sequer conhecem o Direito, não poderá ser apagada. Por isso mesmo, essa história deve ser contada e recontada, para que, no futuro, não venha a se repetir. 

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08
Fev22

LAVA JATO PRENDEU ALMIRANTE OTHON A SERVICO DOS INTERESSES DOS EUA

Talis Andrade

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Por Miguel do Rosário

 

Quando historiadores se debruçarem sobre a Grande Guerra Jurídica (lawfare, em inglês), iniciada em março de 2014, com a Lava Jato, e que hoje vive seus últimos estertores, deverão prestar atenção especial a um de seus capítulos mais grotescos e emblemáticos: a prisão e condenação do Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva. 

Sigam a linha do tempo. Ela vai nos ajudar a entender o desenvolvimento não apenas de uma brutal injustiça, mas de algo bem mais sinistro: o ataque à soberania energética do país. 

Em alguns momentos sairei da ordem cronológica, mas logo volto. 

Em 8 de abril de 2015, o então ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, foi o principal convidado da Comissão de Infraestrutura do Senado, onde apresentou o projeto do governo federal para os investimentos em energia nuclear ao longo dos anos seguintes. 

Braga disse que o governo planejava ter um total de 15 usinas nucleares em operação no Brasil até 2050, e informava que o Ministério da Fazenda já havia liberado os recursos para a conclusão das obras de Angra 3. 

Para efeito de comparação: os Estados Unidos, que são o maior produtor mundial de energia nuclear, possuem hoje 99 reatores nucleares em funcionamento, contra apenas 2 do Brasil. A energia nuclear corresponde a cerca de 20% da matriz energética dos EUA, e 10% do mundo. Alguns países são especialmente dependentes da energia nuclear, como França (onde a energia nuclear corresponde a 71% da matriz), Bélgica (50%), Suécia (40%), Suíça (33%) e Coréia do Sul (27%).

No caso do Brasil, a energia nuclear responde por apenas 3% da nossa matriz. 

O Almirante Othon Pinheiro foi preso no dia 28 de julho de 2015, por determinação do então juiz Sergio Moro. O despacho de Moro é uma obra de ficção jurídica, oportunismo político e crueldade humana.  Dou um exemplo de crueldade: Moro fez questão de autorizar, no texto, o uso de algemas num senhor quase octogenário, que era o mais importante engenheiro nuclear do país. 

Ainda em julho de 2015, a Eletrobras, controladora da Eletronuclear, pressionada pela Lava Jato, assinou seus primeiros contratos com a Hogan Lovells, consultora americana especializada em crises. Os valores começam em alguns milhões, mas logo atingirão, em poucos anos, o montante de quase R$ 400 milhões, segundo apuração da revista Época, publicada em 26 de janeiro de 2018. 

Alguns meses depois, em setembro de 2015, a Lava Jato ganhou seu primeiro prêmio internacional, concedida pelo Global Investigations Review (GIR), um “site jornalístico” especializado em investigações sobre corrupção, sobretudo aquelas conectadas ao famigerado Foreign Corrupt Act, uma lei americana que permite à justiça americana processar empresas estrangeiras. Com base nessa lei, empresas como Odebrecht, Eletrobras e Petrobras iriam desembolsar bilhões de reais em multas a acionistas privados americanos ou ao governo do país.  

Na cerimônia de premiação, três procuradores da Lava Jato estiveram presentes em Nova York, representando uma equipe de onze membros: Carlos Fernando dos Santos Lima, Deltan Martinazzo Dallagnol e Roberson Henrique Pozzobon.

Enquanto os procuradores participavam do regabofe em Nova York, a Eletrobrás anunciou a paralisação das obras de Angra 3. Até hoje, fevereiro de 2022, elas não foram retomadas.

A propósito, em outubro de 2015, a Petrobras divulgou um comunicado, admitindo que tinha contratado empresas americanas de advocacia, como a Gibson, Dunn & Crutcher LLP, para lidar com a crise provocada pela Lava Jato. Algum tempo depois, o Conjur publicaria uma reportagem informando que a Petrobras pagou R$ 573 milhões a escritórios americanos de advocacia. 

O Global Investigations Review, que deu o prêmio a Lava Jato, é um site patrocinado e controlado por grandes firmas de advocacia. Entre elas, a Hogan Lovells e a Gibson, Dunn & Crutcher. 

Vamos saltar alguns anos. Em 27 de setembro de 2021, Wilson Ferreira Jr, ex-presidente da Eletrobrás, e hoje à frente da Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, declarou amargamente, em entrevista ao jornal O Globo, que “se Angra 3 estivesse aqui, estaríamos com certeza sem problema e com um custo bem menor”. Naquela data, o Brasil vivia a pior crise hídrica em 91 anos, e que apenas havia sido contornada pelo uso intensivo de nossas termoelétricas, movidas a diesel, carvão e gás natural. 

Ferreira lembrava que, das 430 usinas termonucleares em operação no planeta, Angra 1 e 2 estavam entre as dez mais eficientes. 

Em novembro de 2021, o jornal Valor Econômico publicou estudo feito por três conceituadas organizações, o Instituto Clima e Sociedade (iCS), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), segundo o qual a crise hídrica daquele mesmo ano iria custar, numa estimativa conservadora, R$ 144 bilhões aos contribuintes brasileiros. 

Taí mais uma conta para espetar nas costas da Lava Jato!

Voltemos ao caso do almirante. Essa história deve ser contada e recontada, para que, no futuro, não venha a se repetir. (Continua)

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A usina nuclear Angra 1 da Eletrobras (Foto: Vanderlei Almeida/Getty Images)

Angra 1 da Eletrobras (Foto Vanderlei Almeida)Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (Angra 1), situada no município de Angra dos Reis, Rio de Janeiro.

 Angra 2
Angra 3
Usina Nuclear de Angra 3 e a Operação Lava Jato, artigo de Heitor  Scalambrini Costa
RETOMADA DE ANGRA 3 TERÁ NOVO PASSO NA SEMANA QUE VEM E ELETRONUCLEAR  ESTUDA AMPLIAR OS CICLOS DE SUAS USINAS | PetroNotícias
 
Angra 3, paralizada pelos traidores da Pátria, pelos inimigos do Brasil
 
08
Dez21

'Não duvido que Moro seja agente da CIA'

Talis Andrade

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Revista Fórum - Leonel Brizola Neto (PT-RJ) fez duras críticas a Sergio Moro (Podemos), pré-candidato à presidência da República em 2022. Em entrevista a Miguel do Rosário, no Jornal da Fórum desta terça-feira (7), o ex-vereador vinculou a candidatura do ex-juiz à Rede Globo.

“Está claro que o Sergio Moro é o candidato do imperialismo norte-americano. Ele foi gestado para isso. Não duvidaria se ele fosse um agente da CIA no país, como há vários outros aqui infiltrados. Ele é o candidato da Rede Globo, que tem um tesão pelo Moro, não sei se acha ele o Marlon Brando”, afirmou.

“O Moro vem de morosidade, um cara parado, que não sorri. Ele parece um cara sádico. Acho que ele tem prazer na tortura. Ele é muito pior do que o Bolsonaro. Qual é a questão dele? ‘A fome é uma questão internacional e eu não vou resolver. O que eu vou dar é mais prisão e mais pancada’. E quem é que vai preso e vai receber mais pancadas? Os pobres e os inimigos que o denunciarem”, destacou Brizola Neto.

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Mais uma história de injustiça e perseguição

Como um simplório e desconhecido juiz federal, antes de comandar a Lava Jato e destruir a engenharia nacional, trazendo prejuízos bilionários ao Brasil, Sérgio Moro já mostrava sua atuação política e profundamente antipopular ao liderar uma operação judicial que perseguiu implacavamente agricultores familiares e servidores públicos. Leia reportagem de Isaías Dalle 

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30
Nov21

Zanin desconstrói livro de Moro e aponta crime contra a advocacia

Talis Andrade

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247 - Advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins afirmou pelo Twitter nesta terça-feira (30) que "uma leitura preliminar já foi o suficiente" para identificar "muitas inverdades" sobre a Lava Jato no livro escrito pelo ex-juiz Sergio Moro, declarado parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"A narrativa de Moro pode ser desconstruída com facilidade. Cito um exemplo, sem prejuízo de outras análises e de um futuro livro. Moro afirma que a interceptação de advogados por 23 dias teria sido um mero 'erro'. A verdade é que as conversas foram ouvidas em tempo real e resumidas em planilhas para que os lavajateiros se antecipassem às estratégias defensivas, como reconheceu o STF ao julgar a suspeição. Apenas essa passagem da atuação de Moro configura uma das maiores violações às prerrogativas dos advogados já conhecida. Portanto, antes de qualquer blá-blá-blá, é preciso deixar claro que Moro realizou uma interceptação ilegal de cerca de 25 advogados e o material foi usado", rebateu Zanin.

12
Mai18

UMA CRONOLOGIA DO CASO TACLA DURAN Entenda o medo de Sergio Moro

Talis Andrade

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Por Miguel do Rosário

 

 

Tendo em vista a gravidade das denúncias do advogado Rodrigo Tacla Duran contra a Lava Jato, o Cafezinho preparou uma detalhada cronologia da verdadeira guerra movida por Sergio Moro contra ele.

 

Esse post irá nos ajudar a entender o papel de Tacla Duran no jogo narrativo da Lava Jato, e como podemos usar suas denúncias para desmascarar uma farsa midiático-judicial que teve e tem papel central no golpe de Estado em curso no país.

 

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1) 05 de julho de 2016. Sergio Moro acata pedido de prisão cautelar de Rodrigo Tacla Durán, feito pelo MPF no âmbito da operação Dragão. Link.

 

Sergio Moro aceita pedido do MPF e determina a prisão cautelar de Tacla Duran e Adir Assad. Este último já tinha sido preso pela Lava Jato e encontrava-se em prisão domiciliar. Ainda não se sabia o paradeiro de Tacla Duran (ele estava, nessa época, nos EUA). É a 36ª etapa da Lava Jato, denominada Operação Dragão. Estranhamente, essa operação apenas chegará à mídia no dia 10 de novembro de 2016, ou seja, mais de cinco meses depois de iniciada.

 

2) 21 de julho de 2016. MPF volta a pedir prisão de Tacla Duran. Link.

 

3) 10 Novembro de 2016. A força-tarefa da Lava Jato anuncia sua 36ª etapa, chamada Operação Dragão.

 

O nome de Tacla Duran aparece pela primeira vez na imprensa. Link de matéria no blog do Fausto, Estadão. Matéria no G1, nesta mesma data, informa que Tacla encontrava-se no exterior. Link. Como já dissemos antes, há um elemento curioso aí, porque a primeira ordem de prisão de Tacla havia sido determinada em 05 de julho de 2016.

 

4) 18 de novembro de 2016. Tacla Duran é preso em Madrid, Espanha, pela Interpol. Link.

 

5) 11 de abril de 2017. Denúncia do MPF contra executivos da Odebrecht, incluindo o advogado Rodrigo Tacla Duran. Link.

 

6) 20 de abril de 2017. Sergio Moro recebe denúncia do MPF, mas pede que a denúncia contra Tacla Duran seja feita em separado. Link.

 

7) 12 de maio de 2017. MPF faz denúncia em separado contra Tacla Duran. Link.

 

A denúncia informa que Tacla Duran, nessa data, já se encontrava no exterior (Espanha), em prisão cautelar, respondendo a processo de extradição.

 

8) 29 de maio de 2017. Despacho/decisão de Sergio Moro, onde ele recebe denúncia do MPF contra Tacla Duran. Link.

 

O advogado, neste momento, já estava na Espanha, aguardando o resultado do pedido de extradição feito pela justiça brasileira, sobre o qual o governo espanhol ainda não havia se decidido.  No documento, Sergio Moro diz ser “mais conveniente aguardar o resultado do processo de extradição, antes da citação por cooperação internacional”. Caso a extradição não fosse aceita, Moro pede que o MPF descubra, em 10 dias, “o endereço do acusado na Espanha”.

 

9) 27 de julho de 2017. Tacla Duran fala à imprensa espanhola (El País) pela primeira vez. A matéria sai em português, no El Pais Brasil. Link.

 

Na entrevista, Tacla Duran nega as acusações da Lava Jato e faz suas primeiras denúncias contra o processo de delação premiada articulado entre procuradores de Curitiba e diretores da Odebrecht. A empreiteira tinha oferecido a ele 15 anos de salário para que ele aceitasse o acordo oferecido pelo MPF do Brasil.

 

10) 27 de agosto de 2017. Matéria na Folha, na coluna de Monica Bergamo, vaza trechos de um suposto “livro” que Tacla Duran estaria escrevendo. Link.

 

Tacla Duran faz denúncias gravíssimas contra os procedimentos da Lava Jato, incluindo uma tentativa, por parte de um advogado amigo de Sergio Moro, de receber 5 milhões de dólares “por fora”, para ajudar a reduzir a multa exigida da Lava Jato, que era de 15 milhões de dólares, em um terço. Ou seja, Tacla teria que pagar 5 milhões de dólares de multa à justiça brasileira, mais 5 milhões por fora a esse advogado. Fica no ar que esses 5 milhões deveriam ser distribuídos aos procuradores responsáveis pelo acordo.

 

11) 29 de agosto de 2017. Sergio Moro recusa pedido da defesa de Lula para incluir o advogado Rodrigo Tacla Duran como testemunha em seu processo. Link.

 

Apesar de Tacla Duran ainda não ter sido condenado, Sergio Moro diz no despacho que “a palavra de pessoa envolvida, em cognição sumária, em graves crimes (…) não é digna de crédito (…), ainda que possa receber momentâneo crédito por matérias jornalísticas descuidadas”. No último parágrafo, Moro volta a atacar Tacla Duran, afirmando que “não tem este julgador qualquer óbice a que sejam apuradas as mentirosas e fantasiosas afirmações extra-autos do foragido Rodrigo Tacla Duran”.  Não há nenhuma menção ao endereço de Tacla Duran.

 

12) 31 de agosto de 2017. Despacho de Moro informando ao MPF que a extradição de Tacla Duran fora negada e pedindo aos procuradores que informem o que fazer. Link.

 

13) 14 de setembro de 2017. Ministério da Justiça envia documento à Espanha pedindo que o governo espanhol organize uma audiência entre Tacla Duran e procuradores do Brasil.  Link.

 

Este documento ainda está sob análise de autenticidade, porque a única cópia, vazada por um site, está muito rasurada, repleta de rascunhos externos e marcas d´água.

 

14) 18 de setembro de 2017. Despacho/decisão de Sergio Moro pedindo a citação de Tacla Duran no exterior. Link.

 

Neste despacho, Sergio Moro apela, pela primeira vez (ou pelo menos é o primeiro documento público que temos sobre isso), ao instrumento de cooperação jurídica internacional. Ele pede que o MPF traduza a denúncia contra Tacla Duran, com prazo de 30 dias, e que todo material, incluindo o pedido de cooperação, seja enviado, em português e espanhol, ao Departamento de Cooperação Jurídica do Ministério da Justiça, o qual, por sua vez, deverá encaminhá-lo ao governo espanhol.  No documento, Moro informa o endereço do réu, Calle Rio Umia, 22, Pontevedra, Espanha, o qual teria sido fornecido pelo próprio Tacla Duran, em seu processo de extradição. O documento tem um trecho ilegal, porque contrário ao acordo de cooperação jurídica internacional: “Solicite-se ainda a intimação para comparecimento em audiência no prazo de 10 dias úteis perante este juízo para viabilizar a continuidade da ação penal, sob pena de revelia”. Se Moro está pleiteando cooperação jurídica internacional, ele não pode condenar Tacla Duran “à revelia”.

 

15) 28 de outubro de 2017. Wadih Damous e Paulo Pimenta participam de conversa com Tacla Duran, no escritório deste em Madrid, Espanha. Link do áudio da entrevista. Link da transcriçãoda entrevista.

 

Na entrevista com os deputados brasileiros, Tacla Duran confirma todas as denúncias que tinha feito contra a Lava Jato, e apresenta vasto material comprobatório.

 

16) 05 de novembro de 2017. Wadih Damous dá entrevista a Miguel do Rosário, editor do blog O Cafezinho, em que revela, em vídeo, uma das provas das acusações feitas por Tacla Duran: um email corporativo do MPF da Lava Jato. Link.

 

17) 12 de novembro de 2017. O Cafezinho divulga o email corporativo da Lava Jato, apresentado por Tacla Duran, que desmente as alegações feitas por procuradores responsáveis pela operação. Link.

 

18) 21 de novembro de 2017. Despacho de Sergio Moro reconhecendo competência sobre processo envolvendo Tacla Duran. Link (ainda não encontrado).

 

19) 24 de novembro de 2017. Procuração de Tacla Duran para seus advogados no Brasil dá o endereço Calle Rio Umia 22, Pontevedera, Espanha, o mesmo que, uma semana depois, será considerado incompleto. Link (página 9)

 

20) 28 de novembro de 2017. Despacho/decisão de Sergio Moro negando (pela segunda vez) pedido da defesa de Lula para ouvir Tacla Duran. Link.

 

É a primeira vez que Sergio Moro apela para a questão do endereço de Tacla Duran. Após afirmar que Tacla Duran não é pessoa “digna de credibilidade, com o que seu depoimento em nada contribuiria para a apuração dos fatos na presente ação penal”, o juiz afirma que a defesa não indicou, “como é o seu ônus, o endereço dela no exterior, inviabilizando a diligência. Não cabe à Defesa transferir ônus que é seu ao Juízo”. Essa frase de Moro causaria enorme confusão, ao ser interpretada como uma afirmação, por parte do juiz, que ele não sabia o endereço. Muitos blogs reproduzem esse equívoco. O próprio Tacla Duran irá contribuir para essa confusão, ao dizer, dois dias depois, em seu depoimento à CPI da JBS, no Senado, que “numa das notícias, eu li que foi indeferido, porque o juiz da 13ª Vara não tem conhecimento do meu endereço”. Ocorre que Moro jamais disse que não sabia o endereço de Tacla Duran. Ele apenas observa que cabe à defesa informá-lo. A confusão irá perdurar até recentemente. No dia 1 de março de 2018, por exemplo, um deputado ainda repetia o engano da tribuna da Câmara.

 

21) 30 de novembro de 2017 (9:40 manhã, horário Madrid, ou 5 da manhã, horário Brasília). Tentativa frustada de citar Tacla Duran. Link.

 

Autoridades do governo espanhol, cumprindo determinação de um acordo de cooperação jurídica internacional entre Brasil e Espanha, tentam entregar uma citação judicial, emitida pelo juízo de Curitiba, no endereço Calle Rio Umia, 22, Poio, que tinha sido informado por Tacla Duran à justiça brasileira. O oficial responsável, contudo, não consegue fazê-lo, alegando endereço incompleto. Segundo a observação feita no documento, “o endereço está incompleto, falta andar e letra. Há 21 apartamentos, seu nome não está nos escaninhos da portaria e os vizinhos consultados não o conhecem”. Essa tentativa frustrada de encontrar Tacla Duran irá alimentar a confusão acerca dos motivos alegados por Moro para negar, à defesa de Lula, uma oitiva com o advogado. Esta citação, no entanto, não tem nada a ver com a defesa de Lula. Ela é relativa aos processos da Lava Jato contra Tacla Duran, correspondendo ao pedido de cooperação jurídica internacional feito no dia 18 de setembro de 2017.

 

Esta falha do governo espanhol em encontrar Tacla Duran é um tanto estranha, porque o acordo de cooperação jurídica dispõe de instrumentos bastante completos para se encontrar um cidadão. Não é uma coisa trivial. O governo espanhol pode consultar contas de luz, gás, telefone, etc, e conseguir o endereço completo. Houve, no mínimo, desinteresse das autoridades espanholas. No máximo, conivência com quem não tinha interesse real de ouvir Tacla Duran.

 

22) 30 de novembro de 2017. Audiência de Tacla Duran na CPI mista da JBS. Link do vídeoLink da transcrição de seu depoimento. Links dos documentos apresentados por Tacla Duran à CPI, corroborando todas as suas denúncias (parte 1parte 2).

 

A parte 2 dos documentos apresentados por Tacla Duran à CPI traz os prints de conversas nada republicanas travadas entre o advogado e o amigo de Sergio Moro, Carlos Zucolotto (incluindo o pedido de pagamento de 5 milhões de dólares “por fora”), além de uma série de propostas e emails trocados entre Tacla e procuradores da Lava Jato. A repercussão do depoimento ficou restrita à blogosfera. A grande mídia, aliada da Lava Jato, fez de tudo para abafá-lo. É interessante que o internauta leia também as páginas 1 a 7 da parte 1, que traz a transcrição do depoimento de Tacla Duran à PF, ao que tudo indica feito eletronicamente (porque Moro não fez o mesmo?).

 

Moro Skank_Divulgação.jpg

 Na mesma mesa dois copos com cerveja

cheira mal.jpg

Zu e moro na mesa de bar.png

 

Na mesma mesa de bar Zucullotto e Sergio Moro 

 

23) 1 de dezembro de 2017. MPF faz novo pedido de prisão preventiva de Tacla Durán. Link.

 

Como que numa reação ao depoimento de Tacla Duran ao Senado brasileiro, por video-conferência, o MPF entra com um novo pedido de prisão cautelar contra o advogado. O documento é extenso, com 122 páginas.

 

23,5) 4 de dezembro de 2017. Tacla Duran comparece a uma audiência, em Madrid, onde haveria um encontro com procuradores brasileiros da Lava Jato. Mas estes nunca apareceram. Ainda não há link para isso.

 

A informação é do próprio Tacla Duran, durante sua audiência no Senado e em respostas à imprensa. Mas ainda não temos ainda um documento confirmando essa reunião.

 

24) 6 de dezembro de 2017. Perícia espanhola, acionada pelo advogado Rodrigo Tacla Duran, confirma que as provas apresentadas por ele à CPI da JBS, são autênticas. Link.

 

24,5) 12 de dezembro de 2017. Defesa de Lula faz videoconferência com Tacla Duran. Link.

 

Nessa videoconferência, novamente há confusão sobre o despacho de Moro que negava oitiva com o advogado. Tacla Duran “denuncia” que Sergio Moro tem seu endereço, entendendo que o juiz tinha negado sua inclusão como testemunha de Lula alegando desconhecimento deste.

 

25) 18 de dezembro de 2017. Despacho de Sergio Moro recebendo as novas denúncias feitas pelo MPF.  Link.

 

Neste despacho, Sergio Moro aceita as denúncias do MPF contra Tacla Duran e só não concorda com a prisão preventiva dele, pedida pelo MPF, porque, segundo Moro, “já há prisão preventiva contra ele decretada e pedido de extradição encaminhado ao Reino de Espanha, não havendo necessidade de nova preventiva por ora”. Moro não faz nenhuma observação de que, pelo acordo de cooperação jurídica internacional do qual ele mesmo está se utilizando, a justiça brasileira não pode pedir a prisão preventiva do advogado, que tem cidadania espanhola.

 

26) 19 de dezembro de 2017. Sergio Moro nega, pela terceira vez, pedido da defesa de Lula para que Tacla Duran seja ouvido. Link.

 

No despacho, Moro volta a abordar a questão do endereço. Novamente, ele repreende a defesa por não “cumprir o seu ônus, de indicar o endereço da testemunha”. Moro deixa claro, desta vez, que tem o endereço de Tacla Duran:

 

Há, é certo, um endereço disponível ao Juízo em outra ação penal, de nº 5019961-43.2017.4.04.7000, na qual foi expedido pedido de cooperação jurídica internacional para citá-lo (…)

 

Ele ainda insiste neste ponto:

 

É, de todo modo, ônus da parte indicar o endereço da testemunha que arrola, não cabendo ao juízo suprir deficiência (…)

 

Ao final do despacho, Moro parece se vacinar contra acusações de que não quer ouvir Tacla Duran:

 

Esclareça-se que este Juízo não tem qualquer interesse em não ouvir Rodrigo Tacla Duran, tanto que encaminhou pedido de extradição dele da Espanha e ainda pedido de cooperação para citação.

 

27) 15 de janeiro de 2018. Despacho de Sergio Moro autorizando busca e apreensão em escritórios de Tacla Duran e de empresas que tivera negócios com ele. Link.

 

28) 23 de fevereiro de 2018. Despacho de Moro negando, pela quarta vez, um pedido da defesa do ex-presidente Lula para que Tacla Duran seja ouvido em juízo. Link.

 

Respondendo à defesa de Lula, que insiste sobre a importância do depoimento de Tacla Duran, sobretudo por causa das provas por ele apresentadas acerca das deficiências existentes no material usado pela acusação, em especial os dados retirados dos sistemas Drousys e Mywebday, Sergio Moro joga sujo. Primeiramente, ele diz que os dados da acusação com base nos referidos sistemas tem “relevância probatória muito pequena no processo”. Em seguida, franqueia à defesa de Lula o acesso aos tais sistemas, mas só a uma pequena parte deles. Por fim, pede que a PF proceda a uma nova perícia do sistema de “contabilidade informal do Grupo Odebrecht, já na posse da Polícia Federal, a fim de identificar e extrair eventuais lançamentos e documentos que digam respeito ao objeto da presente acusação (reforma do Sítio em Atibaia pelo Grupo Odebrecht”. A PF já tinha feito essa perícia e nada encontrado. A decisão de Moro, portanto, é ilegal, porque esse é um papel do acusador não do juízo.

 

Moro nega, mais uma vez, o pedido para ouvir Tacla Duran, insistindo num juízo de valor de ordem puramente subjetiva, visto que não o usou para nenhum outro colaborador da Lava Jato, inclusive para aqueles que acusaram Lula: diz Moro que “a pessoa em questão [Tacla Duran] tem por outro lado graves problemas de credibilidade”.

 

Ciente da contradição, Moro tenta se explicar:

 

“É certo que criminosos podem ser ouvidos em Juízo e vários, aliás, foram ouvidos perante este Juízo em processos da Operação Lava Jato.

 

Mas, neste caso, normalmente após terem celebrado acordo de colaboração e assumido o compromisso de dizer a verdade. E aos seus depoimentos só se concedeu credibilidade quando corroborados. “

 

A observação de Moro não é verdadeira, pois concedeu credibilidade ao depoimento de Leo Pinheiro, central para a condenação de Lula, sem que Pinheiro tenha se comprometido a dizer a verdade, e sem que tenha havido qualquer corroboração por meio de provas.

 

Moro ataca Tacla Duran com incontido ódio, incorrendo até mesmo no crime de calúnia:

 

Já quanto a Rodrigo Tacla Duran, o que se tem, em cognição sumária, é um criminoso foragido, especializado em lavagem de dinheiro, sem compromisso com a verdade.

 

Ora, “cognição sumária” é uma expressão elegante para dizer que não há sentença definida contra a pessoa acusada. Tacla Duran é cidadão espanhol, cujo endereço é conhecido; não é foragido, portanto. O resto é puro juízo de valor, usado aqui, casuisticamente, apenas com o intuito de obstruir a defesa do ex-presidente Lula.

 

O despacho traz ainda outra invectivas contra Tacla Duran, chamado repetidamente de “foragido”, e avança para acusações extemporâneas contra Lula.

 

Se o ex-Presidente custeou essas reformas [do sítio em Atibaia] ou se ressarciu das despesas os responsáveis pelas obras, isso pode se facilmente provado pela Defesa, até por documentos, não sendo necessário ouvir foragidos na Espanha para tanto.

 

Ora, o sítio não pertence a Lula. O ex-presidente apenas o frequentou, a convite de seu amigo. A troco de que ele teria de pagar pelas reformas deste? Moro age como acusador, não como juiz.

 

29) 27 de fevereiro de 2018. Laudo da Polícia Federal confirmando fraude nos sistemas da Odebrecht. Link.

 

A PF confirma que documentos da Odebrecht usados pela Lava Jato para condenar pessoas, retirados dos sistemas Drousy e Mywebday, foram fraudados. A investigação da PF confirma as denúncias de Tacla Duran. Os mesmos dados estão sendo usados, em vários países da América Latina onde a Odebrecht tinha negócios, para prender e condenar políticos.

 

 

29
Jan18

Para vender as hidroelétricas o Fio Sem Energia de Fernando Bezerra Coelho pagou 400 milhões para um gigolô

Talis Andrade

As relações perigosas do juiz Sergio Moro agente norte-americano

 

O ministro Fernando Bezerra Coelho, seguindo determinação do presidente do golpe Michel Temer, e do ministro da Fazenda, cidadão dos Estados Unidos Henrique Meirelles, contratou lobistas a preço de ouro como se a Nação Brasileira fosse uma prostituta. 

 

Apenas a um dos lobistas foi pago, pela Eletrobrás, empresa oferecida na zona internacional, 400 milhões de reais. 

 

Quem compra as hidroelétricas tem o controle dos rios e represas, isto é, do abastecimento de água das cidades brasileiras.

 

Fernando Bezerra Coelho é ministro porque filho de um senador de Pernambuco com o mesmo nome. Um zero. Não sabe da maldade que faz com o Brasil. Não passa de um pau mandado do pai, doutor em safadezas.

 

Miguel do Rosário conta parte da historia de como se entrega as riquezas do Brasil aos corsários internacionais.

 

Brasil. Minha foto preferida


Por Miguel do Rosário / Cafezinho

 

Brasil moro levi piratas corsários traidores .jpg

 

 

Paulo Sotero, da Globonews e CBN; Anthony Harrington, presidente do Brazil Institute, Jane Harman, presidenta do Wilson Center, Sergio Moro, mercenário da Globo e agente norte-americano; juiz Peter Jo Messitte, um medíocre.

 

Eletrobras paga R$ 400 mi a lobista dos EUA

 

(Essa foto é uma das minhas preferidas. Da esquerda para direita: Paulo Sotero, diretor do Brazil Institute e comentarista da Globonews e CBN; Anthony Harrington, presidente do Brazil Institute, presidente do conselho de administração da Albright Stonebridge e ex-senior da Hogan Lovells; Jane Harman, presidenta do Wilson Center e conselheira nos órgãos máximos dos serviços de inteligência dos EUA; Sergio Moro, mercenário da Globo e agente norte-americano; o juiz Peter Jo Messitte, um medíocre sem biografia, que o Wilson Center contratou para participar de todos os seminários do Brazil Institute; é ele que fica repetindo elogios à “democracia” brasileira, especialmente ao judiciário; e… Joaquim Levy, o neoliberal que a Dilma, pressionada pelo “mercado”, nomeou para o ministério da Fazenda).

 

A Hogan Lovells está listada como uma das principais firmas especializadas em lobby dos Estados Unidos, com muitos clientes nos setores de óleo e gás, mineração, energia, aviação.

 

Advogados da Lovells prestam serviços de advocacia e lobby, regularmente, para gigantes como Exxon Mobil, maior petroleira do mundo. A Lovells trabalha também para empresas que exploram energia nuclear, como a Lightbrige.

 

A Hogan Lovells foi contratada pela Eletrobrás para, entre outras coisas, investigar o nosso programa nuclear.

 

Entretanto, tem um ponto ainda mais interessante nessa história – e que também não foi abordado pela reportagem da Época: Anthony S. Harrington, presidente do Brasil Institute, um órgão pertencente ao Wilson Center, é ex-advogado sênior da Hogan Lovells. Sua filha, Michele S. Harrington, ainda trabalha lá.

 

Harrington, embaixador no Brasil de 1999 a 2001, é um destacado membro da comunidade de inteligência dos EUA, tendo sido conselheiro da Casa Branca nessa área. Essas informações estão no site do Wilson Center.

 

Hoje Harrington é presidente do Conselho de Administração da Albright Stonebridge, outra poderosa firma de lobby, especializada em “estratégias internacionais”.

 

O slogan da empresa é “destravar mercados globais”. Em seu site, ela explica que uma de suas especialidades é fazer “negócios com governos estrangeiros”, e que, “em caso de procedimentos governamentais impróprios, ela pode ajudar a determinar o melhor curso de ação e perseguir os meios mais efetivos para corrigi-los”.

 

Nós chamamos o Wilson Center aqui, no Cafezinho, de “think tank da CIA”, por suas relações com a comunidade de inteligência da Casa Branca, e por ser um think tank inteiramente controlado pelo governo americano, que paga suas contas, fornece-lhe a sede (no edifício Ronald Reagan), e indica seus diretores.

 

O Wilson Center tem organizado, desde o mensalão, seminários para discutir as operações judiciais em curso no Brasil, convidando ministros do STF, juízes de primeira instância (Sergio Moro, por exemplo), procuradores-gerais (Janot) e ministros da Justiça. A linha desses seminários sempre foi apoiar essas operações judiciais. Durante a operação Lava Jato, ocorreram vários seminários desse tipo no Wilson Center, nos quais os representantes do Wilson Center afirmavam que a democracia brasileira era um “modelo para o mundo”.

 

Por fim, olha que maravilha: segundo esta reportagem da CNN, o novo presidente dos EUA, Donald Trump, contratou o ex-procurador federal, Ty Cobb, como seu “conselheiro especial”. Cobb também é sócio da… Hogan Lovells.

 

Muitos indícios me fazem acreditar que o Wilson Center foi um dos organizadores do golpe no Brasil.

 

Informa este Correspondente: Sergio Moro carrega o xará Sérgio Cabral, com os pés e as mãos presas em pesadas correntes de ferro, e esquece, e esquece que um governador não rouba sozinho, e quem pagava as contas dos serviços fantasmas e obras superfaturadas era o secretário da Fazenda.  

 

O primeiro secretário da Fazenda e mais Planejamento de Sérgio Cabral foi justamente o escolhido, o eleito grande amigo e parceiro de andanças internacionais de Moro: o livre, leve e solto e intocável Joaquim Levy do fechado clube de banqueiros e economistas que comandam o Ministério da Fazenda e os bancos oficiais no governo de Temer.  Transcrevi trechos. Leia mais 

 

 

 

 

01
Ago17

Constituinte venezuelana tem 41% de participação, maior que as eleições americanas de 2014

Talis Andrade

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Jornal da Venezuela

 

 

O Brasil, hoje comandado por um governo ilegítimo, sem voto e rejeitado por 95% da população, foi um dos países que se negaram a reconhecer os resultados da eleição venezuelana.

 

O Brasil vassalo segue a decisão imperialista dos Estados Unidos, que elegem seu presidente por voto indireto.

 

Maduro enfatizou “que a Venezuela tem um poderoso poder eleitoral, militar, político e do povo".

 

“Quiero agradecer a todos os jovens, aposentados, estudantes, trabalhadores, comerciantes, empresários, conselhos comunitários, movimentos sociais, classe média que deram um exemplo”, disse.

 

Manifestou que foi uma campanha eleitoral democrática, exemplar, e que deu excelentes resultados. Assim mesmo denunciou que se há calculado que 2 milhões de pessoas não conseguiram votar, impedidas pelas barricadas levantadas por grupos violentos, e pelo boicote de meios privados de comunicacão, que se negaram a  informar o processo eleitoral, ou divulgaram boatos alarmistas, e endereços errados de locais de votação. “Não vou permitir um Golpe de Estado, nem terrorismo midiático”.

 

“O Governo dos EEUU não nos dá ordens”

 

“Não vou obedecer ordens e sou antiimperialista, tomem as sanCões que lhes dá gana, soo o Presidente independente da Venezuela”, reiterou confrotando as novas e contínuas ameças do governo dos Estados Unidos.

 

“Se me sanciona porque convoco as eleições Constituyente (…); porque denuncio o ataque aos latinoamericanos do governo de Donald Trump, me sinto orgulhoso da sanção e vou seguir defendendo os direitos de todos”, reiterou Maduro.

 

"Esperamos que aqueles membros da comunidade internacional que querem rejeitar os resultados das eleições venezuelanas e aumentar a pressão econômica sobre Caracas mostrem contenção e renunciem a estes planos destrutivos que podem aguçar a polarização da sociedade venezuelana", advertiu um comunicado do Ministério de Relações Exteriores russo, chefiado por Sergei Lavrov.

 

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 Jorrnal da Venezuela

 

Escreve Miguel do Rosário: 

 

A Venezuela já tem uma nova Assembleia Constituinte, chancelada democraticamente por milhões de cidadãos.

 

Acabam de ser divulgados os resultados finais da votação da Constituinte na Venezuela. Compareceram mais de oito milhões de eleitores, o que significa que a nova Assembléia Constituinte foi chancelada por 41% dos eleitores inscritos, numa eleição onde o voto não é obrigatório.

 

Para efeito de comparação, as eleições legislativas dos Estados Unidos de 2014 tiveram participação de 36% do eleitorado, e as de 2010, de 40,9%.

 

Os americanos (e os brasileiros submissos a eles) dirão que uma eleição com 41% vale menos que uma com 36%, e após uma campanha midiática internacional violentíssima para que os venezuelanos não fossem votar?

 

Em 2015, a Mesa de Unidad Democrática (MUD), que reune todos os partidos de oposição ao governo Maduro, e que havia obtido maioria na Câmara, recebeu 7,7 milhões de votos.

 

Nas eleições presidenciais de 2013, Maduro ganhou de seu adversário, Henrique Capriles, com 7,5 milhões de votos.

 

Numa eleição boicotada pela oposição, atacada pela mídia corporativa internacional, repleta de ameaças de ataques terroristas de grupos de extrema-direita, havia expectativa, por parte da oposição, de baixíssima participação, abaixo do mínimo de 25% necessários para validar a eleição.

 

A oposição pediu ao povo para não ir votar. E tentaram impedir a votação. Houve ataques contra várias zonas eleitorais.

 

Os oito milhões de votos representam, portanto, uma vitória imensa para a revolução bolivariana.

 

A presidenta do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, declarou que foram eleitos 537 membros da Assembleia Nacional Constituinte.

 

“Ganhou a paz, e quando a paz ganha, o vencedor é a Venezuela”, declarou Lucena, ao anunciar os resultados oficiais.

 

Os oito milhões de votos são maiores também que os sete milhões de votos fraudados da consulta realizada pela oposição há algumas semanas, num pleito sem nenhum registro oficial, sem observadores internacionais, sem chancela de nenhum órgão de Estado.

 

 

 

 

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