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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

20
Mai22

No golpe de Bolsonaro, papel dos militares é o de ‘leão de chácara’

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Jair Bolsonaro é, desde sempre e antes de tudo, um homem que mente.

Se permitem conspurcar o poema de Fernando Pessoa, mente tão completamente que chega a dizer que seus delírios de autocracia são o triunfo da liberdade e da democracia.

Ele não serve ao Exército Brasileiro, nem às outras Forças Armadas. Nunca lhes serviu e, por isso, só o compadrio evitou que se consumasse sua expulsão.

Sua relação é, como sempre foi, a de acenar-lhes com vantagens pessoais – as coletivas, como soldo; as individuais, como cargos.

Sabe requentar as as ambições militares de controle do poder nacional, oferecendo a elas o que já não tinham há décadas, suporte popular para uma aventura autoritária.

Mesmo em 1964, em condições muitíssimo mais favoráveis, eles precisaram arvorar-se em “salvadores da democracia” a socorrer manifestações da direita (as Marchas com Deus) e da mídia (os Basta! e Chega! editorializados pelos jornais).

Compreende que, sem isso, dificilmente elas rolarão seus tanques para mais que fazer fumaça ante os demais poderes da República.

Nas suas contas, porém, acha que pode usá-las como “leões de chácara” de seu esquema de poder, que aparecem para “pôr ordem” na confusão que conta armar com suas milícias diante da ameaça de um resultado eleitoral negativo, hoje quase uma certeza.

Sebe que terá dificuldade de levar os comandos militares a uma agressão direta, que fica a cargo, como vem experimentando há anos, de seus esquadrões políticos e, aqui e ali, de bolsões em quarteis. E que, diante disso, que a alta hierarquia, docemente, vergue-se ao papel de legitimá-las como expressão da “vontade popular”.

Com todos os pendores autoritários que têm, não é possível que não percebam que Bolsonaro, criado para ser uma escada para a restauração do poder militar, transformou as Forças Armadas em degrau para seu poder, pessoal e familiar.

Mesmo depois que fuzilou sumariamente um general e um almirante para tentar livrar-se do desgaste político do preço dos combustível parecem não ver que, como se fossem soldadinhos de chumbo, todos que não lhe forem peças livremente manipuláveis e sacrificáveis, vão derreter na caldeira do inferno em que ele transforma o país.

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www.brasil247.com - Michelle Bolsonaro, Damares Alves e o maquiador Agustin Fernandez

247 - Internautas demonstraram nesta quinta-feira (19) indignação com a viagem de Michelle Bolsonaro a Israel. Usuários escreveram "Micheque" com o objetivo de ironizar a primeira-dama, que recebeu pagamento de Fabrício Queiroz, laranja do clã presidencial. A população também questionou o maquiador dela, Agustin Fernandez, presente na comitiva junto com a ex-ministra Damares Alves (Direitos Humanos).

"Quem paga? Os idiotas dos brasileiros", escreveu uma internauta.

"Terão que devolver tudo na cadeia, a micheque já tem prática", disse outro perfil.

Um usuário afirmou que, "enquanto você tá aí contando os centavos da gasolina, o maquiador da micheque tá aproveitando o mar morto".

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Bolsonaro quer ter o controle das manchete para esconder a miséria que ele produziu no país 

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27
Jan22

Bolsonaro revoga decretos de luto oficial por dom Helder Câmara e frei Damião e mantém os de Figueiredo e Geisel

Talis Andrade

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A vingança contra o "Bispo Vermelho" e o Santo dos Retirantes Nordestinos 
 
 
O governo Bolsonaro revogou 35 decretos de pesar editados por seus antecessores, sob alegação de anular normas "cuja eficácia ou validade encontra-se completamente prejudicada". Assim, cancelou os lutos oficiais por católicos dom Helder Câmara e frei Damião. Entretanto, manteve os decretos de luto pelos ex-presidentes militares Ernesto Geisel e João Figueiredo.
 
Nos decretos, a raiva do adorador da tortura contra o "Bispo Vermelho", perseguido pela ditadura militar de 64, e frei Damião dos pobres retirantes do Nordeste que votaram contra Bolsonaro em 2018 e votarão em Lula presidente este ano, no dia 2 de outubro, para uma vitória no primeiro turno.
 
O ódio do admirador do coronel Ustra, mestre da tortura promovido a marechal, e do major Curió, tem seus malignos motivos. 
 
Escreveu Vinícius Sobreira"O arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, que foi ordenado padre por Dom Hélder, o considera “um homem à frente do seu tempo, um verdadeiro profeta”. E relacionando com o momento pelo qual o Brasil passa, Dom Saburido acredita que, caso estivesse vivo, Dom Hélder “estaria sofrendo com esse momento pelo qual o País passa”.
 

O monge beneditino Marcelo Barros resgata que Dom Hélder foi arcebispo de Olinda e Recife justamente durante os 21 anos da ditadura militar e, na opinião dele, vivemos um contexto similar ao implementado em 1964. “Nos tempos atuais eles não precisarem mais de militares nas ruas para dar um golpe institucional, mas hoje vivemos uma espécie de ditadura, uma ditadura no sentido mais profundo, de desrespeito aos direitos fundamentais das pessoas. Vemos o absoluto desprezo aos instrumentos democráticos e principalmente a tudo aquilo que representa uma ordem social de proteção dos mais frágeis e empobrecidos”, opina.

Marcelo Barros relaciona ainda as posturas de Dom Hélder com a do Papa Francisco. “A figura profética do Papa Francisco está, na medida do possível, puxando a Igreja Católica para uma atitude de protesto contra o capitalismo e para mostrar que a raiz de todos os males que vivemos no mundo é essa estrutura econômica e social que mata, que destrói, que assassina, que é imoral. E isso era a mensagem de Dom Helder”, avalia. Ao elogiar o Papa, o monge destaca que a admiração por Francisco deve se converter em ação. “É importante que essa figura do Papa não fique uma figura especial, que todo mundo admira, mas que é isolada. Nos inspirando nele devemos conseguir gritar que nós fazemos parte dessa profecia do Papa Francisco”.

 O governo militar de Bolsonaro justifica:

"Trata-se de decretos já exauridos, que tiveram efeitos por determinado período [de luto]", disse à Folha de S.Paulo a Secretaria-Geral da Presidência. Entretanto, integrantes de gestões anteriores da SAJ (Subchefia de Assuntos Jurídicos) ouvidos em caráter reservado pela reportagem do jornal afirmaram não ver sentido no cancelamento de decretos de pesar. A subchefia é a estrutura que faz a revisão final dos atos publicados no "Diário Oficial" da União.

A revogação de decretos de pesar no governo Bolsonaro não teve tratamento igualitário para todas as autoridades e personalidades que receberam a honraria oficial nos últimos anos.

Em um mesmo período de tempo, foram anulados decretos de luto para determinadas pessoas, enquanto a de outras foram mantidos.
 
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20
Jan22

Petardos: Corrupção aumenta com Bolsonaro

Talis Andrade

 

 

O “capetão” Bolsonaro foi eleito com base na promessa de que iria acabar com a corrupção no país – e muito otário acreditou nessa bravata. Agora, porém, o Brasil repete a pior nota no ranking de percepção do combate à corrupção elaborado pela ONG Transparência Internacionalcorrupcao brasil bolsonaro.jpg

 

por Altamiro Borges

Após as denúncias de laranjas, rachadinhas, Queiroz, Val do Açaí e “Micheque”, entre outras, o Brasil caiu uma posição no ranking do IPC (Índice de Percepção da Corrupção) no ano passado e agora ocupa a 106ª posição entre os 180 países avaliados

***

“O resultado reflete um ano de poucos avanços e muitos retrocessos na luta contra a corrupção no Brasil”, avalia Bruno Brandão, diretor da Transparência Internacional. Para ele, estudo prova que “o discurso não é o suficiente”. Só os otários acreditam nas fake news bolsonarianas!

***

Perguntar não ofende-1: A Justiça do Distrito Federal deu prazo de cinco dias úteis para o chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, esclarecer os contratos de sua firma com redes de TV que receberam publicidade do governo. O lobista já prestou contas?

***

Perguntar não ofende-2: Quando o STF vai se pronunciar sobre a investigação do pagamento de Caixa-2 da empresa J&F ao ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil). O assunto estão travado no Supremo desde fevereiro do 2019 – já dá até para ter festa de aniversário de um ano no laranjal

***

O curioso nessa história é que o próprio Onyx Lorenzoni já admitiu o crime. Ele confessou ter recebido na moita R$ 100 mil da J&F na eleição de 2014. Na maior caradura, disse que foi perdoado por Deus. Na sequência, o juizeco Moro também absolveu o compadre do laranjal. E o STF?

***

“O índio mudou, tá evoluindo. Cada vez mais o índio é um ser humano igual a nós”, disparou Bolsonaro em vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira. Com seu piriri verborrágico quase diário, o “capetão” deve envergonhar até alguns dos seus apoiadores mais tapados e imbecis

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O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, encaminhará ao MPF e à PF os conteúdos falsos que circulam contra ele na internet. “Vamos denunciar e cobrar, antes que as milícias digitais viciem outra eleição… Vamos divulgar cada mentira e cobrar providências das autoridades”, afirma

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Da Época: “Ministério dos Direitos Humanos admitiu por meio da Lei de Acesso à Informação que não usou como referência nenhum dado ou pesquisa científica que comprove a eficácia da abstinência sexual”. Mas Damares da Goiabeira prepara campanha milionária para divulgar a cruzada

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Segundo o ministério, embora já esteja sendo preparada uma campanha publicitária sobre o assunto, os estudos ‘estão sendo aprofundados’… Não foi informado o exemplo de nenhum país cujos indicadores sociais tenham melhorado com a abstinência sexual”, completa a revista (26 jan20)

 

18
Jan22

'Michelle Bolsonaro é a mãe de todos os brasileiros', Marcelo Queiroga

Talis Andrade

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por Ana Mendonça /Estado de Minas

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a primeira-dama Michelle Bolsonaro é “simbolicamente” a mãe de todos os brasileiros.

No momento da comparação, Queiroga citava um dos maiores desafios que ele teve quando assumiu a pasta: a morte de uma mulher grávida em função de um efeito adverso de uma vacina.

“Embora as vacinas sejam extraordinárias, eventos adversos, eles podem acontecer. E era na véspera do Dia das Mães. E eu comuniquei – a primeira pessoa, a nossa primeira-dama. Dona Michelle Bolsonaro. Que como a primeira-dama, e também mãe, é simbolicamente a mãe de todos os brasileiros”, afirmou.

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08
Dez21

De onde vem a língua estranha falada por Michelle Bolsonaro para comemorar a nomeação do “terrivelmente evangélico”? (vídeo)

Talis Andrade

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Michelle Bolsonaro chora e pula ao comemorar aprovação de André Mendonça no  STF: 'Glória a Deus' | Brasil | O Dia

Para os católicos, o dom de línguas é um fenômeno bastante normal para as pessoas envolvidas na Renovação Carismática. Mas as pessoas que têm contato com este tipo de oração pela primeira vez podem sentir-se desapontadas, já que algo como a glossolalia parece estranho para eles. São Paulo advertiu os Coríntios que isto poderia acontecer.

“Se, pois, numa assembleia da igreja inteira todos falarem em línguas, e se entrarem homens simples ou infiéis, não dirão que estais loucos?” (I Coríntos 14, 23).

E esta advertência vem a partir da experiência. Os apóstolos falando em línguas no dia de Pentecostes foram objetos de gozação. “Outros, porém, escarnecendo, diziam: “Estão todos embriagados de vinho doce” (Atos 2, 13).

Aqueles que falam em línguas podem ser acusados de serem fanáticos ou mentalmente desequilibrados. Tal acusação pode atingir todas as pessoas que estejam profundamente envolvidas em oração, o que é notável a partir da imaginação convencional de oração. E o exemplo do Rei Davi prova isto. A filha de Saul, que olhava-o pela janela, viu que o Rei saltava e dançava em frente à Arca da Aliança, e desprezou-o em seu coração (I Crônicas 15, 29).

No entanto, é necessário declarar que o falar em línguas foi prometido por Jesus antes de Sua Ascensão.

“Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas”. (Marcos 16, 17).

Portanto, não há nada estranho em usar este carisma. O problema parece surgir entre as pessoas que não conhecem o ensinamento bíblico sobre este dom. Leia mais

Brasil 247 - Entre os evangélicos as palavras proferidas pela primeira dama Michelle Bolsonaro, aos pulos e gritos, na última quarta-feira (1) para comemorar a aprovação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF), chama-se língua dos anjos.

A língua incompreensível, que não tem nenhuma associação com o português ou qualquer outro idioma conhecido, é tida entre os evangélicos pentecostais como “o dom de línguas”, dado somente àqueles batizados no Espírito Santo, e faz referência à festa de Pentecostes, quando o Espírito Santo teria outorgado aos discípulos de Cristo poderes de cura e glossolalia (falar línguas).

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) disse que "seriam línguas com as quais a gente se comunica com Deus e com o que cremos. Somente Deus, através do Espírito Santo, entende aquela língua, não é uma língua natural", completou. 

No entanto,  após a circulação do vídeo na internet onde Michelle Bolsonaro aparece gritando e pulando euforicamente para comemorar a aprovação do amigo e pastor André Mendonça ao STF, o “dom” foi questionado.ImageImage

O jornalista e comentarista da TV 247 Joaquim de Carvalho, por exemplo,  disse que “o que a Michelle fez é fraude espiritual, engana trouxas”. Carvalho também questionou o posicionamento dos senadores Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Omar Aziz (PSD-AM) que votaram a favor de Mendonça.

Joaquim de Carvalho
Ao ver o vídeo da Michelle Bolsonaro pulando de alegria e supostamente falando a língua dos anjos, senti raiva de senadores como Eliziane Gama e Omar Aziz, que publicamente apoiaram André Mendonça. Atiraram o país ao inferno. O q Michelle fez é fraude espiritual, engana trouxas.
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Michelle Bolsonaro entra em êxtase com aprovação de Mendonça: "Deus quem te  escolheu" - Revista FórumImage
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06
Dez21

Desgraça pouca é bobagem: os bastidores da corte (Episódio 5)

Talis Andrade

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por Maura Montella

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Se não havia competência do Bobo da Cavalaria para comandar o Reino do Sul, fofoca de bastidores era o que não faltava na corte.

Além dos maus modos e da falta de postura do rei, sua vida pessoal também dava o que falar. Bobo se casou com a Primeira Rainha e teve três criaturas marcadas, como gado, com as identificações: 01, 02 e 03. Zero Um era amigo do produtor de laranjas com um "Q" de algoz, que foi alçado ao cargo de carrasco real. Zero Dois era o que adorava brincar de guerra de espadas com seu primo, o Pavão Misterioso, e embora tivesse faltado às aulas de alfabetização, era o responsável por escrever e enviar todas as mensagens reais. Zero Três era o aficionado por armas que ganhou o apelido de Bananinha, não se sabe se por sua atuação pífia na Câmara dos Lordes ou se por outras razões, alardeadas pelas moçoilas do reino.

Como ninguém aguentava viver por muito tempo perto do Bobo, a Primeira Rainha também não aguentou e foi embora. Para não ficar sozinho, o asqueroso rei mandou Algoz aliciar a primeira aldeã que se dispusesse a passar por qualquer humilhação em troca de um lugar no trono ao lado do seu. Foi assim que a esperta e interesseira FulAna entrou na corte. Com a Segunda Rainha, Bobo teve o quarto filho, mas dizem as más línguas que Zero Quatro era filho do cavaleiro Ricardo Matafuegos, responsável pela guarda da rainha. Apavorado com essa possibilidade, Bobo expulsou a Segunda Rainha da corte e mandou Algoz cancelar o CPF de Ricardão, ou seja, "apagar" seu título de "C"avaleiro "P"alaciano do "F"ogo. Já entendeu, né?!

Pois bem... Sozinho e com sua masculinidade ferida (assim ele pensava), Bobo não tardou a se casar novamente. Desta vez pegou uma surda-muda, a única que conseguia ficar perto dele porque não ouvia as imbecilidades que ele dizia. Com carinha de bondosa, sempre ajudando a Igreja, a Terceira Rainha conquistou a todos num primeiro momento, mas ela foi também a prova viva de que as aparências enganam.

É que poucos meses depois do casamento, encontraram um baú nos aposentos da Terceira Rainha com 89 mil moedas de ouro. Isso deixou o Bobo numa situação muito complicada, pois ele não tinha como justificar o extravagante presente perante os membros da Câmara dos Lordes. Sem encontrar uma saída, Bobo chamou seu amigo e fiel escudeiro, o palaciano Algoz.

- Ô, ô, como qu'eu explico isso aí, ô Algoz?

- Xeque.

- O quê???

- Fala que a gente tava jogando xadrez e que eu coloquei o rei em xeque.

- Mas o baú tava nos aposentos da rainha!!

- Então, Chefia, xeque na rainha, copiou?

- Aêêê, copiei!

Bobo considerou que foi uma ótima solução para o caso. Contou essa história esfarrapada para os membros da Câmara dos Lordes, e ninguém mais falou do xeque da rainha.

Enquanto essas falcatruas corriam solto dentro do palácio, Jegues, o Conselheiro Financeiro, continuava dilacerando o tesouro real, acumulado à custa de muito sangue, suor e lágrima dos súditos que não tinham mais de onde tirar recursos para pagar tantas taxas e impostos. 

Pra falar a verdade, Jegues não batia bem da cabeça. Quando pequeno, tinha um amigo invisível que ele deu o nome de Mercado. Na época, ainda não existia a ciência da Psicologia, porque se existisse, todos saberiam que é comum crianças pequenas terem amigos imaginários. O que nem a Psicologia Moderna conseguiria explicar é por que Jegues cresceu e não largou aquele amiguinho, fruto da sua imaginação. Tanto assim que, já no cargo de mentor financeiro do Bobo, ao ser questionado sobre a miséria do povo e sem saber responder, ele recorria a seu amigo Mercado, que na cabeça de Jegues, sempre lhe atendia, oferecendo sua mão invisível.

Pior do que Jegues com seu amigo invisível era ver uns plebeus, pobres de marré deci, que se achavam ricos e amigos do rei. Geralmente eram os donos das tabernas que ficavam na rua à direita do castelo. Esses taberneiros eram dos poucos aldeões que conseguiam comprar uma carroça própria. Gostavam de um modelo que tinha um touro na frente (conhecido como Tourota Corolla) e só por isso se julgavam nobres da realeza. 

Como podiam ser tão iludidos os pobres da (rua à) direita?! Não passavam de pobres... pobres coitados!

Mas quero falar do Conselheiro de Finanças especificamente. 

Jegues era tão sórdido e sem noção que mesmo vendo a maioria dos plebeus catando osso e todo resto de comida descartado pelos nobres ao redor do palácio, ainda insistia que suas medidas econômicas eram um grande sucesso. Como símbolo dessa pujança (que só ele enxergava), Jegues mandou matar o maior touro do reino, depois mandou empalhar e pintar de amarelo.

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Era o seu Touro de Ouro, que foi colocado em frente aos portões do castelo, para que todos os súditos, ao irem catar lixo, tivessem consciência daquele momento de esplendor.

Ah, já ia me esquecendo de contar um detalhe: uma vez capturado, Jegues exigiu que cortassem uma das patas dianteiras do touro. Ninguém precisou perguntar o porquê daquela excentricidade; todos que conheciam as sandices do financista real sabiam que era uma alusão ao seu amigo imaginário de infância, o Mercado com a sua mão invisível (sem pata = sem mão = mão invisível, entendeu?!)

Pois é, e como desgraça pouca é bobagem, o infortúnio que pairava sobre o Reino do Sul não terminou aí. Eis que o Juizeco (juiz com voz de marreco), que tinha se bandeado para o Reino do Norte, voltara exigindo seu lugar. Só que isso, eu te conto no próximo episódio. Aguarde!

 

04
Dez21

O projeto de poder das igrejas de mercado inclui avançar no legislativo, executivo, judiciário

Talis Andrade
 
Vídeo: Primeira-dama Michelle Bolsonaro comemora aprovação de André Mendonça  como ministro do STF após sabatina no Senado - Portal de Prefeitura
Emocionada, Michelle Bolsonaro comemora ida de André Mendonça ao STFMendonça comemora com Michelle e diz que ida ao STF é 'salto para os  evangélicos' - 01/12/2021 - Poder - Folha
 
Marcia Tiburi
@marciatiburi no Twitter
Eu vi a Micheque comemorando, não entendi o que ela dizia, mas parece que tem a ver com o ministro bolsonarista da igreja de mercado que foi para o STF. Senti vergonha alheia, embora ninguém desse governo mereça nem esse tipo estranho de pena.
 
Escrevi um pouco + sobre em
instagram.com
Foto do perfil de marciatiburi
Que antropologia, que filosofia, que ciência política dará conta de explicar esse fenômeno? 
O prefeito do Rio manifestou seu apoio à Michelle Bolsonaro alegando que nas redes sociais as pessoas estão rindo de sua religiosidade. Ele não entendeu do que se trata. Infelizmente, o problema não está na religiosidade da primeira dama. De fato, no país da liberdade de expressão, também a religiosidade deve ser respeitada como uma expressão legítima. Sabemos que, na prática, não é assim, mas devemos defender que assim seja (há muito ódio contra religiões de matriz africana, por exemplo). Não há nenhum problema no uso de logolalias, glossolalias, verborragias para expressar as próprias emoções religiosas. Mesmo que possa parecer ridículo, devemos olhar por esse lado do direito à expressão. O que não pode ser sustentando é que pessoas politicamente comprometidas se manifestem religiosamente em um Estado laico. Para o bem da democracia que depende do Estado laico os políticos deveriam manter o decoro religioso em silêncio, abraçando assim a beleza de todas as religiões. Mas sabemos que o que está em
Jogo é mais grave que tudo isso. O projeto de poder das igrejas de mercado inclui avançar em todas as instituições e poderes: legislativo, executivo, judiciário e midiático. Quando a língua que ninguém entende serve ao poder, ela já não é mais uma simples expressão da liberdade. Ela é um ato de mistificação. O que essas pessoas do poder usam são as mesmas táticas de sempre sobre as massas: criar o estupor que tudo paralisa. Pobre Brasil governado por gente tão perversa. #forabolsonaro #religiao#deus
 

Michelle Bolsonaro entra em êxtase com aprovação de Mendonça: “Deus quem te escolheu”

Primeira-dama publicou fotos emocionadas ao lado do novo ministro do STF durante a madrugada. Bolsonaro disse que "meu compromisso de levar ao Supremo um 'terrivelmente evangélico' foi concretizado".

 

Uma das principais lobistas para a aprovação pelo Senado do nome de André Mendonça à uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), Michelle Bolsonaro entrou em êxtase com o fim do processo que concretizou a indicação de Jair Bolsonaro (PSL) como ministro “terrivelmente evangélico” na corte.

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