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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

08
Dez20

O que o traje da posse da Primeira Dama tem a ver com a Reforma Agrária?

Talis Andrade

 

por Carol Proner

- - -

Tem a ver com prioridade. 

Entre as notícias mais lidas recentemente está a da inauguração da exposição dos trajes usados pela primeira dama, Michelle Bolsonaro, durante a posse presidencial do ano passado. O memorial ficará no Palácio do Planalto, em Brasília, para que ninguém se esqueça das prioridades do atual governo em detrimento dos 178 mil mortos pelo Coronavírus, dos 6 milhões e meio de contaminados, dos 14 milhões de desempregados, das políticas públicas retrocedendo em todas as áreas e dos arranjos institucionais que permitem à extrema direita seguir destruindo o país.

Falemos hoje de um tema que está na agenda do campo na semana internacional dos direitos humanos. A luta pela reforma agrária. Embora a luta seja permanente, a expressão em si remete a outros tempos, aos anos 90, à luta pela implementação de mandamento constitucional e aos debates a respeito da “função social da propriedade”. Remete também a duras recordações como a do massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996 e outros revezes até que, a partir de Fernando Henrique Cardozo, os sucessivos governos passaram a dar cumprimento ao artigo 188 da Constituição Federal, criando e aprimorando o Plano Nacional da Reforma Agrária.

A partir de então, ano após ano, foram desenvolvidos planos de ação governamental para compatibilizar as necessidades dos camponeses com a política agrícola do país, procurando cumprir baliza fundamental da Constituição prevista no art. 3º, qual seja, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, com a redução das desigualdades sociais e regionais.

Eis que, e está claríssimo o encerramento do ciclo histórico democrático, a partir de 2017 recrudesce a luta pela terra ao ponto da desqualificação do sujeito de direitos, atualmente alcunhado de “terrorista” pelo próprio Presidente da República. É de memória recente o massacre na Fazenda Santa Lucia, município de Pau D’Arco, em 2017, que levou a vida de 10 camponeses, assim como as recentes execuções extremamente violentas de lideranças do campo, assassinadas diante da família, dos filhos.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), houve, em 2019, 1.833 conflitos no campo, o que representa o índice mais alto dos últimos cinco anos. O número de pessoas envolvidas aumentou 23% em relação a 2018, tendo alcançado 144.742 famílias. 

Razoes para isso? O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sugere algumas pistas. Em seu Atlas da Violência no Campo no Brasil, sugere que “o acirramento em torno das disputas fundiárias não está desvinculado das razões de exploração histórica que caracterizam o país.

O Atlas da Violência também inclui a situação dos territórios de ocupação tradicional, indígenas e quilombolas e chega a conclusões semelhantes: identifica que a desigualdade social, a falta de oportunidades e privação econômica e a persistência de práticas fundadas no racismo e no desrespeito aos direitos territoriais de povos originários são resultados do processos histórico-institucionais.

É de se notar a estratégia pérfida de instrumentalização do INCRA pelo governo federal, do esvaziamento de suas funções, o abandono de processos administrativos e judiciais de desapropriação das terras, mesmo aqueles em que falta apenas a imissão de posse. É de notar a paralisia completa do Programa Nacional de Reforma Agraria e as medidas para desalojamento forçado e violento de famílias que vivem e produzem com estabilidade em assentamentos como o do Campo do Meio em MG.

Eis o que o traje da Primeira Dama, inspirado na princesa de Gales Lady Di,  representa. O insulto aos trajes populares, do chapéu de palha ao boné da luta. Um insulto ao Brasil indígena, negro, quilombola, camponês, sem terra, sem direitos. 

08
Dez20

O Horror

Talis Andrade

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Alceu Castilho

Essa foto é da Exposição de Roupas Utilizadas na Posse Presidencial por Jair Bolsonaro, presidente da República, e Michelle Bolsonaro.

Imediatamente me lembrei de Fellini, no quanto o filme “Amarcord” terá dito sobre a cafonice embutida no fascismo — com todo o respeito aos cafonas originais. A cafonice como linguagem, como política, mas uma cafonice capturada, falsa.

E não é que o universo Fellini sempre nos oferece algum outro olhar essencial? De “Amarcord” passei para “Roma”, com seu desfile de moda eclesiástica. (Guardadas as proporções. Bolsonaro se encarrega de desidratar qualquer coisa parecida com pompa.)

E de “Roma de Fellini” fiquei a pensar no que seria uma “Brasília de Bolsonaro”, aquela cidade esvaziada de seus mínimos esboços de civilidade, a arquitetura de Niemeyer implodida, incendiada e pisoteada — como se o ar respirado por Bolsonaro pudesse contaminar o que restasse de algum afresco. Motoqueiros girando com suas Harley Davidson em torno de uma ema, Anna Magnani a correr na Esplanada dos Ministérios (sei que já estou misturando os filmes e cineastas) e sendo fuzilada, enquanto os quatro filhos do presidente correm de sunga pelo Eixão.

O horror, o horror, o horror. Mas o horror contemplado, percebido pelo ogro e pela ogra como a Sétima Maravilha da Natureza. Um terno (o paradoxal terno de um ser artisticamente violento), um vestido, um cheque, ah, é mesmo, não foi exposto nenhum cheque ali, um vestido branco, noites não exatamente brancas, uma atmosfera às avessas a contaminar Brasília, um pesadelo, ensaio sobre uma cegueira especifica, a kriptonita a extrair não as últimas energias de cada cidadão, mas a última capacidade estética.

Os sapatos de Michelle, as mãos gigantescas de Michelle a aplaudir a cena, as mãos envergonhadas de Bolsonaro — são mãos burras, vocês percebem, elas falam de uma maneira burra — quase a simbolizar este grande haraquiri, aquela espécie de país que, um dia, tivemos aqui.

Da foto oficial da exposição surgiram vários memes:

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06
Nov20

Flávio Bolsonaro é destaque na mídia internacional: “rachadinha” vira “salary split”

Talis Andrade

 

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A acusação visando o filho do presidente Jair Bolsonaro ganhou destaque na imprensa em vários países. © Fotomontagem RFI/AP
 
Texto por RFI
 

A denúncia por corrupção do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), visando o senador Flávio Bolsonaro, foi manchete em vários jornais do mundo.

Do jornal norte-americano The New York Times ao britânico The Guardian, passando pela revista francesa Le Point ou o canal belga RTBF, vários veículos noticiaram a acusação contra Flávio Bolsonaro, 39 anos, filho mais velho do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, por suposta participação em organização criminosa lavagem de dinheiro, apropriação indevida e peculato. Os crimes teriam sido cometidos entre 2007 e 2018, quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.

O filho do presidente Bolsonaro é acusado de corrupção”, resume em título a revista francesa Challenges, que publicou, já na quarta-feira, as primeiras informações divulgadas pelas agências de notícias.  O jornal português Publico dá mais detalhes sobre o caso e diz que o filho do chefe de Estado é suspeito de ter recebido indevidamente parte dos salários dos funcionários do seu gabinete. “Esta prática, amplamente difundida entre os detentores de cargos públicos ao nível estadual no Brasil, é conhecida como 'rachadinha'”, explica o diário português.

O britânico The Guardian tenta traduzir o conceito de “rachadinha”, que vira, nas palavras do correspondente no Rio de Janeiro, “salary split”. Isso acontece, explica o jornalista, quando “políticos corruptos sugam uma parte dos salários de seus funcionários financiados publicamente para ganho pessoal”.

The New York Times também diz que a “rachadinha” é “uma tática comum nos escalões mais baixos da política no Brasil". Mas o jornal norte-americano informa que, desta vez, “os investigadores descobriram uma série de transferências bancárias suspeitas, incluindo para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro”.

A revista francesa Le Point relata que Fabrício Queiroz, ex-oficial da Polícia Militar de 54 anos, ex-assessor do senador e muito próximo à família Bolsonaro, também foi denunciado, com outras quinze pessoas. “A mídia local diz que ele teria ligações com as milícias paramilitares que semeiam o terror nos bairros populares do Rio de Janeiro”, resume o semanário em seu site.

A abertura de um processo ainda é incerta, como explicam vários jornais, que também publicam a reação de Flávio Bolsonaro à acusação. O mexicano La Jornada diz que o filho do presidente “negou ter cometido qualquer crime e tem certeza que o tribunal não aceitará a denúncia”.

Má notícia para Jair Bolsonaro

O canal de televisão belga RTBF analisa, em seu site, que “essa acusação formal, a primeira de um membro da família desde a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, é uma má notícia para o dirigente de extrema direita antes das eleições municipais”.

Trata-se, segundo The Guardian, do “último constrangimento para o ex-capitão do exército, que assumiu o poder se posicionando como um outsider, como Donald Trump”. Já o diário português Público conclui sua matéria lembrando que Jair Bolsonaro foi eleito “tendo como pano de fundo a Operação Lava-Jato, cujas investigações resultaram em condenações de políticos relevantes de praticamente todos os partidos, incluindo o antigo Presidente Lula da Silva, que, por isso, não pôde candidatar-se às eleições presidenciais”. E, como The Guardian, insiste na ironia, ressaltando que Bolsonaro “fez do combate à corrupção uma das suas principais bandeiras”.

 

 
29
Set20

Ei, Michele, conta aqui pra nós!!!

Talis Andrade

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por Chico Vigilante

- - -

Tem situações que só a arte propicia. Tomamos conhecimento que a Sra. Michele Bolsonaro foi a uma delegacia de polícia para registrar queixa em relação à música da banda Detonautas e ao integrante compositor, Tico Santa Cruz. A música, de forma bem humorada, repete a pergunta que circula nas redes sociais e fora delas desde que tomamos conhecimento dos depósitos que o Fabrício Queiroz e esposa teriam feito em conta da primeira-dama.  

A Sra. Michele poderia vir a público dizer que não é verdade. Ou reconhecer a verdade, mas explicar que refere-se a uma transação legal e mostrar documentos provando sua versão. Mas não. Prefere atacar os artistas que estão exercendo legal e legitimamente sua atividade. A música, por sinal, não afirma nada. Apenas pede: Ei, Michele, conta aqui pra nós…

Bolsonaro aposta em seu poder presidencial para abafar as investigações sobre as relações entre Queiroz e seus filhos. Que, na verdade, são relações entre Queiroz e Jair. Seus filhos foram usados, conscientemente, para montar as fábricas de dinheiro dos gabinetes para enriquecimento ilícito, em imóveis comprados com dinheiro vivo, loja de chocolates que mais parece lavanderia e a vida boa da família. Há suspeitas de que há dinheiro de atividades milicianas que abasteceram o caixa familiar, mas nem quero adentrar esse terreno.

O fato é que Bolsonaro e família, Michele incluída, devem explicações ao povo brasileiro. E demonstram não conseguir explicar, quando ela vai à polícia tentando censurar uma banda de rock. Não deu muito certo. Nos últimos dias, o compartilhamento do clipe da referida música circulou como nunca na internet. Viralizou, como dizem.

Nós só podemos repudiar a tentativa de censura. Censura rima com ditadura. E é patético que em um país no qual mais de 140 mil brasileiras e brasileiros perderam a vida pela omissão criminosa de um governo insano, uma música seja a preocupação de Michele, Jair e sua família. Abaixo à ditadura, censura nunca mais.

 

26
Set20

Michelle Bolsonaro quer censurar a música Micheque, dos Detonautas (vídeo)

Talis Andrade

 

247 - A primeira-dama Michelle Bolsonaro se prepara para processar a banda de rock Detonautas, por conta da música Micheque, que faz uma sátira aos depósitos de R$ 89 mil em sua conta bancária, feitos pelo ex-assessor do clã Bolsonaro Fabrício Queiroz.

Michelle Bolsonaro se diz vítima de injúria, calúnia e difamação e quer que a música seja imediatamente removida de todas as playtaformas e proibida de ser executada em qualquer lugar público ou privado. 

 

 

31
Ago20

Escândalo de corrupção dos Bolsonaro é destaque no ‘New York Times’

Talis Andrade

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O desastre do governo do presidente Jair Bolsonaro, que transformou o Brasil em pária internacional, continua a ganhar grande repercussão no exterior.

Neste final de semana, o diário americano ‘ The New York Times’ publicou reportagem sobre as investigações que pesam contra a família do ocupante do Palácio do Planalto.

Relata os depósitos que o ex-assessor e amigo da família, Fabrício Queiroz, fez nas contas bancárias da primeira-dama, Michelle, e do filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro. O ‘New York Times’ detalha o chamado caso das “rachadinhas”, um esquema de lavagem de dinheiro que permite o roubo de salários do setor público, por meio da contratação de funcionários fantasmas ou empregados dispostos a devolver parte do salário para vereadores e deputados.

A reportagem dá destaque para a ameaça de Bolsonaro de agredir fisicamente um repórter que perguntou ao presidente, na semana passada, o motivo pelo qual Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da primeira-dama. “A resposta foi agressiva, mesmo para um presidente conhecido por expressar sua raiva a jornalistas e críticos: “O que eu gostaria de fazer”, disse Bolsonaro ao repórter, “é encher tua boca na porrada”, replicou o ‘Times’.

O jornal noticia que os brasileiros estão fazendo uma pergunta que pode ameaçar o futuro político do presidente Jair Bolsonaro: por que sua esposa e filho receberam pagamentos de um homem sob investigação por corrupção?

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De acordo com o diário americano, o escândalo ganhou força a partir de junho, com a prisão de Queiroz e os posteriores vazamentos para a imprensa de que o ex-assessor havia enviado a Michelle Bolsonaro muito mais dinheiro do que os investigadores haviam divulgado. “Isso colocou em dúvida a explicação do presidente de que um único pagamento revelado em 2018 foi feito para pagar uma dívida”, descreve o New York Times.

Roubo de dinheiro público

“Em ações judiciais e vazamentos para a imprensa, as autoridades levantaram a suspeita de que, a partir de 2007, Queiroz ajudou o filho mais velho do presidente, Flávio Bolsonaro, a roubar dinheiro público embolsando parte dos salários de pessoas de sua folha de pagamento”, aponta o diário.

A reportagem esmiuça o caso, relatando que, entre 2011 e 2016, Queiroz canalizou o equivalente a milhares de dólares para Michelle Bolsonaro, em transações que nenhum deles consegue explicar. “Os promotores do caso também acreditam que os depósitos feitos ao filho do presidente podem estar ligados ao esquema”, informa o jornal.

Silêncio

O ‘Times’ também chama a atenção para o silêncio do gabinete do presidente Bolsonaro, que simplesmente se recusou a comentar ou explicar o caso em nome de Bolsonaro e sua esposa. “Michelle Bolsonaro conheceu o marido em 2006, enquanto trabalhava como secretária no Congresso. Depois que os dois começaram a namorar, ela se juntou à equipe legislativa dele, uma mudança que triplicou seu salário”, afirma o ‘Times’. O jornal informa ainda que o advogado de Flávio Bolsonaro não respondeu ao pedido de entrevista feito pelo jornal.

O ‘Times’ relembra que o escândalo começou a tomar forma logo após a eleição presidencial de 2018, quando o Ministério Público identificou movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz entre 2016 e 2017. À época, ele constava da folha de pagamento de Flávio Bolsonaro. O investigadores constataram que os valores movimentados eram incompatíveis com os ganhos declarados por Queiroz.

Família na defensiva

”Desde então, outras investigações legislativas e criminais colocaram a família Bolsonaro na defensiva”, sustenta a reportagem, citando investigações que miram Carlos Bolsonaro por desvios de recursos semelhantes quando ele era vereador e por seu envolvimento com a indústria das fake news. O terceiro filho do presidente, Eduardo, também está envolvido no caso das fake news.

 

26
Ago20

Os negócios imobiliários do clã presidencial

Talis Andrade

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III - Os 89.000 reais pagos a Michelle Bolsonaro são a ponta do iceberg em esquema envolvendo dinheiro vivo

por Gil Alessi/ El País

- - -

Existe um outro fio da investigação do MP-RJ envolvendo Flávio que vai além dos repasses já identificados por parte de Queiroz. Um relatório dos promotores obtido pela revista Veja levanta a suspeita de que o hoje senador realizou uma série de negócios imobiliários com a finalidade de lavar dinheiro fruto da suposta rachadinha. Ele teria lucrado mais de 3 milhões de reais com a venda de 19 salas e apartamentos nas zonas Sul e Oeste do Rio. De acordo com o documento, existem “suspeitas de subfaturamento nas compras e superfaturamento nas vendas”, o que teria sido feito, de acordo com a linha de investigação, para “simular ganhos de capital fictícios” e encobrir “o enriquecimento ilícito decorrente dos desvios de recursos” de assessores do gabinete. Em nota, Flávio afirmou que “os valores informados [na reportagem] são absolutamente falsos e não chegam nem perto dos valores reais”. Ele também criticou os vazamentos de dados da investigação.

Em outro negócio, Flávio fez um depósito de 638.400 reais em dinheiro na conta de um corretor de imóveis para, segundo relatório do MP, ocultar valores fruto das rachadinhas. Posteriormente o deputado vendeu os dois apartamentos adquiridos em Copacabana com um lucro de 292%, algo atípico para os padrões do mercado. O primogênito de Bolsonaro não é o único da família a fazer negócios imobiliários com dinheiro vivo. De acordo com reportagem da revista Época, Ana Cristina, que foi casada com Jair de 1997 a 2008, negociou durante o período do matrimônio 14 imóveis cujo valor alcança 5,3 milhões de reais. A maioria das transações foi feita em espécie.

Desde que as movimentações suspeitas envolvendo Queiroz vieram à tona, no final de 2018, Flávio luta para que seu caso fique fora da primeira instância, alegando que na condição de parlamentar ele teria direito ao foro privilegiado, que tiraria as investigações das mãos do MP-RJ. Os promotores do caso recorreram, e agora a questão está nas mãos do STF, que deve decidir em breve de quem é a competência para investigá-lo. Existe a expectativa de que o ministros da corte optem por mandar o caso de volta para a primeira instância, tendo em vista que a jurisprudência vigente tem sido de garantir direito ao foro especial apenas quando os supostos ilícitos foram cometidos no mandato em questão, o que não é o caso de Flávio.

25
Ago20

Globo pergunta, em editorial: "Bolsonaro, por que Michelle recebeu R$ 89 mil do Queiroz? "

Talis Andrade

 

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"Das perguntas incômodas, a dos cheques de Michelle é apenas um dos mistérios que pairam sobre a conexão entre o ex-PM Queiroz e o clã Bolsonaro. O Ministério Público fluminense ainda investiga o papel de Queiroz no esquema que é acusado de gerenciar no gabinete do ainda deputado estadual Flávio Bolsonaro na Alerj. (...)

A investigação já identificou o repasse de R$ 2 milhões de assessores de Flávio a Queiroz, forte evidência do esquema em que pessoas de confiança são nomeadas em gabinetes de parlamentares para devolver parte do que recebem. (...)

Antes de tomar posse, Bolsonaro teve de responder sobre depósitos de R$ 24 mil feitos por Queiroz na conta de Michelle. Explicou que se tratava de parte do pagamento de um empréstimo, no valor total de R$ 40 mil. Podia fazer sentido na ocasião. Agora se descobre que os depósitos para Michelle somaram mais que o dobro disso — sem registro de transferência de Bolsonaro a Queiroz. O presidente continuou ontem a agredir a imprensa. Mas ainda não respondeu à pergunta do GLOBO: por que sua mulher, Michelle, recebeu R$ 89 mil do Queiroz?"

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25
Ago20

Entidades condenam novo ataque de Bolsonaro à imprensa

Talis Andrade

 

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Abraji: "O discurso hostil de Bolsonaro contra a imprensa vem incentivando sua militância a assediar jornalistas"

 

Abraji, ANJ, RSF e OAB classificam de lamentável, incompatível e "própria de ditaduras" fala do presidente de que sua vontade era "encher de porrada" repórter que o questionou sobre depósitos de Queiroz à primeira-dama.

por Deutsche Welle

Entidades de defesa da liberdade de expressão e de imprensa condenaram o ataque feito neste domingo (23/08) pelo presidente Jair Bolsonaro a um repórter do jornal O Globo que o questionou sobre depósitos feitos pelo ex-policial militar Fabrício Queiroz na conta bancária da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O jornalista, que acompanhava Bolsonaro numa visita aos arredores da Catedral de Brasília, perguntou ao presidente sobre os motivos para Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro, e a esposa dele terem depositado 89 mil reais na conta da primeira-dama. Diante da insistência do repórter, o presidente respondeu: "A vontade é encher tua boca com uma porrada."

Em reação à ameaça de agressão por parte do presidente, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota conjunta com as entidades Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB e Repórteres sem Fronteiras (RSF) na qual afirmam se solidarizar com o repórter e condenar "mais um episódio violento" protagonizado pelo presidente.

A reação de Bolsonaro "foi não apenas incompatível com sua posição no mais alto cargo da República, mas até mesmo com as regras de convivência em uma sociedade democrática", diz a nota.

A Abraji afirma que, desde que Bolsonaro tomou posse, jornalistas vêm sendo alvo de agressões verbais e que a segurança dos repórteres que cobrem a Presidência da República preocupa. A associação lembrou que em junho alguns veículos de comunicação – incluindo o grupo Globo e o jornal Folha de S. Paulo – decidiram suspender temporariamente a cobertura jornalística na porta do Palácio da Alvorada, em Brasília, devido à hostilidade enfrentada pelos repórteres por parte de apoiadores de Bolsonaro.

"O discurso hostil e intimidatório de Bolsonaro contra a imprensa vem incentivando sua militância a assediar jornalistas nas redes sociais nos últimos meses, inclusive com ameaças de morte e agressões aos profissionais e a seus familiares", diz a nota conjunta divulgada pela Abraji. "A frase 'minha vontade é encher tua boca com uma porrada' pode ser entendida como uma legitimação do cometimento de crimes como esses."

Ao repercutir a nota da Abraji no Twitter, a organização Repórteres sem Fronteiras destacou trecho que diz que "um presidente ameaçar ou agredir fisicamente um jornalista é próprio de ditaduras, não de democracias".

Citado pela imprensa brasileira, o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, também condenou a atitude de Bolsonaro. "É lamentável que mais uma vez o presidente reaja de forma agressiva e destemperada a uma pergunta de jornalista. Essa atitude em nada contribui com o ambiente democrático e de liberdade de imprensa previstos pela Constituição", afirmou.

Em sua conta no Twitter, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, lamentou o fim da moderação por parte de Bolsonaro vista nas últimas semanas. "Lamentável ver a volta do perfil autoritário que tanta apreensão causa nos democratas. Nossa solidariedade ao jornalista ofendido e ao jornal O Globo."

OS DEPÓSITOS

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No início de agosto, uma reportagem da revista Crusoé apontou que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, depositou 72 mil reais na conta de Michelle Bolsonaro entre 2011 e 2018. Os repasses foram descobertos com a quebra de sigilo bancário do ex-policial militar e contrariaram a versão sobre o caso apresentada pelo presidente.

A quebra do sigilo bancário de Queiroz foi autorizada pela Justiça no âmbito da investigação sobre um esquema de "rachadinha"  – prática ilegal através da qual os funcionários de parlamentares são coagidos a devolver parte de seus salários – no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O filho do presidente foi deputado estadual entre 2003 e janeiro de 2019, e Queiroz foi seu assessor entre 2007 e 2018.

Segundo a reportagem, Queiroz depositou ao menos 21 cheques na conta de Michelle entre 2011 e 2018, em valores que somam 72 mil reais. Até então, era conhecido apenas um repasse de 24 mil reais do ex-assessor para a esposa do presidente.

Quando o caso veio à tona, no final de 2018, Bolsonaro afirmou que os repasses feitos por Queiroz a Michelle eram referentes a uma dívida de 40 mil reais que o ex-assessor tinha com o presidente. Bolsonaro alegou que os valores haviam sido depositados na conta de sua esposa por ele não ter tempo de ir ao banco.

Os depósitos de Queiroz a Michelle divulgados pela Crusoé foram confirmados pelo jornal Folha de S. Paulo, que noticiou ainda que a esposa de Queiroz, Marcia Aguiar, também repassou dinheiro em 2011 para a primeira-dama, por meio de seis cheques que somaram 17 mil reais.

Com isso, os valores repassados para a primeira-dama somariam 89 mil reais, bem acima do suposto empréstimo de 40 mil reais que Bolsonaro mencionou.

Desde as recentes revelações, o presidente não se manifestou sobre os depósitos à sua esposa.

 

 

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25
Ago20

Bolsonaro ataca imprensa e diz que jornalista "bundão" tem mais chance de morrer de Covid-19

Talis Andrade

 

Por Lisandra Paraguassu/ Reuters

Em um evento marcado para fazer apologia do uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar os jornalistas, a quem chamou de “bundões”, e afirmou que teriam mais chance de morrer se contaminados pela doença.

Ao discursar no evento, batizado de “Vencendo a Covid-19”, Bolsonaro falou dos sintomas leves que sentiu quando teve a doença, apontando o fato de ter tomado hidroxicloroquina e seu “histórico de atleta” como responsáveis pelo quadro leve que teve. Em seguida, criticou a imprensa por, segundo ele, ter “debochado” de sua fala quando afirmou ter sido atleta.

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“Aquela história de atleta né, que o pessoal da imprensa vai para o deboche, mas quando pega num bundão de vocês a chance de sobreviver é bem menor. Só sabe fazer maldade, usar a caneta com maldade em grande parte”, disse. “A chance de sobreviver é bem menor do que a minha”, disse.

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Em março, ao fazer um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV em que minimizou a epidemia, Bolsonaro afirmou que se pegasse a doença não teria problemas por seu “histórico de atleta”. O presidente foi contaminado em julho, ficou três semanas afastado com sintomas leves mas, ao final do período, teve um infecção no pulmão, tratada com antibióticos.

Depois de um período de silêncio, o presidente voltou a atacar jornalistas no domingo. Ao ser questionado por um repórter do jornal O Globo sobre o depósito de 89 mil reais na conta bancária de sua mulher, Michelle, feitos pelo ex-policial militar e ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, respondeu: “Estou com vontade de encher a tua boca na porrada, tá?”, em seguida chamando o jornalista de “safado”.

O ataque do presidente levou a uma reação das redes sociais. Desde o domingo, mais de 1 milhão de tuítes foram publicados questionando Bolsonaro sobre o depósito de 89 mil reais na conta de sua mulher.

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