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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Jul21

A miséria de Bolsonaro: fila pra pegar ossos no açougue é marco histórico

Talis Andrade

Açougue tem fila para doação de ossos em Cuiabá para famílias carentes |  Mato Grosso | G1Açougue tem fila para doação de ossos em Cuiabá para famílias carentes |  Mato Grosso | G1

Brasil precisa pôr fim à insanidade que começou com promessas delirantes de acabar com mamadeiras de piroca e comunismo imaginários nas escolas e um impulso quase sexual por armas. A brincadeira custou caro: 59,4% dos lares brasileiros apresentaram algum nível de insegurança alimentar

 
 
 

Há dois dias uma notícia atingiu o Brasil no estômago. Uma fila com centenas de pessoas, em Cuiabá (MT), debaixo de sol inclemente, se formou para desesperadamente aguardar uma doação de ossos que iriam para o lixo de um grande açougue da cidade. O fato dispensa contextualização acadêmica. É miséria pura, aos olhos do mundo.

É uma fotografia que materializa os dados divulgados em abril deste ano, fruto de um estudo desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa Alimento para Justiça, da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a Universidade de Brasília (UnB): 59,4% dos lares brasileiros apresentaram algum nível de insegurança alimentar.

125 milhões de seres humanos no Brasil, num universo total de 212 milhões de habitantes do país, não podem se alimentar adequadamente. Entre eles, 13%, ou seja, 27 milhões, vivem neste momento em miséria absoluta, sem nada, ao Deus dará, famintos, sem casa, sem água, sem coisa alguma.

Esse será para sempre o legado da aventura tresloucada que foi eleger um mau-caráter assumido, quadrilheiro ralé, militar golpista, insubordinado e parlamentar corrupto, moralista, estúpido e hipócrita que prometeu ao Brasil acabar com um comunismo abobalhado imaginário, erradicar mamadeiras com bico de piroca que seriam usadas por esquerdistas em escolas para converter criancinhas em futuros gays e que alimentou ao limite a tara incontida de pobres diabos que desejam um revólver mais que tudo na vida.

A loucura caótica de Jair Bolsonaro, somada a uma absoluta ausência de qualquer forma de planejamento ou estratégia, junto às legiões de abutres da pilhagem que se encostaram em seu “governo” para impor o pragmatismo aético do “mercado”, cujo emissário é o parasitário ministro Paulo Guedes, resultam hoje, três anos depois, num país devastado, empobrecido e vergonhosamente mendicante.

15 milhões de brasileiros não têm qualquer renda, enquanto outros 33 milhões fazem bicos e biscates. A economia, que era a 6ª maior do mundo há 10 anos, caiu para a 13ª posição. As universidades viram seus bancos esvaziarem, a juventude voltou ao limbo da total falta de horizonte e a pobreza visível está espalhada por todos os 5.568 municípios do país.

Pegar osso é saída para frações de nossa população. Outros milhares se aglomeram nas portas de todos os supermercados clamando (muitas vezes agarrando pelo braço) por uma moeda ou para ganhar um saco de arroz. Estamos num umbral desesperador, falidos como nação, vivendo uma apatia que parece irreversível.

Enquanto isso, o discurso oficial é negar. O Brasil melhora a passos largos, nos livramos da corrupção, da tomado de poder pelos tirânicos comunistas e a moral da família cristão voltou a imperar. E isso merece uma comemoração, que ocorre em sábados alternados por meio de motociatas com insígnias nazifascistas que brindam o renascimento de um país pujante.

O louco sorri. Xinga como um bêbado de botequim. Ameaça como bandido miliciano. Ri de mortos por sufocamento. Brinda os projetos que beneficiam bilionários. Defende estelionatários da fé que roubam as últimas moedas dos mais vulneráveis.

 

16
Jul21

“Manifestações não podem ser apenas Fora Bolsonaro”

Talis Andrade

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É necessário virar de vez o “jogo ideológico” e impor um “fim ao bolsonarismo, do militarismo, da hipocrisia religiosa”

 

247 - O jurista e professor da Universidade de São Paulo Alysson Mascaro, em entrevista à TV 247, avaliou que, para que as manifestações populares pelo “Fora Bolsonaro” ganhem ainda mais força, é preciso ir além e demandar um verdadeiro projeto de País.

Mascaro comentou sobre o Brasil ter ultrapassado a marca dos 530 mil mortos pela Covid-19. O jurista atribuiu a queda de Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais à percepção de que o presidente é o grande responsável pela situação da pandemia.ImageImage

Para ele, as estatísticas são essenciais para demonstrar a gravidade da situação, mas é necessário ir além e projetar “o que queremos dessa realidade”. “Qual será o movimento de resistência, de luta e de chamado progressismo e transformação social do Brasil? É um momento exemplar no qual eventualmente o opressor levou uma certa pancada e está bambeando. Agora é o momento de percebermos se o povo brasileiro, se trabalhadoras e trabalhadores vão assistir a esse bambeamento ou vão aproveitar para dar um soco na cara”, disse o jurista. 

Ele destaca que, para virar “o jogo ideologicamente”, ativistas devem pautar temas como o poder indevido dos militares e a hipocrisia religiosa do governo Bolsonaro: “A grande questão é que as manifestações daqui a uma semana e outras mais não podem ser só pelo ‘Fora Bolsonaro’. Esse é o primeiro momento no qual precisamos jogar a pauta do que queremos para os próximos anos. Efetivamente, isto é tirar da esfera pública o moralismo, acabar com a percepção de que militares têm que governar e com a dimensão de que a pauta política tem que ser feita por religiosos. Pela primeira vez, está na hora de faturar em cima desta gente moralista que não tem moral. Portanto, a pauta política de agora é o fim do Bolsonaro e mais uma série de pautas que devem vir juntas... Militares no quartel, chega de hipocrisia religiosa. Precisamos virar o jogo ideologicamente e começar a pautar simbólica e imaginariamente a luta do Brasil a partir desse momento”.

 

28
Out18

TODO PODER À FAMÍLIA BOLSONARO

Talis Andrade

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O pai presidente da república de bananas.

O filho mais velho, reeleito deputado federal, presidente da Câmara dos Deputados.

O segundo filho, que era deputado estadual, e foi eleito senador, presidente do Senado Federal

O terceiro filho, hoje vereador, é candidato a prefeito do Rio de Janeiro.

E o Superior Tribunal Federal? 

 

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 Dizem que os eleitores do PT são petralhas... e o eleitor de Bozo?

 

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 Tá pertinho de virar deus... da igreja dos pastores mil vezes milionários

22
Set17

Da obrigatoriedade de tocar gospel e a morte da música e danças brasileiras

Talis Andrade

Flanklin.jpg

Franklin Lima, pastor desde os 15 anos, direitista, conservador e golpista 

 

O deputado federal pastor Franklin Lima (PP-MG) quer, criminosa e traiçoeiramente, obrigar as rádios públicas a executarem, diariamente, música de sua seita religiosa. O Projeto de Lei 8429/2017 propõe ainda multas diárias para a emissora, em caso de não cumprimento, e a suspensão da concessão por até 30 dias, no caso de reincidência.

 

O pastor deputado representa os interesses da bilionária indústria de música religiosa.

 

Panorama Show publicou em 2015: O mercado de produtos e serviços para o segmento religioso está entre os que mais crescem no Brasil. Existem 179 mil organizações religiosas no País. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, esse número apresentou crescimento de 5,28% entre 2013 e 2014. Somente em 2013 foram abertas 12 igrejas por dia, uma a cada duas horas - ou seja, 4.400 ao longo do ano. No universo evangélico é gerado cerca de R$ 15 bilhões de faturamento por ano, em diversas áreas. De acordo com a organização Servindo aos Pastores e Líderes (Sepal), em 2020 os evangélicos poderão ser mais da metade da população brasileira. Com investimento maciço em comunicação, o segmento também é o principal responsável pela sobrevida da indústria fonográfica. A venda de CDs e DVDs de música cristã é da ordem de R$ 500 milhões anuais.

 

A origem do gospel está nos cantos de trabalho dos escravos nos Estados Unidos. Uma música de negros cantada no Brasil por brancos. In Wikipédia: Ainda que o termo, "Música Gospel", possa abranger um campo da Música muito vasto, seus estilos, embora com nomes variados, possuem todos uma mesma essência e raiz — a música cristã negra nos Estados Unidos da América. Talvez um dos velhos estilos da música negra que realmente se aproximou do Gospel foi o Negro Spirituals (em português, as canções harmoniosas dos "Espirituais dos Negros").

 

A música que fluiu da igreja Afro-americana inspirou uma cornucópia de corais modernos, artistas do mercado Rhythm & Blues, e o atual Gospel contemporâneo (Música Cristã Contemporânea), além de outros estilos musicais do gênero.


Alimentado pela gigantesca indústria multi-bilionária de gravação musical nos Estados Unidos, o "pequeno infante" da música Gospel pulou do seu berço humilde e cristão e atravessou as muralhas da igreja para um mercado bem diferente do mundo atual. E, o Gospel continua a crescer. De acordo com a revista Norte-americana, Gospel Today, dentre 2003 e 2008, sete gravadoras criaram divisões especiais somente para lidar com artistas Gospel; as estatísticas da mesma publicação indicaram que os selos independentes cresceram 50%, e o rendimento das vendas só de música Gospel chegou a triplicar nas últimas décadas, de US$180 milhões de dólares em 1980 a US$500 milhões em 1990.

 

No Brasil, os principais cantores e bandas cobram, para realizar um show com duração de 1h30m em um evento religioso, mais de cem mil reias. Fora do templo esse preço, em um comício político ou show patrocinado por prefeitos ladrões, o cachê pode aumentar dez vezes mais, e mais ainda com esquentadas notas frias. Para não escandalizar os fiéis, veja os preços cotados por baixo, por baixo. É de fazer corar fadre de pedra: Quanto mais linda a cantora, mais cara. Fica mais do que escancarado de que não cantam por amor a Deus.  

 

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Por ter sido consagrado pastor evangélico aos 14 anos de idade, Flanklin Lima era chamado por Edir Macedo de Joao XII, o mais jovem papa do catolicismo, eleito quando tinha 18 anos. Flanklin Iniciou seu chamado pastoral na Igreja Universal do Reino de Deus de Edir Macedo. Hoje é pastor da Igreja Mundial do Poder de Deus, presidida pelo apostolo Valdemiro Santiago. Na política, direitista e golpista votou no impeachment de Dilma Rousseff (veja vídeo), faz parte do PP, Partido Progressista, liderado por Paulo Maluf, e o deputado federal Jair Bolsonaro, que esteve no partido desde a criação, e é apoiado pelas classes militar e conservadora, e pela bancada cristã, atualmente presente no PSC juntamente de seus três filhos, também membros do legislativo.

 

Não é de graça, nem pela graça de Deus, que Franklin Lima defende a Isenção de IPTU para Templos. Os evangélicos - a exceção não salva a maioria - possui um rendoso negócio de objetos religiosos.  Que vende de tudo, menos imagens, por considerar idolatria.

 

Os templos das seitas funcionam como tendas de milagres e feiras imobiliárias de terrenos no céu. O que representa um verdadeiro conto de vigário. Entre as mercadorias e ritos: água do Rio Jordão, perfume do suor de Jesus na via-crúcis, beijo em pé de pastora, livros religiosos e música golpel importada dos Estados Unidos, cantada em inglês ou traduzida para o português.

 

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Uma curiosidade desses mercadores do templo. Condenam o latim nos cultos religiosos, mas defendem o inglês como língua sacra, principalmente como texto da Bíblia.

 

Toda a palhaçada de obrigar o toque de músicas religiosas faz parte da campanha antecipada das eleições do próximo ano, com pastores candidatos a deputado estadual, governador, deputado federal e senador. No Rio de Janeiro, o prefeito bispo Marcelo Crivella já lançou a candidatura do bispo Edir Macedo a presidente do Brasil.

 

Mas o interesse principal está na indústria de espetáculos. 

 

No projeto, o parlamentar argumenta que o artigo 221 da Constituição Federal estabelece que a programação das emissoras de rádio e televisão do país devem "visar a promoção da cultura nacional e regional e estimular a produção independente que objetive sua divulgação" (inciso II), além do "respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família" (inciso IV).

 

"Atualmente, as rádios públicas ignoram as músicas religiosas, passando somente as músicas mais populares em suas programações, deixando assim de contemplar aquelas pessoas religiosas, as quais não se sentem bem ouvindo outros tipos de músicas", defende o parlamentar, na proposição do projeto. Ainda segundo ele, as atuais programações radiofônicas deixam "as pessoas religiosas sem motivação ou sem jeito" para acompanhar sua grade.

 

O projeto de lei, no entanto, não estabelece definições claras para o que poderia ser enquadrado como "música religiosa". No texto da PL, música religiosa é aquela interpretada por artista brasileiro para fins religiosos", cabendo ao Poder Executivo fiscalizar o cumprimento da lei, se aprovada. Atualmente o projeto segue em tramitação nas comissões da Câmara dos Deputados.

 

O projeto visa também evitar o pagamento de jabá.

 

O chamado jabá é uma prática adotada “às escuras” por diversas emissoras de rádio do país. Funciona basicamente assim: a emissora pede uma quantidade em dinheiro e em troca veicula a música do artista. Normalmente ela pega parte da verba paga pelo artista e transforma em promoção para o ouvinte, a fim de lançar a música e, consequentemente, encher os bolsos da empresa.

 

Apesar de sua relevância, o assunto é tão delicado que as pessoas não se pronunciam em relação a ele. 

 

Sabe por que libera apenas as músicas religiosas? É que as emissoras evangélicas cobram jabá. Leia uma denúncia aqui 

 

A Constituição Federal estabelece que o Brasil se configura como Estado laico e determina, em seu artigo 19, I, que é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios "estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público."

 

O gospel constitui uma versão da música brega profana. A lei deve existir, sim, para defender a cultura brasileira, evitar sua planejada degeneração no país que promove festivais de jazz, e o Rock in Rio na ex-Cidade Maravilhosa, e ex-Capital do Samba. 

 

O jabá para promover o frevo (pasmem!) no carnaval custava 300 reais por uma única exibição.

 

Que as rádios públicas sejam obrigadas a tocar a verdadeira música brasileira, notadamente do nosso folklore e a música tocada nas danças: o reisado, o maracatu, pau-da-bandeira, maneiro-pau, caninha verde, bumba meu boi, frevo, fandango, carimbó, samba, capoeira, coco, maxixe, xaxado, caboclinho, pastoril, afoxé, maculelê, baião, ciranda, xote, jongo, catira, lundu e outras que os jovens de hoje desconhecem.

 

Existem programas patrocinados por governos estrangeiros para destruir a cultura brasileira, inclusive existe denúncia que envolve o presidente Fernando Henrique, isso em março de 1964, como agente da CIA. Desde o Império Romano, o arrasamento da cultura nativa e a introdução de uma nova cultura antecediam a invasão das legiões dos césares. Vide como exemplo a destruição das grandes bibliotecas da história da humanidade.    

 

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