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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

20
Mar20

CONTÁGIO DO CORONAVÍRUS. Por que no SUS os médicos não usam EPI higienizado, luvas, óculos de proteção e máscara N95?

Talis Andrade

Nos hospitais do SUS, os pacientes padecem amontados nos corredores. Na rede hospitalar privada, "os pacientes suspeitos ficam no que chamamos de leito de pressão negativa, um ambiente completamente isolado, em que o ar que está ali dentro não sai para o corredor do hospital, por exemplo”

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por Joana Oliveira

El País

Medidas na rede privada (Continuação). Em três dos hospitais de referência no combate a doenças infecciosas em São Paulo, a situação é bem diferente. O Hospital Sírio-Libanês, o Hospital do Coração (HCor) e a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein trabalham com protocolos de isolamento dos pacientes com suspeita de Covid-19 e fornecem EPI completo para as equipes de médicos e enfermeiros.

“Há risco de contágio dos profissionais, principalmente no pronto-socorros. Não tem como toda a equipe ficar paramentada o tempo todo, mas aqui o protocolo é identificar rapidamente os pacientes que têm tosse ou falta de ar, entregar uma máscara cirúrgica e isolá-lo em uma sala. Os médicos usam EPI higienizado, com luvas, óculos de proteção e máscara N95. Os pacientes suspeitos ficam no que chamamos de leito de pressão negativa, um ambiente completamente isolado, em que o ar que está ali dentro não sai para o corredor do hospital, por exemplo”, explica Valéria Paes, infectologista do Sírio Libanês.

Um protocolo similar é adotado no Albert Einstein, conforme conta o infectologista Moacyr Silva: “Nossa prioridade é que a equipe não adoeça, então, qualquer profissional que atenda um paciente com sintoma respiratório, mesmo no consultório, usa EPI completo. Temos medo de que aconteça aqui o mesmo que em outros países”, diz ele, referindo-se a lugares como a China, que, no ápice do contágio por coronavírus, registrou cerca de dois mil profissionais de saúde infectados. Lá, eles se tornaram um dos principais grupos de risco.

Para Pedro Mathiasi, infectologista do HCor, é importante dar exemplo. “Tenho dois filhos em casa, onde também cuido do meu pai, idoso. A primeira coisa que eu faço no trabalho é conscientizar minha equipe sobre higienização do material de trabalho e uso do EPI”, diz ele, acrescentando que, se o protocolo de isolamento for cumprido, não há risco de contágio para médicos e enfermeiros. Mathiasi é otimista: “Acredito que sairemos disso com uma rede de saúde no Brasil muito mais sólida e com protocolos de segurança melhor desenvolvidos”.

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28
Ago18

Ninguém liga, ninguém liga! O Brasil matou este ano 13 trabalhadores soterrados em armazéns de grãos!

Talis Andrade

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Efeito 'areia movediça' é um dos principais causadores de mortes em silos carregados de grãos. Ilustração Vitor Flynn

 

Os ajudantes Edgar Jardel Fragoso Fernandes, de 30 anos, e João de Oliveira Rosa, de 38, iniciavam o expediente na Cooperativa C. Vale, em São Luiz Gonzaga (RS), quando foram acionados para desentupir um canal de um armazém carregado de soja.


Era abril de 2017, quando a colheita da oleaginosa confirmava as previsões de que o Brasil atingiria a maior safra de sua história. Enquanto tentavam desobstruir o duto caminhando sobre os grãos, os dois afundaram nas partículas. Morreram asfixiados em poucos segundos, encobertos por várias toneladas de soja.


Acidentes como esse em armazéns agrícolas têm se tornado frequentes conforme o agronegócio brasileiro bate sucessivos recordes – expondo um efeito colateral pouco conhecido da modernização do campo. Leia mais 

06
Mar18

O dedo de Neymar, o rabo do Galvão e o salário dos médicos

Talis Andrade

O Brasil fosse operar os dedos-duros faltariam médicos e hospitais

 

 

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Escreveu Roberto Almeida: "O excesso de atenção à operação do dedo do jogador Neymar, por parte da mídia, especialmente a TV Globo, está sendo ridicularizado por brasileiros de diversas regiões do país, através da internet.

 

Faz sucesso na rede os versos, em estilo cordel, do poeta popular Pedro Paulino, da Vila de Campos, em Canindé, no Ceará.

 

Segundo comunicou
O velho José Simão,
Vai ter cobertura ao vivo
Em toda televisão;
A Globo até vai mandar
Ao local, pra comentar,
O baba-ovo Galvão.

Porque, segundo a notícia,
Quando o fato aconteceu,
Uma equipe logo veio
E o atleta socorreu,
Mas naquela ocasião
Foi o rabo do Galvão
O lugar que mais doeu! Leia mais aqui 

 

O médico Klaus Morales, de Minas Gerais, no dia que a imprensa cobria ao vivo a operação no dedo fez o seguinte desabafo: 

 

"Nosso salário está sendo pago em três parcelas mensais, pois o Governo do Estado diz que o orçamento não é suficiente para que o Estado faça o pagamento em parcela única".

 

Mas o Estado sempre tem dinheiro para pagar na marra os altos salários, acima do teto, dos juízes, promotores, desembargadores, procuradores, conselheiros, consultores, assessores das nababescas cortes palacianas da justiça estadual, do tribunal de faz de conta que faz as contas, cabide de emprego para deputados sem votos ou que perderam o mandato.

 

Sobra dinheiro para pagar os coronéis da polícia militar. Idem da justiça militar e delegados por todos os lados.

 

Sobra dinheiro para pagar auxílio moradia de finórios grã-finos em um Estado com milhões de sem teto, de moradores de rua, inclusive em área de alto risco.

 

DESABAFO de Klaus Morales: Estou de plantão na Maternidade Odete Valadares, uma maternidade pública estadual REFERÊNCIA no estado de Minas Gerais para acolhimento e tratamento de gestantes de alto risco, RNs prematuros e casos ginecológicos complexos.


Faltam leitos de CTI neonatal para atender toda a demanda. Não raramente pacientes ficam alojadas em macas por falta de leitos em enfermaria. Faltam médicos para preencher contratos de trabalho dada a burocracia para contratação e os salários defasados frente aos demais postos de trabalho semelhantes.
Para completar, nosso salário está sendo pago em três parcelas mensais, pois o Governo do Estado diz que o orçamento não é suficiente para que o Estado faça o pagamento em parcela única.

 

A exatos 50 metros daqui, no Hospital Mater Dei, o craque Neymar esta internado para uma cirurgia do quinto metatarso. Pedestres estão sendo impedidos de transitar pela calçada do hospital. Viaturas da polícia estão estacionadas desde cedo nos arredores. Um andar inteiro, com muitos leitos, está interditado para receber o jogador. Helicopteros sobrevoam o hospital e não se fala em outra coisa nos noticiários a não ser sobre o caso.


Inumeros repórteres fazem firulas na porta do hospital, papagaios de pirata com suas embaixadinhas e mais uns bons desocupados com camisas de time esperando um autógrafo. Tudo transmitido ao vivo com sorriso no rosto e peito aberto.
Do lado de cá, pacientes esperam horas para serem atendidas e muitas outras são transferidas por falta de estrutura imediata para internação. São apenas dois andares para receber as pacientes e, no momento, não existem vagas.


Infelizmente, reina a absoluta inversão de valores. Falta empatia. Falta vergonha na cara.
Brasil, um país de poucos.

 


P.S.: Não vim aqui pra reclamar de Neymar, de hospital algum (inclusive o Mater Dei é um belo hospital, com corpo clinico super bem formado, etc), se o Neymar está pagando ou não. Só que a cobertura e o rebuliço que têm sido feitos em torno disso é desproporcional à realidade de uma população que sofre o descaso do governo em relação à saúde. A imprensa, como fonte de informação, deveria a meu ver dar mais peso ao que realmente importa.

 

NEYMAR E A SOCIEDADE QUE CELEBRIZA E ESPETACULARIZA O FÚTIL

 

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por Jeferson Miola: O Brasil precisa enfrentar seus reais problemas. E o maior deles, que consome 43% dos impostos arrecadados, é o pornográfico sistema da dívida pública, que propiciou lucro líquido de R$ 24,9 bilhões só ao Itaú em 2017 e que, para assegurar a ganância dos banqueiros, levou centenas de milhares de brasileiros à dor e ao sofrimento por falta do mesmo acesso que o Neymar tem aos serviços de saúde para consertar o 5º metatarso do dedinho do pé direito. Leia mais aqui

17
Ago17

Cilada nazista de Temer para demitir os trabalhadores enfermos

Talis Andrade

 

 

Revisão de benefícios ou caça aos doentes?


Em mais um episódio de perseguição aos trabalhadores e desmonte do sistema previdenciário, governo Temer força retorno à rotina profissional de adoecidos sem planejamento ou programa de reabilitação, o que pode levar ao agravamento do quadro de milhões de afastados

 

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                                                            Ilustração Oguz Gurel

 

 

por Claudia Motta

 

Foi ampliado para 21 de agosto o prazo para que afastados por auxílio-doença entrem em contato para agendar nova perícia junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Uma lista de segurados por incapacidade foi publicada no Diário Oficial da União de 1º de agosto para entrar em contato com o INSS e saber a data da perícia por meio da qual o benefício será reavaliado. São trabalhadores que não puderem ser contatados via Correios. Nesse caso, o empregado deve entrar em contato com a central de atendimento (135) para saber a data agendada para a reavaliação do benefício por incapacidade. O não atendimento à convocação pode levar o auxílio a ser suspenso ou cancelado.

 

Para a perícia, o segurado deve apresentar toda documentação médica que justifique o auxílio-doença: atestados, laudos, receitas e exames. Quem não puder comparecer por estar internado ou enfermo, deverá pedir a uma pessoa de sua confiança que informe, em uma agência do INSS, sobre esse impedimento. Portando documento de identidade do segurado e comprovante do impedimento, será possível solicitar perícia hospitalar ou domiciliar.

 

Ao todo, 530 mil benefícios de auxílio-doença serão revisados, além de mais de 1 milhão de aposentadorias por invalidez. Segundo informações do MDS, até 14 de julho 199.981 perícias haviam sido feitas e 180.268 benefícios haviam sido cortados.

 

Para a médica do trabalho Maria Maeno, fazer a revisão não é um problema em si. “Vejamos uma situação exemplificativa. Um trabalhador é aposentado por invalidez e depois de certo tempo, passa a apresentar melhora da funcionalidade. No programa terapêutico, junto com ele, conclui-se que é possível tentar um retorno ao trabalho. É obrigatório que esse processo de reabilitação profissional inclua a análise da atividade de trabalho que ele desenvolverá, possibilidade de se manter tratamento, e só então, ele deverá fazer um estágio monitorado para que se possa analisar a viabilidade desse retorno. Semelhante processo deve ser desenvolvido nos casos de auxílio-doença de longa duração”, explica. “Nas circunstâncias em que está ocorrendo, a revisão de benefícios só tem um objetivo, que é o de cessá-los em maior número possível para que se diminua os gastos do INSS. Por isso, paga-se R$ 60 por fora do salário do perito para que ele participe do mutirão da revisão de benefícios. A avaliação é feita sob quais critérios? Ninguém sabe”, critica.

 

A categoria bancária figura entre os ramos de atividade com as mais altas taxas de acidentes do trabalho do país. De 2012 a 2016 foram 20.414 afastamentos por acidentes do trabalho conforme dados do Ministério Público do Trabalho. Para agravar a situação, são doentes geralmente acometidos por transtornos mentais, como depressão, estresse pós-traumático, síndrome do pânico.

 

Futuro crítico – A médica desenha um quadro bastante preocupante para os próximos anos. “Como não há equipes de reabilitação profissional, suponho, sem medo de errar, que milhares de pessoas estão tendo benefícios cortados sem que se promova uma real reinserção nos postos de trabalho, de forma que elas consigam se manter trabalhando sem agravar seu quadro clínico”, avalia.

 

“Seria obrigatório que equipes do INSS multidisciplinares acompanhassem e garantissem o retorno ao trabalho gradativamente e que após o retorno efetivo, monitorassem os casos, para verificar se o retorno ao trabalho efetivamente ocorreu. Da maneira como está sendo feito, corre-se o risco dessas pessoas piorarem seu estado clínico ou não conseguirem trabalhar dentro das expectativas, ficando vulneráveis a demissões. Se isso se concretizar, teremos muitos trabalhadores doentes e desempregados. Se perderem a condição de segurado, dificilmente retornarão a ser segurados. Será ruim para eles e para o INSS que arrecadará menos. Já nesse contingente que foi reavaliado me pergunto quantos ainda tinham vínculos empregatícios.”

 

Para a secretária-geral do Sindicato, Neiva Ribeiro, essa é mais uma etapa do desmonte da Previdência e do enfraquecimento do sistema de seguridade brasileiro. “Por isso estamos convocando toda a população a reagir. Proteste, pressione os deputados para que votem contra o desmonte da Previdência e a favor dos direitos dos trabalhadores. As eleições de 2018 estão logo ali e não vamos esquecer quem traiu o povo brasileiro.”

 

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