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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

04
Out19

Legando banditismo e fanatismo como exemplos, Lava Jato dá motivos para a extinção do MP

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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O procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção tentou assassinar uma juíza na sede do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, na capital paulista.

 

Segundo noticiou o saite Conjur – Consultor Jurídico [aqui], o procurador “invadiu o gabinete da juíza Louise Filgueiras, convocada para substituir o desembargador Paulo Fontes, em férias, e chegou a acertar uma facada no pescoço dela, mas o ferimento foi leve”.

Outras notícias ainda mencionam que o ferimento foi próximo à veia jugular que, se atingida, poderia ter causado a morte da juíza.

O procurador aparentava estar em estado de surto no TRF3, e pronunciava fanaticamente frases sobre “acabar com a corrupção no Brasil”.

O procurador ainda invocava o exemplo homicida do ex-chefe do MPF Rodrigo Janot, dizendo que deveria ter entrado armado no tribunal, ‘para fazer o que Janot deixou de fazer’”.

Se poderia estar diante de mais uma corriqueira tentativa de homicídio por uma pessoa transtornada e desatinada, mas não é este o caso presente. Validar essa hipótese, inclusive, seria irresponsável e atentatório à democracia.

O fato envolve um procurador federal, da carreira da Fazenda Nacional, que se reconhece ideologicamente – ou religiosamente – como alguém imbuído da “missão” de combater a corrupção no país,  decerto missão divina, atribuída exclusivamente a esses seres, os procuradores de qualquer tipo.

O procurador também parece se considerar onipotente e inimputável, com poder supremo inclusive para tirar a vida dos desafetos que atrapalham a realização da missão da sua vida.

Este acontecimento doentio e inconstitucional segue um exemplo, um modelo; e é forçoso se reconhecer que este exemplo/modelo é a Lava Jato.

O fanatismo que beira à loucura religiosa e que inspirou o procurador Assunção é uma marca dos procuradores mais engajados da Lava Jato, como o pastor batista Deltan Dallagnol, que capturou o discurso do combate à corrupção para praticar a corrupção direta em proveito próprio, e para praticar a corrupção do sistema de justiça do Brasil com propósitos políticos e partidários.

O banditismo da força-tarefa, fartamente comprovado pelas revelações do Intercept e confessado no livro do Janot [aqui], que confessa sua personalidade homicida-suicida, é a outra inspiração do procurador Assunção.

O lastimável nisso tudo é a falta de indignação de procuradores e procuradoras decentes do MPF, que devem ser a maioria dos 1.151 em atividade, e que não se insurgem contra a proteção corporativa e institucional, via ANPR, CNMP, PGR, Corregedoria do MP assegurada a colegas que, a despeito da vocação criminosa, também pertencem à carreira de procuradores [aqui, aqui, aqui].

O fruto podre da força-tarefa da Lava Jato não compromete somente o combate à corrupção e a carreira dos procuradores, mas atinge de morte o Ministério Público.

Legando como exemplos o bandidismo e o fanatismo, a Lava Jato dá motivos de sobra para a extinção do Ministério Público. Não se trata de meros desvios institucionais, mas estamos diante de uma instituição que se mostra nefasta, deletéria e ameaçadora à sociedade e à democracia.

04
Out19

Procurador esfaqueia juíza dentro do TRF-3

Talis Andrade

Procurador Matheus Carneiro Assunção: Deveria ter entrado armado no tribunal, “para fazer o que Janot deixou de fazer”

procurador matheus.png


Por Pedro Canário

O procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção foi preso nesta quinta-feira (3/10) depois de tentar matar uma juíza na sede do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, na avenida Paulista. Ele invadiu o gabinete da juíza Louise Filgueiras, convocada para substituir o desembargador Paulo Fontes, em férias, e chegou a acertar uma facada no pescoço dela, mas o ferimento foi leve.

Antes de se descontrolar totalmente, o procurador despachara com a desembargadora Cecilia Marcondes, quando já se mostrou alterado. Assunção então foi ao gabinete do desembargador Fábio Prieto, no 22º andar. Ele presidia uma sessão de julgamento e não estava no gabinete no momento.

O procurador, então, desceu as escadas e invadiu a sala que fica imediatamente abaixo, de Paulo Fontes, mas ocupado por Filgueiras durante suas férias.

A juíza trabalhava em sua mesa e foi surpreendida pela invasão do procurador, mas conseguiu se afastar dele —as mesas dos desembargadores são bastante amplas, o que dificultou o acesso de Assunção à vítima.

Diante do insucesso, ele ainda tentou jogar uma jarra de vidro na direção da magistrada, mas errou. O barulho da jarra quebrando foi o que chamou a atenção dos assessores. E o procurador foi imobilizado pelas pessoas que estavam dentro do gabinete durante a ação.

Na mesma noite, a Polícia Federal lavrou auto de prisão em flagrante contra o procurador. Em nota, a PF informou que "o preso será encaminhado à audiência de custódia nesta sexta-feira".

Quem viu o procurador se movimentar pelo tribunal comentou que ele parecia em estado de surto e intercalava frases sem sentido com de efeito sobre "acabar com a corrupção no Brasil". Ao ser imobilizado, o procurador se mostrou confuso. Segundo os seguranças que o detiveram, Assunção afirmou que deveria ter entrado armado no tribunal, “para fazer o que Janot deixou de fazer”.

 

A magistratura vem sendo atacada simbolicamente nos últimos tempos, e essa campanha nefasta na tentativa de desacreditar a instituição acaba estimulando o comportamento criminoso de indivíduos. Temos de dar um basta a isso

Louise Vilela Leite Filgueiras.jpeg

Juíza Louise Vilela Leite Filgueiras 

Em seu perfil no Instagram, o desembargador Paulo Guedes Fontes se pronunciou sobre o ocorrido. "Esse lamentável episódio aconteceu no meu gabinete. Solidarizo-me com a Juíza Federal Louise Filgueiras, pessoa maravilhosa, profissional das mais competentes, que gentilmente aceitou meu convite para me substituir. Felizmente ela está bem! Aparentemente foi um ataque aleatório, ele foi antes em outros gabinetes, alterado. Não o conheço e não tínhamos numa primeira análise qualquer processo conosco o envolvendo. Espero que o episódio sirva para alertar quando à falta de segurança para os magistrados nos fóruns e tribunais."

"Não bastasse a notícia recentemente divulgada de que um Procurador da República pensou em atentar contra a vida de um ministro do STF, agora temos uma infeliz ocorrência no TRF de São Paulo. Para além de lamentar o ocorrido e se solidarizar com a vítima e todos os colegas do tribunal, urge mais uma vez repensar os níveis de segurança das cortes e dos fóruns, em todo o país”, lamentou Jayme de Oliveira, presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB).

Para Fernando Mendes, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), não pode se admitir qualquer ataque à magistratura. "A magistratura vem sendo atacada simbolicamente nos últimos tempos, e essa campanha nefasta na tentativa de desacreditar a instituição acaba estimulando o comportamento criminoso de indivíduos. Temos de dar um basta a isso."

Segundo Marcos da Costa, ex-presidente da OAB-SP, "não podemos admitir que se estabeleça um clima de ódio dentro do ambiente que deveria ser marcado pelo respeito entre aqueles que estão a dedicar suas vidas em prol da justiça".

 

 

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