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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

10
Set22

Meu Brasil, por Lara Abreu (vídeo musical)

Talis Andrade

Meu Brasil - Lara Abreu - YouTube

 

Brasil, deixa eu te contar sobre essas vivências
Essas histórias que a gente ainda enfrenta
Os anos passam, passam, mas voltamos pra trás
Será que somos os mesmos? Será que somos iguais?
 
Brasil, aí por favor eu sinto medo
Medo do que você vem se tornar
Das árvores que vem a sumir
Desses homens que vem a matar
Desses corpos se espalhando aqui
Dessa gente que vem a chorar
 
Brasil, nossos heróis dessa vez estão sem voz
Ou se calaram pra gente?
Ou se calaram por nós?
E agora já andamos a sós?
 
Mas o mundo anoitece doutor
 
Tá vendo aqui, a história se repetindo de novo
O tempo não passa, esperamos que acabe toda essa farsa
Eu quero ver antes que venha aquilo tudo voltar
 
Essa agonia no meu peito me diz que dias ruins vão chegar
Vou precisar falar escondendo o meu rosto, fingindo o olhar
Abrir minha mente, pra saber agora como devo lutar
 
Sinta essa dor, todo artista que gritou tá precisando voltar
É um retrocesso tão grande!
Brasília já tá cheia de militar
Quem vai nos parar, que vai nos calar
Meus amigos, aonde vamos chegar?
 
Vem me escutar
Eu imploro, venha ouvir essas pessoas chorando
Gritando por socorro antes que voltamos pra 64 de novo
Venha acreditar em mim
Não venha achar que
 
Não pode acontecer
Cê sabe como é
Não venha querer ver
 
Que o mundo se apaga doutor
 
Pra uns é mais rápido do que pra outros, já pode ouvir
Arma só serve pra uma coisa não venha querer discutir
O vento vai, mas já trouxe tanta morte aqui
E todo sangue que perdemos, será que ainda foi pouco?
E olha só, já tem gente comemorando tudo isso de novo
Será que tão conseguindo nos ouvir?
 
Mas tô aqui
Não vou falar só pelos outros, eu falo por mim
Que vou resistir mesmo que não tenha mais ninguém aqui
Vou tá cantando, incomodando
Antes que seja tarde vou continuar lutando
 
Então me de sua mão
Deixa eu te mostrar
Como a vida está
Deixa eu te mostrar, vem cá, vem cá, vem ca
 
Que o mundo já tá cego doutor
 
Mas tamo assim
Não venha falar que isso é vitimismo nosso
Não venha falar, já que você não tá na lista de próximo a tá caído, jogado no chão por aí Sendo impedido de ser quem você é
Chamado de louco por ser quem você quer
Levando cuspida no rosto
Não sendo aceito naquele emprego de novo
 
Tudo é muito pouco, todo dia se torna muito, tá tudo de mais
É um sufoco, cada dia que passamos voltamos pra trás
Já não andamos mais em paz
Não nos querem aqui, já não aguento mais
 
Mas tô aqui, e mesmo que não me queira, eu não vou sumir
Esse país também é nosso
E esse seu "mito" não vai nos impedir
Vai me ouvir, vai me ouvir, vai me ouvir
E vai me ver
 
Crescer
Vai nos ver chegar
Vai nos ver viver
Ocupar todo lugar
 
Porque o Brasil também é meu
O Brasil também é meu
Esse país também é meu
 
A luta não acabou doutor
Esse país também é nosso
E ele é laico
E ele é livre
 
A luta não acabou doutor
Esse país também é nosso
E ele é laico
E ele é livre
 
A luta não acabou doutor
Esse país também é meu
E ele é laico
 
E ele é livre
 

29
Ago22

Não vote em homicida, em serial killer, em genocida

Talis Andrade

Caim e Abel por Denise Ludwig

 

Homicida significado: adj. m+f que mata: guerra homicida; arma homicida. Subst. m+f pessoa que mata alguém.

Homicida sinônimos: assassinos, celerados, criminosos, delinquentes, facínoras, malfeitores, matadores, sicários.

Esquisita, estranha, apelando para o fanatismo, o terror político, candidatos foram eleitos pela propaganda dos crimes de morte cometidos. 

Isso explica a campanha do candidato Jair Bolsonaro de não reconhecer a vitória de Lula nas urnas da Democracia, de não acreditar no voto livre e libertário do povo, que todo golpe tem listas estaduais de presos sob vara, tem lista nacional de lideranças marcadas para morrer.

Inacreditável, tem pastor que ameaçou Lula de morte. Condena o sexto mandamento: não matarás. Caso de Otoni de Paula:

Bolsonaro e sua esposa Michelle religiosa ameaçam com a volta da ditadura militar de 1964, que torturou nas delegacias e quartéis, que matou presos políticos e guerrilheiros, que ensanguentou o Brasil. Um quartelada contra as reformas de base, contra o comunismo imaginário, um movimento armado pela Tradição, Família e Propriedade que exilou Jango, um presidente querido dos trabalhadores, dos operários, das ligas camponesas. 

Bolsonaro seria um tirano, um grotesco Idi Amin, um Pinochet que tanto exalta, um Ustra que tanto admira. 

Nesta eleição não seja um analfabeto político, um anticristão, um inimigo da claridade. Não vote em homicida. Não vote em genocida. Não vote em serial killer. Não vote em que ameaça matar o próximo (vide tags)

Tu não matarás: Emmanuel Lévinas e a tirania como política - Editora  Dialética

No Conexão Repórter desta segunda-feira, 20 de maio, Roberto Cabrini acompanhou os passos do maior serial killer da história do Brasil: Pedrinho Matador. Com a missão de penetrar nas profundezas da mente de um assassino, o jornalista busca os segredos, conflitos, fantasmas e tormentas de Pedro Rodrigues Filho, responsável por 100 assassinatos com 400 anos de condenação.

Ele contou como foi sua trajetória deu a ele o apelido pelo qual se tornou famoso e temido, relatando que as tatuagens espalhadas por seu corpo são como um mapa do curso de sua vida. O programa investigou como foi sua infância ajuda a explicar quem ele se tornou, recordando que aos 14 anos aconteceu sua primeira execução. Aos 19, já acumulava 40 mortes, das quais nem mesmo o próprio pai se salvou. Pedrinho explica como matar deixou de ser um hábito e virou uma compulsão, relembrando a época da prisão. Na detenção, aonde passou mais de 40 anos, diz como chegou a executar 16 pessoas em um único dia. Segundo a 'ética' do matador, mulheres e crianças são intocáveis e só morre quem merece.

 

16
Jul22

Sentido desfigurado

Talis Andrade
Imagem: Grupo de Ação

 

 

Bolsonaro é o maior estimulador da tensão que se alastra e que tende a desaguar em atos de agressão física

 

 

por EUGÊNIO BUCCI /A Terra É Redonda

“Você sabe o que é sentido figurado? Você sabe o que é? Você estudou português na faculdade ou não?” Assim ralhou o presidente da República, no Palácio do Planalto, ao ouvir uma pergunta de que não gostou. Entendamos o contexto.

O bate-boca se deu na segunda-feira, 11 de julho, dois dias depois de o guarda municipal Marcelo Arruda ter sido morto a tiros, durante sua festa de aniversário, na cidade de Foz do Iguaçu (PR). Gravado pelas câmeras de segurança do local da comemoração, o crime ganhou as telas eletrônicas, desde os telejornais do horário nobre até os grupos de família no WhatsApp. O assassino invadiu o salão atirando, enquanto gritava: “Aqui é Bolsonaro!”. A vítima, militante do Partido dos Trabalhadores, tinha escolhido o ex-presidente Lula como tema do seu aniversário.

Com tamanha carga partidária, a tragédia adquiriu um significado político eloquente – um bolsonarista mata a tiros um petista, às vésperas das eleições. Daí vem a pergunta: o que é que os pronunciamentos odientos do presidente têm que ver com esse homicídio? Pois era isso que os repórteres queriam ouvir do próprio. Durante a rápida entrevista, alguém lembrou uma fala de Bolsonaro em 2018, durante um comício no Acre. Na ocasião, o então candidato tomou emprestado um destes tripés usados por fotógrafos e cinegrafistas e o segurou como se fosse uma metralhadora, fazendo tremer os braços, como se distribuísse rajadas nos ares do Norte. Depois, pegando de volta o microfone, bradou, quase gargalhando: “Vâmu fuzilá a petralhada aqui do Acrê”.

Quando ouviu menções à sua incitação ao fuzilamento de petistas, proferida há quatro anos, o hoje chefe do Executivo se agastou. Foi aí que usou como escudo as figuras de linguagem: “Você sabe o que é sentido figurado? Você sabe o que é? Você estudou português na faculdade ou não?”.

Não é comum o oferecimento de disciplinas de português em faculdades que ensinam o jornalismo. Os profissionais desse campo tentam estudar o idioma durante a vida inteira, mas dificilmente encontrarão aulas de gramática ou de formas narrativas no seu currículo de graduação. O presidente da República não sabe disso, lógico, assim como não sabe o que significa “sentido figurado”. Se invoca a expressão, só o faz para escapulir de uma responsabilidade que tem. Ele não é culpado imediato pelos disparos de Foz do Iguaçu, mas é, sim, o maior estimulador da tensão que se alastra e que tende a desaguar em atos de agressão física.

Por certo, Jair Bolsonaro não faz ideia do que seja o tal “sentido figurado”; sua prosódia de exacerbações, avessa a qualquer forma de elevação estética, apenas desfigura o sentido das representações simbólicas. Onde a linguagem triunfa sobre a carnificina, os seus urros trazem de volta a pedra bruta que tritura o espírito de cada palavra. As coisas que ele diz, e as diz muito mal, as coisas malditas que saem dos seus resmungos ou de suas infâmias produzem, sem rodeios nem mediações, a generalização da violência. A responsabilidade é direta, crua, não há como disfarçá-la ou maquiá-la.

Chega a ser estranho, desconcertante mesmo, que tanta gente fique por aí falando em polarização. A polarização já era; eclodiu antes de 2018 e depois virou outro bicho. Embora seus resíduos subsistam, o que está hoje na nossa cara não resulta mais de um debate polarizado, mas de uma fascistização unilateral e desembestada. É com isso que estamos lidando agora.

(Um parêntese aqui. Os cientistas políticos evitam usar o termo fascismo para descrever o quadro presente; as circunstâncias históricas da Itália dos anos 1920 não coincidem com o que se passa agora no nosso triste país – além do quê, Mussolini, em seu início, defendia os direitos trabalhistas, enquanto o bolsonarismo os mastiga feito hiena –, mas o que está aí carcomendo por dentro o Estado Democrático de Direito e degradando por fora dele toda a cultura política é, sim, um fascismo anacrônico, ele mesmo desfigurado, oco, um fascismo ajoelhado diante dos financistas e dos políticos de aluguel.)

O desastre fascista, como costumávamos saber, mora no “guarda da esquina”. Era assim na Itália de cem anos atrás e é assim agora no Brasil. São estes anônimos, armados pelas políticas públicas do governo, os colecionadores de trabucos e de mortes, que se sentem cada vez mais convocados a tomar a iniciativa de abater os dissidentes. Hoje, como antes, o fascismo é o império dos matadores medíocres, insignificantes e obscuros que se veem autorizados a dar cabo da vida de gente luminosa.

Este é o golpe que está vindo aí, que já começou e que vai ainda nos custar mais sangue. O fascismo insepulto dos seres menores, não nos enganemos mais, foi produzido pelo discurso desfigurado que a nossa gente elegeu há quatro anos. É chocante constatar que tantos ainda se dobrem a essa moléstia política. Dói na espinha ver como tantos eleitores endinheirados prometem dobrar a aposta. Os reprimidos clamam por mais repressão. Os devotos obtusos, há cem anos, como agora, se aconchegam no nervo frio do mal.

14
Abr22

Instinto assassino. Mais um deputado de PSL deseja a "morte de Lula"

Talis Andrade

atirador ocioso GIF - Download & Compartilhe em PHONEKY

"Não vejo a hora do Lula morrer", jura o deputado coronel Ta deu

 

O deputado federal Coronel Ta deu (PSL-SP) afirmou que não vê a hora “do Lula morrer”. A frase foi publicada em seu perfil no Twitter depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um contundente discurso em tom crítico ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

“Não vejo a hora do Lula morrer”, escreveu o deputado na rede social. “Não é discurso de ódio e sim de paz", disse com sarcasmo, com a frieza dos serial killers. "O histórico desse sujeito não deixa saudades, mas um exemplo para essa nação acordar dos males que sofreu", justificou a sanha assassina.

Coronel Ta deu já protestou diversas vezes contra a saída de Lula da prisão. 

Foi um militar violento, da chamada linha dura, durríssima, e esconde moradia e primeito nome da população. É desses deputados que detesta visita do povo. 

Eis o nome do sujeito: Márcio Ta deu Anhaia de Lemos. 

 

14
Abr22

Vereador bolsonarista que já deu chilique homofóbico ameaça Lula com rifle

Talis Andrade

Sargento Simões ameaça Lula

 

Ele também ameaçou, em 2019, um PM que pediu o namorado em casamento com a farda

 

Por 

 

O vereador bolsonarista Anderson Alves Simões (Avante), de Mauá (SP), divulgou em suas redes na semana passada um vídeo em que ameaça o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma arma.

O bolsonarista imitou o vídeo do deputado federal Junio Amaral (PL-MG). O parlamentar criticou um vídeo do petista em que ele sugere fazer um mapeamento das casas dos deputados, “conversar com a mulher dele, conversar com o filho dele, incomodar a tranquilidade dele”, ao invés de fazer protestos em frente ao Congresso.

“Oi, Lula. Tudo bem? Estava aqui em casa, tomando café com minha família, nós vimos um vídeo seu falando para visitar os deputados federais, deputado federal tem família. Eu sou vereador, pré-candidato a deputado federal em São Paulo. Eu queria te convidar, convidar seu povo, para vir aqui em casa tomar um café comigo. Você eu sei que até esses dias morava em Curitiba, nas sela (sic) da Polícia Federal, não é isso? Agora a gente não sabe onde você mora. Fala para mim onde você mora. Eu quero visitar você aí também. Tomar um café com você. Vai ser um prazer te receber aqui em casa ou ir na sua casa tomar um café com você, tá bom? Tamo junto, Lula. Sou o Sargento Simões, tá?”, disse ele enquanto carregava uma pistola e segurava um rifle.

 

Ameaça e homofobia

Antes mesmo de ser eleito, Simões, que é sargento aposentado da PM, foi denunciado por ameaça e homofobia pelo policial militar Leandro Prior, que pediu em casamento o namorado Elton da Silva Luiz usando a farda da corporação.

Sargento Simões, como é conhecido, teria atacado via redes sociais o policial após saber do pedido, feito próximo a uma base da PM em São Paulo. Entre palavras de baixo calão, o sargento disse que iria caçar o soldado e "ensiná-lo a virar homem na porrada, seu filha da p*** do c******".Best Cavalo Homen Kill GIFs | Gfycat

 
12
Jun21

Pare a máquina, Kathlen é morta

Talis Andrade

Kathlen Romeu - Projeto Colabora

por Thiago Amparo

- - -

Parem as máquinas, pois Kathlen Romeu é assassinada. Assim mesmo: no tempo presente. Eu me recuso a escrever sobre mortes negras no passado, porque vivemos num grande presente a se repetir e repetir; no qual o futuro é uma obra afrofuturista. Ser negro no Brasil é viver uma constante dissonância cognitiva: nosso corpo está aqui e agora, mas contra esse corpo é aplicada, e reaplicada, a mesma tortura há séculos.

Kathlen Romeu, 24 anos, grávida de quatro meses, não foi morta em confronto, porque morticínio não é confronto, é barbárie. Kathlen Romeu não foi alvo de bala perdida, porque a bala é sempre certeira contra os mesmos endereços e a mesma cor: 700 mulheres foram baleadas no RJ desde 2017; sendo 15 delas grávidas, como Kathlen; dez bebês foram baleados ainda na barriga da mãe, segundo dados do Fogo Cruzado.

O que está em curso no RJ é, tecnicamente, genocídio: destruição intencional de um grupo étnico-racial. E quero que vá às favas quem ache que isso seja calunioso, posto que falso não é: governo e polícias do Rio de Janeiro têm as mãos sujas do sangue que derramam. Qual democracia sobrevive após ser esmagada pela queda do corpo que nunca pesa? Por que coisificamos mortes negras em mais um post preto e as transformamos em códigos de desconto?

Toda morte é política, porque fomos nós, a pólis, que produzimos o governo da morte. Que o incendiemos. Parem a grande máquina do mundo, pois Kathlen não sorri mais.

Joel Luiz Costa on Twitter: "JUSTIÇA POR KATHLEN ROMEU! ELES MATAM NOSSOS  FILHOS E NOSSAS MÃES O movimento Favelas Na Luta vem a público, mais uma  vez, pedir justiça pela vida de

09
Jun21

Investigação é arquivada, e oito mortes em operação no Salgueiro não têm explicação

Talis Andrade

Na foto, parentes e amigos durante o enterro de Marcio Melanes Sabino, um dos mortos na ação

Parentes e amigos durante o enterro de Marcio Melanes Sabino, um dos mortos na chacina do Salgueiro. Foto: Pablo Jacob / Agencia O Globo

 
por Rafael Soares /Extra
 

Oito pessoas foram assassinadas com 35 tiros de fuzil. Ninguém atirou. Essa é a conclusão das investigações sobre uma operação do Exército e da Polícia Civil no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, em novembro de 2017, que terminou com oito mortes. Os dois inquéritos que foram abertos para investigar o caso foram arquivados. O Ministério Público estadual concluiu, em novembro do ano passado, que nem policiais civis nem traficantes haviam atirado. Agora, o MP Militar (MPM) também arquivou o caso sob o argumento de que militares também não puxaram o gatilho.

Segundo o MPM, que investigava a participação de militares das Forças Especiais do Exército nos crimes, a decisão de arquivar o caso “foi submetida à apreciação da Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Militar, que, em 13 de março de 2019, de forma unânime, a homologou”. Não há mais nenhuma investigação em curso sobre o caso. A menos que surjam novas provas, que possam gerar a reabertura dos inquéritos, os autores dos disparos seguirão impunes.Em protesto, moradores fecharam parte da Niterói-Manilha

Protesto de moradores contra a impunidade dos matadores da chacina do Salgueiro 

A decisão do MPM de arquivar o caso foi tomada mesmo depois que uma testemunha sobrevivente afirmou, em depoimento, que os disparos que atingiram as vítimas foram feitos por militares. O padeiro, de 19 anos, baleado nas mãos, foi localizado pelo EXTRA uma semana depois da operação. Ao MP estadual, ele afirmou que os tiros foram disparados da mata ao lado da estrada onde as vítimas foram encontradas por homens vestidos de preto, com capacetes e fuzis com mira a laser. À Defensoria, ele reconheceu o uniforme preto das Forças Especiais do Exército como o usado pelos atiradores.

O relato foi confirmado por Luiz Octávio Rosa dos Santos, de 27 anos, a oitava vítima fatal da ação, que morreu em dezembro de 2017, depois de um mês internado. Antes de morrer, ele afirmou à polícia que os tiros que atingiram as vítimas “vinham da mata em direção das casas que ficam do outro lado da Estrada das Palmeiras”.

A perícia feita no local pela Polícia Civil corrobora os relatos: são “verossímeis os relatos de moradores que davam conta de disparos vindos da mata localizada em plano superior e à esquerda da via”, concluiu o perito Thiago de Azevedo Hermida.

Quatro dias antes das mortes, o Exército posicionou homens na mata atrás do Complexo do Salgueiro. A revelaçao foi feita pelo EXTRA um mês depois da operação. A medida foi decidida numa reunião com participantes das cúpulas das forças de segurança estadual e federal no Centro Integrado de Comando e Controle, na Cidade Nova, e teve como objetivo cercar o complexo de favelas antes de uma primeira operação no local, que aconteceu no dia 7 de novembro. Essa ação não teve mortos. No dia 11, os militares voltaram ao local para operação que teve vítimas fatais. A presença de homens na mata na ação do dia 7 foi confirmada ao MPM pelo então comandante do Batalhão de Forças Especiais, coronel Paulo Santa Barba.

A operação foi denunciada à Comissão Interamericana de Direiros Humanos (CIDH). A denúncia foi entregue pelos defensores públicos Rodrigo Pacheco e Daniel Lozoya ao secretário-executivo da CIDH, Paulo Abrão, em Washington. O documento, assinado pela Defensoria Pública do Rio e pelas ONGs Movimento Negro Unificado, Criola e Instituto de Estudos da Religião, foi elaborado com base na série de reportagens do EXTRA sobre o caso.

 

 

09
Jun21

Polícia Civil do Rio investigará jornalista por críticas a massacre do Jacarezinho

Talis Andrade

ConJur - Polícia Civil do Rio investigará jornalista por críticas a operação

Operação policial na favela do Jacarezinho deixou 28 mortos, um deles um policial

O PORÃO VOLTOU

por ConJur

A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu inquérito para investigar se o editor-executivo do site The Intercept Brasil, Leandro Demori, cometeu calúnia ao questionar a operação policial que deixou 28 mortos na favela do Jacarezinho, zona norte da capital fluminense, em 6 de maio.

Dois dias após a operação, Demori reproduziu nas redes sociais trechos de uma newsletter sua em que afirmou que policiais que participaram do ação do Jacarezinho "são conhecidos à boca pequena como 'facção da Core', a Coordenadoria de Recursos Especiais".

"A história cresce quando juntamos outros fatos: a 'facção' está envolvida no caso João Pedro (menino de 14 anos, morto durante uma operação), na chacina do Salgueiro (oito mortos) e no caso do helicóptero da Maré (oito mortos). São 41 homicídios somente nesses casos. Quantos mais?", disse Demori.

Quem comunicou a suposta calunia foi o delegado Pablo Dacosta Sartori, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Segundo a Polícia Civil, a delegada Daniela dos Santos Rebelo Pinto assinou a abertura da investigação porque Sartori estava afastado por licença medica.

"Trata-se de ocorrência realizada por determinação de autoridade policial, com objetivo de apurar o teor de diversas acusações realizadas contra policiais civis do estado do Rio de Janeiro, em especial contra os policiais lotados na Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), uma vez que, após buscas virtuais realizadas pelo setor técnico desta delegacia especializada, foram identificados perfis nas redes sociais, onde há afirmação de que os policiais são criminosos e que fazem parte de uma 'facção' que mantém um grupo de assassinos", afirma o inquérito, instaurado em 12 de maio.

Leandro Demori, que deverá depor nesta quinta-feira (10/6), afirmou à Folha de S.Paulo que a apuração é arbitrária. "O que me espanta é que, em vez de usarem o aparato policial para investigar a denúncia, investigam o jornalista."

Intecept Brasil, em editorial publicado nesta terça (8/6), disse que "tudo indica que a DRCI se tornou uma delegacia de repressão política".

"Em democracias saudáveis, a polícia estaria preocupada com a pilha de mortos que a Core vem deixando em suas operações. No Brasil dos nossos tempos, a polícia quer intimidar e pressionar o mensageiro. Demori foi intimado a comparecer na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática na próxima quinta-feira, às 14h. A DRCI é a mesma que intimou Willam Bonner, Renata Vasconcellos e Felipe Neto, em casos com evidente viés político. Tudo indica que a DRCI se tornou uma delegacia de repressão política. O Intercept não vai se curvar a isso, nunca."

Também é investigado no inquérito o biólogo Lucas Sá Barreto Jordão. Isso porque ele publicou o seguinte comentário sobre a operação no Jacarezinho no site do El País: "Operação de bandidos fardados mata 25 pessoas".

 

Histórico arbitrário


Titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, Pablo Dacosta Sartori foi o responsável por instaurar, a pedido do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), inquérito contra o youtuber Felipe Neto. A investigação, com base na Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/1983), foi aberta após ele chamar o presidente de “genocida”.

Sartori também abriu inquérito contra os apresentadores do Jornal Nacional William Bonner e Renata Vasconcellos. Isso por eles noticiar que o Ministério Público do Rio havia oferecido denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As investigações contra Felipe Neto e os jornalistas da Globo foram arquivadas pela Justiça.

Além disso, a Justiça trancou inquérito em que Sartori acusou a Ordem dos Advogados do Brasil de ser uma organização criminosa. 

Em maio de 2019, as advogadas Carolina Araújo Braga Miraglia de Andrade e Mariana Farias Sauwen de Almeida acompanharam a cliente Izaura Garcia de Carvalho Mendes em ida à Delegacia de Combate à Pirataria do Rio. Na ocasião, Izaura, portando um falso registro da Biblioteca Nacional, acusou o padre Marcelo Rossi de plágio. O delegado Maurício Demétrio Afonso Alves então decretou a prisão em flagrante das três mulheres por uso de documento falso, formação de quadrilha, denunciação caluniosa e estelionato.

A seccional do Rio de Janeiro da OAB afirmou que a decretação de prisão das advogadas no exercício da atividade foi ilegal e apresentou representação contra o delegado por abuso de autoridade no Ministério Público.

A pedido de Maurício Alves, o delegado Pablo Dacosta Sartori abriu inquérito contra os dirigentes da OAB-RJ para investigar a prática de uso de documento falso, denunciação caluniosa e associação criminosa e os convocou para prestar esclarecimentos.Delegado que investigou Felipe Neto e Bonner agora mira jornalista do  Intercept

Pablo Dacosta Sartori

Em seu relato, Alves afirma que representantes da Ordem estariam protocolando uma petição relatando supostos crimes e transgressões disciplinares cometidos por ele. No entanto, o delegado diz que os advogados praticaram "omissões criminosas" na acusação de abuso de autoridade e alegou inocência. No inquérito, por duas vezes, os dirigentes foram chamados de "os criminosos da OAB" por Sartori.

09
Jun21

Grávida morta por bala perdida em comunidade do Rio já tinha escolhido nomes para bebê

Talis Andrade

Jovem negra grávida é morta durante ação da PM no Rio de Janeiro - Ponte  Jornalismo

 

Por Matheus Rodrigues, G1 Rio

A designer de interiores Kathlen Romeu, de 24 anos - que morreu ao ser atingida por uma bala perdida no Rio - já tinha escolhido o nome do bebê, que esperava há 14 semanas. No Instagram, ela já havia anunciado a gestação e a escolha pelos nomes: Maya ou Zyon.

 

Neném, já me sinto pronta para te receber, te amar, cuidar!!! Deus nos abençoe”, disse a mãe na publicação.

 

Ela contou que estava com todos os sintomas de uma gestante. De acordo com a publicação, a jovem sentia azia, enjoos e uma “fome de leão”.

“Acordo as vezes assustada e pensando que não é real, mas aí vem uma fome de leão, uma dor de cabeça, um sono inacabável, uns enjoos incontroláveis e as azias que só Jesus me ajudando! Tem horas que penso que ficarei presa com os meus arrotos! É, tem sido desse jeito e nessa hora que eu lembro: Estou grávida”, diz o post na rede social.

A designer de interiores foi baleada durante uma operação da Polícia Militar enquanto passava na rua com a avó na comunidade do Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio. Ela foi levada para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas foi a óbito.

 

Namorado diz: 'vou vencer por você'

 

O tatuador e designer gráfico, Marcelo Ramos, namorado de Kathlen e pai do filho que ela estava esperando, usou suas redes sociais para prestar uma homenagem à jovem.

Na postagem, ele diz estar sem chão com a morte de Kathlen.

"Nunca será esquecida meu amor, você, a Maya/Zayon sempre irão morar dentro de mim, estou completamente sem chão, as vezes é difícil entender a vontade de Deus, mas sei que você está melhor que nós. Aqui só vai ficar saudades e as lembranças de você, a pessoa mais radiante e animada que eu conheci na minha vida, vou vencer por você. Que Deus me dê força", publicou Marcelo.

 

Kathlen estava no ‘ápice’ da vida, diz amiga

 

Kathlen Romeu morreu vítima de bala perdida na região da Grajaú-Jacarepaguá, na tarde desta terça-feira (8) — Foto: Reprodução redes sociais

Kathlen Romeu morreu vítima de bala perdida na região da Grajaú-Jacarepaguá, na tarde desta terça-feira (8) — Foto: Reprodução redes sociais

Amigos e familiares lamentaram a perda da jovem para a violência do Rio de Janeiro. Nas redes sociais, algumas pessoas afirmaram que ainda não acreditavam na morte.

A atleta e amiga da vítima Isabela Ramona conversou com o G1 e afirmou que Kathlen Romeu estava muito feliz com a gravidez. Segundo Ramona, ela teve a vida interrompida no ápice dos planos com o namorado Marcelo.

 

A Kath estava muito feliz [com a gravidez]. Ela e o Marcelo estavam muito felizes, fazendo vários planos, comprando a casa deles. Ela tinha acabado de se formar na faculdade. Ela estava muito preocupada também com a questão da Covid e por ela estar preocupada. Interromperam a vida dela quando ela estava no ápice da vida dela”, disse Isabela.

Kathlen estava com a avó no momento que foi baleada. Ela fez um desabafo nesta terça enquanto estava no IML.

"A minha rua tá muito perigosa, eu não queria ter perdido minha neta e perdi desse jeito estúpido. Eu perdi minha neta num tiroteio bárbaro".

"A gente estava indo na firma da minha filha. Quando nós passamos a rua estava tranquila. Foi tudo muito de repente. A minha neta caiu, começou muito tiro. Quando eu puxei ela caiu, eu me machuquei ainda, me joguei para proteger ela, que está gravida. Eu só vi um furo no braço dela e gritei para eles me ajudarem a trazer. Perdi minha neta e meu bisneto", acrescentou a avó chorando.

09
Jun21

Kathlen e seu bebê, mais duas vidas negras interrompidas no Brasil

Talis Andrade

Rio de Janeiro: Kathlen e seu bebê, mais duas vidas negras interrompidas no  Brasil | Atualidade | EL PAÍS Brasil

 

As fotos mostram uma jovem feliz com a descoberta da gravidez, mas não deu tempo de ela experimentar seu futuro. Foi baleada em meio à ação policial em Lins de Vasconcelos, no Rio de Janeiro. Nos últimos cinco anos, 15 grávidas foram baleadas no Grande Rio

 

 

“Bom dia, neném”. Este foi o último post da Kathlen Romeu em seu perfil no Instagram, na manhã desta terça-feira, 8 de junho. Quem vê as fotos, se depara com uma jovem feliz com a recente descoberta da gravidez, relatando um misto de surpresa, alegria e medo.

Kathlen tinha medo dos desafios da maternidade, das coisas que uma mãe de primeira viagem ia descobrir pelo caminho. Mas não deu tempo. Ela foi morta aos 24 anos em meio a uma ação policial em Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio de Janeiro. Curiosamente, o bairro é um dos poucos onde ainda há Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP, que foi estrela da política de segurança na última década e faliu.

Famosos lamentam tragédia com Kathlen Romeu, grávida negra morta no Rio -  Quem | QUEM News

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