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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

15
Fev22

Isentão, não

Talis Andrade

martinho da vila pxeira.jpeg

 

por Mirian Guaraciaba

Deu um prazer danado ler a entrevista do cantor e compositor Martinho da Vila, em O Globo desse domingo. Aos 84 anos, Martinho não se esconde. Nem na vida, nem na política. Mesma alegria ao ler declarações de Andrea Beltrão e Marieta Severo, divas do teatro brasileiro. Elas e ele são diretos, posição cristalina, pensam de fato num Brasil de esperança.

“Você vai participar da campanha do Lula?”, perguntou o repórter a Martinho. “Se ele quiser, claro. Para os amigos, faço qualquer coisa”.

Tem Chico, Wagner Moura, Caetano, Gil, Pablo Vittar, Marcelo Serrado, Bruno Gagliasso, Popozuda, José de Abreu … Juliette, Gil do Vigor… e outros mais. A magnitude do respeitável apoio desses artistas não está, certamente, na soma de votos que trarão a Lula, mas na volta por cima da democracia, soterrando anos de sufoco na mão de golpistas, família Bolsonaro e radicais extremistas.

A herança do bolsonarismo é ruinosa. Inflação de dois dígitos, o pior flagelo. Acumulada desde dezembro de 2014 a outubro de 2021, bateu 47,5%. Empobrece o trabalhador, e aumenta ferozmente a miséria extrema. Hoje, segundo a FGV, já são cerca de 30 milhões de brasileiros passando fome no Brasil.

O desemprego, em 2022, baterá recorde com Bolsonaro. Serão 13,5 milhões em dezembro, e o pior índice num ano eleitoral – contabilizadas as sete últimas campanhas presidenciais. Saúde? Bem estar? Educação? Segurança? Cultura? O espólio é catastrófico em todas as áreas. O atraso social é incontestável.

Bolsonaro bateu recorde de desmatamento da Amazônia. Garimpos ilegais proliferam na região. Há pouco tempo, O BNDES, banco de fomento para o desenvolvimento do País, emprestou quase R$ 30 milhões a fazendeiros punidos pelo Ibama por estarem desmatando. Apesar do histórico de infrações, receberam dinheiro publico com juros subsidiados. As informações são da Rede Brasil Atual.

O que esperar, num segundo mandato, de um sujeito que nega a ciência? Dizimar a população que não reza pela sua cartilha? Bolsonaro levou o País a ser o segundo em óbitos pelo coronavirus em todo o mundo, e o terceiro com mais casos confirmados, dados recentes. Somos o sexto país mais populoso e só estamos atrás dos Estados Unidos nessa macabra estatística.

É trágico na área cultural. Regina Duarte e Mário Frias, perversos. Perigosos. Que outro candidato teriam os artistas bem intencionados e que preferem não estar em cima do muro? Ciro Gomes, para Fabio Porchat, e outros tantos. Ok. Primeiro passo. Primeiro turno. Ciro é destemperado, para dizer o mínimo, fugiu do combate em 2018, não tem estratégia política, mas não se pode dizer que não se preocupa com o País.

Em numero menor, talvez, e de menor importância, certamente, é o apoio declarado de alguns artistas ao Capitão. Votos garantidos desse grupo? Há os que se dizem arrependidos. Hoje, Bolsonaro patina nos 22% da preferência nas pesquisas eleitorais, mas é cedo para dizer que o panorama está posto.

A mesma luz que ilumina Lula não alcança o Capitão. Mas é bom lembrar que ele tem a caneta e a chave do cofre. Dá sinais claros de que avançará sobre o orçamento para beneficiar grupos de interesse, e fará tudo e mais alguma coisa para tentar se reeleger. Manchete desta segunda, 14, da Folha de SPaulo diz que pressão da base no Congresso pode fazer explodir bomba fiscal de R$ 230 bilhões. Só a PEC dos combustíveis terá impacto fiscal de R$ 100 bilhões.

Com o País pegando fogo, o Capitão sem noção foi a Rússia, ignorando advertência sobre o péssimo momento de visitar um país literalmente em pé de guerra. Alegou interesses econômicos. De fato, relações desequilibradas. Enquanto o Brasil exportou, em 2021, U$ 1,6 bilhões para a Russia, os russos exportaram para o Brasil nada menos que U$ 5,7 bilhões. A conta não favorece Bolsonaro.

A conjuntura é cada vez mais favorável a Lula. Dificilmente, o governador (dizem bem avaliado em SP) Doria vai decolar na disputa pela Presidência. Moro virou piada, terá enorme trabalho para convencer o eleitorado de que a fala pró-nazismo de seu apoiador Kataguiri foi apenas “uma gafe”. Simone Tebet? Pode surpreender, mas não deve superar Lula.

Ainda é cedo para dizer que estão todos fora do páreo. Mas nunca é cedo para se ter esperança de um Brasil feliz de novo. Isenção, não. Bora fazer campanha. Bora declarar voto.

É hora de se posicionar. O bolsonarismo, senhores, veio para ficar. Assim como Trump, nos Estados Unidos, será ameaça constante a nossa democracia.

O risco de reeleição de Bolsonaro – distante, mas possível – tem que ser afastado no exercício pleno da democracia: quando a pandemia permitir, campanha nas ruas. Agora, hora de ir para as redes declarar voto. Seja Lula, Ciro, Simone. Até Doria. Só não dá para enfiar a cabeça na areia. Ou ficar em cima do muro.

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14
Jun21

Poema holandês do início do século 20 sobre elite brasileira vira samba na Europa

Talis Andrade

A sambista carioca Maíra Freitas, filha de Martinho da Vila, também assina a tradução da letra de "Despreocupados" para o português.

A sambista carioca Maíra Freitas, filha de Martinho da Vila, também assina a tradução da letra de "Despreocupados" para o português. © Mario Rocha

A música “Despreocupados” é interpretada pela brasileira Maíra Freitas e pela belga Eléonor. A letra é baseada no poema “Passageiros de Barcos Brasileiros” (“Braziliaanse Kust Passagiers”), do holandês Slauerhoff, escrita no início do século 20 e que retrata o comportamento da elite brasileira em um navio.

A música em ritmo de samba “Geen Van Allen Zorgen” foi lançada inicialmente no ano passado, em holandês, na Bélgica e na Holanda pela cantora Eléonor e pelo produtor e músico Gerry De Mol. Como o poema foi escrito e falava do Brasil, surgiu a ideia de fazer a versão brasileira. Jolan Huygens, empresário e filho da cantora belga Eléonor, assistiu a um show de Maíra Freitas durante uma temporada no Rio de Janeiro em 2018 e propôs o nome da carioca para essa parceria.

“O ritmo é um samba e pensamos que seria legal fazer alguma coisa junto com artistas brasileiros. Fiquei muito impressionado quando ouvi a Maíra pela primeira vez. Ela estava grávida, tinha uma energia incrível, cantou e tocou piano. Uma cantora maravilhosa. Achei que ela seria uma boa parceira e ela topou fazer a tradução do poema e cantar”, lembra o jovem belga, em um português afiado.

A versão brasileira, criada este ano para celebrar o Dia Internacional da Diversidade e do Diálogo Cultural (21 de maio), está disponível nas plataformas digitais desde o final de maio. O autor do poema original, Jan Jacob Slauerhoff (1898-1936), é um dos poetas holandeses mais importantes do início do século 20. Ele era médico a bordo de navios, admirador de Camões, e fez várias poesias sobre o Brasil, que ele conheceu. Apesar de ter sido escrito há quase um século, “Passageiros de Barcos Brasileiros” é muito atual.

Mesma elite há 500 anos

“O poema fala muito da aristocracia, da burguesia brasileira. É muito atual porque não evoluímos muito nesse sentido de branquitude. A elite hoje não é muito diferente, no século 19, 20. É a mesma há 500 anos, infelizmente”, avalia Maíra Freitas.

Ao fazer a tradução, a carioca fez algumas adaptações para tornar a letra de “Despreocupados” mais contemporânea e canta “esses senhores são ministros/ sempre os mesmos/ velhos golpistas/ tem gente de alta patente/ não tem quem se preocupe com nossa história”.

“Teve uma certa liberdade, claro. É poesia. Eles estão falando de senhores, de ministros — tinha essa palavra no original, e eu coloquei essa coisa dos golpistas que estão aqui até hoje. (...) Fazendo o que querem, ganhando seus dinheiros, arrancando nossas riquezas. Totalmente ‘despreocupados’ (risos) com nossa história, com quem trabalha, com os brasileiros que têm essa história incrível, miscigenada, que não é uma miscigenação boa, mas forçada”, explica. Ela garante que foi um desafio falar “dessa história complexa” justamente para que as pessoas parem e pensem sobre “esse caminho histórico”.

Filha de Martinho da Vila

Pianista de formação clássica, Maíra Freitas tem o samba no sangue. A filha de Martinho da Vila, já cantou e tocou com grandes nomes da música brasileira e agora participa dessa parceira com a belga Eléonor. A gravação foi feita à distância por causa da pandemia.  “Despreocupados” é um samba “fusion” que agrada à jovem cantora.

“Não vou dizer que um samba genuíno brasileiro. O samba é isso, um pouquinho de cada um. Ficou super gostoso de ouvir, de cantar, a melodia, o swing e colocar os instrumentos daqui. Colocaram o nosso tempero. É também o olhar belga, holandês do Brasil, da paisagem sonora brasileira. Tem um pouco da Bélgica/Holanda no ritmo, na melodia. Tem um pouco de brasileiro na melodia, na letra. Essa é a mágica, a beleza da canção”, acredita a sambista.

A percussão de “Despreocupados” é assinada pelos brasileiros Pedro Amparo e Pablo Carvalho. O single já integra algumas listas nas plataformas musicais e a receptividade, tanto na Bélgica quanto no Brasil, está sendo boa. Maíra Freitas e Jolan Huyhens não veem a hora da pandemia ser controlada no Brasil e as fronteiras da Europa reabrirem para viajantes brasileiros, para poder reunir no palco as cantoras carioca e belga interpretando a música.

 

17
Mar21

Submundo – A conspiração da Lava Jato contra Lula (curta-documentário)

Talis Andrade

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Grupo Prerrogativas - Assista ao curta-documentário que revela toda a farsa montada por Sergio Moro, Deltan Dallagnol e os procuradores para tirar o ex-presidente Lula da eleição de 2018.

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10
Mar21

"Não sigam nenhuma decisão imbecil deste presidente: tomem vacina", diz Lula durante discurso em São Bernardo

Talis Andrade

 

O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fala durante discurso em São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil, em 10 de março de 2021.
O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fala durante discurso em São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil, em 10 de março de 2021.REUTERS - AMANDA PEROBELLI

Em discurso inflamado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva agradeceu nesta quarta-feira (10) seus correligionários, e lideranças como o papa Francisco, além de chefes de Estado da América Latina. Ele criticou duramente o presidente brasileiro Jair Bolsonaro e afirmou que não descansará até responsabilizar o ex-juiz Sérgio Moro pelas “mentiras” durante seu processo: “Deus de barro não dura muito tempo”, afirmou Lula.

Usando uma máscara vermelha com a estrela branca, símbolo do Partido dos Trabalhadores (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou no palanque montado no “mesmo sindicato” em que esteve antes de se “entregar para a Policia Federal”, lembrou. "Espero que todos vocês estejam usando máscaras", disparou, dando o tom firme do discurso que se seguiria, face a seus correligionários e ao ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, candidato do PT às eleições presidenciais de 2018.

"Fui vítima da maior mentira jurídica destes 500 anos de história do Brasil", disse Lula, agora elegível após anulação da condenação feita pelo ministro do Supremo, Edson Fachin, nesta segunda-feira (8).

"A dor que eu sinto não é nada diante da dor de milhões de brasileiros que passam fome. Quase 270 mil pessoas que viram seus entes queridos morreram e sequer puderam se despedir de seus parentes amados, por causa desse desgoverno", declarou Lula, numa referência às vítimas brasileiras do coronavírus.

"Agradeço os heróis e heroínas do SUS, durante tanto tempo descredenciados politicamente. Se não fosse o SUS, teríamos perdido muito mais gente do que perdermos, por causa desse desgoverno no trato da saúde", criticou.

"Não são milicianos que precisam de armas para fazer terrorismo nas periferia matando meninos e meninas negros, a maioria das vítimas das balas neste país, precisamos é de vacinas", disse Lula.  

O ex-presidente Lula fez um agradecimento especial à prefeita de Paris. “Agradeço muito à Anne Hidalgo, que, durante a disputa da eleição dela, teve a coragem de me receber e me disse que a solidariedade vale mais do que a eleição, enquanto a direita [francesa] publicava artigos dizendo que ela ia perder [o mandato] por causa do convite que me havia feito”, disse Lula. “Ela me homenageou como cidadão de Paris e venceu as eleições”, acrescentou.

Lula agradeceu ainda personalidades como Pepe Mujica, Chico Buarque, Martinho da Vila, Raduam Nassar, “meu biógrafo Fernando de Morais, que nunca acaba de escrever essa biografia”, o alemão Martin Schulz, o Podemos espanhol, e “o pessoal da Vigília de Curitiba”: “Havia loucuras da Polícia Federal naquele lugar, um delegado que não sei se era [mentalmente] são provocava a vigília com insultos, os vizinhos ofendiam, e, durante os 580 dias, todo santo dia de manhã, eu ouvia aquelas pessoas chamando o meu nome”, disse o petista.

"A palavra desistir não existe no meu dicionário"

"Fachin cumpriu uma coisa que a gente reivindicava desde 2016, a decisão tardia que ele tomou. Cansamos de dizer que a minha inclusão e da Petrobras como criminoso é a razão da existência da “quadrilha de procuradores” e do Moro, era a única forma de pegar e me levar para a Lava-Jato", afirmou Lula. 

"Mas não troquei minha liberdade pela minha dignidade", continou. "Eu tinha certeza que esse dia chegaria. Esse dia chegou, com o voto do Fachin ao reconhecer que nunca houve crime da minha parte nem envolvimento na Petrobras. (...) A palavra desistir não existe no meu dicionário", completou.

"Continuarei brigando para que o [ex-juiz Sérgio] Moro seja continuado suspeito de se transformar no maior mentiroso da história do Brasil, e de continuar a ser idolatrado por quem quer me calar. “Deus de barro não dura muito tempo”, atacou.

Lula também fez questão de declarar apoio a seu aliado, Guilherme Boulos, do PSOL. "Boulos, você tem toda a minha solidariedade. Se a gente precisar invadir algo para te defender, faremos", disse emocionado, numa referência ao episódio em que Boulos invadiu, junto com o Movimento dos Sem-Teto, o triplex, naquela época atribuído a Lula pela Lava-Jato.

"Decisão imbecil" de Bolsonaro

“Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República, tome vacina!”, disparou Lula, num ataque direto ao presidente brasileiro. "As mortes poderiam ter sido evitados, se o governo tivesse feito o elementar. Governar é a arte de saber tomar decisões", criticou.

"O mínimo seria esse presidente ter criado uma comissão de crise, e toda semana orientar a sociedade brasileira sobre o que fazer, comprar vacinas de qualquer lugar do planeta”, alertou. “Um presidente que inventou uma tal de cloroquina, que Covid era coisa de maricas, de covardes”, disparou Lula. 

"Ele não sabe o que é ser presidente da República, nunca foi nem capitão, era tenente, se aposentou e foi promovido, nunca fez nada, explodiu quartel porque queria aumento de salário", atacou. "O poder da força do fanatismo, através das fakes news, o mundo elegeu o Trump, elegeu o Bolsonaro", continuou o ex-presidente.

Lula lembrou que fazia cinco anos que não falava com a imprensa: "me transformaram numa espécie de 'vírus', não podia falar com ninguém". 

Sou radical porque quero ir à raiz dos problemas desse país, quero um mundo melhor, onde as mulheres não sejam tripudiadas por serem mulheres”, onde as pessoas não sejam tripudiadas pelo que elas queiram ser, onde mundo onde possamos acabar com o maldito preconceito racial, um mundo onde o jovem possa transitar sem medo de levar um tiro, onde se respeite a religiosidade de cada um”, disse ainda Lula, antes de abrir para as perguntas dos jornalistas presentes no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.

Capa do jornal Folha de S.Paulo 11/03/2021
 
Capa do jornal O Globo 11/03/2021
Capa do jornal Folha de Pernambuco 11/03/2021

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