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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

12
Set19

Gilmar Mendes diante do atentado do Moro

Talis Andrade

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Por Jeferson Miola      

Gilmar Mendes descobriu, nas revelações do Intercept de 8/9/2019, que Moro e procuradores da Lava Jato forjaram relatos e esconderam e selecionaram informações com o propósito de incendiar o ambiente político do país e induzir o STF a impedir a posse do Lula na Casa Civil.

Dois dias após Sérgio Moro vazar para a Rede Globo conversa telefônica de Lula com a presidente Dilma, Gilmar atendeu pedido do PPS e PSDB que alegava suposto “desvio de finalidade” na nomeação, e então concedeu liminar cancelando a posse do Lula.

Mesmo se tivesse alguma inconsistência no ato presidencial, o que não era o caso, ainda assim Gilmar jamais poderia ter usurpado a competência privativa da presidente nomear Ministros de Estado [artigo 84 da CF], e tampouco poderia ter subtraído o direito político do Lula ser nomeado Ministro de Estado [artigo 87 da CF] – como, aliás, o STF decidiu menos de 1 ano depois, em fevereiro de 2017, permitindo a posse de Moreira Franco [quem, ao contrário do Lula, buscava sofregamente refúgio no foro privilegiado].

O atentado perpetrado por Moro em 16 de março de 2016 foi decisivo para a escalada da conspiração que tinha como horizonte derrubar Dilma, prender Lula e levar a extrema-direita ao poder.

Com aquele ato terrorista, Moro atentou contra a vida, a incolumidade e a liberdade da Presidente da República, ficando sujeito à pena de reclusão de 10 a 20 anos prevista na Lei 1802/53 [artigo 6º], que trata dos crimes contra o Estado e a ordem política e social [aqui].

Gilmar disse que “hoje [9/9/2019] temos uma visão mais completa do que estava se passando. Mas as informações disponíveis na época permitiam concluir que havia um viés de fraude na nomeação, um desvio de finalidade, e foi esse o sentido da decisão”.

O ministro do STF agora entende que “Seria preciso ter todas as informações disponíveis e analisá-las em seu devido contexto”. Com ironia, observa que Moro sonegou detalhes relevantes e selecionou conversas, o que acabou prejudicando sua decisão: “Mas é muito estranho que somente um pedaço do fato e não sua inteireza tenha sido divulgado à época”.

Gilmar Mendes reconhece, desse modo, ter sido enganado por um juiz de 1ª instância que agiu com parcialidade, como acusador/inquisidor; que agiu como parte interessada e que, nessa condição, cometeu fraude processual ao “inovar artificiosamente […] o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz [no caso, com o agravante de induzir a erro um juiz do STF] …” [artigo 347 do Código Penal].

Ao decidir com base nos pressupostos falsos [e fraudulentos] apresentados por Moro, Gilmar contribuiu para a continuidade da dinâmica que desembocou na barbárie que o Brasil vive hoje. Aquela decisão, contaminada por uma farsa genuína, produziu como dano irreparável o impedimento de Lula chefiar a Casa Civil do governo, a partir de onde ele teria enorme potencial para alterar o curso dos acontecimentos e, quiçá, interromper a engrenagem golpista.

Os efeitos daquele atentado terrorista são perceptíveis hoje na dissolução da economia, da infra-estrutura e das empresas nacionais; na destruição de direitos sociais e dos empregos; no derretimento dos bens e das riquezas do país e na entrega da soberania nacional.

É irreparável o dano de tudo o que aconteceu a partir do momento em que Lula foi ilegalmente impedido de ajudar Dilmar recuperar a governabilidade para estabilizar e pacificar um país incendiado pelo ódio e lançado no precipício fascista por figuras abjetas como Aécio, Temer, FHC, Cunha, Moro, Dallagnol, Globo etc.

Com a descoberta de que Moro trapaceou para induzi-lo a uma decisão errada que teve conseqüências catastróficas para o país, Gilmar Mendes é chamado a agir. Não basta simplesmente reconhecer que foi trapaceado por Moro; espera-se que não só Gilmar Mendes, mas o próprio STF, adotem urgentemente as medidas legais para restaurar o Estado de Direito e punir os conspiradores.

Os danos causados no passado recente já não podem ser reparados e revertidos, embora seus efeitos se farão sentir pelas próximas décadas. Mas isso não significa, de modo algum, que os autores do atentado terrorista perpetrado contra o Estado e a ordem política e social não devam ser investigados, julgados e condenados nos termos da Lei.

Quanto mais Moro, um dos “cabeças” da conspiração, continuar no cargo de ministro e fora da prisão, mais se sedimenta a imagem do Brasil como pária internacional.

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10
Set19

A sócia oculta da Lava-Jato

Talis Andrade

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Por Gilberto Maringoni

 
Apesar de óbvio, não é evidente. Há uma sócia oculta nos diálogos travados entre a equipe de Deltan Dallagnol sobre as conversações entre o ex-presidente Lula e sua sucessora Dilma Rousseff, em março de 2016.

Toda a operação golpista dos procuradores - e esta mais do que as outras - necessitava de ampla divulgação com ares de escândalo para se concretizar. Sem isso, as ações de Moro e sua malta teriam poucas consequências práticas.

É aqui que entra a rede Globo, parceira fundamental e quase representante oficial da Lava Jato perante a opinião pública.
 
Sem o Jornal Nacional e seus cenários virtuais de jorros de dinheiro em tubulações hiperrealistas, a LJ teria alcance reduzido. O vazamento de Moro, um mês antes da votação do impeachment, foi feito num horário para que entrasse no mesmo dia no noticiário televisivo.

Sem a associação Moro-Marinhos, dificilmente o golpe teria sucesso.

É óbvio. Mas convém repetir.

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13
Jun19

A Globo dobrou a aposta diante do monumental escândalo que desmoralizou por completo a Lava Jato.

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

 

Enquanto a imprensa ao redor do mundo se escandaliza com a revelação das práticas mafiosas de Moro, Dallagnol e procuradores da Lava Jato [aqui], o conglomerado da família Marinho assumiu a defesa incondicional dos mafiosos e atacou o que classifica serem “provas ilegais” obtidas pelo site The Intercept junto a hackers para “atacar” sua santidade, a Lava Jato [aqui].
 
A Globo repete o antigo e ineficaz critério de matar o mensageiro na vã ilusão de que, assim, conseguirá esconder a mensagem e a verdade nela contida.
 
O noticiário de todos os veículos da emissora sobre o esquema mafioso da Lava Jato envergonha menos pelo absoluto monolitismo e ausência de vozes dissonantes, do que pela defesa desavergonhada do vale-tudo da conspiração que quebrou o Estado de Direito.
 
A posição da Globo destoa até de O Estado de SP, o mais “lavajateiro” jornal da oligarquia. No editorial desta terça-feira, 11/6, o Estadão chegou a propor a renúncia do Moro, que apesar de seriamente implicado em crimes que devem ser investigados, continua mandando na PF.
 
A opção da Globo é compreensível. Afinal, a empresa está implicada até a medula com este quadro lamentável do país: foi o motor da engrenagem conspirativa conduzida por Cunha, Aécio e Temer para derrubar Dilma e que depois evoluiu para o regime de exceção que prendeu Lula para deixar livre o caminho para a eleição do Bolsonaro.
 
O comprometimento da Globo com a sujeira da Lava Jato e com o caos instalado no país é de tal magnitude que é difícil imaginar outra saída que não a adotada pela empresa. Sua implicação orgânica com o plano traçado em Washington e Wall Street é total.
 
De acordo com o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept, a relação simbiótica da Globo com a Lava Jato ficará ainda mais clara nas revelações que virão a seguir. Ele afiança que “a Globo foi para a Força Tarefa da Lava Jato aliada, amiga, parceira, sócia. Assim como a Força Tarefa da Lava Jato foi o mesmo para a Globo” [aqui].
 
Ao alegar ilegalidades na divulgação jornalística dos crimes dos operadores da Lava Jato, o que é uma atitude paradoxal para um órgão de imprensa, a Globo busca se vacinar acerca de novas revelações do Intercept mostrando o envolvimento dela própria na conspiração.
 
A simbiose da Globo com a Lava Jato surgiu já no desencadeamento da conspiração. A Globo investiu forte na montagem da sucursal de Curitiba, para onde foi transferido o jornalista Vladimir de Almeida Leitão Netto, filho de Miriam Leitão, antiga funcionária do grupo.
 
Apenas 2 anos depois do início da Lava Jato, Vladimir Netto lançou a toque de caixa o livro “Lava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil”, que ostenta na capa o rosto de Moro em pose de Mussolini.

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Na wikipédia Vladimir Netto está apresentado como “um jornalista brasileiro que ganhou notoriedade ao escrever e publicar em 21 de junho de 2016 um livro sobre o juiz federal Sérgio Moro e pela cobertura à Operação Lava Jato. A obra de Netto tornou-se a mais popular dentre as que foram lançadas a respeito do juiz e em agosto de 2016 foi o livro mais vendido na categoria não ficção […]. No mesmo mês, o cineasta José Padilha comprou os direitos da obra de Vladimir, sendo que o conteúdo foi usado no roteiro da série ‘O Mecanismo’ da Netflix. Tal seriado apresenta o escândalo de corrupção na Petrobrás, estreando em 2018”.
 
O livro de Vladimir e o filme de Padilha foram instrumentalizados no propagandismo pró-Lava Jato e anti-PT nos anos eleitorais de 2016 e 2018, respectivamente.
 
Vladimir Netto também ficou eternizado pelo twitter do colega de jornalismo engajado Germano Oliveira, editor de política da revista IstoÉ. Ao final da farsa jurídica do TRF4 de Porto Alegre, em 24 de janeiro de 2018, Germano publicou uma fotografia na qual um sorridente Vladimir figura ao lado de outros 4 “jornalistas”, e escreveu o seguinte texto:
 

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Os cinco jornalistas que fizeram a diferença na cobertura da Lava Jato, que acabará levando Lula para trás das grades. Da esquerda para a direita: Vladimir Neto, da TV Globo; Ricardo Brandt, do Estadão; André Guilherme, do Valor; este que vos fala Germano Oliveira, da ISTOE; e Flávio Ferreira, da Folha de S.Paulo. Faltaram outros grandes repórteres como Fausto Macedo, do Estadão, Cleide Carvalho, do Globo. Essa turma eh da pesada e se reuniu hoje na sede do TRF4, em Porto Alegre, quando os desembargadores condenaram Lula por 3 a 0 a 12 anos e 1 mês de cadeia. Ainda da para confiar na Justiça” [aqui] [os erros ortográficos são originais].
 
É isso mesmo: os “jornalistas” se auto-elogiavam pela cobertura da Lava Jato e celebravam que “ainda dá para confiar na Justiça”! [sic]
 
A relação de proximidade – ou de promiscuidade – de Vladimir Netto com Sérgio Moro ficou escancarada em 14/1/2019 por meio do ato de nomeação da sua esposa Giselly Siqueira para o cargo de Chefe da assessoria de comunicação do Ministério da Justiça.
 
No cartão de visita na mídia social linked in, Giselly se apresenta como “Consultora na Vnetto Comunicação”, sendo que Vnetto é a abreviatura de Vladimir Netto.
 

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Em reportagem de janeiro passado, a Revista Fórum [aqui] informou que 
A nora de Miriam Leitão já foi assessora-chefe do Supremo Tribunal Federal (STF) na gestão do ministro Gilmar Mendes e trabalhou como assessora da Procuradoria-Geral da República (PGR) quando se casou com Vladimir.
 
Um conceituado jornalista de Brasília afirmou à Fórum que, quando Giselly trabalhava no órgão, a TV Globo, emissora de seu marido e de sua nora, enviava um motoqueiro para buscar informações vazadas do órgão em primeira mão”.
 
A Globo sempre teve acesso privilegiado à Lava Jato e tem primazia no abastecimento de vazamentos seletivos e informações privilegiadas sobre operações cinematográficas.
 
Evidência emblemática da relação promíscua Globo-Lava Jato foi a divulgação, em primeira mão pela Globo, da conversa telefônica entre a Presidente Dilma e o ex-presidente Lula na tarde de 16 de março de 2016. Naquela ação criminosa, Moro contou com a cumplicidade do Deltan Dallagnol, conforme deixou claro o Intercept.
 
A interferência Globo-Lava Jato resultou no impedimento da posse do Lula na Casa Civil em decisão inconstitucional do STF, e foi fundamental para o avanço do golpe e para a derrubada da Dilma.
 
A reportagem do Intercept tem o valor histórico de trazer à superfície da realidade atual as provas documentais da conspiração que, desde sempre se sabia, era operada no subterrâneo por facções empresariais, políticas, policiais, judiciais e midiáticas da oligarquia para avassalar o Estado de Direito, prender Lula e erguer um projeto de poder da extrema direita.

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A Globo, que está no epicentro desta escabrosa conspiração midiático-jurídico-policial, é a pior metástase do Brasil. Seu destino, que está atado ao destino dos conspiradores de toga e traidores que tanto defende, já está reservado no esgoto da história.
 

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12
Jun19

Crítica da Globo a Greenwald desmonta-se sozinha

Talis Andrade

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A família Marinho, dona da Globo, oferece prêmio a Moro, na feira das vaidades promovida por Eduardo Cunha 

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por Fernando Brito

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A Rede Globo mandou nota a alguns blogs que publicaram críticas do editor do The Intercept, Glenn Greewald,  alegando que este teria procurado a emissora com uma proposta de parceria na publicação dos documentos do “Morogate”.

O texto está no DCM.

Em princípio, é direito de qualquer profissional negociar reportagens que apura. Seja ou não verdade, não caracteriza qualquer ato ilegal ou aético de Greenwald e não invalida uma linha do que publicou.

A Globo alega que não aceitou a negociação por não ter sido fornecidos “o conteúdo da tal “bomba” e sua origem, procedimento óbvio. Ou seja: o nome da fonte e o inteiro teor dos documentos.

É direito do repórter – ou da empresa jornalística que possui - preservar sua fonte, até mesmo dentro do jornal em que trabalha.

É o seu compromisso e a garantia de seu informante.

No famoso caso Watergate, a editora-chefe Katharine Graham jamais soube que William Mark Felt, o número 2 do FBI, era o “Deep Throat” que havia dado aos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein os caminhos para desvendar o escândalo que levou Richard Nixon a renunciar à  Presidência dos EUA.

Como Greenwald não concordou, diz a Globo, a parceria não foi em frente. Direito dele e dela.

Isto é, se de fato as coisas se passaram como diz a emissora.

Não há, ainda, comentários de Greenwald sobre o texto, que trarei assim que se tornarem públicos.

Mas a nota da Globo, a pretexto de fazer sua defesa tem um trecho que, por só, demonstra sua  hipocrisia:

“A Globo cobriu a Lava-Jato com correção e objetividade, relatando seus desdobramentos em outras instâncias, abrindo sempre espaço para a defesa dos acusados. “

Desde sempre e mais ainda com a repercussão do escândalo da troca de mensagens entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, qualquer pessoa vê que não é assim.

Agora mesmo a ênfase é no suposto hacher que teria invadido os telefones da dupla, algo que nem é certo ainda que se tenha dado assim. A legalidade na obtenção de informações é questão judicial, não jornalística, do contrário a própria Globo teria de ser mil vezes condenada por publicar, com grande destaque, vazamento de informações que estavam protegidas por sigilo judicial.

A Globo não vai ter sucesso numa possível estratégia que pretenda atrair para si a condição de “lesada” por Greenwald.

Não está tratando com um “foca”, inexperiente, com alguém que vá tremer de medo e ser nervosamente imprudente no trato das informações. É profissional “rodado”, com preparação jurídica e com um Prêmio Pulitzer na bagagem.

Não funciona com todos o método da intimidação que é a característica do Império do Jardim Botânico.

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12
Jun19

Globo teme os vazamentos do Intercept

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges

O furo jornalístico do site The Intercept, que até justificaria mais um Prêmio Pulitzer ao seu editor, Glenn Greenwald, segue gerando pânico na chamada “República de Curitiba” e também no laranjal em Brasília. As mensagens vazadas comprovam que a midiática Operação Lava-Jato foi uma farsa jurídica, o maior escândalo da história do Judiciário brasileiro. Muitos já sabiam desses crimes, mas agora The Intercept garante as provas concretas. 

O juizeco Sergio Moro, atual “superministro” da Justiça do miliciano Jair Bolsonaro, o pateta do power point Deltan Dallagnol e outros fascistas togados montaram uma organização criminosa com o objetivo de sabotar a democracia, pavimentar o golpe do impeachment contra Dilma Rousseff e inviabilizar a candidatura do ex-presidente Lula com sua prisão política. Com o disfarce do combate à corrupção, que iludiu tantos midiotas, a Lava-Jato virou um partido político da extrema-direita, o que permitiu a eleição do fascista Jair Bolsonaro. 

Pelo que veio à público até agora – apenas 1% do material coletado em mensagens de texto, áudios e vídeos, segundo antecipa o site Intercept – já dava para mandar punir, inclusive com ordem de prisão, Sergio Moro e Deltan Dallagnol; dar imediata ordem de soltura ao ex-presidente Lula; e até abrir um processo para analisar a legitimidade das eleições de outubro passado. Mas nada disso vai ocorrer por enquanto. O Brasil ainda vive num tipo de Estado de Exceção, onde impera o abuso de autoridade e a manipulação de corações e mentes. 

Além de abalar Sergio Moro, seus “conges” e os bolsominions, o furo jornalístico também impacta os donos da mídia no Brasil. A relação promíscua entre o Partido da Lava-Jato e o Partido da Imprensa Golpista, o PIG, foi decisiva para produzir o atual retrocesso político no país. Sem a mídia falsamente moralista, o “marreco de Maringá” seria apenas um juizeco insignificante do interior do Paraná. Ele sabia disso, até escreveu sobre esse casamento com a mídia, e, ciente da impunidade, ele não vacilou em praticar tantos abusos de autoridade, em cometer vários crimes contra o Estado Democrático de Direito. 

Agora, diante dos vazamentos, a mídia monopolista está perplexa, meio perdida. Ela não sabe direito como proceder. Teme maiores estragos com as novas revelações. Uma parte, como a Folha e Estadão, já começa a jogar fora o bagaço do “justiceiro” Sergio Moro e do tapado Deltan Dallagnol – até já pede punição aos criminosos. Afinal, eles já cumpriram seu papel na regressão democrática no país e ficaram indefensáveis com os vazamentos – e não por convicção, mas com base em provas concretas. 

Já o império global está mais enrascado. A Globo apostou as suas fichas na Lava-Jato. Fez de Sergio Moro um herói nacional, concedendo-lhe prêmios e todos os holofotes. Enganou milhões de midiotas no país com o objetivo de derrotar as forças de esquerda e viabilizar a imposição do seu receituário ultraneoliberal, com privatizações, fim das aposentadorias, regressão trabalhista e outras maldades antes derrotadas nas urnas. 

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Desde o início dos vazamentos, TV Globo, Globonews, jornal O Globo e outros veículos da famiglia Marinho tentam blindar a Lava-Jato e preservar Sergio Moro e seus “conges”. Para o império global e seus jagunços de plantão, The Intercept cometeu crime ao “hackear” as mensagens – o que nem foi confirmado pelo site – e as acusações vazadas não têm “qualquer importância”, são meras conversas entre o juiz e os procuradores – um absurdo que é rejeitado pelo direito internacional e pelo próprio direito brasileiro. 

A tentativa de defesa do juizeco parece desesperada, sem qualquer sustentação. Fica até a sensação de que a famiglia Marinho teme que seu nome apareça em novas postagens do Intercept. Em entrevista, Glenn Greenwald já afirmou que a força-tarefa da Lava-Jato e a Rede Globo sempre foram parceiras. Ele também disse que o material que dispõe é explosivo, que as mensagens envolvem muitos interesses e forças poderosas – do Brasil e do exterior. Será que os EUA e a Rede Globo aparecerão nos próximos vazamentos? A novela fica cada dia mais emocionante. A conferir!
 
18
Set18

A “LIBERDADE” DE EXPRESSÃO DOS JORNALISTAS E A FALSA ISENÇÃO DE UMA MÍDIA EMPRESARIAL EM UMA SOCIEDADE DIVIDIDA EM CLASSES

Talis Andrade

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por Afrânio Silva Jardim

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O que vamos tratar abaixo deve servir de explicação para a sórdida tentativa de “massacrar” um determinado candidato ao cago de Presidente da República pelos jornalistas da TV GLOBO NEWS, na noite de ontem. Isto não é jornalismo e sim campanha ideológica para agradar o patrão. Aliás, talvez eles estivessem expressando, indiretamente, as suas próprias ideologias. Não foi por outro motivo que foram escolhidos para trabalhar nesta emissora “golpista”.

 

Por sorte, o candidato, mestre em economia e doutor em filosofia, sendo professor de Ciência Política e com a experiência de Ministro da Educação em governos anteriores, soube responder a todas as maldosas perguntas dos entrevistadores, de forma serena e respeitosa, logrando tornar evidente a parcialidade eleitoral de todos eles e elas.

 

Vamos então a mais uma reflexão sobre a inexistente liberdade e isenção da imprensa. A autocensura é uma realidade em um país de alto índice de desempregados...

 

Em vários textos, publicados na minha “coluna” do site Empório do Direito, venho sustentando, com base nas lições de Caio Prado Junior, que a liberdade abstrata, que é uma das características das sociedades de mercado, é uma liberdade muito relativa, pois poucos podem realmente dela usufruir. A situação econômica neste tipo de sociedade é que dirá sobre a “extensão” desta liberdade burguesa.

 

Por outro lado, venho sustentando, ainda na esteira do magistério do grande filósofo acima mencionado, que não é o Estado, no mais das vezes, que suprime esta liberdade em nosso cotidiano.

 

Na verdade, durante a nossa vida, somos tolhidos no exercício desta liberdade abstrata por uma hierarquização das classes sociais decorrentes do sistema capitalista. Não dá para negar que, em razão dos contratos de trabalho, umas pessoas se submetem ao mando de outras pessoas. O patrão manda no empregado, restringindo a sua liberdade e fazendo-o submisso à sua vontade.

 

Na medida em que as pessoas têm “chefes”, são elas dependentes economicamente de seus patrões e ficam “condenadas” a serem submissas aos patrões, donos de sua vida financeira. Muitos, para não perderem o emprego, se tornam até bajuladores ou subservientes. Outros já foram contratados porque têm predisposição para fazer o “jogo” da empresa jornalística ...

 

Recentemente, o Sistema Globo de Comunicação nos mostrou claramente como se suprime a liberdade de seus empregados, proibindo que eles se manifestem sobre questões políticas e ideológicas em suas redes sociais particulares. Tal proibição está sendo chamada de "lei Chico Pinheiro", por ser este bravo jornalista o primeiro a ser "silenciado".

 

Assim, constatamos que eu e minha empregada doméstica podemos criticar ou elogiar o ex-presidente Lula pela internet, podemos criticar ou elogiar o senhor Temer. Entretanto, os jornalistas, atores e demais empregados (as) da Rede Globo estão silenciados pelo “patrão imperial”. Vale dizer, eles tiveram sua liberdade de expressão castrada, não pelo Estado, mas sim pela Rede Globo. Na iniciativa privada, é permitida a censura prévia ??? Já não basta a subserviente autocensura dos jornalistas destas grandes empresas???.

 

O estranho e insólito é constatar que aqueles, que defendem radicalmente a liberdade de imprensa, castram a liberdade de seus empregados de exteriorizarem os seus pensamentos, ainda que fora do local de trabalho. Pura hipocrisia. Puro autoritarismo.

 

Importante salientar que, através do texto supra, meu escopo principal não é criticar a Rede Globo, mas sim a falácia da plena liberdade na sociedade capitalista. Meu escopo é criticar a falácia da imparcialidade ideológica e política destes jornalistas.

 

Aliás, basta um mínimo de consciência crítica para constatar a hipocrisia e cinismo que campeia em nossa grande imprensa.

 

Na verdade, a Rede Globo somente tornou explícito o que está implícito nas relações de trabalho neste tipo de sociedade, onde o poder econômico não gosta de limites...

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16
Set18

Entrevista no Jornal Nacional revela a verdadeira face da Globo

Talis Andrade

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por Mário Augusto Jakobskind

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William Bonner e Renata Vasconcellos, demonstraram, ao conduzirem a entrevista com o candidato Fernando Haddad no Jornal Nacional, que estão longe de praticar jornalismo na verdadeira acepção da palavra. Fica evidente que cumprem uma missão, provavelmente determinada pela família Marinho.

 

O casal de âncoras interrompeu inúmeras vezes o entrevistado, em uma forma clara de tentar impedir o seguimento de seu raciocínio. Com isso, também impediram que Haddad apresentasse suas propostas, que é do preso político Luís Inácio Lula da Silva, que a família Marinho se esforça em combater.

 

Em um determinado momento Bonner não escondeu sua contrariedade quando o candidato lembrou que a Globo estava sendo investigada na Justiça, o que não quer dizer que ela pode ser acusada de antemão. Haddad desarmou a Globo, que é useira e vezeira de apresentar em seu noticiário políticos também investigados, sobretudo os do PT, como se fossem de antemão culpados.

 

A entrevista no JN remete a um tema que dificilmente aparecerá nos debates, qual seja, a da democratização dos meios de comunicação, um quesito importante para a verdadeira democracia. É que as poucas famílias controladoras dos meios de comunicação evitam o aparecimento do tema nos debates. E quando a questão entra em cena, se voltam, de forma raivosa, com mentiras do tipo que os defensores da democratização querem censurar, quando acontece exatamente o contrário.

 

Para o avanço da democracia no Brasil é necessário que o tema democratização dos meios de comunicação seja debatido, para que a opinião pública seja informada, sem subterfúgios. Se isso não acontecer, o panorama seguirá como o atual e nas próximas eleições ocorrerão as mesmas aberrações com a acontecida no Jornal Nacional com Haddad e mesmo outros candidatos que não rezam pela cartilha da família Marinho.

 

Em suma, está na hora de o Brasil conhecer verdadeiramente o que é democracia, porque do jeito como caminham as entrevistas da campanha eleitoral de 2018 na mídia comercial estamos longe desse ideal.

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15
Set18

NÃO FOI ENTREVISTA, FOI INQUISIÇÃO

Talis Andrade

 

 

Hildegard Angel: Não foi feita uma única pergunta sobre programa de governo. Não é com o fim jornalístico a série com os candidatos? Não foi para ouvi-los que as TVs conseguiram diminuir o tempo do horário eleitoral e aumentar o de entrevistas com candidatos?

 

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Mauro Lopes: Haddad abriu a entrevista no Jornal Nacional lavando a alma do país e enfrentando o império em sua sede: "Boa noite, presidente Lula". Mais ainda, afirmou que quem deveria esta sentado na bancada de entrevistas não era ele, mas Lula. Coragem, fidelidade, firmeza.

A partir da saudação a Lula, dominou a cena e inverteu a lógica que presidiu as demais entrevistas conduzidas por William Bonner e Renata Vasconcelos: foi ele quem conduziu a entrevista, e não os executivos da Globo. Defendeu seu partido, defendeu seu programa e foi incisivo na crítica à Rede Globo, deixando claro ao país que a moleza acabou para a família Marinho.

Terminamos assim a semana: Haddad sobe como um foguete nas pesquisas e foi soberano na temida sabatina do Jornal Nacional, com uma performance consagradora.

Em apenas quatro dias como candidato, Haddad mostrou que é um digno representante de Lula no pleito e é muito mais que o tal "poste" com o qual propaganda da direita, de Ciro e da mídia conservadora tentou iludir o país.

O Brasil acorda sábado com um grande líder à frente do processo eleitoral: Fernando Haddad.

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Arcírio Gouvêa Neto: Como jornalista, diretor da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e secretário de uma comissão de defesa da liberdade de expressão, me sinto envergonhado vendo o jornalismo brasileiro acabar de ser vilipendiado e ultrajado por Willian Bonner e Renata Vasconcellos nesta sessão de inquisição aos melhores moldes dos inquisidores da Idade Média. Isso não foi e jamais será jornalismo.

Trabalhei em duas oportunidades no jornal O Globo, desfrutei da companhia de mestres do jornalismo da empresa e tenho certeza absoluta que mesmo os jornalistas do passado que lá trabalharam se vissem o que vi hoje estariam tão revoltados quanto eu. Uma coisa é você ter sua ideologia política na vida pessoal, outra coisa é você transportar essa ideologia à vida profissional, para seguir servilmente à determinação do patrão. Já vi muita gente boa se recusar a fazer um papel asqueroso como o dessa dupla essa noite e eu sou uma delas.

Sinto pelo trabalho correto e ilibado de velhos companheiros que deram a vida pelo engrandecimento da imprensa em nosso país e não mereciam o que aconteceu hoje. Acho que o mínimo que poderia ocorrer em um estado democrático de direito é sua população se indignar com o que houve essa noite.

Quem perde não é o PT e nem Lula ou Haddad é a liberdade do pensamento e da expressão de uma nação inteira.

Uma noite pra ser esquecida, diria Carlos Heitor Cony.

Infelizmente, o que estava em jogo ontem não era se Haddad sobreviveria, mas o bom jornalismo, imparcial e sério. É muito triste para uma nação assistir a um esquartejamento em cadeia nacional tendo o rótulo de jornalismo, de uma entrevista. A imprensa é um dos pilares de um estado democrático de direito e, em nosso país, está com seus alicerces completamente destruídos. Ela segue apenas a interesses ideológicos de seus donos.



 

15
Set18

Haddad enfrenta o jornal inimigo

Talis Andrade

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 Meme Diogo Ramalho

 

Mauro Lopes: Haddad briu a entrevista no Jornal Nacional lavando a alma do país e enfrentando o império em sua sede: "Boa noite, presidente Lula". Mais ainda, afirmou que quem deveria esta sentado na bancada de entrevistas não era ele, mas Lula. Coragem, fidelidade, firmeza.

A partir da saudação a Lula, dominou a cena e inverteu a lógica que presidiu as demais entrevistas conduzidas por William Bonner e Renata Vasconcelos: foi ele quem conduziu a entrevista, e não os executivos da Globo. Defendeu seu partido, defendeu seu programa e foi incisivo na crítica à Rede Globo, deixando claro ao país que a moleza acabou para a família Marinho.

 

Fabianna Freire Pepeu: Trabalhei na Globo Nordeste. Gostava muito de fazer entrevistas. Mas, na qualidade de entrevistadora, era assim: eu perguntava e o entrevistado respondia. Quando eu julgava que o entrevistado tinha, digamos, driblado minha pergunta, eu insistia. Mas eu nunca disse ao meu entrevistado ou entrevistada que a sua resposta não servia aos meus propósitos, desclassificando sua fala. Eu não tinha propósitos. Também não fazia uma pergunta e, imediatamente, começava a falar por cima da fala da outra pessoa. Minha ideia era fazer uma entrevista. Entrevistar é deixar o outro se expressar, contar uma história ou mesmo uma mentira. Nem precisava ter trabalhado numa televisão pra saber disso, não é, minha gente? Apertar um entrevistado, ser crítico e ousado é algo bem diferente do que se viu hoje no Jornal Nacional com o presidenciável Fernando Haddad. Desconfio que William Bonner e Renata Vasconcellos não são jornalistas. Nunca foram. Em especial, nesse episódio, eles encarnaram uma versão arrumada e engomada de uma coisa muito feia chamada torturadores psicológicos. A gente usa essa expressão ‘tortura psicológica’ em algumas situações ou quando pessoas amigas, de maneira informal, nos aperreiam, mas isso é coisa séria, muito séria. Isso é extremamente violento. E é crime.

Vamos fechar o seguinte: não é Bozo o inimigo do Brasil, mas sim esse abjeto monstro chamado Globo. Enquanto isso não for mexido, nunca avançaremos. Mente; distorce; não permite que se fale, roubando a fala do outro; tripudia da verdade; nos lembra que chafurdamos numa estrada enlameada que parece não ter fim.

 

Ricardo Miranda: Não sei qual é o Brasil que William Bonner quer ver, mas certamente não é um em que Fernando Haddad possa responder às suas perguntas.

Teve jeito de interrogatório. Pior. Dos 27 minutos de entrevista – assisti diversas vezes para cronometrar -, 16 minutos foram com perguntas e interrupções de William e Renata Vasconcellos, sua parceira de palco. 16 minutos! Ou seja, Haddad teve 11 minutos. Em outras palavras, as perguntas e interrupções tomaram 60% do tempo. William Bonner fez 53 interrupções. Renata outras 19. Em diversos momentos falaram ao mesmo tempo que o candidato, impedindo seu raciocínio.

Mas não eram só perguntas. Bonner e sua coadjuvante de bancada no JN fizeram ilações, deram opiniões, citaram números contestáveis, ocuparam o tempo que podiam. Sempre com ar de deboche e colocando-se como porta-voz da verdade, Bonner indignou-se quando, quase perdendo a paciência, Haddad tentou diferenciar denunciado de réu, citando as Organizações Globo e, por exemplo, seus problemas com a Receita Federal.

 

 

 

 

13
Set18

A Globo, as eleições e a história como farsa

Talis Andrade

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 Globo perseguiu Dom Helder Câmara e fez campanha para que o brasileiro não recebesse o Prêmio Nobel da Paz

 

 

por Ayrton Centeno

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Todo mundo conhece a velha máxima de Marx, aquela que “a história só se repete como farsa”. No caso do Grupo Globo, a história desde o berço é uma farsa.  Em 1964, tratou como “democracia” a ditadura que despontava. Em 2016, tratou comoimpeachment, o golpe parlamentar/judicial/midiático de que foi parte faceira. Em 1984, tratou ato monumental pelas Diretas Já como se fosse a comemoração do aniversário de São Paulo. Em 2018, trata a candidatura deLula como se não existisse.

 

Líder disparado em todas as pesquisas, presente nas intenções de voto da maioria dos brasileiros e brasileiras, o ex-presidente não tem voz nem vez no Jornal Nacional. Mesma agenda de silêncio e apagamento conferida pela emissora a Fernando Haddad, seu vice. Não importa que a chapa Lula/Haddad/Manuela seja a única a juntar povo em qualquer lugar do país nesta campanha estranha e paradoxal.

 

É uma longa, elaborada e metódica dedicação à farsa que uma consulta à testemunha insuspeita – o próprio jornal O Globo – comprova sem maiores dificuldades. Não é a farsa pela farsa.  Ela se exaspera em tempos de campanha eleitoral mas está, a cada dia da história, a serviço dos interesses da família Marinho.

 

Pouca gente sabe mas, na trincheira da ditadura, O Globo trombou até com os Beatles. Em 1969, quando o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, fez uma conferência em Manchester, na Inglaterra e sugeriu aos jovens seguir o exemplo dos quatro de Liverpool e questionar “a forma monstruosa em que vivemos hoje com nossos falsos valores, contra a ridícula mecanização de tudo, inclusive do dinheiro”, o jornal partiu ao ataque.

 

Ilustrou matéria de 11 de abril daquele ano com uma foto do casal George Harrison e Patty Boyd saindo de um tribunal. E a legenda: “O beatle Harrison e sua loura: entorpecentes”. No editorial, deplorava-se que o arcebispo indicasse tais modelos. Harrison fora multado por posse de maconha, enquanto John Lennon e Yoko Ono eram criticados por posarem numa “experiência de amor público” em Amsterdam. Para o diário, os Beatles, os Rolling Stones e outros faziam “propaganda aberta da depravação”. Eram “fantásticas agências a serviço da corrupção de menores”, escandalizou-se.

 

Acontece que os Beatles e os Stones haviam ficado na linha de tiro contra Dom Hélder. Em 1969, o arcebispo era fortíssimo candidato ao Prêmio Nobel da Paz. E a figura mais odiada pela tirania. Justamente pela denúncia corajosa da censura, tortura e assassinatos no país. No ano anterior, sua casa fora metralhada por homens que gritavam “morte ao arcebispo vermelho!” Seria o primeiro Nobel brasileiro. Quatro vezes candidato, Dom Hélder, porém, nunca ganhou. Foi vítima de uma campanha difamatória, no Brasil e na Europa, movida por O Globo, o Estadão, o regime dos generais e parte do empresariado.

 

Carlos Marighella, o número 1 da ALN, foi emboscado e assassinado – recebeu 28 tiros e não portava nenhuma arma – em  4 de novembro de 1969. Dois dias depois, O Globo publicou o editorial O Beijo de Judas. Era um texto abjeto. Nele, jogava perseguidos contra perseguidos, ao dizer que os padres franciscanos Fernando e Ivo, sem “resistência moral”, haviam entregue Marighella . Omitia as condições em que as informações haviam sido obtidas. Fernando, por exemplo, tivera um arame enfiado na uretra…

 

Dez anos após o golpe, a família Marinho ainda não havia convenientemente percebido onde estava metida.  Fiel ao culto da farsa, no editorial “Fidelidade ao Regime”, O Globo celebrou a “medicina democrática” imposta pelos eventos de 1964. Não por acaso, em 1972, o então ditador, Garrastazu Médici, confessou que se sentia relaxado e feliz após ver o Jornal Nacional porque enquanto “o mundo está um caos, o Brasil está em paz”. Uma década depois, em 1984, veio outra exaltação: a democracia fora derrubada para “preservar as instituições democráticas”.

 

Tamanha luta braçal contra os fatos em nenhum momento pode ser chamada de “tragédia”—embora trágica para a reputação do conglomerado. Aos olhos do leitor/telespectador/ouvinte mais atento desde sempre foi farsesca.

 

Vinte e oito anos após o retorno da democracia, as Organizações Globo expuseram seu mea culpa pelo relacionamento carnal com a ditadura. O editorial veio na véspera do cinquentenário do regime militar. Sim, timing não é o forte dos Marinho. Dado seu comportamento em 2016, teremos novidades em 2066…

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