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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

30
Jul22

A transparência golpista de Jair Bolsonaro

Talis Andrade

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O golpismo do presidente é transparente, narrado em tempo real nas mídias digitais. Está aí para quem quiser ver
 
 

por Rodrigo Perez Oliveira

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Quando falamos em “golpe de Estado”, vem de imediato à nossa memória a imagem de blindados das Forças Armadas nas ruas, derrubando governos eleitos, perseguindo, torturando e matando os opositores. Este sentido para o termo foi inscrito pelas experiências de ruptura institucional que aconteceram na América Latina nas décadas de 1960 e 1970.

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Por conta dessa memória cristalizada, talvez tenhamos alguma dificuldade em tratar como “golpe de Estado” o que está acontecendo no Brasil neste exato momento. O mundo gira e tudo se transforma, inclusive os golpes de Estado.

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O novo tipo de golpe de Estado não se dá de fora para dentro das instituições golpeadas. É processado aos poucos, de dentro pra fora, manipulando os ritos do regime que está sendo derrubado. No Brasil, esse processo golpista começou com o impeachment de Dilma Rousseff, em agosto de 2016, e se radicalizou nos últimos três anos e meio. Se radicalizou a ponto de, à altura em que escrevo este texto, nenhuma das autoridades da República parece saber o que fazer para interromper a escalada golpista.

No último dia 18 de julho aconteceu aquela que talvez tenha sido a manifestação mais aguda da marcha golpista em curso no Brasil.

O presidente da República convocou diplomatas estrangeiros para “denunciar” fraudes no sistema eleitoral brasileiro. Apresentou dados falsos e, novamente, mentiu.

Em tese, o presidente da República representa o establishment, a legalidade, a devida institucionalidade. Ao lançar suspeitas sobre o processo eleitoral, Bolsonaro se apresenta como regenerador da legalidade, como defensor do rito. O agente golpista, portanto, não vem de fora da institucionalidade. É a própria institucionalidade, pelo menos parte dela.

Ao lado de Bolsonaro, estavam Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, Ministro da Defesa, e Ciro Nogueira, Ministro-Chefe da Casa civil e líder do “Centrão”. O recado foi claro para quem sabe ler a linguagem da diplomacia: Bolsonaro anunciou ao mundo que pretende liderar um golpe no Brasil, e para isso conta com apoio das Forças Armadas e de parte da classe política civil.

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Hoje, o golpismo de Bolsonaro conta com a adesão de algo entre 25 e 30% da população. Tem o apoio das Forças Armadas e das PMs estaduais. Não duvido de que uma eventual ruptura contaria como apoio de parcela significativa do Congresso Nacional, sobretudo na Câmara dos Deputados.

Bolsonaro não está isolado em suas pretensões golpistas!

A situação é muito grave. É pior do que aconteceu nos EUA, onde o golpismo de Trump jamais contou com o apoio das Forças Armadas.

Bolsonaro não está disputando as eleições. Sabe perfeitamente que não vencerá. Acredita, sim, nas pesquisas eleitorais. Portando, todos os seus movimentos devem ser lidos em função da agenda golpista. Por isso, escolheu Braga Netto e não Tereza Cristina para a posição de vice em sua chapa.

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Eu diria que o roteiro do golpe prevê três atos:

1°) Levar a disputa para o 2° turno, quando os aliados dentro da classe politica já estarão eleitos. Para isso, a “PEC eleitoral” é estratégica. É bastante improvável que o pacote de bondades seja o suficiente para virar o jogo, pois a vantagem de Lula é muito grande. Na coligação do golpe bolsonarista, ninguém está trabalhando com essa hipótese. Porém, é muito difícil imaginar que a PEC não terá nenhum efeito eleitoral. R$ 42 bilhões para gastar às vésperas das eleições, definitivamente, não é algo irrelevante. A expectativa do governo é que seja o suficiente para reverter algo entre 3 e 5% dos votos, o bastante para arrastar a disputa para o segundo turno.

2°) Seriam três semanas de constante agitação da base social bolsonarista, radicalizada, violenta, armada e mobilizada pelo discurso da fraude eleitoral. O objetivo é que o dia 30 de outubro, o domingo do segundo turno, seja caótico. Pessoas com medo de sair de casa para votar, conflitos nas ruas. Grande abstenção eleitoral. Ao fim do dia, o Ministério da Defesa, municiado pelo discurso de que eleição é tema de segurança nacional, apresenta um resultado diferente do publicado pelo TSE. Novamente, evocando a legalidade e a defesa do rito eleitoral, os golpistas começam uma batalha discursiva e institucional, com dados falseados e manipulados.

3°) No Congresso Nacional, os aliados manobram no sentido de aprovar uma legislação excepcional que prorrogue o mandato presidencial até que seja possível a realização de eleições “legais e seguras”. A princípio, nem é necessário que o Exército coloque seus tanques na praça. Mas a presença dos militares na coligação golpista sinaliza que os blindados estão disponíveis. Com exceção de alguns entreveros nas ruas, a disputa se dará quase toda por dentro da cambaleante institucionalidade. Liminar de juiz do supremo para cá, liminar de outro juiz para lá (não é demais lembrar que Bolsonaro já conta dois ministros no STF). Arhur Lira manobrando na Câmara dos Deputados. Somente com Bolsonaro Lira continuaria controlando o orçamento do país. Sua adesão ao golpe bolsonarista não seria ideológica, mas, sim, pragmática.

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Nem carece de muita imaginação interpretativa para visualizar esse roteiro. O plano é esse. Tudo está sendo anunciado, à luz do dia, sem dissimulação alguma. O golpismo de Bolsonaro é transparente, narrado em tempo real nas mídias digitais. Está aí para quem quiser ver. Basta saber como reagir. Tomara que não seja tarde demais.

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12
Jun22

Parvoíces de Bolsonaro levam 33 milhões de brasileiros a passar fome

Talis Andrade

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por Paulo Fernando dos Santos, Paulão

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A volta da fome ao Brasil é escandalosa e revoltante. Principalmente por que mostra ao mundo inteiro a incapacidade, a incompetência e o desleixo do atual governo para com o povo brasileiro. O País está sem norte e sem gestão responsável, notadamente, quando se trata de cuidar bem das pessoas que mais precisam.

Os números revelados pelo 2º Inquérito Nacional Sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil nos remete a uma tristeza profunda. São aproximadamente 33,1 milhões de brasileiros passando fome no Brasil em 2022, o que representa mais de 15% da nossa população.

O levantamento aponta para um descaso sem precedentes desse desgoverno do senhor Jair Bolsonaro, quando nos mostra que 58.7% da população sofre com a insegurança alimentar em algum grau neste 2022. Na verdade, isso é um crime contra as pessoas que mais precisam de atenção do poder público.

Mas, na sua cruzada de retrocessos, Bolsonaro destruiu o País, quando desmontou as políticas públicas que surgiram durante os governos do Presidente Lula para cuidar bem das pessoas vulneráveis. Ao tempo em que tirou a comida da mesa dos pobres, ele simplesmente fez crescer os lucros dos banqueiros, investidores do mercado e dos seus apoiadores do agronegócio, essa gente rica do País, para quem ele só “governa”.

Em síntese, o desmonte das políticas públicas de combate à fome e a miséria no Brasil só fez piorar o cenário econômico e acirrou ainda mais as desigualdades sociais. Portanto, não foi cenário da

pandemia e nem os efeitos da guerra na Ucrânia, mas sim o despreparo, a arrogância e o descaso criminoso de Bolsonaro, que apareceu neste mundo para destruir qualquer que fosse o projeto de futuro, sonhado pelas camadas mais pobres deste País.

Combater a miséria foi uma missão bem sucedida do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, logo que assumiu seu primeiro mandato no Brasil. Com políticas de inclusão social, garantindo que cada pode brasileiro fizesse as três refeições por dia, ele conseguiu tirar o Brasil do Mapa da Fome da ONU, em 2014. Assim, foi registrada a marca de 36 milhões de brasileiros fora da linha da miséria. Isso se deu de forma transparente e responsável, conforme a própria Organização das Nações Unidas, via FAO, reconheceu. Essa marca está na história e o presidente Lula recebeu um prêmio internacional com essa conquista do nosso povo.

Agora, infelizmente, o Brasil volta ao Mapa da Fome de forma vergonhosa e criminosa. Bolsonaro há de ser responsabilizado para responder pela sua parvoíce e omissão ao acabar com o Programa Bolsa Família, ao destruir o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da agricultura familiar, ao destruir educação e a merenda escolar no País e com isso colocar mais de 30 milhões de pessoas na miséria.

Jair Bolsonaro é um ser desprezível que precisa ser freado na sua sanha destruidora. Que o povo brasileiro pense exatamente nisso, quando chegar a hora de dizer #ForaBolsonaro.

Charge Erasmo Spadotto - Menino com Fome - Portal Piracicaba Hoje

Charge: Barriga cheia. Por Miguel Paiva

José Guimarães - No Brasil com Bolsonaro, a fome voltou! Charge: Nando  Motta | Facebook

03
Jun22

Armas para reservistas sinalizam "Capitólio" de Bolsonaro

Talis Andrade

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O 'Capitólio' de Bolsonaro pode ter um roteiro diferente do de Trump

 

por Alex Solnik

Duas notícias apontam para a possibilidade de Bolsonaro tentar promover uma insurreição no país caso perca as eleições.

A primeira é a decisão da PM do Rio de Janeiro de distribuir pistolas e três carregadores para até 10 mil policiais da reserva, anunciada ontem, de sopetão. Sem mais, nem menos. 

O processo administrativo correu a toque de caixa. Foi iniciado a 18 de maio. 

Mas por que distribuir armas para reservistas? Sigilo. Os documentos estão sob “acesso restrito”. E por que? 

O comando da PM menciona o artigo da Lei de Acesso à Informação que veda acesso a documentos que possam “comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de informações”. 

Nada mais que isso. Um silêncio ensurdecedor. 

Vão distribuir armas por questões de “inteligência”, “prevenção” e “investigação” sem expor o motivo. O que me deixa - e qualquer pessoa bem informada - com a pulga atrás da orelha. Dez mil pessoas sem uniforme policial vão circular armadas nas ruas do Rio de Janeiro.

No mesmo dia, ou seja, ontem, ficamos sabendo que há alguns dias, num jantar na casa da ministra do STF, Cármen Lúcia, presentes o presidente do STF, Luiz Fux, e sete senadores, Fernando Bezerra Coelho, ex-líder do governo no Senado disse que não se deve subestimar a capacidade de Bolsonaro de incendiar o país. 

Outro, Tasso Jereissati, aconselhou Fux a conversar com a cúpula militar para neutralizar os planos de Bolsonaro.

Renan Calheiros, Kátia Abreu, Randolfe Rodrigues, Marcelo Castro e Eduardo Braga apoiaram a sugestão de Tasso.

O “Capitólio” de Bolsonaro pode ter um roteiro diferente do de Trump. 

Assim que for anunciada sua derrota, os reservistas da PM do Rio saem às ruas para protestar, alegando fraude nas urnas eletrônicas. 

Promovem protestos violentos, que se alastram pelas PMs em todo o país, exigindo anulação do resultado.

O governo decreta estado de emergência, o Exército é obrigado a reprimir os protestos, o que poderá colocar a tropa e talvez alguns comandantes numa escolha de Sofia: reprimem os reservistas da PM ou aderem ao protesto? 

Daí ser imperativo o diálogo do presidente do STF com o comandante das Forças Armadas, que devem permanecer coesas contra uma insurreição bolsonarista que se desenha no horizonte.    

E a distribuição de armas a reservistas da PM deve ser coibida.

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29
Jan22

Um desafio a Moro: apresentar o nome de um cliente que tenha atendido nos Estados Unidos

Talis Andrade

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por Joaquim de Carvalho

O ex-juiz declarado parcial pelo Supremo Tribunal Federal fez um desafio a Lula e a Bolsonaro na live com o correligionário Kim Katuguiri: abrir as próprias contas.

No caso de Lula, a proposta chega a ser risível, já que o ex-presidente e familiares tiveram a vida devassada pela Lava Jato e não se encontrou nenhum crime.

Se Moro gosta de desafio, faço um a ele: apresentar o nome de um único cliente que tenha atendido como contratado da Alvarez & Marsal.

O advogado Rodrigo Tacla Durán, especialista em direito tributário e perseguido pela Lava Jato (fato reconhecido pela Interpol), suspeita que o ex-juiz tenha alugado seu nome para a Alvarez & Marsal ampliar sua atuação no Brasil.

Em dezembro, alguns dias depois de encerrado o contrato com Moro, a Alvarez & Marsal aprovou na Comissão de Valores Mobiliários o registro de uma Spac, sigla em inglês para Special Purpose Acquisition Company.

Será a primeira empresa deste tipo no Brasil e sua finalidade é comprar companhias brasileiras. Funciona assim: os investidores dão uma espécie de cheque em branco para a Spac, sem saber que companhias comprarão.

É uma aposta nos gestores, não nas empresas que serão compradas. No Brasil, depois da Lava Jato, as companhias em geral perderam valor, sobretudo as da área da construção pesada.

O real também foi desvalorizado, o que tornou ativos no País baratos.

O nome de Moro no Brasil não vale quase nada, dado que não há mais dúvida sobre a parcialidade com que agiu e também por ter usado a magistratura para enriquecer.

Mas, para investidores estrangeiros, pode ter algum valor, daí a suspeita de Tacla Durán, que hoje mora na Espanha, onde mantém empresa de consultoria.

Nos últimos três dias, Tacla Durán mencionou a Spac três vezes em seu Twitter, com desafio a Moro.

“Russo (é como ele chama Moro, também conhecido assim pelos procuradores da Lava Jato), muda o disco… para ser presidente da República, precisa muito mais do que isso, não poder ser monotemático! Aproveita e explica os seus serviços para a SPAC da Alvarez & Marsal. Quais empresas a SPAC da sua empregadora irá comprar no Brasil?”, disse.

Em outra postagem, perguntou: "Esse cheque em branco da Alvarez & Marsal é para comprar as empresas que você quebrou na operação que você 'comandou'? Tem compliance essa empresa que você operou?”

Por fim, questionou: “Russo, vai abrir também o que foi recebido para a SPAC da Alvarez & Marsal? Ou vai abrir só o que vai declarar no Brasil e deixar outra parte para declarar nos EUA?”.

Com a palavra, Sergio Moro.

 

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