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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Abr20

Quantos ventiladores pulmonares o governo militar de Bolsonaro mandou para Itália?

Talis Andrade

 

 

Chegou a hora da morte de milhares de brasileiros. Faltam máscaras. Faltam testes para saber quem está infectado. Faltam medicamentos. Faltam UTIs. Faltam médicos. Faltam enfermeiros. Faltam leitos. Tudo falta. Desde Temer que o SUS vem sendo sucateado. Bolsonará é a pá de terra. Até a primeiro morte por coronavírus a cantilena era uma só: a privatização da saúde. Dos hospitais. Das faculdades de medicina.

Esse Mandetta com Bolsonaro sucatearam o SUS. Os dois deviam ser julgados como genocidas.

Quantos vão morrer no Brasil sem testes de coronavírus?

Nem máscara tem para o povo, e para os que trabalham nos serviços de saúde.

Bolsonaro mandou respiradores pulmonares para a Itália, porque o governo de lá é da direita. O safado com essa "caridade" vai matar quantos brasileiros?

Vamos ter mortes por falta de medicamentos.

Essa estória de jejum é conversa fiada para desviar o foco. 

Coronavírus uma gripezinha para quem tem alimentação, medicamentos, UTI equipada, bons médicos, enfermeiros, laboratórios etc. Sem terra, sem teto, sem nada não vai disputar na tapa... esse luxo de sempre, todo esse luxo de branco que reside nos palacetes, nos condomínios fechados.

Escreve Sérgio Moro: "A SENASP/MJSP produziu manual para orientação aos agentes de segurança pública sobre protocolos a serem seguidos em diligências policiais, inclusive na abordagem de pessoas que descumprem medidas sanitárias, durante a epidemia do coronavírus. Cuidar de si e também cuidar dos outros".

O ministro "terrivelmente evangélico" pretende prender o chefe dele Jair Bolsonaro que passou este domingo em jejum trocando ósculo cristão com pastores e fiés das ricas igrejas de Edir Macedo, Malafaia,  R.R. Soares, Marco Feliciano, Valdemiro Santiago. 

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06
Abr20

Bolsonaro e o combate ao coronavírus

Talis Andrade

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) postou nas redes sociais um video convocando a população para jejuar e orar contra o coronavírus, neste domingo (5/3), dia “proclamado”, por ele próprio, como o dia da “Campanha de jejum e oração pelo Brasil”, conforme escreveu na legenda da publicação.

Na filmagem, com a hashtag “Jejum pelo Brasil”, 34 pastores de diferente igrejas evangélicas endossam o pedido de Bolsonaro e classificam o chamado como “proclamação santa feita pelo chefe supremo da nação”.
 
“Os maiores líderes evangélicos desse país atenderam à proclamação santa feita pelo chefe supremo da nação, o presidente Jair Messias Bolsonaro e convocam o exército de cristo para  a maior campanha de jejum e oração já vista na história do Brasil,” diz um trecho.
 
O bispo Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, e a esposa, Ester Bezerra, também aparecem na filmagem. “Nós temos esse clamor pela nação: Deus venha ouvir esse clamor”, disse Macedo.

 

12
Dez18

Jovem acusa nova ministra dos Direitos Humanos de querer ocultar estupro cometido por Marcos Feliciano

Talis Andrade

 

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Patrícia Lélis publicou no Facebook conversa via Whatsapp entre ela e Damares Alves, a chefe do novo Ministério da Mulher, Família e DH de Bolsonaro, além de um vídeo de outra pastora da igreja de Feliciano, que confirma ser amante dele e cúmplice no caso

 

A jovem jornalista Patrícia Lélis, 23, que denunciou em agosto de 2016 o deputado federal Marco Feliciano (ex-PSC, atual Podemos) por estupro, cárcere privado, sequestro e danos morais, publicou no último 1º de dezembro em seu Facebook que a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos escolhida por Jair Bolsonaro, Damares Alves, sempre soube destes supostos crimes, anexando, ao post, prints de uma conversa entre as duas por Whastapp. A jovem a acusa de querer esconder o estupro e todos os crimes supostamente cometidos por Feliciano, assim como os do senador Magno Malta (Partido da República), a quem Damares prestou assessoria parlamentar durante os seus mandatos, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), ex-namorado de Patrícia, que a ameaçaram para se calar sobre o caso.

 

De acordo com a postagem, por diversas vezes, a agora ministra, que também é pastora e advogada, pediu para que Patrícia não contasse a ninguém sobre o estupro. “Na Polícia Federal, falei sobre todos que sabiam do meu caso, e também deixei o celular para perícia. E digo mais: Ela não sabe apenas do meu caso, sabe de muitos, mas como sempre tenta silenciar as vítimas. Esses são os cidadãos de bem do governo Bolsonaro. Aos pais que frequentam a igreja e colocam pastores acima de tudo, eu só peço que tenham cuidado e escutem mais seus filhos, eles podem estar sofrendo assédio, estupro e ameaças para ficarem calados”, alertou.

 

Patrícia Lelis acrescentou: Eu conheci a Damares dentro do PSC e sempre tive um bom relacionamento com ela. Quando parei de ir trabalhar na câmara por conta do estupro, logo nos primeiros dias ela me procurou, porque a Marisa Lobo, então psicóloga do Feliciano, já sabia do caso e pediu a ela para que conversasse comigo.

 

Jornalistas Livres: E qual a sua relação com a outra pastora, Dani Alexandria, do vídeo que você publicou no Facebook no último dia 2? Como se conheceram? Eram da mesma igreja?

Patrícia Lélis: A pastora Dani era da mesma igreja do Feliciano, em São Paulo. Ela me procurou via mensagem no Instagram, disse que tinha várias provas contra o Feliciano e que queria denunciar. Inicialmente eu achei que se tratava de outra vítima de estupro.

 

Jornalistas Livres: Mas, de acordo com o vídeo, a pastora Dani era amante dele e recebia dinheiro para manter segredo sobre o caso deles e ainda oferecia dinheiro a mando de Feliciano para meninas que eram estupradas se calarem… Por quem essas meninas eram estupradas? Por membros da igreja ou por ele mesmo?
Patrícia Lélis: Exato. Eles eram amantes, Feliciano dava uma “mesada” a ela….e quando ele queria ter relações sexuais com outras mulheres, ela o ajudava a chegar nessas mulheres e, quando elas recusavam, o Feliciano abusava, estuprava. E a pastora Dani vinha logo depois oferecendo dinheiro para essas meninas não contarem o que ocorreu, e sempre com o mesmo papo de “não foi estupro, ele é um homem de Deus…”.

 

Jornalistas Livres: Quantos processos você move contra Feliciano e por quais razões?
Patrícia Lélis: Um processo criminal, que é sobre o estupro, cárcere privado e sequestro, e um de danos morais.

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Jornalistas Livres: Você também move processo contra Eduardo Bolsonaro, não é? Vi matéria sobre ameaças que ele teria lhe feito pelo whatsapp…

Patrícia Lélis: O processo de ameaça do Eduardo Bolsonaro foi aberto pela própria PGR logo após perícia no meu celular. Desde o dia em que o Eduardo, assim como outras pessoas do PSC ficaram sabendo do estupro do Feliciano, todos, sem exceção, tentaram me coagir a receber dinheiro em troca do silêncio, e quando viram que eu não aceitaria dinheiro, começaram as ameaças. Leia mais  

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Na campanha eleitoral Lélis foi ameaçada pelos eleitores de Eduardo Bolsonaro. Veja aqui.

 

27
Nov18

Jeito político de Bolsonaro já naufragou

Talis Andrade

 

 
por João Filho, no site The Intercept-Brasil:
 
Nunca existiu um político eleito que tenha cumprido todas as expectativas oferecidas durante a eleição. É natural da política, mas Bolsonaro certamente levará o chamado “estelionato eleitoral” para um novo patamar. O presidente eleito justificou a nomeação de ministros envolvidos em denúncias afirmando que a “questão ideológica é mais grave do que a corrupção”. Sobre a nomeação de um réu no Supremo, debochou: “Eu também sou réu no Supremo. E daí?”
 

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A estupidez dos comentários já não choca mais ninguém. “Nós já fomos nos acostumando”, como tantas vezes recomendaram os militantes bolsonaristas. Mas vai ficando cada vez mais claro que a bravata moralizadora - a principal arma da campanha eleitoral - serviu apenas para ludibriar os eleitores que acreditaram que o capitão representaria um novo marco ético no país.
 

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Quanto mais vai chegando perto da posse, mais a realidade vai se impondo sobre a bravata. Aos poucos, é possível que parte do seu eleitorado perceba que não é possível “varrer a corrupção” quando quem está com a vassoura na mão distribuiu tetas no serviço público para parentes e repassou grana da JBS para o partido mais corrompido na operação Lava Jato. Não sei se vai adiantar Sergio Moro conceder o perdão para todos os ministros. Um dos youtubers de estimação do bolsonarismo, Nando Moura, por exemplo, já mostrou insatisfação com a escolha de nomes envolvidos em corrupção nos ministérios.
 

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A promessa de não negociar cargos com partidos também deve naufragar. A demagogia eleitoral não resistirá à realidade. As primeiras tentativas de emplacar um novo tipo de relação entre Executivo e Legislativo já não estão dando certo, como parecia óbvio.
 
Partidos aliados e o próprio partido de Bolsonaro já se mostram incomodados como excesso de nomeações de políticos do DEM para o primeiro escalão. Segundo a deputada Joice Hasselmann, comenta-se dentro do PSL que o futuro governo parece “ser do DEM”, haja vista os três democratas já nomeados. Bolsonaro tentou acalmar seus correligionários: “gente, por um acaso, por uma coincidência, essas pessoas são do DEM”. A tal coincidência se deu porque os nomes não foram discutidos com partidos, mas com as bancadas. Tereza Cristina (Agricultura) foi indicada pela bancada do agronegócio, enquanto Mandetta (Saúde) foi indicado pela bancada da saúde (leia-se bancada dos planos de saúde).

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Negociar apenas com bancadas e deixar os partidos de fora serve apenas para aplacar as expectativas de parte do seu eleitorado que demoniza a política partidária. Na prática, não ajuda a formar uma base de apoio no Congresso. Apesar de ter abocanhado o maior número de ministérios até agora, o DEM elegeu apenas 29 deputados e é a 4ª menor bancada da Câmara. Essa desproporção terá um custo alto para quem pretende aprovar grandes reformas. A bancada evangélica, por exemplo, vota junto em questões caras às suas religiões, mas se divide quando o assunto é reforma da previdência. Não se governa um país negociando somente com frentes parlamentares conservadoras e ignorando outras frações representativas da sociedade.

A promessa demagógica de acabar com o famoso toma-lá-da-cá, que nada mais é do que a forma com que se faz política em todas as democracias do mundo, não vai resistir por muito tempo. Negociar com partidos invariavelmente significa indicações de cargos em trocas de apoio. E é bom que seja assim. Apenas regimes ditatoriais dispensam esse tipo de negociação. Os próprios líderes das bancadas já estão dizendo que não é possível governar sem negociar com os partidos. Tanto Marco Feliciano, líder da bancada evangélica, quanto Alberto Fraga, líder da bancada da bala, já disseram que a estratégia é equivocada e deve ser corrigida. A insatisfação entre as lideranças partidárias já está instalada.

Muitos reclamam que até agora não tiveram uma conversa com nenhum representante do governo eleito. É incrível imaginar que um parlamentar que atuou na Câmara por quase 30 anos, chegando a apoiar os governos do PT em respeito às negociações partidárias, queira agora como chefe do Executivo negociar apenas com seus clubinhos conservadores.

Me parece óbvio que a estratégia não terá futuro e logo será abandonada. Isso pode fazer com que Bolsonaro passe a ser questionado por quem votou nele acreditando que haveria um novo jeito de fazer política dentro de um presidencialismo de coalizão.
 

O novo ministro da Educação fomentou boatos em seu blog

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 O nome dos sonhos de Bolsonaro para comandar o MEC era Olavo de Carvalho, o mentor intelectual do bolsonarismo, o filósofo youtuber que denuncia o avanço do “globalismo marxista” no Brasil. Graças a Zeus, Olavo rejeitou o convite e pediu publicamente o cargo de embaixador do Brasil nos EUA, onde reside.

A influência da bancada evangélica na escolha do novo ministro da Educação foi decisiva. Os religiosos vetaram a nomeação do educador Mozart Ramos, um nome com perfil técnico e com experiência na administração pública. Mozart tem uma visão liberal da educação e sempre foi muito criticado pelas esquerdas, mas nem isso foi suficiente para agradar a bancada evangélica, que exigia alguém que defendesse com fervor neopentecostal essa insanidade chamada Escola Sem Partido.

Depois de muitas idas e vindas, Bolsonaro afirmou na última quinta-feira pela manhã que não estava cogitando escolher Mozart para o MEC e que tudo não passava de “fake news” da imprensa para “criar intriga com a bancada evangélica”. Disse ainda que procurava “um bom nome técnico” para a pasta. Mas uma das marcas registradas do presidente eleito é desmentir à noite o que foi dito pela manhã. Foi o que aconteceu. À noite, ele anunciou um ministro sem nenhuma experiência administrativa e com perfil altamente ideológico. Bolsonaro cedeu à pressão do fundamentalismo religioso e escolheu Ricardo Vélez Rodriguez, uma indicação de Olavo de Carvalho.

O filósofo, que considera Einstein um “farsante”, Isaac Newton um “burro” e Galileu um “charlatão”, também considera Rodriguez “o maior conhecedor de pensamento político brasileiro do mundo”. Apesar de ter uma trajetória acadêmica, Ricardo Velez-Rodriguez está longe de ter um perfil técnico. É um homem religioso e reacionário. Isso fica claro em uma breve leitura do seu blog.

Assim como o novo chanceler, o novo ministro da Educação também é um blogueiro obcecado por produzir conteúdo antiesquerdista. O seu blog, chamado de Rocinante em alusão ao cavalo de Dom Quixote, se dedica a fazer um proselitismo ideológico e a espalhar notícias mentirosas. Nada muito diferente dos youtubers do Bolsonaro e tão cafona quanto. Para Rodriguez, petistas são “petralhas”, e o dia 31 de março - dia do golpe militar de 1964 - é um dia para o brasileiro “lembrar e comemorar”. Talvez o livro de Ustra também seja o de cabeceira desse valoroso acadêmico.

No dia 7 de novembro, Rodriguez escreveu um texto intitulado “Um roteiro para o MEC” em que diz aceitar a indicação de Olavo e dá uma ideia do que serão suas diretrizes no comando da pasta. É um texto essencialmente ideológico, sem praticamente nenhuma proposta de cunho técnico e administrativo. Ele considera que os brasileiros viraram reféns de um sistema de ensino calcado na “doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de ‘revolução cultural gramsciana'”. O estilo rebuscado não é capaz de disfarçar o que o texto de fato traz em sua essência: chorume conspiratório.

O futuro ministro da Educação também já usou seu blog para espalhar notícias falsas que circulavam no submundo da internet. Quando Bolsonaro foi esfaqueado em Juiz de Fora, Rodriguez escreveu um texto que é praticamente um pot-pourri das fake news que circulavam à época. Apreciem um trecho:

“Falta que sejam cumpridas outras providências, como prender os outros membros da quadrilha que certamente estava na rua dando apoio ao criminoso-mor, como revelam vários vídeos postados nas redes sociais. Sabe-se que até uma funcionária pública do setor bancário teria participado, entregando a faca ao executor, pois foi identificada num desses vídeos. Falta que seja esclarecido de onde provieram os fartos recursos financeiros que pagaram a turma dos meliantes da Rua Halfeld e quem contratou em tempo recorde a banca de advogados para defender o criminoso.”

Esse contador de histórias é o homem que vai comandar um ministério fundamental para o país, que é altamente complexo, com demandas administrativas complicadas e que está cercado por disputas políticas. Não tem como dar certo. Como diria Eduardo Cunha, o bom e velho aliado de Bolsonaro, “que Deus tenha misericórdia dessa nação”.

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