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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Set21

Por que o documentário fakeada incomoda tanta gente?

Talis Andrade

Bolsonaro foi vítima da banalidade do mal que tanto defende

 

por Emir Sader

- - -

O documentário de Joaquim de Carvalho presta um serviço excepcional ao Brasil, ao revelar tantas coisas de que desconfiávamos muito. Muita coisa é simplesmente fundamentar com provas concretas o que imaginávamos e que agora deixam de ser desconfianças, para ser conhecimento real da realidade.

Outras são coisas que são revelações realmente novas, que tornam o caso ainda mais escandaloso.

Mas uma das perguntas que já nos colocávamos e que se tornaram ainda mais agudas é: por que a mídia deixou passar batida aquela facada? Por que ninguém da mídia tradicional se debruçou sobre aquilo?

Porque era funcional à vitória do seu candidato. E ninguém se atreveu a romper aquele silêncio criminoso. Como não é possível que não tivessem se colocado interrogações sobre um episodio tao esquisito e tao funcional à vitória de um candidato, evitaram investigar, porque era útil para a eleição do candidato que tinham escolhido.

Como aceitaram que o candidato não participasse dos debates? Só porque deixaram passar batida a balela da facada, sem sequer se dedicarem a investigá-la.

Agora várias pessoas, para minha surpresa, se incomodam muito com o documentário. Não tem argumentos para discutir a veracidade do documentário.

Mas acusam a culpabilidade de não ter abordado o tema da facada, se sentem envergonhados por terem deixado passar um caso que qualquer jornalista com um mínimo de sensibilidade, teria se dedicado a investigar. Pelo menos, a se perguntar se tinha sido realmente um atentado ou uma farsa.

Para encobrir essa vergonha, se dedicam a atacar a Joaquim de Carvalho, um dos melhores e mais competentes jornalistas brasileiros. Ataques para os que pretendem desviar a atenção tanto da quantidade de argumentos do documentário, que fazem dele uma peça fundamental para desvendar tudo o que passa no Brasil de hoje, quanto da responsabilidade da mídia e dos jornalistas, que se calaram sobre aquela farsa.

É muito incômodo para quem diz que a eleição do Bolsonaro foi legítima e que vivemos numa democracia, ver e aceitar as provas incontestáveis do documentário. Se a facada tivesse sido desmascarada naquele momento, ainda antes do primeiro turno, o que teria acontecido com a candidatura do Bolsonaro?

Os que deixaram passar batido aquela farsa, tem que se incomodar muito com o documentário. Porque ali se mostra que tudo foi uma farsa. Que a facada foi forjada. Essas provas, somadas às declarações do Bolsonaro a dois dos seus comparsas de então de que a partir da facada, ele não perderia mais as eleições e outras afins, conformam o quadro da farsa que foi a eleição do Bolsonaro.

Já não bastassem o golpe inconstitucional contra Dilma Rousseff e a prisão e impedimento do Lula de ser eleito no primeiro turno em 2018, o documentário complementa o cenário de absoluta ilegitimidade da eleição de Bolsonaro. Tudo sob o olhar passivo e complacente do Judiciário e da mídia.

Vejam, se ainda não viram, o documento de Joaquim Carvalho sobre a fakeada e entendam, de forma cabal, como foi forjada a eleição do Bolsonaro. E como o que o país sofre, desde então, é resultado também da farsa da fakeada.

Nota deste correspondente: A mídia deu espaço para diferentes mentiras sobre Adélio: Veja esta de um tal Renato Cunha, "Advogado Criminalista e Militar Licenciado pelo exercício das funções, Chefe de Gabinete da 2ª Procuradoria de Justiça Criminal do Ministério Público do Estado de Alagoas (...)

3. Há rumores que circulam na internet de que houve um depósito efetuado na conta do agressor, salvo engano no dia do ato cometido, no montante de R$ 350.000,00 (trezentos e cinquenta mil reais). Investigue-se;

4. Três outras pessoas estão sendo investigadas por, no mínimo, serem partícipes do crime. Pergunta-se: Seria uma organização criminosa ou uma ramificação de outra?"

Nunca existiram essas "três outras pessoas".

Ramificações criminosas existem várias no Rio das Pedras no Rio de Janeiro. Uma delas, o Escritório do Crime. 

Várias outras aberrações encontraram espaço no jornalismo marrom, para servir de prova, dar veracidade aos boatos infames espalhados por figuras bolsonaristas, notadamente, pastores e militares.

Verificamos: Atentado contra Jair Bolsonaro com checagens em tempo real |  Agência Lupa

Outro pastor que espalhou boatos foi Marco Feliciano. Publicado

Por Sérgio Rodas/ ConJur

O deputado federal Marco Feliciano (Republicanos-SP) não provou sua acusação de que o ex-deputado Jean Wyllys (PT-RJ) teve participação na facada recebida pelo presidente Jair Bolsonaro durante as eleições de 2018 e teve a intenção de caluniar Wyllys ao publicar tal afirmativa.

Com esse entendimento, o 5º Juizado Especial Cível do Rio de Janeiro condenou o pastor a pagar indenização por danos morais de R$ 41,8 mil ao petista. 

Além disso, o deputado deverá fazer retratação pública em seu perfil no Twitter. Se descumprir a medida, terá que pagar multa de R$ 20 mil.

Em abril de 2020, Feliciano publicou em suas redes sociais mensagem associando Wyllys a Adélio Bispo, autor da facada contra Bolsonaro.

“Segundo @oswaldojunior, EM DEPOIMENTO À PF, TESTEMUNGA (sic) REVELA QUE ADÉLIO BISPO ESTEVE NO GABINETE DE JEAN WYLLYS. No dia do atentado alguém deu entrada na Câmara dos Deputados c/a identidade de Adélio. Jean renunciou mandato e saiu do país após eleição...", declarou Feliciano, compartilhando link do site Renews.

Jean Wyllys foi à Justiça, afirmando que a notícia era falsa, uma vez que a Polícia Federal, em dois inquéritos, concluiu que Adélio Bispo agiu sozinho e sem mandantes.

O 5º Juizado Especial Cível do Rio entendeu que Feliciano extrapolou o direito à liberdade de expressão. Isso porque não comprovou sua acusação de que Bispo esteve no gabinete de Wyllys.

Além disso, o juízo declarou que o pastor teve a intenção de caluniar o petista, sugerindo que ele estava associado à tentativa de homicídio de Bolsonaro.

Processo 0121680-46.2020.8.19.0001

Também apareceram vaquinhas virtuais. O Diário do Poder propaga:

"Em uma dessas campanhas o pedido é feito pelo 'nosso guerreiro Adelio"

E acrescenta o Diário do Poder, por Francine Marquez:

"Em menos de 24 horas, Adelio Bispo de Oliveira, que agrediu com uma facada o deputado federal e candidato a Presidência, Jair Bolsonaro (PSL-RJ), ganhou quatro campanhas de financiamento, para custear as despesas judiciais.

As 'vakinhas' foram criadas por Marlon Costa, de São João de Meriti/RJ, Hudson Alves, de Brasília, Talles de Peruibe, interior do estado de  São Paulo e Genival Da Costa Bentes de Santarém/PA. O Diário do Poder tentou entrar em contato com Hudson Alves, por meio de mensagem, para saber qual o motivo para criar uma campanha em prol de Adelio, porém não recebeu nenhuma resposta até o momento.

Nas campanhas os 'solidários' autores pedem ajuda para Adelio, a quem consideram um herói. 'Vamos ajudar a tirar esse herói da cadeia', ou 'Vamos ajudar o nosso guerreiro Adelio, esse homem que por um descuido acabou sendo preso'.

Descuido foi treinar tiro ao alvo com o filho 02 de Bolsonaro, vereador Carlos Bolsonaro do Rio de Janeiro, e praticar o atentado com uma faca. 

A mais safada e abusiva notícia foi publicar uma foto de um inexistente irmão de Adélio com Lula. Usaram a foto do médico ortopedista Marcos Heridijanio. Veja aqui

Bolsonaro é mitomaníaco. Seus propagandistas tinham que ser inimigos da claridade. 

10
Set21

Depois do blefe, só resta mesmo o impeachment

Talis Andrade

 

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Ele prometeu mais de um milhão na avenida Paulista, em São Paulo, foram só 125 mil. Fiasco. E um recado para os pastores Claudio Duarte, Silas Malafaia, Marco Feliciano e Magno Malta, que ficaram ao lado de Bolsonaro no palanque, na Paulista – não têm vergonha de usarem o nome de Deus e de Cristo para apoiarem esse presidente de discurso golpista e considerado nazifascista?

 
 
por Rui Martins

- - -

Agora não há mais motivo para o presidente da Câmara, Arthur Lira, adiar a discussão do impeachment do ainda presidente Jair Bolsonaro. Além dos mais de 150 pedidos, desta vez é o governador de São Paulo, João Dória, quem decidiu também pedir o impeachment desse presidente de fancaria.

Nos seus dois discursos malfeitos, nas análises da comentarista da Band, Dora Kramer e do ex-ministro Aldo Rebelo, seja pela falta de uma estrutura seja pela falta de dados concretos e precisos, o presidente Bolsonaro repetiu a ladainha de sempre contra o voto eletrônico e contra dois dos membros do Supremo Tribunal Federal. Com uma novidade: ousou desafiar o Juiz Alexandre Moraes, dizendo que não acatará e nem cumprirá suas decisões.

Será mesmo capaz disso? Ninguém mais acredita naquele que, depois de ser chamado de coveiro, genocida e uma recente palavra ofensiva, corre o risco de acumular a alcunha de faroleiro, depois desse blefe do Sete de Setembro. Havia muitos seguidores fanáticos na Praça da Esplanada e na avenida Paulista, porém, muito aquém do alardeado por Bolsonaro. Apesar das ameaças proferidas pelas matilhas bolsonaristas pelas redes sociais, que faziam pensar no ocorrido no Capitólio depois da derrota de Donald Trump, não houve nenhuma invasão de prédios da praça dos Três Poderes, nenhuma briga, nenhum ferido e nenhum morto. Só ameaças.

Não havia ali, felizmente, entre o gado bolsonarista reunido nenhum Jacob Chansley, o arruaceiro mais conhecido como bisão ou xamã do QAnon, como bem lembrou nosso colega Celso Lungaretti, no seu blog. É verdade que alguns deles foram presos por antecipação, porém tanto o chefe como seus seguidores, no dizer do velho ditado, “latem, mas não mordem”. Os latidos foram tão fortes que acabaram atravessando o oceano, inquietando, em Genebra, a própria ONU. Os jornais europeus também publicaram ressonâncias dos latidos, chegando-se mesmo a se falar no risco de um golpe de extrema-direita no Brasil.

O colunista da Isto É, Marco Antônio Villa, ficou impressionado com as ameaças bolsonaristas a ponto de considerar ter sido declarado o golpe, mas um golpe por etapas, pedindo para Lira e Pacheco reagirem logo e também passarem para a ofensiva não deixando isolado o STF. Porém, o professor Paulo Ghiraldelli, com suas centenas de milhares de seguidores no YouTube, não se impressionou com o risco do golpe bolsonarista, mais acostumado em ironizar a fraqueza, a covardia e os blefes de quem para ele não passa de um bufão.

Governando e desgovernando o Brasil sem programa definido, resta ao presidente Bolsonaro a tática de cultivar o fanatismo de seus seguidores com ameaças, mas fica evidente não ser a melhor opção. O aumento do custo de vida, do preço do gás, da gasolina e a crise energética acabarão sendo mais importantes, mesmo para seus fiéis, do que a guerra declarada contra o juiz Alexandre de Moraes.

A crise econômica brasileira, o isolamento do Brasil, o próximo processo das rachadinhas, mais a acusação de prevaricação na crise sanitária do coronavírus pela CPI não permitirão a Bolsonaro governar até 31 de dezembro de 2022. A oportunidade de provocar um golpe já passou, seus delírios e a falta de competência para governar fizeram perder muitos seguidores. A própria ideia do Sete de Setembro acabou se transformando num tipo de suicídio político.

Sem poder oferecer o fechamento do STF e a tomada do poder para implantar uma ditadura militar, Bolsonaro precisava encontrar rapidamente um engodo, para seu gado não retornar frustrado às suas casas. Surgiu o recurso de anunciar uma reunião do Conselho da República, mas não tendo havido convocação prévia dos participantes, logo se percebe ser outra tapeação ou burla. Mesmo porque o Conselho é consultivo e não tem o poder de decisão.

Só restou aos bolsonaristas enrolar ou dobrar suas faixas pedindo golpe, ditadura ou fechamento do STF, e retornar às suas casas com a ilusão de que o Conselho da República poderá fechar o STF. Ninguém se lembrou dos quase 600 mil mortos e nem dos lotes de centenas de milhares de vacinas, no valor de centenas de milhões de reais, que não foram usadas e serão destruídos, nesta semana, por estarem com a data vencida.

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02
Jul21

Santa Damares do pau oco teve um caso com ex-assessor casado

Talis Andrade

A ministra pulou do galho da goiabeira

 

 

Além do desgaste causado pelo envolvimento dos filhos e membros do governo em supostos casos de corrupção, que tem derretido a sua popularidade, Jair Bolsonaro tem convivido com uma revolta entre antigos apoiadores que fazem – ou faziam – parte da milícia digital, que agora apontam suas “armas” para dentro do próprio governo.

Preso após tentar fugir do Brasil quando era investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito sobre os atos golpistas, o blogueiro Oswaldo Eustáquio disparou “fogo amigo” contra a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.

Em uma carta, Eustáquio conta uma “fake news ou meia verdade”, segundo a revista Veja, de um suposto caso amoroso da ministro com o ex-assessor de parlamentares da bancada evangélica Humberto Lúcio Lima, que é casado e, segundo o blogueiro, teria sido motivo de destruição da sua família.

Na carta, Eustáquio diz que a repercussão do caso amoroso de Damares resultou na demissão de uma filha do ex-assessor, de 20 anos, que ocupava um cargo no ministério de Damares.

Além dela, o advogado Paulo Fernando Melo também teria sido demitido. À Veja, Melo confirmou “essa questão particular íntima”, mas disse que saiu do ministério porque começou a prestar serviços como advogado eleitoral do PTB.

A divulgação do suposto caso repercutiu no meio evangélico. Conselheiro de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia disse que, confirmado, o caso seria motivo de demissão de Damares do governo.

“Tem que ver isso se é verdade, não estou dizendo que é. Mas, se for, ela pode cair”, disse à Veja sobre a ministra, que é cotada por Bolsonaro para ser vice na chapa em 2022.

Na carta, Eustáquio também confessa que fez uma “reportagem” sobre encomenda de Damares para “tirar” o deputado Marco Feliciano (Republicanos-SP) “do caminho”, para assumir o Ministério.

Feliciano afirmou à Veja que foi procurado por Eustáquio, que pediu desculpas pela reportagem. “Como cristão, quando libero perdão, coloco o assunto no esquecimento”, disse.

 
 
07
Abr20

Quantos ventiladores pulmonares o governo militar de Bolsonaro mandou para Itália?

Talis Andrade

 

 

Chegou a hora da morte de milhares de brasileiros. Faltam máscaras. Faltam testes para saber quem está infectado. Faltam medicamentos. Faltam UTIs. Faltam médicos. Faltam enfermeiros. Faltam leitos. Tudo falta. Desde Temer que o SUS vem sendo sucateado. Bolsonará é a pá de terra. Até a primeiro morte por coronavírus a cantilena era uma só: a privatização da saúde. Dos hospitais. Das faculdades de medicina.

Esse Mandetta com Bolsonaro sucatearam o SUS. Os dois deviam ser julgados como genocidas.

Quantos vão morrer no Brasil sem testes de coronavírus?

Nem máscara tem para o povo, e para os que trabalham nos serviços de saúde.

Bolsonaro mandou respiradores pulmonares para a Itália, porque o governo de lá é da direita. O safado com essa "caridade" vai matar quantos brasileiros?

Vamos ter mortes por falta de medicamentos.

Essa estória de jejum é conversa fiada para desviar o foco. 

Coronavírus uma gripezinha para quem tem alimentação, medicamentos, UTI equipada, bons médicos, enfermeiros, laboratórios etc. Sem terra, sem teto, sem nada não vai disputar na tapa... esse luxo de sempre, todo esse luxo de branco que reside nos palacetes, nos condomínios fechados.

Escreve Sérgio Moro: "A SENASP/MJSP produziu manual para orientação aos agentes de segurança pública sobre protocolos a serem seguidos em diligências policiais, inclusive na abordagem de pessoas que descumprem medidas sanitárias, durante a epidemia do coronavírus. Cuidar de si e também cuidar dos outros".

O ministro "terrivelmente evangélico" pretende prender o chefe dele Jair Bolsonaro que passou este domingo em jejum trocando ósculo cristão com pastores e fiés das ricas igrejas de Edir Macedo, Malafaia,  R.R. Soares, Marco Feliciano, Valdemiro Santiago. 

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06
Abr20

Bolsonaro e o combate ao coronavírus

Talis Andrade

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) postou nas redes sociais um video convocando a população para jejuar e orar contra o coronavírus, neste domingo (5/3), dia “proclamado”, por ele próprio, como o dia da “Campanha de jejum e oração pelo Brasil”, conforme escreveu na legenda da publicação.

Na filmagem, com a hashtag “Jejum pelo Brasil”, 34 pastores de diferente igrejas evangélicas endossam o pedido de Bolsonaro e classificam o chamado como “proclamação santa feita pelo chefe supremo da nação”.
 
“Os maiores líderes evangélicos desse país atenderam à proclamação santa feita pelo chefe supremo da nação, o presidente Jair Messias Bolsonaro e convocam o exército de cristo para  a maior campanha de jejum e oração já vista na história do Brasil,” diz um trecho.
 
O bispo Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, e a esposa, Ester Bezerra, também aparecem na filmagem. “Nós temos esse clamor pela nação: Deus venha ouvir esse clamor”, disse Macedo.

 

12
Dez18

Jovem acusa nova ministra dos Direitos Humanos de querer ocultar estupro cometido por Marcos Feliciano

Talis Andrade

 

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Patrícia Lélis publicou no Facebook conversa via Whatsapp entre ela e Damares Alves, a chefe do novo Ministério da Mulher, Família e DH de Bolsonaro, além de um vídeo de outra pastora da igreja de Feliciano, que confirma ser amante dele e cúmplice no caso

 

A jovem jornalista Patrícia Lélis, 23, que denunciou em agosto de 2016 o deputado federal Marco Feliciano (ex-PSC, atual Podemos) por estupro, cárcere privado, sequestro e danos morais, publicou no último 1º de dezembro em seu Facebook que a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos escolhida por Jair Bolsonaro, Damares Alves, sempre soube destes supostos crimes, anexando, ao post, prints de uma conversa entre as duas por Whastapp. A jovem a acusa de querer esconder o estupro e todos os crimes supostamente cometidos por Feliciano, assim como os do senador Magno Malta (Partido da República), a quem Damares prestou assessoria parlamentar durante os seus mandatos, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), ex-namorado de Patrícia, que a ameaçaram para se calar sobre o caso.

 

De acordo com a postagem, por diversas vezes, a agora ministra, que também é pastora e advogada, pediu para que Patrícia não contasse a ninguém sobre o estupro. “Na Polícia Federal, falei sobre todos que sabiam do meu caso, e também deixei o celular para perícia. E digo mais: Ela não sabe apenas do meu caso, sabe de muitos, mas como sempre tenta silenciar as vítimas. Esses são os cidadãos de bem do governo Bolsonaro. Aos pais que frequentam a igreja e colocam pastores acima de tudo, eu só peço que tenham cuidado e escutem mais seus filhos, eles podem estar sofrendo assédio, estupro e ameaças para ficarem calados”, alertou.

 

Patrícia Lelis acrescentou: Eu conheci a Damares dentro do PSC e sempre tive um bom relacionamento com ela. Quando parei de ir trabalhar na câmara por conta do estupro, logo nos primeiros dias ela me procurou, porque a Marisa Lobo, então psicóloga do Feliciano, já sabia do caso e pediu a ela para que conversasse comigo.

 

Jornalistas Livres: E qual a sua relação com a outra pastora, Dani Alexandria, do vídeo que você publicou no Facebook no último dia 2? Como se conheceram? Eram da mesma igreja?

Patrícia Lélis: A pastora Dani era da mesma igreja do Feliciano, em São Paulo. Ela me procurou via mensagem no Instagram, disse que tinha várias provas contra o Feliciano e que queria denunciar. Inicialmente eu achei que se tratava de outra vítima de estupro.

 

Jornalistas Livres: Mas, de acordo com o vídeo, a pastora Dani era amante dele e recebia dinheiro para manter segredo sobre o caso deles e ainda oferecia dinheiro a mando de Feliciano para meninas que eram estupradas se calarem… Por quem essas meninas eram estupradas? Por membros da igreja ou por ele mesmo?
Patrícia Lélis: Exato. Eles eram amantes, Feliciano dava uma “mesada” a ela….e quando ele queria ter relações sexuais com outras mulheres, ela o ajudava a chegar nessas mulheres e, quando elas recusavam, o Feliciano abusava, estuprava. E a pastora Dani vinha logo depois oferecendo dinheiro para essas meninas não contarem o que ocorreu, e sempre com o mesmo papo de “não foi estupro, ele é um homem de Deus…”.

 

Jornalistas Livres: Quantos processos você move contra Feliciano e por quais razões?
Patrícia Lélis: Um processo criminal, que é sobre o estupro, cárcere privado e sequestro, e um de danos morais.

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Jornalistas Livres: Você também move processo contra Eduardo Bolsonaro, não é? Vi matéria sobre ameaças que ele teria lhe feito pelo whatsapp…

Patrícia Lélis: O processo de ameaça do Eduardo Bolsonaro foi aberto pela própria PGR logo após perícia no meu celular. Desde o dia em que o Eduardo, assim como outras pessoas do PSC ficaram sabendo do estupro do Feliciano, todos, sem exceção, tentaram me coagir a receber dinheiro em troca do silêncio, e quando viram que eu não aceitaria dinheiro, começaram as ameaças. Leia mais  

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Na campanha eleitoral Lélis foi ameaçada pelos eleitores de Eduardo Bolsonaro. Veja aqui.

 

27
Nov18

Jeito político de Bolsonaro já naufragou

Talis Andrade

 

 
por João Filho, no site The Intercept-Brasil:
 
Nunca existiu um político eleito que tenha cumprido todas as expectativas oferecidas durante a eleição. É natural da política, mas Bolsonaro certamente levará o chamado “estelionato eleitoral” para um novo patamar. O presidente eleito justificou a nomeação de ministros envolvidos em denúncias afirmando que a “questão ideológica é mais grave do que a corrupção”. Sobre a nomeação de um réu no Supremo, debochou: “Eu também sou réu no Supremo. E daí?”
 

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A estupidez dos comentários já não choca mais ninguém. “Nós já fomos nos acostumando”, como tantas vezes recomendaram os militantes bolsonaristas. Mas vai ficando cada vez mais claro que a bravata moralizadora - a principal arma da campanha eleitoral - serviu apenas para ludibriar os eleitores que acreditaram que o capitão representaria um novo marco ético no país.
 

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Quanto mais vai chegando perto da posse, mais a realidade vai se impondo sobre a bravata. Aos poucos, é possível que parte do seu eleitorado perceba que não é possível “varrer a corrupção” quando quem está com a vassoura na mão distribuiu tetas no serviço público para parentes e repassou grana da JBS para o partido mais corrompido na operação Lava Jato. Não sei se vai adiantar Sergio Moro conceder o perdão para todos os ministros. Um dos youtubers de estimação do bolsonarismo, Nando Moura, por exemplo, já mostrou insatisfação com a escolha de nomes envolvidos em corrupção nos ministérios.
 

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A promessa de não negociar cargos com partidos também deve naufragar. A demagogia eleitoral não resistirá à realidade. As primeiras tentativas de emplacar um novo tipo de relação entre Executivo e Legislativo já não estão dando certo, como parecia óbvio.
 
Partidos aliados e o próprio partido de Bolsonaro já se mostram incomodados como excesso de nomeações de políticos do DEM para o primeiro escalão. Segundo a deputada Joice Hasselmann, comenta-se dentro do PSL que o futuro governo parece “ser do DEM”, haja vista os três democratas já nomeados. Bolsonaro tentou acalmar seus correligionários: “gente, por um acaso, por uma coincidência, essas pessoas são do DEM”. A tal coincidência se deu porque os nomes não foram discutidos com partidos, mas com as bancadas. Tereza Cristina (Agricultura) foi indicada pela bancada do agronegócio, enquanto Mandetta (Saúde) foi indicado pela bancada da saúde (leia-se bancada dos planos de saúde).

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Negociar apenas com bancadas e deixar os partidos de fora serve apenas para aplacar as expectativas de parte do seu eleitorado que demoniza a política partidária. Na prática, não ajuda a formar uma base de apoio no Congresso. Apesar de ter abocanhado o maior número de ministérios até agora, o DEM elegeu apenas 29 deputados e é a 4ª menor bancada da Câmara. Essa desproporção terá um custo alto para quem pretende aprovar grandes reformas. A bancada evangélica, por exemplo, vota junto em questões caras às suas religiões, mas se divide quando o assunto é reforma da previdência. Não se governa um país negociando somente com frentes parlamentares conservadoras e ignorando outras frações representativas da sociedade.

A promessa demagógica de acabar com o famoso toma-lá-da-cá, que nada mais é do que a forma com que se faz política em todas as democracias do mundo, não vai resistir por muito tempo. Negociar com partidos invariavelmente significa indicações de cargos em trocas de apoio. E é bom que seja assim. Apenas regimes ditatoriais dispensam esse tipo de negociação. Os próprios líderes das bancadas já estão dizendo que não é possível governar sem negociar com os partidos. Tanto Marco Feliciano, líder da bancada evangélica, quanto Alberto Fraga, líder da bancada da bala, já disseram que a estratégia é equivocada e deve ser corrigida. A insatisfação entre as lideranças partidárias já está instalada.

Muitos reclamam que até agora não tiveram uma conversa com nenhum representante do governo eleito. É incrível imaginar que um parlamentar que atuou na Câmara por quase 30 anos, chegando a apoiar os governos do PT em respeito às negociações partidárias, queira agora como chefe do Executivo negociar apenas com seus clubinhos conservadores.

Me parece óbvio que a estratégia não terá futuro e logo será abandonada. Isso pode fazer com que Bolsonaro passe a ser questionado por quem votou nele acreditando que haveria um novo jeito de fazer política dentro de um presidencialismo de coalizão.
 

O novo ministro da Educação fomentou boatos em seu blog

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 O nome dos sonhos de Bolsonaro para comandar o MEC era Olavo de Carvalho, o mentor intelectual do bolsonarismo, o filósofo youtuber que denuncia o avanço do “globalismo marxista” no Brasil. Graças a Zeus, Olavo rejeitou o convite e pediu publicamente o cargo de embaixador do Brasil nos EUA, onde reside.

A influência da bancada evangélica na escolha do novo ministro da Educação foi decisiva. Os religiosos vetaram a nomeação do educador Mozart Ramos, um nome com perfil técnico e com experiência na administração pública. Mozart tem uma visão liberal da educação e sempre foi muito criticado pelas esquerdas, mas nem isso foi suficiente para agradar a bancada evangélica, que exigia alguém que defendesse com fervor neopentecostal essa insanidade chamada Escola Sem Partido.

Depois de muitas idas e vindas, Bolsonaro afirmou na última quinta-feira pela manhã que não estava cogitando escolher Mozart para o MEC e que tudo não passava de “fake news” da imprensa para “criar intriga com a bancada evangélica”. Disse ainda que procurava “um bom nome técnico” para a pasta. Mas uma das marcas registradas do presidente eleito é desmentir à noite o que foi dito pela manhã. Foi o que aconteceu. À noite, ele anunciou um ministro sem nenhuma experiência administrativa e com perfil altamente ideológico. Bolsonaro cedeu à pressão do fundamentalismo religioso e escolheu Ricardo Vélez Rodriguez, uma indicação de Olavo de Carvalho.

O filósofo, que considera Einstein um “farsante”, Isaac Newton um “burro” e Galileu um “charlatão”, também considera Rodriguez “o maior conhecedor de pensamento político brasileiro do mundo”. Apesar de ter uma trajetória acadêmica, Ricardo Velez-Rodriguez está longe de ter um perfil técnico. É um homem religioso e reacionário. Isso fica claro em uma breve leitura do seu blog.

Assim como o novo chanceler, o novo ministro da Educação também é um blogueiro obcecado por produzir conteúdo antiesquerdista. O seu blog, chamado de Rocinante em alusão ao cavalo de Dom Quixote, se dedica a fazer um proselitismo ideológico e a espalhar notícias mentirosas. Nada muito diferente dos youtubers do Bolsonaro e tão cafona quanto. Para Rodriguez, petistas são “petralhas”, e o dia 31 de março - dia do golpe militar de 1964 - é um dia para o brasileiro “lembrar e comemorar”. Talvez o livro de Ustra também seja o de cabeceira desse valoroso acadêmico.

No dia 7 de novembro, Rodriguez escreveu um texto intitulado “Um roteiro para o MEC” em que diz aceitar a indicação de Olavo e dá uma ideia do que serão suas diretrizes no comando da pasta. É um texto essencialmente ideológico, sem praticamente nenhuma proposta de cunho técnico e administrativo. Ele considera que os brasileiros viraram reféns de um sistema de ensino calcado na “doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de ‘revolução cultural gramsciana'”. O estilo rebuscado não é capaz de disfarçar o que o texto de fato traz em sua essência: chorume conspiratório.

O futuro ministro da Educação também já usou seu blog para espalhar notícias falsas que circulavam no submundo da internet. Quando Bolsonaro foi esfaqueado em Juiz de Fora, Rodriguez escreveu um texto que é praticamente um pot-pourri das fake news que circulavam à época. Apreciem um trecho:

“Falta que sejam cumpridas outras providências, como prender os outros membros da quadrilha que certamente estava na rua dando apoio ao criminoso-mor, como revelam vários vídeos postados nas redes sociais. Sabe-se que até uma funcionária pública do setor bancário teria participado, entregando a faca ao executor, pois foi identificada num desses vídeos. Falta que seja esclarecido de onde provieram os fartos recursos financeiros que pagaram a turma dos meliantes da Rua Halfeld e quem contratou em tempo recorde a banca de advogados para defender o criminoso.”

Esse contador de histórias é o homem que vai comandar um ministério fundamental para o país, que é altamente complexo, com demandas administrativas complicadas e que está cercado por disputas políticas. Não tem como dar certo. Como diria Eduardo Cunha, o bom e velho aliado de Bolsonaro, “que Deus tenha misericórdia dessa nação”.

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