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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

12
Nov23

Carta a uma amiga sionista

Talis Andrade

por Marcia Tiburi

Percebi que suas redes sociais deram um salto em número de seguidores desde que você começou sua intensa campanha sionista.

Sempre ouvi seus argumentos sobre a existência de um Estado de Israel, com a escuta que se deve aos amigos.

A princípio não sou contra os Estados, desde que a religião fique de fora disso.

Percebendo sua angústia, incentivei que você conversasse sobre o tema com pessoas que entendiam mais do assunto do que eu, por ex., uma amiga jornalista que cobre a questão Palestina há 30 anos. Você apenas disse que “esse tipo de judeu é anti-judeu” e não quis o encontro.

Eu fiquei preocupada. Vi que você caminhava para o fanatismo.

Lembro de uma tarde em que você me visitou angustiada e que tivemos uma boa conversa na qual, com muito cuidado para não te magoar, tentei sugerir que você evitasse clichês tais como o “islamo-gauchiste”, ou “esquerdo-islamismo”, para se referir a mim.

Eu não me ofendi quando você me criticou como islamista identitária.

Passei a vida estudando pensadores judeus e convidei você para fazermos um grupo de estudos, esperando criar espaço para aprofundar questões, mas você alegou não ter tempo. Já não era possível conversar sobre temas da vida sem medo da sua reação. Ao mesmo tempo, via amigos em comum constrangidos perguntando o que havia acontecido com você.

Lembro que você demorou a decidir votar em Lula e não tenha visto as afinidades entre Bolsonaro e Netanyahu.

Então, há dias, você me mandou mensagens de voz dizendo que não havia lido nenhuma postagem minha sobre os ataques a Israel. Eu também não havia postado sobre os ataques à Palestina. Percebi que estava sendo vigiada e que você fazia parte da polícia linguística.

Eu te enviei meu texto sobre Gaza/Auschwitz. Você me definiu como uma “petista defensora do Hamas”, logo eu que acho o Hamas um bando de machistas amantes da guerra.

Você avisou que não falaríamos mais. Eu falei que você não tinha o direito de exigir de mim uma postura sionista. Você me bloqueou. Queria que você pudesse ver que o ataque do Hamas a Israel, a morte e o sequestro dos israelenses é tão horrível quando é tenebroso o genocídio que o Estado de Israel move contra o povo palestino.

02
Nov23

O grito silenciado

Talis Andrade
Arthur Lira, Paulo Guedes e Damares

por Marcia Tiburi

A exposição se chamava O Grito e estava em cartaz na Caixa Cultural em Brasília. Ela foi cancelada no dia 23 de outubro quando políticos ficaram ofendidos por suas imagens estarem representadas nela. Parece que o mais ofendido foi Artur Lira, presidente da Câmara dos Deputados que usa seu poder como se fosse dono do Brasil. Ele aparecia em meio a centenas de imagens dentro de uma lata de lixo (da história?) junto com Guedes e Damares. Muitos dirão, não há lugar que mais convenha a esses personagens infames. Outros ainda podem se perguntar: como é possível um político se incomodar com arte em 2023!? 

Quem é político aprendeu a não se incomodar com xingamentos - e com arte? - ou será que o Lira (et caterva) estão de mimimi? Sabemos que não. Sabemos que é tecnologia política de novo, como foi em 2017-2018. Um jornal mineiro muito mequetrefe fez uma matéria enfocando no custo da exposição e aproveitando para fazer propaganda de um deputado de extrema-direita, como se ele fosse o herói da denúncia, quando na verdade estava apenas criando caso - e polêmica - contra a arte. 

Aprendamos com isso, pois 2024 o jogo vai ser muito sujo e as artes e tudo o que chama pelo apelo imagético será usado para o mal de eleger a extrema-direita (tacanha e sem escrúpulos). As velhas e usadas Fake News voltarão a circular, novas ondas de desinformação profissional serão visíveis nas redes, a ignorância do povo será turbinada pelos meios de comunicação, para fazer vencer a direita e a extrema-direita com todos os pastores espertalhões que já conhecemos de longa data.

A censura à exposição e à obra de Marília Scarabello são sintoma da miséria política (e estética) que continua apesar da vitória do governo democrático. 

Mas há um problema mais real e mais profundo. A exposição mostrava uma coleção de imagens feitas por muita gente, imagens que estão soltas pelas redes, e em relação a isso ninguém pode fazer nada. A imagem de Lira está na lata do lixo na era da reprodutibilidade técnica e lá permanecerá junto com as imagens de Damares e Guedes. A imagem de Dilma Rousseff, Manuela D’Ávila, a minha e de tantas outras e outres segue circulando nas latrinas do ódio que fazem parte das redes sociais, mas a de políticos da extrema-direita também. Sinto muito, Artur Lira e colegas de lata do lixo, vocês fazem parte do esgoto – (que vocês mesmos criaram) e não tem como apagar o que foi feito e mostrado. E vai continuar assim e o povo dirá o que quer quando quiser e as redes sociais permitirem - já o gabinete profissional e bem pago do ódio deveria ser controlado. A Marília Sacarabello, por sua vez, é uma artista. E, do ponto de vista da Constituição Federal, não podia ser censurada. O que ela faz é recolher o material relacionado à livre expressão e mostrar de modo organizado o que está solto por aí sendo produzido e reproduzido de modo randômico e sem controle. Por isso, é preciso prestar todo o apoio à artista e preservar a arte onde a gente acaba por conhecer a verdade, doa a quem doer. As bandeiras da mostra podem ser vistas nos perfis do Instagram @colecao_bandeira e @colecao_bandeira_2

Jullyene Lins
Falta de aviso nunca foi, tenho minha consciência tranquila que tentei e ainda tento alertar a todos sobre o risco Arthur Lira para o Brasil! Se o puseram hoje dentro de uma lata de lixo junto a outras figuras públicas não pode ter sido por acaso, ninguém que tenta chantagear…

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24
Set23

Micropênis

Talis Andrade
 
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Sobre o culto do falo ou de como estudantes de medicina se auto-reduziram a meros exibicionistas

 

Marcia Tiburi

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Há alguns dias veio à tona o ataque de um grupo de estudantes de medicina da UNISA - e investiga-se a participação de estudantes de outras universidades - que invadiram uma quadra de esportes correndo nus enquanto simulavam masturbação durante um jogo de vôlei feminino. Os homens corriam de calças arriadas num desfile de exibicionismo coletivo, deprimente e patético. Classificado na psiquiatria como uma “parafilia” (em português vernacular, uma “tara”), o exibicionismo tem como fundamento chocar o olhar do outro. Aquele que se exibe sexualmente se autorrealiza ao se mostrar, partindo do pressuposto de que tem algo importante a mostrar. O falocentrismo enquanto “culto do falo”, é o eixo dessa prática. Em certo sentido, os exibicionistas transformam órgãos genitais em armas à medida que fazem deles instrumento de violência. A homonímia entre órgãos genitais masculinos e armas é uma figura clássica da violência da cultura patriarcal. Um político chamado Edu Bananinha ficou famoso por ter sido flagrado no tamanho de seu pênis enquanto cultuava armas ostensivamente.  

Nesse contexto de mensurações patriarcais, típico de uma “lógica da medida” atuante no patriarcado, uma espécie de contradição veio à tona e virou piada. Se trata da imagem de um desses homens correndo nus tendo entre as pernas o que é definido na literatura como “micropênis”. O que levaria um homem com micropênis a exibir-se sexualmente no contexto patriarcal da supervalorização dos órgãos sexuais masculinos contabilizados a partir de uma ideia de “tamanho”? Ora, o exibicionismo é uma forma de prepotência sexual. Aquele que se expõe genitalmente quer impor sua presença e seu poder, mesmo que não tenha poder, ou seja, mesmo sem ter a materialidade exigida pelo patriarcado, ou seja, um pênis que corresponda ao poder que está em jogo nesse sistema. Há quem exiba riquezas inexistentes e pretenda parecer rico mesmo sem capital nenhum; há quem exiba opiniões carentes de forma e conteúdo como no culto da ignorância que leva ao fascismo. Todos são praticantes da prepotência que deriva de uma impotência. A impotência não assumida leva à aberração na forma de prepotência. 

A exposição do micropênis revela a força bruta - não a potência - da prepotência masculina presente na sociedade patriarcal alicerçada na lógica do estupro que articula a cultura do estupro. Sintoma do patriarcado - sustentado no ódio às mulheres -, a cultura do estupro transforma órgãos genitais masculinos em armas, e mulheres em alvos. Quando não é possível tocar seu corpo, resta tocar seus olhos. 

Nesse caso, o grupo de homens correndo nus era um exército de prepotentes, justamente porque, impotentes. O micropênis foi a imagem metonímica da verdade pela qual sabemos que todo estuprador, abusador e assediador precisa praticar violência para compensar seu próprio desfavorecimento no cenário do delírio patriarcal e tóxico. 

A cultura patriarcal se erige sobre a miserabilidade da medida falocentricamente imposta também contra os homens.

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15
Set23

O pequeno príncipe, o advogado e a dimensão do problema

Talis Andrade

 

No fascismo O Príncipe de Maquiavel vira O Pequeno Príncipe; o direito vira uma cena da direita; a política vira uma politicazinha

 

por Marcia Tiburi

247

A gafe do advogado defendendo os “patriotarios” na invasão de Brasília em 8 de janeiro mostra o nível baixíssimo a que se chega no fascismo em todos os aspectos. No texto da fala, o que vem à tona não é apenas o erro, pois errar é certamente humano, mas a prepotência, devota do poder, que busca a grandiloquência na fala para impor um efeito, sem precisar ter razão. Sorrateiro, exibindo-se, é o pequeno que irrompe como se, pela via negativa, pudesse restaurar a dignidade com a verdade se apresentando no lugar errado; tornando, assim, tudo visível e acabando com o orador. No fascismo O Príncipe de Maquiavel vira O Pequeno Príncipe (ora, o narrador sabe que Maquiavel existe!); o direito vira uma cena da direita (e quantos exemplos temos dessa diminuição desde o Golpe de 2016!); a política vira uma politicazinha de perdigotos soltos contra o povo; a cultura fica tão pequena que desaparece; a arte não precisa ser arte, ela pode ser uma cacaquinha ofensiva (lembro das “obras” que saíram do palácio do planalto antes da posse do governo democrático); a religião vira extorsão; a mente dos abusados pelos perversos narcísicos da política cabe num ponto final fundamentalista e sem diálogo. Não lastimo o erro, pois o erro revela a verdade. Lastimo a prepotência que apequena e humilha tudo ao redor. Que as massas fascistizadas não possam se conhecer, isso me traz tristeza. Por isso, lutemos pela educação e pela cultura. Que a filosofia possa nos ajudar a entender a verdade que subjaz a todo fenômeno mesmo quando ela está escancarada como nesse evento.

O STF condenou os três primeiros réus dos atos de 8 de janeiro num julgamento marcado por bate-boca e duras críticas e ironias de ministros e advogados. Veja as principais frases da sessão extraordinária desta quinta-feira (14).

05
Set23

Tarcísio é o novo Bolsonaro, como Bolsonaro foi o novo Ustra

Talis Andrade
 
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Estar sob o governo de Tarcísio é o mesmo que estar sob o governo de Bolsonaro, simples assim, mas também lastimável e perigoso

 

por Marcia Tiburi

247

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Erasmo Dias é um nome muito conhecido dos paulistanos por ter participado de programas de televisão nos quais gritava preconceitos e conservadorismo. Tornou-se deputado com seus espetáculos de ódio, mas morreu no esquecimento não tendo feito nada de bom que deixasse seu nome para a posteridade. Autoritarismo era o seu negócio. E a perseguição a estudantes também. Ele foi o coordenador da invasão na PUC de São Paulo em 1977 visando o movimento Liberdade e Luta (Libelu). Nessa ocasião, mais de mil estudantes foram presos e muitos levados à tortura. Dizem que ele era o homem que sabia “lidar”com os que morriam nas dependências do DOI-Codi. Ele gostava de perseguir estudantes e em 1968, participou do cerco aos integrantes do 30º Congresso da UNE em Ibiúna. Ele foi um dos mais ferrenhos defensores do “suicídio” do jornalista Vladimir Herzog.

No documentário de Diógenes Muniz  Libelu – Abaixo a Ditadura pode-se ver muito mais.

Agora Tarcísio Freitas vem desenterrar essa figura grotesca, que carregava o riso do carrasco no rosto, homenageando o carrasco como se ele fosse um herói. Qual o objetivo do governador de São Paulo? Fazer o mesmo que Bolsonaro em 17/04/2016, quando ao votar pelo golpe (o paradoxo demorou a ser entendido) elogiou Brilhante Ustra, um torturador condenado por seus crimes hediondos.

Tarcisio é o novo Bolsonaro, como Bolsonaro foi o novo Ustra. Bolsonaro torturou psíquicamente a nação através das ameaças relacionadas à perda de direitos. Ele instaurou o pavor através do elogio da tortura e, depois, do deboche sobre a morte. Mas torturou também fisicamente usando no lugar dos tradicionais instrumentos como eram eletrochoques e pau de arara, o vírus da COVID.

O que temos a ver com isso? Estar sob o governo de Tarcísio é o mesmo que estar sob o governo de Bolsonaro, simples assim, mas também lastimável e perigoso.  Quem vota em figuras autoritárias, vota em seus projetos e é signatário de seus atos. A luta contra o fascismo tem que continuar e para isso é preciso consolidar a democracia em cada gesto e evitar que ela seja usada como fachada como Tarcísio está fazendo agora.

05
Ago23

A educação no estado de São Paulo ou a perversa política da queima de livros

Talis Andrade

 

por Marcia Tiburi

O secretário da educação de São Paulo, Renato Feder (um sobrenome metafórico?), decidiu privar as crianças do ensino público estadual de livros que seriam doados a elas gratuitamente pelo governo federal. Políticos de extrema-direita nunca surpreendem com seus gestos desumanos e sempre podemos esperar o pior deles.

A chacina no Guarujá é complementar ao que parece ser uma verdadeira política de queima de livros, monumental e sem fumaça, pelo extermínio desses objetos do conhecimento. Os judeus nos campos de concentração eram transformados em fumaça na solução final. Imaginem que não há nem fumaça na solução do governo paulista. Mata-se uns adolescentes de um lado e se priva os pré-adolescentes de livros do outro, quem sabe para que sejam mortos mais adiante pelo mesmo estado que lhes tira oportunidades básicas como é o acesso à educação e ao livro que dela faz parte. Será isso a “educação do futuro”?

Todos sabem que a imensa maioria das crianças das escolas públicas pertencem às classes desfavorecidas e exploradas e precisam de todo apoio escolar para ter uma vida digna. Criança é sinônimo de escola. E livro infantil é bem de primeira necessidade. Na rejeição ao livro para as crianças há também uma atitude elitista, pois sabemos que essas crianças terão menos acesso a livros do que as crianças cujos pais podem pagar - ou se esforçam desesperados por conseguir pagar - uma escola particular para seus filhos. A educação deveria ser para todos, generosa e de qualidade, mas o estado vampirizado pelos neoliberais não quer ser decente com os pobres e nem com as crianças pobres.

A pergunta que não quer calar é: como um homem que não vê valor em livros, como o secretário Feder, tem um livro na lista dos mais vendidos? Quem comprou? Talvez a investigação do Ministério Público venha a elucidar o que se passa. Vamos esperar. Enquanto isso, a educação vai de mal a pior, o estado de São Paulo, sequestrado pelas milícias cariocas, segue seu triste destino. Pobre do povo que não sabe em quem vota.

22
Jul23

Michele Bolsonaro não precisa elogiar torturadores

Talis Andrade
Michelle e Amália
Michelle e Amália antes...
... e depois

 

por Marcia Tiburi

Brasil 247

A estética do grotesco continua sendo usada para criar estupor na esfera pública e, assim, capturar mentes. Foi essa estética - que em livro publicado em 2017, chamei de Ridículo Político - que deu base sensível às ações que levaram Bolsonaro ao poder sobre a nação em 2018. 

Vamos entender como funciona a manipulação e condução da sensibilidade que está em jogo nesse processo estético-político, analisando a cena envolvendo Michelle Bolsonaro e Amália Barros, deputada do PL. 

Na cena em questão, vemos Michele Bolsonaro no comando de uma situação de constrangimento orquestrado envolvendo a deputada Amália Barros. Michele tem o microfone na mão e fala para uma plateia. Primeiro, ela adula Amália dizendo que ela é a “mulher que faz acontecer”. Imediatamente Michele parte para o constrangimento, ou seja, ela faz um pedido à deputada, mas tal pedido tem o tom de uma demanda que não pode ser negada: “mas eu quero você sem prótese”. O trecho do enunciado “mas, eu quero” implica uma condição, ao mesmo tempo que essa condição carrega uma chantagem, a saber, realizar o desejo do outro submetendo-se à exigência. Rapidamente, Michele Bolsonaro apela ao público: “eu amo vê-la sem prótese”. Amália está envergonhada diante de Michele e quase resiste. Informando estar acostumada com esse gesto de Michele, ela afirma que “ainda não aprendeu a vir sem a prótese”. Ou seja, ela sabe que poderia ser poupada do constrangimento, mas mesmo assim consente, afinal não há saída. 

Michele pede imperativa: “me dá seu olho”, Amália entrega a prótese e limpa a mão, provavelmente para tirar a umidade. Michele coloca o olho de vidro no bolso e dá umas batidinhas com a mão como quem diz “é meu”. O constrangimento de Amália é notório, mas ela cede, acuada, sem poder fazer nada contra isso. Michele sorri vitoriosa. 

Como uma mulher que foi estuprada, é provável que Amália pense mil vezes que roupa deverá usar antes de se entrar novamente em ambiente inóspito.

Michele praticou uma violência simbólica, mas também física, afinal, Amália foi coagida a retirar uma prótese que ela usa para seu conforto. Ela não tem como resistir à intimidação, mas insinua seu incômodo. 

Exímia manipuladora, Michele foi certeira na produção de um efeito, o do estupor, coisa que seu marido também sabe fazer muito bem como quando elogiou um torturador e saiu ileso na votação do Golpe de 2016. 

Michele Bolsonaro não precisa elogiar torturadores. Ela domina a tecnologia política do choque em um nível mais ou menos sutil. 

O casal Bolsonaro sabe usar a política do choque e usa o grotesco para isso. Elogiar o torturador Ustra, ou obrigar uma pessoa com deficiência a tirar sua prótese para satisfazer um capricho, são táticas de produção de choque. O choque que coloca em estado de estupor, que hipnotiza e que dessensibiliza. Claro que num ambiente democrático ou feminista esse gesto não aconteceria, não seria permitido ou seria repudiado. 

O fascismo é insensível e produz, através do choque, cada vez mais insensibilidade. 

Os desavisados foram imediatamente hipnotizados pelo gesto e não tem como sair dele. 

O estupor foi experimentado de modo mais ou menos intenso conforme a maturidade do aparelho sensorial de cada um.

Nessa cena do olho de vidro, a exemplo do marido Bolsonaro, Michele mostra do que ela é capaz. Contudo, ela tem uma arma a mais: ela é sedutora, “bela, recatada e do lar” segundo a cena. 

Não precisará gritar racismos e machismos, basta mistificar com seu sorriso, o sorriso dos carrascos que conduzem as massas hipnotizadas para o abatedouro sem que tenham como ver o que está acontecendo.

A equipe do ICL Notícias e os jornalistas Guilherme Amado e Chico Pinheiro repercutem a postura da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, em evento do PL, onde pediu a uma deputada estadual que retirasse a prótese ocular. A cena seguiu com Michelle colocando o olho no bolso de sua calça. "É mais um dos vários episódios para a gente lembrar como a vida para eles (bolsonaristas) tem muito pouco valor", afirmou Guilherme Amado.
09
Jul23

Crônica do exílio

Talis Andrade
Marielle Franco
Marielle Franco (Foto: Mídia NINJA)

 

Ao falar do meu retorno, a primeira pessoa que me vem à mente é Marielle Franco, que não pode voltar

 

por Marcia Tiburi

247 Brasil

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 Eu acompanhei a criação do Jardim Marielle Franco em Paris. Quando os pais de Marielle vieram para a inauguração em 2019 eu morava muito perto do Jardim que fica entre duas estações de trem bem importantes. A minha casa era numa espécie de residência para artistas e professores estrangeiros e acabamos indo depois da inauguração para o pátio dessa residência, pois não havia nenhum restaurante que comportasse aquelas 20 pessoas. Era necessário comer, mas eu não havia planejado um jantar e, naquele dia, não havia comida no meu apartamento. Nesse lugar, eu passei o pior verão da minha vida, na mais horrível das canículas, quando a sensação térmica chegou a 60 graus Celsius. Para descrever isso, devo apenas dizer que a água que sai das torneiras é quente e evapora em segundos. Você pode encher um copo e assisti-lo evaporar em pouco tempo. Não há ar condicionado em Paris. Quando há calor, a prefeitura lança um alerta vermelho e ninguém sai de casa, sendo que, em casa, é preciso deixar as janelas fechadas e umedecer o que for possível para amenizar efeitos. Nessas condições, há milhares de pessoas que morrem pelo calor, assim como no Brasil há milhares de pessoas que morrem pelo frio. Na França, com seu Estado de bem-estar social que resiste ao avanço do neoliberalismo, há muito mais assistência para as pessoas. O que apenas prova que precisamos de mais Estado de bem-estar social também no Brasil.  

 Naquela noite, me lancei no milagre da multiplicação dos dois pacotes de macarrão que havia em casa. Dois dos meus melhores amigos apareceram naquela noite: Paula que é chefe de cozinha veio me ajudar a cozinhar, mas a cozinha era um fogão de duas bocas colado numa pia sobre uma geladeirazinha e três pessoas – sendo que uma era chef – era gente  demais para a pequena panela na qual eu deveria tornar saboroso um extrato de tomate pronto e um queijo ralado de pacotinho. Enquanto descascava o alho, eu a expulsei da cozinha, junto com o Murilo, mas como ela é generosa, fez muitos jantares para mim depois e eu fiquei com uma eterna vergonha do meu gesto de quando nos conhecemos. Marinete, mãe de Marielle, é a pessoa mais gentil do mundo e me disse que foi o melhor macarrão da vida dela. Seu Antônio concordou e agradeceu muito e eu, que aprendi o valor das gentilezas ao longo da vida, me deixei levar pela onda de amor. A ausência de Marielle ficava mais forte e eu afundava a cada dia mais no estupor.  

 Ao falar do meu retorno, a primeira pessoa que me vem à mente é Marielle Franco, que não pode voltar porque foi assassinada por grupos de extermínio em 2018, ano da intervenção militar no Rio e da ascensão fascista que levou Bolsonaro à presidência da República. Que os assassinos de Marielle estivessem na casa do próprio Bolsonaro em 14 de março de 2018 não é mera coincidência. A pergunta que ainda não conseguimos responder é: qual a relação de Bolsonaro com a morte de Marielle?  

 Agora que estou em solo brasileiro, penso em Marielle que não pode voltar.  

 Depois de meses tentando, pelo menos desde a vitória de Lula quando tudo prometia melhorar, eu pude voltar com o apoio do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos que foi praticamente destruído com todo o ministério dos Direitos Humanos pela ex-ministra bolsonarista que ocupava a pasta misturada com o ministério das mulheres para destruir tudo de uma só vez. 

De fato, tudo melhorou quando comparado ao terror fascista, embora o fascismo esteja aí, presente e esperando para voltar à cena com a força do espetáculo, tal como protagonizado por Bolsonaro tornado inelegível no mesmo dia em que eu e Jean Wyllys pisamos em solo brasileiro.   

 Fiquei fora de 18 de dezembro de 2018, até 30 de junho de 2023. Lá fora, fui percebendo aos poucos que eu havia entrado em exílio. O exílio foi uma heteronomeação. O que era para ser um tempo fora para reorganizar a vida, se transformou em exílio. Eu não sabia o que fazer com esse nome. Era chamada a falar a partir dessa palavra e sempre me sentia perdida. Demorei a entender o não-lugar. Escrevendo com Jean “O que não se pode dizer – experiências do exílio” (Civilização Brasileira, 2022), eu consegui elaborar uma parte.  

 O exilado, aquele que é expulso de seu país, é sempre um sobrevivente. Ele é sempre a testemunha de muita coisa que seria preciso relatar aos poucos, quando se tem a sorte de poder elaborar o vivido por ter acesso a meios. Escrever é preciso.  

 Constatei que eu fazia parte de grupos de exilados que vinham de países como o meu, com democracias destruídas.  

 O meu medo passou a ser o de que meu caso excepcional, no futuro, se tornasse a regra. Há exilados fora do país, há muitos mais dentro. São mulheres, pessoas LGBTQIA+ e homens que tiveram que fugir, que recebem ou não proteção legal e que, sendo perseguidos e ameaçados, tem o seu direito de estar presente cerceado.  

 Em 2018, um deputado de extrema-direita do MBL (cujo nome não quero dizer, pois já está em declínio e é melhor deixar cair), que ainda não era deputado, disse que seria muito divertido me tirar de todos os debates no Brasil. Embora ele faça parte da geração digital, e inclusive das milícias digitais que operam com fake News e desinformação, parecia não estar atualizado para o fato de que a Internet criou um outro mundo do qual todos podemos participar desde que tenhamos acesso. Há muito debate a ser feito sobre isso em nível jurídico, cultural e educacional, mas é um fato que a internet gera uma forma de vida em que operamos por simulação (como se estivéssemos presentes), na espectralidade.  

 Eu segui exilada de corpo, mas não de alma.  

 Voltar ao Brasil me permite juntar essas duas partes e ser novamente uma pessoa inteira. E esse é um direito humano, mais do que um privilégio.  

 Que Marielle não possa voltar diz muito sobre o país que nos tornamos.

24
Jun23

A democracia brasileira resistirá à escrotocracia brasileira?

Talis Andrade

Entendo por escrotocracia a forma de governo de homens desqualificados que capitalizam sua desqualificação

 

por Marcia Tiburi

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Há poucos dias fiz uma postagem no Instagram usando a expressão “escrotocracia” e fui criticada por uma pessoa que disse que xingamentos não ajudariam a resolver os problemas brasileiros. Essa pessoa tem toda a razão, mas como comunicação é um assunto imenso e um problema imenso, além de um poder imenso, prova disso é que o centralíssimo Ministério das Comunicações está nas mãos do Centrão, precisamos avançar no debate sobre o que se diz, como se diz e toda a parafernalha dos meios de produção da linguagem em um país dominado pela mistificação e pela desregulamentação da mídia. Como se vê, o debate pode ir por muitos lados. Eu não preciso dar nome aos bois, pois os donos das boiadas que passam, alcançaram a façanha de agir como bem entendem, com toda a falta de escrúpulos e desrespeito à lei e à ética que caracteriza a escrotocracia. 

Entre o esquerdo-fofismo e as táticas janônicas de comunicação usadas na campanha política de 2022, fico com as últimas, até porque se eu bancar a esquerdo-fofa depois dos ataques nada meigos que recebo, inclusive da esquerda, estarei destoando demais do jogo político-cultural de nosso tempo. Não quero defender o xingamento (como professora de filosofia, meu objetivo é fazer análises que nos ajudem a refletir; sobre isso já escrevi uma Teoria Geral do Xingamento https://revistacult.uol.com.br/home/teoria-geral-do-xingamento/). Quero apenas dizer que a desqualificação da política não é invenção minha, ao contrário, foram os homens como sujeitos do privilégio político que destruíram a política a partir de palavras e ações em que vemos a democracia degenerar em demagogia e, mais tarde, em fascismo. Contudo, reconheço que sempre podemos usar uma expressão mais técnica para dizer as coisas, (“fezes” no lugar de dizer “merda”, por exemplo), assim como poderia dizer oligarquia neoliberal e patriarcado em vez de escrotocracia, mas uma MERDA escrita em caixa alta ou bem gritada nos ouvidos certos de vez em quando tem muito mais valor epistemológico e retórico dependendo do contexto. 

Mas para avançarmos no assunto: entendo por escrotocracia a forma de governo de homens desqualificados que capitalizam sua desqualificação. Eles são supremacistas brancos (mesmo quando pardos), que agem absolutamente sem escrúpulos e contra as mulheres. Ter as mulheres como inimigas faz parte da escrotocracia. Antigamente, os políticos podiam ser machistas elementares e estruturais, pois tinham a politica só para si. Desde que as mulheres começaram a participar mais da politica, ocupando espaços que eles esperavam continuar sendo apenas seus, eles começaram todo tipo de jogo sujo. Vamos falar de dois exemplos para entender o que se passa na grande escrotocracia que é o atual Congresso Nacional brasileiro. 

O primeiro exemplo diz respeito ao escrotocrata-mor Arthur Lira, seguido de escrotocratas menores, mas igualmente funestos. Todos, contudo, são imitações baratas de Bolsonaro. Contudo, em relação a Bolsonaro, Lira é mais perigoso, porque pensa e trabalha com uma intensidade mais intestina, logo, mais inteligente na corrupção geral da política. 

O que Arthur Lira fez com Julyenne Lins, sua ex-mulher, esta no coração do escrotismo: ameaçou-a de lhe tirar os filhos, ameaçou-a de morte, espancou-a e ainda fez ela participar dos trâmites da corrupção dentro da própria casa, como se, por ser casada com ele, ela tivesse a obrigação de receber malas de dinheiro e ajudar a contar as cédulas. Nesse caso, a expressão escrotocrata é modesta, pois ele poderia ser um feminicida se tivesse a chance de assassinar a esposa como sugeriu. 

Karl Von Clausewits disse que a guerra era a continuação da política por outros meios. Foucault o corrigiu dizendo que a política era a continuação da guerra, mas no caso de Lira, podemos dizer que a política é a continuação do que ele fazia dentro de casa. E o que ele fazia dentro de casa era violência, ameaça e corrupção. Julyenne Lins vem tentando falar há muito tempo, mas pouca gente a escuta. Por que a sociedade brasileira – e a imprensa – não quer ouvir o que ela tem a dizer?

Mas não é só Arthur Lira, poderoso e exímio chefe de organização criminosa, que é um escrotocrata típico. Todo o congresso, com as exceções que confirmam a triste regra da política patriarcal, é uma grande escrotocracia.

Vejamos a perseguição vivida pelas seis deputadas da CPI do MST. Elas são todas mulheres qualificadas, enquanto seus perseguidores (Ricardo Salles, Kim Kataguiri e outros agitadores de sempre) são homens desqualificados que usam a desqualificação como capital político. A CPI é uma pura cena que faz parte de uma guerra híbrida para criminalizar o Movimento dos Trabalhadores sem Terra, a esquerda, a Reforma agrária e a própria democracia. 

Sabemos dessa tática do “ridículo político” usada desde há muito tempo e que teve seu ápice a partir do golpe de 2016. Bolsonaro foi o rei do ridículo político e, por isso, se tornou o presidência da República enquanto suas imitações continuam no congresso tocando a boiada e tocando o terror. A tática de estressar, atormentar e perturbar faz parte da tortur mental. É pura tática de psicopoder. A caça às bruxas sempre foi baseada no tormento da perseguição. 

Os perseguidores são homens metidos a espertos que fazem o discurso grotesco para impressionar, o assédio político para intimidar, tentam desviar a atenção e a ação das deputadas que “ousaram” denunciá-los e interpelá-los. O assassinato de Marielle Franco se deu por que ela denunciou demais. Esperamos que as nossas deputadas saiam vivas disso tudo. Contudo, o golpe esta em curso. E é preciso ter todo o cuidado. 

Querem fazer com que as mulheres parem de desmascarar o jogo dos escrotocratas e gastem seu tempo se defendendo de falsas acusações. 

O show de masculinidade tóxica vai continuar enquanto não tivermos um Congresso Nacional com maioria democrática. 

Os escrotocratas não se furtarão a torturar a democracia como fazem com mulheres. 

Em entrevista à Agência Pública, divulgada nesta quarta-feira (21), Jullyene Lins, ex-esposa do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), denunciou ter sido vítima também de violência sexual. Ao ICL Notícias, Jullyene já havia reportado agressões físicas reforçadas por testemunhas e um laudo médico feito à época. A jornalista Cristina Serra comenta o caso e cobra reabertura das investigações. "A impunidade desse sujeito será a suprema humilhação a essa mulher".

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) se irritou com o deputado Abilio Brunini (PL-MT) durante a abertura da CPI 8 de Janeiro quando o parlamentar tentou tumultuar a sessão. “Vem como se fosse um ‘aerolook’”, questionou a deputada ao presidente da CPMI.  

Abílio Brunini (PL-MT) foi criticado por interromper o discurso de diferentes congressistas durante a 1ª sessão da CPI do 8 de Janeiro nesta 5ª feira (25.mai.2023). A deputada Erika Hilton afirmou que Abílio queria “tumultuar os trabalhos da CPMI”. Os congressistas também criticaram o traje informal do deputado. “Veio de pijama e quer tirar onda”, disse Carlos Verás (PT-PE). Abílio não é integrante titular nem suplente do colegiado. Ele pretende intimidar deputados democratas, principalmente as mulheres que combatem o golpismo, a extrema direita, o nazismo bolsonarista. 

Abilio Brunini, bolsonarista, golpista. anarquista da extrema direita, fez uma live no Salão Verde da Câmara dos Deputados, no dia 11. A intenção era mostrar que Brasília não ficou tão destruída com os ataques de 8 de janeiro quanto a mídia divulgou. Foi uma fala de apoio ao pacifismo dos bolsonaristas que invadiram o Palacio do Planalto, o STF e o Congresso. Devia ser inquirido pela CPI dos Atos Antidemocraticos

O deputado bolsonartista José Medeiros (PL-MT) partiu para cima do deputado petista Paulo Teixeira durante uma sessão na Comissão de Direitos Humanos da Câmara por causa de uma menção ao indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e ao jornalista inglês Dom Phillips, assassinados por traficantes de cocaina na região do Vale do Javari, na Amazônia. A confusão começou quando a deputada Talíria Petrone (PSOL) começou a falar dos indianistas. José Medeiros interrompeu. Talíria pediu para ter a palavra respeitada e o colega disse que não teria.
 

A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) denunciou falas transfóbicas na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família na Câmara, na última quarta (20).

Os parlamentares Eder Mauro (PL), deputado federal, e Eliziane Gama (PSD-MA), senadora e relatora da CPMI, bateram boca durante o depoimento do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. O deputado, que não é integrante da comissão, interrompia a relatora, que respondeu com um "cale-se". #CNNBrasil

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) começou, na prática, nesta terça-feira (6), com a votação do plano de trabalho proposto pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que será a relatora dos trabalhos. O senador Marcos do Val (Podemos-DF), obsessionado com Flávio Dino, tentou constranger a senadora e questionar sua imparcialidade pela amizade que mantém com o ministro da Justiça, ao que a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) rebateu, escancarando que vários dos integrantes da Comissão chamaram para atos antidemocráticos ou estão envolvidos nas investigações.
06
Jun23

MSTfobia, a nova invenção da bancada do boi e dos latifúndios grilados

Talis Andrade

previdencia campo_genildo.jpg

Marcia Tiburi detalha "a caça às bruxas na farsesca CPI do MST", a humilhação do sem terra 

 

por Marcia Tiburi /247

- - - 

Assistimos há dias a farsa da CPI do MST. 

A criação dessa CPI obedece aos interesses da bancada ruralista e o objetivo é o mesmo de sempre: investir no ódio ao MST, criando uma MSTfobia na população.

A tática de estimular o ódio foi usada pelo fascismo ao longo da história e também na recente história política brasileira que levou Bolsonaro e suas imitações ao poder. 

A população assiste certos políticos que não querem trabalhar, mas se dedicam a jogar com o poder, sem poder fazer nada. Muitos acabam caindo na hipnose e chegam a votar em deputados que não fazem mais do que atrapalhar a reconstrução de um país destruído pelo fascismo. Fazem jogo de poder recebendo o salário altíssimo pago pelo povo que assiste muitas vezes contente em poder odiar. O ódio é um afeto compensatório, mas também hipnótico. Talvez seja o único prazer que resta aos pobres de espírito, que são os donos do capital, os grileiros, os exploradores, mistificadores e, sobretudo, os cínicos que, unidos, não se deixam vencer.  

Erika Kokay e Juliana Cardoso do PT, assim como Sâmia Bomfim, Talíria Petrone, Fernanda Melchiona e Célia Xacriabá do PSOL, são as seis deputadas federais ameaçadas de cassação por parlamentares conhecidos nacionalmente por seu posicionamento ideológico de extrema-direita, que defendem posturas antiecológicas, que odiam movimentos sociais e a democracia como um todo.  

Elas estão sendo perseguidas como bruxas. Historicamente, a caça às bruxas aconteceu no período da invasão das Américas e de sua colonização.  As mulheres e a terra são perseguidas ao mesmo tempo. E as mulheres que defendem a terra serão perseguidas. 

Logo, essas deputadas precisam ser defendidas. 

Elas estão na mira do deputado tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS) que fez o requerimento para criação da CPI e escolheu Ricardo Salles como relator. Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e o delegado Fábio Costa (PP-AL) ficaram vice-presidentes, assim como Evair de Melo (PP-ES). É uma ação entre agroboys. 

Qualquer cidadão ou cidadã que se informe sobre a idoneidade ou honestidade desses políticos não se espantará com o que vai encontrar, pois eles são figuras estereotipadas da extrema-direita e suas táticas de perseguição. 

Esses deputados vão usar cada gota de ódio em seus jogos de poder. O ódio é o seu principal capital para avançar rumo a 2024. Eles não trabalham, eles jogam para chegar ao poder. Eles só pensam em cargos. E políticos que só pensam em cargos destroem a política e, com ela, o Estado e a Sociedade. 

Que o povo pague por isso, explica porque há tanto ódio à política. Fica fácil também entender a confusão que acontece na cabeça dos cidadãos propensos ao fascismo: amar quem promove o ódio e votar neles. 

Hoje é o MST, como ontem foi o PT, como sempre foi contra a terra como um direito e contra as mulheres que, na visão de mundo dos donos do poder, são intrusas e vem para atapalhar. 

Precisamos defender as nossas deputadas que, com rigor e competência, expõem a maldade e a incompetência desses aproveitadores da democracia, da terra e das mulheres, principalmente das que ousam afrontar seu projeto de poder.

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