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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

13
Jun22

A soberania da Amazônia é da bandidagem

Talis Andrade

Governo Bolsonaro em Charges sobre Meio AmbienteBoiadas' de Salles e Bolsonaro já deixam marcas na floresta e nos povos

A rigor, o governo Bolsonaro delegou a soberania da região a um condomínio de grupos criminosos

 

por Aldo Fornazieri

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O desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips reforça a evidência daquilo que já era perceptível: a soberania da Amazônia pertence à bandidagem. A rigor, o governo Bolsonaro delegou a soberania da região a um condomínio de grupos criminosos. Trata-se de narcotraficantes, traficantes da biodiversidade e de animais, garimpeiros ilegais, invasores de terras indígenas, contrabandistas de madeira e de metais preciosos, predadores e destruidores da floresta e uma série de outros criminosos afins. 

Esses grupos se estruturam em organizações criminosas poderosas com ramificações internacionais, combinando uma série de atividades ilegais com atividades legais em países como França, Estados Unidos, Alemanha e por aí vai. Quer dizer: a soberania da Amazônia pertence ao crime organizado e a empresas que representam o capitalismo  predatório.

Sob o governo Bolsonaro esses grupos todos se sentiram livres para agir à luz do dia e se sentiram autorizados para alargar suas atividades criminosas. O crescimento do desmatamento e dos incêndios é mera consequência desta liberdade para agir criminosamente em várias atividades, inclusive com o assassinato de líderes indígenas e daqueles que ousam denunciar esta violência contra os povos da região e o meio ambiente, como foi o caso de Bruno e de Dom Phillips.

O governo Bolsonaro agiu deliberadamente para entregar a Amazônia ao domínio do crime organizado: desmantelou os órgãos federais responsáveis pela fiscalização e preservação do meio ambiente e de combate ao crime. A reestruturação destrutiva do ICMBio, sua militarização e do IBAMA correspondeu à bandeirada de largada para que as florestas fossem devastadas e incendiadas. A demissão do delegado Alexandre Saraiva da Superintendência da Polícia Federal do Amazonas foi a senha para que os criminosos de todo tipo se sentissem desonerados do medo de serem investigados e presos. Tiveram a certeza da omissão do Estado, pois o Estado brasileiro não se fazia mais presente na Amazônia.

A soberania não pode ser entendida como um conceito abstrato e nem como uma mera defesa de fronteiras. Até porque as fronteiras amazônicas são uma peneira arrombada para todo tipo de atividades ilícitas que destroem a soberania do Brasil e saqueiam suas riquezas. 

A soberania precisa ser entendida como os fins do Estado, sacramentados na Constituição, e o conjunto de meios materiais e administrativos e as políticas públicas eficazes para fazer com que os fins sejam alcançados pela adequação dos meios.

Assim, não se garante a soberania através de mera proclamação dos fins. Ora, se o governo destrói os meios como IBAMA, ICMBio e Polícia Federal e pela inércia das Forças Armadas, então o governo está destruindo a soberania e delegando-a ao crime. A Constituição determina a preservação do meio ambiente e da Floresta Amazônica; a Constituição garante o direito à Terra às populações tradicionais e indígenas; a legislação estabelece a necessidade de concessão pública para a exploração e extração de minério e metais preciosos com autorização ambiental e outras exigências.JOSÉ PEDRIALI: 'Boiada' de Salles incluiu demissão de fiscais, anistia a  desmatadores e submissão do Ibama a militares na Amazônia

Se nada disso está sendo cumprido e as riquezas estão sendo saqueadas e levadas para o exterior, se os indígenas estão sendo dizimados e os povos tradicionais explorados e se o meio ambiente está sendo destruído, então não há soberania. Bolsonaro e alguns militares falam em soberania da Amazônia justamente para destruí-la, entregando nossas riquezas aos criminosos e aos estrangeiros.

Com o advento da globalização, de fato, a maior parte dos componentes das soberanias dos Estados Nacionais foi relativizada na medida em que as atividades estatais se tornaram interdependentes. Em que pese a onda nacionalista de extrema-direita, a tendência é a de que o caráter relativo e interdependente das soberanias se acentue no século XXI.

A humanidade tem em comum um gravíssimo problema que consiste no aquecimento global e na degradação ambiental. Problema que já vem causando grandes danos à humanidade e às outras espécies e que ameaça à própria existência das condições da vida no planeta. O Brasil, a exemplo de outros países, é signatário de vários documentos internacionais que sacramentam compromissos quanto à preservação do meio ambiente.

Na medida em que as metas e compromissos não estão sendo alcançados e que o mundo caminha a passos largos para o abismo, o desafio imediato consiste em construir mecanismos jurídicos e encontrar meios materiais para que haja uma crescente tutela internacional sobre bens ambientais cruciais para a preservação da vida no planeta. A floresta Amazônica é um desses bens. O Brasil tem a responsabilidade soberana principal de preservá-la, com a colaboração e a ajuda internacional. Mas o Brasil não tem a soberania para destruí-la, pois ela é um bem da humanidade. Essa tutela internacional deve se estender também sobre os principais países poluentes, pois eles não podem destruir condições ambientais adequadas à vida que são um bem que pertence a toda a humanidade. 

A sociedade civil organizada, os movimentos sociais, os intelectuais e os ambientalistas precisam fazer uma pressão sobre os candidatos para que a  pauta ambiental se torne um dos temas centrais das campanhas políticas. O tema ambiental deve ser o eixo articulador de um novo modelo de desenvolvimento, pois ele articula os temas dos direitos dos excluídos, da produção de alimentos e do combate à fome, de novos modelos de relações trabalhistas, da necessidade de novas políticas públicas urbanas e de habitação.

A continuada destruição da Amazônia terá impactos devastadores sobre os regimes de chuvas no centro-sul e no centro-oeste do Brasil. Terá impactos sobre a escassez de água e de alimentos. É preciso cobrar dos candidatos a todos os cargos, mas principalmente aos candidatos presidenciais, a apresentação de propostas claras quanto aos programas ambientais e de reconstrução e ampliação dos mecanismos de fiscalização e repressão aos crimes ambientais, especialmente aqueles que vêm sendo perpetrados na Amazônia.TRIBUNA DA INTERNET | Chefe da PF no Amazonas acusa o ministro Ricardo  Salles de se empenhar por madeireiros devastadores

 É preciso estabelecer metas de desmatamento zero, de coibição de garimpo e extração de madeira ilegais, de desocupação de terras indígenas, de confisco de terras desmatadas ilegalmente. É preciso restaurar a soberania do Estado e do povo brasileiro sobre a Amazônia, sua biodiversidade, suas águas, suas riquezas, garantindo o direito dos povos tradicionais e indígenas. Que o desaparecimento e o sacrifício de Bruno Pereira e de Dom Phillips não sejam em vão.

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Salles deixa rastro de destruição e caminho aberto para a boiada passar -  Gazeta da Semana

13
Jun22

Marcia Tiburi: há um casamento entre os sertanejos e a corrupção bolsonarista

Talis Andrade

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"Artistas bolsonaristas atacaram a Lei Rouanet e tinham um sistema oculto de corrupção", diz a professora e filósofa

 

247 – A professora e filósofa Marcia Tiburi afirmou, em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, que o escândalo dos sertanejos bolsonaristas, que recebiam cachês milionários de prefeituras pequenas, muitas vezes com suspeita de devolução de parte dos recursos, se insere numa lógica maior de dominação. "O objetivo da indústria cultural é esvaziar as subjetividades. É o braço do capitalismo para produzir corpos submissos. O capitalismo não existiria sem a indústria cultural. Ela faz o adestramento dos indivíduos", explica.

Marcia diz ainda que a cultura vem sendo rebaixada pelo fascismo brasileiro. "Há um casamento entre bolsonarismo e sertanejo. O mundo sertanejo é um Brasil paralelo. Quem apoia Bolsonaro carece de exercício intelectual e foi esvaziado da sua capacidade de pensar. O brasileiro consome veneno e escuta veneno", afirma. Ela também acrescenta que os artistas bolsonaristas atacaram a Lei Rouanet porque tinham um sistema oculto de corrupção.

Na sua visão, a cultura deverá estar no centro da reconstrução do Brasil. "Um governo democrático terá que ter um Ministério da Cultura muito forte e poderoso. A extrema direita foi longe como foi porque fez a guerra cultural. No governo Lula, a cultura não pode ser um apêndice, terá que ser colocada no centro", afirma.

 

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21
Mai22

Mercado do ódio. O amor é um desafio político

Talis Andrade

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por Marcia Tiburi

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Muitas pessoas acreditam que os afetos, emoções e sentimentos são naturais, pelo simples fato de os sentirem. Contudo, natural é apenas a capacidade de senti-los. Os afetos propriamente ditos, são culturais. Isso quer dizer que são criados, estimulados e, até mesmo, manipulados. 

Quando o antropólogo Levi-Strauss disse que os povos indígenas com os quais ele entrou em contato tinham uma “abertura ao outro” ele resumia a capacidade para o respeito, a generosidade, a curiosidade, coisas que implicam o que, genericamente, chamamos de amor. Ao falar assim, ele não sugeriu que a abertura ao outro fosse algo natural, mas fruto de organizações sociais, de formas de viver e de visões de mundo que compõem o todo a que chamamos cultura. 

Estar aberto ao outro pode ser uma característica de um povo apenas quando muita coisa aconteceu no mundo da linguagem, dos valores e das práticas para que assim seja. 

Ora, na contramão da abertura para o outro que veio a constituir uma característica cultural de alguns povos, está o ódio. Esse afeto disruptivo e destrutivo pode ser definido como incapacidade de abertura ao outro. Essa incapacidade não é natural, mas forjada em relações intersubjetivas, institucionais e linguísticas que sempre podem ser modificadas, alteradas e, como dito acima, manipuladas. 
 

Sistemas econômico-políticos movem diversos afetos para a sua sustentação. O ódio sempre foi um afeto fundamental na tomada do poder e na sua manutenção. 

O ódio é a energia que move o sistema econômico da desigualdade e da exploração do trabalho, do tempo e da vida dos corpos abusados pelos poderosos, que é o capitalismo. Como se trata de um afeto narcisicamente compensatório, ou seja, que faz os odiadores se sentirem superiores aos odiados, ele passa a ser desejado por muita gente. O ódio é um afeto contra o mundo, contra a humanidade e gerador de guerras. Na era das redes sociais digitais, ele gera engajamento e comunidades inteiras unidas pelo ódio. Sobretudo, ele gera dinheiro nas monetizações das propagandas de ódio. 

Valendo muito como energia política, não seria possível construir o inimigo (o “comunista”, a “feminazi”, o “petralha”) sem o ódio. Assim, os populismos de extrema-direita são movidos pelo ódio que virou, ele mesmo, uma mercadoria que pode ser vendida e comprada. O ódio é o método que permite tratar tudo como mera coisa em um mundo em que não deve haver abertura ao outro para que a violência possa estar sempre garantida e, com ela, a submissão e a desigualdade. 

Não há amor no capitalismo. O fascismo é todo uma capitalização do ódio. O amor e a compaixão e a generosidade que eles geram é o desafio afetivo de nossa época. Portanto, devemos no perguntar sobre o amor de que somos capazes contra o capitalismo? Da capacidade de dar resposta a essa pergunta depende o nosso futuro. 

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27
Abr22

Indulto “é o maior erro que presidente Bolsonaro cometeu”, diz Lenio Streck

Talis Andrade

 

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Em entrevista exclusiva, jurista afirma que manifestações vão estabelecer limite sobre influência do presidente e do Supremo

 

23
Abr22

Violência como capital político. O caso Daniel Silveira, Bolsonaro e os lobisomens da política

Talis Andrade

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De Bolsonaro a Daniel Silveira, passando por Witzel e Arthur do Val, a perversão é uma tática eleitoreira

 

por Marcia Tiburi

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O machismo é mais do que uma ideologia, ele é uma tecnologia política e também uma tática eleitoral. 

A ascensão fascista no Brasil não aconteceria sem as altas doses de violência de que só os agentes do patriarcado são capazes. A violência verbal e física, simbólica e concreta, tornou-se um verdadeiro capital político nas eleições de 2018. Não é por acaso que tantos homens (e algumas mulheres de extrema-direita) tenham sido eleitos à base de falas e posturas violentas. 

Misoginia, homofobia, racismo, transfobia, aporofobia, antipetismo, esquerdofobia, todo um rol de preconceitos foi manipulado para que as massas agissem movidas pelo gozo do ódio. O ódio, todos sabem, é uma energia psíquica que favorece a extrema-direita. 

Nessa leva, Daniel Silveira vinha usando a tática da violência espetacular ou do que venho chamando de “machismo publicitário” para se promover. Depois de um processo de capitalização dessa violência, ele foi condenado a quase 9 anos de prisão por ataque às instituições. A performance do macho limítrofe, ameaçando a tudo e a todos, o levou a atacar diretamente o STF. Ele seguiu Bolsonaro que fez da ameaça a tática básica de sua campanha e de seu governo. Agora, Bolsonaro favorece seu parceiro com um indulto numa evidente demonstração de força contra o STF que, no passado, não devemos esquecer, foi conivente com Bolsonaro. 

Daniel Silveira ficou famoso a partir de 2018 quando quebrou uma placa com o nome de Marielle Franco, em uma performance ao lado de Rodrigo Amorim e de Wilson Witzel, atualmente afastado do cargo de governador do RJ. Quebrar a placa com o nome da vereadora assassinada foi um ato de ampla violência simbólica dirigido tanto à sua memória quanto à sensibilidade de sua família e de milhões de pessoas comovidas com o crime cometido por grupos de extermínio, aliás muito próximos à família de Bolsonaro.

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Ora, o que uma personalidade perversa deseja é ver o medo no olho do outro e é isso que vem sendo feito pelos personagens limítrofes que vemos na cena política pelo menos desde 2016; sem nenhum escrúpulo e cada vez com mais poder a partir de 2018. Esses personagens manipulam o medo em uma ininterrupta lavagem cerebral por meio de tortura psicológica coletiva. As pessoas estão sendo manipuladas por um tipo de medo bastante primitivo e cujo nome não se costuma dizer: o pânico. 

Esses manipuladores são os lobisomens da política. De Bolsonaro a Daniel Silveira, passando por Witzel e Arthur do Val, a perversão é uma tática eleitoreira. Causar pânico é o jogo. Por isso, é evidente a importância de controle dessas pessoas por parte da lei, algo que um perverso não aceita. 

 A quebra da placa com o nome de Marielle faz lembrar uma frase de Walter Benjamin: “todo documento de cultura é ao mesmo tempo um documento de barbárie”. No Brasil atual, em que tudo parece estar de cabeça para baixo, os deputados que quebraram a placa em 2018 posaram com ela em 2022 às vésperas do aniversário de seu assassinato, mas dessa vez na forma de um fragmento emoldurado. Certamente, tentam com seu gesto de deboche, transformar a barbárie numa espécie de nova cultura, o que significa a continuidade da catástrofe fascista. 

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Daniel Silveira apostou na gritaria e nos músculos turbinados sempre em evidência, como garantia do poder político. Bolsonaro prometeu socorrê-lo e foi o que ele fez deixando claro qual é a regra do jogo político: os brutos vencerão com sua brutalidade. Ele é o corpo da violência que instaura o direito e sustenta o direito, tal como encontramos na teoria do filósofo Walter Benjamin, suicidado no Estado de exceção do nazismo alemão, que em tudo lembra o Brasil atual.Quatro anos depois, dupla posa de novo com placa quebrada de Marielle | VEJA

Bolsonaro concede indulto ao condenado pelo Superior Tribunal Federal colocando-se acima deste tribunal, afirmando em um novo ato de violência estatal que é ele quem manda no país. O golpismo de Bolsonaro segue apoiado por golpistas. O autoritarismo se aprofunda. A ditadura avança, mas será formalizada apenas se for necessário. Bolsonaro aposta na submissão do STF e sua tendência é vencer mais uma vez. Na verdade, a chance de tudo continuar como está, “com SFT, com tudo”, é imensa. E a chance de Bolsonaro vencer em 2022 também não é pequena. As oligarquias que criaram o Estado de exceção continuam a preferir Bolsonaro a um governo democrático e do povo, que seria representado por Lula. 

03
Abr22

A democracia como inimiga: ou o mal na retórica de Bolsonaro

Talis Andrade

 

 

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O inimigo de Bolsonaro, o mal contra quem ele se insurge mais uma vez, é a democracia. A democracia que ele se esforça para derrubar

 

por Marcia Tiburi

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Quem ocupa a presidência da República tem vários poderes em mãos, inclusive, e principalmente, o poder de pautar os assuntos de um país inteiro. Isso acontece normalmente, mas quando a política é reduzida à publicidade, isso assume uma dimensão capital. 

É isso o que Bolsonaro tem feito com o seu tempo como presidente, enquanto o Brasil afunda a cada dia na mais profunda miséria econômica, social e moral. Daí a impressão, infelizmente verdadeira nesse governo da infelicidade, de que Bolsonaro não governa, de que passa o tempo a divertir-se, a mistificar e a zombar da nação que o critica, enquanto hipnotiza uns 30 por cento da população que segue em transe de pavor com a ajuda dos fascistas raiz espalhados em púlpitos, telas de TV e perfis nas redes sociais com milhões de seguidores. Ninguém mais se impressiona com palavras e atos grotescos do presidente porque todos já entenderam como funciona a farsa política e como ela depende da difusão de ideias torpes e imbecilidade para todos. 

Os ministros bolsonaristas, que lucram em todos os sentidos com o efeito de poder que só a incompetência produz, num ambiente mental doentio como se tornou o Brasil, saem de seus cargos para se candidatarem. Todos, sem exceção, cumpriram à risca a tarefa de zoar do povo e do país.

Nesse cenário, e sempre em clima de campanha, Bolsonaro lançou uma velha pauta como se fosse nova: a do bem contra o mal. Colocou-se no lugar do bem, evidentemente. Ignorante, mas esperto, ele relançou o parâmetro básico do populismo: a existência do inimigo a ser combatido.

O inimigo de Bolsonaro, o mal contra quem Bolsonaro se insurge mais uma vez, é a democracia. A democracia que ele se esforça para derrubar quando insiste que a população compre armas, como se a pobreza e a fome crescentes não fossem suficientes para matar. A incitação ao ódio, à guerra civil, o fomento ao milicianato, a militarização do governo, subsistituem políticas de segurança pública que, integradas a projetos de educação e projetos sociais, ajudariam a combater a violência no Brasil. Os mais de 650 mil mortos por Covid, na cabeça do presidente, são apenas gente que tinha mesmo que morrer, como todo mundo.

Para Bolsoanro, o mal é a democracia que, ao elegê-lo, caiu em um paradoxo, no qual ela deve permanecer.

Colocando-se no lugar do bem em oposição ao mal, numa atitude maniqueísta, boba para gente culta, mas essencial para gente vivendo em precarização cognitiva, Bolsonaro conseguiu virar a democracia de cabeça para baixo. Daí a sensação, infelizmente verdadeira, de que tudo está de cabeça para baixo. A democracia dava a sensação de que o mundo estava no lugar. 

Assim, brasileiros e brasileiras elegeram um governo autoritário que, de posse do poder de decidir, pode acabar com o próprio voto. 

Portanto, o mal a ser combatido é também o voto. A democracia é a inimiga e se ela voltar ao normal, se ela erguer a cabeça e colocar os pés no chão, Bolsonaro terá sido vencido. O mal para Bolsonaro é o pensamento crítico, é o amor ao próximo, é uma economia solidária com escola pública e de qualidade, junto com um SUS fortalecido, empresas públicas trabalhando pelo Brasil, a proteção da floresta amazônica e os povos indígenas. O mal para Bolsonaro é o amor que vence o ódio.

Bolsonaro entende que o bem é o que lhe serve. Em seu discurso, não aparece o bel comum, a felicidades para todos. Assim, ele segura o povo brasileiro por um fio de cabelo, antes de lançá-lo de vez no abismo. Seus filhos e o pastor Milton Ribeiro, junto a outros capatazes dos últimos escândalos de corrupção do MEC, seguem ilesos. 

A gritaria fascista se esforça para não deixar ver que o torturador nacional, herdeiro de Ustra, chama de bem os seus interesses e chama de mal aquilo que contradiz o projeto autoritário neoliberal de destruição do país. 

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12
Mar22

Machismo publicitário: misoginia como tecnologia política na era do macho limítrofe

Talis Andrade

www.brasil247.com -

 

 

por Marcia Tiburi

1. Machismo estrutural é o nome que se dá à ordem dos discursos e atos dos agentes do patriarcado. O caráter estrutural do machismo tem relação com a “naturalização” dogmática da ideologia e da prática dos homens machistas. Como tudo o que é dogmático, o machismo aposta em verdades naturais e trata seus críticos como monstros “desnaturados”. 

2. Machismo publicitário é a forma do machismo na era da política reduzida à publicidade. 

3. Várias manifestações do deputado Arthur do Val recentemente envolvido no caso de assédio de mulheres ucranianas em situação de guerra, remetem à teatralidade para fins publicitários no jogo da eterna campanha política dos agentes da extrema-direita. Em 2018 Arthur do Val invadiu um evento vestindo uma roupa que imitava uma vagina, assediando e intimidando estudantes. Sempre usando de falácias, o texto do personagem, que pode ser visto na internet, prima pelo discurso grotesco, a saber, aquele que produz efeitos de poder por sua desqualificação. 

4. Para se defender da marca de assediador e de predador, o referido deputado teatralizou novamente ao ver a revolta da população e da mídia: diante das câmeras ele usou o argumento de ser um homem “jovem” e não ser “santo” como características naturais que deveriam ser aceitas por todos. O argumento falacioso da natureza masculina surge na tentativa de se defender do indefensável: as falas aporofóbicas e predatórias contra mulheres em situação de fragilização pela guerra. As multidões que criticaram a postura do deputado foram atacadas pelos agentes do MBL como se estivessem na contramão do machismo natural que, segundo o dogma patriarcal, deve ser aceito sem reclamação ou crítica. É o que vem sendo chamado de “construção da narrativa” e ela depende de teatralização e performance. 

5. A importância da teatralidade e da performance dos personagens políticos é cada vez mais evidente quando a publicidade ocupa o lugar da política. Em política sempre houve um cálculo sobre a percepção, as sensações, as emoções, os afetos e os sentimentos das massas. Mas desde que ela foi rebaixada à publicidade, tudo isso se tornou ainda mais intenso.

6. O fascismo instrumentaliza o mau gosto de uma época e o incrementa para fins políticos. Nesse sentido, o fascismo (seja o Ur-Fascismo ou o neonazifascismo contemporâneo), mais que ideologia, é uma tecnologia política que se une a outra tecnologia política; o machismo, tão antiga quanto ele. Em termos simples se pode dizer que ambos se confundem. 

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7. Dois homens rasgaram uma placa de rua com o nome de Marielle Franco em 2018 em um ritual de ódio durante a campanha política. Certamente esse ritual chamou a atenção para eles que foram eleitos com muitos votos. Daniel Silveira, um desses deputados, continuou sua estratégia publicitaria para aparecer usando da agressão e da ameaça contra tudo e todos, inclusive o STF, e acabou sendo preso. Na prisão ele mudou a cena: começou a chorar para parecer frágil. No contexto do aperto, amenizar a brutalidade natural do macho parecia o melhor na modulação da sua imagem. 

8. A báscula da cena do macho brutal para o homem sensível e fragilizado nos permite lançar a categoria do “macho limítrofe” como figura especifica da teatralidade na política na era do neonazifascismo. 

9. O fascismo é todo uma encenação performática caracterizada pelo enfrentamento à democracia em uma época. 

10. Na política machista habitual os homens precisavam apenas disputar entre si. Quando surgem mulheres que ameaçam seus cargos, ou ameaçam com a imagem de uma outra política, os homens partem para a ação violenta que faz parte da sua história e é essencial à performatividade política do momento. Lembremos da força da misoginia contra Dilma Rousseff e Manuela D’Ávila. O nome de Marielle Franco continua sendo usado por nazifascistas como se fosse um troféu que anuncia do que eles são capazes. 

11. O macho limítrofe é a assinatura de um design político que dá certo: ele fornece a imagem adequada ao poder. Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad com o apoio da mídia corporativa golpista usando uma imagem de violência adequada às massas, às quais não era possível escolher diferentemente diante do excelente trabalho de psicopoder, ou lavagem cerebral, produzida em uma campanha publicitaria midiática que não tem fim desde 2013. O trabalho de lavagem afetiva vem sendo bem produzido no Brasil desde o advento da televisão e recentemente com as redes sociais. A sociedade inteira vive tranquilamente sob o assédio publicitário promovido nesse contexto. 

12. A característica do macho limítrofe é a vociferação misógina que permite que os holofotes se voltem para ele. Foi o que Arthur do Val sempre fez até que deixou cair a máscara. 

3. O macho limítrofe é o ator de uma série de discursos e práticas em si mesmos misóginos: ele vocifera contra mulheres para chamar a atenção sobre si. A histeria é, para ele, uma espécie de método. Em 2018, muitos brutamontes se elegeram fazendo uso da gritaria. Hoje, nas redes sociais, mesmo o mais impopular dos homens, não se contém na hora de se manifestar contra mulheres. A histeria masculina avança como histeria de massa. 

14. A histeria pode ser espontânea, mas para os homens que buscam poder, ela vem sendo instrumentalizada para seus fins. A questão é “como se capitalizar politicamente na era do espetáculo?” ou seja, como aparecer no momento em que as mulheres estão em alta na esfera pública devido à luta feminista. 

15. Feministas são agredidas diariamente com todo tipo de discurso misógino por não se renderem ao dogma machista. Elas são hereges diante do culto do macho patriarcal em todos os ambientes, sejam analógicos sejam virtuais. Mas também são usadas como alavancas por polemistas cheios de ódio. 

16. O macho limítrofe é apavorante e ameaçador. Ele representa a ameaça machista, ela mesma uma estratégia em alta desde que Bolsonaro usou o sinal de “arminha” durante sua campanha de 2018. O sucesso da ameaça já tinha sido provado em 17-04-2016 ao usar o discurso de ódio contra Dilma Roussseff elogiando seu torturador e tocando o pavor no Brasil inteiro.

17. O machismo é a ideologia que estrutura o sistema patriarcal. A ideologia é um véu que acoberta as relações de poder. É o ofuscamento da verdade do poder patriarcal que deve permanecer inquestionado para seguir intacto. Nesse contexto, o feminismo, enquanto filosofia que desmascara a ideologia, está sempre na mira da destruição do patriarcado. 

18. O machismo se renova, avançando como tecnologia política do patriarcado. Na história dos feitos políticos masculinos, os homens sempre eliminaram mulheres, lembremos de Olympe de Gouges que em 1793 desafiou o machismo com sua Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã já que as mulheres, que haviam lutado tremendamente na Revolução Francesa, haviam sido apagadas da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Ela acabou na guilhotina por não se calar. Ora, na democracia burguesa que é, na verdade, a democracia machista, não há democracia real. Hoje falamos em uma democracia radical que possa ultrapassar os limites teóricos e práticos da democracia burguesa machista e, como tal, falsa. 

19. A luta das mulheres é uma luta complexa: luta de classes, luta antirracista, luta ecologista, luta anticapacitista, luta pelo direito de existir, por igualdade, equiparação e reconhecimento. Mulheres são maioria populacional, porém até o momento são minoria política porque a violência politica de gênero é gigantesca e mortal. 

20. O jogo político masculino é um jogo narcísico e seu paradigma é homossexualista masculinista. Os homens se entendem e jogam entre eles. Ou seja, encenam entre eles. Nessa cena, mulheres são vistas como intrusas e indesejáveis. Os gays são aceitos, desde que não manifestem seu orgulho gay, pois essa manifestação tende a prejudicar o velamento, o aspecto de uma homossexualidade que só pode ser exercida se for ocultada. É todo um jogo de cena que fará o macho limítrofe aparecer e calibrar seu capital. A imagem do macho heterossexual é um valor da política e, no contexto dos extremismos, é o macho limítrofe que urra e baba que aparece para garantir a sustentação do poder masculinista.

21. A masculinidade está em crise em diversas esferas. Aos sacerdotes do machismo não basta aparecer como o macho heterossexual. O novo valor do macho limítrofe no mercado da política reduzida à publicidade vai demorar para ser superado. 

11
Fev22

Por que a defesa aparentemente democrática de um partido nazista é, na verdade, altamente antidemocrática?

Talis Andrade

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por Marcia Tiburi

O título desse artigo expõe um problema que precisa ser enfrentado se quisermos avançar na democracia e superar suas mistificações liberais e neoliberais. 

Para isso, devemos refletir sobre o paradoxo da democracia e o paradoxo da liberdade de expressão que, como veremos, estão intimamente ligados.  As manifestações de apologia ao nazismo por parte do deputado Kim Kataguiri, e dos comunicadores Monark e Adrilles Jorge dividiram a opinião pública em duas posições que podemos resumir do seguinte modo: de um lado os que consideram que não se pode dar nenhum tipo de espaço ao nazismo, de outro, os que dizem que é preciso dar espaço a um partido nazista para o bem da própria democracia e do que vem sendo chamado de “liberdade de expressão”.  Com boa vontade, o argumento de fundo de algumas manifestações de pessoas de esquerda, parece ser a frase atribuída a Voltaire: “posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizer”. Infelizmente, para além do histrionismo moral dessa afirmação, há algo bem mais grave em jogo que podemos observar com óculos filosóficos. Antes de seguir, tenhamos um aspecto em mente. Na época em que vivemos, da onagrocrassia, o governo dos asnos zurrantes na expressão de Benedetto Croce, grunhir para adular as massas tem sido a tônica. Conquistar audiência, likes e garantir a monetização do ódio e do grotesco tem sido o objetivo de um trabalho perverso de grupos e indivíduos completamente sem escrúpulos. Se quisermos nos manter em patamares democráticos, precisamos trabalhar a partir dessa consciência. 

1. Comecemos colocando aspectos básicos ligados ao conceito de liberdade de expressão em jogo na cena da mistificação atual.  Por liberdade de expressão entendemos um direito exposto também como princípio, expresso no 11o. artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Segundo o texto da DUDH, “qualquer pessoa tem direito à liberdade de opinião, de receber e de transmitir informações ou ideias, sem que possa haver ingerência de quaisquer poderes públicos e sem consideração de fronteiras”. Texto idêntico se encontra na Constituição brasileira de 1988 na qual aparecem os termos “independemente de censura ou licença”. Resumidamente, é evidente que ninguém pode impedir alguém de falar o que desejar falar. Todos estão autorizados a dizer tudo porque é bom para a democracia que assim o seja e porque é o melhor do ponto de vista da garantia das liberdades individuais. Um acordo, um pacto coletivo, dá a cada um esse direito.

2. Filosoficamente falando, ou seja, indo ao problema conceitual, podemos dizer que a liberdade de expressão é linguisticamente necessária na estruturação do pensamento e do conhecimento como um todo. No nível do método, podemos dizer que a mais elementar possibilidade de dizer algo é o que permite a existência do diálogo. O diálogo é um articulador da linguagem humana, um princípio metodológico a ela inerente. A comunidade humana em sua forma cultural e ético-política depende dele. Dizer que somos seres de linguagem implica, em termos políticos, dizer que somos seres de diálogo. Isso leva à expectativa da expressão que possa se compreendida, a expressão com sentido. É essa a expectativa que temos do outro e que o outro tem de nós: que algo com sentido possa ser dito. O sentido é uma espécie de limite, sem dúvida maleável, mas que não pode ser implodido, sob pena de acabar com a liberdade e com a expressão. Liberdade é um conceito que depende da noção de seu próprio limite. 

3. A liberdade de expressão só se tornou um valor da época contemporânea. Em todos os tempos, o poder da fala pertenceu aos reis, aos padres e a todos os demais privilegiados do pater potestas, incluso as mídias capitalistas. Aristóteles já ligava o poder da fala ao poder político como um atributo do corpo e da vida dos homens (não das mulheres e não dos escravos). Recentemente, a valorização da liberdade de expressão se liga à liberdade de ser e existir (o direito a estar presente no mundo) pondo em cena aspectos ligados a gênero, sexualidade, raça, características físicas, plásticas e estéticas, religião e cultura. A liberdade de expressão passou a ser um parâmetro fundamental à constituição das democracias. Nesse contexto, novos atores reivindicam seu direito de participar de um lugar do qual não faziam historicamente parte. Essa participação é discursiva. É o que vem sendo chamado de “lugar de fala”. O lugar de fala é o direito de falar por si mesmo, de não ser objeto da epistemologia patriarcal branca e capitalista.  O “lugar de fala” como direito à liberdade de expressão  implica o direito de estar presente digital ou corporalmente em uma sociedade cuja característica democrática depende disso. Ora, a liberdade de expressão é, na era da internet e das redes sociais, um poder importantíssimo e as oligarquias em geral sabem disso.  Justamente por isso, a liberdade de expressão precisa ser capturada e cativada na redoma da extrema-direita ou do esquerdomachismo antidemocrático. 

4. Setores extremistas tem manobrado a ideia de liberdade de expressão mais preocupados que estão com a monetização de seus produtos imagéticos-discursivos.  A liberdade de expressão tornou-se uma espécie de senha do mercado do ódio. A verdade e o fomento à liberdade de expressão que possa amparar uma mentalidade democrática fica fora do foco de quem está interessado apenas no poder. A defesa da liberdade de expressão tornou-se um verdadeiro significante vazio usado no consumismo  ou rentismo da linguagem atual.  O uso indiscriminado do conceito de liberdade de expressão aplicado a preconceitos remete a uma espécie de histeria conceitual e epistemológica que visa apenas a manipulação das massas, aduladas por acreditarem que agora podem dar sua opinião.

5. Não espanta o que vem acontecendo com a liberdade de expressão, considerando que a própria ideia de liberdade em geral já havia sido  sequestrada pelo liberalismo e o neoliberalismo. No capitalismo, sistema de produção baseado na exploração do trabalho, primeiro de pessoas escravizadas, depois de proletários, e antes de tudo das mulheres (elas mesmas uma classe social explorada sob a ideologia de gênero patriarcal como bem demonstrou Silvia Federici) a liberdade se configurou como uma espécie de bandeira que serve para ocultar contradições sociais. Assim ela é usada para esconder a exploração e a desigualdade produzida pelo sistema econômico. A liberdade, no liberalismo e neoliberalismo, vem a ser uma simples cortina ideológica. Tendo isso em vista, é importante resgatar o conceito de liberdade como “libertação” (como fez Henrique Dussel e fazem atualmente as mulheres e pessoas LGBTQIA+, os afrodescendentes, os povos andinos e indígenas, as pessoas marcadas pelos preconceitos capacitistas e assim por diante, considerando que Dussel revisou sua obra após o avanço do feminismo na América Latina). Esses grupos praticam hoje o que podemos chamar de “libertação da expressão”. Eles ampliam o conceito de liberdade reivindicando a expressão como método que eleva à ampliação da ideia de democracia. Liberam, portanto, a democracia, da sua prisão burguesa. Por isso, quem pensa em termos democráticos e revolucionários ao mesmo tempo, utiliza hoje a expressão “democracia radical”, a democracia que avança para além da democracia burguesa carregada de injustiças e manipulada para os fins das oligarquias no poder.  A  libertação da expressão é fundamental dentro desse processo de radicalização da democracia. 
 

6. Uma democracia consistente implica a sua atualização no tempo histórico. E essa atualização requer expansão. A reivindicação do direito ao fascismo e ao nazismo ou ao nazifascismo implica não apenas uma diminuição da democracia, mas a promessa de seu fim, tendo em vista que política é luta por hegemonia. O nazifascismo pressupõe a existência de uma raça superior e de inimigos que devem ser abatidos, ou seja, o valor do direito à existência associado ao valor da liberdade de expressão não é defendido pelo nazifascismo. 

7. A reinvindicação do direito a um partido nazista é uma pura astúcia política. O apoio à indústria das armas no nazifascismo atual, a retórica do ódio e da ameaça apontam para uma política de extermínio. Isso tem sido visto em nível digital e concreto. O nazifascismo aposta no fim dos direitos humanos e dos direitos em geral. Ou seja, não há espaço para a democracia diante de nazifascistas que, inseridos nela, agem como infiltrados à luz do dia em jogos de poder que pretendem vencer inescrupulosamente. Devorar as mentalidades e subjetividades fingindo “diálogo” é algo tão evidente que espanta que pessoas inteligentes possam cair nessa armadilha. 

8. O nazifascismo é um regime de pensamento autoritário que opera pela destruição da capacidade de pensar das pessoas, de sua reflexividade. No extremo, visa-se a destruição da própria linguagem, daí o governo dos asnos zurrantes que se servem das fragilidades das democracias para implantar-se como um vírus. 

9. Cair no paradoxo da democracia parece inevitável. Eleger um tirano que destrói a democracia é o ponto culminante do paradoxo. Se o voto que é um mecanismo democrático que deveria ampliar a democracia for usado para os fins da eleição de um personagem ou grupo autoritário, a democracia cai em um abismo. Ela será destruída por seus próprios meios.  Se as forças democráticas não tiverem compreensão da necessidade de lutar por hegemonia democrática sem abrir espaço para a destruição, estaremos perdidos para sempre. 

10. O conceito de opinião, que é o que todos reivindicam no âmbito da liberdade de expressão, também merece análise. A opinião se tornou uma espécie de nova propriedade intelectual com valor de mercado na era da manipulação das massas. Formulação linguística que só podemos conhecer quando é expressa, a opinião não é algo que nasce por geração espontânea a partir da simples e abstrata individualidade. Quem emite uma opinião o faz com base nos jogos de linguagem do seu tempo e dentro de contextos que são afetados por discursos. A opinião não é por si só uma verdade, ela é um discurso que pode ser bem ou mal formulado, melhor ou pior embasado, melhor ou pior exposto de um ponto de vista retórico ou semântico. Desde Nietzsche dizemos que “uma opinião mil vezes repetida se torna uma verdade”,  no sentido de passar a ter validade universal, mesmo que de fato, não tenha. 

11. Em uma sociedade democrática todos podem emitir opiniões, ou seja, todos podem falar o que quiserem. Porém, ninguém está autorizado a ir contra a lei por meio de sua opinião, logo, uma opinião ou um gesto nazista  implica crime. Assim é em um país traumatizado pelo nazismo, como a Alemanha, mas também no Brasil no qual a Lei 7.716 trata o nazismo como um crime (racismo e xenofobia, inclusos.). Crime é um tema que merece mais atenção por parte da população que, por desconhecimento, muitas vezes nele incorre. Lembremos que, calúnia, injúria e difamação, são crimes que se dão no âmbito linguístico. Trata-se de uma opinião que, ao ser expressa, incorre em crime. A teoria da performatividade da linguagem define que as palavras são atos. Ou seja, falar é fazer. Atos linguísticos causam efeitos e um deles pode ser um crime. 

12. Se discurso de ódio, Fake News, desinformação, calúnia, difamação, preconceitos raciais, capacitistas, misóginos, étnicos, fazem parte da opinião (e da vida cotidiana e seu senso comum), estariam “liberados” para serem expostos conforme o assegurado direito à liberdade de expressão? Se não nos importamos em praticar crimes, certamente sim. Mas cometer crimes não é uma coisa boa ou comumente desejável, a não ser na visão de pessoas perversas. Uma sociedade se mantém coesa justamente porque há patamares a serem respeitados e um deles é o acordo ou pacto social que define que respeitaremos a lei e faremos de tudo, como sujeitos e como coletividade, para não cometer crimes. Nesse sentido, a lei, e o respeito à lei, bem como o princípio universal do direito de que “todos são iguais perante a lei” definem esses patamares. 

13. Falamos em lei em sentido estrito de código jurídico, mas podemos também falar em lei enquanto ordem simbólica. Tanto em um sentido psicanalítico como em um sentido filosófico genérico, podemos dizer que a ordem simbólica é a ordem da linguagem e que o mundo das palavras, do texto, do discurso escrito ou falado, se organiza a partir de regras que mantém possível o universo das relações entre sujeitos e instituições. A ordem simbólica vai além da historicidade patriarcal-capitalista, marcada por injustiças que precisam ser superadas. Hoje, podemos falar de uma sociedade narcísica que vem legitimando um tipo de comportamento pautado no desrespeito e na transgressão às leis formais, uma sociedade do crime, mas também aos limites simbólicos que estruturam a vida humana vivida como experiência da linguagem (na qual se inclui o nosso corpo e concretude da vida e da história). O fascismo e o nazifascismo destroem a ordem simbólica e quando chegam ao governo naturalizam o crime como Razão de Estado. Foi isso o que Hitler fez e não é tão difícil repetir o que ele fez, como estamos vendo. 

14. Seria possível defender a existência de um partido nazista em nome da liberdade de expressão para garantir a democracia? Não. O nazismo é um regime político que visa implodir a ordem da linguagem e assim a democracia que dela depende. Usando técnicas de psicopoder (o cálculo sobre o que as pessoas pensam, sentem e fazem) e toda a estrutura da mentira e da desinformação que envolve meios de comunicação e manipulação de massas, o regime nazista visa a aniquilação e o extermínio do diferente e da alteridade que configura a democracia. Portanto, não podemos defender a existência de falas, discursos, práticas ou instituições antidemocráticas (partidos inclusos) no meio da democracia, porque além de serem uma contradição antidemocrática formal, tais elementos podem gerar hegemonia e acabar com a própria democracia na prática. 

15. Defender a existência de um partido nazista sob a alegação de que os partidos comunistas não sejam criminalizados é uma atitude ingênua que abre espaço para o capitalismo continuar em seu processo hegemônico e lançar mão do autoritarismo nazifascista quando for necessário para sua sustentação. 

16.  Aqueles que consideram que não se pode dar nenhum tipo de espaço ao nazismo não correm o risco de prejudicar a democracia, ao contrário, estão a sustentá-la com a sua renúncia a colaborar. Sabem que a democracia não é perfeita, mas que ainda é a menos pior das formas de governo. 

17. Aqueles que hoje defendem a existência de um partido nazista, e alegam não defender o nazismo, como se o partido nazista fosse feito de meigas ovelhas saltitantes em prados verdejantes a sentir o odor de flores delicadas, estão mistificando e compactuando com o mal que poderá, inclusive, devorá-los.  Alegam estar sendo estratégicos, mas apenas compactuam e abrem o flanco.  Ajudam a produzir o paradoxo da democracia que leva a eleição de tiranos e fascistas. Ou, pior ainda, ao tentarem instrumentalizar o paradoxo, acabam por apoiar o autoritarismo. 

As brechas abertas para o mal antidemocrático podem se tornar fissuras fatais na rede democrática. Quem luta por democracia, luta contra isso.

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08
Fev22

Vem pra rua, vem pra rampa, Moro, Kim e o nazismo

Talis Andrade

 

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"Eu vejo Moro e Bolsonaro como uma coisa só". Concordo com a empresária Rosangela Moro.  

Idem Moro e Kim Kataguiri. Dos movimentos Vem pra rua e Vem pra rampa. 

O Vem pra rampa colocou os togados assanhados no "brado retumbante" Dilma vai tomar no c. = grito de guerra que ecoou pelos estádios e salões nobres dos palácios da Justiça. 

No programa do Kim, companheiro de partido e campanhas políticas, Sergio Moro explicou os altos negócios com a empresa Alvarez & Marsal que espiona empreiteiras multinacionais e programas estratégicos do Brasil, e (pasmem!) ainda fatura milhões e milhões.

A&M devia ter pago para espionar a Petrobras, o Pré-Sal, a Eletrobras, o programa nuclear, os conhecimentos técnicos das principais empresas estratégicas, das indústrias, da construção pesada. 

O Brasil pagar para ser espionado por empresas da comunidade de inteligência dos Estados Unidos constitui um escárnio, uma piada, a mais perfeita jogada dos quinta-colunas da Lava Jato e espiões da CIA, do FBI!

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Edilson Laurentino
CONGRESSO REAJA! POR QUE NINGUÉM ESTA FALANDO DA RESPONSABILIDADE DO DEP. KIM KATAGUIRI? ELE FEZ A DEFESA DE UM "partido nazista" TAMBÉM! PRESISAMOS PEDIR A CASSAÇÃO DO MANDATO DELE!
Carlos Veras
Apologia ao nazismo é crime! É sobre isso.
 
Brasil de Fato
A onda neonazista no Brasil só aumenta, e Kim Kataguiri e Monark comprovam isso. Não é de hoje que o #BrasildeFato fala da ascensão da extrema direita como um fator direto para o avanço do neonazismo no Brasil. Segue o fio para entender  
Levi Kaique Ferreira
“Deveria existir um partido Nazista legalizado no Brasil” “Se o cara for anti-judeu ele tem direito de ser Anti-judeu” Eu tinha achado que ele tinha superado todos os limites no último papo de racismo, mas ele conseguiu se superar de um jeito…

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Henry Bugalho
Monark e Kim Kataguiri defendendo o direito de existir um partido nazista - isso mesmo, NAZISTA! - no Brasil é o maior reflexo destes tempos em que vivemos.Image
 
Advocacia Criminal 
DESTAQUES IMPORTANTES! Ainda sobre o "Youtuber" Bruno Aiub, conhecido como "Monark", do podcast ‘Flow’ e o ocorrido ontem, 07.02, no nefasto "episódio". O deputado Kim Kataguiri (Podemos-SP), que participou do "episódio" ontem, viera a externar posições que merecem apuração
Manuela
Vivemos num país que tem como presidente um cara que homenageia torturadores e como um dos maiores podcasters alguém que defende a existência de um Partido Nazista no Brasil. O que faz com que eles se sintam à vontade em defender o indefensável? A impunidade que segue reinando! As redes de ódio bolsonaristas funcionam sempre a partir da mesma lógica. Basta se sentirem ameaçados por mulheres que defendem o povo para que eles iniciem uma série de ataques e ameaças virtuais que colocam em risco as nossas vidas.Image
Minha solidariedade à @Izalourenca, vereadora de BH, que após participar do ato pedindo justiça por Moise, se tornou alvo de fake news e perseguição pelas redes de um vereador bolsonarista. Seguimos juntas para livrar o Brasil da violência e do ódio inflamados pelo bolsonarismo.Image
Natália Bonavides
Um parlamentar defender partido nazista é o retrato do Brasil de Bolsonaro, que distorce a história, relativiza o arbítrio e homenageia torturadores. Defender o nazismo e exaltar a ditadura militar em uma democracia é indefensável! Defender a existência de um partido nazista além de abjeto é crime! Deve ir além de notas de repúdio, que seja investigado já!
Rui Falcão
É importante lembrar que fazer apologia ao nazismo não é liberdade de expressão, é CRIME! Exigimos investigação já!
Ana Júlia
Tem gente que confunde liberdade de expressão com crime. Monark foi um desses, fazendo apologia ao nazismo. Não podemos esquecer que, junto com o podcaster, um deputado em mandato também defendeu a criação de um partido nazista no país. Os dois não podem ficar impunes! E que outros como esses voltem ao esgoto de onde vieram. Este ano, vamos recuperar a democracia! 
Ezequiel Bitencourt
Monark e Kim bolsominion, acham que o nazismo não deve ser criminalizado, por ser uma liberdade de expressão. Esses dois "arianos", seriam fuzilados sem dó pelos nazistas.
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“Não. Defender o nazismo não é liberdade de expressão. Quem defende o nazismo desrespeita a memória das vítimas ", destaca a Embaixada da Alemanhawww.brasil247.com -

“Quem defende o nazismo desrespeita a memória das vítimas e dos sobreviventes desse regime e ignora os horrores causados por ele”, destaca a representação da Alemanha.

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07
Fev22

A força da farsa

Talis Andrade

moro farsa juridica.jpeg

 

por Marcia Tiburi

- - -

O ano eleitoral está aí e a força da farsa que conhecemos em 2018 será renovada. 

Rememoremos: no 18 Brumário de Luís Bonaparte, Marx apontou para uma relação fundamental entre estética e política ao afirmar que a história se repete como tragédia e como farsa. 

A farsa é uma imitação da tragédia que intensifica seu efeito utilizando o grotesco como estilo. Lembremos que a farsa do Ubu Rei de Alfred Jarry, que em tudo lembra Bolsonaro em seu desejo de comer e matar, já era uma imitação debochada da tragédia de Macbeth de Shakespeare. 

Tragédia e farsa são duas formas teatrais, mas são também parâmetros estéticos da política. Se a tragédia pauta o mundo pelo heroísmo, pelo belo, pelo sublime e pelos altos valores, a farsa pauta-o pelo contrário disso tudo. Nesse contexto, a oposição entre Lula e Bolsonaro é evidente e dispensa explicações. 

Todo o governo de Bolsonaro se dá no clima da farsa, cada um dos seus ministros é um farsante que destrói aquilo que deveria construir e ele é o próprio bobo da corte que usurpou o lugar do Rei preso por mais de 500 dias com a ajuda de personagem secundário, o juiz ladrão, que, com a ajuda da mão nem tão invisível do Império, resolveu ele mesmo ocupar o papel principal. 

Não é demais repetir que o governo bolsonarista é uma farsa que imita a tragédia da ditadura militar, em si mesma farsesca. Moro é continuação da farsa, na condição de ex-ministro de Bolsonaro, o “Bolsonaro que sabe usar talheres” ou pelo menos não finge comer no cocho com direito a set de filmagem em volta, como ficou exposto nas redes há poucos dias. A produção cinematográfica de Bolsonaro está ainda na frente da produção jornalística da rede Globo que sabe muito bem como construir personagens e tramas. Contudo, as novelas do jornalismo não são tão bem feitas como as novelas propriamente ditas e o segredo do roteiro no qual o corrupto que grita contra a corrupção é, ele mesmo, um corrupto, está claro demais para conquistar espectadores para um próximo capítulo. 

Antes se seguir com a análise dessa narrativa que está sendo construída diante dos olhos costurados com as próprias tripas dos espectadores, é preciso ter em mente que, apesar da desvantagem essencial de uma imitação, o efeito de poder continua vivo nela. A cultura do escamoteamento e da camuflagem serve para os procedimentos estéticos, como implantes capilares e dentes falsos atualmente em moda, para bolsas e roupas de marca fabricadas na China, mas também para a política. Porém, nesse jogo pérfido, quem tentar parecer melhor do que é, tende a se dar mal (isso vale para todo o espectro político). 

Além disso, lembremos que os personagens infames, ridículos ou grotescos produzem efeitos de poder justamente por meio da desqualificação de seus discursos. No discurso desqualificado Moro é bom, mas ele ainda precisará intensificar a sua performance se quiser assumir o lugar de Bolsonaro. Quando se escolhe um ator para um trabalho, ele é escolhido justamente por competências prévias, mas a recepção das massas parece estar sendo mal calculada nesse caso. Os fascistas sempre subestimam a população e precisam emburrecê-la para poder contar com ela. A enganação precisa ser bem feita, porque as massas são maleáveis e podem mudar de direção se perceberem que outros podem ter razão.

Assim, para ser um bom candidato, Moro precisa de um pouco mais de apelação carismática, algo que e ele naturalmente não tem e que Bolsonaro esbanja. Para este último era fácil, bastava capitalizar o mau gosto, que é um capital maior do que nunca na cultura depois da guerra contra a democracia. Moro resiste a fazer esse papel. Em que pese a tentativa de começar a tentar falar grosso, evitando a sonoridade vocal que lhe rendeu o apelido de Marreco de Maringá, ele não tem a virilidade necessária exigida no momento fascista em que o machismo histérico tem sido bem importante (falaremos sobre isso em um próximo artigo). 

Todos os personagens da direita-extrema-direita que querem aceder ao poder têm buscado se inscrever no padrão estético do grotesco ou do ridículo desde 2016. Nesse sentido, para Moro, melhor seria assumir o “marreco” do que tentar disfarçar. Ele poderia conquistar o voto de indignação ou o voto por deboche que levou figuras como Tiririca ao poder. Janaína Paschoal, Kim Kataguiri, Alexandre Frota e tantos outros chegaram ao poder em 2018 apenas porque se inseriram nessa mesma lógica estética. 

Nesse contexto, Bolsonaro foi um sucesso a partir do Golpe de 2016 ao produzir um tipo de farsa na segunda potência. Ao assumir a sinceridade da farsa ele conseguiu re-enganar a todos e, senão livrar-se da marca da mentira, pelo menos redimensiona-la a seu favor. Para o seu eleitorado a sua paradoxal “sinceridade” vale mais do que tudo. Ele pode praticar todo tipo de crime e ilicitude e ainda será defendido pelas pessoas identificadas com o ídolo. A mentira diária de Bolsonaro é parte da retórica do desnorteio que ele pratica tão bem e que funciona num looping renovando diariamente o estupor dos críticos, assim como o êxtase de seus adoradores. 

Bolsonaro não finge quando é falso. Eis o sentido da farsa autêntica. Por isso, pode aparecer encenando como um porco sem perder o seu eleitorado. Assim, enquanto Moro permanecer tentando parecer o que não é, não haverá futuro para ele. É preciso que ele assuma a sua verdade como um bom cínico deve fazer se quiser tornar o cinismo uma tecnologia de poder efetivo. Moro precisa fazer mais circo agora que não tem mais seu Lula preso e nem o espetáculo da Lava-Jato para se capitalizar como um punitivista como gosta a sociedade conservadora. Todas as vezes em que ele fez isso, ele cresceu na opinião pública. Ao resistir de se entregar ao Moro ele acaba com o seu maior potencial. Não basta ser ridículo, é preciso entregar-se ao papel.   

moro lula preso farsa judicial .jpg

A farsa é a forma da política na era da razão publicitária, uma estrutura estética, narrativa, teatral, performática. Ela é o único modo pelo qual muitos fazem política e chegam ao poder. E como há um viés de ficção na farsa política, e não de simples mentira, fica muito difícil para a população perceber que se trata de um jogo, de uma cena. A mentira se explicita, a ficção se escamoteia e tudo se torna tecnologia política. Uma tecnologia política é um dispositivo composto de estratégias e táticas, discursos e práticas, entidades e instituições, todas unidas pelo mesmo princípio.

Se a farsa é uma tecnologia política, isso quer dizer que o jogo é a mentira, a enganação, a desinformação em geral, daí as fábricas de fake news, as empresas que se alimentam de ódio, um afeto que ajuda a instaurar o clima de guerra necessário ao processo de conservação do poder. O gabinete do ódio é o maior negócio da nação e não há previsão de sua derrocada, ao contrário. O que deu certo em 2018 continuará em ação de modo turbinado em 2022. 

Por isso, nesse momento, todos devem se unir contra a grande farsa fascista, mas sem consciência disso e lançados em jogos de poder, muitas vezes infantis, não será fácil superar a extrema-direita e suas habilidades inescrupulosas que reforçam a cada dia a força da farsa.

Mídia NINJA on Twitter: "Quem assistiu ao pronunciamento de ontem comenta  aqui uma mentira que Bolsonaro falou. Charge @AroeiraCartum  #Bolsonaromentiroso https://t.co/jhyOmz06Qx" / Twitter

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