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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

27
Mai22

Governo militar de Bolsonaro mata negros pobres no Quilombo da Penha, Vila Cruzeiro

Talis Andrade

Foto: Jacqueline Cardiano / Voz das comunidades

Foto Jacqueline Cardiano

 

por Reinaldo Azevedo

Uma mulher idosa, que chora, é abraçada por um jovem. Ela está com o peito encostado e o braco estendido sobre um caixão com um corpo coberto por flores e véu. Eles são negros. 

Gabrielle foi baleada dentro de casa, segundo a polícia — Foto: Reprodução/Facebook

Gabriella Ferreira da Cunha
 
 
Mãe diante do corpo de Gabriella Ferreira da Cunha, 41 anos. Sua filha foi atingida por um tiro na entrada da Chatuba, ao lado da Vila Cruzeiro. A bala perdida costuma ser achada em corpos pretos e pobres.
 
O espetáculo de celebração da morte e da incompetência continua. E não faltou, por óbvio, o apoio de Jair Bolsonaro ao massacre da Vila Cruzeiro, no Rio.
 
Até agora, apareceram 25 corpos.
 
Dados alguns testemunhos, a forma da ação e gravações que vieram a público, é possível que o futuro venha a revelar ossadas de vítimas largadas na mata.
 
É a barbárie em estado puro servindo à campanha eleitoral.
 
Para a surpresa de ninguém, estão nas redes tuítes falsos atribuídos a Marcelo Freixo, pré-candidato do PSB ao governo do Estado, pregando o fim da PM.
 
A máquina de desinformação e mentira funciona junto com a máquina de matar. E, se tudo isso lhes parece pouco, a Polícia do Rio agora diz não reconhecer a autoria de oito das mortes. 
 
 

"Lutarei para que não sujem a imagem dela", diz mãe de cabeleireira morta durante chacina na Penha

 

 

Diz um antigo ditado, que a ordem da natureza é um filho morrer depois da sua mãe. Mas, a violência em que as favelas do Rio foram jogadas, fez essa lógica se inverter. Divone Ferreira da Cunha, de 72 anos,  enterrou nesta quarta-feira (25) a filha Gabriella Ferreira da Cunha, de 41 anos, no cemitério do Caju, região central do Rio. A cabeleireira foi vítima de um disparo de arma de fogo, na Chatuba, durante uma das incursões policiais que aconteceu no Complexo da Penha, na última terça-feira (24).

“Eu quero dizer que ela foi muito amada e será muito amada e lembrada. Lutarei para que não sujem a imagem dela, o seu nome. Minha filha era muito trabalhadeira, muito alegre”, diz emocionada a mãe Divone. 

[Na chacina da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, confessa a polícia de Cláudio Castro que matou "apenas" 17 negros. Não morreu nenhum policial. Falta investigar a morte de oito moradores da Vila, o antigo Quilombo da Penha. Que as forças armadas, que são brancas, mudaram o nome para Complexo da Penha. 
 
Complexo tem os seguintes sinônimos: abstruso, anfigúrico, arrevesado, complicado, 
confuso, difícil, embaralhado, enigmático, enredado, enrolado, impenetrável, inacessível,incompreensível, indecifrável, inescrutável, inexplicável, inextricável, ininteligível, 
intrincado, que explicam a presença da Polícia Rodoviária Federal na favela. Chacina que teve o ferveroso apoio do presidente Jair Bolsonaro aos homicidas. Solidariedade de miliciano.
 
Talvez o Bope pretendeu informar que trucidou 17 moradores, e as 8 mortes restantes da chacina foram executadas pela Polícia Rodoviária Federal. Bem provável e macabro, e combina com a necropolítica do governo militar de Jair Bolsonaro.
 
Há quem fale que um serial killer acompanhou as tropas assassinas do Bope e PRF]

Mototaxista e ex-marinheiro são duas das vítimas da chacina policial na PenhaFoto: Reprodução

Na ação do BOPE, PRF e PF que está sendo investigada pelo MPF, Ricardo José Cruz Zacarias Jr. e Douglas Costa Inácio Donato foram mortos
 
 

Enterro de mototaxista morto em chacina policial conta com homenagens e corredor de motos

Ricardo José Cruz Zacarias Jr foi sepultado no cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio, nesta tarde de quinta-feira (26)

A ação de extermínio do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Federal (PF) deixou oficialmente 23 pessoas mortas e 6 feridas, de acordo com a última atualização da Polícia Civil. Anteriormente, os dados divulgados pelo hospital Getúlio Vargas informavam 25 mortos. Mesmo com a mudança, a operação segue sendo a segunda mais letal da história da cidade do Rio de Janeiro. 

Foto: Renato Moura/Voz das Comunidades
Amigos e familiares se despedem de Ricardo, uma das vítimas da chacina policial no Complexo da Penha. Foto: Renato Moura/Voz das Comunidades
 
É importante ressaltar que o Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para a apuração da operação. Pois, segundo a instituição, há indícios de execuções e de torturas pelos agentes de segurança pública. Além disso, organizações e iniciativas de Direitos Humanos emitiram uma nota pública pela verificação dos fatos e pela integridade da população da favela. 

Jovem negro de 16 anos, vítima da chacina na Penha, é enterrado no cemitério do Caju

João Carlos de Arruda foi morto durante incursão policial na Vila Cruzeiro com perfuração na altura do tórax
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

 

Mais um promissor futuro foi interrompido durante a chacina policial que atingiu a Vila Cruzeiro, Complexo da Penha, na terça-feira (24). O estudante João Carlos de Arruda Ferreira, de 16 anos, foi vítima de facada na altura do tórax, segundo a certidão de óbito. O jovem foi enterrado na tarde desta quinta-feira, às 13h, no cemitério do Caju.

O irmão do jovem, o mototaxista Washington Patrício Ferreira, de 29 anos, tinha a guarda de João. Segundo Washington, João era uma pessoa alegre e muito querido pela família. “Era um menino de bom coração, apaixonado por bondade e brincalhão”.

Família enterrou o corpo de João na tarde desta quinta-feira. 
Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

 

João estava na sexta série do ensino fundamental. Estudava à noite na escola Nereu Sampaio de segunda à quinta-feira. Durante o dia, brincava e cuidava das sobrinhas, filhas de Washington. Nos finais de semana, os irmãos jogavam bola em momentos de lazer.

“Há 2 anos, estava aqui nesse mesmo lugar”, relatou Washington. Enterrou a mãe, o pai, e agora o irmão. “Não tenho palavras sobre o meu irmão. Que Deus guarde o coração dele e os nossos”.

18
Abr22

Viagra é uma pequena amostra da grande corrupção que turbina o projeto de poder dos militares

Talis Andrade

 

por Jeferson Miola

- - -

O Viagra, medicamento usado para tratar disfunção erétil e melhorar o desempenho sexual masculino, foi adquirido pelo Exército Brasileiro em grande quantidade e, ainda por cima, com superfaturamento de 143%, segundo denunciaram os deputados do PSB Elias Vaz/GO e Marcelo Freixo/RJ.

O ministério da Defesa, sempre muito inventivo na arte de tergiversar e mentir, alega que a compra se destina ao tratamento de militares com hipertensão arterial pulmonar. A falsa alegação é contra-arrestada pelo esclarecimento científico da coordenadora da Comissão de Circulação Pulmonar da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Veronica Amado.

A especialista afirma que para hipertensão pulmonar se prescreve o Viagra somente na dosagem de 20 mg. Mas o Exército adquiriu 35 mil comprimidos com dosagens de 25 mg e 50 mg, cujo emprego é exclusivo para aumentar/melhorar a ereção do pênis.

No início do ano passado, quando surgiram denúncias sobre compras esdrúxulas – e também superfaturadas – de leite condensado e de chicletes, o ministério da Defesa esclareceu de modo sui generis. Justificou a compra de toneladas de leite condensado “por seu potencial energético”, e de chicletes para compensar a “impossibilidade de escovação apropriada”.

A preocupação com a melhora da “moral das tropas” não se restringe ao Viagra. Conforme denunciado, na farra com dinheiro público o Exército também adquiriu próteses penianas infláveis, do melhor padrão do mercado, pelo valor de 3,5 milhões de reais.

Na página 106 do livro Conversa com o comandante, organizado pelo professor Celso Castro, o general Villas Bôas cita com certo regozijo o episódio – ou mimo – em que um helicóptero do 4º Batalhão de Aviação do Exército foi usado com o exclusivo propósito de levar-lhe uma revista Playboy na selva, onde estava em treinamento com a tropa há 20 dias.

Além de zelar pela luxúria e prazer dos fardados, as cúpulas das Forças Armadas também se esmeram em propiciar-lhes o desfrute de sofisticada gastronomia nos quartéis.

Enquanto milhões de brasileiros famintos catam osso no lixo para enganar a fome dolorosa, a rotina alimentar nas instalações militares é suprida com toneladas de picanha, filé mignon, cortes nobres de carne, lombo de bacalhau, camarão, frutos do mar selecionados etc.

Tudo, claro, regado a muita cerveja, uísque 12 anos e conhaques de grife, e tudo bancado com orçamento público e a valores superfaturados, conforme denúncias jornalísticas.

Por mais anedóticos e ultrajantes que possam parecer tais gastos das Forças Armadas com dinheiro público, é preciso observar que se tratam, no entanto, de pequenas amostras do descontrole e da grande corrupção que turbina o projeto político-partidário das cúpulas militares.

O governo militar protagonizou inúmeros escândalos, a maioria deles abafados ou acobertados pelo colaboracionismo fascista na PGR, PF e judiciário.

A cobrança de propinas é a moeda de troca do governo militar, como aconteceu na compra de vacinas pelo ministério da Saúde dirigido por um general da ativa do Exército, e na roubalheira em nome de deus no MEC, para ficar apenas nesses dois exemplos.

Os militares propagam um falso-moralismo, falso-profissionalismo e falso-legalismo para venderem uma imagem de austeridade, pureza, competência e incorruptibilidade. É, evidentemente, mero artifício diversionista para apresentarem-se como fundadores da consciência nacional e tutores da Nação. Sem noção do ridículo, entendem que incumbe a eles conduzir os destinos do país em lugar das elites civis incompetentes, corruptas e impuras.

A realidade, no entanto, é bastante diferente, como atestam os privilégios, nepotismos, favorecimentos, corrupção, práticas nada republicanas e, óbvio, a tremenda incompetência.

As Forças Armadas vivem de modo quase clandestino e secreto no Estado brasileiro; vivem totalmente à margem do controle do poder político, o Congresso, e das instituições civis.

É uma instituição isolada, que se autogoverna e se organiza como partido político – o partido dos generais; ou Partido Militar, como definiu Oliveiros Ferreira – que desestabiliza o sistema, conspira contra a democracia e participa ativamente de golpes contra governos democrático-populares.

Os militares administram com critérios opacos um orçamento anual de mais de 115,9 bilhões de reais [2021] do ministério da Defesa. Uma desproporção considerável em relação ao SUS, que contou com 189,9 bilhões de reais para atender 212 milhões de brasileiras e brasileiros.

Do orçamento total do ministério da Defesa, apenas 8 bilhões de reais são para investimentos, e 89,6 bilhões [77,3%] são despesas de pessoal da “família militar”. Nestas despesas de pessoal está incluído o impressionante valor de 55,6 bilhões pago a militares da reserva, reformados e pensionistas: 137,9 mil filhas de militares mortos são pensionistas. A pensão vitalícia mais antiga remonta ao ano de 1930 do século passado, paga a uma filha de militar.

Há casos notórios de burla na concessão de pensões militares, como o da neta do ditador Garrastazu Médici, adotada pelo general como filha quando ela tinha 21 anos e pais vivos. O ditador praticou esta fraude poucos meses antes de falecer, em 1985. Com isso, a pensionista forjada receberá, enquanto viver, uma pensão mensal de R$ 32,6 mil correspondente ao salário de “marechal”.

O símbolo maior de corrupção do governo das cúpulas partidarizadas das Forças Armadas, que tem nominalmente Bolsonaro na presidência é, no entanto, o esquema do bilionário orçamento secreto de mais de 20 bilhões de reais.

O orçamento secreto é o nome fantasia do regime de corrupção bilionáriamontado pelo partido dos generais para comprar apoio e sustentação da escória no Congresso e, desse modo, garantir a continuidade do projeto de poder dos militares.

O orçamento secreto é, enfim, o Viagra que turbina o colaboracionismo fascista e por meio do qual os larápios do Centrão foram promovidos de anões a “gigantes do orçamento”.

xico sá
Deu no NP
Puraingresia
@fsmcruz
Não sei ainda bem os porquês, mas esta chibança dos milicos me fez lembrar desta antalógica manchete do NP.
Image
18
Fev22

Deputados querem mudar destino da “taxa do príncipe” em Petrópolis

Talis Andrade

taxa do principe.jpeg

 

 

Diante da tragédia que já vitimou mais de 130 pessoas e deixou 218 desaparecidas em Petrópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro, os deputados federais Marcelo Freixo (PSB-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) apresentaram à Câmara projetos de lei para mudar o destino do laudêmio, conhecido também como “taxa do príncipe”, o imposto recolhido no centro e em alguns bairros da cidade e destinado aos descendentes da família imperial Orleans e Bragança.Image

De acordo com o PL de Freixo, o imposto será repassado à Prefeitura de Petrópolis, que terá a obrigação de utilizar o dinheiro em políticas públicas de prevenção e combate a desastres ambientais.

“Petrópolis vive uma tragédia sem precedentes. Centenas de famílias perderam tudo e a cidade está destruída. Todos os recursos precisam ser destinados para socorrer as vítimas e reerguer o município. Não faz sentido, em pleno século 21, os moradores de Petrópolis pagarem uma taxa que só beneficia os descendentes do imperador dom Pedro II”, afirmou Marcelo Freixo.

O projeto de Correia, por sua vez, é reapresentado, uma vez que o deputado já havia proposto texto semelhante em 2020, mas que foi rejeitado no Parlamento.

Segundo o petista, a tragédia vivida pela cidade fluminense mostra mais uma vez o anacronismo do laudêmio da família herdeira. “É um resquício imperial ainda em voga no Brasil, revelando um privilégio incompatível com os tempos modernos”, afirma.

Correia espera que, desta vez, infelizmente devido à comoção da tragédia, a Mesa da Câmara se sensibilize e autorize a tramitação normal do projeto de lei.

Em 2009, a imprensa publicava: Deputado federal por quatro mandatos José Chaves (PTB-PE) tem lutado pelo fim dos tributos sobre os terrenos de marinha.

O parlamentar vem defendendo a extinção da cobrança de foro, taxa de ocupação e laudêmio incidentes sobre essas áreas por alguns bons anos.

O parlamentar conseguiu incluir a discussão na reforma tributária ao obter a assinatura de mais 174 deputados ao projeto de emenda.

Por sua iniciativa, a Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados aprovou a criação da Subcomissão Especial para tratar de assuntos relacionado com os terrenos de marinha com objetivo de propor mudanças na legislação federal, que autoriza a cobrança das taxas de marinha.

Para quem paga o IPTU, o do terreno de marinha é uma duplicidade de imposto. Inclusive dificulta a aquisição da casa própria. Na venda de um apartamento, por exemplo, constitui uma taxa embutida que a imobiliária repassa para o comprador. Também encarece o aluguel. E o sem teto hoje, na sua maioria, é da classe média. Que o pobre constrói sua moradia nas favelas, nas áreas de risco. “É um imposto injusto”, reclama o deputado federal José Chaves, que anunciou:

Os terrenos de marinha são, de acordo com a legislação, os banhados pelas águas do mar ou dos rios navegáveis, em uma profundidade de 33 metros, medidos, horizontalmente, para a parte da terra. São formados, naturalmente, pela ação dos ventos e das águas e localizados na costa marítima do litoral brasileiro, no continente e nas margens dos rios e lagoas, até onde ocorre a influência das marés. O único referencial legal para a demarcação dessas áreas é a linha da preamar média de 1831.

Importante que se diga: a proposta foi idealizada por José Chaves que, há mais de 25 anos, trabalha pela extinção da cobrança das taxas. Uma persistência que deve ser louvada.

O imposto terreno de marinha era cobrado pelo rei de Portugal.

Coisa do Brasil Colônia.

10
Fev22

Diretora do Memorial do Holocausto de Paris considera 'chocante' ideia de partido nazista no Brasil

Talis Andrade

muro dos nomes.jpg

Uma pessoa contempla o Muro dos Nomes que traz, gravados na pedra, os sobrenomes, nomes e datas de nascimento dos 76 mil judeus deportados da França para a Alemanha Nazista entre 1942 e 1944, no pátio do Memorial do Holocausto, no Marais, em Paris. Foto Eric Feferberg /AFP. Este corresponte sugere (atenção Marcelo Freixo, Sâmia Bomfim) que seja construído no Rio o Muro dos Nomes dos Negros massacrados nas chacinas, na tortura, no linchamento da polícia e da milícia. Seria o mais justo Memorial para lembrar Moíse Kabagambe, Marielle Franco e todas as vítimas do nazismo, da xenofobia, do racismo, da desigualdade social, da homofobia, do femicídio, do trabalho escravo) 

 por Márcia Bechara /RFI

“Nunca imaginamos que isso fosse voltar desse jeito um dia”, confessa Sophie Nagiscarde, diretora de atividades culturais do Memorial do Holocausto de Paris em entrevista à RFI. Organizadora de diversas exposições e eventos no maior e mais antigo centro de documentação do horror nazista na Europa, ela comentou a recente polêmica envolvendo o ex-apresentador Monark do podcast Flow, que chegou a declarar ao vivo ser a favor da criação de um "partido nazista" no Brasil.

"Shoah" é o termo de origem judaica que se usa na Europa para se designar o Holocausto perpetrado pelos nazistas alemães, que matou mais de seis milhões de judeus, mas também ciganos, homossexuais e quaisquer cidadãos considerados fora da norma dominante instituída pela ideologia nazista. Em Paris, o Mémorial de la Shoah (Memorial do Holocausto, em português) recolhe, cataloga, expõe, realiza conferências, organiza expedições pedagógicas de crianças e adolescentes franceses e não deixa morrer a memória de um dos maiores massacres do século 20.

"Dedicamos uma exposição no ano passado ao testemunho de sobreviventes de campos de concentração nazistas, e me lembro bem das palavras do [advogado franco-romeno e um dos maiores militantes da memória do Holocausto no mundo] Serge Klarsfeld", diz Sophie Nagiscarde. "Ele dizia que antes não conhecíamos muito bem a história do Holocausto mas que, se hoje conhecemos muito bem essa história, parece que não serviu de grande coisa tê-la documentado, porque vemos a volta do nazifascismo em todos os lugares. E, ao que tudo indica, no Brasil também", diz a diretora e curadora de várias exposições no centro parisiense do Marais.

Klarsfeld escapou da Gestapo em 1943 se escondendo dentro de um armário de roupas, ao lado da irmã e da mãe, refugiados em Nice, no sul da França. Mas seu pai, deportado para a Polônia, foi assassinado, assim como milhões de judeus, no famoso campo de Auschwitz-Birkenau. O advogado militou a vida inteira pelo reconhecimento da memória das vítimas do Holocausto e se destacou na perseguição a ex-nazistas impunes. 

 

"Chocada"

"Ele sempre insistia na necessidade da militância antinazista e antifascista, na importância da memória e do ativismo", lembra Nagiscarde. "Não podemos desistir. Precisamos continuar não somente a educar pela História, mas também nos comprometer na luta contra esse tipo de manifestação", comentou a diretora, que se disse "chocada" ao saber das recentes polêmicas com o ex-apresentador Monark no Brasil e o ex-jornalista da rádio Jovem Pan, Adrilles Jorge, demitido após ter feito uma saudação nazista durante um programa de debates.

Sophie Nagiscarde acredita que se deve "responder a esse tipo de nonsense pelo conhecimento". "Nesse momento, também na paisagem política francesa, vemos pessoas que têm teorias e generalidades perigosas sobre Vichy, por exemplo", diz ela, fazendo referência ao governo francês que colaborou com os nazistas durante a Ocupação alemã e enviou milhares para morrer nos campos de Hitler.

"Claro que esse tipo de notícia vinda do Brasil é chocante. Mesmo que o país estivesse geograficamente longe do conflito, durante a Segunda Guerra Mundial, sabemos que muitos descendentes de deportados se instalaram na América Latina. Existe toda uma memória a esse respeito que deve ser preservada", diz a diretora do Memorial do Holocausto, que credita esse tipo de polêmica brasileira a “um certo grau de ignorância”: “é preciso sobretudo investir na educação dos jovens”, conclui Nagiscarde.

Bolsonaro e a deputada nazista alemã Foto: Reprodução/Montagem 247
 

Bolsonaro, aos poucos, vai se assumindo como neonazista

Não posso deixar de manifestar o meu repúdio e asco de que uma deputada nazista alemã tenha sido recebida em palácio, por este que se apresenta como nosso presidente. Uma vergonha para nós no mundo inteiro.

A deputada Beatrix von Storch, membro do partido Alternativa para a Alemanha – cuja sigla é AfD esteve em visita ao Brasil a convite da deputada Bia Kicis, também ela uma neonazista. A deputada alemã é neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, que foi o único ministro nazista que ficou com Hitler os 12 anos de poder (1933-1945). 
 
Não é pelo fato dela ser neta de um avô nazista. No entanto, seus pais também são nazistas. Marine Le Pen na França, é filha do velho Jean Marie Le Pen, fundador do Front National (Frente Nacional) que é um partido fascista.

Leia aqui artigo do escritor e professor LEJEUNE MIRHAN. 

Bia Kicis se encontra com deputada de partido neonazista da Alemanha

AFRONTA. Em que local de Brasília Bia Kicis tirou essa foto amigada com a líder mundial do partido nazista? Por que usou a bandeira do Brasil? 

Mais uma vez, Jair Bolsonaro flerta com o nazismo – blog da kikacastro

Foto do blog de Kika Castro, excelente jornalista e poetisa

Excelente encontro com a Dep. Fed. alemã Beatrix von Storch , que também é vice-presidente do partido Alternativa Para Alemanha.
Somos unidos por ideais de defesa da família, proteção das fronteiras e cultura nacional.
Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas, pessoas em pé, pessoas sentadas e interiores
28
Dez21

Chuvas na Bahia, e Bolsonaro no mar de Santa Catarina

Talis Andrade

 

 

Foto aérea mostra enchente causada pelo transbordamento do rio Cachoeira em Itabuna (BA) em 26 de dezembro   — Foto: Leonardo Benassatto/Reuters

Foto aérea mostra enchente causada pelo transbordamento do rio Cachoeira em Itabuna (BA) em 26 de dezembro — Foto: Leonardo Benassatto/Reuters

28
Dez21

Hashtag "Bolsonaro vagabundo" explode nas redes com as férias sem fim do presidente capitão aposentado

Talis Andrade

vagabundo_frank.jpg

Enquanto milhares de brasileiros perderam tudo com as enchentes na Bahia, Jair Bolsonaro se diverte na praiaImage

247 – No momento em que a Bahia atravessa o maior desastre de sua história, com enchentes que já atingiram mais de 430 mil pessoas, Jair Bolsonaro tira férias em Santa Catarina e provoca revolta até em ex-eleitores. Prova disso é o fato de a hashtag "Bolsonaro vagabundo" ter explodido nas redes sociais.Image

  

O Antagonista
@o_antagonista
#BolsonaroVagabundo é o assunto mais comentado no Twitter.
oantagonista.com
Bolsonaro, de férias: “Espero não ter que voltar antes” | O Antagonista
Presidente tem sido questionado pelo fato de não ter ido prestar, pessoalmente, solidariedade às vítimas das enchentes na Bahia
AnnaLu Lula 
@AnnaLuGama
Presidente da República em férias enquanto a Bahia está de baixo de água. Conversas com ministros vazias e sem caráter de urgência. Todos cópia do desgoverno. #ForaBolsonaro e todos os seus ministros. #BolsonaroVagabundo
Marcelo Freixo
@MarceloFreixo
O presidente da República deveria estar na Bahia, coordenando junto com o gov Rui Costa os trabalhos para socorrer as famílias baianas. É lamentável que Bolsonaro se omita e vá curtir as férias no litoral de Santa Catarina enquanto brasileiros estão morrendo.
ImageImage

    

18
Out21

Quem está pagando os gastos de Eduardo Bolsonaro em Dubai

Talis Andrade

 

bolsonaro dubai.jpeg

 

O deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ), líder da minoria na Câmara, pediu ao Ministério Público Federal que investigue a viagem da delegação do governo federal a Dubai, especialmente o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e família. Freixo fez duras críticas à foto do filho de Jair Bolsonaro vestido de sheik nos Emirados Árabes. A postagem da foto por Eduardo gerou revolta nas redes sociais.

“ATENÇÃO! Acabo de acionar o MPF para investigar os gastos de Eduardo Bolsonaro em Dubai. Queremos saber quem está pagando essa conta”, cobrou Marcelo Freixo no Twitter. Ele protocolou a representação nesta segunda-feira (18).

deboche.jpg

 

“Ali Banana e os 40 ladrões do desgoverno Bolsonaro estão fazendo farra em Dubai enquanto 20 milhões de pessoas estão passando fome, catando comida no lixo. Nós da oposição acionamos o TCU para investigar essa balbúrdia, paga com dinheiro que está saindo do bolso dos brasileiros”, escreveu o parlamentar.

 

04
Out21

#PandoraPapers: "Guedes e Campos Neto fazem de conta que nada aconteceu"

Talis Andrade

 

Image

Deu no Twitter
 
Oliver Stuenkel 
"O artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, instituído em 2000, proíbe funcionários do alto escalão de manter aplicações financeiras, no Brasil ou no exterior, passíveis de ser afetadas por políticas governamentais."
Brasil de Fato
Enquanto a desvalorização do real pressiona a inflação e milhões no país passam fome, quase 2 mil brasileiros com contas em paraísos fiscais lucram com a alta do dólar. Um deles é Paulo Guedes, mas tem outros que você conheceImage
Fernanda da Escóssia
Ter dinheiro em paraísos fiscais é necessariamente ilegal? Não. A pessoa precisa declarar o negócio às autoridades. A questão é que, numa sociedade desigual como a brasileira, ter offshore é usar um privilégio - ser muito rico - para obter outro privilégio- pagar menos imposto
Reinaldo Azevedo
Guedes e Campos Neto tentam fazer de conta que nada aconteceu. Sabem que isso não é verdade.

Image

Image

Poder360
#PandoraPapers: Augusto Aras vai “oficiar” Paulo Guedes para ter informações. Acredita este correspondente: Vai. Não vai. Pra começar já esqueceu o Neto que se parece cada vez mais com o avô Roberto Campos.Image
Marcelo Freixo
URGENTE! Eu e os demais líderes da oposição na Câmara vamos acionar o MPF para que Paulo Guedes e Roberto Campos Neto sejam investigados por manterem empresas num paraíso fiscal. A legislação brasileira proíbe que membros da cúpula do governo mantenham esse tipo de negócio.
Randolfe Rodrigues 
Para o povo, a alta do dólar representa tudo mais caro. Para Paulo Guedes, representa lucro milionário de sua empresa no exterior. Iremos convocar o Ministro e o Presidente do BC para se explicarem ao Senado, além de apresentar notícia-crime ao STF!Image
03
Set21

Após denúncias sobre clã Bolsonaro, parlamentares planejam CPMI da Rachadinha

Talis Andrade

Marcelo Nogueira dos Santos com Ana Cristina em Boate do Rio de Janeiro

 

O Metrópoles publicou novas informações sobre supostos crimes envolvendo a família do presidente da República

 
 
 
 
Em meio às denúncias envolvendo o clã Bolsonaro, publicadas com exclusividade pelo colunista Guilherme Amado, do Metrópoles, diversos parlamentares criticaram o presidente Jair Bolsonaro, e planejam criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Rachadinha para investigar os casos de corrupção envolvendo apropriação de recursos públicos.
 

Rachadinha é prática ilegal de parlamentares ficarem com parte dos salários dos assessores.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse que, desde julho, coleta assinaturas para criar a CPI da Rachadinha e usou um salmo muito utilizado por Bolsonaro para justificar. “Sabe aquela história do ‘conhecereis a verdade e ela vos libertará’?”, disse.

Deputados, todavia, estudam a ideia de modificar o pedido para incluir as novas denúncias envolvendo a família do presidente e transformá-la em uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Neste caso, para ser criada, necessitaria do apoio de 171 deputados e 27 senadores.

10
Ago21

Deputados repudiam parada de tanques: “Resposta virá no plenário”

Talis Andrade

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Esta a primeira vez que o desfile Operação Formosa, o maior treinamento militar da Marinha, ocorre na Esplanada

 
 
Parlamentares de diversos partidos realizaram, nesta terça-feira (10/8), ato em repúdio ao desfile de blindados na Esplanada dos Ministérios e exigiram “democracia”. Como resposta, disseram que vão derrotar, em plenário, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 135/19, do Voto Impresso — bandeira do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que gera atrito entre os Poderes.
 

Os deputados chegaram ao Salão Nobre da Câmara com cartazes escritos “democracia” e criticaram “a trágica coincidência” do desfile no dia da votação da PEC do Voto Impresso.

O líder da Minoria na Câmara, Marcelo Freixo (PSB-RJ), destacou a gravidade do momento, com desfile de blindados e “votação retrógrada”, e disse que a Câmara dará a resposta no plenário. “Bolsonaro, mais uma vez, faz mal à sociedade e às Forças Armadas”, assinalou. “A melhor resposta será hoje dentro do plenário da Câmara derrotando o voto impresso, que é um projeto de sociedade miliciana que Bolsonaro representa”, acrescentou.

“Esse ato serve para mostrar que a Câmara não aceita ameaça, chantagem e intimidações. Não aceitamos a desculpa que houve coincidência pela realização desse desfile militar. A melhor resposta é derrotar o voto impresso com larga vantagem”, enfatizou o líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ).

“Com blindados ou sem blindados, Bolsonaro será derrotado”, ironizou o presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força (SP).Protesto_desfile_voto impesso

Deputados_protesto_desfile_voto impessoDeputados_protesto_desfile_voto impesso

 

“O presidente resolve ignorar as pautas dos povos que estão sofrendo pela crise e tenta intimidar esse Parlamento”, disse Talíria, cobrando uma posição incisiva do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). “Espero que o presidente Arthur Lira se manifeste contra a sanha autoritária do governo Bolsonaro.”

Desfile

A Operação Formosa é o maior treinamento militar da Marinha no Planalto Central. Este ano, o evento contou também com a participação do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira. Cerca de 40 blindados, caminhões e tanques desfilaram em frente ao Palácio do Planalto. Ao todo, mais de 2,5 mil militares das três Forças participaram.

Esta é a primeira vez, contudo, que o desfile ocorre na Esplanada, em frente ao Congresso, que vota pauta cara ao bolsonarismo. O presidente Jair Bolsonaro e os ministros acompanharam o desfile no Palácio do Planalto.Image

 
Imprensa internacional ridiculariza desfile: "República de Banana"

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