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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Mai19

de Jussara Salazar

Talis Andrade

o mar jussara.jpg

 

O mar é de mamãe
O mar
Como o medo
Um esquecimento
Ou uma lembrança
Como uma infância
E seu ninar de ondas
Como uma infância
Saturada
de seus pesadelos
Carregada
de suas utopias
o mar
com suas oferendas
Sim
o mar
para ir e voltar
para ver-se
para o outro
para o ar
para aprender no que se vai
e que vagueia
para voltar
O mar
Todo mar
É de quem ama
o mar
o mar

 

odo mi yia

 img tema lisa kokin

13
Jun18

Retrato amoroso ou o retorno do querubim sobre as ondas

Talis Andrade

de Jussara Salazar

 

poesia jussara salazar.jpg

 

vagando
as ondas
o tule
do mar
do extremo amor
devolveu a
cabeça do querubim
perdido


os dias
os dias
os mesmos dias
viram teu torso
um desenho
costurado
à linha do horizonte

 

te aguardarei
menino
quando retornares
com o tempo
teu corpo
e tuas cicatrizes

 

 

---


com tema de Beth Moysés| Reconstruindo Sonhos

Performance realizada em Cáceres, Espanha. 2007

18
Abr18

A PALAVRA DE FOGO

Talis Andrade

 

Antonio_Conselheiro_(Pátria_Brazileira).jpg

 

No remoinho dos ventos

levantando a poeira

do vermelhado chão

em um perdido povoado

 

a alucinante aparição

de um homem

envergando a veste

dos penitentes

 

a aparição de um homem

que andou léguas e léguas

por caminhos de pedras

e vilarejos distantes

 

a pregar uma estranha

e deslumbrante visão

o sertão vai virar mar

o mar vai virar sertão

 

O remoinho dos ventos

apagou os rastros do profeta

o remoinho dos ventos

levou as secas palavras

pelos caminhos secos dos rios

o remoinho dos ventos

espalhou a palavra de fogo

pelos vagos do deserto

 

---

Talis Andrade, O Enforcado da Rainha, ps. 27/28

07
Jan18

De Mariana Payno

Talis Andrade

 

mariana mayno.png

 

 

NAUFRÁGIO

 

a gente sentia que
o seu lugar era perto do mar
e meu o calor das suas vísceras
doentes

 

deita seus olhos fechados sobre mim
consegue respirar o que restou?
deita fora o que não foi

 

embarca no tempo do náufrago

 

escuridão
passiva
arrancada
do colo das ondas

 

o mar não engole suas costas
mas quase
preferia morrer no mar?

 

a melancolia da água
a solidão das âncoras
o mapa dos polvos
o som surdo das algas
a anatomia das conchas no ouvido

 

minha última voz perdida
nas suas redes frouxas

 

você ouviu?

 

o seu lugar era perto do mar
e o que restou a gente deita fora
onde agora piso
às cegas
a fundo

 

afoga.

 

 

---

ALBUM Por que as poetisas são lindas?

 

 

 

 

16
Jul17

Canção Marinheira

Talis Andrade

do livro

 

capa_romance_do_emparedado.jpg

 

 

 

 

 

Do insondável mar o convite

 

Para os quintos a advertência

de tapar os ouvidos

A prudência de permitir

que amarrem o meu corpo

ao mastro do navio

 

Quero ouvir o cantar das sereias

o amavio da voz de Lorelei

me chamando

 

Salto no escuro

Vejo os olhos da morte

Azuis azuis azuis

 

Salto no escuro

cantando a canção de Fausto

nas tempestades e assaltos

A canção quem me ensinou

foi Evandro San Martim

 

Entre os dentes trago a faca

e nos meus olhos coloridos

- juro –

ó Ana, vem ver

ó Ana, vem ver

o fogo no mar

os peixes a arder

 

 

11
Jul17

ZumZumZum

Talis Andrade

por Patricia Porto

 

sandalia-de-pes-descalcos.jpg

Tem esse som por dentro, voz da mulher da terra,
da mulher do mar, de concha, raiz forte da mulher de dentro
em ciclos.
As mulheres que zelam pelas histórias da terra e do mar.
As mulheres que nascem na sementeira, destino... giram na flor.
Tão fecunda a água.
Cada praça, cada canto, cada pedra,
os sons batem no coração dessa mulher.
Mar de dentro chora,
chuva de dentro escorre as dores vizinhas dessa mulher.
Vai. Vem. Vem, Vai... é cheia.
Nos olhos dessa mulher a gestação de uns delicados.
O cheiro de amêndoas, a bacia branca de esmalte, a renda,
o rito da morte, o fogaréu, carne salgada e os pés no chão...
São vozes dessa mulher.
A vida inunda, a mulher sangra na pedra, um tambor,
alimenta com seu corpo a festa de amanhã, dança do mar, terra é fecunda,
um círio na escuridão.
Tem esse zum zum zum...
Toca esse zum zum zum...

 

 

30
Jun17

Alta Tensão

Talis Andrade


por Bruna Lombardi (texto e foto)

 

bruna-lombardi.jpg

 

 

 

 

eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo
passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.

26
Jun17

de Fernando Monteiro

Talis Andrade

 

fernando_monteiro2.jpg

 

 

A PORTA (ENTREABERTA)

Quando o sinal obscuro
separa um da multidão
e das quatro paredes
onde dormiria a alma incolor,
ele adquire sua nitidez e sua névoa
aos olhos dos outros:
— tanto que lá está,
entreaberta,
a porta do quarto
e a indeterminação de fascínio temeroso
não deixa prosseguir
o tímido amigo
admitido ao seu silêncio uma vez
(amargurando o incómodo calor
no peito,
que ficou também parado
a meio caminho da raiva
e da devoção)

Não entra, ele;
permanece fora,
alongando a pergunta
a qualquer um mais perto,
se devem entrar ou não,
enquanto procura que lhe baste
a visão do pulso descansado
e uma secção do dorso
(que passa pela feminilidade,
mas se afirma másculo
à mirada atenta
— percurso inquietante e indispensável
de sua graça)

onde pousa,
afinado
(antes da mão juvenil,
vincada precocemente
como por pensamentos
que também se espraiassem por ela)
marcado
por leve claridade da pele
onde não está a correia do relógio,
descuido ou descanso
como um selo
de sua estranha disposição de humildade,
suportação do mundo
e paciência
para com os homens opacos,
que são massa insuportável
ao gume de seu sonho
afiado nos olhos
("muito azuis", foi a cor
confundida com isso)
...........................................

O instante permitido à indecisão
e articulação da pergunta
se esgotaria,
não entrando ninguém,
como estava tácito.
E ele continuou separado,
entre as quatro paredes
que não o continham.


---

In Antologia de Antonio Miranda

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