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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

02
Mar20

Lula da Silva recebeu título de cidadão honorário em Paris

Talis Andrade

O antigo Presidente brasileiro Lula da Silva recebeu, esta tarde, em Paris, o título de cidadão honorário da cidade, 2 de Março.

O antigo Presidente brasileiro Lula da Silva recebeu, esta tarde, em Paris, o título de cidadão honorário da cidade que lhe tinha sido atribuído em Outubro do ano passado quando ainda estava preso.

Por RFI

No discurso no Hôtel de Ville em Paris, Lula da Silva disse que deve a sua liberdade a todos os que lutaram pela sua libertação durante 580 dias e agradeceu veementemente a solidariedade da cidade de Paris.

A distinção foi-lhe entregue pela presidente da Câmara Municipal de Paris, Anne Hidalgo, pela sua luta contra as desigualdades sociais, já que este título é atribuído a personalidades que se destacaram na defesa dos direitos humanos.

Hermano Sanches Ruivo, conselheiro-executivo da Câmara de Paris, explicou à RFI que a cidade de Paris também teve o seu papel na pressão para libertar Lula da Silva.

A distinção do ex-chefe de Estado brasileiro como cidadão honorário de Paris foi concedida pela Câmara Municipal da capital francesa em Outubro passado, quando Lula da Silva ainda se encontrava preso na cidade brasileira de Curitiba, onde cumpriu 580 dias da condenação de oito anos e dez meses de prisão por corrupção e branqueamento de capitais. Lula foi libertado a 8 de Novembro de 2019 na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal.

A condecoração foi concedida desde a sua criação, em 2001, em 17 ocasiões, para homenagear personalidades presas ou que corressem perigo devido às suas opiniões políticas, incluindo o ex-Presidente sul-africano Nelson Mandela, a escritora do Bangladesh Taslima Nasreen e a vencedora, em 2003, do Prémio Nobel da Paz, a iraniana Shirin Ebadi.

Esta segunda-feira, o antigo chefe de Estado participa, ainda, num comício da campanha para as autárquicas de Anne Hidalgo, acompanhado pela também ex-Presidente do Brasil Dilma Rousseff e pelo ex-candidato à presidência brasileira, em 2018, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad.

Esta terça-feira, Lula da Silva vai estar também em Paris no Festival Lula Livre em Paris” no Théâtre du Soleil, com vários artistas a subir ao palco como a actriz Marina Foïs, a cantora e actriz Agnès Jaouï e a cantora Helena Noguerra.

Lula da Silva vai ainda a Genebra e Berlim até 11 de Março para discutir a questão da desigualdade social com líderes políticos, sindicais e religiosos.

 

 

 

22
Set18

"O povo africano possui Mandela e Lula em seu imaginário"

Talis Andrade

 

 

Em entrevista exclusiva à TV 247, o senegalês Pierre Sané, ex-secretário geral da Anistia Internacional, destaca a intensa relação de Lula com a África; "O povo africano possui Mandela e Lula em seu imaginário, fruto das políticas que o ex-presidente promoveu no continente", afirma; Sané avalia ainda a prisão de Lula como política; "Está claro que querem impedi-lo de participar das eleições", constata, ressaltando que o Brasil "deve acatar a decisão da ONU"; assista"

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Ex-secretário-geral da Anistia Internacional, o senegalês Pierre Sané defendeu, numa importante entrevista exclusiva à TV 247, que o ex-presidente Lula "merece ganhar o Nobel da Paz". Na conversa com o jornalista Leonardo Attuch, ele afirma que o povo africano admira Lula tanto quanto Mandela, fruto das políticas que o ex-presidente promoveu na África. "Está claro que querem impedi-lo de participar das eleições", constata, ressaltando que o Brasil "deve acatar a decisão da ONU".

 

O ex-secretário enumera dezenas de feitos que Lula promoveu no Brasil e na África, destacando seus projetos de combate à fome, distribuição de riqueza e acesso a bens básicos. “Ele merece de fato ganhar o Prêmio Nobel da Paz”, defende.

 

“Ele promoveu uma política externa voltada para a África, reforçando os laços do Brasil com os países que compõe o continente, com base em uma cooperação de igual para igual, principalmente na luta contra a fome e a pobreza”, relata.

 

O entrevistado relembra outro grande gesto de Lula. “O ex-presidente visitou particularmente a ilha de Goré, local que simboliza o tráfico de escravos, e em nome do Brasil ele pediu perdão à África, por conta da escravidão, reconhecendo a responsabilidade de seu País”, ressalta.

 

Sané destaca que há dois homens políticos no mundo que marcaram o imaginário africano: Nelson Mandela e Lula. Para o seu povo, explica, o Brasil também é um país africano, já que metade de sua população é afrodescendente.

 

Questionado sobre a prisão de Lula, Sané afirma que apoia a decisão da Organização das Nações Unidas (ONU), defendendo que o ex-presidente tenha seus direitos políticos garantidos. “Infelizmente, em muitos países, a justiça é instrumentalizada por aqueles que estão no poder, mas o árbitro final ao nível internacional são as Nações Unidas. Considero que ele encontra-se em cárcere para não participar das eleições”, explicita.

 

“Não seguindo as orientações da ONU, o Brasil perde prestígio internacionalmente, perdendo credibilidade e reputação”, acrescenta.

 

18
Jul18

Lula e Mandela

Talis Andrade

 

lula mandela.jpg

 

 

Cem anos após o nascimento de Nelson Mandela, a África do Sul presta homenagem nesta quarta-feira (18) a este ícone da luta contra o Apartheid com uma marcha simbólica liderada por sua viúva, Graça Machel, e um fórum organizado pelo ex-presidente americano Barack Obama.


Todos os anos, o "Mandela Day", que marca o nascimento em 18 de julho de 1918 de "Madiba", o apelido do líder sul-africano, é comemorado em todo o mundo. "Atuem, inspirem-se na mudança, façam de cada dia um Dia Mandela", exorta a fundação que leva seu nome.


Na terça-feira (17), em um discurso em um estádio em Joanesburgo para 15.000 pessoas, o ponto alto das comemorações em homenagem a "Madiba", Barack Obama lembrou "a onda de esperança que tomou conta do mundo" depois da libertação de Mandela em 2 fevereiro de 1990, após 27 anos de prisão.


Quatro anos depois, sem derramar sangue após décadas de um regime racista branco, Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul, cargo que ocupou até 1999.

 

Cem anos do nascimento de Mandela.

 

Cem dias de Lula preso político.

 

Lula e Mandela presos políticos sim 

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por Adriana Dias


Ontem, ao postar que Mandela era comunista, algumas pessoas me mandaram mensagem privada afirmando que eu estaria “manchando” (para não reproduzir exatamente o que foi dito, por educação), a imagem do grande líder da África do Sul.

 

Surpreendida que fui com a desinformação reinante, achei melhor escrever sobre a prisão dele, e traçar um paralelo entre alguns aspectos de sua prisão e a de Lula, ambas políticas.

 

A prisão de Mandela em 1964 chocou o mundo, mas não foi a primeira vez que ele enfrentou o sistema judicial anti-democrático, branco e elitista de seu país. Ele havia sido preso, anteriormente, assim como Lula, na sua primeira prisão, por liderar uma greve.

 

Depois de liberto, na medida em que sua popularidade crescia, Mandela foi acusado e preso novamente. Antes que me digam que Mandela não foi presidente antes de ser preso, porque obviamente eu sei disso, ele não o foi porque o sistema político de seu país o impedia, o apartheid não permitia esse direito. Mandela era comunista. Mandela estudou minuciosamente os escritos de Mao e de Che Guevara.

 

O que impressiona na denúncia que levou Mandela à prisão em 1964 é que ele foi acusado de sabotagem, por “promover o comunismo e solicitar, aceitar e receber dinheiro tanto dentro como fora da África do Sul”. Sim, Mandela foi acusado de ser “comunista e corrupto”, e foi isso que o levou à prisão.

 

Mandela foi preso político, sua prisão foi uma criação midiática apoiada pelo judiciário de seu país. Assim como ele, Lula também é um prisioneiro político, e as mentiras que levaram à sua prisão foram criadas pela mídia, numa narrativa perversa, apoiada pelo judiciário do nosso país. E sim, o nosso judiciário é elitista e branco, e nada, nada democrático. Vivemos um imenso apartheid social. Se ele não está na lei, está nos fatos.

 

Se você não sabe também, o grupo que comprou parte da Revista Veja, o Naspers, foi um dos apoios do regime racista. O Naspers surgiu em 1915 com o nome de Nasionale Pers. Por quase um século permaneceu como o grupo midiático que sustentou o Partido Nacional, o nojento recurso das elites africâneres que manteve o apartheid na África do Sul. O grupo teve membros indicados a Ministros de Estado durante o regime, e jamais se desculpou por isso. Sabe-se também que diretores do Naspers foram simpatizantes do nazismo. Outras empresas brasileiras são controladas pela Naspers ou a tem como acionária. A Naspers nunca se desculpou por sua ação no regime sul africano.

Posto aqui uma foto de um jornal da época da prisão de Mandela.

 

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16
Jul18

“Você não está só”: canção coloca Lula ao lado de Gandhi, Mandela, Rosa Parks e Luther King

Talis Andrade

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Nelson Mandela e Lula em Maputo, 2008. FOTO RICARDO STUCKERT

 

O músico e produtor brasileiro Daniel Téo, nascido em Chapecó-SC e radicado nos Estados Unidos há sete anos, compôs uma belíssima música para o ex-presidente Lula. O tema serviu como trilha sonora de um inspirador e emocionante vídeo – também produzido por Daniel e sua equipe – publicado justamente no domingo 8, dia em que uma nova injustiça foi cometida contra o petista, que viu a Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro rasgarem a Constituição para impedir o cumprimento de uma ordem judicial que determinava a sua libertação.

 

No melhor estilo das canções de protesto dos anos 1960, a letra, composta no dia da prisão de Lula, 7 de abril, coloca Lula ao lado de outras lideranças globais históricas e contemporâneas que sofreram injustiças, perseguições ou foram vítimas de violência, como Nelson Mandela, Dalai Lama, Desmond Tutu, Mahatma Gandhi, Rosa Parks, Martin Luther King, John Lennon, Malala e Woody Guthrie, entre outros.

 

O artista conta que está buscando alguma forma de doar parte do que ganha com o seu trabalho – através do download de suas músicas nas plataformas de música digital e no youtube, por exemplo – para fortalecer a vigília permanente instalada em Curitiba em prol da liberdade de Lula. Outra opção seria apoiar o Instituto Lula, que tem enfrentado dificuldades para se manter por conta da perseguição judicial.

 

You’re not Alone

You’re not alone,
Together we are stronger
We know a better way of winning.

 

Can’t you hear me y’all God,
there ain’t no walls for dreamers
they can’t keep us from dreaming

 

Hey you in the valley
Come to the top of the hill
Lets bring our hands together
Lets chant down the avenue for:

 

Tutu, Gandhi, Parks, King,
Joseph, Douglas, Paine, Anthony.
For Lula, Lennon, Malala, Dalai Lama,
Mandela, Simone, Guthrie!

 

You gotta wake up!
Shut down the noise sister
You got the vision.

 

Don’t give up to fear
We’re gonna be standing here,
They can’t divide us.

 

Hey you in the valley
Come to the top of the hill
Lets bring our hands together
Lets chant down the avenue for:

 

Tutu, Gandhi, Parks, King,
Joseph, Douglas, Paine, Anthony.
For Lula, Lennon, Malala, Dalai Lama,
Mandela, Simone, Guthrie.

 

 

 

15
Mai18

Lutar para que haja vida digna para todos e não só para alguns à custa dos outros

Talis Andrade
A grandeza de um político se mede pela grandeza de sua causa. E a causa tem que ser produzir vida para todos a começar pelos que menos vida têm

Leonardo Boff: Encontro com Lula na prisão. Espiritualidade e política

 

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A longa espera para ver o amigo. A tentativa dos juizes Carolina Lebbos e Sergio Morro de humilhar Leonardo Boff e Lula 

 

No dia 7 de maio cumpriam-se 30 dias de prisão do ex-presidente Lula. Foi-lhe concedida pela primeira vez receber a visita de amigos. Tive a honra de ser o primeiro a encontrá-lo pela amizade de mais de 30 anos e pela comunhão de causa: a libertação dos emprobrecidos e para reforçar a dimensão espiritual da vida. Cumpri o preceito evangélico:”estava preso e me visitaste”.

Encontrei-o como o conhecemos fora da prisão: rosto, cabelo e barba, apenas levemente mais magro. Os que queriam vê-lo acabrunhado e deprimido devem se decepcionar. Está cheio de ânimo e de esperança. A cela é um amplo quarto, muito limpo, com armários embutidos, banheiro e chuveiro numa área fechada. A impressão é boa embora viva numa solitária, pois, à exceção dos advogados e dos filhos, só pode falar com o guarda de origem ucraina, gentil e atento, que se tornou um admirador de Lula.Traz-lhe as marmitas, ora mais mais quentes ora mais frias e café, sempre que solicita. Lula não aceita nenhum alimento que os filhos lhe que trazem, porque quer se alimentar como os demais presos, sem nenhum privilégio. Tem seu tempo de tomar sol. Mas ultimamente, enquanto o faz, aparecem drones sobre o espaço. Por precaução Lula logo vai embora, pois não se sabe qual seja o propósito destes drones, fotografá-lo ou, quem sabe, algo mais sinistro.

O importante foi a conversação de natureza espiritual na qual se misturavam observações políticas.. Lula é um homem religioso, mas da religiosidade popular para a qual Deus é uma evidência existencial. Encontei-o lendo um livro meu, “O Senhor é meu pastor”,(da Vozes) um comentário do famoso salmo 23 o mais lido dos salmos e também por outras religiões. Sentia-se fortificado e confirmado, pois a Bíblia geralmente critica os pastoes políticos e exalta aqueles que cuidam dos pobres, dos órfãos e das viúvas. Lula se sente nesta linha, com suas política sociais que beneficaram a tantos milhões. Não aceita a crítica de populista, dizendo: eu sou povo e vim do povo e oriento o mais que posso a política para ele.

Na cabeceira da cama há um crucifixo. Aproveita o tempo de reclusão estrita para refletir, meditar, rever tantas coisas de sua vida e aprofundar as convicções fundamentais que dão sentido a sua ação política, aquilo que sua mãe Lindu (que a sente como um anjo protetor e inspirador) sempre lhe repetia: sempre ser honesto e lutar e mais uma vez lutar. Vê nisso o sentido de sua vida pessoal e política: lutar para que haja vida digna para todos e não só para alguns à custa dos outros. A grandeza de um político se mede pela grandeza de sua causa, disse enfaticamente. E a causa tem que ser produzir vida para todos a começar pelos que menos vida têm. Em função disso não aceita derrotas definitivas. Nem quer cair de pé. O que não quer é cair. Mas manter-se fiel a seu propósito de base e fazer da política o grande instrumento para ordenar a vida em justiça e paz para todos, particularmente aos que vivem no inferno da fome e da miséria.

Esse sonho possui grandeza ética e espiritual inegável. É à luz destas convicções que se mantém tranquilo, pois diz e repete: vive desta verdade interior que possui força própria e vai se revelar um dia. “Só quero”, comentava, “que seja depois de minha morte, mas ainda em meu tempo de vida”. Indigna-se profundamente por causa das mentiras que divulgam contra ele e sobre elas montaram o processo do triplex. Pergunta-se, como podem as pessoas mentirem conscientemente e poderem dormir em paz? Faz um desafio ao juiz Sérgio Moro: “apresente-me uma única prova sequer, de que sou dono do triplex de Guarujá. Se aprensentar renunciarei à candidatura à presidência”. Recomendou-me que passasse esse recado à imprensa e aos que estão no acampamento:“Sou candidatíssimo. Quero levar avante o resgate dos pobres e fazer das política sociais em prol deles, políticas de Estado e que os custos que são investimentos entrem no orçamento da União. Irei radicalizar estas políticas para os pobres, junto com os pobres e dignificar nosso país”.

A meditação o fez entender que esta prisão possui um significado que transcende a ele, a mim e às disputas políticas. Deve ser o mesmo preço que Gandhi e Mandela pagaram com prisões e perseguições para alcançarem o que alcançaram. “Assim creio e espero”, dizia, “que é o que estou passando agora”.

Eu que entrei para anima-lo, saí animado. Espero que outros também se animem e gritem o “Lula livre” contra uma Justiça que não se mostra justa.

 

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