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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

25
Ago21

Bolsonaro e a grave denúncia de ensaio clandestino da droga proxalutamida no Rio Grande do Sul

Talis Andrade

“ESTUDO” SEM ÉTICA E SEM CIÊNCIA

 

por Leila Salim e Raquel Torres /Outra Saúde

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A denúncia é grave. No Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre, pacientes internados com covid teriam sido usados como cobaias para a realização de testes com proxalutamida – a “nova cloroquina” de Bolsonaro – feitos sem autorização da Anvisa e marcados por irregularidades e violações de todo tipo. Os problemas vão desde fragilidades na obtenção do consentimento dos pacientes para participação na “pesquisa” até a ausência de vínculo com a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), passando pela infração das normas sanitárias para uso de medicamentos no Brasil. 

O furo é do Matinaljornal digital de Porto Alegre surgido em 2019. Se confirmadas, as informações darão forma a um novo capítulo dos horrores praticados durante a pandemia no Brasil. 

A extensa reportagem ouviu médicos e pacientes do hospital, fontes próximas aos responsáveis pela condução dos testes e os órgãos públicos que deveriam estar envolvidos em pesquisas desse tipo. As fontes confirmam que os testes irregulares foram conduzidos em março, antes mesmo que a proxalutamida tivesse autorização da Anvisa para ser importada ao Brasil e testada em seres humanos. 

Uma policial militar, cujo nome foi protegido, contou que deu entrada na instituição em estado grave e foi imediatamente abordada por dois capitães-médicos, que lhe propuseram a participação no “estudo”. Zonza e sem tempo hábil para estudar as condições e implicações da proposta, aceitou. E assinou um suposto termo de consentimento, ao qual nunca mais teve acesso. Ela só foi saber o que era e como funcionava o medicamento quando teve alta, voltou para casa, de alta do hospital, e pesquisou por conta própria. E não teve qualquer tipo de acompanhamento pós-internação.

A explicação aos pacientes teria sido que a “pesquisa” buscava um uso off-label (diferente do previsto em bula), para o medicamento. O detalhe é que a proxalutamida nunca foi registrada para uso comercial pela Anvisa e, por isso, sequer tem bula. Ela é considerada um fármaco experimental, já que não teve seu uso comercial aprovado em nenhum país. 

Criada inicialmente para tratar câncer de próstata e de mama em estágios avançados, a proxalutamida atua inibindo os efeitos de hormônios masculinos no corpo. Alguns pesquisadores sustentam a ideia de que a droga poderia frear o avanço do coronavírus no organismo humano, já que ele infecta as células usando moléculas que podem ser estimuladas por esses hormônios. A hipótese, no entanto, é bastante questionada entre a comunidade científica e o medicamento não teve eficácia comprovada

A estimativa é que cerca de 50 pacientes tenham sido submetidos aos testes irregulares. Christiano Perin, major-médico que foi chefe da UTI da instituição até 2016, foi apontado por fontes do Matinal como um dos líderes do experimento. Ouvido pela reportagem, negou. E citou outros dois médicos como responsáveis pela empreitada: o endocrinologista Flávio Cadegiani e o infectologista Ricardo Zimerman, influenciadores conhecidos nas redes sociais por defenderem o “tratamento precoce” e questionarem a eficácia das vacinas. 

Os currículos dos dois têm outra passagem honrosa: a participação na pesquisa que sustentou a criação do famigerado TrateCov, aplicativo do Ministério da Saúde que receitava cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina a esmo e que durou apenas dez dias no ar. 

Cadegiani foi também diretor clínico da Applied Biology – a empresa que registrou a patente do tratamento experimental com a proxalutamida contra a covid-19, e que, portanto, lucraria com a aprovação. No ano passado, segundo a reportagem, foi ele quem representou a empresa, junto a seu presidente, em reunião com o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes,  para tentar emplacar o uso do medicamento no combate à covid-19 no Brasil. Para terminar de ligar os pontos: a mesma Applied Biology detém patentes de tratamentos contra a calvície no Brasil. E o TrateCov, curiosamente, incluiu na anamnese dos pacientes com covid perguntas sobre… calvície. Pois é. 

Em tempo: após a publicação da reportagem, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul abriu inquérito civil público para apurar a existência do ensaio clínico supostamente clandestino, diz a jornalista Malu Gaspar, n’O Globo. A ver.

PARA A LISTA DAS INCERTEZAS

Estudos sobre o desempenho de vacinas contra a Delta têm se multiplicado nas últimas semanas, e ontem o CDC (Centro de Controle e Doenças dos Estados Unidos) divulgou mais um. Os pesquisadores acompanharam cerca de quatro mil profissionais de saúde, socorristas e outros trabalhadores essenciais em seis estados, testando-os semanalmente de dezembro de 2020 a agosto de 2021. E viram sinais de declínio na proteção: ela era de 91% até abril, antes da emergência da Delta, e foi para 66% depois que a variante apareceu no país. Os resultados foram ajustados para fatores como circulação do vírus, frequência de contato social e uso de máscaras, que impactam a efetividade das vacinas.

Quando olhamos para essas novas pesquisas, é preciso atentar para o que exatamente elas estão considerando como uma infecção, como observa Müge Çevik, virologista da Universidade de St Andrews. Os ensaios clínicos usados para testar as vacinas em uso hoje foram desenhados para medir a eficácia contra doença sintomática, e é a isso que se referem aqueles valores de eficácia que tínhamos no começo das campanhas vacinais. Já os estudos de vida real, com milhões de pessoas vacinadas, permitem avaliar como os imunizantes estão se saindo em determinadas populações, em determinados lugares, e também trazem informações valiosas sobre a proteção contra hospitalizações e mortes.

No trabalho divulgado pelo CDC, os números encontrados se referem tanto a infecções sintomáticas como assintomáticas. Claro, isso também era verdade no começo do estudo, quando se observou que os vacinados tinham 91% menos chance de ter um teste positivo. No entanto, após a emergência da Delta (quando a queda foi observada), 95% das infecções detectadas nos não-vacinados foram sintomáticas, enquanto, no grupo vacinado, foram 75%. Para o período anterior à Delta, essas proporções não são informadas. Além disso, os autores afirmam que os resultados devem ser interpretados com cautela, porque o período do estudo que envolveu o predomínio da Delta foi curto e porque o número geral de infecções foi pequeno. Essas observações não significam que a pesquisa não seja importante, mas que seus resultados não são definitivos.

Os autores também ressaltam que os dados não deixam claro se a possível queda na proteção foi causada pela Delta ou pelo tempo decorrido desde o início da vacinação. E, também em relação a isso, faz diferença levar em conta se estão sendo avaliadas infecções com e sem sintomas, aponta Cevik: “A proteção contra doenças sintomáticas é mais fácil de se obter do que contra infecções, porque, enquanto os anticorpos neutralizantes diminuem ao longo do tempo, a imunidade protetora fornecida pelas células T e B de memória é preservada e deve ser de longa duração”.

De acordo com ela, as evidências até agora mostram que o desempenho das vacinas da Pfizer/BioNTech, Moderna e AstraZeneca continua alto contra hospitalizações e infecções sintomáticas causadas pela Delta, ainda que, para doença sintomática, haja de fato um declínio em comparação com a variante Alfa.

UMA AJUDINHA DE RICARDO BARROS

Emanuel Catori, sócio da Belcher Farmacêutica, reconheceu ontem que foi Ricardo Barros quem o ajudou a ter aceso ao Ministério da Saúde. A Belcher tentou vender à pasta 60 milhões de doses da vacina Convidecia, do laboratório chinês CanSino – e no dia 4 de junho uma intenção de compra foi assinada pelo secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros.

À CPI, o empresário disse que o líder do governo Bolsonaro na Câmara convidou a Belcher para participar de uma reunião na sede do Ministério, com Marcelo Queiroga. Mas ele negou ter sido beneficiado por Barros, afirmando que, naquele encontro, havia também outros empresários. Além disso, repetiu a versão de Barros de que a reunião não foi sobre vacinas. Segundo Catori, na época ele ainda não representava a CanSino e tratou apenas da venda de medicamento antiviral. Bom…  Quatro dias depois da reunião, a Belcher assinou o contrato para representar o laboratório no Brasil.

Tem mais. Catori afirmou aos senadores que as tratativas com o laboratório não chegaram a envolver os termos da remuneração – e o contrato foi rompido antes que o assunto viesse à baila. Mas não é o que diz o fabricante: “Eu posso confirmar que a Belcher vinha negociando uma comissão com base em número de doses, que nós estávamos tentando trazer para proporções aceitáveis e realistas”,  garante Pierre Morgon, vice-presidente de Negócios Internacionais da farmacêutica chinesa CanSino, ao Valor

ACABAR COM ISSO DAÍ

Jair Bolsonaro entrou com uma ação no STF contra a lei que determina a indenização de profissionais de saúde que tenham ficado  incapacitados permanentemente pela covid-19. Hoje, a regra é que sejam pagos R$ 50 mil a esses trabalhadores; no caso de óbito, o valor é direcionado aos dependentes. 

O projeto foi aprovado pelo Congresso no ano passado, mas já na época Bolsonaro o vetou integralmente, como comentamos aqui. Em março deste ano, os parlamentares conseguiram derrubar o veto e a lei foi promulgada, passando a valer imediatamente. A ação, apresentada ontem pela Advocacia-Geral da União, alega que a lei trouxe insegurança jurídica e criou despesas sem estimativa de custos.

Cerca de 50 pessoas internadas no hospital público em março deste ano teriam recebido a droga. Foto: Osmar Nólibus / BM. Transcrito do Combate

 

09
Ago21

Clima na PGR é de revolta com a proteção de Augusto Aras aos crimes do bolsonarismo

Talis Andrade

TRIBUNA DA INTERNET | Sem a menor base legal, Aras avisa que vai arquivar  os pedidos de impeachment de Bolsonaro

247 – A blindagem oferecida pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, a Jair Bolsonaro, que já cometeu dezenas de crimes de responsabilidade na presidência da República, como suas frequentes quebras de decoro e ameaças ao processo eleitoral, abriu um clima inédito na PGR de revolta. "A crescente adesão de subprocuradores a manifestos cobrando providências do Procurador-Geral da República, Augusto Aras, contra os ataques de Jair Bolsonaro à urna eletrônica e ao STF, mostra que a insatisfação da cúpula do Ministério Público Federal com o líder da instituição atingiu níveis inéditos. Os subprocuradores são membros do MP que atuam nas cortes superiores, como o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça", informa a jornalista Malu Gaspar, em sua coluna no Globo.

"Só as duas últimas manifestações – uma divulgada na última sexta-feira e outra, em meados de julho – reúnem assinaturas de 36 subprocuradores. Há ainda um grupo menor, de quatro a cinco, que não subscrevem documentos, mas atuam na mobilização dos colegas. Somados, são entre 40 e 41 subprocuradores, de um total de 73 em atividade", diz ainda a jornalista.

Charge: Passando a mão. Por Aroeira

21
Jun21

Pazuello, a “coisa de internet” e a distorção fascista da linguagem

Talis Andrade

 

bolsonaro um-manda-20-maio-ildo-nascimento.jpg

 

por Sylvia Debossan Moretzsohn /Objethos

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“Jamais alguém pôs em dúvida que verdade e política não se dão muito bem uma com a outra, e até hoje ninguém, que eu saiba, incluiu entre as virtudes políticas a sinceridade”.

Gosto de recordar esta afirmação de Hannah Arendt na abertura de seu ensaio sobre “Verdade e Política”, publicado originalmente há quase setenta anos, para desfazer algumas ilusões que costumam acompanhar as esperanças sobre a ética na política. Sempre achei curioso o espanto diante do recrudescimento da mentira deslavada dos tempos atuais, a ponto de se inventar a expressão “pós-verdade” para defini-los. Afinal, Arendt viveu o nazismo, quando a mentira deslavada era a regra. Mas nem em tempos de democracia se pode imaginar que prevaleça a sinceridade – ou a “transparência”, como está na moda dizer –, dado que a política envolve interesses e, por isso, segredos. Inevitavelmente, em qualquer época histórica.

Mas também deveria ser evidente que em uma democracia as coisas decorrem de outra forma, diferentemente do momento atual em países como o Brasil e, até recentemente, os Estados Unidos então comandados por Trump. E a tecnologia digital favoreceu enormemente a ascensão e o protagonismo desse tipo de liderança demagógica, com uma penetração muito distinta da do período pré-internet, devido à possibilidade de selecionar algoritmicamente o público a ser atingido e, mais ainda, formar bolhas para blindá-lo de ações que possam eventualmente despertar-lhe alguma dúvida em relação às informações distorcidas que recebe.

É aí que se insere a tentativa de defesa do general Pazuello, na CPI da Covid. Especialmente sua resposta sobre o cancelamento da compra de 46 milhões de doses da Coronavac, em outubro do ano passado, que ele mesmo havia comemorado, para logo depois dizer, sem qualquer constrangimento, que “um manda, o outro obedece”. Na época, o destaque da notícia foi para a humilhação de um general subordinado a um capitão.

um manda outro obedece.jpg

 

Agora, diante dos senadores, o general alegava que a manifestação de Bolsonaro, num tuíte em resposta ao protesto de um de seus apoiadores contra a compra da vacina chinesa, era apenas uma postagem na internet. Questionado, disse que uma coisa era falar publicamente, outra era dar uma ordem a um ministro. E não importava se, por alguma incrível coincidência, essa ordem supostamente não dada acabou sendo cumprida, ainda por cima arrematada com aquela declaração sorridente sobre quem manda e quem tem juízo.

Das muitas mentiras descaradas na CPI, esta foi das que mais repercutiram na imprensa. José Casado, na Veja, ironizou a revelação do “avatar político” do presidente: “pela descrição do ex-ministro da Saúde, existe o Bolsonaro real e o Bolsonaro avatar. Um manda, o outro não. E ambos nem sempre estão de acordo”. Malu Gaspar, no Globo, lembrou que Pazuello havia tentado se esquivar do depoimento à CPI mas, diante da decisão do STF – de que ele poderia, sim, ficar calado sobre o que se referia a suas ações durante a pandemia, mas teria de responder, sem mentir, ao que dissesse respeito a outras pessoas –, “produziu uma inovação simbólica dos tempos que vivemos: a ‘coisa de internet’”.

Era sempre como reagia, a cada questionamento sobre uma ordem de Bolsonaro contra a compra de vacinas ou pela adoção da cloroquina como “tratamento precoce”: tudo “coisa de internet”, bravatas, balelas que não se deveria levar a sério.

É claro que é fundamental desmontar a farsa produzida pelo general nessa encenação comum a toda CPI – embora sejam raros os que apontem a aberração da obediência a esses rituais num momento de urgência que o próprio tema do inquérito impõe, porque as pessoas estão morrendo aos milhares todos os dias –, mas o principal ficou por dizer: a “coisa de internet” não é uma banalidade, é decisiva na condução da política e facilita a operação da inversão discursiva já apontada em clássicos da literatura como 1984, de George Orwell, ou no estudo de Victor Klemperer sobre a Linguagem do Terceiro Reich.

O primeiro a se notar nessa “coisa da internet” é a facilidade de se editar informações de maneira distorcida, ou simplesmente produzi-las para fazer propaganda – como se pode ver aqui no levantamento da agência Aos Fatos – e enviá-las a determinado público, para que ele se convença do contrário do que de fato ocorreu e ajude a disseminar a mentira.

Mas o mais importante é a formação de referências para a sedimentação dessa operação de inversão discursiva, já visível na campanha eleitoral de 2018 – o programa de Bolsonaro denunciava o que o próprio candidato praticava contra seus oponentes e, no mesmo estilo de Trump, alertava para as alegadas fake news de que estaria sendo vítima, prometendo restabelecer “a verdade” – e na crítica às instituições, entre elas a imprensa, numa apropriação canhestra da crítica historicamente produzida por pesquisadores, na academia e fora dela. 

O mais relevante em todo esse processo é a apropriação da ideia de dúvida, esvaziada da fundamentação iluminista original. Durante a pandemia isso ficou mais visível porque nem os especialistas tinham certezas a oferecer. No estudo “Ciência contaminada: analisando o contágio de desinformação sobre coronavírus via youtube”, publicado há um ano, em maio de 2020, o Laut (Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo) dava como um dos exemplos o canal “Desperte – Thiago Lima”, que na época contava com mais de 1 milhão de assinantes e misturava símbolos místicos a apelos racionais: “Pense”, “Raciocine”, “Faça a sua escolha”.

São apelos visíveis em perfis bolsonaristas na internet, que formalmente assumem o valor da racionalidade para invertê-lo e degradá-lo, do mesmo jeito que Bolsonaro justifica suas sucessivas ofensas à democracia como forma de defendê-la, ou como os vídeos que circularam no início deste ano, contestando o uso de máscara, o lockdown ou a vacinação e exaltando a liberdade individual. “Paz sem voz é medo”, dizia-se num desses vídeos, numa evidente distorção do famoso verso de Marcelo Yuka.

Mais ou menos na mesma época em que Hannah Arendt escrevia seu ensaio sobre Verdade e Política, Lukács publicava A Destruição da razão – traduzido para o português apenas em 2020 –, em que desenvolvia uma teoria crítica dos fascismos em geral e do nazismo em particular, buscando entender, no campo filosófico, o caminho que a Alemanha percorreu até eleger Hitler. Observava que a emergência do irracionalismo naquela época tinha suas raízes na vida cotidiana das massas.

Em momentos dramáticos como o que estamos vivendo, é muito difícil encontrar serenidade para refletir. Mas é exatamente nesses momentos que a reflexão é mais necessária. É preciso entender melhor os mecanismos históricos de apropriação, deturpação e degradação da linguagem, que se repetem agora com recursos mais sofisticados proporcionados pela tecnologia digital, para tentar enfrentar a barbárie.

Não creio que haja saída fora da identificação do que se enraizou “na vida cotidiana das massas”, a ponto de vermos cartazes afirmando que Bolsonaro foi escolhido por Deus – e me parece ocioso assinalar o tamanho da regressão que essa simples frase indica, como negação dos ideais republicanos que há mais de dois séculos demoliram a justificativa do poder por direito divino.Presidente Bolsonaro, o escolhido por DEUS - Home | Facebook

Perceber o papel da religião nesse processo – como faz, por exemplo, Evandro Bonfim num artigo recente, sobre “O espírito santo e o ‘rei do fim do mundo’”, mostrando as raízes arcaicas da mobilização do apoio a Bolsonaro – pode ser um bom início para reorientar o esforço de esclarecimento, empreendido por tantas e tão distintas iniciativas de combate à mentira.A cristologia cristofascista de Jair Bolsonaro - CartaCapital

 

28
Mai21

Bolsonaro e Pazuello debocham de comandantes militares

Talis Andrade

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247 - A jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, escreve artigo nesta sexta-feira (28) afirmando que há uma relação de “deboche” de Jair Bolsonaro e o ex-ministro Eduardo Pazuello com o Alto Comando do Exército, após o ex-titular da Saúde participar de um ato político bolsonarista, ação que é proibida no Exército. 

“O artigo 45 do estatuto militar é claro: ‘São proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político.’; E o que fez Pazuello no último domingo?; Foi ao Rio de Janeiro, embrenhou-se na multidão até chegar ao palanque de Jair Bolsonaro e subiu. Uma vez em cima do palco, tirou a máscara, colou-se ao presidente da Republica, que o apresentou como um ‘gordo do bem’, ‘ministro que conduziu com muita responsabilidade os últimos meses aí’, e lhe passou o microfone; Entre risos, aplausos para o povo e sinais de positivo, Pazuello bradou em tom de animador de auditório. Fala galera! Eu não ia perder esse passeio de moto de jeito nenhum.Tamo junto! Parabéns a vocês, parabéns a galera que tá aí prestigiando o PR (Presidente da República)! PR é gente de bem! Abraço galera!”, relembra a jornalista.

 

Malu ainda destaca em seu artigo que, “ainda assim, ao longo desta quinta-feira, brotou no bolsonarismo e foi sustentada pelo ‘PR’ a tese de que o tal ato não era político. Pazuello inclusive sustentou nesse argumento sua defesa no procedimento disciplinar do Exército; Não vale nem a pena gastar caracteres debatendo tamanha asneira. Mas, ainda que fosse verdade, não bastaria para resolver o problema de Pazuello com os comandantes militares; Basta confrontar a regra para saber que o ato de insubordinação foi inequívoco. Tanto o capitão Bolsonaro como o general de intendência Pazuello sabem disso. E não apenas sabem como ignoraram deliberadamente os códigos da caserna, para depois debochar deles como quem tem a certeza de que não haverá maiores consequências”. 

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