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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

10
Out20

Fim da Lava-Jato e a nova Arena de Bolsonaro

Talis Andrade

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Por Rodrigo Vianna

- - -

"Não vai ficar pedra sobre pedra".

A frase de Dilma, dita alguns meses antes do Golpe de 2016, ecoa como uma espécie de maldição.

Os golpistas foram soterrados, um a um.

Eduardo Cunha (MDB-RJ), comandante da tropa de choque no Congresso, segue preso. 

Aécio Neves (PSDB-MG) experimenta a morte política em vida, e nesta semana chegou a ser renegado pela candidata do PSDB em Belo Horizonte. 

Os tucanos paulistas José Serra e Aloysio Nunes, fiéis servidores do governo golpista de Michel Temer (MDB), foram denunciados judicialmente e caminham para o ocaso humilhante.

O Golpe de 2016, como se sabe, reuniu várias forças: o lavajatismo de Curitiba, a covardia do PSDB, o oportunismo do MDB... tudo com patrocínio de Washington, e sob auxílio luxuoso da Globo e de seus satélites na imprensa. 

A Globo e o que sobrou da Abril, aliás, também colhem o que plantaram: vivem crise financeira e perdem relevância. 

Faltavam os lavajatistas. 

Nas últimas semanas, Deltan powerpoint Dallagnol disse adeus à ribalta; e Sérgio camisa preta Moro pode dar adeus ao Brasil: a mulher dele anuncia que o ex-juiz sente-se intimidado pelo bolsonarismo que ele e os garotos curitibanos ajudaram a fomentar. 

Nos EUA, certamente, Moro e a conje andarão em agradável cia.

O resumo da opereta é que o poder não se consolidou nas mãos dos golpistas "liberais", mas caiu no colo da extrema-direita - que teve papel marginal (em vários sentidos) no processo de 2016.

A Lava-Jato e Moro, o PSDB e Temer, a Globo com kamels/mervais e outras miniaturas jornalísticas: todos eles perderam importância.

A extrema-direita mostra-se muito mais habilidosa do que supunham tucanos e estrategistas do Jardim Botânico. 

E aí entramos na segunda parte desse artigo...

A Nova Arena

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Em maio de 2020, Bolsonaro flertou com o golpe e com um regime abertamente fascista. Foi contido.

Mas a pandemia deu a ele a chance de livrar-se do lavajatismo, lançando também ao mar alguns incômodos personagens marginais (em vários sentidos): allans, copollas, malafaias, olavos e saras agora choram pelos cantos.

Falta resolver a equação econômica: aparentemente, fica o neoliberalismo, mas sem os "exageros" de Paulo pinochet Guedes.

É como se tivéssemos dois governos Bolsonaro:

- o primeiro ano e meio reuniu lavajatismo, ultraliberalismo, terraplanismo e todo tipo de delinquência moral e política;

- a partir de agora, temos um bolsonarismo "contido" (mas não menos perigoso).

O abraço em Toffoli, a nomeação de Kassio Nunes para o STF e a reunião com os gorduchos garotos da velha política: são símbolos dessa nova fase.

É preciso lembrar que o regime militar de 1964 levou quase dois anos para organizar uma base institucional que só em 1966 passaria a flutuar em torno da Arena - o fiel partido da ditadura reunia caciques regionais, militares, direita tecnocrática e anticomunista, além de uma ampla gama de oportunistas provincianos; nos anos 1980, trocou de nome para PDS.

Bolsonaro parece lançar-se na construção de um novo "Arenão".

Abandona a ideia de um partido ideológico (o tal Aliança Brasil naufragou, não houve coleta de assinaturas suficientes), e prefere abraçar-se com as forças que já estão aí - desde 1500.

No Arenão, cabem: o PP, o PSD de Kassab, o Republicanos de Edir Macedo. 

E, ao que parece, sobra espaço para acomodar o DEM de Maia e Alcolumbre. 

Reparemos que são todos eles "filhotes" do velho partido da ditadura.

O PP é descendente direto da Arena/PDS. Já o DEM é a continuação do PFL (dissidência da Arena/PDS que permitiu eleger Tancredo/Sarney em 1985). O PSD de Kassab por sua vez é uma costela do DEM.

Ao se observar o mapa eleitoral de 2020, nota-se que o "bolsonarismo raiz" (feito de youtubers, pastores oportunistas e militares tresloucados) não mostra tanta força. Já o Arenão ocupa o lugar de MDB e PSDB como representante da direita.

PSD tem boas chances em BH, Campo Grande e Goiânia. DEM pode vencer no Rio e em Curitiba, Florianópolis e Salvador.

O PSDB está forte apenas em Natal e Palmas. E vai precisar suar muito pra manter São Paulo.

Imaginava-se que DEM/PSDB tentariam juntos organizar um "campo intermediário" para concorrer com a esquerda e o bolsonarismo em 2022. Parece que esse meio do caminho será sugado pelo bolsonarismo, num novo arranjo.

Mais do que a sopa de siglas, importa notar que o regime Bolsonaro, sob tutela dos militares e do Centrão, busca institucionalizar-se: consolida-se em parceria com uma direita parlamentar, habilidosa e com amplas ramificações nos municípios.

Se, de um lado, esse Arenão "modera" Bolsonaro, de outro sinaliza para uma estabilização do regime, que ganha assim mais chance de se prolongar para além de 2022.

O que pode atrapalhar esse plano: a economia em frangalhos, o caos social e a derrota de Trump nos EUA. 

Por fim, fica claro que a esquerda colherá poucos bons resultados nas urnas em 2020. 

A saída é manter-se firme, renovar lideranças e voltar ao trabalho de base. Sem abrir mão da herança lulista.

A batalha será longa. O inimigo parece tosco, mas tem muita capacidade de construir novas alianças, repaginando velhas arenas.
04
Set20

Nova nota de R$ 200 pode facilitar corrupção e gera polêmica no Brasil, aponta Les Echos

Talis Andrade

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O jornal francês Les Echos desta quinta-feira (3) aborda o polêmico lançamento da nota de R$ 200 no Brasil e a suspeita de que esta facilitaria a corrupção no país. A nova cédula, ilustrada com o lobo guará, foi lançada nessa quarta-feira (2) pelo Banco Central brasileiro e já entrou em circulação

RFI - O correspondente do jornal econômico francês no Brasil, Thierry Ogier, diz que o lançamento foi justificado pelo governo para facilitar o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 a 60 milhões de brasileiros carentes durante a pandemia de coronavírus. Mas a nova cédula pode facilitar também a vida dos corruptos em um país onde os escândalos se sucedem.

Assim como parte da mídia brasileira, o diário francês questiona a necessidade da iniciativa em plena pandemia. Oficialmente, o BC explica que o volume de dinheiro em circulação aumentou quase 30% durante a crise sanitária, e o governo precisaria de dinheiro líquido para atravessar esse período crítico.

O artigo cita uma pesquisa de 2018, que aponta que os brasileiros preferem pagar suas compras em dinheiro vivo. Além disso, a população, que de acordo com o texto adquiriu muita experiência em outros momentos difíceis, perde a confiança nos bancos em tempos de crise e prefere guardar o dinheiro embaixo do colchão. Por sorte, a inflação está em queda, menos de 2%, e os riscos de que o lançamento influencie os preços são menores, afirma o artigo.

 

Lançamento não era prioridade

A maior preocupação, denunciada por ONGs, é com a possibilidade da nota de R$ 200 facilitar as operações de circulação, ocultação e lavagem de dinheiro. "Há muitos casos no Brasil em que o dinheiro da corrupção circula em espécie. Notas de grande valor na mão dos criminosos significa maiores riscos", alerta Roberto Livianu, presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, citado pelo Les Echos.

"Essa nova cédula não é, em absoluto, uma prioridade durante esse grave período da pandemia. A operação vai custar R$ 150 milhões. Esse dinheiro poderia ser mais bem utilizado", completa Livianu, que também é procurador da Justiça em São Paulo.

Três partidos políticos - Rede, Partido Socialista Brasileiro e Podemos -, de diversas tendências, entraram com uma ação, sem sucesso, no STF, pedindo a suspensão do lançamento da nova cédula com o lobo guará, conclui Les Echos.

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09
Mar19

O estranho fundo bilionário da Lava-Jato

Talis Andrade

 

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procura dor e não acha 

 

Do blog Cafezinho:
 
O Fundo tenta disfarçar a picaretagem informando que 50% dos recursos irão para programas de cunho social, não dando ênfase no fato que a outra metade será alocada para pagamento de acionistas que entrarem com pedido de indenização contra a Petrobras. Ou seja, antes mesmo de haver qualquer resultado judicial, a Lava Jato se posiciona contra o interesse da União e do erário público.
 
Esse fundo é um golpe no bolso do contribuinte brasileiro. Espera-se que o STF ou o Congresso ou o presidente da república tenham juízo para pôr fim à essa ideia da turminha de Curitiba. Dinheiro devolvido da Petrobras tem que ir 100% para o Fundeb, fundo nacional de educação básica. Ponto.
 
 
 
 
No Consultor Jurídico

Operação “lava jato” se torna meio para que o MPF vire gestor bilionário

6 de março de 2019, 11h39
Por Fernando Martines

O PT anunciou esta semana que vai questionar no Supremo Tribunal Federal o acordo assinado entre a Petrobras e os procuradores da “lava jato”, que prevê a criação de um fundo a ser administrado pelo Ministério Público Federal para investir no que eles chamam de projetos de combate à corrupção.
 
Acordo elaborado pelo MPF fez com que o órgão se tornasse gestor bilionário de dinheiro da Petrobras

A história envolve a mais nova tentativa do órgão de ser tornar o gestor de um fundo bilionário. Além do prestígio junto à população ao fomentar o que chamam de “combate à corrupção” por meio de punitivismo e cessação de direitos, os casos envolvendo a Petrobras se tornaram uma mina de ouro. Para acessá-la, os procuradores agora escavam.

A primeira tentativa foi em 2016. O MPF teve uma brilhante ideia: pegar os valores recuperados com Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Petrobras, e, em vez de devolver para a empresa, criar um fundo para combater a corrupção. Esse fundo, logicamente, seria gerido pelo Ministério Público.

O relator da “lava jato” no STF era o ministro Teori Zavascki, que negou categoricamente a ambição pecuniária dos procuradores. O julgador ressaltou que a Petrobras é uma empresa de capital misto e que, tendo sido lesada, deve ela receber a totalidade do que for recuperado. Não haveria nenhuma razão para a União (leia-se MPF) ficar com esse dinheiro.

A decisão de Teori foi em junho de 2016. Meio ano depois, ele morreu em um acidente de avião. Agora, o MPF novamente busca uma forma de ser o gestor de um gordo fundo. O meio encontrado foi ir em direção ao norte, mais especificamente aos Estados Unidos.

O MPF estabeleceu um acordo com a Petrobras no qual a empresa depositará 80% dos valores que pagaria em multas a autoridades norte-americanas para um fundo brasileiro. O fundo é de R$ 2,5 bilhões. O valor total do orçamento do MPF para 2019 é de R$ 4,067 bilhões. O acordo já foi homologado.
 
MPF no comando

O valor bilionário será gerido por um fundo. A formação foi definida pelo Ministério Público Federal, em papel timbrado da dita “força-tarefa” da “lava jato”.

Sobre a formação da diretoria do fundo gestor, o documento afirma: “O MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL no Paraná e o Ministério Público do Paraná terão a prerrogativa de ocupar um assento cada no órgão de deliberação superior da fundação mantenedora”.

Já a Petrobras não está tão prestigiada: “A PETROBRAS não terá qualquer responsabilidade, ingerência ou prerrogativa na constituição, manutenção ou composição da fundação”.

Caso o dinheiro do fundo não seja totalmente utilizado em cinco anos, o prazo pode ser prorrogado, mas será uma “decisão discricionária” do MPF.

Sobre a fiscalização, “fica assegurado ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, por meios próprios, o direito de fiscalizar a cumprimento das obrigações assumidas”.

Alguns outros detalhes: o MPF ficará responsável por buscar meios para a constituição da fundação privada (“inclusive a redação de sua documentação estatutária”); a sede será em Curitiba; e o MPF será o responsável por constituir um Comitê de Curadoria Social (CCS), que supervisionará a constituição dessa fundação.

Fora das atribuições

Segundo o PT, o MPF não tem competência para definir o destino de recursos públicos e estaria interferindo nas atribuições do Executivo e do Legislativo. “O Ministério Público pode muito, mas não pode tudo”, disse o deputado Rui Falcão (PT-SP) para a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo.
 
 
10
Jun18

Moro inocentou Youssef preso como traficante de drogas

Talis Andrade

O crime compensa:

Delação premiada lava, bem lavado, dinheiro sujo

 

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 Youssef bancou o tráfico de drogas de Rene Luiz Pereira

 

Na boceta de Pandora da Lava Jato, o segredo do bem querer: se Moro um juiz predileto dos doleiros, ou se os doleiros são criminosos de estimação da "corriola de Curitiba", conforme classificação de Tacla Durán, que denunciou a cobrança de 5 milhões de dólares de proteção, por uma delação mais do que premiada. 

 

Alberto Youssef (“Sou apenas um ex-cambista, nunca lavei dinheiro”, assegurou meses antes de confessar seus crimes para o juiz). Youssef é antes de tudo um reincidente. “É um delinquente profissional [...] Teve sua grande oportunidade para abandonar o mundo do crime, mas a desperdiçou”, argumentou o juiz Sérgio Moro há dois meses (outubro de 2014) ao manter a condenação de [apenas] quatro anos e meio de prisão pelo ‘caso Banestado’ (inicialmente suspensa por conta de sua colaboração).

 

 "Calcula-se que Alberto Youssef chegou a movimentar 2,08 bilhões de reais no ‘caso Banestado". 

 

"Dois meses atrás Youssef voltou assim mesmo a se converter em delator da polícia, transformando o ‘caso Petrobras’ em um barril de pólvora que afeta em cheio o ‘establishment’ empresarial, político e financeiro brasileiro", acrescenta o jornalista Pedro Cifuentes (em 8 dez 2014), em reportagem publicada no jornal espanhol El País: "Alberto Youssef: o doleiro que arrastou todos em sua queda". Que tem como sub-título a frase de Moro: "Ele teve sua grande oportunidade para abandonar o mundo do crime, mas a desperdiçou".

 

Para essa segunda prisão de Youssef são tortos os caminhos da Justiça. Porque Youssef foi novamente preso pela sua ligação com outros dois doleiros condenados por tráfico de drogas, e Youssef, espetacularmente inocentado. 

 

O juiz Sergio Moro considerou que não havia provas que mostrassem a participação de Youssef de "forma revelante" para o tráfico. "O escritório de lavagem de dinheiro de Youssef teria sido usado apenas como entreposto" de US$ 36 mil dólares, escreveu o juiz Moro na sentença.

 

Entreposto do bandido Rene Luiz Pereira que levou à prisão de Carlos Habid Chater que levou à prisão de Youssef. A esperteza ilusionista de citar US$ 36 mil dólares como pagamento de duas cargas de cocaína apreendidas:  No município de Araraqura, SP, 698 quilos de cocaína; no porto de Santos, SP (operação Pollino), 1,3 toneladas de cocaína. 

 

Rene Luiz Pereira traficante alvo de várias operações da Polícia Federal e de outros países, e Habid Chater também preso pelo tráfico de diamantes.

 

A droga a PF incinera, os diamantes talvez o mesmo destino das duas malas de dinheiro do Geddel.

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Youssef, condenado do BanEstado, foi preso na Lava Jato pela sociedade com Carlos Habid Chater, também preso e solto várias vezes pelos tráficos de moedas, drogas e diamantes

 

Escreve Cifuentes: “Todo mundo conhece Alberto Youssef em Londrina. Pode ser que não saibam quem é o prefeito, mas sabem quem ele é'. O policial que fez esse comentário em Curitiba é imediatamente respaldado pelo taxista que leva o correspondente no aeroporto de Londrina. 'Aqui sabemos tudo de Youssef', afirma divertido Roberto. Sua irmã era seu braço direito até morrer', diz. 

 

'Sempre se dedicou ao contrabando', afirma taxativamente um agente da polícia: fundamentalmente bens eletrônicos, mas também drogas e joias ilegais. Mais tarde, dedicou-se “a transportar dinheiro, que é ainda mais lucrativo”. Braço direito do poderoso ex-deputado de Londrina José Janene (PP), acusado no ‘caso Mensalão’, a morte deste em 2010 o alçou para o topo de uma gigantesca trama de desvio e lavagem de dinheiro ilegal. Após alguns anos de experiência em operações menores à frente de sua agência de câmbio, a morte de Janene transformou Youssef em um ‘lobista’ total.

 

A Lava Jato foi criada, precisamente, para investigar os bilionários tráficos de drogas e de diamantes. Tive a oportunidade de documentar que as investigações foram deixadas de lado, e os traficantes soltos. Vide links. 

 

Reportagem de Gil Alessi, no El País (março deste ano), informa: "Delatores da Lava Jato: penas menores do que o previsto e patrimônio mantido.


Executivos e doleiros que colaboram com a Justiça firmam acordos para manter patrimônio obtido de forma ilícita. 

Enquanto presos comuns se amontoam em cubículos, empresários, diretores e doleiros que firmaram acordos de colaboração premiada com a Justiça no âmbito da Operação Lava Jato vivem uma realidade bem diferente.

 

Responsáveis por desvios milionários, pagamentos de propina a agentes públicos, lavagem de dinheiro, formação de cartel entre outros crimes que lesaram os cofres públicos, eles negociaram com o Ministério Público Federal acordos nos quais puderam manter parte do patrimônio obtido muitas vezes de forma ilegal, além de terem as penas reduzidas além do que prevê a lei de colaborações.

 

Hoje muitos estão em coberturas de luxo e condomínios abastados cumprindo suas penas. O juiz Sérgio Moro já condenou, até o momento, 87 pessoas, e no total a Lava Jato firmou mais de 140 acordos de delação.

 

 

Lavagem de dinheiro sujo

e luxuosa vida de Youssef

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O caso do doleiro Alberto Youssef, por exemplo, é emblemático. Ele é um dos principais delatores do esquema de corrupção da Petrobras, e em seu caso a redução de pena foi muito superior aos dois terços previstos em lei. Condenado em vários processos a mais de 121 anos de prisão, conseguiu emplacar em seu acordo uma cláusula que prevê no máximo o cumprimento de três anos em regime fechado. Ele cumpriu dois anos e oito meses de prisão, e migrou para o regime fechado domiciliar, onde permanecerá mais quatro meses. Atualmente mora em um edifício de luxo localizado a cinco quadras do parque do Ibirapuera, em um dos metros quadrados mais caros da capital paulista - com varanda gourmet e equipes de segurança da empresa Haganá rondando o quarteirão. No dia em que a reportagem visitou o local, o doleiro estava se exercitando na academia do prédio, de acordo com funcionários do condomínio."

  

Para além das penas e condições nas quais ela é cumprida, o caso de Youssef tem outra peculiaridade. O contrato firmado por seus advogados com o MPF contém uma cláusula de performance: ele poderá manter 2% de todo o dinheiro que ajudar a recuperar. A quantia pode chegar a até 20 milhões de reais, a metade do patrimônio do doleiro que foi confiscado pela Justiça. Estima-se que ele tenha ajudado a movimentar mais de um bilhão de dólares. Ao jornal O Globo o advogado Antonio Figueiredo Basto, um dos defensores de Youssef, afirmou à época do acordo que “não se trata de privilégio, pelo contrário, tudo foi negociado estritamente dentro da lei”, e que “a delação é premiada, portanto, pressupõe vantagens ao meu cliente”. Soma-se a isso o fato de que, pela letra da lei, Youssef não poderia fazer a delação premiada na Lava Jato: ele já havia feito acordo semelhante em 2003, durante as investigações do escândalo do Banestado, e mentiu em seus depoimentos". 

 

 

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30
Jan18

Temer trambiqueiro

Talis Andrade

 

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Michel Temer (MDB) disse nesta segunda-feira (29), em entrevista à rádio Bandeirantes, de São Paulo, que não vai admitir "mais que se diga impunemente que o  presidente é trambiqueiro".

 

"Meus detratores estão na cadeia ou desmoralizados", ameaçou.

Temer também concedeu entrevista aos "jornalistas" que mais faturam na tv: Ratinho e Sílvio Santos.

 

Sílvio Santos ganhou da didatura militar de 64 duas redes de tv: a SBT e a Record, que vendeu para os bispos Edir Macedo e Marcelo Crivella, em um duvidoso negócio com dinheiro fornecido pelo tráfico de drogas da Colômbia.

 

No final da entrevista com Sílvio, Temer deu 50 reais para o bilionário apresentador. Puro deboche de quem compra deputados para votar. 

 

Informa 247: Temer já investiu 12 bilhões na compra de parlamentares.

 

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01
Dez17

V - As malas e os malas da política brasileira

Talis Andrade

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Foi noticiado pela chamada grande imprensa que as malas da propina, guardadas no bunker do ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e encontradas pela Polícia Federal, pegaram sumiço por artes de malabaristas.

 

A Polícia Federal um departamento como outro qualquer do Ministério da Justiça. O diretor nomeado pelo ministro da Justiça nomeado por Temer. 

 

As malas estavam recheadas de grana das propinas. De cédulas de reais, de euro, de dólar.

 

Que malas desapareceram? Nem precisa perguntar: As de euro, as de dólar.

 

Talvez para entrega ao verdadeiro dono. Talvez. Que essa mágica é comum na Polícia Federal.

 

Na ditadura militar de 64, presos políticos desapareceram para todo sempre. Do mesmo jeito que os pacotes de pasta de coca são incinerados... Do mesmo jeito que virou fumaça a meia tonelada de droga do helicoca de Perrella, um da não santíssima trindade de senadores de Minas Gerais.

 

Se o dinheiro era de Temer, justo que um funcionário mais fiel entregasse a César o que é de César.

 

Um escrivão consignou a falta de duas malas. Eis o  documento.

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Hoje a Polícia Federal conta a seguinte esfarrapada e pobre estória para desmentir o escrivão. Que cometeu um equívoco ao deixar de verificar duas malas pequenas que estavam dentro de outras duas malas maiores.

 

 

Publica o Jornal do País: 

 

Portanto, o erro foi corrigido e publicado no site da justiça. Porém, o interessante, é que a forma como o escrivão descreveu o recebimento, fica um tanto difícil considerar a correção.

 

“Certifico que, quando do recebimento do material encaminhado pela SR/PF/BA, referente a Operação Tesouro Perdido, através dos memorandos nº 3530/2017, 3531/2017 e 3532/2017, foi constatado a presença de somente 7 malas, sendo 6 grandes e 1 pequena, quando no auto de apreensão relaciona 9 malas, sendo 6 grandes e 3 pequenas”.

 

Também desapareceu a mala com R$ 500 mil de dinheiro da JBS recebida pelo deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

O parlamentar foi filmado pela Polícia Federal em uma ação controlada (planejada para flagrar delitos) carregando a bolsa ao sair de uma pizzaria em São Paulo às pressas.

 

  

28
Nov17

IV - As malas e os malas da política brasileira

Talis Andrade

Tem mês que um togado, para receber seu salário em dinheiro vivo, tem que levar uma mala. Caso do juiz Mirko Vincenzo Giannotte do Mato Grosso. Ficaram famosas as malas de propinas da JBS, que tinha como conselheiro o atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

 

Políticos, ministros de Estado, são conhecidos como carregadores de malas do presidente Temer.

 

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27
Nov17

III - As malas e os malas da política brasileira

Talis Andrade

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O mala sempre existiu. Ademar de Barros, interventor e governador de São Paulo, foi candidato a presidente do Brasil, em 1960, com o slogan "rouba, mas faz". Outro candidato a presidente, e também líder civil da didatura militar, Paulo Maluf.

 

Para citar outro da política de São Paulo, Delfim Neto, o pai da correção monetária dos governos militares, que ainda persiste na justiça, que faz parir gordos precatórios que, para ser pagos, precisa da assinatura de um presidente de tribunal.

 

Para acabar com a corrupção, o Brasil fez uma Revolução em Trinta, a campanha presidencial da vassoura de Jânio em 1960, e instalou uma ditadura militar em 64.

 

O incrível, que a única medida eficaz que até hoje existe contra a corrupcão, tenha sido de Fernando Collor, presidente em 1990. 

 

O fim do cheque ao portador, que é aquele em que não foi definido o beneficiário. Que pode ser sacado por qualquer pessoa ou depositado em qualquer conta bancária, criou a necessidade da mala, que nenhum ladrão vai querer receber uma propina paga com cheque nominal ou cruzado.

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Quando o valor a ser pago é acima de cem reais, utiliza-se o cheque nominal. Nele, o nome do beneficiário é escrito por extenso no local adequado da folha. Dessa maneira, ao contrário do cheque ao portador, ele só poderá ser sacado pelo beneficiário ou depositado em sua conta.

 

Assim sendo, a propina passou a ser paga em dinheiro vivo. Teve governador que colocou o dinheiro nas meias. Deputado na cueca. Deputada, na calcinha, no sutiã.

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26
Nov17

II - As malas e os malas da política brasileira

Talis Andrade

Era costume no Sertão, com a morte de ricos avarentos, a família cavar salas e quartos a procura de botijas de ouro e prata enterradas.

 

No Brasil hoje, a Polícia Federal procura dinheiro nos apartamentos de funcionários do legislativo e do executivo. Nada de procurar nas residências dos cortesãos dos palácios da justiça, porque possuem anistia antecipada para todos os crimes. A máxima condenação para um juiz, um desembargador: o prêmio de uma aposentadoria antecipada. 

 

Achar dinheiro é fácil. Na Operação Tesouro Perdido, a Polícia Federal encontrou malas e mais malas no apartamento de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) em Salvador. 

 

A reação do presidente Michel Temer foi imediata. Trocou o sofá da sala, isto é, nomeou Fernando Segóvia diretor da Polícia Federal, que questionou:  Mala com R$ 500 mil "talvez" seja insuficiente para provar crime.

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Acontece que são várias malas. 

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 O ministro Geddel é conhecido como um dos carregadores de malas do presidente Temer. 

 

Para Segóvia, o papel de Temer no crime apontado pela Procuradoria Geral da República "é um ponto de interrogação que está no imaginário popular". 

 

Rodrigo Janot que era o chefe da PGR, e também substituído por Temer, não demorou na resposta. Chamou Segóvia de "pau mandado". E questionou:"A pergunta que não quer calar é: ele se inteirou disso ou está falando por ordem de alguém?"

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